Odi profanum vulgus et arceo

13/10/05

Viva

Francisco Louçã acaba de anunciar a sua candidatura à Presidência da República. Oh sorte, oh maravilha! Finalmente, alguém avança e se destaca do pântano, do lamaçal imundo em que ameaçava transformar-se o próximo acto eleitoral. Temos homem. Aleluia, por conseguinte.

Com um currículo invejável, de qualquer ponto de vista, político, familiar, profissional, académico, filatelista, Francisco Louçã surge - no horizonte nacional, de aquém e de além-mar - como uma flecha apontada ao coração da hipocrisia e do nepotismo vigentes na hemiplégica alta sociedade portuguesa. Eis um candidato forte que se arrisca, por via da indiferença generalizada de grande parte da população e da atávica imbecilidade da outra parte, a ganhar o sufrágio que se aproxima, e para mais de forma radical, limpa, impante e serena. Lá o veremos, com toda a certeza, em futuro não muito distante, abrindo a fechadura dos portões de Belém, com a sua própria chave, ou molho de chaves, e depois acenando das varandas do palácio, o seu palácio, à multidão agradecida, à pátria reconhecida, sob o olhar enternecido do Padrão dos Descobrimentos, com a bênção dos Jerónimos e debaixo da protecção imponente do mais importante Centro Cultural de Lisboa.

Os seus (de Francisco Louçã) méritos de amizade aos desfavorecidos e aos pobrezinhos em geral, os seus (do próprio) dotes de mobilizador de causas, sejam elas quais forem, as suas (dele) reconhecidas qualidades oratórias e respectivas capacidades de vocalização, tudo em conjunto, enfim, constitui o perfil mais adequado ao exercício de tão altas funções; trata-se, sem qualquer dúvida, de um vulto de contornos bem definidos, personificando e condensando em si próprio todos os requisitos necessários: saber, coerência, experiência e coragem (mesmo física).

Ecce homo. Que outro candidato, não brinquemos, se perfila com tal perfil? Cavaco? Pfff. Nem de frente, quanto mais de perfil. Soares? Mais para lá do que para cá? O Poeta Alegre? Com aquelas patilhas até ao queixo? Ora bem, portanto, quem? Hem? Quem, se não o próprio, o enviado, o dito cujo, o nosso protector e benfeitor, além de grande dirigente e educador da classe operária e das outras classes todas, Lili Caneças incluída? Quem, em resumo, se não Francisco Louçã, nosso Chico, ou, mais precisamente, como o conhece o povão, nosso Chico Fininho?

Portuguesas. Portugueses.

Acorramos em massa às urnas de voto. Ponhamos a cruzinha certa no local certo, no do homem certo para o lugar certo: Francisco Louçã, o salvador, Chico Fininho, nosso senhor.

Três vivas ao candidato, futuro Presidente de todos os portugueses:

Em Português: Viva o Chiquinho! Viva!
Em Castelhano: Arriba Chico! Arriba!
Em Alemão: Sieg Heil! Sieg Heil! Sieg Heil!

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Cadilhos
_ Ó Papá, puqué c'aquela cenoura tá nua?
_ Aquela senhora não está nua, filho. Aquilo é um bikini. Chama-se bi-ki-ni. É o que as senhoras usam na praia.
_ Puquê?
_ Porquê o quê?
_ Puqué c'usam aquilo na praia?
_ Ora, filho, sei lá eu bem! É o que se usa, sei lá porquê!
_ Mas as cenouras não têm fio, c'aquilo?
_ Frio? Na praia? Então, se vão à praia é porque é Verão, se é Verão é porque está calor. Claro que não têm frio. Têm é calor.
_ Puquê?
_ Porquê? Ora essa! Porque está calor, já te disse.
_ Mas, ó Papá: se está calô e não têm fio, puqué c'usam o bikin?
_ Bikini. Bi-ki-ni. Bom, não sei bem. O que é que tu querias? Que andassem nuas?
_ Pois. Não pode?
_ Não.
_ Puquê?
_ Aiaiaiai. Porque que é que as senhoras não podem andar nuas na praia? Sei lá! Acho que é proibido.
_ Puquê?
_ Mau. Ó filho, não sei, o que é que queres que te diga? É proibido e pronto.
_ Ponto puquê?
_ Quê?
_ O Papá disse assim: é puibido e ponto. Ponto puquê?
_ Já não estou a perceber nada da conversa. Afinal o que é que queres saber?
_ Puqué qué puibido e ponto.
_ O quê? As senhoras andarem nuas na praia?
_ Xim.
_ Ahhhhh, filho, é muito complicado, são coisas da política, e tal, a moral e os bons costumes, e blá-blá-blá. Enfim, deixa lá. Quando fores grande vais compreender isso tudo e muito mais. Até que não era má ideia, tens razão, pois claro, ora essa, porque não hão-de as senhoras andar na praia nuas, nuinhas da silva, ora bem, ehehehe. Bom. Agora deixa lá isso, e vamos mas é tomar uma banhoca, ok? Queres?
_ Hmmmm...
_ Despacha-te, vá. Por hoje, acabou a sessão de perguntas e respostas. Vamos lá.
_ Hmmmm...
_ O que foi agora, filho? Diz tudo, de uma vez.
_ Papá: o que é "blá-blá-blá"? Puquê? O que é moral e a outa coisa que não pecebi? Puquê? O que é "nuinhas da silva"? Puquê? Eu não posso ficar sempre pequeno? Puquê?

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11/10/05

Ideiafix, Abraracourcix e Panoramix na Lusitânia

A foice de ouro
Meia "blogosfera", a parte mais sinistra, demonstra sinais de nervosismo. Compreende-se. Para os adeptos das "amplas liberdades", paladinos da "verdade a que temos direito", a fantochada de anteontem resultou em duas coisinhas estranhas: uma que é, por um lado, boa para eles, excelente, e que foi o facto de os comunistas terem conseguido enganar mais uns quantos milhares de labregos, e que é má, por outro lado, obviamente, para esses mesmíssimos labregos e para a população em geral; a outra coisa, o outro resultado esquisito das autárquicas, foi o surgimento de uma Hydra de três cabeças, respectivamente as de Fátima Felgueiras, Isaltino de Morais e Valentim Loureiro. Esta hydra é um bicho de apenas três cabeças, não de sete, mas ainda assim os esquerdistas de serviço (e também alguns direitistas esquisitóides, como Macabro Correia) arrepelam-se por via da putativa enormidade do sucedido: quer dizer, como é possível, aqueles gajos e aquela gaja, todos os três a contas com a Justiça, a gaja até se pisgou e tudo, vejam lá, e agora ganham eleições, são eleitos, e logo como presidentes de Câmara, ora foda-se, onde já se viu tal coisa.

