Odi profanum vulgus et arceo

13/05/04

Foi


O acaso é talvez a mais difícil das coisas. Por acaso nascemos e assim continuamos, ao acaso e desajeitadamente, tentando entender a raiz e a razão das coisas que, a maior parte das vezes por mero acaso, nos aconteceram e acontecem. Há dias em que, por acaso, nos dói o coração, e não é exactamente por causa imediatamente diagnosticável; por acaso, o coração dói, às vezes. Uma coisa bonita que nos surpreende ou outra horrível que nos esmaga, a surpresa de um dia mais ou de um outro a mais, novo ou inesperado, ou ainda alguém que pensamos não merecer e que, de repente, nos aparece à frente. Por acaso, sempre por acaso. Como a traição ou a tragédia, que nunca acontecem se não por mero acaso. Como a consciência que se esconde em cada uma das curvas de um perfil. Como o frio bom que se sente ao sol de Inverno. Ou o calor da neve mais gélida quando está alguém que amamos na ponta da nossa mão, e não compreendemos porquê, o que fizemos para merecer isso. Ou o que não fizemos para merecer o castigo de isso nos faltar, quando por acaso nos faltar.
Acaso é irmos na rua e já não haver rua, ou nem para onde ir, de repente. Virar à esquerda num cruzamento, quando à direita é que era, ou ao contrário, quando o inverso deveria ter sido. É o azar que bate à porta ou vem já a caminho, pelo ar, como um piano que despenca de um 20º andar, apontado exclusivamente à nossa cabeça, como nos desenhos animados ou em algum estranho filme de terror. Como acordar com uma tremenda ressaca por se ter sido excessivamente, loucamente feliz na noite anterior, no dia anterior, no ano passado ou há mais de dez anos. Maldição, malapata, crucificação pessoal e intransmissível, sempre imprevisível, sempre quando menos se espera.
O acaso é o que resta quando apenas os imprevistos sucedem e todos os planos falham; quando Deus, por fim, vem em nosso auxílio e se senta connosco num passeio, e rimos ambos, como bons amigos, de tudo o que nos aconteceu, e acontece, e não pára de acontecer. É quando esse mesmo Deus se lembra de que está muito ocupado a curar os males da humanidade e não tem tempo para os nossos, nem para nós, e diz como o coelho da Alice, atrasado, muito atrasado, ai, valha-me Eu.
Às vezes, nem sempre, sentimos que é possível, que é hoje, que agora é que é. E, geralmente, não é. Nem hoje, nem agora, nem sequer possível, nunca. Mas acreditamos que é, que vai ser, que sim. E a isso chama-se esperança, a sombra branca do acaso.

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12/05/04

...


É isto que quero fazer. Estrumar papel e saber que digo a verdade. Adquirir o ritmo da verdade surreal, sem que pese. Ou seja, de tal forma crua que pareça ficção ou designação prosaica de mais uma forma quotidiana de egoísmo. A verdade tem que serpentear pelas palavras como se não se desse por ela, como se se mascarasse de absurdo. Ou não fará sentido. A verdade é um código matricial inexpugnável, uma hiper-linguagem superegótica, deificada pela existência e pela carne. Puta que pariu que me perco no que digo!

crise luxuosa

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----- Original Message -----
Data 11/05/2004 23:33
De Ferreira Fernandes ffernandes@sabado.investec.pt
Para zerozeroum@mail.pt
Assunto: Dr. Tonecas



"Lembro-me que estava a seguir um curso na Sorbonne,
em 1948…", David Mourão-Ferreira (Jornal de Letras, 3/1/96)

"Lembro-me que os cantores da minha geração queriam
todos cantar como Bettencourt…", Manuel Alegre (Público, 4/4/96)

"Eu lembro-me que a minha adolescência foi passada…",
Nelson Saúte (DN, 28/2/2001)

"Lembro-me que o Vaticano e o cardeal…",
Leonardo Boff, em "O Filósofo e os Pobres"

"Lembro-me que perguntava tudo a todos", Inês
Pedrosa, DNA (30/08/2003)

"Lembro-me que ganhava 75 escudos por coluna",
Francisco Sarsfield Cabral, (revista Meios, Maio 2003)

"Lembro-me que estava na sala…", Joel Neto,
"Dois dias fui jornalista"

"(…) lembro-me que me chamou a atenção…"
Germano de Almeida, (Jornal de Letras, 21/10/1998)

"Lembro-me que fiquei distinta…"; Alice
Vieira, "Lembro-me", Associação dos Professores de Português

"Lembro-me que trabalhava no Jornal do Brasil",
José Nêumanne, editorialista do "Jornal da Tarde"

"Lembro-me que te agarrei a mão…", Al Berto,
"Eras novo ainda"

"Lembro-me que, na primeira vez que estive no colégio…",
Ruth Arons, em "O paraíso triste", de Maria João Martins

"Eu lembro-me que fui a Primavera", Florbela
Espanca, em "O meu orgulho"

"Lembro-me que comprei o livro num sebo", José
Eduardo Agualusa (Colecção Mil Folhas, 3, Público-2004)

"Lembro-me que quando lá cheguei", Miguel Sousa
Tavares (Público, 14/12/2003)

"Lembro-me que John Philip de Sousa foi um compositor
português emigrado no século XIX para os Estados Unidos da América, MAS
LEMBRO-ME MAL: porque não foi", o Fernandes

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Data Quarta-Feira, 12 de Maio de 2004, 16:46
Para ffernandes@sabado.investec.pt
Assunto: Menino Zequinha


"lembro-me de que": 2.230 resultados Google

cf. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, tema: lembrar

cf Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, tema: a utilização do "de que"

Lembro-me de que em Cabo Verde, onde continuei o meu serviço militar após o 25 de Abril...
Manuel Lucena, Centro de Documentação 25 de Abril

Lembro-me de que, ao referir-me em trabalho já remoto à contribuição cultural de negros da África...
Gilberto Freyre, biblioteca virtual.

Desde criança, lembro-me de que a esquerda nunca foi bem vista aqui em casa...
Coluna Infame

Certa vez, já adolescente, fui visitar algumas clínicas onde se cuidava desses chamados doentes mentais, e lembro-me de que era com fascínio...
Débora Vieira, Gramática da Língua Portuguesa online (br)

3 - Esquecer/lembrar
a-Quando não forem pronominais: são usados sem preposição. 
Ex.: Esqueci o nome dela.
b- Quando forem pronominais: são regidos pela preposição de.
Ex.: Lembrei-me do nome de todos. 
Gramática da Língua Portuguesa online (br), Sintaxe, regência verbal

7. (FESP) "Lembro-me de que ele só usava camisas brancas." A oração em destaque é:
a) substantiva completiva nominal
b) substantiva objetiva indireta
c) substantiva predicativa
d) substantiva subjetiva
e) n.d.a.
espaço literário, orações subordinadas substantivas (br)

Lembro-me de que, no dia seguinte, fiz imensas visitas...
O Portal da História - Memórias: Marquês de Fronteira.

Lembro-me de que em Outubro fui para Cascais, onde passei o 11 de Março.
C.M. Oeiras - sumário: O Professor

Lembro-me de que brincávamos no meio dos destroços, em Hamburgo,...
Debates do Parlamento Europeu (tradução)

Hoje lembro-me de que também não usou a expressão "É como lhe digo".
Crónicas de Joel Neto

C) Objetiva Indireta: funciona como objeto indireto da oração principal.
(sujeito) + VTI + prep. + oração subordinada substantiva objetiva indireta.
Ex. Lembro-me de que tu me amavas.
Fala Língua - Período composto por Coordenação e subordinação (br)
 
«lembra-me que...», etc. Trata-se de uma simplificação gramatical perfeitamente compreensível dentro da língua. No entanto, como referi, não é sancionada pela gramática tradicional.
http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=12256&palavras=lembrar

lembro-me de / que falava não eu duma cidade
Pedro Mexia, citação de Gastão Cruz

Quando li o seu primeiro livro, O silêncio, lembro-me de que certas passagens vinham tocadas por uma profunda luz poética que me encantou.
Teolinda Gersão, entrevista

Lembro-me de que, nessa altura, os americanos...
Mário Soares, entrevista

E lembro-me de que Isaltino de Morais, ao tempo presidente da Câmara de Oeiras...
Vasco Graça Moura

Lembro-me de que referiu especialmente o meter as partituras na cabeça, em vez de a cabeça nas partituras.
João de Freitas Branco

 
Obrigadinho pela informação sobre o Sousa.
 
o Dodo


(isto é sobre o quê?)

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11/05/04

(...)

