Odi profanum vulgus et arceo
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03/03/07

Sopa de letras



A receita pode variar, mas o caldo é sempre o mesmo, por assim dizer. Uma coisa é alguém assinar com FJV, JPP, VJS, VGM ou MEC, por exemplo, ou ainda, vá lá, como EPC, outra bem diferente é rubricar umas coisinhas pífias que mais fazem lembrar formato de ficheiro, seja ZZU, no caso; como poderia ser ZDI, de Zé Das Iscas, ou FDT, de Fulano De Tal, gente de somenos e que não conta para nada.

Mas afinal, quem é que vem a ser esse tal ZZU? Quem se julgará ele? Olha, olha, então não querem lá ver, já a formiga tem catarro, mas qual Z e qual Z e qual carapuça, isto não vai lá com umas iniciais quaisquer, isso é que era bom. Que se diga um chorrilho de asneiras ou que se tergiverse infindavelmente, pois com certeza, está muito bem, se aquilo vem cunhado com griffe de autor, as três iniciaizinhas consagradas, pois sim, é uma porcaria mas é porcaria da boa, caso não fosse - por exclusão de partes - o que estariam ali a fazer as três letrinhas, aquelas e não outras quaisquer, aquelas que toda a gente conhece? Se não presta, mas vem consagrado, então já presta e é por isso mesmo, de novo, consagrado como obra-prima, primor de redacção, verdadeira pechincha de ironia e fino recorte.

O hábito de ler, que é extremamente raro em Portugal, modificou-se de uma forma surpreendente para a generalidade daqueles que ainda o fazem: o português consumidor de letras começa sempre a ler de baixo para cima, isto é, tomando primeiro conhecimento das iniciais do autor, e só depois, caso aquelas interessem, é que optará por uma de duas hipóteses: ou ler na diagonal ou ler a salto de cavalo, quer dizer, uma coisinha aqui e outra ali, os títulos e subtítulos, quando não apenas o primeiro e o último parágrafos. Esta agilíssima técnica de tresleitura permite assim, ao dito consumidor, por um lado não se ralar muito com os detalhes e por outro ficar detentor daquilo a que se costuma chamar "uma ideia geral"; polvilhado com uns conhecimentozinhos nominais de tudo e mais alguma coisa, como é seu costume e hábito, fica por conseguinte o típico leitor português habilitado a debitar opiniões e a tecer considerandos a respeito de qualquer assunto, desde a teoria literária que se pode detectar no discurso de ALA ou do seu homólogo militar, ARE, aquele das suíças, à influência cubista na obra de Luís Pereira de Sousa (LPS). Não interessa rigorosamente para nada que este último nunca tenha publicado coisa alguma, e que se diga mesmo por aí à boca pequena não saber ele sequer ler, quanto mais escrever, porque o facto é que possui, reconheçamo-lo, um belíssimo trio de iniciais e, portanto, se não escreve é porque não quer e está no seu pleno direito.

Outro tanto sucede com alguns dos autores da nossa praça, os quais, depois de consagradas as respectivas iniciais, bem podem nunca mais na vida esgalhar a mais singela das frases. E o pior, se pior ainda é possível, é isto ser caso raro, porque a maioria desses tais consagrados se considera na obrigação de nos presentear regularmente com o brilhantismo do seu pensamento, a argúcia da sua visão existencialista, a elegância do seu estilo redactorial e coisas que tais. Não valeria a pena estarem agora a incomodar-se, mas enfim, alguém que lhes vá lá dizer isso, os manufactores de pessegada - vulgo, fazedores de opinião - estão-se bem ralando para os apetites do rebanho.

Quando eu, que assino 001 (ZZU), escrevo umas coisinhas de jeito, por vezes muitíssimo bem esgalhadas, que até me mijo a rir quando as leio mais tarde, pois bem, que se foda, esta merda é aqui um deserto do caralho, só meia-dúzia de maluquinhos cá vêm às vezes espreitar. Pois, senhores, se no dia seguinte as mesmas merdas aparecem num blog qualquer, devida e competentemente recicladas, aí é um ai jesus, e ohs de admiração, e expressões de espanto sortidas. Isto assim é uma merda, devo confessar. Ainda há dias recebi por e-mail um texto do VGM sobre o Ensino e... caralhosmafodam se não escrevi aqui as mesmíssimas merdas, vai para uns tempos. Só que, lá está, o Vasco Graça Moura é o VGM e o 001 é o ZZU. Portanto, fodeu.

Outra. Ando eu aqui há séculos a pregar (do verbo pregar, aquilo que fazia Santo António aos peixes) sobre os perigos do antitabagismo; vai-se a ver, ninguém ligou meia aos meus mais do que avisados avisos, e agora é aquilo que se vê, não há cão nem gato que não diga as mesmas porras, por outras palavras ou com as mesmas, sem tirar nem pôr. Que o Altíssimo vos desse com uma marreta nos cornos, seus caras de caralho, tunga, à força toda! Agora, ides mas é fumar barbas de milho com a cabeça enfiada na retrete, se não quiserdes ir parar à cadeia. Doravante, com os documentozinhos legais que acabaram desgraçadamente de sair, ides não apenas ter de viver até aos 150 anos, com saúde até aqui, ó, como ainda tereis de bufar os nomezinhos de todos os criminosos que vistes a puxar umas fumaças. Não ligastes ao que eu vos andei a dizer durante anos a fio, lá porque eu não tenho umas iniciais jeitosas, e agora estais todos bem fodidos, ides gramar com uns gajos a dar na veia ao vosso lado, em tudo quanto é sítio, mas não podereis jamais acender o cigarrito, nem que seja para espantar o nervoso ou porque vos morreu alguém de família.

É por estas e por outras que estou a pensar seriamente em mudar de nome ou, ao menos, de sigla. Quem sabe, talvez uma coisa assim mais sonante, tipo CVC (Carlos Vaz de Carvalho), que é não só sonante como até capicuante; ou talvez algo mais amaricado, que isso também está a dar, sei lá, DVD (David Vilarinho Darque, ou o caralho que o foda), hem, outra capicua abichanada, como convém, que me dizeis vós outros?

Pois, seus coninhas, não dizeis nada, não é? Estais para aí mudos que nem umas putas de umas múmias e eu aqui deste lado a tratar conscienciosamente dos vossos interesses, ingratos do caralho. Se calhar, preferíeis que eu adoptasse uma sigla de duas letrinhas, não? Bem, é um caso a considerar.

Há-de haver, de resto, alguma relação causal entre a qualidade e o número de autores com três e aqueles que apenas possuem duas iniciais: veja-se os casos de EQ, mais antigo, venerando escritor, ou de NR, este bastante mais modernista, enciclopedicamente cabotino, e compare-se a sua popularidade e o número de vezes em que são citados com os equivalentes de quem possui nome e dois apelidos, ou dois nomes e apelido, ou mesmo três apelidos. Então não se vê logo? Não tem nada a ver. Por outro lado, pensando bem, se o próprio Álvaro Cunhal (AC) até de pseudónimo usava só duas letras (MT), e se mesmo de alcunha também (MB, de Mula Branca), pois quem sou eu para questionar semelhante cachola. E o FP, esse fino apreciador de cocaína. O MS, o AG, o próprio JC, a MT de Inglaterra, essa rija e colhuda senhora, o grande JS, escritor americano. Assim de repente, afinal vejo que há uma data de nomezinhos fixes só com duas iniciais.

Pois, é uma hipótese a considerar, em vez de trio. Se calhar, ainda vira moda: RG, AP, LM, ST, ou assim. Ora foda-se. Parecem marcas de tabaco.

Hum. Não sei bem. Vou pensar nisso.


Foto: USA Kulinarische (culinária americana, em Alemão; fosga-se!)

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12/02/07

Bingo!