De facto, é grave. Não a eleição daqueles três vígaros profissionais, evidentemente, isso não vale um caracol. O que é grave, o único facto relevante da palhaçada eleiçoeira é, outrossim, ter o Partido Comunista tido mais votos do que seria previsível; o que é grave é que, após a queda do Muro de Berlim, após a derrocada geral do sistema totalitário comunista, depois de mais do que comprovada a falência das "ideias" socialistas em geral, ainda assim parece que persiste, algures na Europa, num recôndito e atrasado país de atrasados mentais, não uma mas várias aldeias de irredutíveis cretinos que resistem ainda e sempre ao raciocínio. Parecia, quinze anos depois da queda do império marxista, que toda a Europa estava finalmente desocupada de comunistas. Toda? Não, como se vê. Mesmo sabendo esses irredutíveis cretinos que a vida não será fácil, cercados como estão pelas guarnições de legionários democratas, entrincheirados nos campos de Cavacorum, Soarismum, Guterrismum e Minorcum...

Que algumas pessoas fugidas à justiça, ou corruptas, ou mafiosas, assumam postos de liderança política não é grave, simplesmente porque muitas outras o são igualmente, ou coisas ainda piores, e a mesma Justiça finge que não sabe; é o caso, por exemplo, do pretérito Grande Chefe do Conselho de Cascais, sortudo ex-comunista que abarbatou não pequena fortuna, à custa do mesmo Concelho, sem nunca sequer ter sido indiciado fosse pelo que fosse; é o caso de políticos vários que, apanhados nas curvas de processos melindrosos, como o da pedofilia, desaparecem prudentemente da cena política, até que o mau tempo passe, com a conivência e a protecção das mais altas esferas. Aquilo não é grave porque, aparentemente, isto também não é.

O que é grave é assistirmos à crucificação pública daquelas figuras agora eleitas pelo povo, por parte de gente que postula, defende e apoia o assassínio em massa, o genocídio de populações e etnias inteiras. É possível que Fátima, Isaltino e Valentim, quem sabe se em horas de exaltação por via de abusarem da poção mágica, tenham empochado algum, roubado vários ou vigarizado todos. Mas os comunistas, apesar de todo o sobressalto virginal que aparentam, quando condenam aqueles que foram azaradamente caçados, tentam apenas fazer tábua rasa, esconder, obliterar aquilo que os motiva para o exercício do poder: isso mesmo e nada mais, o próprio exercício do poder. Curiosamente, para esses (e quejandos) paladinos da "democracia", o voto do povo é "bom" e está bem, vale, quando esse povo vota neles; quando esse mesmo povo vota em outros, das duas uma, ou esses mesmos "outros" são bandidos ou esse mesmo povo está enganado, é mau, não vale. Do mesmo modo que promovem o combate político pela liberdade de opinião, desde que esta seja a deles, recusam definitivamente a validade do escrutínio democrático, desde que não sejam eles os eleitos. No seu arcaísmo maniqueísta, o comunista (vulgo intelectual de esquerda) apenas tolera a democracia enquanto esta servir os seus interesses. Por isso, para eles e apenas para eles, o jogo democrático não passa de mera estratégia, transitória e pontual, trampolim para o poder absoluto e, em última análise, para a destruição de qualquer outra ideologia, ideia ou simples opinião.

Nunca existiu, em qualquer regime dito socialista, a mais ínfima partícula de democracia. Estaline, Pol-Pot, Mao-Tse-Tung, nenhum comunista foi alguma vez eleito por sufrágio, directo ou indirecto e muito menos universal. É evidente, isto, menos para os partidários do mesmo socialismo.

Portanto, é também evidente o motivo pelo qual esses apóstolos da longa noite socialista aparecem agora condenando os actos eleitorais em Felgueiras, em Oeiras e em Gondomar. Nestes Concelhos, pelos vistos, para esta gente, o "povo" afinal é constituído por uma turba estúpida até ao tutano, uma cambada de idiotas que se deixam enganar pelo populismo, pelos populistas; nos outros locais, onde nem um mísero vereador elegeram, eles não o dizem expressamente - era só o que faltava - mas lá ficam muito convencidos de que o povo foi mais uma vez ludibriado, iludido com falsas promessas, intoxicado pela padralhada, etc. Há democracia, por conseguinte, quando e se o povo vota neles; se vota em outros, é populismo, é coisa suspeita, aquela "gentinha" foi enganada. A estratégia política (*) do socialismo não é a via eleitoral, como sabemos. Pelo contrário, o primeiro objectivo é a sua destruição; apenas o caos viabiliza a imposição da ditadura.

É isto que é grave, nas últimas eleições. Há (muitos) mais inimigos da democracia que foram democraticamente eleitos para o exercício do chamado poder local, o qual consiste na criação de impostos autárquicos e na gestão totalmente irresponsável de financiamentos públicos. Podemos perfeitamente estar certos de que os três pastorinhos continuarão, à semelhança de outros, a roubar à tripa-forra; é o que toda a gente faz, desde o estucador mais simples ao mais douto jurista, desde os membros do Governo e deputados da nação até ao Xô Jaquim das frutas e legumes, passando por mecânicos, taxistas, dentistas e donos de tascas indiferenciadas.

Mas os comunistas eleitos, sendo anti-democratas ferrenhos, roubaram a própria democracia ... por isso mesmo, por terem sido sufragados por um regime que abominam. Paradoxo, talvez, mas apenas para eles mesmos. São eles quem descrimina o voto "bom" do voto "mau", quem distingue povo de povo, quem formula juízos de valor sobre a validade do acto eleitoral, sobre a qualidade dos eleitores e sobre a idoneidade dos eleitos.

Pessoalmente, ou seja, na minha opinião (que apenas a mim próprio interessa), considero que o voto popular em Fátima Felgueiras vale tanto como o voto popular em qualquer comunista: nada. Quantas eleições mais serão necessárias para que alguma coisa mude realmente, por fim, e de preferência para melhor?

Disse Horácio: Odi profanum vulgus et arceo. Não dia sim, dia não, nem às 2ªs, 4ªs e 6ªs, ou consoante as conveniências do momento, mas sempre, em quaisquer momentos ou ocasiões. Não por jactância, espero, não por soberba, afianço, mas apenas por coerência. Não voto, ou seja, voto o voto ao desprezo. As eleições servem apenas para oferecer, por assim dizer, uma foice de ouro a ceifeiros que apenas estão interessados em uma de duas coisas: ou em ceifar ouro com a foice ou em derreter o ouro da foice.





(*) "Estratégia política" é a metodologia determinada para a tomada ou para a conservação do poder.