E no entanto, Portugal é uma realidade, custou muito sangue e muito suor defendê-lo como nação, e não foi certamente por acaso (ou desatenção dos outros) que conseguiu atravessar nove séculos de História e chegar à era nuclear com a identidade territorial assumida no tempo das primeiras batalhas contra espanhóis e infiéis.

Atabalhoadamente e às cegas, os portugueses procuram resolver aquilo que julgam ser os próprios interesses, sem acautelar a sua identificação nacional. Quanto ao país, dá um pouco a ideia daqueles pneus carecas que se guardam no fundo das garagens e que não se sabe ainda se são para deitar fora, se para recauchutar.

Ora Portugal, um país que resistiu a moiros, castelhanos e franceses; aos Descobrimentos, à Inquisição e ao Ultimatum; aos Filipes, aos Jesuítas e aos Bragança; à Carlota Joaquina, ao Salazar, ao Vasco Gonçalves e ao COPCON, merecia melhor atenção dos seus filhos; não é propriamente um kleenex que, depois de usado, se amarrota e lança na sanita ou no caixote do lixo. Até porque os portugueses estão tragicamente enganados se pensam que podem sobreviver-lhe. Quando Portugal acabar, acabam também, por menos solidários que julguem estar com a Pátria.


Quem é o autor deste excerto? Hmmm? Alguma ideia?
Palpites por email.
Se acertar, habilita-se a ganhar uma valente e amigável palmada nas costas. Virtual, claro.

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Words and deeds: ponto da situação


A vizinha (cá no blogbairro somos todos vizinhos) do Moleskine respondeu afirmativamente a convite nosso, e colocou um "post" sobre o hino do Brasil. Parece que a ideia é para continuar. Uma vez sem exemplo, temos alguma colaboração entre blogs portugueses, com um tema comum e sem grandes (ou nenhumas) pretensões, poderemos talvez um dia ver o resultado deste trabalho e finalmente - quanto mais não seja, só por isso já valeu a pena - algo de produtivo resulte, feito à distância por pessoas que nem sequer se conhecem. Mantendo cada qual a personalidade do seu blog, pode ser que esta microscópica iniciativa comprove um facto inesperado e, de certa forma, surpreendente: é possível dois (ou mais) blogs, feitos por pessoas completamente diferentes, à distância e com total independência, produzirem em conjunto algo de minimamente útil. Sem polémicas estéreis, sem insultos nem insinuações, sem nada, enfim, daquilo que mais se lê em tantos e tantos blogs, e, principalmente, com alguma substância. Como diz a vizinha e colega, os estabelecimentos individuais de responsabilidade limitada não são, contrariamente ao que se diz por aí, um mito urbano nem um devaneio legiferante.

Recapitulemos então, apenas nominalmente, o que já existe neste "ensaio em parceria sobre nacional-hinologia".

I - Hinos nacionais: RDA, URSS, França
II - Hinos nacionais: Portugal (monarquia), Reino Unido, USA
III - Hino nacional do Brasil
IV - Marchas militares: A Internacional, A Life On The Ocean Wave (25 de Abril), The Stars and Stripes Forever

Já está combinada, entre ambos os blogs, a sequência próxima de entradas: os cinco PALOP, Timor, Guam, Itália, Espanha e Itália. Depois, para além disto, se verá. No fundo, no fundo, somos bons portugueses: gostamos de navegar à vista.



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Words and deeds IV


Vexilologia, não sendo propriamente uma ciência, significa estudo das bandeiras e insígnias (de vexilo, s.m., insígnia, estandarte, bandeira). Existem dezenas de publicações e também uns largos milhares de sites sobre o assunto. Evidentemente, as pessoas que se dedicam ao estudo deste tipo de símbolos não tecem, nem poderiam tecer, grandes considerações a respeito dos exemplares que vão recolhendo; limitam-se, o que já não é pouco, a listar, enumerar, ilustrar bandeiras, estandartes e outros elementos semelhantes; analisam os diversos componentes e seu significado, seja este o oficial, o presumido ou o mais evidente. Não há muito a dizer sobre uma bandeira, mas existem muitas para ver e, destas, os mais curiosos e interessados dedicam-se a interpretá-las.

Já com os hinos nacionais a coisa é diferente. Hinologia é um termo dúbio, até porque mais parece estar associado ao hino religioso e, ainda mais concretamente, ao hino religioso cristão.

Por conseguinte, talvez não seja muito forçado concluir que (ainda) não existe uma área do conhecimento especificamente dedicada ao estudo - identificação, compilação, seriação histórica - de todos os hinos, enquanto distintivos nacionais, regionais ou de grupo social. De facto, existem muito mais hinos nacionais do que nações, por paradoxal que isso pareça. Um caso flagrante é este:


A Internacional

De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada simos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional.

Messias, Deus, chefes supremos,
Nada esperemos de nenhum!
Sejamos nós quem conquistemos
A Terra-Mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unidos...

Crime de rico a lei o cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unidos...

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unidos...

Fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unidos...

Somos o povo dos activos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas, deixai o mundo!
Ó parasita que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unidos...


(link)


Para nós, portugueses, há um caso ainda mais significativo de hino que não é nacional, que nem sequer é português, e cuja criação não teve absolutamente nada a ver com aquilo a que agora o associamos; trata-se do hino dos Royal Marines (fuzileiros britânicos), que ficou na nossa "memória colectiva", de forma indelével, como o "hino do" 25 de Abril de 1974.

A Life On The Ocean Wave

(link)


E existem alguns outros "hinos" que o não são, compostos como marchas militares, mas que se internacionalizaram de tal forma que acabaram por perder grande parte do significado original, ganhando novos e insuspeitados carismas. John Philip de Sousa foi um compositor, filho de pai (*) português emigrado no século XIX para os Estados Unidos da América, onde se transformou numa referência absoluta deste género, não propriamente de hinos nacionais mas da chamada música patriótica. Uma composição que toda a gente conhece, geralmente associada a eventos desportivos, é...

The Stars and Stripes Forever

(link)


Enfim, estes são apenas alguns exemplos daquilo que poderia ser um campo de investigação ainda mais alargado do que a nacional-hinologia. De facto, e à semelhança da vexilologia, com bandeiras e estandartes, o corpus dos símbolos musicais gregários é muito mais abrangente do que apenas o conjunto dos hinos nacionais; compreende também as marchas e outras composições de carácter patriótico, ou mesmo outros "distintivos melódicos", como os hinos de clubes desportivos, por exemplo. Tudo aquilo que, em suma, represente através de música uma identidade colectiva e uma motivação social definidas.





Fontes de informação
http://encyclopedia.thefreedictionary.com/The%20International
http://bluebandmag.demonweb.co.uk/pages/audiomp3.htm
http://www.pbs.org/thinktank/transcript903.html
http://www.dws.org/sousa/starsstripes.htm
(*) - a bold, acrescento e correcção em 14.05.04 - 21:32 h, por indicação de um leitor mais atento. Agradecimentos.

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09/05/04

Exmo. Senhor Ministro da Defesa:

Queira V. Exa. registar esta como simples opinião pessoal, ou protesto de cidania, ao abrigo de qualquer espécie de legislação - constitucional ou geral - que possa ser considerada como relevante, inerente ou atinente.

Na minha opinião, por conseguinte, e devo manifestá-lo publicamente, Excelência, ao abrigo de um porradal de leis, venho mui simplesmente declarar, etc., abreviemos, em plenas fuças de V. Exa., que V. Exa. não passa de um refinado imbecil. Dito de outra forma, e ainda mais claramente, V. Exa. não passa de um garoto com tremendo deficit educacional, sem cara para levar um estalo e, portanto, absolutamente desqualificado para me representar, seja em que qualidade for e na académica assumpção de que um ministro, por mais vulgar e merdoso que seja, representa o conjunto dos seus concidadãos. Mais declaro, Excelência, e reitero que em plena sua tromba, sentir-me coberto de vergonha por ser um seu compatriota. V. Excelência, Sr. Ministro da Defesa do meu país, envergonha-me enquanto português, embaraça-me enquanto cidadão europeu, faz-me desejar que venha finalmente o castelhano por aí abaixo e empoche esta merda toda. Infeliz pátria que tais filhos gera, de facto. Se V. Excelência é português, digo como Almada Negreiros, eu quero ser espanhol. Antes dominado pelo estrangeiro do que governado pela estupidez, pela boçalidade, pelo dandismo de pacotilha.

Pois o senhor ministro, que tanta questão faz em religiosamente seguir a cartilha moralista, elitista, sulista, direitista e liberal, pespega-se em plena parada militar, enquanto entidade e enquanto autoridade, e... masca pastilha elástica? Chuinga, Excelência? Nhac-nhac-nhac, Excelência, enquanto desfilam nossos bravos soldados? A ouvir o hino enquanto dá ao dente, Excelência? Mas que porra vem a ser esta, mal que lhe pergunte, hem, senhor ministro? Esta é que é esta, valha-me Deus.

