Odi profanum vulgus et arceo

24/08/05

Diácono Blogger Remédios


No topo da página, na maioria dos blogs alojados na "Blogger.com", aparece uma barra de ferramentas que se chama "navigation bar" ou, abreviadamente, "navbar"; entre outras coisinhas úteis, apareceu há tempos nesta barra um botão estranho.

Este:

Aproximando o "pointer", um letreirozito diz:

Notify Blogger about objectionable content

Mas que raio?! Intrigado, fui ver para que serve a coisa, ao certo. Comecei por googlar a expressão "objectionable content". Ó diabo! Parece que a coisa começou mesmo. Deixa cá ver melhor. Vamos à fonte. O que é exactamente o botão "Flag"? O que diz a Blogger?

Diz isto:

What is the "Flag" button?
The Flag button is not censorship and it cannot be manipulated by angry mobs. Political dissent? Incendiary opinions? Just plain crazy? Bring it on.

This feature is called "Flag As Objectionable" and it's accessible via the Blogger Navbar. The "Flag?" button allows the blogging community to easily note questionable content, which in turn helps us take action when needed. So we're relying on you, the users, to be our eyes on the web, and to let us know of potential issues that are important to you.

Why We Created "Flag As Objectionable"
It is our strong belief that blogs help make the Web an important medium of self-expression; Blogger has given a voice to millions of people. Our users gossip, joke, rant, publish, share, and on occasion might post potentially objectionable stuff. We generally do not review the content posted through our service but our responsibility extends beyond Blogger users to casual readers of Blog*Spot.

The "Flag?" button is a means by which readers of Blog*Spot can help inform us about potentially questionable content, so we can prevent others from encountering such material by setting particular blogs as "unlisted." This means the blog won't be promoted on Blogger.com but will still be available on the web — we prefer to keep in mind that one person's vulgarity is another's poetry. Or something like that.

For more serious cases, such as spam blogs or sites engaging in illegal activity, we will continue to enforce our existing policies (removing content and deleting accounts when necessary).

Here's How It Works
When a person visiting a blog clicks the "Flag?" button in the Blogger Navbar, it means they believe the content of the blog may be potentially offensive or illegal. We track the number of times a blog has been flagged as objectionable and use this information to determine what action is needed. This feature allows the blogging community as a whole to identify content they deem objectionable. Have you read The Wisdom of Crowds? It's sort of like that.


Special Case for Hate Speech
When the community has voted and hate speech is identified on Blog*Spot, Google may exercise its right to place a Content Warning page in front of the blog and set it to "unlisted."

Note: users may click the "Unflag" button if they change their mind.



Ainda não acreditando lá muito, fui experimentar: abri um blog qualquer e carreguei no botão.

Apareceu outro botão:

Foi logo click nele, pimba, mas o que é isto, os gajos terão contadores de "clicadelas" destas? Haverá objectionmeter, como existe sitemeter? Será que o desgraçado autor daquele blog, o que usei para experimentar e do qual já nem me lembro, será possível que o gajo tenha ficado com cadastro de "conteúdo objectável"? Se for o caso, ficam desde já aqui escarrapachadas, por extenso, as minhas mais sinceras desculpas, mil, um milhão de desculpas. Lamento muito. Foi só para experimentar, repito. Nunca pensei que fosse possível carimbar assim o conteúdo de um blog, sem sequer ler nele uma linha, sem mesmo saber qual ele é, em concreto.

Agora espetam-se bandeirinhas nas páginas, como se fossem campas? Mas o que vem a ser isto? Se não é censura, como eles dizem, e da mais pura e dura, bom, então a censura não existe nem nunca existiu em parte alguma.

Estaremos lixados, companheiros? Há por aí muita gente que se arrepela por causa do anonimato, nisto dos blogs. Devem estar agora, os mesmos bem-pensantes, muito contentinhos da vida com esta invenção da Blogger.com. Mesmo anónimo até à medula, qualquer gajo pode agora ser perseguido, proscrito, crucificado, posto com a cabeça a prémio. Porque são coisas deste jaez o que augura a sentença por mim sublinhada, no paleio deles: "nós rastreamos o número de vezes em que um blog é assinalado como objectável, e utilizamos esta informação para determinar que acções será necessário tomar."

Olha que fixe.


Nota: um truquezinho técnico (facilmente ultrapassável, porém) inviabiliza o funcionamento do maldito botão aqui no boteco.

comentários

Marreta? Bruxo.

scoot jpeg
You are Scooter.
You are a loyal, hardworking person, better known as a doormat.

SPECIAL TALENTS:
Going for stuff.
LEAST FAVORITE MOVIE:
"Go For Broke!"

QUOTE:
"15 seconds to showtime."

LAST BOOK READ:
"300 New Ways to Get Your Uncle to Get You a Better Job "

NEVER LEAVES HOME WITHOUT:
Coffee, clipboard, and Very Special Guest Stars.


What Muppet are you?
brought to you by Quizilla

comentários

23/08/05

Irra, que é bruto!


Na Bomba Inteligente a utilização pioneira em blogues portugueses do som e imagem. Só que talvez fosse bom dar-nos a opção de ver e ouvir, porque abre-se um blogue e, de repente, o computador está a cantar ou a falar e a gente só a querer ler... (JPP)

Ó Pacheco, filho, vai-te encher de moscas, pá.

Isso é dar graxa ao contrário, ou seja, é o cliente a puxar lustro aos botins do engraxate - no caso, uma senhora engraxadora. Cito, do mesmo post: "...grupos de afinidade, as coteries de elogio mútuo, que abundam na blogosfera". Ora, pois, é isso mesmo, disseste-lo bem.

Audio e video são uma coisa antiquíssima, na Internet; tanto quanto permite o superlativo aplicado a algo que surgiu há pouco mais de uma década. Os "belogues", companheiro, são páginas web como quaisquer outras. Os "belogues" portugueses, ó tóino, não foram pioneiros, nunca, jamais, em coisa alguma; se houve algum pioneirismo, em algo que tenha a ver com blogs nacionais, talvez fosse justo citar o Cafeína que, pelo menos, reivindica o título de blog português mais antigo e ainda activo.

Y además, como diz Figo, olha que raio de ideia essa de atribuir a medalha de primeirismo a semelhante merdola. Musiquinha e filmezitos no blog são o meio mais eficaz para, exclusivamente, chatear o visitante desprevenido.

Enfim, moço, calminha lá com as pérolas bloguísticas.

Juízo.

comentários

20/08/05

Sudoku


Online. À borla. Perfeito.

http://sudoku.hex.com.br/jogar/

comentários

Welcome stranger!


(...) Se me ativer às informações que o contador emite, deduzo que poucos são os madeirenses que aqui aportam. No entanto, nunca este espaço viveu da visibilidade pública, sustentáculo que, se fosse teorizado, já teria levado à inanição o Estranho Estrangeiro. Um blogue pode corporizar algum narcisismo e, conquanto seja melífluo pensar que o produto intelectual que de nós brota pode ser escrutinado pelo Mundo, todos os textos que neste tugúrio verto são originados pela avidez de pensamento.
(...)
Estranho Estrangeiro

comentários

17/08/05

Leure do silênce


Bom suár mêdáme ê messieures; ile éste vante eures; cé leure do silênce; bom suár é à demã.
Gude iveningue leides ende jentlemene; ite is náu eite ó quelóque ine de afetérnune; itis táime fore silênce; éve a gude náite celipe ende si iú tumáurrou.
Buénas nóches sénhóras i sénhóres; sóne aóra oxo óras; és tiempu párá él silêncio; buénas nóches i ásta manhãna.

Era isto que eu ouvia, sempre que o sol se punha, todos os dias, em certo Verão dos anos 70, num parque de campismo da Costa do Estoril.

O "speeker" era poliglota, contratado pelo Estado português, precisamente por se dizer poliglota ou, no mínimo, por ser funcionário do Partido (o Comunista, claro). Funcionário público, naquela época. Tacho garantido, estará hoje muito provavelmente reformado, auferindo vencimento por inteiro e mordomias anexas.

Doze horas depois, às oito da manhã, a mesma voz nos altifalantes metálicos espalhados pelo recinto, estremunhando os pobres campistas, portugueses e estrangeiros:

Atenciom, atenciom. Ile és mantenã uíte eures do matim; le bár réstaurã é dêjá uvér; nu vu suétons une bóne jurnê.
Atenxiom, atenxiom. It ixe náu eite ó quelóque; de bár ende de restaurante ixe ólréde ópénede; uí uíche iú óle a véri gude dei.
Atensom, atensom. Som aóra oxo hóras de lá manhãna; éle bare i ló restaurante istón à çu sérviçiu; lós dézéámós une buéne día.