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09/10/05

A macaca nua (The Naked she-ape*)


A natureza eminente, patente e obviamente sexual da macaca é algo de sobejamente conhecido mas, paradoxalmente, é também um assunto muito pouco referido por pessoas de saber, quiçá devido ao carácter escorregadio e perigoso que a coisa encerra. Existe até uma adivinha popular, meio acriançada, como convém, que define perfeitamente o conceito: como se designa a porção de carne e osso que envolve a vagina? A resposta é: Mulher.

Por alguma razão as culturas de cariz islâmico optaram desde há milénios pela solução mais radical e fundamentalista: tapá-la toda com panos, a essa zona envolvente da vagina - e, por inerência, ocultar a mulher inteira, da cabeça aos pés, com roupagens largas que disfarçam todas as formas. Assim se procura, nessas espertíssimas religiões muçulmanas, liquidar à nascença qualquer veleidade imaginativa por parte dos restantes elementos sociais, ou seja, abolir pensamentos pecaminosos nas cabecinhas entesoadas dos machos de cobrição.

De igual modo, mas não de forma tão evidente, nas civilizações ocidentais, ditas "modernas", tenta-se hoje ainda preservar o papel da fêmea enquanto mera parideira e, quando muito, como objecto de satisfação sexual para o macho dominante. Assim, à fêmea da variante zoológica humana é tacitamente atribuído um papel social o mais reduzido e irrelevante possível; sistematicamente simulando aquiescência e cedência, são os machos dominantes que, em cada grupo social, definem as regras e os limites para a convivência entre os sexos; esporadicamente, estes mesmos líderes permitem que uma fêmea em particular assuma alguma importância... mas em condições muito restritas. Reveja-se os casos e as figuras de, por exemplo, Golda Meir, Margaret Thatcher, Indira Ghandi ou Madre Teresa de Calcutá; apenas por amostra, trata-se recorrentemente de casos perdidos, enquanto fêmeas, e de tristes figuras, enquanto representantes do sexo feminino. Para que uma mulher atinja alguma relevância social, é condição imprescindível que prescinda, ela mesma, da sua própria condição feminina; há-de ser por força tremendo coiro, feia, de preferência horripilante, sem qualquer espécie de atractivo, e só nesse pressuposto poderá aspirar a algo mais do que as suas tarefas normais e ancestrais, como arear as panelas, mudar fraldas e limpar o ranho a fedelhos.

Não se presuma, todavia, e ao contrário do que o mais leve assomo de inteligência faria supor, que o estatuto de menoridade social incomoda ou sequer perturba a fêmea humana; pelo contrário, é isso mesmo que a maioria pretende, e é apenas a isso que aspira; exceptuando talvez uma irrisória trupe folclórica de mulherio confundido (ou mal fodido), a fêmea humana apenas pretende constituir família ou, como se costuma dizer, "casar e ter filhos". Prudentemente, e de forma geneticamente programada, a mulher deixa para o sexo masculino todas as restantes maçadas que constituem a vida, ganhar dinheiro, fazer guerras, lidar com a porca da política, ir ao futebol e entrar em borracheiras de grupo, coisas assim.

A mulher pretende apenas um "maridinho", a sua "casinha" e os seus "filhinhos". E é esta, de facto, sempre foi, a ordem natural das coisas. Não consta que as putativas "liberdades" e "igualdades" concedidas ao sexo feminino tenham trazido consigo um módico de felicidade acrescida, para nenhum dos sexos: nem para as mulheres que, além de continuarem a tratar da casa e dos filhos, ainda são obrigadas a trabalhar fora de casa; e nem sequer para os homens que, em cima do que já trabalhavam antes, agora têm de "colaborar" ou de "ajudar" em casa. Tudo por via das tais "liberdades" e "igualdades", invenções recentes, transitórias e absolutamente contra-natura, paridas pelas torpes meninges da intelectualidade bem-pensante. À macaca humana apenas rala a subsistência, sua e da sua prole, de preferência abrilhantada com profícua e o mais possível arrebatada vidinha sexual, ou seja, em resumo, comida pronta e foda prestes. Eis a coisa. Pretender que a fêmea do macaco pense em mais alguma coisa do que em macacada é, além de contraproducente, perfeitamente imbecil. É essa a sua natureza e, como se sabe, esta é algo a que ninguém escapa, venha lá o mais pintado.

Ora, e aqui é que bate o ponto, as coisas nem sempre são assim tão simples, geralmente até são uma baralhada do caralho, donde ressalta a necessidade de colocar alguma ordem na bagunça hormonal. Aquilo que geralmente se designa por "moral e bons-costumes" surge, por conseguinte, como consequência directa da necessidade de preservação da espécie: se toda a gente andasse por aí a foder com toda a gente (como, de facto, anda), seria posta em risco a curialidade e a solidez da chamada "relação a dois" (heterossexual, bem entendido); simplificando e esclarecendo o paradigma, se fosse permitido à fêmea humana a expressão livre de todas as suas pulsões, se ela pudesse dar os pirafos que lhe desse na veneta, a instituição básica da sociedade diluir-se-ia inexoravelmente e, com ela, mais tarde ou mais cedo, a própria sociedade se extinguiria. Daí, portanto, a sustentação da necessidade de conservação da espécie anteriormente referida; digamos que, em termos mais pragmáticos, não seria muito agradável, para o gajo que paga as contas e que, por inerência, tem o direito académico de se considerar como o progenitor da putalhada que tem lá em casa, enfim, se ele soubesse que sua "esposa" andava a abrir as pernas à vizinhança toda... não iria certamente ficar lá muito contente.

Na realidade, é isso mesmo que se passa, na prática, mas a chave (e o verdadeiro fundamento) da moralidade nas relações humanas é que nada se saiba. É esse o segredo da instituição Família, a base social por excelência, a força aglutinadora, o favo primordial e estrutural dos grupos humanos. Quanto maior o grupo, maior a necessidade do estabelecimento de regras às quais todos os elementos deverão fingir que obedecem. Enquanto o gajo que paga as contas não souber que é corno, consequentemente, inerentemente e repetidamente, está tudo muito bem, tudo em ordem e sem novidade. O problema, como já aqui "expliquei" antes, é quando esse tal gajo desconfia de que algo se passa, quando se enfia por pensamentos próprios de quem duvida, "mas que merda vem a ser esta", "ai o caralho, que isto não me agrada nada, foda-se", etc.; por exemplo, quando um pai de família, respeitável e tudo, leva a esposa à maternidade e sai de lá com um catraio preto nos braços, sendo toda a gente na família de raça branca, enfim, digamos que é bem provável alguma espécie de desconfiança, por mais totó, mentecapto, imbecil ou mesmo socialista que esse senhor seja. Se bem que exista gente para tudo, há tipos que são uns mãos largas e só querem é que não os chateiem, mas, ainda assim, convenhamos que há situações maçadoras como tudo. É por não haver por aí assim tantos palermas como isso, é devido à escassez de cretinos e outros géneros de "bom-serás" que a moralidade se torna imprescindível.