Ninguém lhe leva a mal o folclore dos beijinhos no peixeirame e das bacalhauzadas no "bas-fond" das feiras, por esse país fora, isto na condição de ser apenas durante as campanhas eleitorais, como cumpre. Todos sabemos que todos os outros pacóvios, de todos os outros partidos, fazem rigorosamente o mesmo, ócápa, faz parte da fantochada, até aí tudo bem. Irei mesmo ao ponto de reconhecer que o Paulinho das Feiras tem um bom aparelho fonético e é perfeitamente capaz de despejar as maiores trivialidades e os mais ridículos dos chavões demagógicos, e até mesmo sem se rir, mas convenhamos que este número da pastilha na parada é um bom pedaço demais, demasiado, o fim da picada. Releve-se aqui o facto de rimar, mas é que estou furioso. Foda-se, senhor ministro, com ou sem o devido respeito, vá lá mascar pastilha para o diabo que o carregue, senhor ministro,
Bom, era só isto, é melhor ficar por aqui, parece-me que me está já dando uma coisinha má, só de imaginar Vossa Mastigância, ó pátria sente-se a voz, nhac-nhac-nhac, bolas, tirem-me deste filme.

Era só.

Saudinha.

Pede deferimento, ou lá o que é, etc.


(*) As coisas que se dizem, quando uma traquinice nos esgota a paciência!

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"Software é aquilo que você xinga, Hardware é aquilo que você quebra." (Ditado Popular)

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Ditados e máximas populares com Copyright - memória futura


Quem te manda a ti Zapatero tocar rabecão se nunca lhe puseste a mão?
Para quando o primeiro-ministro espanhol meter a pata na poça pela primeira vez. Que já não há-de faltar muito.
©2004 Dodo

Não vá o Zapatero além da chinela (Ne sutor ultra crepidam ascendat)
Para quando o primeiro-ministro espanhol meter a pata na poça pela segunda vez. Que já não há-de faltar muito.
©2004 Zero Zero Um

Mais vale Aznar que me leve que cavalo que me derrube. (farsa de Inês Pereira)
Lema do PP espanhol nas próximas eleições. (farsa de Pacheco Pereira)
©2004 Dodo

Contigo, senhor Diabo, antes de bem que de mal.
Dirá Mário Soares quando lá tiver de ser.
©2004 Anónimo

Atirar o Barroso à parede, a ver se cola.
Pinchagem de campanha eleitoral (2005)
©2004 Godot

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.
Jingle do próximo Rock In Rio (Tejo)
©2004 Zero Zero Um

Quem conta um conto aumenta um ponto.
Dirá Manuela Ferreira Leite, a respeito do próximo OE (e dos seguintes, se lá chegar).
©2004 Anónimo

A voz do povo é a voz de Deus.
©1904 Álvaro Cunhal

A UNIAO FAZ A FORCA
Lema eleitoral do Partido Baas (em teclado sem acentos nem cedilhas, é por isso)
©2004 Ali, O Cómico

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08/05/04

Penso eu "de" que...


Diário de Notícias de hoje, a páginas 44. Memórias e fixações de um ex-«soixante-huitard» é o título do artigo que introduz o romance Ex, de Patrick Raynal. Até aqui, tudo nos conformes. Porém, contudo, eis senão quando, na coluna ao lado, com a designação de Leitura Paralela, refere-se uma publicação da autoria do jornalista Ferreira Fernandes: Lembro-me que...

Alto. Parou. Não falta ali nada? Vale a pena ler um livro que já traz mácula no título? Ora vejamos.

Depois de muita pesca infrutífera em gramáticas e prontuários, lá encontrei uma mísera referência na mais gigantesca enciclopédia da História, a Google:

Quando o objeto indireto vem expresso por uma oração desenvolvida, o uso da preposição "de" é facultativo. Exemplo: Lembrei-me (de) que devo estudar para a prova hoje. (*)

Tinha de ser alguém do Brasil a referir este pormenor. Mas a expressão "oração desenvolvida" é que não resolve, fico encanitado, ou seja, na mesma; "Lembro-me que..." será tudo, menos uma oração "desenvolvida".

Lembro que não faria sentido, nesta frase que agora escrevo, empregar a preposição "de". Posso até lembrar-me que (recordar a mim mesmo) amanhã tenho de acordar às 10, por exemplo. Mas "lembro-me que", mesmo com reticências, parece Português manco.

Não tenho a certeza, e desde já declaro, por minha honra e por desenfado, que não entendo lá muito de Gramática; aquela que mais comummente utilizo não foi nunca editada ou sequer reunida em volume. Chamo-lhe, por familiaridade, Gramática do Bom Senso Ou Do Senso Comum, À Falta de Melhor; extensa obra particular, integralmente memorizada, mero resultado da soma algébrica, correlativa e concomitante de tudo aquilo que li até hoje. Tem uma grande vantagem em relação a qualquer outra gramática: inclui dois filtros linguísticos, um de estética e outro de pragmática.

Ora, nesta minha GBS, o título que lembrou a Ferreira Fernandes cá pra mim, hmmm, não me cheira. Mesmo tendo um grande cravo vermelho na capa, o livro. Lembro alguma coisa a alguém, mas lembro-me de alguma coisa ou de que alguma coisa aconteceu. Lembro que, mas não "lembro-me que.."

Paciência. São manias. Acho pindérico e não soa bem (cá estão a estética e a pragmática, todas pimponas). Portanto, não quero as lembranças do Fernandes, obrigado.



(*) http://intervox.nce.ufrj.br/~edpaes/rege-vb.htm

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07/05/04

na mouche

maio 03, 2004
Pois
Descobri que a quantidade de parvoíces que escrevo é directamente proporcional ao número de comentários que recebo.

não sei quê, tal e coiso

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06/05/04

Probabilidade incondicional


Se cada português pagasse um euro de cada vez que diz "é assim", o deficit nacional passaria de largo a superavit.
Se cada "jornalista desportivo" português pagasse um euro de cada vez que diz "chélcia" (Chelsea/"tchélci"), num ano pagava-se o Ronaldo e o Roberto Carlos no Benfica, vitalícios.
Se cada ministro pagasse com o desemprego cada vez que se mete a conjugar o verbo "manter" (eu manti, tu manteste, ele manteu, nós mantemos, vós mantestes, nós mantemos, eles manteram), Portugal seria uma bela e pacífica anarquia*).
Se cada português pagasse um euro de cada vez que usa verbos na forma arcaica (fizestes, pusestes, destes, entrastes, saistes, fostes), Manuela Ferreira Leite não serviria para nada lá na Repartição.
Se cada tradutor português ficasse a arder de cada vez que usa conjugações improváveis (retorquira, avassalada, sopesemos) ou rebuscamentos literais (quão bela, cônjuge, tu, você), a APT teria dois ou três sócios, no máximo.
Se cada tradutora portuguesa ganhasse raspas de carvalho de cada vez que faz transcrições fonéticas aproximadas (fôram, sáiam, parlamênto) ou expressões criativas (o que é que tu sabes por "what do you know", que chatice por "what a heck"), a floresta portuguesa ficaria definitivamente depauperada.
Se o Gabriel Alves fosse cavar batatas em vez de grunhir pela maçã-de-Adão, o índice de produtividade nacional aumentaria cerca de 1% e o número de consultas psiquiátricas per capita baixaria em outro tanto.
Se cada blogger tuga pagasse um euro de cada vez que escreve coisas parecidas com "há um ano atrás" (há uns dias, há uma semana, há 500 anos, por coincidência nenhuma destas coisas é para a frente, quando ficou para trás), a colecção de manguitos de Almada Negreiros sairia largamente beneficiada e ninguém ficaria sem entender o que é, afinal, uma redundância(**) bacoca.
Se os computadores viessem equipados de série com um dispositivo de despistagem da alcoolemia (para o sistema arrancar era necessário primeiro soprar no balão), 66% dos "nossos" profissionais da escrita veriam a sua carteira profissional apreendida.
Se a Alexandra Solnado fala com o jotacristo por telemóvel, e se até publica, não se queixem por os miúdos gostarem do Batatoon e de batatas fritas com ketchup, ou por não entenderem patavina do que se passa.
Se um ignorante pode liquidar a RTP2, assim sem mais aquelas, apenas porque é ministro e usa a barba por fazer, é da maior prudência ir fazendo bicha à porta do Circo Cardinali.
Se o europeu do pontapé na chincha acabar por ser um sucesso, há uma data de gente que vai ser condecorada no próximo 10 de Junho, Dia da Raça.
Se não escrever agora mais nada, talvez seja melhor, talvez não, ou vice-versa.