Não sei porque me fui lembrar agora disto mas enfim, aí fica. Juro que é verdade. Ouvi aquelas merdas durante um mês inteiro, todos os dias, duas vezes por dia. Para os estrangeiros, de visita aqui ao quintal da Europa, a coisa não era estranha porque pensariam, talvez, estar ouvindo a mesma lenga-lenga, dita em Português e em triplicado; para os portugueses, campistas de calções e chinelas, revolucionários de fresca data, o camarada lá estaria falando em "estrangeiro", e bem; como não entendiam absolutamente nada, a coisa só podia estar muito bem dita.

Juro mesmo. O gajo lia Francês, Inglês e Castelhano... em Português. Imagino o que seria se lhe pusessem à frente as mesmas tretas em Alemão: Guténe tágue máine dáme unde érre. Etc.

Que é como quem diz: unde zó váitére.

comentários

16/08/05

Original Message -----

Sent: Saturday, August 13, 2005 5:10 PM
Subject:voçe está sendo traido veja as fotos

sou um amigo seu, mim desculpas mais nao posso mais guardar este segredo, eu sei que vai lhe machucar muito

Você esta sendo traído, não tive coragem de te falar, a unica maneira foi lhe enviar essa mensagem com algumas fotos de quem voçê ja mais poderia desconfiar, entao faça o download das fotos e veja com os seus próprios olhos, sou um amigo seu nao vou mim revelar mais voçê sabe quem sou
Foi a única maneira que encontrei para te avisar

 

 



Carta aberta ao meu amigo desconhecido.

Meu caro amigo,

Fiquei muito satisfeito, e extremamente sensibilizado, por saber que afinal sempre existe alguém que se preocupa comigo. Sinceramente, não estava nada à espera e, confesso, fiquei até um pouco emocionado quando recebi a sua mensagem. Se bem que nem me passe pela cabeça quem poderá ser esta pessoa que assim demonstra uma tão forte, indestrutível amizade, ficarei doravante ciente - e eternamente grato por isso - de que agora sim, posso bem dizê-lo, eu tenho um amigo verdadeiro. Com um mas, porém, contudo, no entanto: é que não conheço a gaja das fotos. Isto até me chateia, acredite o meu amigo (ah, que bom que é poder usar esta expressão!), mas estará por certo equivocado; é que, depois de verificar por diversas vezes, cuidadosamente, cada uma das fotos, não tenho quaisquer dúvidas: nunca vi tal chavala em dias da minha vida.

Mas lá que é boa como o milho, bem, nisso estou de acordo. Aquilo é material de 1ª, carnes rijas e ar simpático, não é coisa de se deitar fora, não senhor. Se, por acidente, o meu caro amigo trocou as fotografias e aquela é, afinal, a sua namorada (ou a sua irmã, quem sabe), bem, deixe-me dar-lhe os meus mais sinceros parabéns! Que lasca do caralho, realmente! E é que, assim sendo, boazona até aqui, (bom, aquilo manda um par de chupetas impressionante, ó amigo!), deixe que lhe diga, o gajo que ela anda a encornar é muitíssimo bem encornado. Se for o amigo, desculpe lá, repito, mas não posso deixar passar em claro: uma gaja assim, com aquelas formas de garrafa de Coca-Cola, com aquele cuzinho estupendo e aquele par de coxas, para já não referir que ainda por cima é bonita até dizer chega, bem, em resumo, material assim só pode andar no encornanço, aquilo é lá gaja de ter só um homem, ora, ora, juizinho.

Enfim, que não seja por esse pormenor sem importância de afinal não ser eu o corno. Agradeço-lhe do fundo do coração pela estupenda prova de amizade. Ora aqui está um amigo como poucos. E, para mais, com a provação acessória que certamente passou para me fazer chegar o aviso às mãos: nota-se perfeitamente que, para o meu amigo, escrever, usar esta coisa do teclado, cento e duas teclas e tudo, deve ser para si tremendo sacrifício; imagino-o daqui perfeitamente, carregando nas letras só com um dedo, coitado, tic tic tic, tipo galinha pica-no-chão, perfeitamente à rasca (o meu amigo, não a galinha) com os acentos e as cedilhas e essa coisada toda. Deve ter sido um pincel do caraças escrever aquele texto, calculo, ai ai ai olha agora jamais é tudo junto ou é pegado, isto é o meu amigo a pensar, claro, enquanto escrevia, já suando como um danado. Uff! Que canseira! Gabo-lhe a persistência.

Conhecesse realmente eu a fulaninha e desde já lhe garanto: depois de lhe foder, devida e justificadamente, a cabeça à paulada, era para o meu amigo que eu enviava logo a dita, por correio verde, em caixinha apropriada. Fosse eu o enchifrado e, caralhosmafodam, havia de a rebentar à porrada, a essa grandessíssima vaca. É que isto agora, bem vê, para quem já foi empalitado duas vezes (que eu saiba), acabou-se a paciência para estar cá com merdas, discussões e paneleirices que tais; é sair logo na porrada, como se diz aí no Brasil. E depoismente, a probabilidade de uma desgraceira dessas me tornar a acontecer, nesta vida, é absolutamente irrisória; era só que faltava, eu, três vezes corno - impossível. Há quem aprecie, mas não é exactamente o meu caso.

No entanto, aqui fica o meu agradecimento penhorado, para que conste. Ah grande amigo, assim mesmo é que é, temos de ser uns para os outros, etc., e ainda para mais isto ilustra a verdadeira irmandade que nos une, de ambos os lados do Atlântico. Com questões de honra não se brinca! Viva a lusofonia! Toca o hino!

Um grande e sentido abraço ao meu amigo, companheiro, compincha, e tal.

Dodo


P.S.: o link para as fotos, na sua mensagem, certamente por gralha, remetia para um ficheiro executável que - dizem as más línguas - era nada mais nada menos do que um vírus informático; no entanto, depois de busca aturada, lá descobri os originais que o amigão pretendia enviar. Já agora: afinal, quem é o gajo a quem ela está a fazer a chamadita para Marrocos? Hem? Conhece o gabiru? Também é seu amigo?

P.P.S.: para não comprometer a chavalita, que até tem pinta de intelectual e tudo, acho melhor não publicar o link para as fotos. A não ser que alguém faça questão.

comentários

O tempo e a distância

Não deixam que te diga aquilo que realmente interessa.
Impedem-me de ser um pouco, ao menos, vagamente, humano.
Param inexoravelmente o fluir natural das coisas.
E cortam cerce qualquer tentativa de pensamento,
recordação, lembrança, acorde ou sequer memória.
Não é possível que me vejas como sou, assim,
bivalve sem pérola nem concha. Longe, duas vezes.
São marés sempre enchentes, nunca vazantes,
e rebuscam na areia os pequenos organismos de que se alimentam;
como caranguejos empedernidos, predadores sem garras,
que nunca andam para o lado mas apenas em frente
monotonamente, sempre, sempre, violinistas sem qualquer clave.
Duas vezes longe de todas as coisas simples,
escapando por entre a areia,
como essa água fugidia nos teus pés enregelados.

comentários

15/08/05

De ananazes

Porque será que as crianças não pensam em mais nada senão em brincar e chatear toda a gente?
Porque será que os jovens não pensam em mais nada senão em putas e vinho verde?
Porque será que as jovens não pensam em mais nada senão em sexo?
Porque será que as mulheres maduras não pensam em mais nada senão em casar e ter filhos?
Porque será que as velhotas não pensam em mais nada senão nos seus achaques e doenças?
Porque será que os paneleiros não pensam em mais nada senão em paneleirices?
Porque será que os capitalistas não pensam em mais nada senão em dinheiro?
Porque será que os políticos não pensam em mais nada?
Porque será que os governantes não pensam?
Ninguém pensa porque será?
Será do calor?
Se for, há um senão: quando faz frio, é rigorosamente a mesma merda.

comentários

Haiku

Gaivotas no céu azul.
O vento passa
Por elas docemente.


