Colecção Séries a Sério. Genéricos fora das farmácias (II)
Uma bela porcaria, para quem (re)vê aquilo com olhos de hoje. O coitado do canguru (que, por acaso, não era um, mas vários) lá tinha de contracenar com seres humanos muito estúpidos e canastrões, principalmente os "actores" centrais, pai e filho, aos quais bem se poderia aplicar a máxima "tal um, tal outro". Pobre animal.
A maior cagada alguma vez exibida em televisão. Mas enfim, o que se há-de fazer, foi uma série que toda a gente viu e, portanto, um clássico. Inesquecível, de facto, aquele mundo de americanos todos muito bonzinhos em viagem por esse mundo cruel fora. Ainda não havia fundamentalismos islâmicos, ah, bons tempos, era só uns nativos que falavam invariavelmente espanhol, e assim. Excelente para ver aos Domingos, típico dia de ressaca: quando começava o episódio, aguentava-se uns minutinhos e o resultado era garantido: uma gajo disparava a correr para a casa-de-banho, e aí despejava com tremendo alívio doses industriais de vomitado. Era uma bela terapia para a "bisícula".
Depois da saga do Padrinho (I, II, III, IV), esta série foi a melhor coisa que se fez dentro do género; género mafioso, quero dizer. As cenas do velho Tony com a psiquiatra são, verdadeiramente, de partir a moca a rir. O gajo era o boss dos mafiosos, matava gente enquanto palitava os dentes mas, coitadinho, tinha uns problemazitos com a sua consciência.
_ "Do you think you're a happy person?" - pergunta a doutora.
_ "Am I happy?" - responde ele, completamente no gozo.
Impagável.
Bom, esta é só a melhor série de sempre, se houvesse um concurso tipo festival da canção para o efeito vídeo. Aquela ruiva, espantosa, lindíssima, mais a sua lindíssima, espantosa mãe; o irmão mais velho, o mais normal de todos eles, o que morre de morte gloriosa - pifou depois de uma queca à traição; o outro irmão, bicha até à raiz dos cabelos, mai-lo seu negro que "ninguém diria" pegasse de empurrão. E depois aquela gente que gravitava por ali, o pai fantasma, o pai substituto, a completamente maluca mulher do irmão mais velho, o "hispânico" que amanhava os cadáveres com maestria e empenho (aquela de "tamponar" os mortos, foi onde aprendi), enfim, uma galeria de personagens e peras, como se costuma dizer. Estragaram tudo com o último episódio, mas pronto, são americanos.
Palavras para quê? É um artista americano e só usa pasta medicinal Couto, que lhe permite ter gengivas fortes e saudáveis. Quem já viu uns 10 episódios da série, já viu todos mas, ainda assim, não deixa de ser uma coisa muito bem esgalhada. Os médicos a sério é que se devem fartar de rir com aquilo tudo. Tomemos como exemplo o que se passa quando alguma coisa "de computadores" ou "de informática" entra em qualquer produção americana: é tudo barrete, de fio a pavio; os ianques julgam que o espectador médio é burro que nem um penedo (e é), de maneira que nem se ralam a contratar alguém que saiba alguma coisa seja do que for. É meia-bola e força. De maneira que, repito, este Dr. House deve estar cheio de tangas, mas enfim, a gente engole aquela merda toda só pela pinta de mal encarado da personagem.
Um apelo, ó: alguém sabe onde é que estão os genéricos das duas melhores séries alguma vez feitas em Português? Falo, evidentemente, de "Bocage" e de "Alves dos Reis". Qualquer coisinha, é usar o e-mail. Gracias.