Ficaste com uma ideia do estilo Ionescu? Como te disse, vi "A Cantora Careca" cinco vezes (mais uma na TV, seis). Recordista mundial, aposto.

(*) o verbo deparar também é muito engraçado, quando conjugado por pessoas que se supunha terem umas leituras, e não apenas os ministros e deputados da Nação; vá-se lá saber porquê, pespegam-lhe com uma espécie de "declinação reflexiva": deparei-me, deparou-se, deparo-me, etc. Já os verbos deter e rever são muito utilizados na conjugação jornalística: "o juis reveu o processo e deteu o arguido"... eis o estado da justiça em Portugal.
(**) subir para cima, descer para baixo, sair para fora, entrar para dentro, dizer-lhe a ele, etc. A subcategoria bacoca inclui "há X dias/meses/anos atrás" e "aqui há atrasado" (lá, 15 centímetros acima da boca que o profere, não aqui), entre outras lapidárias (asneiras lapidares proferidas por luminárias; não confundir com lapidária, ciência).


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Não adianta...



  1. Ideafix 28 Links from 27 Sources
    ideafix Profile Last Updated 1 day 7 hours 25 minutes ago (Read Full Post)
    , que não conhecia mas que gostei de conhecer, ao Alto mar que além de me "linkar", deixou um comentário simpático, ao Rés de rés que amavelmente me "linkou" com um banner do meu blog e finalmente ao À espera de Godot, ou isso , que já conhecia, mas de que tinha perdido o rasto. Aos quatro, muito obrigado.
    (Link created 1 day 7 hours 35 minutes ago)

    Não tem nada que agradecer. Ora essa. Mande sempre.

  2. My Moleskine 69 Links from 54 Sources
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    (Link created 1 day 17 hours 47 minutes ago)

    Cumprimentos.

  3. SG Buiça 26 Links from 18 Sources
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    Prazer em conhecer.

  4. Cruzes Canhoto! 261 Links from 240 Sources
    Last Updated 7 days 5 hours 19 minutes ago (Read Full Post)
    Pelo menos o governo PS no segundo mandato ainda não tinha atingido tal nível do disparate e já toda a gente o considerava acabado. J -------- AUTHOR: Jorge Palinhos DATE: 4:03:21 PM ----- BODY: O QUE VEJO EU DA CAMA DO HOSPITAL (II) - Iupiii, um fachoestarola
    (Link created 7 days 7 hours 10 minutes ago)

    Cruzes, canhoto! Vai-te encher da moscas!

  5. Cruzes Canhoto! 261 Links from 240 Sources
    Last Updated 7 days 5 hours 19 minutes ago (Read Full Post)
    à auto-promoção e ao amiguismo, pois está claro que a única pessoa com talento é o Chico Esperto - cheque; - Só ele percebe que uma coisa que toda a gente faz é perfeitamente parva e quem o faz é tolo. Mesmo que ele também o faça - cheque. 000
    (Link created 7 days 7 hours 10 minutes ago)

    ganda melga, bzzz, bzzz, bzzz

  6. hARDbLOG 113 Links from 91 Sources
    Last Updated 7 days 8 hours 29 minutes ago
    sofia na terra de sua majestade, queen beta estórias minhas perverse... almost religious possibilidade do sentir alice no país dos matraquilhos marta ataca mulher a dias flor do asfalto ideias digitais as musas esqueléticas esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 7 days 8 hours 33 minutes ago)

    "musas esqueléticas esperando o tal Godot", ora aqui está uma bela e poética frase

  7. CLAQUE QUENTE 19 Links from 10 Sources
    Last Updated 10 days 9 hours 14 minutes ago
    Mail claquequente@hotmail.com Links Grande Loja do Queijo Limiano Nova Floresta Nova Frente SG Buiça Cegos, Mudos e Surdos Esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 10 days 9 hours 35 minutes ago)

    Greetings, Super Man.

  8. O Proletário Vermelho 23 Links from 18 Sources
    Last Updated 12 days 8 hours 49 minutes ago (Read Full Post)
    M. Deuxcloches argumentou como segue:A função natural do Partido Comunista era a Revolução, disse. Qualquer modificação que tornasse a Revolução mais praticável era, inegavelmente, uma vantagem para o Partido. A política francesa estava num estado de anarquia. É muito difícil revoltar-se contra a anarquia, uma vez que
    (Link created 12 days 9 hours 19 minutes ago)

    What a fuck is this?

  9. El Coronel 82 Links from 78 Sources
    Last Updated 15 days 3 hours 37 minutes ago
    Nation Master Quartel Dicionário Universal Pedro Tochas Tradutor profissional Informação Sísmica Via Michelin Nasa Earth Observatory Portugal 2004 Airliners.net Hard Club Blogs 100 nada 100 vergonha 001
    (Link created 15 days 3 hours 47 minutes ago)

    O 001 agradece em sentido.

  10. Abaixo de Cão 55 Links from 49 Sources
    Last Updated 25 days 17 hours 48 minutes ago (Read Full Post)
    GULP! Gulp!
    (Link created 25 days 17 hours 32 minutes ago)

    Trabalha numa EP, aposto.

  11. Abaixo de Cão 55 Links from 49 Sources
    Last Updated 25 days 17 hours 48 minutes ago (Read Full Post)
    GULP! Gulp!
    (Link created 25 days 17 hours 32 minutes ago)

    Em duplicado. Pois. Hmmm. Se não é EP, é FP.

  12. MaisTurvaSão - Inconfidências à Mão 17 Links from 17 Sources
    Last Updated 38 days 7 hours 5 minutes ago
    Datas na História Desvios Masturbatórios Diabrete días estranhos Diário de Lisboa Diário Poético Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo Empreender Ene Coisas E tudo era possível Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] eugeniainthemeadow Fala-me da Sétima Arte Florilegio Diario Formato 1 Foro Democrático Fotógrafos do mundo Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola}
    (Link created 38 days 7 hours 3 minutes ago)

    Como os links foram copiados do seguinte (ou "vice-versa"), deve ter sido apenas lapsus linkuae, salvo seja.

  13. Desportista Urbano 36 Links from 36 Sources
    Last Updated 43 days 2 hours 12 minutes ago
    Datas na História Desvios Masturbatórios Diabrete días estranhos Diário de Lisboa Diário Poético Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo Empreender Ene Coisas E tudo era possível Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] eugeniainthemeadow Fala-me da Sétima Arte Florilegio Diario Formato 1 Foro Democrático Fotógrafos do mundo Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola}
    (Link created 43 days 2 hours 3 minutes ago)

    Como os links foram copiados do anterior (ou "vice-versa"), deve ter sido apenas lapsus linkuae, salvo seja.

  14. Maus Figados 25 Links from 20 Sources
    Last Updated 47 days 8 hours 43 minutes ago
    Cronics of Desterrated Apreços, para algo Veste-te, Político Pústulas Córnicas Desmarca-te, Opínio Cólicas Matinais Come chocolates, ó favorita Le Tasque, des épillons Acetolas Azedúnculas Água e Sal Espera Sentado, ó Gordito
    (Link created 47 days 9 hours 3 minutes ago)

    Citando Obelix: C'EST QUI, LE GROS???

  15. Batata Quente 109 Links from 107 Sources
    Last Updated 60 days 45 minutes ago
    Diario da loira Dicionario do Diabo Do Portugal profundo Dúvidas dubias Ecletico El Coronel Eelko van Mulder Elektra Em cima delas que nem caes Empatia Encontro Informal de Blogues Espectacologicas Esperando o tal Godot, ou isso Estaleiro Estrangeirados Estupidologia Eurico Cebolo Fan Club Fazendo Caminho Flor de Obsessao Fumaças Fund. cultural Futeblog Total Gato Fedorento Gemeas terriveis Generalidades e Culatras Gilipollas
    (Link created 60 days 6 hours 36 minutes ago)

    Sabe umas coisas de Português, este rapaz (assim de repente). Obrigado pela linkação, por conseguinte.

  16. Desportista Urbano 2 Links from 2 Sources
    Last Updated 82 days 1 hour 20 minutes ago
    :: Blog 19 :: Cérebro d'Aluguer Cidade Vermelha Cidadão do Mundo Citador Crítico Datas na História días estranhos Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era possível Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] Fala-me da Sétima Arte Formato 1 Foro Democrático Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola} HE11o_WorlD! História e Ciência In Vino Veritas Janela Indiscreta
    (Link created 82 days 1 hour 53 minutes ago)

    Este é um cromo repetido; como os links foram copiados dos anteriores (ou "vice-versa"), deve ter sido apenas lapsus linkuae, salvo seja.