Numerologia
Desta, ainda não se lembraram os histéricos do NÃO... que também os há.
Se o SIM ganhar o referendo do próximo dia 11, alguma sumidade aparecerá com o seguinte ditame profundamente científico:

A América teve o 11 de Setembro, a Espanha teve o 11 de Março e Portugal teve o 11 de Fevereiro.

Logo surgirão também os patuscos do costume esgrimindo seus números algébricos, isto é, continhas e cálculos que demonstrarão à saciedade (e à sociedade) que nada acontece por acaso e que as piores catástrofes ocorrem nos dias onze de cada mês, por altíssimos e divinos desígnios mas também obedecendo a uma férrea lógica matemática.
Cada nação tem o onze que merece, um pouco à revelia daquilo que sucede com o futebol.
http://001.blogspot.com/2007_01_01_archive.html#116895432044117295#116895432044117295 (16/01/07)

O primeiro caso apareceu agorinha mesmo, logo a seguir ao referendo não vinculativo:

Venceu a cultura da morte!
11 de Setembro, 11 de Março, 11 de Fevereiro. Datas manchadas pela morte!
Mafalda : 2/11/2007 09:07:00 PM


Já existe um Professor Karamba, 42 anos de experiência há mais de 10 anos. Acho que também vou abrir consultório de bruxo.

Professor Karalhosmafodam

420 anos de experiência, cartomancia (Tarot, búzios, borras de café, caracoletas assadas)
dá consulta por telefone, por email, por carta ou por telepatia,
aproxima e afasta a pessoa querida, principalmente afasta,
trata de todos os assuntos relacionados com sorte e azar, em especial os de ganda galo
acerta sempre nas previsões, mesmo as mais difíceis, até chateia.
Marcar consulta através da secretária, Menina Cidália, esplêndida brochista.
Preços módicos, excepto para médicos.

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28/01/07

Caçador de pérolas

Num dia como o de hoje, assim tórrido, dois graus à sombra, a fazer temer o pior naquilo que ao aquecimento global diz respeito, nada como sintonizar o já aqui sobriamente destacado programa de PRD na Antena 1; aquilo que "diz que é uma espécie de" programa de rádio sobre os blogs, dá aos Domingos pelas 11 da manhã, tem um artista convidado por semana e desta vez a estrela foi uma tal Miss Pearls.

Confesso que fiquei encantado, porque, sinceramente, não conhecia a personagem em si, estava muito longe de imaginar sequer existisse alguém neste mundinho dos blogs com uma voz tão catita e boazinha, cativante mesmo; aliás, ainda mais surpreendente, desconhecia que existisse alguém com tanta bondade não apenas na voz mas também na cabeça e no resto da pessoa; foda-se, que aquilo é uma bondade esmagadora, pode lá ser, olha, olha, e eu que pensava que isto da blogosfera não passa de saco de gatos, ninho de vespas, tugúrio de intriguistas, peneirentos e invejosos. Afinal, não, ele há por aí gente de bem, vai-se a ver e não é só estupores, também há destas pérolas verdadeiras.

E não apenas irradia bondade aos molhos, a tal Miss Pearls, como, imagine-se, deixa entrever uma insuspeitíssima costela de modéstia: "não tenho talento para escrever mais", disse ela. Caralhosmafodam se isto não é admiravelmente modesto; não percebo muito bem o que faz ali o advérbio, na avisada sentença, mas enfim, não se pode ter tudo, compreende-se ao menos o sentido.

Mas não é só. Diz ela que, segurem-se bem, "a blogosfera é insultuosa" e que, portanto, aos filhos-da-puta dos anónimos (ela não diz "filhos-da-puta", claro, bibliotecária e tudo) trata-os como a merda que são (ela também não diz "merda", nem isso), e vai daí colocou lá no blog dela um sistema de comentários seguríssimo, à prova de bojardas: "só passa mesmo aquilo que eu quero", acrescenta, e pois com certeza muito avisadamente. Fossem todos como esta senhora, assim higiénicos e selectivos, e muito pouco veneno, muito poucos insultos soezes nos perpassariam pela vista, o que já não seria nada mau. Mas qual quê; esta porra é uma bandalheira do caralho, o que se há-de fazer, vai qualquer sabujo a casa de cada qual e caga-lhe no tapete, por isso muito bem, "moderem-se" os comentários todos e faça-se passar apenas aqueles que mais agradam ao dono ou à dona do referido apetrecho de decoração e à limpeza deste. Fica assim explicado, afinal não havia mistério nenhum na coisa, para que raio existem comentários: para dizer bem, caralho. Quem não quiser dizer bem, ou alguma coisa que não interesse, assim vagamente, que vá morrer longe, pregar para outra Freguesia, ou o caralho que o foda; debitar observações depreciativas, insultos em geral, é como mijar, cada um com a sua e no seu próprio quintal, no seu próprio tapete se quiser. Pois é, o mesmo digo eu há um ror de anos e é por isso mesmo que não há aqui paneleirices dessas, máquinas de bajular, não tenho nenhum sistema lambe-cus electrónico ou virtual cá no boteco; o que tive, em tempos, retirei-o por causa disso mesmo, como diz a Senhorita Pérolas, aquela merda era só coisas que eu não queria, fodei-vos, ide lá chamar nomes para a puta que vos pariu. Não diz ela, que é pessoa educada e de formação, mas digo eu, que não só mas também.

O blog de cada um é a sua casa, o castelo de um homem; quem pretender insultar-me, é enviar e-mail, como de resto já muitos fizeram; depois, calma e sossegadamente, analisarei a qualidade dos nomes que me chamam, a forma como está redigida a missiva defenestrante, se não tem erros de Português, e tal, e então aprovarei ou não, consoante. Acho por isso perfeitamente a lógica da pérola. Presumo, de resto, que daí lhe advirá em grande parte a bondade de que é portadora: é que só ler coisas boas a nosso respeito dá cá uma moral que nem vos digo nem vos conto, de mais a mais porque desconheço pessoalmente a sensação. Mas lá que deve ser bom, deve. Imagino.

Em resumo, fiquei muito satisfeito com mais esta entrevista do PRD; a convidada não deixou os seus créditos por mãos alheias, por um lado, e por outro mostrou e demonstrou uma faceta que é do agrado geral ou, pelo menos, das pessoas bem formadas, a tal bondade. Custou-me um bocadinho que a entrevistada não respondesse a certa perguntinha mais apetitosa, que o recato devido impede divulgação (se ela já tinha sido "assediada" derivado ao blog), mas ainda assim, ficando para sempre na dúvida, considero o programa de hoje plenamente satisfatório. Inseriu-se com rigor na sua linha editorial, isto é, dar voz - em sentido literal - aos vinte ou trinta bloggers ditos "de referência", aqueles que toda a gente conhece; como disse a própria, e traduzindo em linguagem acessível ao mais idiota de nós todos, os badamecos: os blogs de referência servem para os outros se formarem. Ou, no original, pede-se o favor de não rir muito alto, "há alguns bloggers que eu ajudei a formar".

Inscrições AQUI.





----- Original Message -----
From: "misse pearls" misspearls2@hotmail.com
Sent: Sunday, January 28, 2007 1:56 PM

"Ou, no original, pede-se o favor de não rir muito alto, "há alguns bloggers que eu ajudei a formar". "

Olá
Permita-me que  o corrija. Eu não disse isso. Disse "uma teia de blos que ajudei a formar." SIginfica uma teia de blogs da qual eu faço parte.  E por acaso de que gosto de fazer parte.

Com os meus cumprimentos
ISabel
uma tal Miss Pearls

_________________________________________________________________
MSN Hotmail, o maior webmail do Brasil.
http://www.hotmail.com




Pois, lá está: o problema reside precisamente nas teias. As teias é que é uma chatice. As teias, as teias.
Brrr!





Gravação do pugrama AQUI.