Mas a natureza, a basezinha (como diria nosso Eça), o carácter sexual, erótico, extremamente entesoado e fodilhão, dos seres humanos em geral e das mulheres em particular, obriga a que se coloque alguma espécie de barreiras comportamentais. Quando não, repita-se e realce-se, andávamos todos a foder com todos (todas) (como andamos), e ninguém se ralava nada com isso. Ora, não pode ser. Esta merda, estou farto de o dizer, não é o da Joana. Note-se bem, foda-se, e de uma vez por todas. Ou há moral ou fodem todos. Há que impedir a macacada geral, porra. Isso é que era bom. Porrada nos cornos às vezes resulta. Não serve de nada, mas alivia consciências, diz-que lava mais branco, a honra e tal, e ele até há gajas que gostam de levar no focinho. Assim com'ássim, que se lixe. Tunga.




* - variação sobre o título original de Desmond Morris, The Naked Ape)

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05/10/05

Afirma Manel


"... eu respeitarei-a"
Disse o alegre candidato presidencial numa entrevista à SIC Notícias. Não ocorre de momento, nem de resto interessa para nada, qual era a coisa, qual era ela, que o homenzinho do pé-quebrado respeitariou ou respeitariá.

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5 de Outubro





(imagem do blog Portugraal)

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04/10/05

Afirma Soares


Pelo seu evidente interesse político, e porque certamente terá passado despercebida à maioria do grande público, transcreve-se seguidamente uma notícia sobre Mário Soares, publicada ontem pelo Diário de Notícias.

"Tenho horas muito aborrecidas"

De face inexpressiva e postura quase hirta, Mário Soares é uma das imagens mais comuns dos doentes com Parkinson. A sua vida retrata também de forma expressiva o que pode acontecer a quem é afectado pela doença teve de recorrer a uma reforma antecipada, a fisioterapia e medicação. Sente "as forças a faltar".

Mário Soares é um dos candidatos à cirurgia de estimulação eléctrica do cérebro. Está em estudo pela equipa do S. João e já efectuou o teste de cognição que lhe confere o perfil do doente que pode melhorar com a operação. Por isso, neste momento, está a aguardar. "Quero ser operado para ficar melhor."

Há 11 anos que tem a doença. Trabalhava no comércio e começou a sentir as forças a faltar nos braços, "os pés a ficar para trás". Tem seis filhos e é casado. Há momentos em que tem "conseguido ser mais ou menos normal". Mas, "estou mais lento nalgumas coisas. Tenho horas aborrecidas. "Parece que o cérebro está a faltar...", conta Mário Soares.

Enquanto não chega a hora de ser operado, Mário vai "andando por aqui". Pode fazer a barba sozinho, mas está, explica, "uma hora bem e a outra mal". Consegue ainda caminhar sozinho, "mas se tiver que correr, tenho de ir aos saltinhos".

Como consequência da doença, Mário Soares tem ainda um problema a nível da expressão oral. Para além de outros tratamentos, faz ainda terapia da fala. A operação poderá não ajudar muito nesta questão, já que nem sempre a fala melhora com a cirurgia.

Mas há outras coisas que Mário Soares espera melhorar. Agora, nem sempre consegue trocar de roupa sozinho. Por vezes, vai trabalhar para um "campito" agrícola que tem, mas se algo aparece feito é "por muita vontade mesmo". Está muitas horas "em off", ou seja, sem mobilidade, sinal que a medicação já não ajuda muito. A solução pode agora ser a cirurgia.


(sublinhados da responsabilidade de http://001.blogspot.com)

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01/10/05

Mouro? Caralho? Norte?


Existe algum caralho de um mouro simpático que me leve para o norte

Simpático?

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30/09/05

Partido Pimba


Dantes, chamava-se CDS: Centro Democrático Social. A designação tinha um certo odor a qualquer coisinha democrática... mas em ambiente asséptico, clínico, por assim dizer, algo entre um Centro de Saúde e uma Casa do Povo do antigamente. Não se percebia bem. Talvez por via dessa hesitação de sentido político, acho que foi nosso Paulinho das Feiras quem acrescentou as suas próprias iniciais ao nome do Partido: Partido Popular, glosa de Paulo Portas, gozação de Puta que Pariu.

Foi para mim uma tremenda decepção, quando isto aconteceu, devo confessar. Aquele CDS, que já na altura aglutinava não despicienda soma de trogloditas, burgessos e caceteiros, a massa de "populares" que apoiava fanaticamente quem os odiava, transformava-se assim, por via da nomenclatura, em algo que tinha a ver por força com o chamado "povo" - a massa ignara que representa o que de pior existe na espécie humana. Foi uma pequena tragédia, este artifício, aqueles caralhos do CDS passarem a intitular-se de "populares". Que os pariu, por conseguinte.

Por mim, quero bem que o "povo" se foda. Do "povo", o que pretendo é só distância, toda a distância e nada mais do que distância. Aliás, a minha posição política é muito simples e surge como consequência natural do nojo que me suscita a hipocrisia - seja ela política ou de qualquer outra natureza: varrer, excomungar, excluir da minha vida tudo aquilo que sequer cheire a povo, ou que tenha alguma coisa a ver, por mais remotamente que seja, com essa nojenta, insuportável, asquerosa subespécie humana. O próprio conceito, a noção de "povo" (fedor, porcaria, sujidade, grosseria, trogloditismo, brutalidade), é mais do que suficiente para sustentar qualquer tese antropologicamente racista subjacente. O "povo" é um objectivo a atingir, no sentido de liquidar, do ponto de vista da conservação da espécie humana: é necessário a extinção do povo ou, no mínimo, a limitação drástica dos seus direitos políticos, para que a espécie sobreviva. Caso contrário, se elevarmos à qualidade de valores o que os arautos (burgueses notórios e empedernidos) da chamada "cultura popular" consideram como algo de "bom" e de "belo", o futuro da espécie resumir-se-á ao genocídio cultural; ou seja, assumindo como sendo algo de positivo (seja o que for que tenha a ver com) a chamada cultura popular, tudo o mais desaparecerá num vórtice de estupidez, de mediocridade, de maldade e de violência.

Ao chamado Povo apenas interessa deixar de o ser. O que o "povo" finge combater é, apenas, aquilo que gostaria de ser: rico. A entidade abstracta que se prefigura, nas cabecinhas diminutas tão características das classes populares, como sendo o "gajo rico", o "capitalista", são a única ideia fixa e o único objectivo que são capazes de (vagamente, mas persistentemente) articular.