(imagem de http://www.debilski.de/haiku/)

comentários

14/08/05

A verdadeira história do Pinochet


Horrível mistela importada pelos nossos emigrantes em França, esses genuínos embaixadores do orgulho nacional, o "panaché" é uma mistura de cerveja com "gasosa" e constitui hoje verdadeiro acervo tasquífero, ou seja, é uma coisa servida em grandes quantidades nas tascas do Portugal profundo. O termo panaché, no original em Francês, era simples adjectivo, traduzível por diversas e elegantes formas como empenachado, matizado, variegado, salpicado, ou, noutro sentido, como variado, heterogéneo. O substantivo primordial, panache, existe mesmo no Português corrente, e com a mesma acepção de penacho, pelo que não é muito entendível como poderá coisa tão simples ter dado azo a confusões.

Misteriosos caminhos mentais, imbricadas operações de pragmática linguística, operações a que se dedica a maioria vagamente esclarecida do nosso povo, conduzem amiúde a coisas assim: brotam palavras desta ginástica popular, o significado original perde-se algures pelo caminho e o uso acaba por conferir viabilidade e por atestar o novo vocábulo.

O panaché francês, que se aplicava não apenas a bebidas mas também a diversos pratos culinários, aterrou inicialmente nos balcões nacionais sob a forma de "penáchê", vá-se lá saber porquê, um copo cheio de cerveja branca e de água gasosa, meio por meio; para os emigrantes mais rodados e com mais mundo, para os verdadeiros connaisseurs, a dita gasosa teria de ser de marca e por isso adoptaram a de maior circulação: a chamada Seven Up, ou 7Up, então rebaptizada e nacionalizada como "Sévénépe". Era vulgar, nos anos setenta, ouvir o pedido tasqueiro de "uma cervejinha com sévenépe"; o "penáchê", portanto. Ora, como ainda assim a coisa não estava fácil de pronunciar, e estando por essa altura na moda a crucificação de "fasssistas", bem depressa a bebida passou a designar-se pelo nome aportuguesado de Pinochet, celebrando a memória do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.

Para os turistas que nos visitam não deve deixar de ser estranho ouvir, por todo o lado, tantos pedidos de "pinochê"; por vezes, o dito general agora transformado em zurrapa é tratado de forma estranhamente carinhosa: "pinochêzinho". Nosso povo quer é muita carga de pinochês, o que não deixa de ser curioso. Escusado será dizer que a isso mesmo se resume, ao conteúdo de um copo com cerveja e "sévénépe", todo o conhecimento que os apreciadores possuem sobre o assunto em geral e sobre a personagem em particular; mas nota-se perfeitamente, nesta subespécie de consumidores, o orgulho que sentem pela exibição dos seus conhecimentos políticos. A cada novo Pinochet que pede, com ou sem tremoços, qualquer labrego do piorio dardeja em redor uma olhadela entendida e inteligente, irradia toda aquela típica esperteza que lhe vai na alma, olha eu aqui a emborcar esta coisa estrangeira, olha que pinta.

Dizem que dá um pifo jeitoso, em começando às nove e acabando às seis. E é cultura, e cultura política, ainda por cima. Portanto: o verdadeiro anti-fasssista é o gajo que emborca um Pinochet atrás do outro. Ah, pois, finalmente percebi.

comentários

13/08/05

Os malefícios do tabaco (CDXLIX)


Sejamos coerentes, para variar. O país já está a arder, como é costume por esta época. Então e agora? O que se deve fazer? As chamas ameaçam aldeias e o fumo e a fuligem dos incêndios florestais recobrem todas as vilas e cidades do país. Repito: então e agora? O que sugerem os militantes anti-tabagistas? Esta fumarada irrespirável não fará mal à saúde? Como há-de um cristão safar-se desta embrulhada intoxicante? Máscaras de gás, por exemplo? Não?

Bem sei que isto é ser um pouco mauzinho, e retorcido, e tal, mas enfim, sempre gostaria de saber porque estão tão calados os maníacos da saudinha. É que não tugem nem mugem, e não correm em nosso auxílio, nosso dos suicidas que preferem o fumo do tabaco ao fumo dos incêndios. Claro que fumo é fumo, para os puristas é tudo igual, mas ele parece que há fumo que é mais igual do que outro qualquer. Calculo que ninguém da seita se atreva a sugerir que, à falta de melhor, se suspenda a respiração enquanto o ar estiver assim contaminado pelo fumo dos incêndios. Como é, então? Deixando de respirar, pura e simplesmente, para não conspurcar os abençoados pulmões, a gente não se arrisca a ir desta para melhor? Respirar fininho não resulta, já experimentei, a gente perde o fôlego e mesmo assim a maldita fuligem entra na mesma para o peito, dá ataques de tosse, é uma merda fodida, posso afiançar.

É que não se pode mesmo respirar, com esta fumarada toda! Isto não será causa de chatices várias, enfisemas, faltas de ar, dispneias, cancros do pulmão e assim? Estou seriamente preocupado e a necessitar de aconselhamento. Resposta para aqui em baixo, onde diz "comentários". Obrigadinho.

comentários

Os malefícios do tabaco (CDXLVIII)


Faleceu no passado dia 10 a actriz norte-americana Barbara Bel Geddes, conhecida de todos os maiores de 40 como Miss Ellie - personagem da interminável e chatérrima série "Dallas", uma pepineira execrável que passou na RTP, nos idos de 80 do século passado. As agências noticiosas, os jornais e as televisões fizeram questão de referir que a venerável senhora se finou devido a cancro do pulmão ("lung cancer", no original Yankee), já que sempre terá sido uma fumadora inveterada.

Note-se que não foi por ter oitenta e dois anos. Foi-se, Miss Ellie, porque fumava. Estão a ver? Depois não digam que não estão avisados. Aí está mais uma prova de que o cigarro mata. Largando o maldito vício, qualquer um pode chegar aos 83, nas calmas (mesmo que não queira).

É de inqualificável mau-gosto utilizar a morte de alguém como veículo de qualquer ideia ou "causa", por mais abstrusa ou meritória que possa parecer. Esta brevíssima nota necrológica não pretende fazer o mesmo, bem pelo contrário; não se trata de fazer volteios sobre um cadáver, como fizeram alguns jornalistas nas suas peças noticiosas e como é, de resto, característico dos "media", esse bando de abutres ideológicos, caçadores de bruxas e novos inquisidores. Trata-se aqui de, apenas, deixar uma mensagem sem nada de inovador e sem quaisquer pretensões mas que, no afã persecutório e com a azáfama politicamente correcta habitual, toda a gente parece ter-se esquecido de dizer ou de escrever, a propósito da morte de Barbara Geddes:

Paz à sua alma.

comentários

08/08/05

Caralhosmafodam

Jornalismo Pimba


E já parou de disparar, o sacana do morto?
O título é garrafal por causa da graduação da garrafa de Vodka?
O paginador efectivo está de férias, não é?
Isto é só uma gralhazita de qualquer estagiariozito, certo?

CM (Correio da Manha*)

(* sem gralha, manha mesmo)

comentários

06/08/05

Explicações de ódio


No fundo, no fundo, ódio é aquilo que resta depois de todas as ilusões estarem destruídas. Tão simples como isso. Ódio é o que resulta do vazio de emoções, é a única coisa visível, palpável, quando se extingue a última réstia de esperança, a mais pequena partícula de fé, o mais leve resquício de sentimento outro - qualquer que ele seja. Porque o ódio é como poderosíssima erva daninha, é o chorão do arsenal sentimental, reivindica exclusivo, onde ele está não existe mais nada.

Há quem diga, certamente por lirismo, mas principalmente por inexperiência, que apenas odeia quem nunca amou, ou quem desconhece inteiramente seja que espécie for de impulso positivo, curial, aceitável. É precisamente ao contrário. Odiar é um acto de pura contrição, apenas acessível àqueles que muito amaram, que amaram até ao absurdo, àqueles a quem nunca ocorreu que fosse possível odiar, os que não conseguiam sequer conceber tal ideia. O ódio é a flor do bem, não a flor do mal; germina e desabrocha, com esplendor e estrondo, a partir do húmus que resulta da decomposição de sentimentos tão coerentes como a simpatia, a caridade, a boa vontade, a amizade ou o amor; é quando estes apodrecem que o ódio por fim vinga e se desenvolve; é ao caldo de bondade traída, de franqueza desprezada, de bem querer ignorado, que o ódio vai buscar os nutrientes indispensáveis à sua formação; é desses tristes restos que se alimenta; adubado pela desilusão, pela traição, pela cobardia da realidade e pela realidade da cobardia, o ódio suga tudo o mais em volta - buraco negro da existência, mais incompreensível e incoerente do que a própria razão das coisas, contudo claro, simples e transparente.

