Odi profanum vulgus et arceo
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30/03/07

Gerador de verdades



No sítio The People's Cube, onde se procede a actividades generalistas em prol dos povos de todo o mundo, existe um mecanismo inovador e muito útil que permite gerar automaticamente todas e quaisquer verdades que se pretendam.

Quando a gente tem dúvidas sobre qualquer assunto, e estando em ânsias por saber o que pensar a respeito, por exemplo, dos professores, então não tem problema nenhum: é ir lá, meter "teacher" na caixinha dos inimigos de classe, dar ao botão e pronto, aí vem a resposta:

"Teacher, you are a clean-shaven tool of the capitalist class because you watch Fox News regularly!"

Tudo clarinho como água. E, evidentemente, o que vale para professores vale para todos os outros inimigos de classe, os "chuis" ("cops, you are a flat-earth believing tool of the capitalist class because you think that America is overtaxed!"), os capitalistas, os trabalhadores (!), as amas de criancinhas ("baby-sitter, you are an immigrant-bashing strict constructionist because you don't root for Cuba!"), as próprias criancinhas, coitadinhas, e até mesmo os cães e os gatos (a sério, fui conferir, os cães e os gatos são inimigos do povo).

Esta maravilhosa engenhoca não falha uma, posso afiançar. Desde a propagação da fé no aquecimento global à invasão do Iraque e aos amanhãs que cantam Allah-U-Akhbar Lá-lá u-lá-lá; a máquina da verdade (Pravda, no original) gera sentenças aleatórias progressistas, sempre certas e exactas, na sequência aliás da tradição infalível do socialismo científico. É bestial, aquela merda, espécie de novo electrodoméstico essencial em cada lar feliz e na cabecinha pensadora de qualquer esquerdista que se preze.

É que não falta nada ali, nadinha mesmo. Até tem uma secção, tanto ou mais útil ainda do que as outras, intitulada "Uma verdade por dia", onde qualquer pessoa menos esclarecida pode tomar sua dose diária de esquerdismo militante, esse maldito vício a que ninguém escapa.

Caralhosmafodam se isto não é serviço público. De facto, como eles próprios dizem, os geniais inventores do esclarecimento electrónico, num dos seus lemas, "cem anos de falhanço total, o que é isso?"

Bem estávamos todos precisados de algo assim, uma maquineta tecnologicamente evoluída, sem nada a ver com a cassete do Cunhal, a grosseria da Odete ou as paneleirices do Louçã. Foda-se, agora é que é: entram dúvidas e perplexidades por um lado, sai um ticketzinho com a resposta pelo outro. Maravilha das maravilhas, reconheçamos reconhecidos.


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23/02/07

Sitting Duck



Diz-se que S.A.R. o Príncipe Harry de Inglaterra vai para o Iraque, integrado nas forças combatentes britânicas ali estacionadas.

Existem alguns vídeos de propaganda islâmica no YouTube que demonstram como é belo e airoso o quotidiano nos paraísos fundamentalistas.


http://www.youtube.com/watch?v=WfOy_ul5VWw


Um filme de propaganda, sem montagem alguma. "Heróicos" snipers iraquianos abatem soldados americanos ao som de maviosas cançonetas em árabe. É esta a única "batida" que eles conhecem.



http://videos.informationclearinghouse.info/al-jaishul-islami-baghdad-sniper-24mb.wmv


Alguém deve ter enlouquecido, lá pelo palácio de Buckingham.




Foto: http://fotos.sapo.pt/rmoitadedeus/pic/0001d5b5/

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06/02/07

Descubra as diferenças

Estas duas empresas de reciclagem parecem iguais, mas não são; existem sete ligeiras diferenças entre elas. Descubra-as!




(Falta aqui o boneco de um dos "movimentos" pelo Sim ao aborto, patrocinado pelo BE; é muito parecido com estes dois, já o vi algures, mas não consigo encontrá-lo de novo; se, por acaso, o topar por aí, é favor enviar e-mail com o link.)


Imagens de
Comunidades Net
C.M. Tomar

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20/01/07

Vira, Casaca

Paulo Casaca, a Portuguese politician and Member of the European Parliament for Portugal's Socialist Party (Partido Socialista), visiting Camp Ashraf, a Terrorist camp belonging to the Mojahedin-e Khalq of Iran based in Iraq. For more information about MKO, go to www.iranpeyvand.com



Notícia no Correio da Manhã
Notícia no Iran Peyvand

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19/01/07

Paridade e Ubiquidade



Alaíde Costa(I), Bernardo Pires de Lima, Bruno Gonçalves, Bruno Vieira Amaral, Constantino Xavier, Gonçalo Curado, Henrique Raposo, Paulo Pinto Mascarenhas(I), Paulo Tunhas(I), Pedro Marques Lopes, Tiago Geraldo, Tiago Moreira de Sá, Vitor Cunha(I).
Estes são todos do blog Revista Atlântico... blogue. Aquilo ali no princípio, Alaíde, deve ser nome de gaja. E vai uma, salvo seja.

Director: Paulo Pinto Mascarenhas(II).

Conselho Executivo: João Marques de Almeida, Luciano Amaral(I), Rui Ramos(I), Vasco Rato(I)

Conselho Editorial: André Azevedo Alves, António Nogueira Leite, Constança Cunha e Sá, João Marques de Almeida, João Pereira Coutinho(I), José Manuel Morais Cabral, Leonardo Mathias, Lourenço Lucena, Luciano Amaral(II), M. Fátima Bonifácio, Manuel Falcão(I), Miguel Monjardino, Nuno Garoupa(I), Paulo P. Mascarenhas(III), Paulo Tunhas(II), Pedro Ferraz da Costa, Pedro Lomba, Pedro Marques Lopes, Rui Ramos(II), Vasco Rato(II), Vítor Cunha(II).

Duas gajas. E vão três.

Colaboradores (edição de Janeiro): Adolfo Mesquita Nunes, Alaíde Costa(I), Alexandre Borges, Alexandre Soares Silva, André Abrantes Amaral, André Azevedo Alves, Bernardo Pires de Lima, Bruno Alves, Bruno Cardoso Reis, Bruno Garschagen, Carlos Coelho, Constantino Xavier, David Lourenço Mestre, Fátima Vieira, Gonçalo Reis, Henrique Burnay, Henrique Raposo, Inês Teotónio Pereira, João Luiz Neves, João Miranda, João Pereira Coutinho(II), Joaquim Luiz Gomes, Jorge Madeira, José Nunes, Laura Abreu Cravo, Leonardo Ralha, Luciano Amaral(III), Manuel Falcão(II), Miguel Noronha, Nuno Amaral Jerónimo, Nuno Garoupa(II), Nuno Vieira Matias, Paulo Tunhas(III), Pedro Marques Lopes, Pedro Picoito, Rita Barata Silvério, Rodrigo Moita de Deus, Rui Ramos, Tiago Cavaco, Tiago Geraldo, Vasco Rato(III), Vítor Cunha(III).

Mais três. E vão seis.

Ilustração: Lucy Pepper, José Pedro Abreu

Oito.

Director de publicidade: Jorge Reis.

Oito.

Oito gajas, 8, no meio de sessenta e um gajos, 61. Xi. Destes 61, ainda por cima, há dois que se chamam Luiz e não há nenhum Luís. Sim senhor. Isto é que é o verdadeiro magazine para cavalheiros. Se contarmos, porém, com a telefonista, a mulher das limpezas e a senhora dos bolos, que serve também chá e torradas no "coffee break", teremos para aí uns onze ou doze exemplares do belo sexo, lá pela redacção do "Atlântico"; nada mau, se bem que um pouco à revelia das conveniências políticas, para já não falar em aspectos legais, como a sobejamente conhecida "lei da paridade" e outras merdas que tais. O que farão estes marmanjos nas horas vagas, que não serão de resto tão poucas como isso? Isto é que é o verdadeiro paradigma do "sete cães a um osso", dá qualquer coisa como seis cavalheiros para cada dama disponível, caramba, como é dura a vida do periodista. Para agravar a coisa, e se atentarmos na pinta não muito esbelta da carinha laroca mais conhecida lá do sítio, teme-se o pior, aqueles bacanos devem andar a segregar queijinhos frescos que nem uns danados.

Mas isto da paridade, enfim, tem muito que se lhe diga; ninguém pode condenar um grupo de chavalos que assim se refugiam dos riscos e das maçadas que inevitavelmente acarreta a convivência com o mulherio, e ainda pior se houver gajas boas, como sabemos, perde a gente a concentração e não tarda nada está tudo fodido, é encornanços a torto e a direito, lá se vai o ganha-pão em menos de um fósforo. Agora quanto à ubiquidade, que é, como sabemos, um dom, aí é que a coisa se torna mais curiosa; ele há quem diga que isto é sempre os mesmos, os VIBs da blogaria desdobram-se em múltiplos papéis, debitam ideias brilhantes e textos impecáveis num ror de blogs, vão a jantares e a confraternizações blogueiras, onde mandam umas bocas foleiras, comparecem nas entrevistas mais mediáticas sobre o "fenómeno" bloguístico, nas quais discorrem com muito sentido humorístico, e ainda arranjam tempo para escrever umas colunazitas na imprensa generalista, onde sabiamente analisam o mundo bloguista.

Como se vê, ele há quem diga, mas diz mal; não são sempre os mesmos, não senhor, nem pensar, e que não lembre a ninguém sequer imaginar ter-se constituído uma seita, cá no bairro, longe vá o agoiro. Aquilo é tudo bons rapazes, alguns deles até dados às coisas do purismo, e tal. Todos identificados pelo nome, são de resto conhecidos por isso mesmo, verdadeiros portentos de identificação, não há que temer coisa alguma, quaisquer duas ou três engraxadelas bem dadas poderão garantir um bilhete de ingresso em tão selecta irmandade.

