Odi profanum vulgus et arceo

09/06/04

Fumo na venta

Worries, doubts, superstitious beliefs all are common in everyday life. However, when they become so excessive such as hours of hand washing or make no sense at all such as driving around and around the block to check that an accident didn't occur then a diagnosis of OCD is made. In OCD, it is as though the brain gets stuck on a particular thought or urge and just can't let go. People with OCD often say the symptoms feel like a case of mental hiccups that won't go away. OCD is a medical brain disorder that causes problems in information processing. It is not your fault or the result of a "weak" or unstable personality.

Obsessions are thoughts, images, or impulses that occur over and over again and feel out of your control. The person does not want to have these ideas, finds them disturbing and intrusive, and usually recognizes that they don't really make sense. People with OCD may worry excessively about dirt and germs and be obsessed with the idea that they are contaminated or may contaminate others. Or they may have obsessive fears of having inadvertently harmed someone else (perhaps while pulling the car out of the driveway), even though they usually know this is not realistic. Obsessions are accompanied by uncomfortable feelings, such as fear, disgust, doubt, or a sensation that things have to be done in a way that is "just so."

Research suggests that OCD involves problems in communication between the front part of the brain (the orbital cortex) and deeper structures (the basal ganglia).
These brain structures use the chemical messenger serotonin. It is believed that insufficient levels of serotonin are prominently involved in OCD. Drugs that increase the brain concentration of serotonin often help improve OCD symptoms.
Pictures of the brain at work also show that the brain circuits involved in OCD return toward normal in those who improve after taking a serotonin medication or receiving cognitive-behavioural psychotherapy.
Although it seems clear that reduced levels of serotonin play a role in OCD, there is no laboratory test for OCD. Rather, the diagnosis is made based on an assessment of the person's symptoms. When OCD starts suddenly in childhood in association with strep throat, an autoimmune mechanism may be involved, and treatment with an antibiotic may prove helpful.

Obsessive-Compulsive Foundation (Fundação Distúrbio Obsessivo-Compulsivo)


Vivendo e aprendendo. Ainda há dias passou na TV - não me lembro em que canal - um excelente documentário sobre OCD e, assim de repente e absolutamente "out of nowhere", passou-me pela cabeça uma ideia que é também tremenda dúvida existencial: o anti-tabagismo militante não será uma manifestação clara deste distúrbio neurológico, psiquiátrico, mental?

A questão estará provavelmente mal formulada, porque não são imediatamente reconhecíveis todos os sintomas arrolados; de facto, um anti-tabagista militante é perfeitamente capaz de liquidar fisicamente um fumador, apenas para impedir que este continue a fumar e, portanto, a dar cabo da sua saúde - e isto é algo que o "portador" de OCD comum seria incapaz de fazer.

1 - "preocupações, dúvidas, crenças supersticiosas", CHECK;
2 - "pensamento encravado em uma única ideia fixa", CHECK;
3 - "distúrbio mental que provoca alterações no processamento da informação", CHECK;
4 - "pensamentos, imagens ou impulsos que ocorrem uma e outra e outra vez, indefinidamente", CHECK;
5 - "obcecados com a ideia de que estão contaminados ou que podem contaminar os outros", CHECK;
6 - "medo obsessivo de ter inadvertidamente prejudicado outrem", CHECK;
7 - "sensações incómodas, como medo, repugnância, dúvida sistemática", CHECK;
8 - "crença em que as coisas têm de ser feitas porque sim", CHECK;

Checklist accomplished, os anti-tabagistas manifestam oito sintomas em oito possíveis, o que seria talvez suficiente para o diagnóstico - fosse eu médico psiquiatra autorizado e pudesse caçar um no meu consultório. Assim, nada feito. As pessoas que se estão rigorosamente nas tintas para o seu semelhante, nas mais ínfimas atitudes, mas que manifestam uma tocante preocupação com a saúde alheia quando se trata de tabaco, hão-de continuar na senda da sanha e, pior ainda, eleitas como boas pessoas, excelentes, beneméritas, mártires da causa. Indivíduos absolutamente incapazes de deixar passar o condutor da direita, de dar uma esmola ou de ajudar um transeunte caído, continuarão na sua sagrada e comummente abençoada saga persecutória e, pior ainda, elevados à condição de protectores higiénicos da humanidade, de cruzados de uma Ordem de Hipócrates manhosa, de imaculados voluntários na santa guerra aos infiéis intoxicados.

Conheci em tempos uma senhora, recepcionista, que ia a correr lavar as mãos sempre que alguém a cumprimentava; na prateleira do balcão, tinha um frasco de álcool puro, para os intervalos entre abluções. Evidentemente, esta figura tinha horror ao fumo dos fumadores mas, que sorte, já nesse tempo era proibido fumar na recepção. Toda a gente achava muita graça àquelas "manias" da senhora e ninguém a levava muito a sério.

Quantas pessoas assim estarão, em vez de num balcão despachando formulários, numa digníssima e poderosíssima cadeira despachando decretos? O Ministro da Saúde (!!!) inglês, não por exemplo, teve o atrevimento de dizer o seguinte: "smoking is one of the few pleasures left for the poor on sink estates and in working men's clubs"* (fumar é um dos poucos prazeres que restam aos pobres dos bairros sociais e das tascas**). Vai cair o equivalente ao Carmo e à Trindade, lá em Londres (talvez St George and Westminster Cathedral), e não se augura grande futuro a Mr. John Reed na cadeira ministerial. Aposto que vai ser imediatamente despachado para os confins da Lapónia, a pão e água. Pobre diabo.

O anti-tabagismo é hoje carreira política, é profissão altamente remunerada, é factor de ascensão social e de prestígio na moral vigente, é tudo, enfim, menos aquilo que arvora: a procura desinteressada do bem alheio. Deus me livre de gentinha tão boazinha e tão tolinha. Que Ele me não castigue com uma morte lenta que eu não possa abreviar, porque do terror já me não livro.



* visto em 40º à sombra
** tradução interpretada; em Portugal, não existem "clubes para as classes trabalhadoras"; "bairros sociais" também pode significar, neste contexto, bairros-de-lata ou, de forma mais abrangente, "bairros-dormitórios"

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Words and deeds XV

Québec
Por puro desconhecimento e para não polemizar a questão, apenas arrisco dizer que o Québec é uma região ("Província") francófona politicamente integrada no Canadá, mas com Governo e parlamento próprios; tem um hino não oficial, da autoria de Gilles Vigneault.

Gens du pays

Le temps que l'on prend pour se dire: je t'aime
C'est le seul qui reste au bout de nos jours
Les voeux que l'on fait les fleurs que l'on seme
Chacun les récolte en soi-même
Aux beaux jardin du temps qui court

Gens du pays c'est votre tour
De vous laisser parler d'amour
Gens du pays c'est votre tour
De vous laisser parler d'amour

Le temps de s'aimer, le jour de le dire
Fond comme la neige aux doigts du printemps
Fêtons de nos joies, fêtons de nos rires
Ces yeux ou nos regards se mirent
C'est demain que j'avais vingt ans

Gens du pays...

Le ruisseau des jours aujourd'hui s'arrête
Et forme un étang ou chacun peut voir
Comme en un miroir l'amour qu'il reflète
Pour ces coeurs a qui je souhaite
Le temps de vivre leurs espoirs

Gens du pays...



Se não foi fácil encontrar a letra deste hino, absolutamente impossível foi topar com um ficheiro de som, com a música ou o hino cantado; encontrei apenas um pedaço, meio clandestino, durante o qual se ouve (mal) um coro espontâneo entoando a segunda estrofe; está em http://www.qesnrecit.qc.ca/socialsciences/images/history/pqsong.ra.



Canadá
Gigantesco país, com duas Línguas oficiais, constituído por treze Províncias e Territórios.


O Canada!
Our home and native land!
True patriot love in all thy sons command.

With glowing hearts we see thee rise,
The True North strong and free!

From far and wide,
O Canada, we stand on guard for thee.

God keep our land glorious and free!
O Canada, we stand on guard for thee.

O Canada, we stand on guard for thee.




(link)




fontes de informação
bandeira do Québec: http://membres.lycos.fr/poulet/
http://nibis.ni.schule.de/~emaos/tun/seiten/frz10qu.html
letra do hino do Québec: http://www-cgi.cs.cmu.edu/afs/cs.cmu.edu/user/clamen/misc/Canadiana/Gens_du_pays.html
http://www.qesnrecit.qc.ca/socialsciences/cycles45/history/lessons/m7u4l1leves.html
hino do Canadá: http://www.pch.gc.ca/progs/cpsc-ccsp/sc-cs/anthem_e.cfm
bandeira do Canadá: http://images.google.pt/images?q=tbn:2ArbabUB5KQJ:caribbean_community.tripod.com/images/flags/flag-canada-002.gif

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08/06/04

Words and deeds XIV

Já antes aqui foi citado um caso de país com dois hinos nacionais, o oficial e o nacional propriamente dito. A Escócia e o Quebec são dois outros casos, semelhantes mas também diferentes; de facto, estas duas nações que não são Estados têm em comum com Guam, por exemplo, e mesmo entre si, apenas o facto de possuirem um hino próprio além do oficial.