É uma rua de sentido único mas de circulação proibida. É algo de coerente e entendível, por fim, quando já nada faz sentido ou pode sequer ser compreendido. É a ordem possível no caos impossível. É uma hipótese de sobrevivência à falta de melhor. É a dor insuportável que afinal é boa, e quente, e confortável. E reconfortante. Refúgio seguro quando não há mais lugar nenhum para onde ir. Asilo e exílio. Um pouco de paz no inferno da vida. Alguma coisa que faz realmente sentido. Faz sentido. Faz todo o sentido.

É bom, o ódio. Puro. Cristalino. Próximo de Deus, que ama todas as coisas. E que, portanto, as ...

comentários

04/08/05

Pouco obrigado

a voz do povo

Existem algumas pessoas, uma desprezível minoria, que embirram solenemente com certas palavras simples ou até com expressões idiomáticas inteiras - palavras com molho, por assim dizer. Já não me lembro bem qual era o tipo que detestava, por exemplo, a expressão "feliz contemplado"; e tinha outros do género, verdadeiros ódios linguísticos de estimação, termos aparentemente tão inocentes como "despiciendo" ou "alevantar" ou, pior ainda, ficava fulo da vida com a mais leve redundância, expressões tão corriqueiras que até presidentes da República e candidatos a presidente da República as utilizam: sair para fora, entrar para dentro, subir para cima, descer para baixo, etc.

De facto, para alguns de nós, os 2% de infelizes que sabem ler e escrever, é impossível disfarçar a irritação, primeiro, e o asco, depois, que tais calinadas provocam. Qualquer ser-humano que debite o verbo "destrocar", para não ir mais longe, é imediata e radicalmente riscado do nosso mapa mental de pessoas conhecidas, ou a conhecer sequer. Somos assim, uns sofredores inveterados. Mas boa gente, de todo, porque a irritação e o asco são a face visível de uma atitude pedagógica; somos um pequeno grupo de activistas do purismo linguístico ou, pelo menos, do aprumo verbal, mas sempre com a filantrópica intenção de ensinar aos outros qualquer coisa de positivo e útil, como é o caso vertente da Língua. A falada, porque em relação à escrita a missão seria verdadeiramente impossível.

Nestes tempos em que tudo começa por "é assim" e em que invariavelmente qualquer coisa "é já a seguir, é que é já... a seguir", urge de facto ao menos tentar deitar a mão ao nosso semelhante - antes da diluição completa do Português, que resultaria na mais pura e simples extinção da espécie. Não que se perdesse grande coisa, mas enfim, que não se diga depois que não se tentou fazer algo para evitar o desastre. É para estas coisas humanitárias que a gente serve, de resto, é evidente. Por conseguinte, dispensando desde já qualquer tipo de agradecimento, e apenas com a intenção pedagógica supracitada, passo a referir um dos assuntos de contaminação linguística mais preocupantes da actualidade, e este é, precisamente, tudo aquilo que se relaciona com o referido agradecimento.

O agradecimento, a gratidão, apenas um conceito que define um povo e uma cultura. Diz o vulgo que a palavra "saudade" é aquela que melhor define esse "estado de alma", essa coisa indefinível que é "o ser português". Difundiu-se até a peregrina ideia de que "saudade" não existe em mais Língua alguma além do Português. É uma chalaça, como de costume. Aquilo que mais distingue a Língua e a Cultura portuguesas não é o étimo "saudade", mas o extenso acervo terminológico relacionado com (1) o agradecimento: extenso, para a capacidade cerebral do português médio, mas que se restringe a apenas duas palavras básicas, obrigado e agradecido, com as respectivas flexões em género.

Nosso bom povo, nas suas boa fé e ignorância militante, costuma fabricar estranhos raciocínios de pragmática verbal; assim, considera nosso povo que, se eu sou homem e agradeço a uma senhora, devo dizer "obrigada"; é como quem dá os pêsames ou os parabéns; eu dou-lhe os meus "sentidos pêsames", tome lá, leve e embrulhe, eu dou-lhe "os parabéns", e abraços e beijinhos, portanto eu também lhe dou a palavra "obrigado", é sua, tome lá, e como é senhora vai no feminino, "obrigada". Raciocínio apenas aparentemente complicado, é assim a voz do povo, com fundamentação e paralelo em muitas outras coisas, como, por exemplo, a saudação: qualquer saloio diz "boa-tarde" a uma pessoa mas, se entra num local público onde estão várias pessoas, diz "boas tardes", no plural porque é para mais do que um, uma boa-tarde para cada qual, vai de empreitada, é um lote de "boas-tardes" para aquela gente toda. Logo, se ele "dá" os parabéns, os pêsames e as boas-tardes, também "dá" o agradecimento; ora, se é senhora é "obrigada", portanto, em sendo várias pessoas é "obrigados", e se for mais do que uma comadre é "obrigadas". São sempre os outros que ficam obrigados a alguma coisa de indefinível e que agora não interessa nada.

O agradecimento na forma popular serve não apenas de inversão de sentido, variando em género e em número, como possui uma função de regulador social. Assim, consoante a categoria profissional (marca e modelo do automóvel) do interlocutor, o "popular" utiliza uma escala de agradecimentos extremamente variável: ao tipo com aspecto pelintra ou suspeito (Datsun 1100, 1987), atira com o terrível "obrigadinho"; à fulaninha de aspecto putéfio, girita mas meio flácida, vai de "muito obrigadinha" para cima (atenção ao "muito", que traz (3) bastante água no bico); já em se tratando de um "doutorado" (licenciado), que oscila entre o BMW de candonga e o Jeep topo-de-gama, o Zé Povinho sussurra respeitosamente "xôtor, muitos obrigados, sim, xôtor?", extraordinário duplo plural, contudo de profunda significância. Escusado será dizer que o género é flexionado de forma inversa quando se trata de mulherzinha que agradece: obrigadinho e obrigadinhos aos homens e aos grupos de pessoas, no feminino quando dirigido a mulheres. Existe ainda a variante "agradecido", mais rara e sofrendo os mesmos tratos flexionais, termo este que é reservado para as pessoas de alto gabarito, como, por exemplo, o polícia de trânsito que acabou de perdoar uma multa, ou o "xôtor juiz" que fecha os olhos a uma infracçãozita sem importância, ou o vizinho que acaba de encontrar o Bóbi que andava perdido; regra geral, "agradecido" é antecedido de "muito", essa diversificada e tenebrosa forma gramatical. Por fim, há o agradecimento amputado da primeira sílaba ("'brigado"), que se dispensa a torto e a direito, na lufa-lufa quotidiana, a todos aqueles que se não enquadrarem nas outras categorias e aos que andam em carritos de gama média, utilitários e assim.

Há dias (2), uma jornalista de televisão pronunciou, no fim da entrevista, uma fórmula de agradecimento caída em desuso: "muitíssimo obrigada". O entrevistado, conhecidíssimo político da nossa praça, pareceu quedar-se um pouco atrapalhado, assim desprevenido, provavelmente por falta de hábito, tendo respondido com um intrigante "de nada". Pois. Mesmo que se trepe na escala social, seja lá como for, as confusões permanecem - variando apenas de sentido, não de conteúdo. A fórmula de resposta, naquela como em maior parte das circunstâncias, seria "eu é que agradeço"; não aquele "de nada", triste figura. De resto, desde que o Cavaco foi filmado a comer bolo-rei, já nos vamos habituando à labreguice e à boçalidade dos nossos políticos. Comer como um perfeito suíno poderá mesmo não ser tão grave como uma senhora baixar o joelho e beijar a mão ao marido da Rainha de Inglaterra (Barbara Bush ao Príncipe Filipe), mas desconhecer as fórmulas mais básicas da convivência é - ao menos nas chamadas altas esferas - absolutamente inaceitável.

A não ser que admitamos a teoria de que a fonte de referências (culturais ou outras) deixou de ter um sentido descendente, isto é, das classes superiores para as inferiores, mas, pelo contrário, havendo agora um fluxo inverso, de baixo para cima, das classes populares para as elites económicas e sociais. Está em curso, por conseguinte, uma verdadeira, insidiosa, medonha revolução, aquilo com que sonha desde sempre a chamada "esquerda". Cavaco a comer como um javardo, Barbara Bush a fazer macacadas, um ministro que não sabe agradecer, são apenas sintomas dessa revolução. Ainda veremos um galo de Barcelos, com trinta metros de altura, plantado nos jardins de Belém, no lugar do monumento aos descobrimentos. Não faltará muito para que nosso Primeiro inicie todos os seus interessantes discursos com a fórmula "Portuguesas, Portugueses, pessoali em girale". Num futuro não muito distante, os agraciados com medalhas de mérito, os homenageados em jantares de gala, os recém-empossados em qualquer cerimónia, dirão nos discursos de agradecimento, com toda a pompa e circunstância: "munto obrigadinhos, rapazes, vocêzes são gajos fixes, bora lá mamar uns canecos".