  17. Trenguices 38 Links from 36 Sources
    Last Updated 82 days 22 hours 17 minutes ago
    Dezembro 2003 Janeiro 2004 Fevereiro 2004 COMENTÁRIOS: Name URL or Email Messages(smilies) Blogues interessantes: Os mais lidos Os mais frescos Portal dos sites Bloga-me mucho Esperando o tal Godot, ou isso Hora absurda 7650fotoblog Lápis de cor Abrupto Pastilhas O meu pipi Mar Salgado O Vilacondense Gato Fedorento Aviz Bloguices Ligações: Google Ordem dos Farmacêuticos Infarmed Genéricos on-line
    (Link created 82 days 22 hours 16 minutes ago)

    Neste blog, a gente entra e leva com o "Huhaaa!!! I feel good", quer queira quer não.

  18. Impressões 0 Links from 0 Sources
    Last Updated 82 days 22 hours 44 minutes ago
    Arquivos 02/01/2004 - 02/29/2004 COMENTÁRIOS: Name URL or Email Messages(smilies) Blogues interessantes: Os mais lidos Os mais frescos Portal dos sites Bloga-me mucho Esperando o tal Godot, ou isso Hora absurda 7650fotoblog Lápis de cor Abrupto Pastilhas O meu pipi Mar Salgado O Vilacondense Gato Fedorento Aviz Bloguices Ligações: Google Ordem dos Farmacêuticos Infarmed Genéricos on-line
    (Link created 82 days 22 hours 42 minutes ago)

    Outro cromo repetido. Um é trenguices, o outro é boticário. Tipo nome e apelido.

  19. Blogo Social Português 347 Links from 325 Sources
    Last Updated 90 days 14 hours 38 minutes ago
    Digitalis Doce da Avozinha duvidas dubias E Então? Eis o Triunvirato e_noticias Estrelas do mar Estrumpfe Resmungão Elogio da Ginja Em expanção vertiginosa Escorreito Escrito na janela Espelho virtual Esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 90 days 14 hours 54 minutes ago)

    Isto foi da simbiose mutualista, ou isso.

  20. Rouba a Alheira 36 Links from 35 Sources
    Last Updated 91 days 1 hour 54 minutes ago
    Eóink eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era possível Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG]
    (Link created 91 days 1 hour 58 minutes ago)

    Óink!

  21. oCiOso Pensamento 30 Links from 30 Sources
    Last Updated 98 days 5 hours 25 minutes ago
    :: Blog 19 :: Cérebro dÂ'Aluguer Cidade Vermelha Cidadão do Mundo Citador CrÃ?tico Datas na História dÃ?as estranhos Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era possÃ?vel Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] Fala-me da Sétima Arte Formato 1 Foro Democrático Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola} HE11o_WorlD! História e Ciência In Vino Veritas Janela Indiscreta
    (Link created 100 days 2 hours 53 minutes ago)

    aVersão lusa da versão em português, eheheheheh

  22. sEMPRE eM fRENTE aMOR 36 Links from 36 Sources
    Last Updated 99 days 23 hours 23 minutes ago
    :: Blog 19 :: Cérebro d’Aluguer Cidade Vermelha Cidadão do Mundo Citador Cr�tico Datas na História d�as estranhos Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era poss�vel Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] Fala-me da Sétima Arte Formato 1 Foro Democrático Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola} HE11o_WorlD! História e Ciência In Vino Veritas Janela Indiscreta
    (Link created 101 days 8 hours 14 minutes ago)

    Isto ele é mais fácil copiar a coluna de links do que escrever à unha, mas não exageremos, canudo. E vão 2.

  23. Porque Morremos, senhor? 38 Links from 36 Sources
    Last Updated 100 days 1 hour 9 minutes ago
    :: Blog 19 :: Cérebro d’Aluguer Cidade Vermelha Cidadão do Mundo Citador Cr�tico Datas na História d�as estranhos Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era poss�vel Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] Fala-me da Sétima Arte Formato 1 Foro Democrático Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola} HE11o_WorlD! História e Ciência In Vino Veritas Janela Indiscreta
    (Link created 101 days 8 hours 16 minutes ago)

    Isto ele é mais fácil copiar a coluna de links do que escrever à unha, mas não exageremos, canudo. E vão 3.

  24. ccegas na lngua 50 Links from 49 Sources
    Last Updated 101 days 1 hour 34 minutes ago
    :: Blog 19 :: Cérebro d’Aluguer Cidade Vermelha Cidadão do Mundo Citador Cr�tico Datas na História d�as estranhos Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era poss�vel Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] Fala-me da Sétima Arte Formato 1 Foro Democrático Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola} HE11o_WorlD! História e Ciência In Vino Veritas Janela Indiscreta
    (Link created 101 days 8 hours 20 minutes ago)

    Isto ele é mais fácil copiar a coluna de links do que escrever à unha, mas não exageremos, canudo. E vão 4. Este, sem acentos no títalo, não se entende lá muito bem onde é que são as cócegas.

  25. Bloggaridades - SocioElegias 51 Links from 51 Sources
    Last Updated 101 days 3 hours 56 minutes ago
    :: Blog 19 :: Cérebro d’Aluguer Cidade Vermelha Cidadão do Mundo Citador Cr�tico Datas na História d�as estranhos Dicionário do Diabo do lado de cá eCuaderno Elias o sem abrigo E tudo era poss�vel Esperando o tal Godot, ou isso Espigas ao Vento [IMG] Fala-me da Sétima Arte Formato 1 Foro Democrático Fumaças Galatea. Graças a Deus sou Ateu! {Guerra Civil Espanhola} HE11o_WorlD! História e Ciência In Vino Veritas Janela Indiscreta
    (Link created 101 days 8 hours 24 minutes ago)

    Isto ele é mais fácil copiar a coluna de links do que escrever à unha, mas não exageremos, canudo. E vão 5.

  26. Abaixo de Cão 55 Links from 49 Sources
    Last Updated 98 days 5 hours 13 minutes ago
    »Bengelsdorff »Blog de Esquerda (II) »Blog dos Marretas »Blogo Existo »Bomba Inteligente »Cidadão do Mundo »Cr�tico »Cruzes Canhoto »desBlogueador de conversa »Descrédito »Desejo Casar »Esperando o tal Godot, ou isso »Glória Fácil »Janela Indiscreta »Linhas de Esquerda »Malta da Rua »No Parapeito »O Carimbo »O vento lá fora »Outro, eu »Pa�s Relativo »Ponto media - weblog »Senhor Carne »Socio[b]logue
    (Link created 126 days 6 hours 33 minutes ago)

    Outro cromo repetido, mas este não é nada abaixo de cachorro.

  27. EspectacologicaS 120 Links from 76 Sources
    Last Updated 103 days 4 hours 3 minutes ago
    Columbiana Sofia na terra de Sua Magestade, Queen Beta O JUMENTO (Também gosto de ler...) a funda São A Internet para as domésticas - Já �gua Tónica e Ginger ale alVino Anarca Constipado congeminações Esperando o tal Godot, ou isso Estações Diferentes Gaiola Aberta Gato Tobias le tasque maizumpomonte O Arrogante Oficina das Ideias Ovos Estrelados 1ª experiência Proverbios Quero lá saber 100nada (pt) Sobre Tudo e Sobre Nada
    (Link created 185 days 11 hours 58 minutes ago)

    Um destes dias, hei-de ler.

  28. Bloco-notas - listas 9 Links from 8 Sources
    Last Updated 99 days 9 hours 51 minutes ago
    Semana de 09 a 15.11.03 http://000randomblog.blogspot.com/ http://001.blogspot.com/
    (Link created 188 days 8 hours 4 minutes ago)

    Finou-se.

  29. 100nada (pt) 316 Links from 239 Sources
    Last Updated 98 days 8 hours 16 minutes ago
    Blogo Social Português Bomba Inteligente Castor de Mármore Cinema para Ind�genas - CpI ContraFactos & Argumentos Conversas de Café Dicionário do Diabo Encontro Informal de Blogues El coronel Ensaio epiderme Esperando o tal Godot, ou isso Evasões de um sonhador icosaedro Incongruências �ntima Fracção Flor de Obsessão Flores do Campo Fumaças(novo endereço em pt) Janela Para o Rio Janela Para o Rio PT(novo endereço em pt) Jaquinzinhos
    (Link created 205 days 8 hours 39 minutes ago)

    Primeiro mudou-se, depois refinou-se, óspois finou-se, agora renasceu-se com o nick secreto mais conhecido do blogbairro. Um dia destes...