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14/01/07

"Diz que é uma espécie de" programa de rádio

Parece que Pedro Rolo Duarte, o gajo mais militantemente anti-blogs que existe em Lisboa e arredores, agora tem um programa de rádio sobre... blogs. Extraordinário, se bem que um pouquinho esquisito. Enfim, para quem tiver interesse antropológico na coisa, é aos Domingos, na Antena 1, cerca das 11 da manhã.

Para quem descreveu sistematicamente a blogosfera como "puro ruído", entre outros mimos de igual calibre, para quem mediatizou a escola anti-blogosférica, de facto o tacho - ter um programinha de rádio sobre o tema - vem mesmo a calhar e adequa-se determinantemente, não apenas à figura tola como ao carácter ressabiado da personagem. Claro que, entretanto, muita água passou debaixo das pontes, desde que PRD nos fez o favor de expor a sua aversão a esta coisa rasca do bloguismo, e agora apenas restam uns quantos ecos da contestação que, timidamente, alguns bloggers se atreveram a manifestar contra tão descabeladas e estúpidas argumentações; houve mesmo, em devido tempo, quem se sentisse vagamente incomodado com as diversas e sistemáticas diatribes do radiofonista, mas enfim, já lá vão uns anitos e, como sabemos, a memória - mesmo, ou principalmente, a virtual - é curta, curtíssima.

Portanto, e vendo bem o caso, não será de estranhar que semelhante personalidade, histericamente alérgica a blogs e a tudo aquilo que eles representam, seja agora premiado com uma emissão radiofónica semanal cujo tema é precisamente aquilo que tanto dizia odiar; trata-se, por assim dizer, de dar ao cão aquilo que o cão mais gosta de morder, coisa que, de resto, o dito canídeo se encarrega de fazer com toda a ganância e empenho. De facto, a julgar pela amostra de hoje, a ração semanal de ossos para roer há-de por força ser extremamente suculenta, apetitosa; o animal convida um fulano qualquer que tenha um blog e fá-lo descascar alarvemente em todos os outros, exceptuando naturalmente o seu próprio e os dos "intocáveis", os pachecopereirianos. A conversa descamba fatalmente para a dicotomia preferida dos eleitos, ou seja, nós (eles), os bons, os maravilhosos, aqueles que contam, e os outros (nós), o "lixo" barulhento, os que não contam para nada, os que "nem sequer existem" e a respeito dos quais a única atitude "decente" é o mais puro, soberano, imperial desprezo. É, portanto, sem qualquer surpresa, a conversa do costume.

O convidado de hoje era não sei quem da Revista Atlântico e que já teve um blog chamado O Acidental. Realmente, esse moço que foi ao tal programa de rádio estava não apenas pessoalmente identificado, com nome próprio e dois apelidos, como se identificou igualmente por extenso com a paranóia que o radialista mantém e nem se esforça por disfarçar; e porque torna e porque deixa, sempre a mesma treta, o velho discurso elitista de quem se julga paradigma de algo, ou referência, ou o que quer que seja de superior em relação à manada, aquelas massas ignaras que somos nós todos, os outros, os "anónimos", desprezíveis e abjectos, por conseguinte e por definição. Citando de memória, o rapaz dos três nomes proferiu a sentençazinha habitual, ou seja, "o anonimato repugna-me". Pobrezinho. Quanta repugnância. Com entrevistados destes, com entrevistas assim, até se ouvem em fundo os ganidos de prazer do mastim, adivinha-se a baba que lhe escorre do focinho, o próprio vírus da raiva atravessa facilmente as ondas hertzianas e adentra-nos a casa. A preocupação central, quando não a única, é desacreditar, apoucar, amesquinhar a "cambada", malhar no ferro frio da sua irrelevância; com isto, evidentemente, releva-se o brilhantismo dos poucos "eleitos", à cabeça dos quais surge a figura esplendorosa do convidado ocasional, a importância decisiva que os selectíssimos membros do clube têm no cenário político, a sua maestria exclusiva nas coisas da escrita e, por fim mas não menos importante, como são eles e apenas eles que valem realmente a pena, que têm interesse, que possuem livros em casa e são os mais belos representantes da pensante espécie.

Claro que, assim para badamecos como eu, este tipo de coisas chateia-me; gosto pouco de que me chamem burro, ou ignorante, lerdo, ou simplesmente merdoso; então quando me chamam essas merdas em público, e de mais a mais não sendo possível responder cara-a-cara, confesso, fico fodido. E não apenas me chamam nomes, esses cabrões, como ainda têm o desplante de me atirar com o labéu da cobardia para riba dos lombos; é a conhecida ladainha do "cobarde" que se "esconde" por detrás do anonimato, enfim, já toda a gente conhece o paleio. Por mim, estou farto de dizer, seus caras de caralho, que não se me dava nada de fazer engolir o insulto, esse em especial, a qualquer um de vocês, mano-a-mano, quando e onde mais aprouvesse ao primeiro que se chegasse à frente.

Não adianta sequer tentar explicar a diferença entre um autor anónimo e um cobarde anónimo. Já deu para ver que essa gente que se julga a nata, simplesmente porque assina a própria trampa, porque assina o que defeca, apenas se ouve a si mesma e ao seu círculo particular de cagões; não são nata coisa nenhuma, são quando muito borra, e com bastante escumalha à mistura. O suposto anonimato é uma coisa que se explica por si mesma; quem persiste na sua condenação cega e radical, demonstra uma impenetrabilidade que apenas poderá resultar ou de conjecturas idiotas ou de algum instinto grupal, primitivo e simiesco. O suposto anonimato é suposto, não imposto; resulta não apenas de uma escolha pessoal como, ou por consequência, de uma atitude individual. São portanto, realmente, coisas não apenas diferentes como opostas: é o indivíduo a sós com o mundo, é a personalidade que defronta os outros e se confronta a si mesmo, é a independência total da ideia, finalmente despojada de um corpo que a transporta - e do nome que esse corpo tem, a fronteira da sua liberdade.

Recusar liminarmente a diferença, apanágio das supostas elites, persistindo na visão redutora e meramente insultuosa do anonimato, demonstra não apenas a mais constrangedora das simplicidades como uma profunda desonestidade intelectual. O que não constitui surpresa alguma, no caso, se atendermos ao facto de essas mesmas elites serem, como todos os grupos humanos estruturados, desprovidas de intelecto; no grupo, ao grupo e para o grupo, não convém que o indivíduo pense. Sabendo qual a motivação intrínseca do espírito gregário, e por exclusão de partes, fácil se torna concluir de que lado estão a estupidez, a ignorância e a própria cobardia.

Esta espécie de programa de rádio, com o locutor de serviço à cabeça, pode por conseguinte vir a tornar-se no órgão de propaganda de um "pensamento blogosférico" oficial: acéfalo, normativo, ditatorial e muito, muito, muito identificado. A merda está no ar.




(imagem de http://www.officepirates.com/officepirates/categoryresults/0,26922,2_date_desc_Funny,00.html)

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12/01/07

Eia, temos aqui uma engraçadinha

A merdola de e-mail que se segue diz respeito ao post anterior.

----- Original Message -----
Sent: Friday, January 12, 2007 3:10 PM
Subject:Re: [Aliciante] New Comment Posted to 'Ainda há dúvidas?'

Olá,
o comentário apaguei-o porque considerei-o ofensivo. A linguagem utilizada é desnecessária e ao contrário do que primeiramente deduziste eu sou uma autentica ditadora e como o blog é meu eu apago os comentários que bem entender.
MAs tenho que te agradecer o post que fizeste sobre o assunto porque acreidta, sem ironia, me proporcionaste um dos momentos mais hilariantes que eu já vivi na blogosfera.
Obrigada mesmo
Mad

 
Em 11/01/07, dodo2004@iol.pt <dodo2004@iol.pt> escreveu:
A new comment has been posted on your blog Aliciante, on entry #381647 (Ainda há dúvidas?).