Não temais, pois, ó homens de pouca fé, porque a vossa horita há-de chegar. Esmifrai um pouco mais vossas artes bajulativas, treinai afincadamente vossos cérebros para a liturgia do beija-mão, e logo logo vereis recompensados os resultados de vosso esforço. Uma palavrinha elogiosa, uma referenciazinha, um linkezinho, vá lá, e tereis vós outros garantido o reconhecimento público, o triunfo mediático, ou, numa palavra, a glória. Claro que ser gaja não ajuda, a julgar pela amostra, mas nunca se sabe; anonimato também não, isso é coisa que repugna (mete nojo) àquela malta, de finos que são, por isso arranjai lá vós outros um nomezinho fixe, assim sonante, tipo Tio de Cascais imensamente liberal e porreta, por exemplo Luiz com zê, e complementai com duplo apelido, que sei eu, Matos Cruz, Ribeiro Machado, Alves da Cunha, ou assim. Vereis então, se me não engano, as portas que se vos abrirão. É certinho.

Toca a andar da perna que não chega para todos, vá. Aquela merda só custa oitocentos paus, que diabo. Tomai e bebei-lhes as palavras.

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25/09/06

...



James Nachtwey

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24/09/06

Eventualmente

10. Uma mulher (e o pulha que a pressiona) que aborta deve sentir apenas uma coisa: o peso da sua consciência. O peso do estado da lei - não é para aqui chamado.
Blogue- Revista Atlântico


Eventualmente. "Uma mulher (e eventualmente o pulha que a pressiona)".

Porque, eventualmente, também acontece a mulher abortar sem sequer dizer água-vai (águas-vão) ao pai da futura ex-criança.

Eventualmente, se frequentemente for excessivo, mulheres abortam contra a vontade do parceiro.

Eventualmente, uma mulher pode não saber quem é o tal, ao certo, ou a quem ir contar a novidade. Ou calar-se, pura e simplesmente por não ter eventualmente a certeza.

E porque, ele há coisas do diabo, pode suceder que, eventualmente, a consciência se ausente para parte incerta.

Eventualmente, as variantes e as variáveis invalidam juízos horizontais e definitivos.

Eventualmente, se faz o favor. Eventualmente é importante.

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23/09/06

Olha que dois

Diversas teses catastrofistas estão já bem arreigadas no subconsciente do cidadão comum, incorporando este como sua cada uma delas, e tornando-se passivamente refém das respectivas, presumivelmente terríveis, consequências. Torna-se cada vez mais difícil encontrar, nas sociedades industrializadas, alguém que não acredite piamente nos mais difundidos paradigmas destas "verdades científicas" catastróficas, ou seja, o aquecimento global (que tem a ver com o chamado efeito de estufa) e o "buraco" do ozono, com toda a envolvência temática inerente; o espectáculo catastrofista, servido a todo o instante a toda a gente, é apresentado por regra com recurso aos melhores efeitos especiais e aos mais reputados especialistas, com a ajuda de quadros, gráficos, cifras; tudo devidamente embrulhado em generalidades evidentes, como a poluição, a pilhagem de recursos naturais, a extinção de espécies animais e vegetais. Compondo o ramalhete e no sentido de dar credibilidade às teorias do desastre iminente, estas são ilustradas com as mais diversas catástrofes naturais, terramotos, erupções vulcânicas, maremotos, furacões e tempestades, sendo todos estes fenómenos interpretados como "sinais" de que algo de muito grave está para suceder, num futuro próximo, se não se tapar imediatamente o buraco do ozono, se não se destapar a estufa e se não se reduzir drasticamente a temperatura média do planeta. Para alcançar tal desiderato, não resta outra saída que não seja a imediata e dramática redução da emissão de gases poluentes. Os cataclismos naturais que sempre existiram, daí se dizerem "naturais", são enfiados à matroca na teoria, por forma a se estabelecer uma estranhíssima mas facilmente deglutível relação de causa e efeito, que é vendida como verdade universal, ou seja, que o modo de vida é tanto mais perigoso para toda a humanidade quanto mais evoluído for, e, por consequência, vice-versa: a solução final residiria portanto na eliminação sumária das fontes de poluição atmosférica: a começar pelos motores alimentados a combustíveis fósseis, como sejam os dos automóveis, dos aviões, dos navios, mas também os das unidades de produção de energia, o que implica comboios, fábricas, iluminação, elevadores, escadas rolantes, botões de campainha, ou, enfim, numa palavra, tudo. No topo da lista de potenciais, perigosíssimos inimigos do ambiente, surgem os muito nocivos frigoríficos e os igualmente aparelhos de ar-condicionado, e ainda certos produtos químicos e processos de fabrico.

À esmagadora maioria dos crentes nesta espécie de Igreja do Maldito Progresso, não ocorre nunca a mais leve dúvida sobre a pretensa infalibilidade das previsões, da mesma forma que nunca se questiona sobre a validade da sua dedicação à causa ecologista ou sobre a utilidade da sua participação na "luta" pelo ambiente; não faz a mais pequena ideia do significado exacto de qualquer das teorias que interioriza como verdades absolutas; da mesma forma, nem se questiona minimamente sobre a utilidade da sua dedicação pessoal a tarefas tão meritórias como separar o lixo doméstico, ensinar a juventude a usar o vidrão, o papelão e o pilhão; quanto a soluções, práticas e objectivas, para tão urgentes e decisivos problemas, o cidadão que se julga ecologicamente consciente não sabe nem tem a mínima pista sobre o que deve ser feito, se bem que aceite perfeitamente a ideia subjacente: o fim da era industrial. Quem sabe se, no fundo, no fundo, não será melhor para todos regressar à Idade Média ou, mais para trás ainda, às nossas ancestrais cavernas; antes isso, realmente, do que acabar a espécie humana por destruir, em apenas algumas dezenas de anos e por pura maldade, o planeta em que vive há milénios.

Um novo fenómeno sociológico se vai definindo, nos tempos que correm: quanto mais catastrófica é a teoria, mais depressa e mais profundamente ela se incorpora na chamada consciência colectiva, no subconsciente individual e, estruturalmente, no corpus social. Refutar, contestar visões apocalípticas do futuro, torna-se portanto cada vez mais difícil e, provavelmente, inútil; provar ou comprovar a nulidade, evidenciar o ridículo de tais visões seria sem dúvida uma notícia boa, excelente. Mas as boas notícias não conquistam audiências, nem contêm qualquer apelo emocional, pelo que estão paradoxal e inexoravelmente condenadas ao fracasso. Para muita gente, em especial para os novos apóstolos do fim dos tempos, semelhantes constatações significariam mesmo muito más notícias, a começar pelo próprio desemprego, a continuar pela condenação às agruras do descrédito, e a acabar pela demanda desesperada e exaustiva de uma nova, chamativa, suculenta, mirabolante paranóia.

Para já, e enquanto a coisa está a dar, sucedem-se os périplos e as conferências, perante cada vez mais assustadas audiências, apresentando repetidamente os conferencistas o "problema" mas nunca, ou muito raramente, a solução. A não ser, é claro essa coisa vaga e impraticável que é a "redução de emissões". Países gigantescos, como a China ou a Índia, atarefados na resolução de problemas reais intramuros, pouco ou nada se ralam com este tipo de maçadas, marimbam-se positivamente para o anti-tabagismo e para modas quejandas, como esta agora dos calores na Islândia ou das calotes a derreter; tanto se lhes dá, a esses como a outros. Espalhafatos como o Protocolo de Quioto, se bem que resultem bem como parangonas, deixam muito a desejar como resultado, quanto mais como solução. Talvez a esterilização em massa, quem sabe; menos uns quantos milhares de milhões de potenciais automobilistas, no espaço de uma única geração, provavelmente chegariam para reduzir as emissões, tapar uma coisa, destapar a outra, fechar por fim o maldito buraco. Mas não, parece que não é isso que os "experts" acham que deve ser feito, quando são apanhados a achar alguma coisa que não a do costume.

O gado vacum produz, em todo o mundo, tantos gases (de escape, digamos assim) como aqueles que são debitados por milhões de automóveis, em cada hora-de-ponta; não está estudada a nocividade da flatulência (bovina, neste caso) na atmosfera, mas não seria certamente por isso que os governos desatariam agora a decretar o abate maciço e imediato de tão pacíficos e úteis animais; não, acabar com o bife de vaca não é solução.

Uma só erupção do Vesúvio expele mais gases e poeiras (e muito mais nocivos ambos) do que todas as explorações cimenteiras à face da Terra, ao longo de anos ou décadas; fabricar testos para tapar os vulcões seria, evidentemente, tão má ideia como eliminar por decreto o cimento das construções. Não, esta também não.

Impedir administrativamente que as placas tectónicas se movam, e com isso libertem a energia de umas quantas bombas atómicas, tendo a energia o enervante vício de gerar calor, é algo que se afigura tarefa de muito difícil execução. O mesmo princípio vale para os efeitos devastadores que o aumento de temperatura provoca nos mares do planeta, principalmente quando esbarra a água aquecida em placas ou em maciços de gelo. Pois não, de novo, é um aborrecimento, estas coisas escapam ao nosso controlo, por aqui também não vamos lá.

Enfim, seria fastidioso, de mais a mais vindo de um perfeito leigo na matéria, enumerar alguns factos que derrotam só por si as teses ambientalmente cabalistas. Mas não há nada como ir às fontes, as verdadeiras, aquelas que não dependem financeiramente do que dizem e da forma como o dizem, ao contrário dos mestres do desastre. Esta outra gente sabe do que fala e nem sequer tenta (como eu) falar daquilo que desconhece. A ver se haverá algum resíduo de curialidade nas teorias da conspiração global. A dúvida metódica é como o Melhoral, nem faz bem nem faz mal, mas é incomparavelmente melhor tê-la (sempre à mão) do que andar por aí a abarrotar de certezas absolutas.

Assim de repente, são duas as fontes onde se podem beber alguns ensinamentos refrescantes.

Há uma em Portugal, num blog muito apropriadamente chamado Mitos Climáticos, assinado por Rui G. Moura. Algumas citações respingadas, só para despertar a sede:

1. Foram apagadas, por exemplo, estas palavras: «Nenhum dos estudos referidos atrás apresenta provas claras para que se possa atribuir as variações [climáticas] observadas à causa específica do aumento [das emissões] dos gases com efeito de estufa».

2. Nos Estados Unidos da América, apesar de tudo, existe algum debate. Mas os media americanos são esmagadoramente favoráveis ao «global warming». E o senador Al Gore chegou a apoiar um filme a propagandear o mito climático do aquecimento global.