Não foi nada fácil encontrar versões online destas "canções nacionais", as duas escocesas e a quebequiana. Curiosamente, existem muitas versões "ringtone" (toques para telemóvel) e outras midi (versões sintetizadas monofónicas) de cariz mais comercial; foi, de resto, durante esta pesquisa que encontrei mais protecções de copyright, facto ao qual não será estranha a situação politicamente sensível do tema, quando aplicado a nações não independentes.

Escócia

While "Flower of Scotland" is the de facto unofficcial national anthem of Scotland, "Scots wha' hae'" by Robert Burns and "Scotland the Brave" were early contenders for the honour. Here, is "Scotland the Brave" written by the author Cliff Hanley.
http://www.rampantscotland.com/songs/blsongs_brave.htm

(tradução)
Embora "Flower of Scotland" seja de facto o hino não-oficial da Escócia, "Scots wha'hae" (de Robert Burns) e "Scotland the Brave" foram os primeiros creditados por essa honra. Eis "Scotland the Brave", da autoria de Cliff Hanley.


Scotland the Brave
Hark when the night is falling,
Hear! hear the pipes are calling,
Loudly and proudly calling,
Down thro' the glen.
There where the hills are sleeping,
Now feel the blood a-leaping,
High as the spirits of the old Highland men.
Chorus
Towering in gallant fame,
Scotland my mountain hame,
High may your proud standards gloriously wave,
Land of my high endeavour,
Land of the shining river,
Land of my heart for ever,
Scotland the brave.
High in the misty Highlands
Out by the purple islands,
Brave are the hearts that beat
Beneath Scottish skies.
Wild are the winds to meet you,
Staunch are the friends that greet you,
Kind as the love that shines from fair maidens' eyes.
Chorus
Far off in sunlit places
Sad are the Scottish faces,
Yearning to feel the kiss
Of sweet Scottish rain.
Where the tropics are beaming
Love sets the heart a-dreaming,
Longing and dreaming for the hameland again.
Chorus
Flower of Scotland
O Flower of Scotland
When will we see
Your like again,
That fought and died for
Your wee bit of hill and glen
And stood against him (‘gainst who?!)
Proud Edward's army,
And sent him homeward
Tae think again

The hills are bare now
And autumn leaves lie thick and still
O'er land that is lost now
Which those so dearly held
That stood against him (‘gainst who?!)
Proud Edward's army
And sent him homeward
Tae think again

Those days are past now
And in the past they must remain
But we can still rise now
And be the nation again
That stood against him (‘gainst who?!)
Proud Edward's army
And sent him homeward,
Tae think again






Existe uma versão cantada em coro e com imagens de "Flower of Scotland", captada por ocasião de um jogo de Rugby no campo de Murrayfield. O ficheiro é grande e de má qualidade, mas não se perde grande coisa por espreitar.


fontes de informação
hino: http://donaldson.margaret.users.btopenworld.com/page4.html
letra: http://www.rampantscotland.com/songs/blsongs_brave.htm
bandeira: http://www.bbc.co.uk/wales/scrumv/archive/images_2001/learning_journey/scotland_flag160.jpg
http://www.bbc.co.uk/wales/scrumv/archive/comment/six_nations_info_scotland.shtml

continua: o próximo post/capítulo deste estudo, aqui no Godot, será sobre o hino do Quebec

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From:
Lassalete
To: grupoingles ; portugueses-pela-galiza-lusofona@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, June 08, 2004 2:08 AM
Subject: [Portugueses-pela-Galiza-lusofona] regras para escrever bem, o Português

29 regras para bem escrever Português...
1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, tá fixe?
9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação correctamente o ponto e a vírgula especialmente será que já ninguém sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida, e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúaa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai deixando seu texto pobre -causando ambiguidade - e esquisito, ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
29. Outra barbaridade que você deve evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carago!

[Lalá]
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portugueses pela galiza lusofona
http://galiza_gz.tripod.com/

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(devido ao falecimento do ex-ministro das finanças, este "post" foi apagado)

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07/06/04





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia



Mas atão afinal eu sou uma gaja?


xi

Este testinho é de um brasileiro. Vê-se logo pelo "gênio". A gente entra lá no sitezito, responde a sete perguntinhas de escolha-múltipla e sai logo carimbado para o resto da vida. Nada mais, nada menos. No fim das perguntas, aquilo tem um botão para nós, palonços, carregarmos em e, assim, obtermos a resposta para as nossas mais profundas inquietações e/ou chatas dúvidas existenciais. O pormenor curioso é que o botão contém uma palavra encanitante: Insandeça! (é o que lá diz, garanto, ó inde ver)

Em Brasileiro, por conseguinte, o verbo ensandecer é com "i" - o que até, vendo bem, confere; é o tal número dos prefixos. Assim quer dizer o contrário de "sandecer" que, é sabido e é canja, não só não existe como significa ter sandes na carola.


P.S.: agora reparo que aquilo é só para malucos e está escrito em Abyssínio. Pronto. Retiro o que disse.

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05/06/04

formas de beleza III

click para ler alguma coisa sobre ela e, se calhar, comprar um livro


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04/06/04

polé linguística


A bandeira presidencial foi asteada...
Uma avaria no sistema informático de controlo do tráfico aéreo...

No Diário de Notícias de hoje. Não interessa esmiuçar quais eram as notícias e a que páginas tantas. É perfeitamente miserável. É pura tortura, na sua forma mais insidiosa, porque não é fácil explicar como coisas destas me provocam verdadeira dor física. Alguém que, por amor de Deus, ponha estes gajos no olho da rua. É intolerável. Não há volta a dar-lhe. Rua. Andor. Vão cavar batatas, cambada de mentecaptos. Que os pariu. Não fumadores, aposto. Merda na cabeça, lagostas suadas, parasitas de um cabrão, flibusteiros de água-doce, borrabotas, jornalistazecos armados ao cagalhão, idiotas, cretinos, filhos de uma cadela mal parida.
Ena. Já me sinto melhor. Afinal, isto do bloguismo serve para alguma coisa. Como desopilar o fígado. Baril.

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Words and deeds XII




Suécia
O hino nacional sueco é um raríssimo exemplo de não-belicismo; saúda a terra, exalta a vida, e não contém o mais ínfimo intuito bélico, agressivo ou mesmo de apelo a qualquer tipo de instinto gregário. De resto, é cantado na primeira pessoa do singular e não na primeira do plural, como é regra quase universal.

No chamado imaginário colectivo português, os países nórdicos em geral, e especialmente a Suécia, representam a própria essência da paz social: sem pobreza e, ou por causa disso mesmo, sem conflitos e crispações, domésticas ou externas, com as necessidades - todas as básicas e muitas das supérfluas - garantidas, havendo justiça social e equidade, o "modelo sueco" de trabalho, mérito e lucidez bem poderia ser adoptado como universal. Depois de, por esse mundo fora, tantos países terem importado modelos de sociedade que o tempo se encarregou de eliminar, com as consequências conhecidas, seria talvez boa ideia adoptar um outro modelo, mas desta vez, para variar, um que já deu provas de funcionar.

E de novo se comprova a máxima de nosso Eça: os hinos são, de facto, a definição pela música do carácter de um povo.





SWEDISH LYRICS

Du gamla, Du fria, Du fjällhöga nord
Du tysta, Du glädjerika sköna!
Jag hälsar Dig, vänaste land uppå jord,
Din sol, Din himmel, Dina ängder gröna.
Din sol, Din himmel, Dina ängder gröna.

Du tronar på minnen från fornstora dar,
då ärat Ditt namn flög över jorden.
Jag vet att Du är och Du blir vad du var.
Ja, jag vill leva jag vill dö i Norden.
Ja, jag vill leva jag vill dö i Norden.

Jag städs vill dig tjäna mitt älskade land,
din trohet till döden vill jag svära.
Din rätt, skall jag värna, med håg och med hand,
din fana, högt den bragderika bära.
din fana, högt den bragderika bära.

Med Gud skall jag kämpa, för hem och för härd,
för Sverige, den kära fosterjorden.
Jag byter Dig ej, mot allt i en värld
Nej, jag vill leva jag vill dö i Norden.
Nej, jag vill leva jag vill dö i Norden.
ENGLISH TRANSLATION

You ancient, free and mountainous North,
Of quiet, joyful beauty,
I greet you, loveliest land on earth,
Your sun, your sky, your green meadows.
Your sun, your sky, your green meadows.

You are throned on memories of olden days
When the honour of your name spread over the earth.
I know that you are and will remain what you were.
Oh, may I live, may die in the Nordic North!
Oh, may I live, may die in the Nordic North!