A pior, a mais gratuita e imbecilmente violenta raça de capitalistas é constituída, precisamente, por pessoas provenientes das classes populares. Qualquer operário ou trabalhador indiferenciado sabe perfeitamente que a pior espécie de patrão que lhe pode tocar em sorte é o chamado "self made man"; ou seja, o gajo que "subiu a pulso" (roubou, explorou, traficou) e mudou rapidamente para o campo do "adversário", passando - à custa de golpadas várias - em pouco tempo de operário a patrão. São fodidíssimos, estes filhos-da-puta. Esmifram tudo aquilo de que forem capazes, no menor prazo possível, e cagam-se positivamente em coisas como os direitos dos trabalhadores, o Direito propriamente dito ou sequer a mais ínfima das noções de decência ou humanidade. Vai tudo raso. "Pequenino" que chegue a "grande" é fodido: vinga-se à força toda. O que antes dizia ser um "direito" fica ali, por ele mesmo imediatamente abolido. O que antes eram "injustiças" do patronato, por artes mágicas se transformam em "leis de mercado", em "competitividade" ou, mais prosaicamente, na lei popular universal: "fazer pela vida", ou seja, "desenrasquem-se, foda-se, caguei para isso". Para o "popular" que roubou o suficiente para deixar de ser "popular", tudo se justifica, está tudo explicado com a seguinte máxima: "é a vida!"

A Polícia de choque, as diversas polícias políticas por esse mundo fora, os algozes, os torturadores, toda essa gente é recrutada de entre as massas populares; não consta que um único "capitalista" se dedique a tão energéticas actividades. Porém, para os maníacos apreciadores dos "pequeninos", isso não é um facto e muito menos indicia a prototipia execrável da própria condição "popular".

Daí, por exemplo, o carácter absolutamente nojento e doentiamente paradoxal da chamada "direita" nacional. Tentam colar-se ou, de alguma forma, absorver um cariz politicamente "popular". É este o maior e mais espantoso contra-senso dos tempos modernos: as forças da chamada "direita" tentando captar para as suas fileiras aquilo e aqueles que supostamente deveriam combater. Quando, pela ordem natural das coisas, o papel da direita política deveria ser o de combate à uniformização, à massificação, à estupidificação e ao embrutecimento. Em resumo, a Direita deveria combater o trogloditismo. Ou, numa palavra ainda mais simples, combater... o Povo.

É necessário estabelecer distâncias. O meu voto (se eu porventura votasse) não pode valer o mesmo que o voto de qualquer labrego que não sabe ler nem escrever, ou qualquer criminoso, marginal, bandido, atrasado mental, idiota chapado. Como não pretendo impor os meus valores, ou gostos, ou hábitos a ninguém, gostaria de ter o direito de que ninguém me impusesse os seus (ruídos), ou aquilo que vagamente julga serem os seus (direitos).

É necessário combater o povo. Lutar contra o povo. Exclui-lo. Limitá-lo. Em última análise, é necessário exterminar o povo, levá-lo à extinção. Não há nada a perder porque, assim que isso acontecer, não se perdeu nada. O povo que o diga.

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Dodo, o caça-talentos


Começou no dia 6 deste mês e dedica-se principalmente à música, mas também a mundanidades e outras aparentes trivialidades. Muitíssimo bem escrito, sem qualquer espécie de ruído linguístico.

Ou, bem, como ele mesmo remata todos os "posts": Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

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29/09/05

A dieta 001


Um dos maiores problemas com os quais a humanidade se confronta actualmente é o da aparência pessoal e, dentro deste vastíssimo assunto, em especial no que diz respeito ao excesso de gordura corporal . Ora nós, aqui no Godot, sempre interessados em aviar receitas para a cura de todos os males da humanidade, vamos avançar desde já com a respectiva solução. O que se segue é nada mais nada menos do que o método de eliminação das anafações, principalmente para os casos em que esta se encontre em excesso, mas também pela inversa, isto é, a coisa serve não apenas para a maioria que pretende emagrecer mas também para quem procura, pelo contrário, engordar uns quilos que se vejam.

Este método de emagrecimento ou de engorda elimina de uma vez por todas o maior inconveniente de todas as dietas: a fome. Isto é, quem seguir a dieta 001 tem duas coisas asseguradas à partida: a primeira é que vai garantidamente emagrecer ou engordar, conforme o que mais lhe convém, e a segunda é que não vai passar fome durante o processo; pelo contrário, poderá em qualquer dos casos encher a mula até lhe chegar com o dedo, todos os dias, várias vezes por dia.

Modéstia à parte, a ideia é genial. Baseia-se num conceito que decorre da nossa experiência profissional e que tem tudo a ver com rações para animais. Curiosamente, a propósito e nem de propósito, a indústria dietética nunca aproveitou nada das técnicas utilizadas na congénere indústria da alimentação animal; o que não deixa de ser estúpido e contraproducente, já que não existe - e não apenas do ponto de vista da nutrição - a mais ínfima diferença entre as espécies animais humana e bovina ou porcina, por exemplo. Na indústria das rações para animais, existem fórmulas predeterminadas para cada espécie, em função do tempo de vida previsto e da progressão pretendida para a engorda; as percentagens de cada ingrediente nas rações são calculadas de forma extremamente linear, que poderíamos simplificar através de uma fórmula básica:

Pf=Pi+(R(C+A)xT)
.........O

Traduzindo: o Peso final de cada animal é igual a Peso inicial mais a Ração (mistura de Componentes mais a Água) vezes o Tempo, a dividir pelo Objectivo, sendo este a tonelagem de carne para abate. Por conseguinte, quanto mais condensada for a mistura de componentes e quanto mais água for absorvida, em menos tempo, mais rápida será a engorda. O "segredo" para um processo de engorda eficaz estará, assim sendo, na mistura de componentes, e esta obedece a um único e muito básico princípio: a metabolização dos nutrientes e a sua transformação em gordura variam, não em função das quantidades absorvidas, mas em função das substâncias combinadas e destas com a água; existe maior engorda em menos tempo quanto maior equilíbrio existir entre ácidos e bases, na mistura de componentes da ração; e quem diz substâncias ácidas e básicas, diz doces e salgados, ou féculas e fibras (por um lado) e substâncias proteicas (por outro). Por exemplo, farinha de soja e carolo de milho engordam quando misturados a 50%, mas não engordam quando absorvidos isoladamente; existem componentes resultantes da interacção dos dois que são absorvidos e metabolizados, o que não acontece no processo de digestão de qualquer deles, quando não em presença do outro.

Em tudo isto, o factor determinante é o da disponibilidade do elemento mais barato na alimentação animal: a água. Numa vacaria com trinta animais, por exemplo, é indispensável que existam pelo menos 15 bebedouros (de água corrente e limpa), um por cada par de baias colocadas frente a frente. De forma a aumentar a sede nos animais, incrementa-se a percentagem de sal na ração, por exemplo através de derivados de soja, a qual funcionará também como retentor de líquidos. É por isto que o chamado bife de vaca pesa 250 gramas quando é metido na frigideira, e sai para o prato com quase metade; o "fumo" que se desprende durante a fritura é água, paga pelo consumidor a 15€ o litro, no mínimo.