View this comment: < http://aliciante.weblog.com.pt/arquivo/2007/01/ainda_ha_duvida.html>
Edit this comment: <http://aliciante.weblog.com.pt/privado/index.cgi?__mode=view&_type=comment&id=861838&blog_id=152>
Name: Dodo
Email Address: dodo2004@iol.pt
URL: http://001.blogspot.com
Comments:

Não, nenhuma dúvida. Este é de facto o pior conjunto de palavras, em forma de versalhada, alguma vez escrito. "Inspirado" em Brecht, mas bera com'á ferrugem; nem o próprio conseguiria escrever tão mal.
E também não há qualquer dúvida sobre o direito que assiste à autora de cortar um braço, ou uma perna, ou ainda, se lhe apetecer, a própria cabeça. Não há quaisquer dúvidas sobre isso.

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--
Mad
www.aliciante.weblog.com.pt


Ao abrigo do direito de resposta, e nomeadamente quanto ao articulado que prevê o poder discricionário de o autor de um blog mandar bardamerda quem lhe apetecer, desde que o faça em sua própria casa, o espaço que se segue é da exclusiva responsabilidade do dito cujo.


Ó Leninha, filha.
Uma dúvida singela: o que é que significa "linguagem desnecessária"? Ora porra; se ainda ali tivesse aposto uma qualquer caralhadazita, por exemplo, ainda vá que não vá; agora assim, a seco... bem... com essa é que já me fodestes, melher. E ainda, na sequência da mesma dúvida - que pelos vistos nenhuma versalhada asquerosa pode sequer aliviar - sempre gostaria de saber o que virá a ser isso da "linguagem adequada". Graxa? Avante camarada, avante? O nosso povo, o nosso povo, o nosso povo? Os direitos, os trabalhadores, os direitos, os trabalhadores? Um aborto por ano dá saúde e é bacano?

Só mais uma notinha de rodapé: quero bem que se lixe essa tua maniazinha do autoritarismo. Mais: caguei positivamente, nisso e ainda mais na tua suposta ironia. Se não querias comentários "desnecessários", tinhas duas hipóteses: ou não punhas lá as caixinhas para o efeito, ou escrevias tu mesma os teus próprios "comentários" com "linguagem necessária"... o que presumo seja o caso.

Juízo.

P.S.: de certa forma, devo apresentar as minhas desculpas à autora da versalhada; pensando bem, aquilo não é propriamente uma grandessíssima bosta; o superlativo é um exagero, do qual me penalizo; do mesmo modo, retiro o balizante temporal "alguma vez" da expressão inicial (relativo a "o pior conjunto de palavras"), substituindo-o, sem qualquer favor, por "jamais". Se lhe servir de consolação, a essa autora, lembre-se de que o seu não é caso único; o que há mais por aí, até de consagrados e tudo, é coisas de igual qualidade ou jaez, verdadeiros palimpsestos de cal sobre estuque, com grafitagens de assinatura por cima.

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Yo no creo en censura pero que la hay, hay

Talvez aliciado pela designação, ou provavelmente por mero acaso, tropecei ontem em certo blog, não desfazendo, no qual deparei com a versalhada mais execrável que imaginar se possa e, por mero desfastio, resolvi deixar meu modesto comentário.

Nele, comentário, em resumo, qualificava a dita versalhada de "o pior conjunto de palavras alguma vez escrito" e acrescentava (cito de memória) que aquilo era uma espécie de Brecht mal parido, sendo que nem o próprio seria capaz de escrever assim tão mal; sobre o conteúdo do arrazoado palavroso, e nomeadamente quanto ao direito que assiste a qualquer mulher de decepar a si mesma uma perna, um braço, ou mesmo a própria cabeça, pois que não existem de facto quaisquer dúvidas a respeito, é fazerem o favor e deceparem-zi-a à vontade. Enfim, foi qualquer coisa deste género, como se vê sem absolutamente nada de ofensivo ou desprestigiante seja para quem for.

Qual não é a minha surpresa, porém, quando verifico hoje terem essas parcas observações sido liminarmente apagadas. Ora, isto é muito estranho, de mais a mais em se tratando de um blog pois que cheio de pinta esquerdista, pois que por suposto muito amigo dos pobrezinhos, e assim, militantemente pró-aborto, calculo que bué de anti-americano, anti-bushista, etc. e tal. A coisa apenas poderá ter resultado de lapso técnico, não posso crer em algo diferente. Pode lá ser, uma coisa dessas! Onde já se viu, os camaradas a apagar aquilo que não lhes convém?! Mas desde quando?

Terá existido lapso técnico, pois sim, isso é que não oferece qualquer dúvida. E daqui se lança, por conseguinte, o apelo: alguém seria capaz de recuperar aquele meu humilde comentário?

Seria uma obra de caridade, meritória mesmo, que alguém o resgatasse das profundas do inferno cibernético em que certamente terá caído por engano; e que depois fizesse o favor de o remeter para o e-mail dos camaradas, que já devem andar aflitos, coitados, à procura do dito, não vá alguém mais maldoso pensar que eles apagaram aquilo porque não lhes agradava ou, quem sabe, ele há gente para tudo, que fazem censura lá no boteco, cruz, credo, longe vá o agoiro.

Agradecimentos antecipados, penhorados e eminentemente prá-frentex.

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08/01/07

Melhor comentário blogosférico 2006

O júri de Viseu dá 10 pontos ao rapaz do "Foda-se" e 8 ao golfinho ubíquo.
Comentário de: Rita Soares
link: http://aspirinab.weblog.com.pt/2006/12/o_discurso_de_aceitacao_mais_t.html#comment-595950


É favor dirigir-se ao nosso caixa, a fim de receber o seu prémio (20 pontos).


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23/12/06

Bom Natal para...



... a Manuela, algures no Canadá
... o Edgar, no Recife, Brasil
...

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18/12/06

O pó é fodido

Como ele é ver para crer, fui ver o que se diz por aí sobre a entrevista do MEC no DN da última 6ª Feira. Diz-se pouca coisa. Assim de repente, encontrei isto:

Miguel Esteves Cardoso é um dos nossos grandes valores e está arredado da TV e da rádio. Temo-lo semanalmente na revista Única do Expresso mas não basta.
Mar Cáustico

"Arredado"? Fónix. E quem é que foi o malandro que o "arredou", a nosso Professor Doutor? Ou terá sido ele mesmo a "arredar-se" a si próprio?

Mas alguém sabia que o homem aviava três garrafas de Vodka por dia, só por desfastio, mais umas quantas litradas de tudo quanto é bebível e mete graduação? Caramba, era só eu, no país inteiro, o único ceguinho que não fazia a mais pequena ideia de tal coisa? E sobre a cocaína? Também toda a gente já sabia? Caralho! Eu cá não fazia a mínima!

E, no fim de contas, mas o que raio terei eu a ver como assunto? Hem, ó caramelo: mas quem te julgas tu para estares agora a debitar lições de moral às pessoas de bem? Quem és tu para recriminar seja quem for, e de mais a mais em se tratando de tão eminente cachola? Hã? Dize.

Pois, 'tá bem, eu digo. É uma traição. Ora aí está. Uma estuporada de uma traição, é o que é. Acho que já por mais de uma vez aqui escrevi coisas como "Miguel Esteves Cardoso é, sem sombra de dúvida, o melhor cronista português vivo"; escrevi e disse-o, repetidamente, em conversas de café e coisas assim, com a maior displicência, convencido até à medula da infalibilidade de tão radical juízo. É claro que, se ao menos a mais leve suspeita alguma vez tivesse aflorado ao meu desgraçadamente ingénuo espírito, nunca, mas nunca por nunca, teria proferido ou despachado tais sentenças. E atão porquê, perguntareis vós, ó espíritos das sombras. Mas, atão, responderei meio abananado, mas não se está mesmo a ver?