Tradução para Português (*)

Ó velha, livre e montanhosa terra nórdica,
Em tua beleza de paz e alegria sem igual
Eu te saúdo, terra mais adorável do mundo,
O teu sol, o teu céu, os teus prados verdes,
O teu sol, o teu céu, os teus prados verdes,

És o trono da memória dos tempos antigos
Quando a honra do teu nome se espalhou pela Terra.
Sei bem que és e serás sempre aquilo que sempre foste.
Oh, possa eu viver e morrer na terra nórdica!
Oh, possa eu viver e morrer na terra nórdica!







fontes de informação
http://www.dr.incm.pt/ue/ue_desc.html
http://www.royalcourt.se/net/Royal+Court
http://www.regeringen.se/
letra do hino: http://david.national-anthems.net/se.txt
http://www.odci.gov/cia/publications/factbook/geos/sw.html
ficheiro de som: http://www.nationalanthems.com/index.php?kod=Sweden

(*) Esta tradução é uma interpretação pessoal da versão inglesa. Falível, e certamente errada, portanto. Se, por mero acaso, alguma pessoa de nacionalidade sueca ler isto, espero que me perdoe o desplante. De resto, percebe-se que a tradução para Inglês, além de incompleta, possui umas quantas invenções.



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Words and deeds XI


O hino europeu não é apenas o hino da União Europeia, mas de toda a Europa num sentido mais lato. A música é extraída da 9ª Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, composta em 1823.

No último andamento desta sinfonia, Beethoven pôs em música a "Ode à Alegria", que Friedrich von Schiller escreveu em 1785. O poema exprime a visão idealista de Schiller, que era partilhada por Beethoven, em que a humanidade se une pela fraternidade.

Em 1972, o Conselho da Europa (organismo que concebeu também a bandeira europeia) adoptou o "Hino à Alegria" de Beethoven para hino. Solicitou-se ao célebre maestro Herbert Von Karajan que compusesse três arranjos instrumentais - para piano, para instrumentos de sopro e para orquestra. Sem palavras, na linguagem universal da música, o hino exprime os ideais de liberdade, paz e solidariedade que constituem o estandarte da Europa.

Em 1985, foi adoptado pelos chefes de Estado e de Governo da UE como hino oficial da União Europeia. Não se pretende que substitua os hinos nacionais dos Estados-Membros, mas sim que celebre os valores por todos partilhados de unidade e diversidade.

http://www.dr.incm.pt/ue/ue_desc.html


ue
Este excerto é de uma página oficial portuguesa (Diário da República - INCM). Ora, não vale a pena repisar a intocabilidade dos símbolos nacionais, mas isto não é um hino propriamente dito, é um texto, e os textos são altamente comentáveis, como se sabe. Dando mesmo de barato um ou outro erro de Português, que existem nesta como na maior parte dos sites do Estado, seria talvez de questionar as entidades oficiais sobre as fontes de informação consultadas para produzir tal chorrilho de vacuidades. O que será "toda a Europa num sentido mais lato"? Embatuquei. Quais são as fronteiras da Europa em sentido restrito? As delimitadas pelos 15, pelos 25, pelos países do Acordo de Schengen, pelos da zona Euro? Sinto-me ligeiramente baralhado. A Turquia, afinal, no tal contexto "lato", é "europa" ou ainda é Ásia? E como deve ser considerado aquele tremendo buraco mesmo a meio do mapa, a Suíça? E o enclave de Kalinin? E a metade turca de Chipre? E a Noruega, como é? Vale ou não vale? Decididamente, quid, ó redactores oficiais da coisa. Desconfio bastante das vossas fontes, julgo até que não serão lá muito bem informadas, as fontes, ou então isto é um simples plano de intenções políticas - o que, a ser verdade, seria grave.

Alguma liberdade criativa é perfeitamente legítima, por exemplo, num jovenzinho imberbe que escreve umas coisas no seu blog. Mas uma página oficial debitar este tipo de palpites com pretensões a antecipação histórica, isso é que parece um pouquinho irresponsável. "Estandarte" é um símbolo material, por regra um pau com um pano na ponta; não é uma ideia, uma metáfora ou algo etéreo, verbalmente figurativo. Portanto, "os ideais de liberdade, paz e solidariedade" são tanto o estandarte da Europa como o cozido-à-portuguesa ou as iscas-com-todos serão o estandarte de Portugal. Não quereriam dizer "estenderete" e saiu "estandarte"?

Enfim, um bom pedaço de cuidado - pegar nestes assuntos com pinças, não com os pés - talvez fosse boa ideia, antes de lançar a confusão.

Se a União Europeia decidiu adoptar a 9ª Sinfonia de Beethoven como hino da União Europeia, pois com certeza; é um hino. Merecendo tantas palavras de apreciação e tantas considerações quantas as da letra que não tem.



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Words and deeds X



Fratelli d'Italia

Fratelli d'Italia
L'Italia s'è desta,
Dell'elmo di Scipio
S'è cinta la testa.
Dov'è la Vittoria?
Le porga la chioma,
Ché schiava di Roma
Iddio la creò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Noi siamo da secoli
Calpesti, derisi,
Perché nom siam popolo,
Perché siam divisi.
Raccolgaci un'unica
Bandiera, una speme:
Di fonderci insieme
Già l'ora suonò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Uniamoci, amiamoci,
l'Unione, e l'amore
Rivelano ai Popoli
Le vie del Signore;
Giuriamo far libero
Il suolo natìo:
Uniti per Dio
Chi vincer ci può?

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Dall'Alpi a Sicilia
Dovunque è Legnano,
Ogn'uom di Ferruccio
Ha il core, ha la mano,
I bimbi d'Italia
Si chiaman Balilla,
Il suon d'ogni squilla
I Vespri suonò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!

Son giunchi che piegano
Le spade vendute:
Già l'Aquila d'Austria
Le penne ha perdute.
Il sangue d'Italia,
Il sangue Polacco,
Bevé, col cosacco,
Ma il cor le bruciò.

Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L'Italia chiamò. Sì!
Irmãos da Itália

A Itália despertou
Do elmo de Cipião
Cingiu-se a cabeça.
Onde está a Vitória?
Lhe estenda a cabeleira,
Porque escrava de Roma
Deus a criou.

Unimos-nos à coorte
Estejamos prontos para a morte
A Itália chamou. Sim!

Nós somos há séculos
Desprezados, zombados,
Porque não somos um povo,
Porque somos divididos.
Nos una uma única
Bandeira, uma esperança:
De fundirmo-nos juntos
Enfim a hora chegou.

Unimos-nos à coorte
Estejamos prontos para a morte
A Itália chamou. Sim!

Unimo-nos, amemo-nos,
a União, e o amor
Revelam aos Povos
Os caminhos do Senhor;
Juremos tornar livre
O solo natal:
Unidos por Deus
Quem nos pode vencer?

Unimo-nos à coorte
Estejamos prontos para a morte
A Itália chamou. Sim!

Dos Alpes à Sicília
Por toda a parte é Legnano,
Cada homem de Ferruccio
Tem o coração, tem a mão,
As crianças da Itália
Chamam-se Balilla,
O som de cada sino
Tocou às Vésperas.

Unimo-nos à coorte
Estejamos prontos para a morte
A Itália chamou. Sim!

São juncos que dobram
As espadas vendidas:
A Águia da Áustria
Já as penas perdeu.
O sangue da Itália,
O sangue Polaco,
Bebeu, com o cossaco,
Mas o coração as queimou.

Unimos-nos à coorte
Estejamos prontos para a morte
A Itália chamou. Sim!



L'Italia chiamò. Sì! A Itália chamou. Sim!
Não é fácil dizer seja o que for sobre um símbolo nacional. A margem entre o lugar-comum e a bambochata é demasiadamente estreita para que se possa estar muito à vontade no tema. Ainda para mais quando se mexe com os sentimentos mais profundos de um povo. Talvez seja então melhor não tecer grandes considerações e deixar simplesmente ficar os meios, juntar as peças, e deixar a cada um a tarefa de escutar e julgar o que tiver a julgar ou, mais simplesmente ainda, não julgar nada e apenas experimentar a sensação de pertencer por instantes a um outro povo, outro país, outra História.

De facto, quando ouvimos Fratelli d'Italia é normal que nos sintamos também irmanados, um bocadinho italianos. Sem mais.

A Itália chamou. Sim!