3. O director do Real Instituto começou por dizer que hoje em dia muitos suecos coçam a barba quando ouvem falar no «global warming». É natural, depois de terem sofrido, por exemplo, no mês de Março de 2006 tanto frio como nunca haviam suportado antes.

4. A temperatura está a subir em Lisboa? Como na maioria das cidades da Europa...Então, como a temperatura sobe, dizem-nos que podemos encontrar aqui a confirmação do «global warming»... A culpa é das emissões antropogénicas ponto final, parágrafo!
Mas princípios elementares da física desmentem esta afirmação que está na moda. É fácil repetir a cartilha do IPCC. Para quê raciocinar? Aparentemente, é tão simples que não merece discussão...Aquela afirmação, tão repetida, até parece ser verdadeira!

A outra fonte, de resto citada pelo blog Mitos Climáticos, tem um título que diz tudo. Entre outros, há dois gráficos, com números, com cifras que não só mas também:

Global Warming: A closer look at numbers

Just how much of the "Greenhouse Effect" is caused by human activity?
It is about 0.28%, if water vapor is taken into account-- about 5.53%, if not.
This point is so crucial to the debate over global warming that how water vapor is or isn't factored into an analysis of Earth's greenhouse gases makes the difference between describing a significant human contribution to the greenhouse effect, or a negligible one.





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22/09/06

A tolerância da Natureza ou...

A natureza da tolerância no Islão
Os actos de violência que os muçulmanos têm cometido na Europa e nos Estados Unidos, são geralmente atribuídos a uma minoria "fundamentalista", mas na verdade todo o Islão se fundamenta em princípios de intolerância e beligerância, especialmente contra o mundo Cristão ocidental. Conheça alguns pormenores bem esclarecedores...
Roberto de Mattei

Nas terras conquistadas pelo Islão, a opção deixada aos vencidos é a conversão ou a morte. Para os adeptos da religião dos "Livros Santos", cristãos e hebreus, mas também sabeítas e zoroastristas, definidos como "gente do Livro" (ahl el-Kitab) ou "gente do Pacto" (ahl el-dhimma), está previsto um estatuto privilegiado desde que aceitem submeter-se ao Islão. Tal estatuto jurídico de inferioridade, chamado dhimma, é simbolizado pelo pagamento de uma taxa pessoal que indica o reconhecimento público da subordinação ao Islão.
O pacto de Omar, primeiro sucessor do profeta, introduziu o distintivo para os protegidos: castanho para os madeístas, azul para os cristãos, amarelo para os hebreus e, confinando os dhimmos em bairros especiais, antecipa assim o aparecimento da prática dos guetos.
Os dhimmos, desde que aceitem submeter-se ao Islão, são integrados na comunidade islâmica, mas na condição de uma pesada sujeição jurídica. São excluídos dos cargos públicos e obrigados a cumprir os imperativos sociais da charia; o proselitismo religioso é punido com a pena de morte, mas os dhimmos devem aceitar o proselitismo dos muçulmanos, mesmo nas suas igrejas ou sinagogas. Por outro lado, os dhimmos não podem construir edifícios mais altos do que os dos muçulmanos, devem proceder aos funerais dos seus mortos em segredo, sem prantos nem lamentos; é-lhes vedado tocar sinos, expor qualquer objecto de culto e proclamar, diante de um muçulmano, as crenças cristãs. Um muçulmano pode casar-se com uma mulher dhimma, mas um dhimmo não pode casar-se com uma muçulmana; a criança nascida de um casamento misto é sempre muçulmana. A sanção que pune os muçulmanos culpados de delitos é atenuada se a vítima for um dhimmo. Os não-muçulmanos nunca podem ser testemunhas contra muçulmanos, sendo o seu juramento inaceitável. Tal rejeição funda-se, segundo os hadith, sobre a natureza perversa e mentirosa dos "infiéis" que insistem deliberadamente em negar a superioridade do Islão. Pela mesma razão, um muçulmano, mesmo que seja culpado, não pode ser condenado à morte, se for acusado por um infiel. Pelo contrário, aconteceu diversas vezes que houve dhimmos condenados à morte no lugar de muçulmanos culpados.
A rejeição das testemunhas dhimmas é particularmente grave quando elas, caso não raro, são acusadas de ter "blasfemado" contra Maomé, delito punido com a pena de morte. Os dhimmos, incapacitados de refutar em juízo as acusações dos muçulmanos, encontram-se, muitas vezes constrangidos a aceitar o Islão, para conseguirem salvar a vida.
O pagamento do tributo a que estão sujeitos os dhimmos, chamado kharadj, é justificado pelo princípio segundo o qual a terra subtraída pelo Islão aos "infiéis" é considerada como pertencente, por direito, à comunidade muçulmana. Por força deste princípio, qualquer proprietário é reduzido à condição de um tributário que detém a sua terra na qualidade de mero usufrutuário por concessão da umma. A taxa vem carregada de um simbolismo sagrado e bélico: é o direito inalienável atribuído por Alá aos vencedores sobre o solo inimigo. Além da kharadj, os dhimmos são obrigados a pagar outro imposto, a djizya, que lhes é imposta no decurso de uma cerimónia humilhante: enquanto paga, o dhimmo é golpeado na cabeça ou na nuca.
É esta a natureza da tolerância no Islão.

Fonte: Roberto de Mattei, "Guerra Justa, Guerra Santa - Ensaio sobre as Cruzadas, a Jihad islâmica e a tolerância moderna ", Livraria Civilização Editora, Porto, 2002, Capítulo II, págs. 65-68. Transcrição autorizada pelo Autor.
Roberto de Mattei é Professor Catedrático de História Moderna na Universidade de Cassino, Itália.



Texto transcrito do site Arautos d'El Rei
(Recebido por e-mail)

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Se Neil Armstrong fosse muçulmano, afinal a Apollo 11 já era verdade?

Reprodução integral de um post de David Amery (Urban Legends)

Was Neil Armstrong the First Muslim on the Moon?

"Wait," you're probably saying to yourself, "I didn't even know Neil Armstrong was a Muslim." Well, he isn't. But, as Slate's Explainer reminded us recently, there is a longstanding urban legend in the Islamic community to the effect that astronaut Armstrong heard the words "Allahu akbar" ("God is great") when he first set foot on the moon and immediately converted to Islam on his return to earth. Never happened, says Armstrong.

He never said "Good luck, Mr. Gorsky," either. But you knew that.

Further reading:

• Why Do Muslims Say 'God Is Great'? - Slate
• How Neil Armstrong 'Became' a Muslim - Answering Islam

(Image credit: NASA)

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21/09/06

A obsessão anti-comunista

From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic an iron curtain has descended across the Continent.
Winston Churchill

Duas das três pessoas que aqui vêm às vezes manifestaram algum incómodo por aquilo que lhes parece ser uma mania persecutória (minha e de outros que tal) em relação aos comunistas. Que meto tudo no mesmo saco, ele é comunas e comunistices a torto e a direito, um exagero; e que diabo, que já chega, isto assim torna-se chato, maçador, repetitivo. Pois sim. Esclareçamos então competentemente.

É que esses cabrões (a esquerdalhada toda) estão agora tentando levantar a cabeça de novo, e essa merda, em última análise, irrita-me profundamente. É muito simples, humano e compreensível: o comunismo, à semelhança do fascismo e do nazismo, deveria - pela ordem natural das coisas - estar hoje em dia completamente comatoso, reduzido como ideologia à condição de simples referência histórica e como movimento social à mais completa das insignificâncias, com uma representatividade meramente residual. Ora, das três variantes de bestialidade promovida a ideia, apenas resta uma, e precisamente a mais violenta, a mais abjecta, a mais desumana delas. Não apenas subsiste, mesmo depois de destapados os crimes contra a humanidade pelos quais foi directamente responsável, como ressurge agora com uma nova pujança, com mais arrogância ainda, com novos e ainda mais alucinados argumentos, com novos e ainda mais sanguinários aliados de circunstância.

A perturbação mental vulgarmente designada por comunismo, ou na sua versão pura e dura ou mascarado de "democrata" - envergando roupagens socialistas, ecologistas, popularistas - ou ainda simplesmente infiltrado nas correntes de opinião e de influência, não apenas se mantém hoje nas esferas do Poder político como ameaça seriamente conseguir aquilo que nunca na História tinha alcançado: o beneplácito. Seja ele político ou de simples opinião pública, seja por desmemorização sistemática da História ou através de insinuações e subtilezas de raciocínio, o facto é que o beneplácito geral, em relação a tal ideologia e aos criminosos que a perfilham, significa na prática desculpabilizar a primeira e inocentar os segundos. E isso, assistir impávido e sereno, como é pelos vistos de regra e de uso geral, torna-se absolutamente insuportável para quem - pura e simplesmente - se nega a esquecer.

A recusa da amnésia histórica, ou da terraplanagem do passado, obriga obviamente a, ao menos, denunciar aquilo que se está a passar; implica reconhecer os tiques totalitários no discurso comunistóide, as suas tácticas de propaganda, e denunciá-los, aos tiques, ao discurso e à propaganda; pressupõe que se diga e faça alguma coisa para tentar ajudar a travar a marcha implacável da militância acéfala, a arregimentação cega de indivíduos cegos pelas dificuldades extremas e pela penosidade da vida quotidiana. Ora, aquilo que se está a passar é a repetição taxativa do que sucedeu recorrentemente até à década de 90 do século XX; o discurso e os tiques são os mesmos, a papel químico do que então sucedia, a mesma estratégia de aproveitamento da pobreza, de apologia do medo e de capitalização da angústia; a mesma técnica de repetição exaustiva de factos inventados até que estes se transformem em factos reais; a mesma oferta de respostas utópicas, facílimas de entender, para questões concretas e extremamente complexas, dificílimas de resolver.