Portanto, se está mais ou menos explicado como se engorda qualquer rês para consumo, vaca, porco, frango, ou mesmo as espécies piscícolas de aquacultura, é fácil concluir que o processo inverso funcionará para emagrecer. Para emagrecer qualquer animal, mulheres e homens incluídos.

A lógica da dieta 001 assenta num facto muito simples: sessenta por cento (60%) do peso corporal é água, sendo este o elemento químico de maior influência nos processos metabólicos. Eis, portanto, a receita, as três regras para emagrecer em pouco tempo:

1. Comer tudo aquilo que se quiser, em qualquer quantidade, mas apenas uma coisa de cada vez, sem misturas ou acompanhamentos.
2. Reduzir drasticamente, ou abolir da dieta, o sal, os alimentos salgados (soja, tomate, etc.), os condimentos e os molhos.
3. Beber apenas água (a suficiente), somente no intervalo das refeições (cerca de quatro horas depois e quatro horas antes).

Isto implica, obviamente, que ficam excluídos da dieta quaisquer alimentos das chamadas "fast-food" (McDonald's, KFC, etc.) ou "junk-food" (batatas fritas, conservas, etc.). Implica também que é necessário, se uma pessoa quer mesmo emagrecer, acabar com o hábito de "petiscar": não há mais bolachinhas, ou salgadinhos, ou rebuçados "só para enganar o estômago"; se tem fome, espera pela hora da refeição seguinte (podem ser três por dia), e então come até fartar, o que mais lhe apetecer.

Apetece um franguinho? Pode comer até dois ou três, os que aguentar, desde que seja só o frango, sem batatas, nem salada, nem sopa, nem pão. Um frango inteiro e mais nada, sem beber coisa nenhuma, e sem molhos ou grandes temperos, com apenas o sal suficiente. Apetece fruta? Janta um ou dois quilos de uvas, ou de pêssegos, ou um melão inteiro, por exemplo. Ora aí está uma boa maneira de beber água sem beber água. Apetece o belo peixinho? Vá, pode ser. Um pargo inteiro, se for capaz (em dois sentidos), ou uma pratada de robalos, ou uma travessa cheia de "jaquinzinhos".

Pela inversa, é claro, também existem pessoas que sofrem por se acharem demasiadamente magras. É natural também que, do mesmo modo, a estas (principalmente damas, como se sabe) nunca tenha ocorrido a lógica das rações para animais. Se pretendem engordar, caras senhoras, é muito fácil: não precisam de comer mais ou mais vezes, apenas terão de misturar o mais possível todos os alimentos de que gostam; e, principalmente, aumentar o sal - e, por consequência, a ingestão de líquidos e a sua retenção; se não bebem álcool, devem passar a apanhar seu pifozito, de vez em quando; é perfeitamente possível engordar, e bastante, quase sem comer, apenas à base de cerveja; não comam batatas fritas simples, mas batatas fritas com maionese, ou com manteiga, e com um bifinho a acompanhar as batatas, com ovo a cavalo, e com pão para ensopar no molho, e sempre, sempre, uma sobremesa no fim. Tudo com molho, tudo o que se diz ser péssimo para a saúde, tudo salgado, apurado, condimentado. Vereis o secão que isso dá, a sede tremenda. É infalível.

E pronto. Agora é agarrar a oportunidade. A dieta 001, a verdadeira, não tem chazinhos ou mezinhas, não dá chatices e é completamente grátis, uma coisa que se faz com o que existe lá em casa. E não mete gajos que dão porrada na mulher, nem sequer espanhóis ou outros artistas. Não há cá cintas nem regimes de fome canina, muito menos bandas gástricas ou vomitório compulsivo.

Minhas senhoras, libertem-se das banhas que vos incomodam; ou arranjem, se for o caso contrário, aquelas gordurinhas que tanto desejam. Sem sacrifícios estúpidos. Isto é que é serviço público, bálhamedeus. Qualquer contribuiçãozinha para a "causa", sintam-se em casa.



Nota: na dieta de emagrecimento 001 (a verdadeira, não sei se já tinha dito), não podem entrar quaisquer produtos de origem animal não natural; isto é, nem frangos de aviário, nem bifes de aviário, nem robalos de aviário. É que todas essas porcarias contêm rações para animais, uma mistura inteligente de pólvora gordurosa e de água com sal. Absorver tais nutrientes, por esta via, é liquidar à partida qualquer hipótese de emagrecimento. Para os e as espirra-canivetes que desejam inchar um pouco, recomenda-se tudo disto e mais alguma coisa (transgénicos, por exemplo).

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28/09/05

Rrosei Moriño original


O tradutor-intérprete José Mourinho deu uma (entrevista) a um site chinês que, pela ingência, para que não perca o leitor pitada, se transcreve no original.


LONDON, Sept. 16 (Xinhuanet) -- Chelsea manager Jose Mourinho on Friday dismissed reports that Joe Cole wants to leave Chelsea, after conceding the midfielder spent much of last season mulling why he was not in the starting eleven.

A source purportedly close to Cole was quoted as saying the England international was desperate to quit the Premiership champions in search of more regular first team football.

Cole has been on the substitutes' bench for the past two games and spent the bulk of last season out of the starting line-up.

But Blues boss Mourinho is refusing to give the stories any credence and feels he does not even need to speak to Cole about the matter.

Mourinho admits it was a bone of contention for Cole last season and has suggested the former West Ham starlet would talk tohim if he was currently unhappy.

"Fór mi, ites rábish jurnalisme becóse, uéne iu du a béque peige uide aninterviu fróme noubódi, ái dounte andarxténde déte," stormed Mourinho."

"U ish de gái ine de interviu? A sórce ófe a frénde ófe a frénde ófe a frénde. Ai tinque ites anbalivabóle."

"Ai éve névere cine disse bifóre ine mái láife. A frénde óre sórce clouse tu a frénde ófe a pleiér meiques de béque peige - ites ameizingue."

"Ai quénóte cepique tu de pleiér abáute disse, ites impóssible."

"O Coule uós véri ópéne tu mi. I uós ine mái ófice láste sisóne 10 táimes, nóquing óne mái dór sei-ing "pelise quén ái cepique uide iú, pelise uái éme ái nóte plei-ing, uáte quene ái du tu impruve?" I ish ólueis sou oupéne tu mi déte ái quénóte comente."

"Ai file itsh ridiculus."

Mourinho was also quick to pour scorn on suggestions that thereis no smoke without fire regarding Cole's purported frustration atnot being a fixture in the Chelsea side.