  30. ruim 18 Links from 18 Sources
    Last Updated 217 days 3 hours 22 minutes ago (Read Full Post)
    Tabaco No Godot escreve-se o que me apeteceria dizer sobre os novos maços de tabaco parecidos com anúncios de agências funerárias. Continua-se a tratar os fumadores como retardados e imbecis. Enquanto inspiro mais uma fumaça, penso no que será o mundo de amanhã,
    (Link created 219 days 3 hours 34 minutes ago)

    Este só finou-se...

  31. ruim 18 Links from 18 Sources
    Last Updated 217 days 3 hours 22 minutes ago
    Esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 220 days 5 hours 4 minutes ago)

    ... em duplicado...

  32. ruim 18 Links from 18 Sources
    Last Updated 217 days 3 hours 22 minutes ago (Read Full Post)
    Godot Este homem está-se nas tintas para todos nós. Preguem-lhe uma partida e vão lá. Certeiros os seus comentários sobre... os comentários: «
    (Link created 220 days 5 hours 4 minutes ago)

    ... e em triplicado. Mas acertou em cheio na premonição.

  33. 100nada 58 Links from 48 Sources
    Last Updated 180 days 13 hours 53 minutes ago
    tica VASTULEC Vermelhar 7650fotoblog blogs novos 7000 nomes A Bolha A Natureza do Mal A Origem do Amor aaanumberone Alfacinha Baldrake BloGotinha Cinema para Indígenas - CpI Conversas de Café Dicionário do Diabo Doendes & Duentes Ecos Escarnio e bem dizer Esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 230 days 14 hours 59 minutes ago)

    Seis meses, já! Cá no bairro, é veterania pura.

  34. FUMAÇAS 106 Links from 54 Sources
    Last Updated 35 days 17 hours 10 minutes ago
    Espinha (PIMPLE) .. FOTOGRAFIA DIGITAL.. Ego Carmina Viva Espanha Bolsa Online - Mercados Financeiros Tornado Maquiavel Sublinhar 'A Sombra dos Palmares lunario AVIS LINDA Baghdad Burning SADDAISMOS BLOGUICES Esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 232 days 15 hours 27 minutes ago)

    Velhos tempos.

  35. Ministerio do Bom Senso 56 Links from 50 Sources
    Last Updated 98 days 4 hours 53 minutes ago
    Ovos Estrelados DESEJO CASAR O Segundo Sexo Eu Vou Mas Volto Pegada na Areia Tragico-ComeRdia Maizumpomonte �nimo BLOGotinha Não Esperem Nada De Mim O Rosto Com Que A Europa Fita Overdose City do lado de cá Esperando o tal Godot, ou isso
    (Link created 236 days 9 hours 35 minutes ago)

    Este foi o primeiro. Obrigado.

  36. Blogs em .pt 130 Links from 124 Sources
    Last Updated 152 days 11 hours 15 minutes ago (Read Full Post)
    ios sobre a escrita Escrita Automática : crónicas publicadas, semanalmente, por José Mário Silva no DNA Escritos : Coisas do arco-da-nova Escritos : Diversos Esmaltes e Jóias do jornalista Ilídio Martins espécie duma coisa qualquer (jorgexistence) [NOVO:] Esperando o tal Godot, ou isso : Cachucho social, marinado e sem espinhas
    (Link created 308 days 22 hours 41 minutes ago)

    E este avozinho está agora fazendo tijolo, como cumpre.


... nem atrasa


Mas está bem.


Código HTML original: Technorati

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04/05/04

As virtualidades do sabão macaco


Custa mais ou menos o mesmo que uma "bica"(*) e chega para um ano, pelo menos, caso o feliz contemplado com esta dádiva da indústria nacional pertença à minoria de portugueses que tomam banho todos os dias; para o português típico, um só destes sabões em forma de tijolo poderá durar cerca de vinte anos, ou mais.

Esqueçam os sabonetes líquidos e outras mariquices consumistas. O sabão macaco é absolutamente "produto natural, ecológico, fabrico tradicional". Este que tenho aqui é da marca "Mileu", e foi honradamente produzido pela Fábrica de Sabões da Guarda, Av. Cidade de Salamanca, nº47 - 6300 Guarda; telefone (071) 230123 e fax (01) 230733.

Isto é uma coisa tão fiável que nem precisa de publicidade. O "lead" da embalagem diz tudo, o que é muito mais do que o suficiente:

Verifique a Qualidade:
  • na duração da sua roupa
  • na saúde da sua pele

Existem nesta embalagem algumas coisas de difícil compreensão. Parece que o sabão é P.S.M. 400 g (deve ser "peso sem" qualquer coisa) e que tem 47% a 50% A.G. Aqui, entupo; o que diabo será este A.G.? Ácido qualquer coisa?

Mas enfim, tais mistérios abreviados não retiram nada às qualidades do Mileu (que nome extraordinário, tomaram muitos "copy"). Também há quem lhe chame "sabão azul e branco", mas não acho bem; aquilo às vezes é mais cinzento e amarelo. Não tem nada bom aspecto e o cheiro também não é dos melhores. Vem embalado num simples plástico, barulhento ao desembrulhar, dobrado mecanicamente em paralelipípedo; assim que se abre, espalha-se imediatamente um odor característico, o cheiro-a-sabão-macaco, portanto, e quase se conseguem ver as baratas fugindo espavoridas e as moscas em redor, bzzz-pum, caindo fulminadas, como moscas que são.

Suponho que a simples presença deste sabão, em qualquer divisão da casa, garante a mais perfeita desinfecção do ar e das paredes. Deve substituir com vantagem qualquer insecticida, pesticida, herbicida ou mesmo raticida. Perto dele, pouca bicheza perniciosa sobrevive; claro que isso pode ser maçador para cães e gatos, mas também ninguém os mandou chegarem-se e, se não os matar, ao menos vai com certeza livrá-los de pulgas.

No fundamental, o sabão macaco serve para eliminar qualquer problema de pele. Numa lógica imediatista e um pouco bronca, se considerarmos que a pele é o maior órgão do corpo humano, então é este o mais significativo medicamento até hoje descoberto; o meu instinto patriótico faz-me evidentemente supor que se trata de uma invenção inteiramente nacional; não imagino que algum "monkey soap" tivesse hipóteses; ou que uma coisa chamada "savon singe" pudesse singrar nas casas-de-banho parisienses. Isto é coisa nossa, muito nossa, e que desprezada ela anda. Apenas oito míseras referências no blogbairro, a este ícone do engenho e da ciência nacionais, demonstram à saciedade quão injusto é o esquecimento a que tem sido votado.

Por uma vez, à experiência, ponham de lado o "Johnson's" ou o "Dove" do costume. Logo à noite, ou amanhã de manhã, experimentem o duche com sabão macaco. É uma experiência, devo afiançar. Coceiras, impingens, manchas, borbulhas, desaparece tudo; pequenas feridas, daquelas que levam uma eternidade a sarar, desaparecem em dois ou três dias; não abusando, evidentemente. Suponho que até coisas tão desagradáveis como a caspa poderão desaparecer; a minha Avó receitava lavar a cabeça com a água na qual se cozeram cascas de cebola, mas é provável que a tal substância A.G., exclusiva do sabão macaco, elimine a caspa com muito maior... limpeza! Sério! Quer dizer, digo eu, e isto é um "supônha-mos".

Sem querer baixar o nível aqui do pasquim, e já que falo em caspa, de referir também o que acontece aos odores de cariz hormonal, quando se toma banho com este maravilhoso produto: desaparecem, os odores de cariz hormonal, eis o que acontece. Não é um espanto? Já conferi por diversas vezes. E, já agora, na mesma linha, devo dizer que se trata também de um excelente desinfectante, poderoso e eficaz, sendo fácil imaginar o quanto poderá contribuir para a prevenção de contágios vários. Bactericida, fungicida e, provavelmente, capaz de dar cabo de muitas outras coisas terminadas em "cida". Uma coisa a merecer investigação, por quem de direito. Eu cá não sei.

Fica portanto esta singela homenagem a toda a equipa da Fábrica de Sabões da Guarda, essa simpática localidade, e o mais profundo respeito pelo trabalho que vêm desenvolvendo, há décadas, em prol de um Portugal mais limpo.