Claro que é indecente responder a uma questão com uma pergunta, porém essa contém a resposta quase toda e abre caminho a mais umas quantas: o MEC metido na coca? O MEC, o "nosso" MEC, a snifar por uma nota de 200? Que enfarde umas grades de bebidas espirituosas todos os dias, vá lá, enfim, não sabia mas pronto, seria talvez daí que lhe vinham as tiradas não menos espirituosas; agora andar agarrado ao pó, pelos vistos desde há décadas, e "meter" toda a sorte de drogas ("menos haxixe e heroína", segundo diz), foda-se, tenham lá paciência, santinhos, isso não! Para trás, Satanás! Mas o que caralho vem a ser isso, não me dirão? Afinal aquela verve toda andava a "pitroil" e carburava à base de anfetaminas e opiáceos? Então e é este o gajo todo contentinho com a maravilha que Portugal é, e o nosso clima, ó que grande clima, e que as coisas aqui até funcionam que é um espanto, e tal e tal? Bem, mas não seria esse contentamento, esse orgulho patriótico, essa alegria ufana e vagamente contagiante, um simples subproduto da moca permanente? Não andaria ele todo feliz, radiante, não apenas porque nunca lhe faltou nada (coisa com a qual, esta, de facto ninguém tem nada a ver), mas principalmente derivado ao facto de estar constantemente pedrado?

Mas a traição não reside na etiologia clínica da questão; é mais na enologia; não se trata propriamente do seu carácter claramente ilícito, mas na sua total, absoluta, absurda impunidade: coisas que fariam corar de vergonha qualquer bacano das Marianas ou do Casal Ventoso são escarrapachadas na praça pública, num meio de comunicação nacional, não apenas às claras, pois perfeitamente, mas também - e isso é que é grave - veiculadas por uma figura pública, um privilegiado notório, alguém que representa (de alguma forma, e quer queira quer não) um modelo para franjas significativas da intelectualidade nacional. A imagem que esta figura passa é clara e transparente: eu sou Fulano De Tal, como bem sabeis vós outros, aí em baixo, sou podre de rico, sempre fui, e sou tão feliz que até enerva, e sou assim, numa palavra, o maior, porque fiz durante quase toda a minha vida uma dieta rigorosa de Vodka e de cocaína. As drogas, o álcool, o enfardanço absolutamente alarve e sistemático de tudo e mais alguma coisa, a grande farra como modo de vida aparece agora branqueado (para condizer com as substâncias), promovido a valor existencial e a fim em si. Diz o rapaz que tem muita pena de ter fodido o fígado todo, e que o erro é que devia ter, ao longo de anos e anos, mandado abaixo não três mas apenas uma garrafa de vodka diariamente; ou seja, uma litrada é que deve ser, nada de exageros, por conseguinte; e pressupõe-se, assim sendo, que lá isso da coca é brincadeira, não faz mal nenhum, só uns fiozinhos de sangue a pingar do nariz, e assim.

A traição não consiste, ou não se deve, propriamente, ao facto de o MEC fazer propaganda às substâncias tóxicas enquanto receita para o sucesso. Claro que é isso mesmo que a juventude irá pensar, olha, vês este gajo, emborcou e meteu tudo quanto há e é o maior, o verdadeiro pintas; mas ninguém poderá culpar o ídolo, a referência, por qualquer hipotética imbecilidade que as suas palavras possam provocar em cabecinhas mais empoeiradas. Não é traição, sequer, por o fodidíssimo autor não mostrar nunca o mais leve arrependimento e, pior ainda, apresentar os seus vícios vários como algo de "giro", como sendo "coisas com imensa piada, ahahah, távê-távê-távêre"; isso que se foda, assim com'ássim. Também não é traição o facto de o caramelo ter hoje tudo, como sempre teve, nunca lhe faltou nada e mesmo assim ainda achava que era pouco; que se dane o facto de, mesmo não havendo qualquer diferença técnica entre este janado e um qualquer pobre diabo que anda a arrumar carros, o mesmo janado não ser considerado tão marginal quanto o outro; como não tem qualquer espécie de necessidade para se manter pedrado e, portanto, não é forçado a assaltar casas e pessoas, deixa de ser ladrão e assaltante e meliante, passa à condição de grande cachola, esperto que nem um alho, supra-sumo da intelectualidade. Pois, afinal não assaltava ninguém na via pública, não roubava sequer carteiras, mas atacava por escrito, desancava com extrema violência qualquer figura pública, usava figuras de estilo destiladas com ácido, esgrimia argumentos sacados em plena alucinação; afinal, qual génio nem meio génio, o homem era apenas especialista em psicotrópicos, era um génio alucinogénio. "A Causa das Coisas", pelos vistos, foi por causa das coisas que ele andava a meter. Se "O Amor é Fodido", coisa que já se sabia, o pó é muitíssimo mais estuporado, ficamos agora mesmo a saber.

Findemos, pois. A traição consiste nisto: eu cá não sabia. E, porque não sabia, lia o que o gajo escrevia; gostava do que lia; recomendava aquela merda, caralhosmafodam. Já se sabe que não há nada a perdoar a um imbecil daquele calibre, mas eu cá a mim é que não me perdoo. Foda-se. Eu que me vá encher de moscas. Burro do caralho. E como diabo foi possível nem sequer ter desconfiado? Caramba, agora vejo, vejo tudo, fez-se luz finalmente nesta cabecinha de alho chocho: "em Portugal, as coisas funcionam" significa, em metalinguagem atestada de octanagem, "ena, meu, tou c'uma moca que vejo tudo a andar à roda, isto é tudo lindo, pá, olha só, que bela posta de pescada, esta lata de atum, hmmm, ó maravilha das maravilhas"; frases lapidares, que o recém-adquirido pudor me impede de citar, provinham da bonomia, da calma extrema, da paulada na cabeça sacramental que é, por definição e beatitude, a atitude e a condição de qualquer tipo que se emborrache meticulosamente; para a produção em massa de joguinhos de palavras, e artistices que tais, quaisquer duas ou três snifadelas bastariam, ao menos por umas quantas horas; como preparação para as entrevistas, ou para aparições públicas em geral, aquilo era meter uns quantos speeds e empinar umas dúzias de citações cheias de pinta; juntamente com a bagagem cultural da ordem, além dos canudos académicos, seria então conveniente não esquecer a outra bagagem, os sacos do pó, as caixas de comprimidos, as garrafinhas de pomada e em especial os frasquinhos de lança-perfume.

Tudo nos melhores dos mundos, e com tudo do melhor. Muito contente consigo mesmo, entupido de sucesso editorial, de sucesso existencial e de sucesso em geral, aconteceu um dia ter o MEC esquecido a sua pessoa algures; talvez metida em algum canto escuro, talvez perdida enquanto procurava a própria sombra, ninguém sabe ao certo o que se passou. O que é certo, isso sim, é que essa pessoa não faz já falta alguma a ninguém. Nem sequer ao próprio MEC ou, pelo menos, àquilo em que se transformou.

Joana, querida, chega-me daí os fósforos, please.

Thank you.