Isto diz tudo.



fontes de informação
letra do hino (original e tradução*): Fratellanza
imagem da bandeira: http://pt.wikipedia.org/wiki/It%C3%A1lia
ficheiro de som: quirinale.it

* adaptada a Português europeu

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03/06/04

formas de beleza II

click para ouvir

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olha que coisa bem escrita

O grande engano

Desde que iniciei esta experiência bloguística tenho sido alvo da atenção de variados tipos de mestres desse fenómeno interessantíssimo chamado vampirismo social na sua vertente “luz e sombra”.
Este artigo visa enxotar as traças.
Existem vários graus na repulsa que me inspiram estas pessoas. Possivelmente a menos ofensiva seja um certo tipo de pessoas - mais eles do que elas - de tendência apagada e cinzenta, que me querem dar os parabéns por dizer o que eles não têm coragem de dizer. Como se isto fosse suficiente para se acharem no direito de querer falar comigo. Que erro de avaliação levará estas pessoas a pensar que eu tenho algum interesse na sua cobardia?
De seguida há verdadeiras sanguessugas que se escondem por sistema atrás da manipulação. Até têm o desplante de ficar desiludidos por eu não ser uma marioneta ao seu serviço. Ao lerem aqui as minhas palavras exaltadas, deduzem que sou aquele tipo de pessoa que, a) se pode exibir como um trofeu e/ou b) se pode mostrar aos amigos nas festas como uma aberração da natureza, um freak show. (Este género de pessoa que é passível de ser exibida como um freak ou um trofeu é geralmente tão anestesiada com elogios e palavras de apreço que não se apercebe que a sua companhia serve apenas para disfarçar a inabilidade social da criatura que a parasita.) Já vi muitos homossexuais (especialmente os mais bichonas), gente excêntrica, e até gente doente, ser exibida desta maneira cruel para entretenimento geral.
E depois ainda há outro tipo de vampiragem, talvez a mais desprezível, e infelizmente aquela de que me sinto mais alvo por me expressar aqui no blog - atenção, na vida “real” isto não acontece, mas os “atacantes” estão de facto muito enganados na porta a que vêm bater.
Vou então passar a explicar. Estes parasitas do mérito alheio vêem em mim uma luz brilhante que gostariam de ver brilhar ao seu lado no dia a dia, uma luz que, atraindo as atenções sobre a minha pessoa, camuflasse as suas manobras dissimuladas na sombra.
É este o grande engano. Eu posso brilhar quando quero, mas também me posso apagar quando quero. Sou capaz de me fazer tão invisível que de repente se vê melhor o que faz toda a gente à minha volta. Eu sou um perigo, não uma mais valia, mesmo para o parasita mais experiente.
Escusam de vir dizer que gostam mais de mim quando estou zangada. Ou quando sou divertida. Escusam de se enganar mais. Não percam o vosso tempo. Acima de tudo, não ofendam a minha inteligência.
Na vida “real”, como eu dizia, isto não acontece. Sei restringir a minha liberdade de expressão nos sítios apropriados. Não ando por aí na rua a chamar parasitas às pessoas - se bem que mereçam. Contudo, no dia a dia, o vulcão parece adormecido.
O vulcão não está adormecido mas o privilégio de vê-lo em erupção está reservado aos leitores do blog. Não, não quero conhecer gente que me admira muito; não, não quero ajudar a vossa personalidade medíocre a sair da obscuridade; não, não vou servir de chama para as vossas traças.

Eu sou uma pessoa INTEIRA, com os seus momentos de humor, de tristeza, de raiva, de reflexão, de silêncio. As pessoas que “gostam” de mim às fatias não gostam de mim de todo.
Aliás, se começam logo por me cortar às fatias, não pode ser bom sinal...

Publicado por _gotika_ em 10:22 PM | Comentar (6)

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31/05/04

Avante RIR


Há de facto bastante ruído de fundo, algures entre o arraial popular, o fumo dos assadores, o burburinho da multidão; mas raramente ocorre que o barulho é música e que foi para ouvi-la que aquilo foi feito.

Ele é isqueirinhos acesos na noite, que fica iluminada e um pouco atónita, coitada da noite, com tanta "solidariedade" isqueirística. Ele é coiratos e outros petiscos, entremeada com 10.000 watts por canal, e já se vai compondo o estômago com alguma coisa, que isto não pode ser só charrada e chuto na veia, há que alimentar o corpinho com algo mais substancial. Ele é barraquinas de tudo e mais alguma coisa, artesanato, brinquedos, comes-e-bebes, bancadas "temáticas", tirinhos, rifas, até "stands" de desporto, desde a simples marretada para fazer tocar a sineta até coisas mais "radicais", andar em cima de uma tábua com rodinhas, ou assim.

Há grupos de bacanos, uns deitados, outros sentados, mas todos vestidos de solidários, todos muito aprumados no seu esquerdismo um pouco desmazelado, que é o que fica bem e não compromete. Nada de gravatas, supremo horror, coisa fascista. Adereço indispensável, o cachecol palestiniano, envergado com pujança pelas juventudes, a solidária e a solitária. As meninas mais práfrentex e montes de esquerda trazem o uniforme regulamentar, mocassins, calças rasgadas no joelho, t-shirt generosa e libertária, malinha chilena às cores e às fitinhas, a tiracolo cruzado.

Lá em baixo há um palco, à esquerda outro e à direita um terceiro. Em todos os três está um artista solidário a mais seu conjunto, e todos dizem exactamente as mesmas coisas exactamente com o mesmo "timing", coisas profundas, "iô, mano, tá-se bem" ou "ya, comé, tudo em cima" ou "esta é dedicada ao povo mártir do Afeganistão". É indiferente a pinchagem, interessa é agitar a malta, mandar umas bocas, no fundo pouco importa, já está tudo com uma semelhante moca que é indiferente o que se diga, é preciso é muita carga de yá, meu, fixe, e viva lá essa coisa do galgo afegão, óquié.

Há filas intermináveis em todas as tascas, até para urinar é preciso formar a dois, mas isso que importa, pois se é por uma boa causa, pois que enfileiremos, e traz outro amigo também, essas coisas. A propósito, qual era a causa para hoje, exactamente? Ah, pois, a cena do Iraque, yá, tázaver, que fixe. Bora aí ver.

E fazem-se minutos de silêncio pelas "vítimas" de uma coisa qualquer, e "pela paz no mundo", e "abaixo a guerra", etc. Gente avantajada, metro e oitenta, noventa quilos, braços em arco, ciranda por ali em quadrilha, zelando para que nada perturbe a paz contestatária; camaradinha que se atreva a levantar cabelo desaparece em menos de um fósforo e só reaparece longe, muito depois da "festa", estendido ao comprido e ligeiramente amassado, nalgum aceiro perdido.

Quando finalmente toca o sino para a debandada, enrolam-se as bandeiras, empocha-se o material, guardam-se os "pins" e as palavras de ordem, tudo recolhe a penates com a consciência do dever cumprido, em espírito de sã camaradagem. Mais uma liturgia termina, vão os fieis em paz com a sua consciência, cumpriu-se a festa, sabe-se lá bem se foi desta que se cumpriu Portugal, pode ser, nunca se sabe. Alguns mais militantes destas coisas deixam transparecer a felicidade que lhes vai na alma, ó suprema alegria, vão carregadinhos de solidariedade, esmagados pelo peso das causas que nessa noite sobrepujaram, o povo trabalhador e os pobrezinhos em geral, o lince da Malcata e o cágado de Alcabideche, as amplas liberdades e as outras, o demónio americano. Uff! Ser solidário é uma canseira.

E tudo termina com a passagem ritual dos almeidas, com os seus camiões sempre a abarrotar. Pronto. Para o ano há mais. Com a música a pretexto, como sempre.


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(e nem os festivais nacionais eu apoio coisa nenhuma)


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Quebra-cabeças


Rock In Rio Lisboa

descubra as diferenças


Aparentemente, estes dois festivais são iguais. Mas é apenas na aparência. Se reparar com atenção, poderá descobrir que existem sete coisas ligeiramente diferentes. Soluções no próximo número.

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formas de beleza I

click para poder ver e ouvir quando é que a vai  poder ver e ouvir

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ipsis verbis


A propósito da falta de "ferramenta comentária" neste incógnito e modestíssimo blog, referida por dois dos nossos três leitores diagonais, com a devida vénia, aí vai citação:

Infelizmente, tivemos de novamente apagar diversos comentários insultuosos - num total de oito - numa bola de neve despoletada por um nick já anteriormente responsável por situações similares.
Caso tais ocorrências se repitam, retiraremos, de imediato, a possibilidade de comentar os textos, numa decisão que não queremos tomar, mas, que se afigura como praticamente inevitável, a manter-se a falta de respeito referida.

(do blog Canal Maldito)

Há-de estar algures, nos históricos deste ou no blog que antecedeu o endereço http://001.blogspot.com, uma explicação semelhante. Já tivemos um sistema de comentários e não apenas o retirámos como tivemos até de mudar de endereço, de título, de blog. Isto porque, entre outras razões, houve um troglodita que resolveu eleger-nos como ódio de estimação; pura e simplesmente, esse imbecil não fazia mais nada do que escrever insultos nas caixinhas. Acontece que, não sei bem o que se passa com os outros bloggers nacionais, nós temos mais o que fazer, sem ser aturar paranóicos; e pessoas desequilibradas é o que não falta no blogbairro; como a coisa funciona, neste particular, à portuguesa, isto é, na base da graxa, do amiguismo e do compadrio, basta abrir uns quantos comentários - em qualquer blog - para constatar o óbvio: quem lá escreve, por definição, ou é amiguinho e engraxa ou é inimigozinho e insulta; os comentários (em blogs portugueses, porque em muitos estrangeiros não é nada assim) não acrescentam nada de útil, não esclarecem, não duvidam; são catadela virtual ou cagadela não menos. E apagar comentários, além de deselegante, é uma tremenda maçada. E ainda: o endereço de email, dando mais trabalho (a grande alergia nacional), funciona e serve para o(s) mesmo(s) efeito(s).