Aqueles que se dizem muito amigos dos "desfavorecidos", dos explorados, dos pobres em geral e, por consequência, se julgam moralmente superiores, oferecem - hoje como ontem - solução rápida e eficaz para tudo e mais alguma coisa, na condiçãozinha implícita de que, em troca, os povos contemplados com a bênção da iluminação socialista recompensem os respectivos benfeitores com a tomada do Poder, essa coisa horrível quando em mãos erradas. Porque, de resto, tirando esse pormenor insignificante, está feito, é facílimo, mas afinal qual é o problema, resolve-se já: é o desemprego? Pois que haja mais emprego, e o emprego já há. É a fome? Pois que não haja mais fome, e a fome desaparece. É a guerra? Pois que se faça a paz, e paz se fará para todo o sempre. A mensagem é clara, transparente: amigos, camaradas, companheiros, não sejais inferiores, não exploreis mais o vosso semelhante, não vos deixeis explorar, juntai-vos a nós outros, os bons, os que nem exploram nem se deixam explorar, e todos juntos cantaremos alegre e eternamente, em suprema felicidade. Ai ele há desemprego? Mas, ó camarada, é muito simples: Diz Não Ao Desemprego! Ai eles querem tirar-te direitos, companheiro? Então diz assim: Mais Direitos, Já! Ai eles querem acabar com as tuas regalias? Ai os malandros. Vai e atira-lhes: Andar Para Trás, Não!

Pois que, já lá disse Estaline, o paizinho dos povos, "faça-se felicidade" e fez-se felicidade, "criemos uma sociedade sem exploradores nem explorados" e criou-se uma sociedade sem ambas as coisas. O que pretendeis vós outros, pobrezinhos, homenzinhos? Hem? O que vos faz falta? Dizei uma só palavra e sereis salvos das garras do capital. Vinde a nós, juntai-vos a esta aliança, a aliança da paz e da abundância, e vivereis eternamente no paraíso, livres de todo o mal.

Nunca, jamais, em tempo algum, a mais ínfima das promessas socialistas se cumpriu, mas isso não atrapalha minimamente o ressurgimento da ideia totalitariamente igualitária. Após uma década de quase completo apagamento, que decorreu entre o fim do Império soviético (1991) e o ressurgimento do islamismo radical (2001), ei-los de novo, os herdeiros da felicidade compulsiva, da abundância rigorosamente planeada, espalhando a fé e tentando reconstruir o império. Que importam agora as dezenas de milhões de seres-humanos massacrados em nome do ideal, onde isso já vai, agora o que interessa é o futuro, e o futuro é radioso, há-de ser por força, está cientificamente provado que não há nada mais radioso do que o futuro.

Nem mesmo a última das armas, a ironia, ou a mais radical de todas, a exposição do ridículo, parece ter actualmente qualquer espécie de efeito; não, evidentemente, nos próprios comunistas, porque a esses nem uma leucotomia poderia valer, mas nos meios tóxicos onde as suas mentiras se reproduzem alarvemente. Nada. Nada afecta a solidez granítica das palavras-de-ordem socialistas. Parece absolutamente impenetrável, este novo muro de estupidez, esta escuridão total em que vão mergulhando vagas sucessivas de pessoas, umas por inércia, outras por cansaço, outras simplesmente porque aceitam com agrado o seu novo cérebro, lavadinho, rebrilhante e extremamente solidário.

Como no passado, uma cortina de ferro vai-se abatendo, já não apenas sobre o Ocidente mas sobre toda a razão humana, onde quer que ela se encontre. Há agora um outro muro de Berlim, já sem cimento e arame farpado, mas de igual forma maciço e intransponível; é outro muro da vergonha.

Vamos gritando por cima dele, deste muro, nós, uns quantos indefectíveis humanos, a ver se alguém nos ouve. E continuaremos a gritar a plenos pulmões, pelo menos enquanto soubermos ou sequer suspeitarmos de que ainda resta alguém vivo do lado de lá.


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Poder Local com F grande

Afinal, para que servem aqueles "populares" de Canas de Senhorim, por exemplo, aos gritos e arrepelando as vestes, clamando pelo seu querido Conselho? Ao certo, ao certo, que espécie de coisinha má possui de vez em quando os "alguidarenses de baixo", os "vilarenses de perdizes" ou os "ribamarenses de fora", também por exemplo, e os leva a cometer toda a sorte de loucuras? Quem ganha o quê, exactamente, sempre que se forma uma nova autarquia, ou quando certo município disputa uma Freguesia de fronteira concelhia, ou sempre que determinada Freguesia é partida em duas? Em resumo, porquê tanta disputa, por esse Portugal profundo, sobre questões de "Poder local"?

O cidadão comum observa placidamente, incrédulo um, solidário outro, as manifestações às portas de S. Bento, de Belém, das Necessidades, ou mais amiúde num qualquer largo do pelourinho, na praça do Município; por regra, o cidadão incrédulo não vê qual é a necessidade de tudo aquilo, enquanto o solidário aplaude por desfastio e por militância. Mas nem um nem outro saberiam dizer, caso lhes fosse perguntado, porque está aquela gente ali a reivindicar mais um Concelho, mais uma Freguesia, de forma tão apaixonada e quase patriótica.

A resposta é muito simples e, como em quase tudo na vida, reside simplesmente numa coisa chata que é o dinheirinho; consiste apenas, tão acalorada questão, no infindável cortejo de cargos - há quem lhes chame "tachos" - e de mordomias apensas à formação de uma nova sede municipal: um presidente, com o seu séquito de assessores, mais os vereadores dos diferentes pelouros, por sua vez assessorados por diverso e especializado pessoal, mais a assembleia municipal, cujos deputados irão criar suas comissões, seus grupos, seus gabinetes, e para tudo isso será preciso requisitar ou admitir mais funcionários; e assim por diante, do topo até à base, a nova Câmara Municipal precisa de escriturários, telefonistas, porteiros, motoristas, seguranças, vigilantes, contínuos, cantoneiros, jardineiros, operários de todos os tipos, especializados e indiferenciados. São, por junto, largas centenas de cargos - ou "tachos", conforme se for mais ou menos má-língua - que não existiam e passam milagrosamente a existir, sempre que é fundado (ou refundado) um município. Quanto à Freguesia, o princípio básico é rigorosamente o mesmo, não variando em espécie mas apenas em número.

Constatando esta mecânica absurda, ou aferida a nocividade prática da inerente relação entre custos e benefícios, qualquer cidadão normal optaria - se fosse chamado a opinar - evidentemente por ignorar as pretensões dos independentistas autárquicos. E o que alegam estes, enfim, para sustentar a sua tese? Invariavelmente, razões históricas e de proximidade: que o município existiu algures no passado e que a sua "restauração" permitirá acções de proximidade com os munícipes muito mais eficazes. É tudo, patentemente e de forma muito mal disfarçada, rotunda mentira. A finalidade dos candidatos a autarcas é virem a ser isso mesmo, nada mais; o que pretende o "povo" que serve nas manifestações de apoio é, à excepção de uns quantos a quem terão sido prometidos empregos, a chouriça ou o garrafão de tinto que lhes poderá caber se o projecto legal for aprovado; além disso, ficam bem vistos e caem nas boas graças dos senhores doutores e dos senhores engenheiros lá da terra, por terem cumprido fielmente as suas ordens.

Mas será assim tão apetecível, no fim de contas, criar de raiz uma nova máquina administrativa, com tudo o que isso implica de esforço pessoal e mesmo de empenho colectivo? E compensará, no fim?

Bom, além da distribuição de cargos entre os promotores da iniciativa, o que já não é nada mau, há a considerar a principal finalidade daquilo a que se convencionou chamar de "poder local": a exploração, em regime de absoluto monopólio, dos recursos locais, ou seja, dos impostos, encargos, taxas e emolumentos que incidem sobre a população. Partir um Concelho ao meio, implica de imediato reservar para si, para a nova autarquia, a fatia correspondente à área territorial correspondente e ao número de residentes nessa área: imposto de "sisa", imposto municipal sobre veículos, receitas de parqueamento automóvel, coimas e multas sobre a construção, taxas e impostos sobre os respectivos licenciamento e fiscalização, etc., etc, etc. Existem muitos eteceteras que contribuem para o bolo, que antes serviam de alimento a uma grande máquina autárquica e passam a alimentar uma outra, mais pequena mas ainda mais voraz... precisamente por ser menor.

Duas máquinas burocráticas a fazer o trabalho de uma, implicam - quando falamos de administração da coisa pública - não o dobro da produtividade mas o dobro da despesa para as manter a funcionar. Não existe qualquer benefício para nenhuma das populações afectadas, nem para a do novo nem para a do concelho original; este, vendo as suas fontes de rendimento drasticamente diminuídas, será também compelido a procurar novas formas de auto-sustentação. Assim, por consenso geral, as engenharias financeiras locais dedicam-se com afano à invenção de métodos criativos de saque legal, e é nesse pressuposto que surgem taxas e encargos municipais absolutamente descabelados e perfeitamente inúteis, já que se destinam exclusivamente a alimentar a própria máquina, e não a servir os munícipes que deveriam ser a sua razão de ser.

Por exemplo, e note-se que se torna muito instrutivo ler cuidadosamente uma simples factura de fornecimento, as câmaras municipais portuguesas acham-se no direito de cobrar coisas tão estranhas como uma taxa de "direitos de passagem" na conta do telefone; trata-se, admitamos, de um valor simbólico, mas uns milhares de valores simbólicos deixam de ser um valor simbólico; além disso, sempre seria curioso averiguar como poderia alguém ter um telefone em casa se os respectivos cabos não atravessassem terrenos municipais; e porque não são de igual forma tratadas as tubagens dos serviços de gás, as cablagens aéreas e subterrâneas da electricidade ou os caboucos por onde passa o cabo de televisão e de internet? Mistério. Mais um, a juntar à imensa colecção, ao anedotário em que se transformou o "poder local" (com F grande), essa esplêndida criação dos comunistas, esse resquício e excrescência do PREC dos idos de 70 que é ainda hoje engolido como algo de minimamente aceitável ou credível.