Chegou a Revolução cultural. Fujamos.





(1) relacionado com, não "derivado a"
(2) há dias, não "há dias atrás"

(3) agradecimentos a Vertigem pela correcção; esta (trás em vez de traz) é uma daquelas coisas que escapam à maior parte dos correctores de texto automáticos, se bem que , neste caso, até não tenha utilizado nenhum. Deduzo que a minha persistente provocação resultou e, por fim, alguém se dá ao trabalho de me corrigir os textos. Muito obrigado, muitíssimo agradecido. Mande(m) sempre.

comentários

02/08/05



Partido Comunista Português

Secção de Alcabideche
(quote) Sexta-feira, 22 de Julho, foi friamente assassinado no metro de Londres, com cinco tiros na cabeça, um transeunte brasileiro. Os motivos da polícia: tratava-se evidentemente dum estrangeiro e não usava fato e gravata. (unquote)

(quote) A máscara humana de Rui Rio vai, aos poucos, caindo e deixando à mostra uma face populista e autoritária que une o pensamento económico neo-liberal ao fascismo político e ao racismo étnico e social. (unquote)

(quote) Em vez de um grupo organizado de 500 assaltantes, falam agora de cerca de 30 indivíduos actuando de forma não concertada. Em vez de roubos e agressões violentas (até se falou em armas brancas), falam agora de incivilidades (e que incivilidades essas! Música alta, dança, jogos de bola, linguagem grosseira, insultos, desafios verbais, atitudes intimidatórias...). Em vez de arrastão pela praia, reconhecem agora que as pessoas que se vêm nas fotografias a correr estão a fugir de uma violenta carga policial. (unquote)

(quote) Aí bateram-lhe diversas vezes na cabeça, apesar de ter pedido que não o fizéssem, dado o perigo que significa ter, no passado, sofrido um derrame cerebral; foi humilhado, fotografado de frente e perfil e tiraram-lhe as impressões digitais, tendo sido, por fim, libertado, quando conseguiu que telefonássem à companheira para que viesse trazer os seus papéis, não sem que antes lhe fosse pedido que assinásse um documento onde figurava como culpado de se ter negado a fornecer a identifição – o que recusou, exigindo uma alteração que respeitásse o sucedido. (unquote)

- nacos retirados de: http://pt.indymedia.org/

Mas quem serão, ao certo, estes grandessíssimos filhos de uma puta? Ainda existe disto? E ninguém diz nada? Pior ainda, ninguém faz nada? Não existem instituições especializadas para estes casos? Ou não há camas disponíveis? Andam por aí, à solta, estes anormalecos? Que raio, crie-se de imediato uma lista de espera para internamento psiquiátrico, ao menos para casos desta gravidade. Não sugerindo, assim de repente, a lobotomia ou a simples extirpação química do hipotálamo, o que sei eu, parece-me evidente que urge tomar medidas de saúde pública: internem-se compulsivamente estes gajos, arredem-se da circulação em espaços públicos, forneçam-se-lhes uns livros para ler, ofereçam-se-lhes uns SG Filtro, facultem-se-lhes umas excursões gratuitas ao Alcoitão. Caramba! Dêem-lhes algo com que se entreter, umas coisas lúdicas, pokémons e assim.

aviso: a leitura daquele bloguito comuna pode prejudicar gravemente a saúde mental de qualquer cidadão normal, se desprevenido e em ali aterrando ao engano; não propriamente pela concentração de imbecilidades libertárias e esquerdistóides, às quais a maior parte das pessoas de bem já está habituada, e acha sua piada, mas pela concentração, outrossim, de erros de Português, calinadas, pontapés na gramática, etc. Não é brincadeira, garanto. Aquilo deve estar apinhado de camaradinhas "licenciados" em AgitProp na ex-União Soviética. Cuidado, pois. Trata-se de escrita altamente tóxica. Recomenda-se a utilização de pinças, máscara, óculos de soldador, oleado à prova de contaminação. É vivamente aconselhado o duche, posteriormente e de imediato. Que seja pelas alminhas, o sacrifício, mas também valerá a pena pela barrigada de riso - e um banhito nunca é em demasia, vá lá.

comentários

01/08/05

nhé nhé nhé nhé nhé nhé

Uma prendinha para os 3,5 visitantes diários aqui do boteco. Em especial para o meio freguês, esse dos 0,5. Agora já se pode escavacar à vontade a página, encher qualquer blog de merda (a começar por este) com as moscas respectivas, atirar-lhe com uns tomates podres, queimá-lo lenta e sadicamente com um cigarro, pôr um catraio de bibe a riscá-lo todo, etc., coisas assim. Até dá para estrelar ovos em cima de qualquer arrotanço a postas de pescada. Tem sacanices muito giras, esta coisa do Netdisaster.

Talvez o mais engraçado e pedagógico seja o bombardeamento, com bombas de precisão verdadeiras e belas explosões a condizer. Enfim, não falta nada no arsenal de destruição maciça de blogs da treta. Porreiríssima terapia, vereis, ora ide lá conferir naqueles botoezinhos aqui à direita alta.

(visto no blog http://olhequesim.blogspot.com/)

comentários

26/07/05

Shoot you down



17. Shoot You Down - The Stone Roses (The Soul Hooligan Remix)
John Squirre Brown

comentários

24/07/05

ablação


Esta aqui foi naquele dia, lembras-te, estavas tão absorto com a beleza da paisagem, debruçaste-te de mais e quase caíste, ficaste pendurado pela ponta dos dedos no granito da amurada. Foi naquele miradouro de Santa Luzia, lembras-te? Nem sabes como sobreviveste, de onde te veio a força para te içares como um Hércules, as unhas em sangue, as mãos e os joelhos, tudo esfolado, o coração aos pulos, bum bum bum bum bum, e lá conseguiste passar outra vez para cima, nem sabes bem como, primeiro uma perna, depois um braço agarrando a pedra nua, upa, mais um esforço, já sem ar nos pulmões, finalmente, eis-te vivo, o precipício lá em baixo, ainda assim tentador, mais belo do que nunca.

Esta, a mais comprida e fina, vês, esta a azul escuro, foi quando morreu a tua gata. Há quantos anos isso vai, e olha agora, que marca horrível, que terrível cicatriz! Adoravas a Cláudia, não era? Pois, bem se vê, olha só que espectáculo, parece o "Grand-Canyon", de cima a baixo, enrolada como uma serpente. Adoravas aquele bicho, coitada da Cláudia, esmagada por um camião mesmo à tua frente. Nunca te perdoaste pela brincadeira, não é? Fizeste-a fugir para a estrada, ela estava farta de brincar às escondidas contigo; foi só um segundo, uma fracção de segundo, a gata correu, o camião veio e passou-lhe por cima, primeiro a roda da frente, depois as de trás, maldito camião. Mas ela não sofreu, afianço-te, nem sentiu nada.

Esta já nem sei ao certo, há que tempos isto vai, parece-me que foi no dia em que recebeste um prémio qualquer, na escola primária. Eras um garoto e ali estavas, de calções, quase morrendo de vergonha por estar aquela gente toda a olhar para ti. Tinhas quantos, oito? Nove? Pois, isto é como as fotografias, fica aqui tudo gravado, olha, esta é uma cicatriz de satisfação, é uma marca de orgulho imenso, é aquilo que resta de quando se sente alguma coisa tão intensamente que é quase como se o peito fosse explodir. Mesmo que passem décadas, há coisas que ficam para sempre aqui registadas.