Acresce que - pelos vistos, isso é difícil de entender para algumas pessoas - nós não estamos absolutamente nada interessados em qualquer espécie de projecção mediática, vedetismo de vão-de-escada, relevância bloguística. Nada. Para nós, o nosso blog é muito mais pequeno do que o vosso e não temos qualquer problema com isso. Isto aqui é um simples bloco-notas onde vamos anotando umas coisas sem a mínima importância. Não constamos de qualquer "top-ten" (dez mais, dez menos ou dez assim-assim) e são apenas meia-dúzia de patuscos os blogs que nos referem e, destes, sem menosprezo e felizmente, nenhum dos "notáveis" (Abrupto, Aviz, etc.); não constamos também de nenhuma das listas VIB* que há por aí. Ora, isso deve-se também ao simples facto de não termos sistema de comentários; a isso e ao mais prosaico facto de os nossos escritos e conteúdos não interessarem nem ao Camões.

Exacto. Perfeitamente. Era isso mesmo que pretendíamos.

Dodo (assinatura ilegível)
001 (assinatura ilegível)
Godo (assinatura ilegível)
(o Godot manda dizer que também assina por baixo, mas que agora não lhe dá jeito)

* VIB, very important blog

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29/05/04

Seguimos para bingo

Porque é que não gostas de ser apodado de esquerdista?
Essa é de resposta simples: porque não sou! Um esquerdista apoia revoltas sem pensar nas consequências. Eu não. Um esquerdista não toma banho. Eu tomo. (...)

Claque Quente

Boa. Já não sou só eu. Bem me parecia. A badalhoquice é revolucionária e a revolução é badalhoca. Sei. Esquerda, sinistra. Sarro com pernas, articulado, vociferante. Subscrevo inteiramente essa das abluções. Aliás, durante os trinta anos em que julguei ser de esquerda, eu bem via como os "camaradas" olhavam para mim de esguelha; era o cheiro a sabonete que os incomodava. Bem, isso e a minha atávica alergia a trogloditas e a medíocres, além do pouco ou nenhum embevecimento pelas "massas trabalhadoras".

Vale a pena ir ler a entrevista por inteiro. Pessoalmente, não concordo com uma data de coisas que diz o entrevistado, como, por exemplo, que "hoje em dia há menos mânfios a escarrar na rua". Em que rua é isso? Eu cá não noto diferença nenhuma, nem na minha nem naquelas por onde passo. Ora aí está um ferrete identitário do nosso bom povo que lavas no rio; não me lembro de qual era o autor estrangeiro, esquisitamente lusófilo, que dizia que o povo português se define pelo som que produz imediatamente antes de escarrar no chão. Referia-se àquele inconfundível e muito másculo RRRRUAAACH, que puxa as secreções, prelúdio do consequente e não menos vibrante PTUM, genial manobra de expulsão bocal, ó glória, coisa absolutamente única em todo o mundo, inimitável, juro, venha lá o primeiro estrangeiro e tente fazer aquilo.

É por causa de coisas destas, fedúncias e aversões a detalhes e pouco de essencial ou importante, que não tenho onde cair morto... politicamente. O suínismo, o trogloditismo, o vira-virou Maria, não são atributos ou distintivos de nenhuma coutada política em particular. De facto, a falta de higiene, principalmente mental, é característica de alguns grupos folclóricos da sinistra; mas basta ver Cavaco Silva a comer... para não querer ter nada a ver com as direitas. Bem, a não ser que se rotule o dito prof de esquerdista e, nesse caso e como quase sempre, já não entendo nada. O que, de resto, também não admira.

E o mesmo quanto ao remate historiológico da entrevista. Caro Clark59, caramba, e então nosso Marquês de Pombal, hem? A pergunta é meramente retórica, bem entendido, até porque já estou habituado; sempre que alguém arrola os seus ícones históricos esquece sistematicamente o único Português que fez muito e disse pouco - ou nada. Ainda hoje resta mais, da obra pessoal de Sebastião José, do que de todos os que o antecederam e de todos os que lhe sucederam. Juntos.

Não por mera coincidência, e mesmo numa época em que era fino ser porcalhão, foi ele quem tratou de abastecer - de uma vez por todas - Lisboa de água. E não exactamente ou apenas para o povo alfacinha a beber e com ela regar as couves; palpita-me que o velho Conde, já nessa altura, sabia que não há civilização sem água. Limpa, corrente, diária. Pois é essa, também não por coincidência, a única obra portuguesa listada no Guiness World Book of Records; nem barcos, nem feitos; um aqueduto. O paradigma do banhito. Eis o maior feito nacional. A pérola arquitectónica das Águas Livres.

Pelos vistos, pérolas a porcos.

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28/05/04

Seca histórica


A propósito de Brasil. Mané Garrincha foi um futebolista conhecidíssimo, nas décadas de 50, 60 e 70 do século passado, e é ainda hoje uma referência histórica do futebol mundial.

Em 1962, depois do apito do árbitro que deu por finda uma partida, no Chile, um "periodista radialista" chileno aproximou-se de Garrincha, de microfone em punho: "Garrincha, aqui tiene usted el micrófono para sus despedidas."

O pobre Garrincha, que não era propriamente conhecido pelo seu brilhantismo intelectual, pegou no dito microfone e disse a frase sibilina: adiós, micrófono!

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o direito e o dever de votar nas putas

Foi o estranho critério de busca utilizado por um brasileiro, ontem às 18:45 h, na Google. E veio cá parar, aqui ao Godot, que é um blog de respeito, caramba, isto já não há valores sagrados em lado nenhum, bálhamedeus.

Meu caro 200.135.75.#, equivocou-se. Qual putas nem meio putas! A gente aqui é mais Português, literatura, um pedacinho de pancada nos políticos, mas nada de grave, uns carolos e assim, mas, claro, de vez em quando lá escapa seu vernáculozito (caralhadas, entende?), não é por mal e só usamos disso se e quando vem absolutamente a propósito. Não gramamos bandalheiras, acredite, ó 200.135.75.#; o Dodo, ainda vá que não vá, é assim meio desbocado, mas isso é tão raro nele, sabe, e não vem daí mal ao mundo. Agora cá putas! Nunca! É uma calúnia! Isso foi um "post" com uma colecção de bojardas fortes (broches langonha meita fodido, coisas assim), e até era copiado, o autor foi um tal Renas & Veados, educadíssimo e insuspeito blog, como nós, aquele até parece firma comercial, vê-se logo, e mesmo só escreveu aquilo numa de fintar a própria Google, veja lá. Mas enfim, se quiser, vá lá ao blog dos cervídeos falar com eles, mais fica, a gente abstém-se.

Mas, já agora, amigo, aqui chegados e de assunto arrumado, queira esclarecer uma dúvida que nos ficou: queria realmente saber em que consiste, ao certo, o "direito e o dever de votar nas putas"? Ficam-se-me as meninges palpitando. Direito e dever de votar nas putas, caro amigo, hem? Hmm? A Constituição brasileira refere o assunto, por acaso? Será que aí, no seu país, um cidadão tem o direito constitucional e a obrigação de votar no putedo? O Brasil é muito engraçado, realmente.

As coisas que a gente aprende neste maravilhoso mundo blosférico.

001

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Words and deeds IX


A história do hino de Espanha poderia constituir um capítulo autónomo, neste ou em qualquer outro estudo; a partitura de "La Marcha Granadera", ou "La Marcha Real", foi descoberta em 1761 e é hoje um dos poucos hinos nacionais sem letra; abusando aqui um pouco de liberdade especulativa, talvez isto aconteça por a Espanha ser constituída por várias nações e englobar várias Línguas, sendo, por conseguinte, o hino nacional um factor de união - sem a imposição e a supremacia de uma dessas Línguas, o Castelhano, sobre as outras: o Galego, o Catalão e o Eusquera (Basco).

Existem várias tentativas de fixação de uma letra consensual para o hino espanhol, e houve mesmo uma que, embora nunca oficialmente reconhecida, foi cantada durante o período Franquista (1939-1975).

Este hino de "só" música será apenas vagamente conhecido, para a maioria dos portugueses. Apesar da proximidade geográfica e da interligação histórica entre os dois países, é imenso - e, de certa forma, incompreensível - o desconhecimento mútuo; muitos historiadores, escritores, políticos e outros intelectuais têm tentado explicar esta proximidade que é distância e esta "irmandade" divorciada, entre as duas nações políticas da Península Ibérica. Existem e existiram mesmo alguns iberistas célebres (D. Pedro V, Latino Coelho, Oliveira Martins), mas o facto é este: o país de "nuestros hermanos" e as nações que o constituem são tão desconhecidos em Portugal como qualquer outro da União Europeia. Tipicamente, conhecemos melhor o Boulevard Monmartre do que a Gran Via, ou Trafalgar Square do que Atocha.

Evidentemente e do mesmo passo, se todos reconhecemos imediatamente a Marselhesa ou God Save The Queen, poucos saberão dizer a que país pertence a Marcha Granadera.