Este post tem direito a post scriptum

Um blog "que dá pelo nome de" A Invenção de Morel publicou a entrevista na íntegra. Ó prós comentários às bojardas do MEC, ó:

Uma entrevista extraordinária. Parabéns!!!
Posted by: Matilde Rocha | dezembro 21, 2006 01:37 PM

uma entrevista ilucidativa de um estado de espirito sábio. pena, que primeiro tivesse que passar pelos exageros para chegar a esta conclusão!
é interessante este Miguel Esteves Cardoso!
Posted by: ana maria costa | dezembro 21, 2006 02:42 PM

Que máximo, adorei!
Fiquei cheia de esperança de chegar aos cinquenta anos assim, a saber ainda melhor aproveitar o bom que viver nos dá.
E também fiquei cheia de vontade de comer laranjas...
Posted by: Li2 | dezembro 21, 2006 02:44 PM


Algumas perplexidades, porém, contudo, no entanto, e dúvidas a bem dizer.
a) A quem endereçará sua Matilde seus parabéns? Ao autor da transcrição? Terá sido este o "extraordinário" autor de tão "extraordinária" conversinha?
b) Fez muito bem sua Ana Maria em inventar um novo adjectivo para qualificar a entrevista; de facto, "ilucidativa", a julgar pelo prefixo de negação, é o contrário de elucidativa. Admiradora certamente feroz de son mec, pois não terá lido muitas coisas na vida, nem sequer de seu "sábio" estado de "espirito". Mas, vá lá, conseguiu redigir o nome de son mec sem erros, esta Maria.
c) Li2, de sua graça, confessa que ficou de apetites às laranjas; mas não seria antes aos limões? É mais adequado para fazer os caldos, certo? E tem muita vitamina C...

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16/12/06

Notepad

Os segredos são como os cromos: há os ruins e há os repetidos, que não têm qualquer valor.

O "amor à camisola" ganha outro sainete e outra mística quando esta tem os seguintes dizeres: "Banco Espírito Santo".

A sanha anti-tabágica é de tal forma... assanhada, que ainda havemos de assistir à proibição do "smoking" como traje de gala; e então o mais correcto será levar um fato de risquinhas para qualquer merda de mais cerimónia.

Os condenados à morte vão ter de prescindir do cigarro, como último desejo; agora terão de escolher coisas mais saudáveis, como mascar uma última pastilha-elástica ou beber um último copinho de leite morno, por exemplo. Presume-se que muitos preferirão de imediato o tiro nos cornos.

Há duas espécies de militante anti-aborto: aquele que sabe do que fala e o que finge que não sabe.

Se um grupo de estudantes comer à grande e à francesa, num restaurante, terá direito a não pagar a conta alegando que "não pagamos, não pagamos"?

Quando não gosto de ti, isso quer dizer que não gosto de ti ou apenas que gosto, sim, mas só às vezes?

Existe uma grande diferença entre ser e não ser: depende.

Antigamente, era muito mais fácil e divertido ser engraçado; agora, não apenas é necessário conhecer alguém influente, como ter piada também ajuda.

Qual é o cúmulo do esquecimento? Não me lembro.

O sucesso do poeta varia na razão inversa da sua capacidade gramatical e na directa da sua tolerância ao álcool.

O MEC não passa, afinal, de um gajo "janado", alcoólico e pateta alegre. Foda-se. O cronismo está de luto por causa não de uma mas de três doenças crónicas.

Sempre que me sinto cansado, muito cansado, ponho-me a dormir. Quando estou a cair de sono, mas mesmo exausto, não consigo adormecer. Há aqui alguma coisa que me ultrapassa.

A mulher mais bonita, mais inteligente, mais brilhante e boazona que tive a oportunidade de conhecer, em toda a minha vida, agora é um caco ambulante. Isto deve querer dizer alguma coisa. Investigar os termos "caco", "ambulante" e "boazona".

Todos somos filhos de Deus, mas isso é só em princípio.

Se um ditado popular é a verdadeira voz do povo, será que afinal o povo de vez em quando acerta? Ou deve-se cagar pura e simplesmente para essas coisas, em podendo?

Quando me dói a alma, será certamente porque algo me magoou seriamente. Quando me dói a barriga também, ou isso "é mais bolos"?

Ouve, vou dizer-te uma coisa muito séria: uma coisa muito séria. Topas?

Como se costuma dizer, perguntar não ofende. Mas se eu perguntar, por exemplo, "olha lá, tu és algum filho-da-puta, ou quê", isso ofende ou não ofende? Ah, não? Tá bem.

Epitáfio de Manoel de Oliveira: Cine Qua Non (Cinema Assim, Não).

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25/11/06

E quê?

----- Original Message -----
Sent: Friday, November 24, 2006 4:11 PM
Subject: conversas de café


Partindo de uma ideia original de Luis Carmelo (blogue miniscente) e tendo eu sugerido ao mesmo as entrevistas a bloggers, resolvi trazer ao Kontrastes - sem nunca esquecer a originalidade de Luis Carmelo - uma edição chamada "conversas de café".Agradeço a cooperação através da resposta às perguntas.

1. Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenómeno «blogue»?
2. Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?
3. O que o levou a criar um blogue?
4. Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?
5. Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?
6. Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?
7. O que faz um bom blogue?

Por favor indicar nome, idade, profissão e blogue. Será informado(a) da publicação da conversa.
cumprimentos,
JFD
www.kontraste.wordpress.com





E enviam uma coisa destas para mim? E logo eu, membro fundador dos A.A. (Anónimos Assumidos)!? Thank's but no, thank's. E, para mais, eu é que sou o Prusidente do movimento B.O.I. (Blogs Olimpicamente Ignorados). Nope. E afinal ele é logo nome, idade, profissão e blogue? E bem, respectivamente, chamo-me Dodo (Doudo, em Português arcaico), tenho 1.728.437 anos, exerço a actividade de ave pernalta extinta, meio tola, grã(de) bico, e o mê "belogue" é este aqui mesmo, endereço http://001.blogspot.com, não tem nada que enganar.

E era só para dizer que não respondo a um inquérito deste género desde os meus tempos de Liceu. E que naquela altura só respondia porque me interessavam as mamas das gajas que os faziam, e coitadinhas. E que aquilo era tudo perguntas inteligentes, como "o que achas do significado da vida" ou "o que farias se tivesses um filho homossexual" ou ainda "consideras o haxixe prejudicial à saúde", e tal, e tal, e assim. E não eram assim tão parvas, as perguntas. E eu respondia, repito, apenas e só derivado às mamas. E para dizer que duvido que esse tal Carmelo tenha mamas e, mesmo que as tenha, é um gajo, ora foda-se, e o gajo Kontrastante deve ser outro gajo, e ora foda-se outra vez. E que, se porventura não tiraram o meu endereço de e-mail ao acaso, por criteriosa escolha "random", fariam o favor de o deixar muito sossegadinho onde ele estava, e que era na santa paz da ignorância, no paraíso da extinção, nas franjas, enfim, da mais repimpada inutilidade .

E pronto. E tchau.

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15/11/06

Foda-se

Este Blogger.com, oh o caralho que os foda, eh a maior merda que existe. Eh uma merda ou, como se diz em linguagem politicamente correcta, eh uma merda, uma merda, uma merda. Acho que me vou pirar daqui pra fora; que os pariu. Escrever nesta coisa eh como bater uma punheta num autocarro apinhado de gente: naum se pode, prontes. Eh como o menino Jesus, lah dizia o Pai Natal do Herman, ou estah deitado ou estah estendido, ou estah estendido ou estah deitado; quer-se dezer, ou naum funciona ou funciona mal, das duas uma. Preview, nehpia. WYSIWYG, ou isso, nestum. A gente faz "enter" e fica definitivamente dependurada, isto naum tuge nem muge. Caralhosmafodam. Desapareceram os acentos, fica prahqui uma chinesice do caralho, e jah gozas, isto eh quando se pode escrever, mesmo sem a merdice dos diacrihticos, oh o cacete. Mas ninguehm os manda foder por uma vez, naum?
Ok. Mando eu.

Oh Blogger.com, pah: vai-te foder.


Ahhhh. Jah me sinto melhorzinho.

A porra toda eh que mesmo assim naum dah para escrever coisa nenhuma. Este Blogger.com, oh o caralho que os foda...

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Mas o que caralho vem a ser isto?

----- Original Message -----
Sent: Wednesday, November 15, 2006 3:50 PM
Subject: Estás lixado pá...