He added: "Ife dére ish a fáire, itz a stupide fáire bicóse itsh a fáire déte éz tu barne fóre tri mantes énde, uide de reine ine Inguelande, fri mansses! Pchhhhh."

"Fóre mi ites anebelivabóle. Iú chude cepique uóne mounse bicóse de márquete ish náu clósede."

"Ife i uántes tu live i és tu ueite antile de ende ófe de iar fóre de márquete ine Januari ende éveri pleier és a praice sou dei jaste quénóte sei ai uánte tu live."

"Iú uánte tu live bate iú éve a práice
," he added.

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Nova lista de favoritos


1. Mr. Steed
2.
3.
4.
5.
etc.

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Esperando o tal Godot, ou isso


Woogle: words in pictures

(via http://blogotinha.blogspot.com/, via http://presurfer.meepzorp.com/)

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26/09/05

As pombinhas do Katrina: copy? Right... or not


No passado dia 10, publiquei aqui um post com o chiquérrimo título de "As pombinhas do Katrina". Pois bem. Qual não é a minha surpresa quando vejo (leio) um tal Rodrigo Adão da Fonseca, do blog Blasfémias, a mandar-se ao ar porque certo AG, do blog Causa Nossa, usou o mesmo títalo sem referir a "fonte", a saber, Domingos Amaral, do Diário Económico, em 07.10.05. Ai, ai, ó AG, seu malandro (não estou a brincar).

Agora, a googlação do mesmo títalo já dá um porradal de entradas, o que é não pequena chatice. Eu cá (acho que) nunca li o Diário Económico Oláokiei, e tampouco sei se este Domingos Amaral é o mesmo que escreve não sei onde (DN? Maxim?) e do qual já li, de facto, umas coisas. Mas este artigo das pombinhas, juro, nunca tinha visto até hoje, inda há pouco, há poucochinho. Eu seja ceguinho, pela minha rica saúde, que me caia já aqui um raio em cima se não estou a dizer a verdade. Canudo.

Ele há destas coisas. Pensava eu que o títalo pois que até era jeitosinho, e tal, e vai-se a ver, pimba, era de outro. Ora abóbora, como diria nosso Eça.

Mas enfim. Não sejamos abutres, como as tais pombinhas de que se falou. O que interessa é o assunto, a tragédia do Katrina. Não desviemos as atenções do essencial.

Mas aqui fica a notazinha: eu, abaixo assinado, não tinha conhecimento de que aquele título (baseado numa conhecida lenga-lenga infantil, dos anos 60) já tinha sido publicado por outra pessoa.

Dodo

Adenda, em 27.09.05 - 17:12 h
Pelos vistos, quem verdadeiramente pariu a expressão (pela primeira vez, até ver) foi o autor do blog Nova Frente, no dia 30 de Agosto. Fica a correcção. E o comentário: afinal, quem copiou quem, se é que alguém copiou de facto?

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A Sociedade das Noções


A ignorância é uma espécie de sarro, tanto mais difícil de tirar quanto mais tempo de incrustação tiver. Por mais que se tente raspá-lo, com argumentação intelectualmente enérgica, ou dilui-lo, à força de elementos químicos do conhecimento, a tarefa, a barrela, afigura-se quase sempre como algo de desarmantemente impossível. O sarro da ignorância não larga a superfície à qual se agarra, penetra em camadas cada vez mais profundas, acaba por se apossar do corpo ao qual se colou e termina, fatalmente, por decompor as substâncias originais envolventes. Isto vale de igual forma para qualquer espécie de sarro, seja mental ou seja sanitário, e o processo verifica-se de forma idêntica tanto no esmalte de um bidé ou de um lavatório como nas meninges e mesmo nas circunvoluções do cérebro humano.

Sendo, por conseguinte, impossível devolver a uma sanita com sarro o seu brilho original ou a um cérebro ignorante o seu funcionamento normal, aos seres humanos que deles dispõem acaba por não restar alternativa senão juntar-se em grupos, de acordo com o teor e o grau de sujidade de que são portadores. Exemplos paradigmáticos deste instinto gregário defensivo são os clubes desportivos e os partidos políticos; ser "adepto" do SLB, do SCP ou do FCP, ou ser "simpatizante" do PS, do PSD, do PCP ou do BE, é não apenas rigorosamente igual, em termos de escolha inteligente ou de validação intelectual, como demonstra o carácter absolutamente acéfalo da atitude; não existe a mais ínfima das diferenças entre "ser" do Benfica ou "ser" do Sporting, como não existe entre votar comunista ou votar social-democrata. De resto, tratando-se esta necessidade de pertença ao grupo de um impulso absolutamente básico, sendo de carácter "instintivo", ou seja, de pura conservação e defesa, ficam à partida excluídas quaisquer interpretações de tipo lógico ou, muito menos, filosófico. Não têm nada a ver com o saber, em suma.

A adesão ao grupo processa-se de forma totalmente inconsciente, baseada em premissas daquilo a que geralmente se chama "gosto" ou "preferências": no caso dos clubes de futebol, o que atrai uns e afasta outros são coisas tão aparentemente insignificantes como as cores, os rituais, os líderes e, por fim, as afinidades ou os interesses; já quanto aos partidos políticos, o processo é rigorosamente inverso, ou seja, aquilo que nestes atrai as pessoas são os interesses ou as afinidades, os líderes, os rituais e, por fim, as cores. Num caso como no noutro, se ao elemento interessa a pertença ao grupo, a este interessa contar cada vez com mais elementos. Não há em todo o processo de identificação o mais leve indício de filtragem e, portanto, de actividade inteligente, nem a montante nem a jusante; um benfiquista é benfiquista "porque sim", do mesmo modo que um comunista é comunista "porque sim". Do mesmo passo que é impossível "convencer" um benfiquista a deixar de o ser e a passar-se, por exemplo, para a claque do Vitória de Guimarães, não passará pela cabeça de ninguém que tenha a mínima viabilidade tentar convencer um comunista de que a sua "opinião" política foi exaustivamente comprovada pela História como sendo um erro terrível, e nada mais do que um erro.

Ao grupo, à sua formação e à sua consolidação, aquilo que menos interessa é o entendimento, a consciência, a decisão e o livre arbítrio do elemento. O que, precisamente, sustém e sustenta a coesão do grupo é a sua capacidade de esmagamento do indivíduo, pelo sobrepujamento do número; interessa não o pensamento individual mas o embrutecimento colectivo; convém não o carácter mas a uniformização, não a excepção mas a regra, não o pensamento mas o sentimento. Não a compreensão mas a (vaga) noção. A ignorância, portanto. O sarro.