Fontes de informação
http://gl.wikipedia.org/wiki/Espa%C3%B1a
http://www.himnonacional.org/
http://www.embajada-esp-praga.cz/Consulado.BanderaHimno.htm
http://lusotopia.no.sapo.pt/indexPTIberistas.html

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23/05/04

uma nova agência de mudanças e reparações


Era só o papel de parede e uma secretária antiga que aqui tenho; a ver se a levava para o sótão, que só atrapalha e não condiz com o dito papel. As portas também estão a precisar de ser substituídas. Se possível, dava um jeito nas tomadas (algumas estão partidas).
Obrigado, Sr. Manel. Depois mande a continha.

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20/05/04



Words and deeds VIII


Hoje, 20 de Maio, é o dia de aniversário de Timor Lorosae independente. Loro sa'e quer dizer "sol nascente", em Tétum. Faz dois aninhos, o mais novo país do mundo.

Timor é uma ilha a Norte da Austrália e a Sul da Indonésia. A metade Leste tem cerca de 820.000 habitantes e é um dos países mais "pobres" da comunidade internacional, segundo os padrões europeus e/ou ocidentais. A Capital é Díli. As principais riquezas naturais são o petróleo, o café, o sândalo. Diz quem já lá esteve que a principal riqueza natural de Timor é ser uma terra que nunca mais se esquece.


Título: "Pátria"
Texto: Borja da Costa
Música: Afonso Araújo


Pátria, pátria, Timor-Leste nossa nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo.
Gritamos: abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploração.
Avante, unidos, firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo,
o inimigo dos povos,
até à vitória final,
plo caminho da revolução!


Refrão: Pátria, pátria, Timor-Leste nossa nação.
Glória aos heróis da nossa libertação



(link)

Também esta extraordinária melodia não se esquece nunca mais.

Parabéns, Timor!

praia de Liquiçá, 32 km a Oeste de Díli




Fontes de informação
Sítio de Timor (em Sapo.pt e em Cedilha.com)
http://lorosae.blogspot.com

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18/05/04


Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Composição
Alfredo Keil




(link)



Words and deeds VII


Uma pesquisa rápida na Google, limitada apenas ao critério de busca "hino nacional"+blog+Portugal, resulta em surpreendentes quantidade e variedade de resultados.

Talvez seja interessante determo-nos em alguns destes, a começar pelos mais recentes (primeiras cinco páginas de resultados), e atendendo a que foram feitas transcrições não exaustivas dos "posts"; por regra, além do "link" para a página de entrada de cada "blog", junta-se o "permalink", no caso de existir.

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HINO NACIONAL: É um dos simbolos nacionais de cada país, devendo ser ouvido em respeito mesmo quando se trate de um hino estrangeiro. Se se tratar do nosso hino, esse respeito será naturalmente acrescido. É uma questão de educação. Alguém explique isto aos labregos da TVI que, como se viu na transmissão da final da Taça de Portugal no Domingo, não distinguem o hino de uma qualquer música do Toy.

mar salgado
posted by Neptuno on 12:01 PM #
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Circunscritos à mediocridade civilizacional assente na Crucífera espécie vegetal, Portugal deveria adoptar como brasão um talher cruzado, como bandeira um pano de loiça e como hino um arroto - ou, quiçá, a conhecida melodia "Bacalhau à portuguesa", imortalizada por Quim Barreiros.

O Hino Nacional poderá, como tantos hinos em tantos outros países, apelar a sentimentos de culto pátrio e de valores históricos que não têm qualquer significado nos dias de hoje, quer para o sr. Daniel Oliveira quer para tantos cidadãos em tantos outros países.

blog-notas
Publicado por blog-notas em dezembro 29, 2003 11:58 PM | TrackBack
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Sinceramente adoro A Portuguesa, emociono-me quando a oiço, mas também acho que não reflecte a realidade da nossa pátria.
É claro que continuamos a respeitar os efeitos dos nossos ante-passados, mas também aprendemos com os erros deles. É claro que é importante demonstrar determinação na defesa da pátria, da constituição, da liberdade e da República, mesmo com o uso da força (se for realmente necessário), mas nos dias de hoje as maiores ameaças a estes valores não é armada. A maior ameaça vem de nós próprios, pela falta de valores e pela falta de compreensão do lugar do patriotismo num país integrado numa União Europeia e num mundo cada-vez mais globalizado. Enquanto estes problemas não forem resolvidos e enquanto não houver uma mudança no nosso sistema politico de forma a torna-lo mais transparente e a envolver mais a sociedade na governação, não penso que valha a pena mudar de hino.

olifante
Posted by: Diogo Santos | Janeiro 19, 2004 12:30 AM
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Música pimba
A minha filha chegou-me a casa a saber o hino nacional de uma ponta à outra, sem falhas. Aprendeu na escola. Uma vergonha para mim e um orgulho para Paulo Portas. Tentei ensinar-lhe outras coisas, mais interessantes. Desisti. A música pimba sempre entrou mais facilmente no ouvido.

Errata: Fui injusto. A minha filha canta "Heróis do mar, nobre polvo". A verdade vem sempre da boca das crianças.

Barnabé
Publicado por danieloliveira em | TrackBack
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Domingo passado, nas Crónicas habituais de Marcelo Rebelo de Sousa, ouvi um apelo de um embaixador de Portugal, que a propósito do Euro 2004, sugeria que se (re)aprendesse o Hino Nacional.
Passados 30 anos da Revolução, temos o dever de aprender o Hino do nosso País. A minha geração, devido aos complexos gerados pela Mocidade Portuguesa, já não o aprendeu na escola.
Por via da nossa integração na Europa, perdemos parte da nossa soberania e ganhamos outras coisas em troca. Perdemos a moeda, perdemos a politica monetária e parte da económica. Ainda não perdemos o Hino. Eu resolvi aderir à ideia, pois as heranças são para manter...

Azenhas do Mar
Publicado por pmbernardes em 10:21 AM
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É absurdo, isto não pode continuar!
Para quando o início da guerra de libertação?
E, já agora, alteremos o hino nacional e cantemos:

"Contra Bruxelas, marchar, marchar"

cabalas
- posted by Alvaro @ 4:48 PM
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Os alunos do sistema público de ensino devem cantar o Hino Nacional no início do dia. O objectivo desta medida é incutir nos jovens sentimentos nacionais. Paulo Portas defende que devemos ser patriotas, não é só no fubtebol que devemos cantar o hino;

Nónio
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QUANTA INTELIGÊNCIA (pra num dizer o contrario)
Vestibular UFRJ
Eis as pérolas:
HISTÓRIA
=> O Hino Nacional Francês se chama La Mayonèse...
GEOGRAFIA
=> A capital de Portugal é Luiz Boa.

Vida da má (Brasil)
By: || ás 1:17 AM (extractos, post de 17.05.04 sem permalink)
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Concorda que se deveria aprovar uma lei para obrigar a mastigar pastilha elástica durante o hino nacional?

1º Lugar - Sim, da marca dos submarinos, com 41.66%.
2º Lugar - Não, pode provocar abortos, com 25.00%.
3º Lugar - Não, é uma falta de respeito, com 16.66%.
4º Lugar pela duvida existencial - Talvez, depende do sabor, 16.66%.
5º Lugar - Sim, ajuda a dicção, com 0.00%.
Abstenção - Maior do que o exigido pelo ensaio sobre a lucidez
Nulos - 0 ( Zero )

Nota - a abstenção e os votos nulos foram distribuídos conforme o método de Hondt.

Não deixe de comprar a nova pastilha GSC (Gasto Supérfluo Consentido), sempre que ouvir o hino nacional, masque uma.
( produto não sujeito a receita médica, em caso de precistência dos sintomas consulte o seu médico assistente, se ainda for vivo ).

analiticamente incorrecto
posted by Paulo Tomás at 11:51
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Mas pode dizer-se qualquer coisa como este senhor vê a cultura e o conhecimento. Ao descobrir que a filha tinha apreendido o hino, tentou ensinar-lhe outras músicas, provavelmente menos pimbas, e que considera mais adequadas para reflectir a cultura nacional (talvez Fanhais, José Mário Branco ou Sérgio Godinho). Felizmente, não conseguiu. Talvez não tivesse sido mau utilizar a internet ou uma enciclopédia para perceber e explicar o que é o Hino Nacional, qual o contexto histórico em que foi escrito e qual o seu significado para a república. Podia mesmo explicar o que significa cada um daqueles versos e os acontecimentos históricos a que se referem.

Mas não, resolveu dizer que era música pimba e dar a entender que quem sabe e compreende o Hino é um fascista radical que quer expulsar todos o emigrantes de Portugal, matar pretos e homosexuais, blá, blá blá (a cartilha habitual).

pasmo
# posted by pasmo @ 12/23/2003 11:15:36 AM
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fontes de informação
letra do hino português: JN
bandeira portuguesa: anim factory
hino nacional: portal do Governo



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17/05/04

Words and deeds VI


Guam Ilha sob administração norte-americana, no arquipélago das Marianas (Pacífico Norte), com 541 quilómetros quadrados e cerca de 160.000 habitantes. Capital: Hagatna (Agana).