 Em relação ao post "email umbiguista" de há um ano. Nem sei se continua a escrever no 001, mas se não quer ser lido, escreva mal, escreva pior, tente mesmo não dizer nada de jeito e por favor não refira outros blogues. Principalmente se os outros blogues forem bons quando assim o diz e maus quando deles goza. De qualquer outra maneira um gajo dá-lhe o beneficio da dúvida e continua a papar com a sua conversazinha da treta. Sem mais assunto, toma lá a proverbial pancadinha no ombro, que os sacanas são mesmo para as ocasiões. E fica bem que não deixo a coisa por menos. 


Hem? Que porra é esta? Huguinho? Zezinho? Luisinho?
Anyone?
Quac! Quac!!!

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07/11/06

Um blog do século XVIII


21 de Junho de 1774
(...)
Acontece com a distância o mesmo que com o futuro. Cobre-nos a alma uma enorme escuridão; o pensamento mergulha nela e ilude-se como o nosso olhar; sentimos o desejo ardente de sacrificar toda a existência, para nos absorvermos, com inefável alegria, no sentimento do infinito! Mas... quando lá chegamos, quando o longínquo se aproxima de nós, tudo nos aparece no mesmo estado; conservamo-nos em igual miséria; rodeia-nos idêntica tristeza e a nossa alma sedenta suspira baldadamente o bálsamo pela aventura que acaba de lhe fugir.

É talvez deste modo que o viajante suspira pela sua pátria e encontra no seu lar, nos carinhos da esposa, nas carícias dos filhos e nos cuidados exigidos pela sua conservação esse encanto de alma que debalde procurava neste vasto universo.

Ao nascer do sol, quando me dirijo ao meu querido Wahlheim e, chegando à horta da hospedaria, eu próprio vou apanhar tenras ervilhas, sentando-me a um canto, a descascá-las e a ler ao mesmo tempo o meu Homero; quando, depois, vou buscar à cozinha uma caçarola e manteiga, pondo as ervilhas ao lume, conservando-me atento para as mexer de quando em quando, compreendo então os altivos, os soberbos adoradores de Penélope, que não se desdouravam de matar por suas próprias mãos para os esquartejar e assar os bois e os cevados. Não há coisa alguma que me inspire um sentimento mais suave e verdadeiro do que esses hábitos patriarcais, de que a minha vida é, graças a Deus, tão felizmente entremeada.

Sinto-me orgulhoso por ver que possuo um coração capaz de sentir essa inocente alegria do homem que põe sobre a mesa a couve que ele próprio semeou, e que não só goza de vê-la, como também recorda ao mesmo tempo os belos dias que passou a tratá-la, a linda manhã em que a plantou, as amenas tardes em que a regou e, finalmente, o prazer que sentiu de a ver crescer e engrossar!

Johann Wolfgang von Goethe
Werther

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06/11/06

Olha que bem, que bem, que bem, mas que bem. Quem será este chavalo? Bem, não interessa.


podem crer que eu vou continuar a falar de mim

sou diletante, sim, portanto, por gosto e por tão pouco. e tenho, sim, sinto, tenho uma pontinha de génio espreitando pela carcela. que quando perdes a paciência o destino óbvio é a solidão. porque sou um gajo de embrulhos e de imbróglios. porque decidi que quando morrer quero uma lápide com a seguinte inscrição: aqui jaz um homem bom. deus não o protegeu porque não o viu. porque gosto que dês a boca ao manifesto. porque o abocanhas com a tranquilidade de quem lê um livro. porque sou um homem de frases soltas. de barba por cortar e cabelos em desalinho. porque por vezes tiveste crises de febre aftosa. porque gosto de te dar com o ferro, ó anémica. porque é com todo o carinho que te violo. porque quando o dia morre a cidade morre e que bom que é então ressuscitar para ti. por isso aqui estou, em carne e desejo, em delírio e absoluto.

Azeite&Azia

(Mas faria muita diferença utilizar maiúsculas iniciais?)

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18/10/06

Wikimérdia e lusocacofonia

Em Outobro de 2004, a Corel comproui a Jasc Software, desenvolvedora desse programa de edição de gráficos bitmap de baixo custo.

Não foi a imperatriz mais nova da historia mais ainda assim não se sentia pronta quando assumiu aos 14 anos assumiu o trono de seu planeta natal Naboo.Teve un dos reinados mais memoraveis daquele belo e exotico planeta.

a partir de: 108.000.000apartir de: 878.000
assenta-lhe: 546acenta-lhe: 166
um dos que foram: 354um dos que foi: 250
aqui há tempos: 14.800aqui há atrasado: 151
eu estive a pensar: 100eu tive a pensar: 73
com certeza: 8.900.000concerteza: 440.000
há que tempos: 16.700à que tempos: 455
asterisco: 3.870.000asterístico: 877
sempre mantive: 9.640sempre manti: 218
possíveis e imagináveis: 30.200possíveis e imaginárias: 990

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30/09/06

Restaurador Alex

Alguém sabe o que foi feito de nosso Alexandre Monteiro? Anda desaparecido aqui das lides, esse ícone das belas-artes subaquáticas e de outras coisas igualmente belas, como as postas de pescada e a rica saudinha. Segundo testemunho do próprio, diz que se estampou de bicicleta, uma desgraceira, um joelho escangalhado, baixou-se-lhe drasticamente o nível de colesterol, braço ao peito e assim, toda a sorte de azares.

O facto é que já temos, falo por mim, saudades daquela escrita muitíssimo bem esgalhada, daquele humor poético subtil que, de tão concentrado, proporciona sessões de riso genuíno, gargalhante, de ir às lágrimas. Muito provavelmente, lá estará agora com a perna engessada, o joelho preso por arames, suprema ironia sem piada alguma agora esta, o dorido braço ao dependuro, umas quantas futuras cicatrizes tapadas com band-aids e pachos. Tem sua pitada, seu chic, esta situação de uma pessoa que a si mesma se coloca no arame, e sem rede, estar agora preso por arames, compelido a quando muito teclar com um dedo apenas suas mais profundas reflexões em aramaico, essa giríssima língua característica. E é pena que tal suceda, maldita sucata que se lhe não arredou do caminho, privando-nos assim, falo por mim, não sei se já tinha dito, das ditas profundidades e da também já referida piada quando o lemos aos matrecos da escrita em verso, a rima branca mas extremamente colorida. Claro que não se entende nada dos jogos de palavras com os quais desde há muito faz o favor de brindar o respeitável público, aquilo é tudo para alminhas superiores, iniciados em Joyce ou especialistas em cruzadismo, mas, admitamos e reforcemos, a coisa é impagável e faz cá muita falta; releve-se a maniazinha da saúde, essa ingrata - como agora se constata - deusa dos tempos modernos, e vá lá, para os mais agarrados ao vício, dê-se de barato o anti-tabagismo atávico do prestigiado autor, porém teremos de constatar por fim a tremenda lacuna blogosférica que representa semelhante, aborrecidíssima, tão sentida e prolongada ausência.

Pelo que todos os sinceros desejos de rápido e feliz regresso nunca serão demasiados, e aqui desde já aqui se proferem convictamente, na expectativa de que ecoem em conformidade por essa aldeia global fora, essa mesma que esquece em dois ou três dias os seus maiores e também seus maiorais assim que dá a estes e àqueles por azar qualquer travadinha. Ou seja, em duas palavras, as melhoras.

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29/09/06

E não se pode interná-lo?