Juntamente com o consumo de água ao domicílio, na factura, o munícipe leva com umas quantas taxas acessórias, que não têm nada a ver com a água que gasta: Saneamento Variável, Saneamento Fixo, Resíduos Variável e Resíduos Fixo. Gastou 6 m3 (6.000 litros) de água, por hipótese, e por isso paga cerca de 2,5 Euros (500 escudos); dando de barato que é necessário "comprar" o contador e que é preciso ainda, depois, todos os meses, pagar um "aluguer" desse mesmo contador, o munícipe vai ter de "inchar", quer queira quer não, com cerca de 35 Euros (7 contitos 7, uma bagatela). Ou seja, gasta de facto, de acordo com o espírito e com a letra do contrato de fornecimento, 7% do valor a pagar! Isto não é um exercício meramente académico, é a mais pura realidade, e qualquer pessoa pode efectuar as mesmas contas, com as suas ambas coisas, factura e máquina de calcular... ou de cabeça, que também deve servir para alguma coisa.

Não esqueçamos a extraordinária e rapidíssima forma como enriquecem autarcas, desde presidentes, secretários e vereadores, a fiscais de obras e a empreiteiros em geral, passando por intermediários, grossistas e retalhistas, vendedores de imobiliário (e este quantas vezes absolutamente ilegal, absurdo, criminoso). Não esqueçamos as "empresas municipais", verdadeiras máfias (nunca ou) sempre sujeitas a concursos públicos da mais pura ficção, geridas pelos amigos, conhecidos e familiares dos mais altos responsáveis da autarquia, quando não - através de interpostos mercenários - criadas pelos próprios autarcas e tendo um só cliente, a Câmara Municipal mais próxima. Não esqueçamos ainda a chamada Lei das Finanças Locais e as providenciais "transferências de verbas" que vão sistematicamente cobrir buracos orçamentais onde mais convier, em cada momento e em função dos interesses momentâneos ou das redes de poder estabelecidas. Não esqueçamos, finalmente, a forma como o poder autárquico retribui os favores do poder central - ao qual está visceral e indissociavelmente ligado - e como acaba fatalmente por cobrar os serviços prestados, seja em espécie seja em valor(es).

Qualquer cidadão tem o dever de consultar as facturas que paga. Além disso, no que diz respeito ao perigosíssimo assunto em questão, o cidadão deve ainda interessar-se pelo facto de estar a ser sistemática e institucionalmente roubado e, de preferência para si próprio, tirar as suas próprias conclusões; posteriormente, quem sabe, talvez agir em conformidade. Isto na condição, é evidente, de não estar ele mesmo, este ou aquele cidadão, envolvido na teia autárquica, essa malha de gatunos profissionais criada pelos comunistas há mais de trinta anos; e também, é óbvio, na condição de não pertencer à classe que serve de tropa de choque, o chamado "povo", essa massa ignara que não distingue uma obra-prima de um mestre da prima de um mestre-de-obras, aquela escumalha que faz estritamente aquilo que lhe mandam fazer e diz rigorosamente aquilo que ouve dizer.

Ou seja, em concreto, depois de subtraída a gentinha comunistóide e a gentalha indiferenciada, restamos uns dois ou três para tão importante tarefa. Mas não faz mal. O que importa é dar que pensar à malta. Ide lá ver as vossas facturas, a ver se é assim ou não. Vá, ide.

À vontade.


pelourinho de Provezende, aldeia transmontana
que foi sede de Concelho há umas centenas de anos (desconheço ao certo);
hoje em dia, esta aldeia é uma das 15 Freguesias do Concelho de Sabrosa,
no distrito de Vila Real








(fotografia de alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/)

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19/09/06

A importância do buraco


Este inocente banco, ao contrário dos seus homólogos de cariz capitalista, sendo uma invenção muito recente, representa uma pequena revolução consuetudinária - isto é, nos costumes - que poderá alterar drasticamente o actual nível de tensão, à escala mundial. Trata-se de um artefacto absolutamente inovador, além de brilhante, que permitirá a curto prazo, assim haja vontade política, atenuar primeiro e mais tarde dissolver por completo quaisquer ameaças militares entre Estados. Resulta, este espantoso e simplérrimo banquinho, de um conceito altamente benemérito e profundamente humanitário que se poderá sintetizar da seguinte forma: não há nada, simples indisposição ou gravíssimo problema, seja entre indivíduos, seja entre nações, que uma boa foda não cure.


No fundo, no fundo, o que se passa actualmente no nosso pobre planeta, aquilo que explica o ambiente de tensão que se vive entre Ocidente e Islão, este estranhíssimo choque de civilizações cujas incidências sistemáticas não auguram nada de bom, deve-se fundamentalmente a um factor muito simples: falta de sexo. Já o mesmo sucedeu durante a Guerra-Fria (1946-1989), quando uma clique de gerontes se entreteve a castrar sistematicamente gerações sucessivas; realmente, ontem como hoje, o grande problema dos povos, aquilo que os faz embirrar sistemática e solenemente uns com os outros, é por regra a mais básica das carências, a trivialíssima e perigosíssima falta de cama, ou, como soe dizer-se em termos mais cosmopolitas, de pinocada, de trepada, de cambalhota.


O fenómeno global é uma projecção exponencial do que acontece a nível individual; basta aferir que 99% dos conflitos de trânsito, por exemplo, se devem a problemas de carência sexual, fodas mal dadas, ou chatas, ou raríssimas. Chega de chatices e problemas, todo o mundo de má catadura, todos de trombas e à porrada uns com os outros. Assim como assim, mais vale foder até lhe chegar com o dedo, salvo seja, do que andar por aí tudo chateado, a rebentar bombas, a enviar mísseis e a escrever insultos nos blogs. Apaziguemos os instintos bélicos, dando uso a nossas respectivas gaitas e passarinhas, consoante, com a preciosa ajuda desta espertíssima invenção. Que introduz factores de inovação, de diversão, na mais monótona das relações intra ou extraconjugais. Que deveria ser distribuído gratuitamente, porta a porta, nas nossas cidades, vilas e aldeias, e largado dos aviões, em vez de bombas, nas zonas de conflito armado. Que mereceria, ou o objecto ou o seu autor, essa tremenda cachola, sem qualquer favor a nomeação para o Prémio Nobel da Paz 2007 (e seguintes). Que se pode fabricar, ainda por cima, a nível caseiro, modificando ligeiramente uma simples cadeira de praia.

Um mimo. Um presente de futuro. O Banco da Paz.



Imagens de Sexxyshop


Notas e alguns conselhos de utilização
1. Os modelos apresentados no esquema são meramente indicativos.
2. As senhoras podem perfeitamente não usar rabo-de-cavalo e podem também ter braços.
3. Não é obrigatório que os cavalheiros possuam uma amostra inferior a 15 cm.
4. Aquelas coisinhas verdes na fotografia, ninguém sabe o que raio será.
5. Quando não estiver a ser preciso, o banco pode ser usado como descansa-pés ("puff").
6. Mas só quando não estiver a ser preciso.
7. Não emprestar nem pedir emprestado. É chato. É badalhoco.
8. Queres um destes, não queres? Ai queres? Hmm? És muito malandreca, não és? Tá bem. Eu arranjo-te um.

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18/09/06

Lapsus linguae (a propósito de cavalos)

"Show me just what Mohammed brought that was new, and there you will find things only evil and inhuman, such as his command to spread by the sword the faith he preached."
"Mostra-me então o que trouxe Maomé que seja novo, e encontrarás coisas malévolas e desumanas, como o mandamento para que se espalhe a sua fé pela força da espada."

Naquele tempo, ainda não existiam detonadores e o plástico C4 estava por inventar. Portanto, há que dar razão a quem a tem, a frase é realmente infeliz, deslocada e abusiva. É uma citação pífia do Papa, que acabou, como seria de prever, por originar um sarrabulho de todo o tamanho. A fé muçulmana modernizou-se drasticamente, pelo menos em termos instrumentais e na metodologia utilizada para a sua propagação. A espada é hoje um objecto meramente decorativo, apenas esporádica e simbolicamente utilizada, quando muito em paradas e numa ou outra cerimónia de execução, por regra dentro de portas. Fora de portas, é mais à bomba. Mas também esse conceito era desconhecido em pleno século XIV, e nem o Imperador Manuel II, que proferiu a frase, nem o Papa Bento XVI, que a citou no século XXI, poderiam sequer suspeitar de que as metáforas também se abatem, como os cavalos.

Trata-se, sem dúvida, de uma questão bizantina, sinal dos tempos. Nenhuma das pessoas que morreram ontem e hoje, e aquelas que morrerão ainda, por causa de tão grande deslize, terá sido em princípio trespassada ou ficado sem cabeça de um só golpe. Hoje em dia já não é assim.



Fontanários:
CNN
Ribbands
DireitoNet

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17/09/06

Uma entrevista do outro mundo

Because if I were to meet him again, I would scream in his face who the martyrs and heroes are. I would scream: Illustrious Mr. Arafat, the martyrs are the passengers of the four hijacked planes that were transformed into human bombs. Among them the four year old child that disintegrated in the second tower. Illustrious Mr. Arafat, the martyrs are the employees that worked in the two towers and at the Pentagon. Illustrious Mr. Arafat, the martyrs are the firemen who died trying to save them. And do you know who are the heroes? The passengers of the flights that should have landed on the White House and that instead crashed in a Pennsylvania countryside because they rebelled. For them, yes there should be a Paradise, Illustrious Mr. Arafat. The problem is that now you are the perpetual Head of State. You are acting like a Monarch. You visit the Pope, affirm that you do not like terrorism, send your condolences to Bush. In your chameleon ability of inconsistency, you would be capable of replying that I am right. But lets change topic. I am very ill, it is known, and talking with the Arafats I get a fever.
Oriana Fallaci
Rage & Pride (Rabbia & Orgoglio), pág. 2

O livro pode ser lido na íntegra, em tradução inglesa, neste sítio.


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15/09/06

O Caos organizado

(...)
Another reason for the appeal of 9/11 conspiracies is that they are easy to understand. As previously mentioned, most Americans did not know or care to know much about the Middle East until the events of 9/11 forced them to take notice. (The brilliant satirical newspaper The Onion poked fun at this fact with its article Area Man Acts Like Hes Been Interested In Afghanistan All Along). The great advantage of the 9/11 Truth Movements theories is that they dont require you to know anything about the Middle East, or for that matter, to know anything significant about world history or politics. This points to another benefit of conspiracy theories they are oddly comforting. Chaotic, threatening events are difficult to comprehend, and the steps we might take to protect ourselves are unclear. With conspiracy theory that focuses on a single human cause, the terrible randomness of life assumes an understandable order.
(...)