Existem países dos quais nunca ouvimos sequer falar, e Guam será certamente um desses. Se bem que seja, em todos os aspectos, território integrante dos EUA, esta ilha conserva algum grau de autonomia e tem um hino próprio, além do hino nacional americano.
Este hino de Guam aparece aqui um pouco por acaso; surgiu de entre muitos outros, durante as pesquisas pela Internet, mas parece-me belíssimo e perfeitamente adequado ao nosso(a) estudo. A letra que se segue está em Inglês e em Chamorro, a Língua local. Existe uma terceira Língua falada em Guam, o Japonês; não por acaso, falaremos também do hino do Japão, logo de seguida.

Stand ye Guamanians for your country
And sing her praise from shore to shore
For her honor, for her glory
Exalt our island forever more.
For her honor, for her glory
Exalt our island forever more.

May everlasting peace reign o'er us
May heaven's blessing to us come
Against all perils, do not forsake us
God protect our isle of Guam.
Against all perils, do not forsake us
God protect our isle of Guam.

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Fanohge Chamorro put it tano'-ta
Kanta i matuna-na gi todu i lugat
Para i onra, para i gloria
Abiba i isla sinparat.
Para i onra, para i gloria
Abiba i isla sinparat.

Todu i tiempo i pas para hita
Yan ginen i langet na bendision
Kontra i piligru na'fansafo' ham
Yu'os prutehi i islan Guam
Kontra i piligru na'fansafo' ham
Yu'os prutehi i islan Guam





Os ouvidos mais atentos terão reparado que o "link" para o hino de Guam vai dar a uma imensa colecção de hinos nacionais, executados, na sua maioria, por orquestra japonesa. Não por coincidência, é precisamente o hino do Japão que se segue. Passamos assim de um país microscópico e que nem sequer é independente, para um outro que já foi um imenso império. Do ponto de vista dos hinos de cada um deles, não há diferença nem comparação. Um hino é precisamente isso, dimensão exclusivamente simbólica, sem tamanho, importância, beleza ou imponência, conceitos relativos com os quais os hinos não têm nada a ver.

Hino nacional do Japão (Kimigayo), 1880


(transcrição do Japonês)***
Kimiga yo wa Chiyoni
Yachiyoni Sazaréishi no,
Iwao to narité,
Koké no musumadé.

(tradução para Inglês)***
May thy peaceful reign last long!
May it last for thousands of years,
Until this tiny stone will grow into a massive rock
And the moss will cover it all deep and thick.

(tradução do Inglês)
Que o vosso reino de paz dure para sempre!
Que possa durar por milhares de anos,
Até que esta pedrinha fique um enorme rochedo
E o musgo viçoso o cubra por inteiro.



Já que estamos nos antípodas, e porque se comemora a 20 de Maio a independência, seguiremos nessa data para Timor-Leste. No dia do 2º aniversário do mais novo país do mundo, o 1º do século XXI, teremos então um "post" exclusivamente dedicado ao hino nacional timorense.



fontes de informação
http://www.abacci.com/atlas/anthem3.asp?countryID=211
http://mysticplanet.com/GUAM.HTM
http://www.nationalanthems.com/index.php?kod=Guam
http://www.d.umn.edu/cla/faculty/troufs/anth1095/fsweek03.html
http://www.japanorama.com/kimigayo.html
*** figura com caracteres japoneses, transcrição e tradução para Inglês: http://david.national-anthems.net/jp-txt.htm
(a) My Moleskine publicou hoje um post com os hinos dos cinco PALOP

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O pontapé na chincha 2004


Para alguns, jogar ou ver futebol equivale à satisfação de instintos violentos e à sua dissipação inofensiva. Na base desta teoria está a ideia de que todos sofremos frustrações na vida quotidiana e de que vivemos sempre com elas sob a forma de uma opressão crescente. Armazenamos esta fúria, que fervilha continuamente no mais fundo de nós, à espera de uma oportunidade para explodir de forma visível.
Desmond Morris, A Tribo do Futebol (1981)

É espantoso, quando não caricato, ver e ouvir pessoas que se supõe serem inteligentes e instruídas perorando sobre a "arte" do pontapé na chincha. De facto, ouvir uns quantos ilustres do esférico, esgrimindo "argumentos" sobre coisa tão básica, primitiva e, de certa forma, ridícula, é um exercício de masoquismo com requintes de malvadez.

Que um qualquer pônciomonteiro debite umas larachas, com notório ar de gajo esperto como um alho, ainda vá, tem a sua piada; as reflexões mais elaboradas deste género de "especialistas" têm a mesma profundidade e a mesma concentração que aplicam na mais complexa das suas tarefas quotidianas como, por exemplo, mexer a sopa quando está quente. Mas ouvir uma pessoa cuja profissão é mexer dentro das pessoas, reparar tubagens e canalizações íntimas, um cirurgião cardiotorácico, valha-me Deus, isso já é mais difícil. Para quem lê as crónicas de Eduardo Barroso, é extremamente doloroso ouvi-lo depois a destilar teorias em futebolês, escorado no seu "sportinguismo", nas inúmeras "mesas-redondas" sobre tão ingente assunto que enxameiam os quatro canais nacionais.

Cito estes dois "habitués" da converseta futebolística como meros exemplos de extremos mediáticos. Mas todos sabemos que existem muitos outros, até um candidato a candidato à Presidência da República, experts na matéria, que argumentam sobre tácticas, discutem acaloradamente sobre manobras de bastidores, atiram uns aos outros as culpas do "sistema". Não é possível que esta gente se leve realmente a sério e que leve também, com a sua verborreia apaixonada, o povo a julgar que ganha alguma coisa quando a sua equipa ganha, ou que existe realmente a mais ínfima das diferenças entre "ser de" um clube ou "ser de" outro qualquer.

Sportinguismo é "ser do Sportém", como benfiquismo é "ser do" Benfica ou "ser" portista é "ser do" Fêcêpê. E comporta-se, cada índio destas tribos, como se os das tribos vizinhas fossem inimigos verdadeiros, a abater, a destruir. E destroem mesmo, volta e meia, atiram pedras às caravanas (autocarros) de "inimigos", organizam batalhas campais entre "falanges" (claques), insultam a mãezinha e demais parentes do árbitro (a chatice da lei e da ordem), enfim, fazem trinta por uma linha, com a estranha complacência das chamadas forças de segurança. Mas enfim, até se compreende, de certa forma, para um elemento da polícia de choque o energúmeno da bola é a verdadeira entidade patronal; é prudente não estragar muitos "hooligans" com uns pontapés e umas cacetadas, caso contrário ficam sem emprego.

Quando uns tipos vestidos de vermelho e branco entram em campo, eu cá prefiro, vá-se lá saber porquê, vê-los a eles a jogar bem e os outros mal, a marcar mais golos do que os sofridos. Em resumo, quando é o Benfica a jogar, eu quero que o Benfica ganhe. Será isto "ser benfiquista"? Serei eu também um troglodita e ninguém me avisou? Mas, que diabo, lembro-me perfeitamente de aplaudir o Belenenses, numa final da Taça, porque jogaram melhor e mereceram ganhar. E quando o Porto ou o Sporting, ou qualquer outra equipa portuguesa, joga contra uma estrangeira, eu quero é que a "nossa" ganhe. No fundo, no fundo, o meu verdadeiro "clube" é a chamada Selecção Nacional (note-se as maiúsculas), e também não sei bem porquê, mas desconfio. Indo mais a fundo ainda, o meu problema de laivos trogloditas e broncos é que adoro futebol, valha a verdade; em minha defesa, alego que nunca apupei ninguém e que é aos meus botões que digo o que acho do árbitro.

Mas julgo que esta coisada do futebol foi longe de mais. Basta assistir a um jogo de Rugby, ou de Voleibol, por exemplo, para constatar isso e ver a diferença. O futebol já não é um desporto; já não é, ao contrário do que escreveu Desmond Morris, uma forma de "dissipação inofensiva" da frustração; de há muito deixou de ser "only a game". É por isso, é por causa disso, que a atitude estúpida e cega dos líderes e fazedores de opinião toma foros de verdadeiro crime de lesa-cultura.

Não é muito curial exigir a um "popular", embrutecido e ignorante, que deixe de se comportar como um Cro Magnon vestido. Mas a pessoas instruídas, aos líderes que as massas ululantes seguem, seria de - ao menos - pedir um pouco mais de compostura, comedimento, urbanidade; enfim, que tivessem juízo.

Este "benfiquista" deseja as maiores felicidades ao Futebol Clube do Porto, na próxima final da taça dos campeões europeus. E que tragam o caneco.

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Mensagem devolvida


Veio devolvida (por duas vezes) a minha resposta à mensagem que Ferreira Fernandes me enviou, a propósito de um "post" sobre livro de sua autoria; na sequência deste "post", o Sr. Ferreira Fernandes fez o favor de me remeter uma lista, à qual respondi com outra.

Se bem que seja um pouco constrangedor a exposição pública de correspondência particular, para mais com a agravante de um dos interlocutores estar identificado e o outro não, decidi publicar aqui a troca de correspondência, na esperança de que o referido autor leia a minha resposta.