Esta espécie de arrastadeira soviética veio, mais uma vez, partilhar sua esplendorosa verve com nosotros, os fasssistas. Cuspilhando adjectivo imbecil atrás de adjectivo cretino, nosso comunistóide esquisitíssimo constrói de raiz mais uma espantosa teoria da conspiração: afinal não foi Oliver Stone, o autor de películas Yankee mais amigo dos pobrezinhos, quem realizou o filme "11 de Setembro"; não senhora; quem fez essa retinta merda, esse miserável panfleto de propaganda bushista, foi nada mais nada menos do que a própria Casa Branca, assessorada pelos prestimosos serviços de uma caterva de serviços (secretos) imperialistas. O resto é tanga, não vale um caracol: pode lá ser, ora foda-se, que o camarada Oliver, Oliverinha para os amigos, tenha feito tal cagada! Mas como caralho é que aquilo é tudo sobre a América, os Estados Unidos da América, que horror, e sobre americanos e coisas americanas? Pois então, mas não se está mesmo a ver que um filme sobre o 11 de Setembro devia versar a "problemática" da pobreza em geral e da opressão capitalista em particular? Não há filme de jeito sobre o 911 que possa dispensar as fantásticas imagens da extraordinária vidinha dos árabes, esses perseguidos, essas vítimas do capitalismo; agora cá merdices de americanos a morrer nas putas das torres gémeas, bem, que se foda essa merda! Claro que se vê logo, qual é a dúvida? Fantochada, ou o caralho que os foda, ah, pois é, a mim (a ele) não enganam vocêzes, seus fasssistas. Isto é o chavalo a pensar, claro, porque às vezes o chavalo até pensa umas coisas, recauchutadas, é verdade, mas prontos, lá que debita, pois debita.

Este triste, este deprimente espécime de primata, verdadeiro exemplar museológico de hommo sovieticus, essa espécie de assassinos que se julgava extinta, à imagem e semelhança do velociraptor, circula ainda por aí, não apenas pespegando suas bojardas lá no blogzito dele como vomitando aleivosias - do mais mentecapto, do mais estalinista que imaginar se possa - em jornais nacionais e em programas de rádio e de televisão não menos.

E não se pode ao menos interná-lo, a esse grandessíssimo PCP de um FDP?




(Texto não revisto ou sequer corrigido automaticamente; tarefa demasiado penosa, para não dizer nojenta, mesmo para um simples e honesto corrector autográfico, tão abjecto é o sujeito.)

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31/08/06

100 razões 100 razão alguma, 100 1 mínimo de coerência e 100 corar

É difícil fazer cartéis na blogosfera.

in Dossier Blogosfera, revista Psicologia Actual, Agosto 2006, pág. 46

 

É lá agora. Esse Dossier Blogosfera foi produzido por um dos cartéis mais conhecidos e mais antigos da tal blogosfera; isto é um facto; outra coisa será calcular o grau de dificuldade que interferiu na sua formação, coisa que apenas interessará aos próprios.

Sabe qualquer pessoa que escreva umas coisinhas num blog, conhece perfeitamente, quem são as pessoas que produzem "dossiers" e "estudos" deste género; topa-se-lhes nitidamente o linguajar comum, pretensamente técnico e forçosamente aportuguesado - blogosfera, blogue, blogar, bloguer, e assim por diante com todos os neologismos originalmente anglófonos conexos. Toda a gente conhece também os blogs que os elementos deste cartel produzem, bem como os seus rituais de comunicação, os seus hábitos de bajulação mútua, as suas atávicas retaliações a quem lhes não presta nem vassalagem nem para nada; alguns, assim mais para o desalinhado, conhecem por experiência própria as redes de informação e de informadores deste cartel, aquele arremedo de polícia de costumes virtual que "não permite" o anonimato, "não aceita" o desvio em relação à norma por eles estabelecida, abomina a independência e, em especial, o atrevimento de quem se está rigorosamente nas tintas para a querida "blogosfera" - essa coisa que autores e apaniguados doutamente apelidam de coutada, terreno de caça, feira franca de vaidades, panteão de mediocridades.

Se bem que, no caso daquele "dossier", e de resto como acontece amiúde, o cartel tenha convidado dois elementos (aparentemente) estranhos ao grupo, assim a modos que para abrilhantar a parada, a uniformidade, a conformidade e o monolitismo das "opiniões" expressas são de tal forma evidentes que bem podemos concluir - sem qualquer risco de falhar no juízo - que todos os textos do "dossier" poderiam ter sido escritos pela mesma pessoa: "visões" e "perspectivas" a papel químico, ou viródisco e tocómesmo em versão "postada", tratando o "fenómeno bloguístico" com pinças politicamente correctas e com o cuidado, muito cuidadinho, típico de quem protege os "seus" e, principalmente, o seu.

Para o leitor mais desatento, ou inexperiente, ou simplesmente estúpido, da leitura deste "dossier" resulta um pote cheio de nada e uma pipa atestada de coisa nenhuma, mesmo exceptuando os erros de Português (outro traço comum) e o chorrilho de lugares-comuns. Para alguém que, por mero acaso, tenha aterrado pela primeira vez nesta coisa dos blogs através da leitura de tal documento, o acervo de impressões resultantes não andará muito longe do seguinte binómio: primum, a "blogosfera" é um saco de gatos, com gatas assanhadas à mistura, e ainda uns quantos milhares de vespas assassinas; secundum, se, para criar um blog, é preciso ir ao Sapo, então criar um blog deve ser a maior trapalhada do mundo. De resto, esta paixão pelo Sapo, este amor virtualmente batráquio, é outro traço de identidade dos elementos do cartel; é que nem sequer disfarçam nadinha: quer-se um blog? É aqui, ó, no Sapo, pois claro; não há e nem se fala em mais nada.

 Pessoalmente, no entanto, recolhi um ensinamento da leitura do "dossier" que, embora não exactamente inesperado, me deixou um bocadinho fodido: é que o meu blog não existe. Ora merda. Eu sabia, mas ainda muito pouca gente se tinha apercebido disso; vai-se a ver, os gajos descobrem-me a careca, e o bico, e as asas mirradas. Truz-truz, já está: o meu blog não é de adolescentes, nem babyblog (porque não terão traduzido esta?), nem (só) de opinião, nem diário pessoal, nem de engate, nem de "registo de um processo", nem (só) político, nem colectivo, nem temático (?), nem panegírico (??), nem humorístico, nem dos "que nos obrigam a pensar" (???), nem sequer "antecâmara da impressão" (quarenta pontos de interrogação). Pois é, ó que grande tristeza, se eles dizem, a páginas 61 e 62, que estes são os tipos de blogs que existem, e se o meu blog não encaixa em nenhum dos tipos, porra, porra, porra, está visto, então o meu blog não existe. Com essa bem me foderam, cambada de bufos.

Mas enfim, ele há ali pérolas ou, como dizia nosso Eça, há ali talento, muito talento. Assim de repente não me recordo com exactidão de nenhuma daquelas excreções, exceptuando a do incipit lá em cima, mas fiquei sinceramente convencido de que, procurando bem, espiolhando como deve de ser, há-de haver lá qualquer coisinha mais jeitosa. É tudo uma questão de paciência.

 

 

Cenas dos próximos capítulos: os cães anarquistas vão outra vez ser atirados às canelas do artista; o artista espeta-lhes umas pauladas no focinho; tunga, tunga, tunga, kaim, kaim, kaim; como irão eles fazer o curativo? Será que D. Xica vai recompensar o bóbi? Ou irá açular o mastim contra outra pessoa, para se vingar à séria?
Não perca. É já a seguir.

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03/08/06

O Sol aos quadradinhos

O China adora poesia (Florbela e Pessoa). O nosso fiel jardineiro tem um encanto natural por rosas, gardénias e orquídeas, e o tal preto de 120 quilos não passa um dia que não oiça acústica musical afro-qualquer-coisa onde o djembê é prato do dia. Isto sem falar do Três tiros (Ópera), do Arrebenta (Teatro), ou eu próprio que me apaixono facilmente da literatura pelos clássicos portugueses.


Zé "Prisas" Amaral
EPL (Estabelecimento Prisional de Lisboa)
Memórias do Cárcere

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