Tudo deixa marcas no coração. Todas estas cicatrizes são o resultado da tua vida, principalmente das coisas más que te foram acontecendo, mas também das coisas boas, é igual, fica tudo gravado em relevo, mas apenas as coisas mais importantes são visíveis a olho nu. Olha mais esta aqui, por exemplo; foi naquele assalto, em finais dos anos oitenta. É natural, não estavas a contar, não esperavas uma coisa daquelas, ainda por cima com um especialista na matéria, quando ele te saltou em cima e começou a bater-te na cabeça com uma pedra da calçada pensaste que ias morrer; compreendo perfeitamente; sentiste aquilo como uma fatalidade, pensavas "é desta - vou morrer". Chegaste a dizer isso em voz alta, várias vezes. Depois, quando acordaste, a tua única preocupação era porque tinhas o blusão, que era branco, cheio de sangue. Aquele episódio acabou por se transformar em algo de cómico, ou patético, mas bem depressa fizeste por esquecer. Mas a marca ficou, aqui está ela.

Ou esta, desta lembras-te tu com certeza, esta é de quando morreu o teu filho, aquele que nunca nasceu. Foi numa época muito feliz da tua vida, mesmo sem dinheiro, mesmo não sabendo tu como poderias sustentar uma criança; não tinhas emprego nem nenhuma fonte de rendimento, nessa altura, e a tua mulher -ou namorada, como se dizia então - decidiu fazer um aborto, quase aos cinco meses de gestação; e tu ficaste ali mudo e quedo, quando ela te disse aquela coisa horrorosa, ficaste especado no meio da rua, sem qualquer reacção. Mas é isto, como vês, está aqui. A dor lancinante que sentiste no coração deu nisto, este traço escuro aqui, esta coisa retorcida, vês? E, nestes anos todos, desde aí, sempre que te lembravas disso, mesmo a dormir, a cicatriz inchava mais um bocadinho, latejava por momentos, e tu sentias-te mal, muito mal, quase sufocavas com a dor no peito.

Quando as pessoas falam em "males do coração", como vês, nem fazem ideia de como estão certas. Não há nenhum mal que não atinja o coração, realmente: tudo aquilo que nos aflige, ou assusta, ou aterroriza, fica mesmo gravado no coração, quase como se fosse a ferro e fogo. Estas cicatrizes são a prova real das provações de cada qual, são como que o registo histórico daquilo que de verdadeiramente importante sucedeu na vida de cada um. E eu abro toda a gente que aqui vem por fim parar, vejo todos os corações com minúcia e curiosidade. É essa a minha função, não sei nem quero fazer outra coisa. Examino corações e reconstituo-lhes a vida que durou enquanto bateram.

Há quem imagine que eu sou uma espécie de sádico, porque trato os corpos de seres-humanos mortos como se fossem vitelas ou bezerros. Isso não é verdade. Manuseio apenas matéria inerte, é certo, mas sempre com respeito, quase com veneração. Posso extrair órgãos, posso dissecar tecidos e seccionar membros, exactamente como faz qualquer talhante, mas com o coração é diferente. Deformação profissional não será, talvez fraqueza apenas; a verdade é que o coração humano é uma coisa que me fascina. Pego-lhe com as minhas mãos, estudo, viro e reviro, tento sempre adivinhar o que aconteceu aqui e ali, o que terá acontecido exactamente naquela ocasião, que tragédias terríveis ou coisas maravilhosas poderão ter causado marcas tão profundas.

É por isso que falo assim contigo, com todo este à vontade, como se fôssemos amigos de longa data e como se conhecesse em detalhe aquilo que tu foste em vida. Faço por vezes o papel de Deus, que Ele me perdoe, e falo então como se fosse Ele mesmo a falar com alguém que se lhe apresenta no dia do juízo. Mas isto é apenas uma peça que sempre represento para mim próprio. Tento descobrir a alma que se eleva dos mortos e surpreender o momento em que isso acontece. Tento, no fundo, simplesmente não enlouquecer; sabes, não é fácil lidar todos os dias com a simplicidade da morte. Ainda há poucas horas estavas lá fora, no mundo, vivo e cheio de genica, lutando com todas as tuas forças, contra tudo e contra todos, correndo atrás de um futuro qualquer. Agora estás aqui, nesta mesa de zinco, e das tuas lutas apenas sobram as cicatrizes, e não há aqui mais ninguém senão eu para recordar as tuas grandezas e as tuas misérias, e para que ecoem uma última vez, entre estas paredes brancas, as verdades que sobre ti acabei de inventar. Afinal, não te conheço de lado nenhum, nunca te conheci, e eu para ti não passo de um perfeito desconhecido.

Portanto, desculpa lá a rudeza, e se porventura fui bruto ainda há pouco peço perdão, mas agora vou ter de te meter outra vez na gaveta. Dorme em paz. Adeus.

comentários

21/07/05


Consultório sentimental (4)

Maria da Encornação

Para variar, esta consulta não começa com citações de correspondência recebida. Não seria muito provável, aliás, que alguma carta ou e-mail aqui chegasse com dúvidas ou perplexidades deste jaez: "a minha mulher traiu-me, Xôtor, e agora?". De qualquer forma, o tema desde há muito estava engatilhado e não é tarde nem é cedo, aí vai, inteiramente grátis como os outros. Por se tratar de questão extremamente sensível, e dada a inevitabilidade da utilização de linguagem desbragada, a respectiva leitura não é aconselhável para menores de 40 anos.

Conheci Maria da Encornação em meados de 1995, ela na fila da direita e eu na da esquerda, ambos parados num sinal vermelho. Quando começou a mexer no cabelo, lembro-me de ter tido o seguinte, profundo, elaborado pensamento: «Ok». Mas apenas tive a certeza absoluta quando a vi sacudir aquela belíssima juba negra, com um gesto desprendido e, por fim, olhar para mim com um batimento das pestanas. Fiz o mimo de levar uma chávena aos lábios, ela respondeu com a mímica mais característica possível, algo que tanto podia ser interpretado como "bem, não sei" ou como "onde?". Alguém lá atrás buzinou, o sinal estava aberto; arranquei, passei à frente do carro dela e fiz um sinal com o braço fora da janela: "follow me".

Em apenas três meses, ou coisa que o valha, esqueci completamente o episódio, a forma como a tinha conhecido, e acabámos por juntar os trapinhos. Foi esta a segunda e espero que última mulher a ter a suprema lata de me encornar. A coisa atingiu-me em cheio, confesso, e andei a "bater mal", muito mal, pessimamente, durante uns tempos; acho que foi bastante pior do que da primeira vez, porque depois da primeira qualquer macho idiota pensa que aquilo não vai tornar a acontecer com ele; lá diz o ditado, "macho encornado nunca mais marra embolado"(©). Erro, é claro. A questão não está em se ser encornado ou não, porque não há como não, tudo se resume a que a coisa se descubra ou não. Descobri, azar o meu. De mauzinho, por vingança, nunca mais lhe pronunciei o nome correctamente. Mas assumo, uma vez sem exemplo, de peito aberto: eu já fui encornado. Duas vezes. Twice. Caralhosmafodam. Vá lá ser burro no inferno.

Assim como se pode afiançar que nenhum homem reconhece possuir armações na testa, a não ser a coberto do mais cobarde anonimato, como é o caso, também se pode jurar - pelo que há de mais sagrado - que apenas existe traição quando e se esta se torna pública. Ou seja, em termos axiomáticos poder-se-ia dizer que o acto de encornar é eterno, universal e omnipresente, mas nunca por nunca pode ser conhecido por mais do que as duas pessoas envolvidas, e muito menos ainda poderá vir a ser omnisciente; por outras, mais simples e transparentes palavras, o encornanço existe, fatal e inexoravelmente, mas ao mesmo tempo não existe, pura e simplesmente. Mesmo quando toda a gente já está careca de saber que fulana empalita o marido com fulano (e fulano, e fulano, e ainda sicrano), tudo poderá continuar perfeitamente, por muitos e bons, na paz do Senhor, desde que o dito marido fique na mais completa ignorância. Bem, como há gostos para tudo, ele até há maduros que apreciam ser empalitados, parece que a alguns dá gozo e a outros não rala nada, nadinha, é uma forma de alguém lhes aviar a legítima e assim ela ficar um bocadinho menos chata.

Mas enfim, é importante que se realce e repita: não há problema algum com o encornanço em si, isso é inevitável e natural, a coisa apenas se torna lixada quando é descoberta. Dizia-se nos meus tempos de liceu que existem três espécies de "côrnos"(*): o corno manso, que não se chateia muito, o corno bravo, que fica fodidíssimo quando descobre, e o corno de churrasco - o gajo que diz "eu cá ponho as mãos no fogo pela minha mulher".