Phil Molé, Skeptic: eSkeptic
Via O Insurgente.


Entende-se por inteligência a capacidade de equacionamento de problemas. Prudência, enquanto faceta inteligente, será a procura de formas adequadas para evitar o risco. O medo é uma reacção natural de defesa perante situações de perigo, e consiste no desencadeamento de reacções diversas, adequadas ou não à anulação da ameaça perceptível ou a evitar os riscos nela envolvidos. Se a reacção de medo, por qualquer motivo, ultrapassar em proporção a medida adequada à situação que lhe deu origem, passamos a um nível não natural que se convencionou designar como pânico. Quando a ameaça se apresenta de forma não identificável, localizável ou quantificável, a situação de pânico evolui para a sensação totalmente irracional vulgarmente conhecida como terror. Em conformidades prolongadas, extensas ou generalizadas, as ocorrências que geram terror resultam naquilo que se entende por caos, ou seja, a ausência total de um sistema organizado, com a desagregação completa das estruturas que o suportam e dos mecanismos que o regulam.

A lógica revolucionária resume-se, por definição, a destruir primeiro para depois - teoricamente - reconstruir ou construir de novo. Logo, até porque destruição total é igual a caos, este é imprescindível ao triunfo da revolução, e a forma mais comum e objectiva para a sua instalação é a utilização sistemática do terror ou o aproveitamento das situações recorrentes de pânico; nesta acepção, o caos é um sistema desorganizado que foi instrumental e organizadamente instalado. O círculo lógico fechar-se-á teoricamente se ou quando a revolução triunfar de facto; nesse caso, funcionando também como recompensa pela abolição do caos e pela neutralização do terror, o novo poder instituído tentará por todos os meios conservar a nova ordem, através principalmente do medo, e abolindo mesmo, regra geral, toda e qualquer iniciativa ou sequer veleidade de inteligência; do mesmo passo, as cúpulas da revolução, os seus executores e mentores agora poderosos, reservam-se o exclusivo da prudência (diplomacia e governação), retirando tal prerrogativa dos grupos e dos indivíduos - que passam, cumprido e agora tornado obsoleto o seu papel de carne para canhão, a simples peças da engrenagem recém-montada.

Pontualmente, estrategicamente, poderá convir às forças revolucionárias - como acção de minagem das bases do sistema que pretendem destruir - o aproveitamento de circunstâncias de pânico generalizado; é este indubitavelmente o caso das reacções provocadas pelo ataque terrorista do 11 de Setembro, nos Estados Unidos da América: perante uma ameaça concreta, mas absolutamente incompreensível - pela (des)medida das suas consequências - e desproporcionada, face à inexistência de motivações aparentes, uma boa parte do povo americano, e ainda dos da generalidade dos países ocidentais (alguns deles igualmente atacados), acabaram por entrar em estado de histeria colectiva; isto equivale, na prática, a uma rendição incondicional ao mais puro terror, mas não deixa, de certa forma, de ser compreensível. O que não significa, evidentemente, que seja aceitável.

Não é fácil, se é que é possível, compreender o terror... em especial quando ele nos toca a nós mesmos ou àqueles que nos estão mais próximos. Muita coisa está, de facto, por explicar e, por consequência, muito longe de poder sequer ser analisada, quanto mais entendida. De resto, a finalidade objectiva do terrorismo islâmico não é senão isso mesmo: a destruição sistemática e arbitrária, imprevisível e feroz, sem dar qualquer hipótese de defesa, e em total contra-ciclo com as culturas e os modos de vida ocidentais.

É então que surge, no meio da confusão total, como tábua de salvação para os cidadãos aterrorizados pelo absurdo a que assistem impotentes, a teoria da conspiração - simples, aparentemente clara como água, facílima de compreender e, em especial, com uma apetecível carga de espectacularidade. Qualquer americano possuído pelo pânico, tentando pateticamente equilibrar alguma racionalidade no meio de um pântano gigantesco, irá com certeza agarrar-se, com um misto de desespero e de alívio, àquelas teorias tão absurdas, tão incríveis, mas tão deliciosamente reconfortantes: afinal, sempre é melhor uma explicação assim, mesmo suspeita, mesmo estúpida, do que não haver explicação alguma, apenas o deserto de ideias, a vacuidade, a tibieza ou, pelo contrário, a mais pura maldade. Colherão facilmente na opinião pública, as teorias da conspiração, quanto mais brutal for o ataque e mais inacreditáveis forem as motivações oficialmente avançadas; porém, as entidades não podem nem devem atenuar, suavizar ou esbater as suas constatações, por mais horríveis que sejam, e muito menos desculpabilizar ou inocentar os seus autores. Além disso, qualquer teoria da conspiração interna funciona perfeitamente, se não houver mais teoria alguma - como não há, realmente, pelo facto muito simples e transparente de que não é necessário que haja; o terror não tem ideologia, é uma coisa em si, pelo que também não tem nem precisa de ter qualquer espécie de suporte ideológico; quando muito, o terrorismo servir-se-á circunstancialmente seja de que base teórica for, apenas como sustentação pragmática para justificar o injustificável.

O terrorismo dispensa liminarmente qualquer teoria, mas não o comunismo ou, de forma mais abrangente, a chamada esquerda política. Aqui sim, existe não apenas uma teoria mas uma verdadeira cartilha, tão absurda no conteúdo esta quanto ausente na outra. Basicamente, a ideologia comunista (e derivados) consiste num conjunto de dogmas que a História se encarregou de liquidar em toda a linha, mas aos quais ainda muita gente se agarra fanática e acefalamente. Poder-se-á presumir, assim sendo, que a motivação subjacente a este atavismo poderá ser uma de duas coisas: ou a mais pura e simples estupidez ou a recusa cega da realidade... quem sabe se causada pelo mesmo sentimento de medo incontrolável em relação a tudo aquilo que se não compreende. A ser este o caso, então estaremos perante mais uma constatação de como é eficaz o processo de "conversão" ao simplismo dicotómico de cariz socialista, de um lado os bons e do outro os maus, nós e eles, social e capital, liberdade e exploração.

Claro que a realidade é precisamente ao contrário ou, pior ainda, se calhar nem uma coisa nem outra, nem é bem assim uma coisa nem bem mal o seu inverso, mas isso que importa para o caso, sempre é melhor ter a certeza de alguma coisa do que de coisa nenhuma. Portanto, se as teorias dos amanhãs que cantam servem para enganar a angústia, a perplexidade, o medo, e se as teorias da conspiração também, então que venham elas por bem vindas; e se são os mesmos os autores de ambas, a política e a conspirativa, então paciência, será assim mesmo, quem sabe eles não tenham afinal toda a razão. É jogar pelo seguro do disparate sólido em vez do inseguro etéreo e vago. Entre ambos os lados que são, hoje por hoje, o mesmo lado, alguns americanos e alguns europeus sorvem com avidez cada explicação soez de uns para cada acto de pura malvadez do outro. Aos americanos, aos europeus, são apresentadas coisas "fáceis de entender", numa linguagem esquemática e básica, sem complexidades nem subtilezas; para alguns, isso é óptimo, é maravilhoso: não compreendiam, mas agora já "compreendem" porque é muito fácil "compreender" estas coisas. Quem sabe, sabe, e além disso ler dá trabalho.

A apologia do regresso à barbárie, embrulhado em vestes humanitárias ou justiceiras, tem o mesmo esqueleto da selvajaria soviética e por face a mesma caveira socialista.

Terreno fértil, portanto, para a propagação e para a propalação de mentiras - sempre remota e inteligentemente manipuladas - o "Ground Zero" representa o paradigma da propaganda comunista, neste caso encavalitada no dorso de Boeings civis atirados contra edifícios civis. Os comunistas aproveitam e agradecem a boleia oportuníssima que lhes dão os muçulmanos radicais, sendo que a estes também convém (para já) o arranjinho; sabendo-se por antecipação - e pelo conhecimento da tradição histórica - aquilo que sucederia (ou sucederá) quando a aliança estratégica deixar de ser útil a qualquer das partes, ou seja, a guerra aberta entre comunistas e islamitas, podemos estar certos de que o inimigo actual de ambos é, apenas e só, o Ocidente, com América e Europa à cabeça; como antes sucedeu, o inimigo actual desta aliança não é a injustiça, ou a fome, ou a pobreza. Nem sequer é o capitalismo ou a mais recentemente inventada globalização. O inimigo dos inimigos da liberdade é e sempre foi uma e a mesma coisa: isso mesmo.

E depois? A liberdade dá-me sossego, por acaso? Eu não quero liberdade, quero é paz. Não interessa para nada o que se passa nas sociedades muçulmanas; é longe, eles que fiquem lá, torturem quem lhes apetecer, que reduzam as mulheres à condição de gado doméstico, que proíbam tudo e mais alguma coisa; e eu com isso? Também não interessa para nada o que se passou no bloco de Leste, o que lá vai, lá vai, quais setenta milhões de pessoas exterminadas, qual quê, ora, histórias; e afinal, onde é que isso fica, ao certo? Temos contas para pagar, os miúdos na escola, queremos é cá seguir a nossa vidinha, cada um na sua, o que é preciso é que não nos venham aqui pôr bombas e matar a gente. Aliás, isso pode lá ser. Duvido de que tenham sido eles. Não foram eles, com certeza. E se estes dizem que foram outros, que foram os nossos, porque não? Isso resolve o problema, pronto. Acredito perfeitamente. Claro, estes capitalistas são capazes de tudo, está-se mesmo a ver. Ah, bem, compreendo. Pronto. Grandes malandros. Assim já não vai acontecer mais nada, pois não? Se é preciso dizer que acredito nisso tudo, se em troca me deixam em paz, então está bem, eu acredito. Não, não é só por dizer! Eu acredito! Acredito mesmo! Juro. So help me God.

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13/09/06

Deixai vir a mim as criancinhas, camaradas!