(*) café, "cimbalino", expresso, espresso

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Palma Cavalão está vivo


Data 04/05/2004 03:49
De antÿfffff3nio jÿfffffalio <tintininiraq@yahoo.com.br>
Para <zerozeroum@mail.pt>

saudações realistas

cara condessa:

escapou da guilhotina? e ninguém reparou? deixou lá a cabeça e pôde sair para
vir lembrar ao mundo que se pode viver sem ela?
saiba minha senhora que mesmo o fru-fru dos seus aristocráticos vestidos é
musiquinha para os meus ouvidos. e as tamanquinhas a acompanhar, tipo
castanholas estás a ver? perdão. deslizei para a familiaridade como um bêbedo
que após o saque do palácio se detivesse a contemplar o vôo dos insectos.
perdão. mira-me miguel como estou de bonitinha... só o imbecil do b**** se baba
com o seu blog condessa!

um xoxo!
---------------------------------

comentários

03/05/04

Words and deeds (continuação)



Nesse momento, por traz do recinto, rompia, com um taran-tan-tan molengão de tambores e pratos, o hino da Carta, a que se misturou uma voz de oficial e o bater de coronhas. E, entre dourados de dragonas, El-Rei apareceu na tribuna, sorrindo, de quinzena de veludo, e chapéu branco. Aqui e além, raros sujeitos cumprimentaram, muito de leve: a senhora espanhola, essa, tomou o óculo do regaço de D. Maria, e de pé, muito descansadamente, pôs-se a examinar o rei. D. Maria achava ridícula a música, dando ás corridas um ar de arraial... Além disso, que tolice, o hino, como num dia de parada!

- E este hino, então, que é medonho, dizia Carlos. A Sr.ª D. Maria não sabe a definição do Ega, e a sua teoria dos hinos? Maravilhosa!

- Aquele Ega! dizia ela sorrindo, já encantada.

- O Ega diz que o hino é a definição pela música do carácter dum povo. Tal é o compasso do hino nacional, diz ele, tal é o movimento moral da nação. Agora veja a Sr.ª D. Maria os diferentes hinos, segundo o Ega. A Marselhesa avança com uma espada nua. O God save te queen adianta-se, arrastando um manto real...

- E o hino da Carta?

- O hino da Carta ginga, de rabona.


Eça de Queirós, Os Maias, Cap. 10



Hino da Carta Constitucional

1
Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo,
Ama a tua Religião
Observa e guarda sempre
Divinal Constituição

Coro
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Relgião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

2
Ó com quanto desafogo
Na comum agitação
Dá vigor às almas todas
Divinal Constituição

Coro
Viva, viva, viva...

3
Ventursos nós seremos
Em perfeita união
Tendo sempre em vista todos
Divinal Constituição

Coro
Viva, viva, viva...

4
A verdade não se ofusca
O Rei não se engana, não,
Proclamemos Portugueses
Divinal Constituição

Coro
Viva, viva, viva....



Este Hino da Carta não foi nunca tocado, suponho, de outra forma que não ao vivo, por orquestra, banda ou charanga, e provavelmente apenas quando o Rei estava presente. É muito possível que a maioria dos portugueses nunca o tenha escutado, e muito menos cantado, como hoje é vulgar. Não será talvez abusivo considerar que foi a partir do século XX que os hinos se tornaram verdadeiramente símbolos nacionais, já que só então se tornou possível a sua reprodução por meios técnicos. No entanto, e ao contrário do que seria expectável, esta democratização permitida pela técnica não vulgarizou a canção nacional; pelo contrário, acabou por lhe conferir um poder simbólico ainda mais marcante.

A capacidade, ou a necessidade, conforme a perspectiva, do sentimento de pertença - o homem é um animal gregário, ensinaram-nos na escola -, se aumenta na razão directa do interesse comum, também é tanto mais forte quanto maior for a facilidade de identificação que um símbolo confere: isto vale para a bandeira e para o hino, mas também para os mais diversos distintivos, desde a roupa ao modo de falar, passando pelas marcas de cariz social menos subtis, como a ostentação de ou a preferências por "cores": partidária ou clubística, por exemplo.

Um caso evidente de representação simbólica pela música é o hino do Reino Unido, God Save The Queen, que reune sob os mesmos acordes quatro bandeiras: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

God Save The Queen/King
God save our gracious Queen
Long live our noble Queen,
God save the Queen:
Send her victorious,
Happy and glorious,
Long to reign over us:
God save the Queen.

O Lord, our God, arise,
Scatter thine enemies,
And make them fall:
Confound their politics,
Frustrate their knavish tricks,
On thee our hopes we fix:
God save us all.

Thy choicest gifts in store,
On her be pleased to pour;
Long may she reign:
May she defend our laws,
And ever give us cause
To sing with heart and voice
God save the Queen.



Outro exemplo de super-identidade nacional, como diz Desmond Morris, é o dos Estados Unidos da América. Cinquenta Estados que, sem outros considerandos, são mundialmente representados por The Star Spangled Banner.

U.S. National Anthem "The Star Spangled Banner"
Composed by John Stafford Smith - lyrics Francis Scott Key

Oh, say can you see by the dawn's early light
What so proudly we hailed at the twilight's last gleaming?
Whose broad stripes and bright stars thru the perilous fight,
O'er the ramparts we watched were so gallantly streaming?
And the rocket's red glare, the bombs bursting in air,
Gave proof thru the night that our flag was still there.
Oh, say does that star-spangled banner yet wave
O'er the land of the free and the home of the brave?


On the shore, dimly seen through the mists of the deep,
Where the foe's haughty host in dread silence reposes,
What is that which the breeze, o'er the towering steep,
As it fitfully blows, half conceals, half discloses?
Now it catches the gleam of the morning's first beam,
In full glory reflected now shines in the stream:
'Tis the star-spangled banner! Oh long may it wave
O'er the land of the free and the home of the brave.


And where is that band who so vauntingly swore
That the havoc of war and the battle's confusion,
A home and a country should leave us no more!
Their blood has washed out of of their foul footsteps' pollution.
No refuge could save the hireling and slave'
From the terror of flight and the gloom of the grave:
And the star-spangled banner in triumph doth wave
O'er the land of the free and the home of the brave.


Oh! thus be it ever, when freemen shall stand
Between their loved home and the war's desolation!
Blest with victory and peace, may the heav'n rescued land
Praise the Power that hath made and preserved us a nation.
Then conquer we must, when our cause it is just,
And this be our motto: "In God is our trust."
And the star-spangled banner in triumph shall wave
O'er the land of the free and the home of the brave.



(continua...)



Fontes de informação:
http://figaro.fis.uc.pt/queiros/
http://www.reallisboa.pt/
http://www.reallisboa.pt/hino/hinos.html
http://www.homepage-link.to/jukebox/url/usa_anthem0.html
http://www.pch.gc.ca/progs/cpsc-ccsp/sc-cs/godsave_e.cfm
http://hjem.get2net.dk/niels_quist/usa.htm
http://www.usemb.se/FAQ/anthem.html
http://www.losangelesalmanac.com/topics/Military/
http://www.skazka.no/anthems/

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Chiça


Sem qualquer conotação com Joaquim Chissano. Alembrou-se-me o títalo, nada mais.

E era só para deixar mnemónicas três:

1. Foi aqui, neste hotel abandonado, que em tempos esteve o marechalíssimo Franco.
(jornalista da SIC-Notícias, em directo)

2. E foi a primeira vez que esta equipa disputou as prés-eliminatórias
(o mesmo jornalista da Sic-Notícias, no mesmo directo)

3. O país não evoluiu, nestes trinta anos, por causa do 25 de Abril ou por causa da União Europeia. O país evoluiu porque passaram trinta anos.
(João Salgueiro, ex-ministro das finanças, algures no Canal 2)

Que diabo. A exigência não é grande. Bem sei que não é suposto um "jornalista" português saber ler e/ou escrever. Foda-se. Mas "marechalíssimo" Franco? Que o pariu! E "prés"-eliminatórias? Repito: foda-se. Que merda é esta? Não há teste do balão, lá na SIC? Ou admitem-se atrasados mentais, assim, sem mais, prontes, játá?

Quanto ao nosso ex-ministro. João, pá, parabéns. Isso é que é ter tomates.

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02/05/04

Casapiadas e pontes: artigos de opinião e outros


odi profanum vulgo et arceo

Enquanto cratilista assumido e alógeno empedernido, parece-me não existir ainda - se é que alguma vez existiu - a consciência dos riscos, principalmente para as respectivas e importantes saúdes, em que incorrem os intelectuais, pelo simples facto de abrirem a boca. Com o Poder na rua, e se bem que sejam hoje bastante mais subtis os autos-de-fé populares, a simples citação de um clássico pode transformar-se rapidamente em benzina; uma frase lapidar, proferida por qualquer estudioso, pode tornar-se de repente pedra e raspante; enfim, figurativamente falando, umas quantas palavrinhas mal medidas podem com toda a facilidade ser a pira de toros para queimar o intelectual, esse bruxo dos tempos modernos, coisa horrorosa.