De resto, esta ancestral actividade apenas constitui perigo para a espécie masculina. Uma mulher não pode ser traída, nesta mesma acepção e quanto ao assunto de que aqui se fala, pela simples razão de que todo o peso social desaba apenas na cabeça, nos cornos para ser exacto, do homem em causa. Não existem "côrnas", digamos assim, e não é preciso dizer mais nada. A mulher poderá até fingir-se ofendida, no momento em que descobre que o marido anda enrolado com uma gaja qualquer, e esse amuo pode mesmo prolongar-se por uns dois ou três dias, mas passa depressa; aliás, a esposa que se diz "traída" pretende apenas guardar um trunfo na manga, para quando mais lhe convier: se um dia o palerminha a apanhar em flagrante, com um gajo qualquer, ora ali está um excelente argumento para lhe atirar às trombas (aos cornos, pois, por conseguinte).

Presumir que alguma mulher é "fiel", como qualquer rafeiro, ou mesmo que existem excepções à regra, revela uma personalidade embrutecida e masoquista - o que vem a ser o retrato a traço grosso do típico macho latino; ou seja, aquele gajo que faz questão de, declarando por sistema que "as mulheres são todas umas putas", exceptuar devotamente duas: sua maezinha e sua mulherzinha, nem mais nem menos; alguns até se referem à progenitora, tal é o horror que a realidade lhes provoca, como "a minha santa Mãe". Deve ser alguma coisa bíblica, há-de ter a ver com Nossa Senhora e com a Imaculada Concepção, não sei bem, quem sou eu, mas é uma manifestação de verdadeira Fé, disso ninguém pode duvidar. Como pode uma mulher ser fiel, se o Criador, nem de propósito, a dotou de variados e extremamente apetecíveis atributos, aos quais nenhum macho pode ficar indiferente? E que diabo de culpa terão as mesmas se já vêm de origem equipadas com "airbags" frontais, laterais e traseiros, além de tremenda e incrivelmente oleada máquina de foder, com botões de "switch-on" espalhados por toda a carroceria ?! Apenas botões para ligar, disparar o mecanismo, nenhum para desligar, não há "switch-off" em lado algum naquela fabulosa estrutura. Sim, que podem elas fazer quando a própria natureza as programou unicamente para a procriação, ou seja, para foder que nem umas desalmadas? É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que uma gaja boa evitar que muitos homens subam ao reino dos céus. Então se for podre de boa, é que está mesmo tudo fodido, em sentido literal. Ser um perfeito estafermo ajuda, no que à moral e aos bons costumes diz respeito, mas nem o coiro mais horripilante se aguenta a dieta de pepino e banana durante muito tempo.

Claro que existem as frígidas, (excelente petisco, posso garantir), as que não vão lá nem com escopro e martelo, e há também uma percentagem irrisória de sapatões, umas raridades tecnicamente do sexo feminino mas que apreciam exclusivamente gajas. Claro. É como haver por aí paneleiros a dar c'um pau, salvo seja, cada vez mais; que se fodam, umas e outros, não entram no pagode geral. Parece que até estes já inventaram uma forma de se traírem uns aos outros, e não é nada difícil adivinhar como, mas isso são contas de outro rosário e eu cá nem sei nada de paneleirices nem me interessa. Excepções e cartas fora do baralho existem sempre, em tudo e para tudo.

E não me custa nadinha admitir que há verdadeiras excepções, mulheres que nunca encornaram ninguém (como a minha santa Mãe, claro), onanistas militantes, duas ou três devotas enclausuradas, uns milhares no Afganistão e no Iraque, onde é fodidíssimo dar um pirafo, coitadinhas das muçulmanas, completamente nuas por debaixo da "burka" e os cabrões dos fundamentalistas ali à espreita, de pau em riste, não para lhes dar com ele mas para lhes dar com ele. E chega de excepções, que já enjoa.

Mas a regra, lá está, é fodida de todo. Gaja que é gaja, por mais "senhora" que se intitule ou seja de facto, cheira a sexo, sabe a sexo, sonha com sexo, pensa exclusivamente em sexo e em função do sexo; e quanto mais ciumenta, quanto mais furiosamente reservada, quanto mais acha e diz que as "outras" são todas uma cambada de galdérias, bom, aí calma, ainda pior; são as mais assanhadas. Não sei quem dizia que eu tenho a mania das progressões diametrais, mas enfim, nem acho nem isto tem nada a ver: o ciúme que uma mulher sente é directamente proporcional à culpa que realmente carrega, e inversamente proporcional à consciência que tem dessa culpa. Em suma, pessoal casado ou casadoiro, tomai lá um paradigma bestial: jovem, se a tua chavala é ciumenta com'ó caralho, se está sempre a mandar bocas foleiras porque tu galas as coxas daquela e fazes olhinhos àqueloutra, em vez de te rires e achares piadinha, ó parvalhão, põe-te mas é a pau - ou ela já te encornou, ou anda a encornar-te ou faz tenções de te encornar não tarda nada. Semper fidelis é nos comandos, ou nos fuzileiros, ou no caralho mais velho, mas não é de certeza lá em casa. Quem te julgas tu afinal, ó jovem? Pensas que és o maior, que a tens "segura", que ela, a "tua", nunca, mas nunca seria capaz de tal coisa? Pões a mão no fogo por ela, jovem? Pois. Bem me parecia. Vai contando carneiros, vá lá.

Bem sei eu, mas falta acrescentar e esclarecer, que a minha Encornação, a segunda, ocorreu mais ou menos por volta da septuagésima mulher no currículo(**). E que, entre a primeira, por volta dos 23 ou 24 anos, e a segunda, uns 16 ou 17 anos depois, devem ter decorrido aí umas cinquenta ou sessenta gajas; as outras (10? 15?) foram antes da primeira que me enchifrou. Neste doloroso, pungente, chatérrimo assunto, a execução de cálculos mentais ajuda muito; a contabilidade é um precioso auxiliar para o equilíbrio mental de toda a gente, e de mais a mais numa coisa tão fodida como assuntos de cama. Contar conas, para o gajo fodido dos cornos (que lhe puseram), é como contar carneiros para quem sofre de insónias: este acaba infalivelmente por se cansar e adormecer, aquele acaba fatalmente por cagar no assunto e esquecer.

É tudo uma questão algébrica, de número e de números: quanto mais, menos importante. E vice-versa. Não existe nada fora da ilusão, além da Matemática.




(**) - who the fuck is counting? Um gajo está entradote quando chega não aos quarenta mas às quarenta... e já não consegue contar mais, apenas calcular por médias anuais
(*) - não confundir "côrnos", plural de "corno", homem traído pela mulher, e "cornos", o plural de "corno", étimo que respeita aos apêndices ósseos que alguns (outros) animais apresentam na região frontal do focinho.

Consutório sentimental (1) - sexo anal
Consultório sentimental (2) - manter a chama
Consultório sentimental (3) - borborismo e outros ruídos

copyright do ditado impopular: © Dodo (http://001.blogspot.com)

comentários

20/07/05

Rititi come

http://rititi.com/

Ena. Tou pasmado. Se fosse ".org", ou mesmo ".net", ou ".tv", ainda vá, vá lá, compreendia. Assim, parabéns. Bom proveito. Bruxo, mas tá bem. É o que dá ter amiguinhos(*) dos bons. Sabe-la toda, a miúda.

("o domínio", diz ela. eheheheh. Pois sim. Oh. Domina-me, filha, domina-me que me dás gozo. Ai.)

Passarito Imbejoso Pracaralho

P.S.: se não fosses parvinha, o que gostarias de ser? Um barco à vela? Escritora? Hospedeira de bordo? Inteligente?

(*) evidentemente, quero que se foda o link do homem; deve ser engano, de resto

comentários

19/07/05

Terror menor


Esta rapariguinha de seus sete ou oito anos grita pela mãe, consecutivamente, infindavelmente. Grita. Guincha. Usa todos os músculos e articulações da garganta, e gesticula, e bate o pé. Ó mãeiiiiiiii!!! Mãeiiiiiiiii!!! Mãeiiiiiiiiiiiiii!!!
Uma gritadeira insuportável. A senhora sua mãe está a apenas dez passos, amenamente conversando, os cotovelos apoiados na janela, com alguém que se acha em sua viatura. Acha normal, a senhora, que o rebento grite a plenos pulmões; imaginará certamente que se trata de puro exercício vocal e peitoral, coisa de somenos importância, nada de mais, até é giro, desentopem-se-lhe as vias respiratórias, à criancinha, coitadinha. A criança não é malcriada, é "assim", é "hiperactiva".