Mais aterrador do que as próprias teorias da conspiração, mais horrível do que ver, ouvir e ler o que dizem adultos sobre o assunto, é verificar a forma devastadora como semelhantes patacoadas atingem a juventude.

Uma coisa é ouvir Por Exemplo Soares, que já tem mais do que idade suficiente para ter juízo, babando suas trivialidades a propósito do "diálogo" com terroristas, e a "pobreza" et cetera, outra bem diferente é ler o que dizem nossos jovens, no seu linguajar característico, sobre a tragédia do 11 de Setembro.

A batalha da contra-informação, na frente de guerra da intoxicação global, está de facto a ser ganha pelas esquerdas. A criançada, dos 8 aos 28, engole completa e alegremente qualquer patranha, desde que servida com os devidos efeitos especiais... e para mais se devidamente condimentada com animações argumentativas, ou com argumentos animados. Um tumulto sonoro de espanto, um ohhhh incrédulo mas já fervilhante de gaiata curiosidade, vai ecoando nas cabeças de nossos infantes, tanto mais quanto mais elementar é o raciocínio conspirativo, mais simples o conteúdo e mais espectacular a forma. Principalmente esta. Apresentada aos jovens uma fita como o "Loose Change"(*), essa terrível ficção que deveria ser classificada como "exclusivamente para adultos" (ou M30), com bolinha vermelha a condizer, torna-se a curto prazo absolutamente imprevisível saber que tipo de devastação neuronal se irá produzir, naquelas massas cinzentas ainda diminutas, em crescimento, em desenvolvimento - que se pretende vigiado e acompanhado - e em plena fase de testes.

Esperemos pela martelada. Dê-se à juventude, em vez de saudáveis filmes pornográficos às escondidas, filmes de terror soviéticos às claras, e teremos pela certa, num futuro não muito distante, uma nova geração de militantes de causas, carne vermelha para canhão vermelho; uma geração Red Bull, impregnada com taurina e outras substâncias ilícitas, pincelada com umas noções de bombismo, empanturrada de Big Macs e injustiça social, obesa de conhecimentos sobre artes solidárias. Teme-se o pior. Ainda veremos por aí, pululando com seus juvenis bibes ao pescoço, ranchos de bernardinos soares gritando palavras de ordem como "o povo unido jamais será vencido" e assim.


(*)http://video.google.com/videoplay?docid=-5946593973848835726

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11/09/06

Teorias da conspiração? Temos, sim senhor. É para oferta?

Agora que "já se sabe" que o "Loose Change" não passa de uma fita, uma intrujice pegada, será que é humanamente possível ainda ter dúvidas sobre o que realmente se passou no 11 de Setembro? E não será um pouquinho deselegante, para não dizer pior, estar agora a levantar questões destas, precisamente no dia do 5º aniversário daquela horrível tragédia? E enfim, será que pura e simplesmente duvidar, ou achar que alguma coisa está mal contada, será isso uma traição? Não? Uma facadazinha nas convicções, talvez? Também não? Então o quê? Vá lá, decida-se!(*)

Bom. Vamos a isso. Suponhamos que o WTC foi mesmo demolido por implosão e, portanto, não caiu como consequência directa do impacto dos aviões desviados por terroristas. No tal "Loose Change", aparecem diversas cenas retiradas de um documentário que aparenta ser muito mais sério e bastante menos histérico; neste 911truestory.com não há mais nada, nem riscos no chão para conduzir mísseis nem tretas do género, é só mesmo para tentar provar que as torres N, S e 7, do World Trade Center, foram deitadas abaixo de forma controlada, com explosivos; desta vez, para variar, não se entra em palpites de governantes mafiosos e barras de ouro escondidas no subsolo. Está muito bem feito, este filme, sejamos justos.

Não esquecer que, parafraseando inúmeros jogadores de futebol portugueses, isto é um suponha-mos. Supondo, por conseguinte, que os três edifícios caíram por demolição controlada, então os explosivos já teriam de lá estar, embutidos nos pontos estruturais mais convenientes, antes de os aviões embaterem nas torres Norte e Sul; note-se que não houve qualquer embate directo na torre 7, a menor das três e, mesmo assim, também esta veio abaixo umas horas depois das primeiras... o que faz pressupor que algo de muito estranho, e nunca suficientemente explicado, se passou naquele edifício em especial.

Mas suponhamos que sim, que foram de facto colocadas antecipadamente cargas explosivas nos edifícios. Nesse caso, teríamos de admitir que alguém, com autoridade e com meios para efectuar tão complexas manobras, teve acesso aos prédios e para ali transportou algumas toneladas de explosivos; ora, para fazer isso, seriam necessários camiões de transporte, umas quantas pessoas para conduzir estes e algumas dezenas de outros elementos para transportar as cargas explosivas, escada acima e escada abaixo; além disso, a colocação dessas cargas necessariamente teria implicado um elaboradíssimo trabalho de estudo, com técnicos especializados, envolvendo acesso aos planos de construção, mapas de estruturas, etc.; depois, para a própria colocação dos explosivos, teria sido necessário fazer buracos em betão e passar cabos eléctricos em condutas, para a detonação sequencial, actividades estas que implicam o uso de ferramentas não muito silenciosas, como britadores e martelos pneumáticos, e também outras não muito discretas, como escadas, bobines de fio gigantescas, milhares de ligadores eléctricos, isto para já não falar nas próprias cargas, gelamonite, plástico e outros produtos químicos.
Admitindo que tanta gente teve acesso livre a tanta coisa e a tantos sítios diferentes, tudo isso teria de ter sido superiormente autorizado, primeiro, e efectuado em nada insignificante número de dias de trabalho, depois.

Então, porque não, suponhamos mais uma vez que sim, que foi assim mesmo que as coisas se passaram. De resto, existem inúmeros testemunhos que o comprovam, encerramentos prolongados das torres, exercícios de incêndio e de "blackout" sucessivos, evacuações de emergência e assim por diante. Pois se isto estiver correcto, e assumindo como verdade que todas as acções preparatórias decorreram em fins de Agosto e princípios de Setembro de 2001, então podemos facilmente deduzir que - das duas uma - ou o ataque terrorista estava previsto, e serviria então como pretexto para o derrube das torres, ou o primeiro não estava previsto mas estava o segundo. Ora, não é crível que se coloquem cargas de implosão, sem conhecimento de ninguém, sem nenhuma decisão nesse sentido, em edifícios que estão a funcionar em pleno, com milhares de pessoas lá dentro, trabalhando normalmente. Por exclusão de partes, os responsáveis pela minagem tinham conhecimento do ataque iminente, e prepararam os acontecimentos de maneira a que parecesse existir uma relação de causa e efeito entre os embates e as derrocadas.

Assim sendo, o ataque terrorista contras as torres gémeas não passou de um pretexto para a sua demolição controlada, sendo o embate dos Boeing - pelos estragos visíveis causados - uma cobertura aparentemente perfeita para aquela operação secreta.

"Aparentemente". Palavra tremenda. Se foi isto, se podemos supor tais coisas, então tudo é possível. E se não fosse por causa do tal ouro que, dizem alguns, estava arrecadado nas caves? E se fosse apenas para criar um casus belli para justificar a invasão do Afeganistão, do Iraque, e sabe-se lá que ou quantos mais países? Será?

Então, vejamos, se foi esse abominável horror, se os serviços secretos americanos tinham conhecimento do que estava para acontecer, se deixaram que acontecesse e não fizeram nada para o impedir, então o próprio Governo americano sabia e nada fez! Então, horror dos horrores, foi tudo planeado e executado pelos americanos, no seu próprio território e contra o seu próprio povo. Foram eles mesmos, a começar pelo Presidente, os responsáveis directos pelo assassínio de milhares de compatriotas!

É o fim. Acabaram as ilusões. Já não há nem bom nem mau. É tudo mau. O eixo do mal afinal é redondo, açambarca tudo e todos. Esta é a guerra dos mundos, sim, mas afinal não é entre o Ocidente e o Islão radical, a democracia e o terrorismo, não é a liberdade de um lado e o obscurantismo do outro, agora vemos, a guerra é entre o mal e o mal, qual deles o pior. Acabou-se. Está explicado, que ninguém duvide, quando, como e principalmente porquê os americanos declararam a guerra.

Se bem que já praticamente sem fala, completamente esmagado pela transparência da teoria, pelas evidências que a suportam, porém, modestamente e do alto da minha insignificância, atrevo-me ainda a questionar, caso não seja muito atrevimento; é só uma perguntinha, uma última, microscópica, irrisória dúvida; posso?

Bom. Então era o seguinte: seria possível, em não dando muito incómodo, que alguém me explicasse para que serviu o 11 de Março? Pois, aquela coisinha de somenos que se passou em Espanha, em 2004. E, já agora, não abusando, para que foi aquilo em Bali, na Indonésia? E em Londres? Na Jordânia? Mombasa? Istambul? Casablanca? Karachi? Tunes? Ryad?

Siiiiim?










(*) Descaradíssimo plágio de uma campanha publicitária da TV portuguesa


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9/11 Memorial


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09/09/06

Ingenuidade & Má-fé, Lda.

As esquerdas, na sua proverbial cegueira, fingem que não sabem, pretendem que não entendem, que não é bem assim; algumas direitas(*), nas suas tamanquinhas, e de chinelos, como é costume desviam-se do essencial, dão corda aos argumentos idiotas do adversário.

Seria talvez inteligente determinar, em concreto, aquilo que se está a passar: e isto é, em resumo, e mais concretamente não poderia ser, desde 11 de Setembro de 2001, nem mais nem menos do que a III Guerra Mundial. Após algumas escaramuças mais ou menos localizadas, depois da queda do muro de Berlim e da concomitante implosão do "socialismo real" soviético, o Islão declarou guerra ao Ocidente, de forma expressa e liminar, atacando primeiro o território dos Estados Unidos da América - provocando este ataque cerca de 3.000 vítimas e avultadíssimos prejuízos materiais - e seguidamente o dos mais directos aliados daqueles, com acções de cariz militar na Grã-Bretanha e em Espanha - que provocaram igualmente centenas de baixas civis e estragos em proporção; simultaneamente, as forças armadas islâmicas atacaram também outros alvos estratégicos, politicamente cirúrgicos, um pouco por todo o mundo e em especial em países maioritariamente muçulmanos, como a Indonésia e a Índia; numa terceira frente, por sinal a mais antiga e primordial, as forças armadas islamitas combatem as ocidentais no Iraque e na Palestina, tentando sistemática e fundamentalmente eliminar o Estado de Israel.