Exemplifiquemos. Vamos supor que, por exemplo, um professor (da minoria letrada) entra na sua sala de aula e escreve no quadro:

Homo sum: humani nihil a me alienum puto (*)


Há gente para tudo, como sabemos, até para conhecer qualquer coisinha de Latim, e alguns professores chegam ao ponto de referir coisas que não constam dos "pugramas". Pois bem, vamos imaginar que certo aluno chega a casa e diz à mesa, entre dois refocilanços, qualquer coisa como: "o cetôr de Português hoje disse na aula que é panilas e que gosta de rapazinhos; até escreveu no quadro, ganda lata". Aos circunstantes, familiares do rapazinho, pouco importa a verdade dos factos e outras perdas de tempo; o que interessa é dar caça aos profes (e aos polícias e aos médicos e aos juízes e aos "ricos" em geral), e que não pode ser, mas o que vem a ser isto, ora então repete lá tintim-por-tintim.

E vai o rapazola, já muito excitado pela atenção que despertou com a gracinha: "pois, escreveu sou homo e não sei quê a mim alegram putos".

Pronto, está feito. Segue-se uma típica cena à Ettore Scola, o pai aos murros à mesa, jurando pela pele "desse ganda filhodumaputa", a mãe agarrada às fontes, "ai válhamedeus, jesus, credo", os manos à gargalhada, o bóbi aos pulinhos, ladrando de contentamento por ver tanta gente animada.

Na absoluta ressalva de se tratar de pura imaginação, este episódio, parece-me não ser muito diferente em substrato do que se passa, como incipit, nos casos de crucificação mediática; a qual é, também na essência, de raiz popular. É curioso, de vários pontos de vista, sociológico, antropológico, mesmo zoológico, observar como se comportam as "massas" quando o tema é "justiça". Os "populares" são muito justos, como sabemos, desde 1789, pelo menos.

O passo seguinte, já em pleno julgamento do criminoso, passa-se "em directo de Cascalhais de Baixo, onde temos a jornalista Branca de Neve, à porta do tribunal; alô Branca, tás-me a ouvir?"

jornalista - Sim, Zé, temos aqui este senhor, que nos vai dar uma opinião sobre este caso, que vai apaixonando a opinião pública local, e não só.
popular - Eu cá não entendo nada disso, mas acho que sim.
jornalista - Que sim o quê, que é culpado?
popular - Sim, pestáclaro, isso, culpado.
jornalista - E diga-me uma coisa: acha que...
popular - Acho simsenhora. Culpado, é o que é. Ele e essa cambada toda de mafiosos.
jornalista - A quem se refere, concretamente?
popular - Como?
jornalista - Quando diz mafiosos, quer dizer quem? Os professores?
popular - Claro. Essa cambada.
jornalista - Obrigada. Zé, daqui é tudo, passo a emissão para ti.
Zé - Ainda sobre este assunto, segundo notícia que acaba de nos chegar, foi descoberto um osso de codorniz na lancheira que...

Enfim, ficções à parte, como lá dizia a canção, o que faz falta é avisar a malta. O Zé Povinho já não tem nada a ver com a figura de Bordalo Pinheiro, e já não se limita a fazer manguitos; aliás, já nem sequer é em barro, o que é pena. Continua a não ter nada de decorativo, a não ser nos comícios e nas comemorações, mas possui um poder arrasador.

Cuidadinho com o Povo, rapaziada. Bicuáite, e não se esqueçam de rir à gargalhada com o Rocha. Não caiam nessa de se tornarem suspeitos. Não acordem o mostrengo.



(*) Terêncio, Heautontimorumenos, 77 -
Sou homem: e nada que seja humano eu
considero estranho a mim.

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O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
a força, a arte, a manha, a fortaleza;
o tempo acaba a fama e a riqueza,
o tempo o mesmo tempo de si chora.

O tempo busca e acaba o onde mora
qualquer ingratidão, qualquer dureza;
mas não pode acabar minha tristeza,
enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro,
e o mais ledo prazer em choro triste;
o tempo a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
o peito de diamante, onde consiste
a pena e o prazer desta esperança.

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Eu cantei já, e agora vou chorando
o tempo que cantei tão confiado;
parece que no canto já passado
se estavam minhas lágrimas criando.

Cantei; mas se alguém me pergunta quando:
«Não sei, que também nisso fui enganado».
É tão triste este meu presente estado
que o passado por ledo estou julgando.

Fizeram-me cantar, manhosamente,
contentamentos não, mas confianças;
cantava, mas já era ao som dos ferros.

De quem me queixarei, que tudo mente?
Mas eu que culpa ponho às esperanças
onde a Fortuna injusta é mais que os erros?

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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem - se algum houve -, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,,
que já coberto foi de neve fria,
e enfim converte em choro o doce canto.

E, afora mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mór espanto:
que não se muda já como soía.



Luís de Camões

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01/05/04

Words and deeds


Do alto da sua insuportável pinta de ecléctico, Alexandre Monteiro presenteia-nos com umas quantas considerações a respeito do hino nacional, utilizando o número da comparação como táctica de achincalhamento. Que o hino russo é que é giro, e tal. São opiniões. Pessoalmente, detesto arroz à valenciana, o que é absolutamente irrelevante do ponto de vista dos valencianos, dos gastrónomos em geral, e do próprio arroz.

Vem isto a propósito da minha antiga e sempre adiada ideia de colectar hinos desse mundo lá fora. Cito aquele blog, que avançou primeiro com o tema, por simples questão de educação e porque talvez sem isso ainda agora este nada urgente e desinteressante assunto continuasse adiado. Não é tarde nem é cedo, como se costuma dizer, vamos a isso que é uma pressa, etc.

Para início de monólogo, eis o hino da defunta DDR (Deutschen Demokratischen Republik), ou República Democrática da Alemanha (RDA).

Hymne der Deutschen Demokratischen Republik
Auferstanden aus Ruinen und der Zukunft zugewandt,
laßt uns Dir zum Guten dienen, Deutschland, einig Vaterland.
Alte Not gilt es zu zwingen, und wir zwingen sie vereint,
denn es muß uns doch gelingen, daß die Sonne schön wie nie
über Deutschland scheint, über Deutschland scheint.

Glück und Friede sei beschieden Deutschland, unserm Vaterland.
Alle Welt sehnt sich nach Frieden, reicht den Völkern eure Hand.
Wenn wir brüderlich uns einen, schlagen wir des Volkes Feind.
Laßt das Licht des Friedens scheinen, daß nie eine Mutter mehr
ihren Sohn beweint, ihren Sohn beweint.

Laßt uns pflügen, laßt uns bauen, lernt und schafft wie nie zuvor,
und der eignen Kraft vertrauend steigt ein frei Geschlecht empor.
Deutsche Jugend, bestes Streben unsres Volks in dir vereint,
wirst du Deutschlands neues Leben. Und die Sonne schön wie nie
über Deutschland scheint, über Deutschland scheint.



A História da RDA está toda nestas palavras e nestes acordes, e ficará para sempre na memória. Que é, de resto, a própria História. Lembro-me perfeitamente de ouvir este hino, centenas de vezes, até o conhecer de cor - e de ouvido, porque não sei Alemão suficiente. Não me atrevo a sequer tecer considerações sobre um hino nacional, seja ele qual for, mesmo tratando-se - como é o caso - de um país que já nem sequer existe.

Como é também o caso da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) ou CCCP (em cirílico, o m.q. SSSR) . A letra mudou (entre 1992 e 2000 o hino foi outro, sem letra), mas a música do hino Russo mantém-se.

(tradução para Português do hino da União Soviética)

Se bem que seja um pouco ridículo promover os hinos de diversos países a certames competitivos, género festival da canção, parece-me que ninguém fica indiferente ao tremendo poder do hino Russo e não devem ser muitas as pessoas que o desconhecem totalmente.

Da mesma forma que todos já ouviram a Marselhesa, muito provavelmente sentindo um ligeiro "arrepio na espinha".

Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé !
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé ! (bis)
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats ?
Ils viennent jusque dans nos bras
Egorger nos fils et nos compagnes !

Aux armes, citoyens !
Formez vos bataillons !
Marchons ! marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !


(letra do hino da França, em versão completa)





Fontes de informação:
http://www.national-anthems.net/cont/europe.htm
http://www.lib.vt.edu/subjects/slav/national_anthems.html#east-germany
http://www.flaggen-online.de/flaggen_europa.htm
http://www.premier-ministre.gouv.fr/
http://www.france.diplomatie.fr/france/
Liedtext: Nationalhymne der DDR, 1949
Hymne der DDR
http://www.worldfolksong.com/anthem/lyrics/portugal.htm

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