Português snave
Só agora reparo na polémica ingente lançada pelo Aviz, a propósito dos cigarros da marca Português Suave. Mas então, afinal, "suave" é equivalente a "light", e por isso é que tem de ser eliminado?
Ora, não brinquemos. Não sendo propriamente um especialista na matéria, parece-me óbvio que aquela marca tinha uma conotação meramente... arquitectónica! "Português Suave" designa um período da nossa História, materializado em diversas áreas, nomeadamente na arquitectura, de Raul Lino a Cassiano Branco (e seguintes).
O facto de haver centenas de mensagens a insultar o Aviz e nem uma só para esta pobre ave já extinta, comprova mais uma vez a evidência: o que os anti-tabagistas militantes pretendem é alguma causa a que se agarrarem, em vez de coisa alguma, é um pouco de notoriedade que os faça esquecer a própria irrelevância. Não lhes interessa para nada a coisa em si, o que importa é seleccionar o alvo a abater; neste caso do Aviz, é alvo mas não é para abater; os militantes da causa precisam de fumadores-figuras-públicas para que a dita pareça ser alguma coisa de sério; a única preocupação com a saúde do FJV é que ele não lhes morra e os deixe a falar sozinhos. Longe vá o agoiro.
Existe uma banda Português Suave, e pelo menos um blog, não da marca, mas com ela. A Google dá 451 resultados com o critério de busca "português suave", e ainda não foram indexadas as polémicas recentes sobre o assunto. Em absolutamente lado algum "português suave" significa "tabaco mais fraco do que os outros" ou "marca portuguesa de cigarros que não fazem mal à saúde". Ou coisa que o valha.
No fundo, aqueles cigarros - que até eram excelentes ao princípio, sem filtro - chamavam-se assim porque foi o que calhou, na altura. "Suave" não tem nada a ver com o que está lá dentro. O que diabo significa "SG"? E "filtro"? Alguma vez existiu "SG Sem Filtro"? A única marca portuguesa que alguma vez teve a ver com o conteúdo foi o Três Vintes: vinte cigarros, vinte gramas, vinte escudos (ou vinte centavos, quando foi lançado?). Tudo o mais é pura inspiração momentânea do maduro que, lá na Tabaqueira, baptizava as novas marcas; e, evidentemente, de forma puramente arbitrária, porque o que está dentro de um cigarro é apenas tabaco; no essencial, não há qualquer diferença; as diversas misturas, de diversas proveniências, é que vão fixar o travo específico de uma determinada marca, apenas reconhecível pelo fumador "gourmet". E o tabaco que está lá dentro tem tanto de "Português" como de Angolano, Moçambicano, Açoriano, Americano, Brasileiro ou Tobaguenho; as folhas são importadas de todo o mundo. E as diferentes marcas não são, salvo raras excepções, se não mais do mesmo; procuram apenas chamar a atenção e fidelizar comsumidores; se isso é legítimo ou não, ó, para quê ir mais longe, veja-se a indústria farmacêutica. Adiante.
Para mim, que sou ave e fumo (a propósito, como já estou extinto é favor não me virem cá chatear), não há nada como o belo SG Filtro. Há 30 anos, 3 maços por dia. Já morri, quero lá saber.
O que torna isto verdadeiramente irritante é a atitude de subserviência da Tabaqueira Nacional (Philip Morris): porque se rebaixam assim? Porque não mudaram o nome para algo de mais ternurento, digamos, mantendo intactas as pretensões dos fundamentalistas e, ao mesmo tempo, expondo-lhes o ridículo?
Sugestões:
Português Sou Ave
Português Snave
Português Soave
Português Su Ave
Português Suabe
Português Brutamontes
Portuguesa Suave
Português Evaus
Tudo quer dizer o mesmo, ou seja, nada.
Dodo