No pressuposto de que a correspondência recebida passa a ser propriedade do destinatário, mas atendendo também ao desequilíbrio de relações que resulta do meu próprio anonimato, caso o Senhor Ferreira Fernandes venha a manifestar qualquer interesse nisso, apagarei de imediato o seu último email.





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ffernandes@sabado.investec.pt: connect to sabado.investec.pt[194.65.110.222]:
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----- Mensagem Original -----
De dodo2004@iol.pt
Data Sat, 15 May 2004 17:11:40 +0100
Para Ferreira Fernandes ffernandes@sabado.investec.pt
Assunto Re: Ferreira Fernandes




Caro Senhor Ferreira Fernandes,

Muito obrigado pela sua mensagem.

O blog "do Godot" é absolutamente insignificante e os meus escritos apenas a mim próprio interessam, o que se pode perfeitamente aferir pelo número e tipo de visitantes que ali vão, a maioria ao engano ou por mero acaso, e apenas dois ou três com mais alguma atenção. Portanto, muito me surpreendeu a sua primeira resposta, a qual não teria tido retorno, de resto, não fosse o apelativo que escreveu em assunto e o seu remoque final, os quais considerei vagamente ofensivos. Não tenho qualquer espécie de autoridade, linguística ou outra, para dar "lições", sejam estas de Português (há muito que deixei o Ensino) ou de qualquer outra disciplina ou natureza.

Já escrevi ali coisas muito "piores" a respeito de Lobo Antunes e de Saramago, por exemplo. E isso que tem? Desde quando um perfeito anónimo, como eu, tuge a respeito de qualquer assunto e isso muge o que quer que seja? Evidentemente, suponho, nem a um nem a outro ocorreria responder-me, na muito remota e imensamente académica hipótese de alguma vez toparem com o "Godot", um simples blog, tão anónimo como qualquer outro(***).

A minha lista de resposta não teve qualquer intenção de "esmagar"; sei perfeitamente que a "sua" expressão é muito mais utilizada do que a "minha"; como "deparar-se com", "há dias atrás", etc.; é absolutamente igual ao litro que uma esmagadora maioria profira asneiras e que estas acabem, mais tarde ou mais cedo, por se tornar acervo académico e atestado. Resolvi, simplesmente, "pagar" a sua listinha na mesma moeda. Exactamente na mesma medida e com as mesmas intenção e intensidade, como de resto fiz com o apelativo em assunto e com o remoque final: devolvi na mesma medida. Procurando não ofender ou insultar, contudo, porque realmente a questão é demasiadamente irrelevante.

Por conseguinte, não vejo como pude, posso ou poderei eu atirar seja com o que for "para a fogueira". Nunca ninguém tinha chamado isso à minha modesta opinião, o que não deixa de ser, por paradoxo, um pouco prestigiante; mas garanto-lhe que dispensava bem a vaidade.

Quanto a sarcasmo, suponho estarmos também esclarecidos: não fui eu quem usou de tal coisa. O tratamento mais desrespeitoso que usei foi o de "o Fernandes" e, neste, limitei-me a repetir - citando - a autora do artigo em causa.

Digo-lhe estas coisas porque espero, sinceramente e sem quaisquer ironias, que o seu livro tenha o maior sucesso. E reafirmo que nunca me passou pela cabeça que aquilo que escrevi a respeito pudesse vir a ter a mais ínfima das repercussões, e muito menos ainda por parte do próprio autor. Ao qual desejo também os maiores sucessos, pessoais e literários, e continue a gozar de excelente saúde.

Cumprimentos.

http://001.blogspot.com

(***) Abreviando uma longuíssima explicação, perdoará que mantenha o anonimato. Sempre a mantive, neste como em outros "blogs" e como acontece com a maioria dos autores desta nova forma de expressão; aliás, o anonimato - ou a assunção de alter-ego - faz parte do próprio conceito que define, descreve e resume o termo "weblog". Não bulindo este assunto, uma simples e microscópica divergência linguística, com questões mais sérias - como honra ou hombridade, questões pessoais - não me parece necessário quebrar agora essa regra.



----- Mensagem Original -----


De: Ferreira Fernandes ffernandes@sabado.investec.pt

Data: Quarta-Feira, 12 de Maio de 2004, 20:34

Assunto: Ferreira Fernandes


Olá,

Não precisa de me lembrar que muita e boa gente escreve correctamente "lembro-me de que…". Eu sabia. Por isso não fico esmagado com os 2230 resultados no Google (tenho para a troca 8430 "lembro-me que…", no mesmo sítio). Aliás, se fosse caso de eu ignorar a justeza do "eu lembro-me de que…", para esmagar bastava citar-me o Gilberto Freyre, que tanto admiro desde pequenino (no ano passado, estive na casa que foi dele, até peguei na tartaruga que o conheceu). Com o argumento de autoridade de Freyre, só o saber que Rubem Braga, o maior cronista da língua portuguesa contemporânea, alinha na turma do "lembro-me que…" me tira da angústia: "Lembro-me que, apesar de sentir esse fascínio do Rio de Janeiro…", Rubem Braga, em "Quando o Rio não era Rio" (este eu ainda não tinha citado, guardando para a artilharia final). Se o Braga simplifica, não seguindo a Gramática, é sabido que a Gramática o seguirá. Entretanto, já eu apanhei boleia. Dito isto, é legítimo que queira guardar o templo das normas.
Obrigado, pela lição. Que não vou seguir.
Já gostei menos do seu sectarismo em lançar para a fogueira um livro que merece mais do que um sarcasmo. "Lembro-me que…" é um livro que cuida dos factos, exercício que não é habitual entre nós.
Até outro dia,
José Ferreira Fernandes

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15/05/04

olhos em bico


O Japão é um dos países com o mais alto nível de vida do mundo, e por isso sempre me intrigou a quantidade de restaurantes japoneses que existem em Portugal, um dos países com o mais baixo nível de desenvolvimento do Ocidente. O que fazem aqui os empresários japoneses, onde muito pouca gente pode pagar a mais trivial das refeições japonesas?

Descobri o mistério. Segundo fontes geralmente bem informadas, lá daquelas bandas, um pedaço mais acima, a maioria dos restaurantes japoneses em Portugal é de... chineses. Pronto. Está explicado.

Para um chinês, é igual ao litro ter o restaurante às moscas durante a maior parte do tempo, se depois cobra o equivalente a quatro ou cinco jantares completos, de uma assentada, servindo apenas um "sushi" ou um "sashimi" ao primeiro incauto da noite; por sua vez, para este incauto, convencidíssimo de que ali tudo é japonês legítimo, largar um balúrdio pela imitação de peixe cru até é factor de prestígio, fica bem. E depois, claro, não é muito fácil para nós distinguir a nacionalidade do ser-humano de olhos em bico vestido com aquilo que parece ser um "kimono" japonês genuíno. Aliás, o "kimono" é tão japonês como a pessoa que está lá dentro, porque, em Japonês, nem é assim que se designa a vestimenta.

Qualquer chinês aprende num instante os rudimentos da cozinha chinesa, como, de resto, qualquer chinês aprende qualquer coisa num instante. E mais ainda: a "genialidade" do negócio, do ponto de vista do empresário chinês, está na mistura equilibrada de equívocos: o cliente pensa que está a engolir pedaços do Japão e, como no Japão é tudo muito caro, paga muitíssimo bem cada pedaço; paga e não bufa, como se costuma dizer, porque nem sabe bufar naquela Língua nem lhe passa pela cabeça que uma coisa caríssima possa ser uma vigarice. Por isso, e não por apreciarem especialmente o silêncio, característica essa e isso sim dos nipónicos, é que os empregados raramente falam entre si; nunca se sabe, pode haver algum cliente na sala que entenda um pouco de Mandarim...

Se for a um destes orientais estabelecimentos e, como é natural, nunca tiver estado nem na China nem no Japão, repare nas cadeiras, nas mesas, na decoração: é sóbria e despojada? É japonês (ou uma excelente imitação). Pelo contrário, é arrebicada e confusa, com retorcidos e bibelots? É chinês. Se ouvir algo parecido com "árémass" ou "hái" (gutural), e se a regra for falar baixo, é japonês; se alguém mais distraído lhe disser "ché-ché" (obrigado) ou se os sons predominantes forem mais nasalados, e se falarem alto, xau, é chinês.

De resto, nem serão todos assim tão maus, os restaurantes japoneses made in China. E podemos mesmo condescender nisto: se eles conhecem a cozinha japonesa, porque não hão-de admitir empregados chineses? Bem, pela mesma diferença que existe entre o Iene e o Renminbi. Se quero chinês, vou ao chinês. Ao menos fica muito mais barato.

Tenho para mim que nunca tocaria num cozido à portuguesa, num restaurante português por exemplo em Londres, se me fosse servido com pauzinhos, se a travessa contivesse couve-de-bruxelas, ou se o empregado me dissesse, ao servir: buen apetito, caballero. Mau cozido, mau Português e mau Castelhano. Não tenho estômago para isso.

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