Como única super-potência mundial, os Estados Unidos da América representam o papel de testa-de-ferro neste conflito e portanto, também pelo facto de pela primeira vez na sua História terem sido atacados no próprio território, são o país que lidera as forças combatentes ocidentais e aquele que mais efectivos e meios bélicos disponibiliza; numa relação directa e equitativa, são igualmente os cidadãos americanos, militares e civis, quem mais sofre e quem mais morre por causa desta guerra. Os países aliados, em coligação militar (como no Iraque), no âmbito da ONU ou integrados em organizações internacionais de Defesa (como a Nato), participam na medida das suas possibilidades no esforço de guerra, como é o caso, entre outros, e além dos já referidos Grã-Bretanha, Israel e Espanha, de nações tão diversas como a Itália, a Polónia, o Cazaquistão, a Austrália, a Roménia, El Salvador, a Tailândia ou... Portugal.

Num contexto de crispação causada, entre outros factores, pela ameaça da agressão nuclear por parte do Irão, da Coreia do Norte e do Paquistão, o Ocidente depara ainda com uma quarta e uma quinta frentes de guerra, respectivamente a diplomática e a mediática, sendo que, de resto, estas se ligam umbilicalmente e de forma por vezes indestrinçável: os media tendem a condicionar a opinião pública e esta, por sua vez, exerce a sua magistratura de influência democrática sobre o Poder instituído, condicionando por conseguinte os jogos de poder consubstanciados nas diplomacias nacionais. E nestes dois vectores (media-opinião pública e diplomacia) reside o maior obstáculo à execução dos planos de defesa militar delineados para as outras três frentes de combate, as de verdadeiro cariz militar e aquelas para as quais deveriam ser canalizadas todas as energias e recursos disponíveis.

Quando se fala de opinião pública, falamos obviamente da ocidental, porque não consta que semelhante coisa exista sequer na maioria dos países muçulmanos ou nas ditaduras comunistas residuais; ora, é precisamente esta mesma opinião pública ocidental - funcionando como quinta coluna do fundamentalismo islâmico e dos seus aliados, os comunistas que não aceitam a derrota nem os factos - que se constitui como verdadeiro inimigo interno do Ocidente; é a opinião pública ocidental, por regra manobrada e intoxicada pelos paladinos das "amplas liberdades" e outros ressaibados da e com a História, que veicula teorias paralisantes e, de certa forma, niilistas, com o objectivo óbvio de minar o moral das tropas e dos seus comandantes; é a opinião pública ocidental, com as suas estranhas dúvidas existenciais e os seus pruridos morais, em última análise, a principal responsável pelo arrastar indefinido desta III Guerra Mundial em que vivemos.

A opinião pública é legítima e aceitável em tempo de paz, quando todas as instituições e mecanismos de auto-regulação social funcionam; em tempo de guerra, enquanto rebentam bombas e as pessoas morrem aos milhares, debilitadas as estruturas do Poder e, por consequência, fragilizados ou radicalmente postos em causa os direitos individuais - sobrepujados ou esmagados pela emergência do poder militar -, os tempos não estão agora para opiniões e considerandos mas para acções e vozes, sim, mas de comando.

O Ocidente está a ser militarmente atacado, simbolicamente desde o dia 11 de Setembro de 2001, de forma sistemática e à escala global. Portanto, numa acção de legítima defesa, o Ocidente defende-se militarmente onde, quando e como for necessário, e mesmo contra-atacando se isso for estrategicamente conveniente - pela simples razão de que o contra-ataque é uma das acções de defesa mais comuns, desde sempre.

Como é evidente, os actos de guerra entre Estados não se resumem a manobras puramente militares, implicando também outras forças e medidas, como espionagem e contra-informação, vigilância e policiamento, logística e aprovisionamento, transportes e abastecimentos, etc. No caso vertente, em especial, na sequência aliás daquilo que sucede desde a década de 60 do século passado, existe um factor novo que torna exponencialmente mais complexo o próprio curso da guerra: já não se trata propriamente de uma guerra convencional entre Estados, mas uma guerra não declarada entre um conjunto de Estados, legitimamente constituídos, e uma rede difusa de movimentos terroristas sem fronteiras definidas, sem identidade concreta e sem qualquer estrutura reconhecível; é uma guerra de tipo único na História, na qual um dos lados combate um inimigo vago, que está em todo o lado mas não se encontra em lado algum, que existe de facto mas que se não pode atacar directamente porque não possui alvos dos quais dependa. Em termos de pura teoria bélica, nesta acepção, a III Guerra Mundial não poderá nunca ser vencida militarmente por um dos lados, já que ambos são beligerantes mas apenas um deles tem forças armadas e é constituído por nações organizadas; ou seja, um lado apenas ataca e o outro apenas se pode defender desses ataques, visto não ter onde ou o que atacar, ao certo. A única hipótese de que os países ocidentais, no seu conjunto, possam ganhar a guerra, é que o tempo - e o desgaste provocado por este - se encarregue de, à semelhança do que sucedeu com o sistema socialista, esvaziar de sentido o fundamentalismo islâmico e acabar por vencer pela exaustão a vontade e a motivação dos povos por ele dominados.

Entretanto, as forças ocidentais limitam-se a defender como podem os seus territórios, os seus cidadãos e o seu modo de vida, daquele inimigo sem pátria nem bandeira. E é precisamente neste ponto que entronca a referida dificuldade acrescida, o inimigo interno, a tal quinta coluna de opinião que faz objectivamente o jogo e serve exclusivamente os interesses do terrorismo, do fundamentalismo islâmico e dos seus aliados esquerdistas: com as suas "opiniões" capciosas, tendenciosas e obtusas, os fazedores de opinião entretêm-se alegremente numa cruzada pseudo-moralista que lança a confusão, desmoraliza quem está no terreno a combater, desmobiliza o cidadão comum, fragiliza as estruturas de Poder, enfraquece, em suma, o esforço de guerra em todas as suas vertentes.

Elevar à condição de inefável santidade os actos de guerra do inimigo, descobrindo motivações altruístas e humanitárias em quem apenas mata e destrói indiscriminadamente, constituiria certamente matéria suficiente para que os autores de tal absurdo fossem acusados de alta traição e, como seria normal em tempo de guerra e sob lei marcial, condenados à morte. Perorar sobre a legitimidade de todo e qualquer acto de defesa dos países ocidentais, clamando pelos direitos humanos de quem manifesta apenas desprezo por qualquer espécie de direitos e que excluiu do próprio conceito de humanidade quem não for muçulmano, é uma forma de traição, pura e simples. Questionar sistematicamente os procedimentos policiais, as medidas de segurança impostas, as acções de retaliação pontual e mesmo toda e qualquer manobra militar convencional, equivale a oferecer ao inimigo a motivação básica para justificar aquilo que de outra forma seria injustificável, ou seja, a sua sede de violência, a sua sanha alucinada, o seu fundamentalismo primitivo e desumano. Toda e qualquer "opinião" que sirva os interesses do inimigo é, por definição, um acto de traição. Traição esta que é tolerada, paradoxalmente, e passando absolutamente impune, apenas nas sociedades ocidentais e democráticas, as únicas onde existem liberdades individuais; em qualquer país ditatorial, seja de que tipo for, estes profissionais da conversa fiada seriam imediata e sumariamente fuzilados. Como sabe perfeitamente mas finge que não sabe quem enaltece a superioridade moral daqueles mesmos que os liquidariam sem pestanejar, caso pudessem ou, na pior das hipóteses, assim que pudessem.

Não se trata aqui de branquear a violência gratuita, a tortura de seres humanos, a terraplanagem administrativa e política dos direitos humanos mais básicos; de resto, é tudo isso mesmo que acontece, na prática, e mesmo em tempos de paz, nos países de ditadura islâmica, por decalque daquilo que sucedia (e sucede ainda) nas ditaduras socialistas. A questão reside no facto de estarmos em estado de guerra e não em tempo de paz. Como qualquer guerra, também esta (e, por motivos acrescidos, principalmente esta) representa um cortejo de horrores inimagináveis. Cabe decidir se é possível, se alguma vez foi possível, fazer guerra sem horror; se é possível combater o terror sem o horror. Ou isso, ou persistir na recusa da evidência, na espiral de negação dos factos.

Ou continuar a dizer, a escrever e a "achar" que não, que não se passa nada, que não estamos em guerra, que será quando muito um mal-entendido aqui ou ali; que os culpados "disto tudo" são os americanos, ou os ricos, ou o petróleo, ou o Tio Patinhas; que devemos é estar muito quietinhos enquanto os bons dos terroristas exercitam as suas artes pirotécnicas e outros números em nossa própria casa; que é maravilhosa, espantosa, fabulosa, a cultura da Sharia, a tal das "amplas liberdades" para ser morto à paulada, à pedrada, por empalamento, na forca ou a tiro, à escolha do freguês; que os maus da fita são "eles", os capitalistas, ou seja, nós mesmos, e que os bons são "os outros", os tais, os da santa aliança terrorista, comunista e socialista, cujo obscurantismo fica bem colorir, cujo medievalismo será por força modernizado; que a revolução, seja ela qual for, deverá avançar a todo o vapor e ficará num brinco assim que os amanhãs desatarem a cantar de novo, mas agora com a banda sonora exclusiva dos minaretes.

Enquanto continuar a lúdica tergiversação sobre o que se está a passar, toda a esquerda e alguma direita em suas reflexões e grandiloquências estéreis, o inimigo agradece, aproveitando o embalo e o remanso das certezas absolutas para afiar mais uma vez as suas simbólicas cimitarras e limpar suas mais maneirinhas e concretas Kalashnikov.



(*) Por "algumas direitas", depois de descontar falcões liberais e nazis folclóricos, entenda-se o "tipo" JCN: direita beata, satisfeitinha da vida, anti-tabagista, adepta ferrenha do iogurte magro com cereais.

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