O mesmo princípio se aplica à constituição de qualquer dos outros grupos humanos, como os que respeitam a entidades geográficas (nação, região, vizinhança), e mesmo nos mais subtis e menos organizados, como os de cariz comportamental, por assim dizer: profissional, sexual, cultural, etc. Dando de barato o somatório de acasos que determinam o futuro de cada qual, ninguém escolhe a família ou o local onde vai nascer, da mesma forma que ninguém opta deliberadamente por esta ou aquela orientação sexual, este ou aquele vizinho, este ou aquele problema para resolver. Resta saber se existe realmente alguma coisa a respeito da qual seja possível tomar uma posição, algo que não seja simples, irritante, frustrante inevitabilidade. Há quem diga que é a isso que se chama "gosto", há também quem diga que o "gosto" é que é a chamada "cultura", mas há ainda mais quem diga que "gostos não se discutem". 
E nisso reside, de facto, o pomo da questão: o "gosto" ou, por conseguinte, a "cultura", dependem apenas do livre-arbítrio individual(*)? Ou são, como tudo o mais, consequência directa de factores envolventes e de condicionantes extrínsecas? Preferir José Saramago a Lobo Antunes é uma opção ou uma consequência? Será possível que algum matarroano de Brejenjas prefira Samuel Barber a Mónica Sintra? Se lhe derem a escolher, qualquer sopeira profissional prefere um quadro de Murillo ou um de Murdillo? Ou, em alternativa, que se lixe a pintura, pode ela escolher deixar de ser sopeira? E, em podendo, o que escolheria ela, se ignora completamente qualquer outro modo de vida, se apenas sabe limpar o sarro nas casas-de-banho dos outros?

São de resto elas, as sopeiras, as mulheres-a-dias, o paradigma da inteligência pura, da sabedoria extrema, as únicas pessoas capazes de convencer alguém ou, pelo menos, alguma coisa, lavatórios, ladrilhos, esmaltes brancos e estampados, a deixarem-se de merdas. E já agora, nem de propósito. Terei sido eu quem escreveu, de livre vontade, este monte de patacoadas, ou terei sido de alguma forma obrigado? Bom, é que já não me está a agradar lá muito a ideia. Já não estou nada de acordo comigo mesmo. Olha que porra! Então isto é o da Joana, ou quê? É tudo sarro e nada de brilhantina? Nem vou reler, que é para não me arrepender.




(*) A expressão "livre-arbítrio individual" é uma redundância; não existe tal coisa na forma colectiva. Trata-se aqui de reforçar uma ideia, em detrimento da correcção formal.

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21/09/05

Simon Wiesenthal (1908-2005)




Levantei-me do meu catre e saí da sala. Atrás do crematório, homens das SS abriam covas para os nossos 3000 camaradas que tinham morrido de fome e de exaustão após a chegada dos Americanos. Sentei-me, observando os homens das SS. Duas semanas antes, ter-me-iam espancado até à morte se ousasse olhar para eles. Agora, pareciam ter receio de passar por mim. Um SS pediu um cigarro a um soldado americano. O americano atirou-lhe o cigarro que estava a fumar. O SS inclinou-se, mas um camarada foi mais rápido e apoderou-se da "beata", e os dois começaram a esmurrar-se até o soldado lhes dizer para se afastarem.
(pág 52)

Os Assassinos Entre Nós (orig. The Murderers Among Us), S. Wiesenthal, col. Livros Unibolso, Editores Associados, trad. H. Silva Letra

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19/09/05

Educação bárbara


Actualmente, a coisa mais fina e bem educada que se deve dizer a quem não nos apetece cumprimentar, é a seguinte:
_ Ora, ora, vai mas é para o carrilho.

Em situação social, recepções, casamentos, jantares e assim:
_ Olha, filho, põe-te na bicha, ou o carrilho.

Em família, ou em outras situações mais informais:
_ Eu cá não conheço mal vestidos, ai o carrilho!

Ou ainda:
_ Mas o que me quer este carrilho?

No dia-a-dia, existem expressões que, de tão grosseiras, devem ser polida e imediatamente substituídas por:
_ Olha que carrilho!
_ Mas que grande carrilho!
_ Isto é que é um carrilho, hem?!
_ Ó seu malcriado, seu grandessíssimo cara de carrilho!

Em outro registo, mas na mesma linha de pensamento, consideremos algumas variantes de igual pinta educadíssima.

Diz nossa Bárbara, volta-e-meia, pela calada da noute, a seu consorte:
_ Ó Carrilho, filho, meteste-zi-o? Sério? Carambinhas, que não dei por nada. Mas onde está essa coisa, carrilho, que nem se vê?!

Qualquer senhora de porte que preserve, por um lado, o seu recato, e aprecie, pelo outro, o "picante" dos palavrões, quando estes se justificam, deverá largar de imediato as antigas expressões libidinosas e substituí-las por algo como:
_ Ai, carrilho, espeta-me essa coisa com força,oh, oh, ai, ai, adoro o teu carrlho, vai, vai, ah, mas que grande carrilho que tu tens, hmmm.

Etecetera.

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U ákôrrdu órrtôgráfiku dji doiss miu i seiss. Ki légáu, né?


Você é ássim
Um sonhu prá mim
I quandu eu nãum
Tchi vêju
Eu pensu em você
Desdji u amánhêcê
Áté quandu eu mi deitu
Eu gósstu dji você
I gósstu
Dji ficá kom você
Meu risu é tão filiss contchigu
U meu mêlhó ámigu é u meu ámô
I á gêtchi cantá
I á gêntchi dançá
I á gêntchi nãum
Si cansá
Dji sê criançá
Á gêntchi brincá
Ná nóssa vélhá infânciá
Seuz olhoz, meu clárão
Mi guiam
Dentru dá isscuridão
Seuss péiss mi ábrem u camin-u
Eu sigu i nuncá mi sintu só
Você é ássim
Um sonhu prá mim
Queru tchi enchê
Dji beijuiss
Eu pensu em você
Desdji u ámánhicê
Até quandu eu mi deitu
Eu gósstu dji você
I gósstu
Dji ficá kom você
Meu risu é tão filiss contchigúú
U meu milhó ámigu é u meu amô
I á gêntchi cantá
I á gêntchi dançá
I á gêntchi nãum
Si cánsá
Dji sê criançá
A gêntchi brincá
Ná nóssá vélhá infânciá
Seuz olhuiss, meu clárãum
Mi guiam
Dentru dá iscuridãum
Seuz péiss mi abrem u caminhu
Eu sigu i nuncá mi sintu só
Você é assim
Um sonhu prá mim
Você é ássim
Você é ássim
Um sonhu prá mim
Você é ássim
Você é ássim
Um sonhu prá mim
Você é ássim

Vélháinfânciá
Uss tribálisstáiss

vêrrsãum origináu pré hisstórika

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Pedrada no Charquinho

Um blogue é como um diário íntimo e o cadeado é a nossa identidade secreta.





(à cause des mouches...)

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