Lá lá lá Bzzz Bzzz
«Um em cada oito homens estaria disposto a trocar a namorada por um iPod
Um em cada oito homens diz estar disposto a trocar a namorada por um dispositivo electrónico de um certo valor, como um iPod, revela uma pesquisa pouco usual da Gfk Nop(*), empresa de estudos de mercado. Mas não são apenas os homens que têm pouca estima pelas suas caras-metade. As mulheres também não estão convencidas do valor dos seus namorados, já que 6% das inquiridas trocavam o seu par por um equipamento de cinema em casa. Segundo o jornal El Mundo, esta conclusão não é de estranhar, já que o estudo afirma que o home cinema é útil, não incomoda, não deixa migalhas no sofá e funciona sempre que se pede carregando num botão, ao contrário de muitos homens.»
Diário de Notícias de hoje, suplemento de Economia, página 24
(*) No original, as letras estão trocadas
Caramba, quem me dera escrever assim, ter esta piada, este humor subtil. É de facto brilhante, convenhamos. E isto num muito sério e compenetrado suplemento de economia, note-se, com o acréscimo de credibilidade conferido pelo prestígio internacional da empresa de estudos de mercado Gfk Nop.
Os resultados não são nada surpreendentes, mas vê-los assim escarrapachados num jornal de grande circulação é que sim, e de que maneira. Com uma pequena objecção, no entanto: certamente não foram mostradas às inquiridas as mais recentes engenhocas na área dos Ipods; é que agora há uns, muito maneirinhos, ao que dizem as felizardas que já experimentaram, com formatos mais para o oblongo e que podem vibrar a velocidade regulável. Portanto, quando as respondentes responderam que trocariam o namorado (ou o marido, presume-se) por um home cinema, isso apenas se ficou a dever a uma certa dose de ignorância, visto os novos iPods com vibrador incorporado ainda não estarem suficientemente divulgados; certamente, houvesse já disso à venda em qualquer loja especializada, a percentagem daquelas que efectuariam a troca sem pestanejar subiria dos 6 para os 60%. Qual home cinema nem meio home cinema. Dêem-lhes um brinquedo desses, o verdadeiro quatro em um, telefone, música, e-mail e vibrador, a ver quantas não empontariam imediatamente o respectivo.
Aliás, este novo gadget reune as quatro vertentes principais da mulher que se quer moderna, ou seja, tagarelar, abanar o capacete, enviar mensagens e bater umas pívias. Como aquela merda traz jogos e mais uma data de extras, os mais caros até televisão têm, imagine-se o consolo absoluto, a paz de espírito e a alegria intrínseca, concentrados num único aparelhómetro, que seriam proporcionados ao carácter feminino de uma única assentada . Qual é a gaja que não prefere uma coisa daquelas a um banana qualquer? E quem diz um banana, diz dois ou três, claro. Para que precisam elas de um gajo, quando o aparelho faz o mesmo efeito, no essencial, ou ainda melhor, e ainda por cima não chateia nem um bocadinho? Aquilo é só mudar as pilhas ou pôr a bateria a carregar de vez em quando, e pronto, está feito: é só disfrute, não há cá arrufos, nem discussões, nem chatices de espécie alguma, e tudo a custos perfeitamente irrisórios.
E depois há as combinações possíveis, como por exemplo, isso para uma mulher deve ser o delírio total, conversar com um auricular (iPhone), enquanto ouve o Júlio Iglesias com outro (iPod) e, ao mesmo tempo, liga a vibração e introduz o aparelho ou faz com ele uma festinhas onde mais interessa (iPhode, modernamente iFod). Bolas, aquilo até dá para enviar mensagens em directo, sms genuinamente vaginais, correio electrónico directamente da parreca para a caixa de entrada do destinatário; não há qualquer risco, são à prova de fluidos e trazem vários "skins" (revestimentos) que se podem trocar, uns com piquinhos, outros com anéis, e às cores e assim.
O que é preciso é que a indústria e a tecnologia se aproximem cada vez mais daquilo que são as reais necessidades do mercado, e para isso há que atender primeiramente às urgências dos consumidores, neste caso consumidoras: o iPod com vibrador é uma primeira e muito eficaz resposta, àquelas e a estas, abrindo desde já caminho à mais antiga das aspirações femininas, isto é, a sua completa, total, absoluta emancipação.