Este rapazinho, quatro ou cinco anos, utiliza o chão de seu apartamento como pista de corridas. Não numa perspectiva automobilística mas apenas como "lane" de atletismo: corre da janela da sala até à janela do quarto do lado oposto, volta para trás até à janela da sala, toca-lhe e corre outra vez até à janela do quarto do lado oposto, e volta para trás, e uma, e duas, e três, e trinta, e trezentas vezes assim. É a chamada criança "hiperactiva", ou seja, esta nova subespécie humana que vai medrando em larga escala à qual tudo se permite, tudo se autoriza, e nada se proibe porque "é proibido proibir".

Aquele rapazinho, com o invejável curriculum de seis anos de experiência em infernizar a vida a toda a gente, não pára um segundo quieto com a sua preciosíssima bola de futebol. Tem jeito, o miúdo. Dá toques de cabeça, larga no pé e vai até três toques sem deixar cair. Mais tarde ou mais cedo, a bola lá vai parar a uma das mesas em redor; o puto chega-se e diz a um senhor de alguma idade: »Dá cá essa merda, caralho" - e regressa à sessão de toques virtuosos. Isto, é claro, em pleno restaurante. O senhor de idade, enfiado, arvora certo sorriso compreensivo, o mais adequado para a ocasião, o chamado sorriso número 423.

Os exemplos de terrorismo infantil, o menos citado dos terrorismos, são inúmeros e fastidiosos. Não é mais possível espetar com um valente bofardo em ganapo algum, hoje em dia. Acabou-se. Considera-se actualmente que um tabefe, uma chapada, um estalo, todas essas coisas que são meros sinónimos, constituem um pecado sem remissão, uma coisa execrável a merecer cadeia, de imediato. Às criancinhas confere-se um estatuto de absoluta e total impunidade, isto por cima da qualidade divina que lhes é inerente. A Criancinha (com letra maiúscula, note-se) é algo a que toda a gente deve prestar vassalagem, sem rebuço ou hesitação, sem pestanejar e sem sequer se pôr com ideias esquisitas - ou malévolas, o que vem a dar no mesmo - sobre o que fazer; não há nada a fazer com elas, com as criancinhas, a não ser vergar a mola e seguir obedecendo aos seus mais insignificantes caprichos.

Foi esta nova classe de monstros que a minha geração criou. A minha geração, a verdadeira geração rasca. A gentinha das amplas liberdades, do haxixe e das anfetaminas, das certezas para tudo menos para alguma coisa em concreto. Os paizinhos babosos de garotos nojentos, que foram transformados em garotos nojentos, paizinhos esses que transformam o puro terror que sentem dos filhos em coisas tão elevadas como "pedagogia" e "compreensão". Nunca por nunca, a nenhuma destas bestas de trintas e quarentas, ocorre a mais leve alternativa ao laxismo e à cobardia; apenas conhecem um regime educacional, e este é o da mais profunda e total bandalheira. No fundo, o papá típico actual possui uma única aspiração na vida: que os seus filhos cresçam e desapareçam. É por isso que, nas mais altas instâncias educativas, fervilham planos para aumentar o tempo de permanência das crianças nas escolas: é para os pais se verem livres deles, dos filhos; para terem algum sossego. É por isso que nenhum pai reage minimamente, mesmo que o seu filhinho querido torture um gato até à morte, que o meta no micro-ondas e ligue o botão: ele é lá capaz de uma coisa dessas! É por isso também que as crianças buscam tão desesperadamente o mais leve vestígio de autoridade, que procuram afincadamente alguém que lhes transmita um módico de conforto, alguma sensação de tranquilidade, um pouco de segurança.

O culto da juventude está de tal forma normalizado que já ninguém estranha que se abandonem dezenas de velhos, nos hospitais, todos os anos antes das férias. Vão a Santa Maria e vejam com os vossos próprios olhos. Os cães, conhecidos por "melhor amigo do homem" e brinquedo preferencial da raça infantil, são muito melhor alimentados, vestidos e tratados, do que o mais relevante (ou insignificante, pouco importa) septuagenário. Se não há um lugar sentado disponível, em qualquer transporte público, reparem em quem tem a primazia, a prioridade, o direito absoluto; se alguém oferece assento a uma grávida, logo virá um rapazola tomar posse, sem que ninguém se atreva a dizer seja o que for.

E talvez seja por isto estar a acontecer, talvez seja por o terrorismo infantil estar já tão entranhado nos nossos hábitos, que se presume ser a infância, esse curtíssimo período de vida pelo qual todos fatalmente passamos, não uma fase transitória mas algo de perene e definitivo: a criança é uma entidade secular autónoma, paralisada no tempo, permanente e absoluta. A criança é objecto de culto, embevecido e beato, sem qualquer espécie de medida ou de relativização, exactamente na medida da sua crescente raridade - como o ouro ou as pedras preciosas - e sem que sequer seja possível duvidar da sua intrínseca marca sagrada.

No entanto, as próprias crianças, cuja fragilidade obriga à construção de maiores e mais eficazes defesas, são as primeiras a desconfiar de que algo está podre, algures. Sabem que alguma coisa não bate certo. E conhecem perfeitamente quem lhes quer bem apenas porque sim, e aqueles outros que apenas fingem querer-lhes bem apenas porque lhes têm medo: a tal geração rasca atulhada de substâncias químicas, a maralha dos Woodstock e dos Live Aid.

Será necessário esperar pela próxima geração, por conseguinte. Os putos de hoje, na tradição milenar de "contestação" geracional, serão os primeiros a reinstituir a terapia da chapada na cara, nos seus próprios filhos. Afinal, serão eles os primeiros a concluir que não é um estalo que pode ser traumático; o que pode causar trauma é a falta de um estalo na altura certa.

E talvez, quem sabe, mesmo com todo o desprezo que nutrem pelos seus pais, pode ser que um dia os não abandonem em qualquer Santa Maria.

comentários

17/07/05




http://www.glassgiant.com/misc_wanted_poster.php

comentários

14/07/05

Vomitódromo


Ávião sem asa, fuguêra sem brasa
Sou eu ássim sem você
Futchiból sem bola. Piu-Piu sem Frájóla
Sou eu ássim sem você

Por qu'é qui tem qui sê ássim?
Si o meu dêsêjo naum tem fim
Eu tchi quero a tod' instantchi
Nem miu auto-falantchiz
Vão pudê fálá purr mim

Amô sem beijinho,
Buchecha sem Claudjinho
Sou eu ássim sem você
Circo sem pálháço, námoro sem ámásso
Sou eu ássim sem você
Tô lôca pra tchi vê chegá
Tô lôuca pra tchi tê nais mãuns
Deitá no teu ábraço, retomá u pedaço
Qui fauta no meu côráção

Eu não existo longi dji você
E a sôlidão é o meu pior castchigo
Eu conto as hóirais pra poder tchi vê
Mas o rélógio tá dji mau cumigo Porquê? Pooooooorquiê?

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu ássim sem você
Carro sem isstrada, queijo sem goiabada
Sou eu ássim sem você

Por qu'é qui tem qui sê ássim?
Si meu desêjo não tem fim
Eu tchi quero à todo instantchi
Nem miu auto-falantchiz
Vão pudê falá purr mim

Eu não existo longi dji você
E a solidão é o meu pior casstchigo
Eu conto as hóirais pra poder tchi vê
Mas o rélógio tá dji mau cumigo

Adriana Calcanhota

(Se um cristão prometer que vai aprender o que raio vem a ser "amasso" e quem diabo foi o Frajola do Piu-piu, será que este massacre acaba, nas rádios portuguesas? Será? Então, tá bem. Prometo. Lá terei de ver que merdas são aquelas. Buchecha e Claudjinho serão Bucha & Estica? E para quando um dicionário de Brasileiro-Português? Hem? Para quando? E um site de anedotas de brasucas? Hmmm?)

comentários

Por uma Justiça pautada


Confunde-me sinceramente o facto de toda a gente desatar a rir, sempre que refiro este assunto. Não percebo onde é que está a piada. O caso é que, realmente, estamos com um sério problema de sobrelotação das nossas cadeias e outros estabelecimentos de reclusão, como as chamadas "casas de correcção" para menores. Há que arranjar alternativas, com urgência, por forma a evitar que os nossos políticos prossigam a sangria administrativa da população prisional; é que, à boa maneira portuguesa do mais expedito desenrascanço, verificando-se uma cada vez maior procura desse género de estabelecimentos e, por consequência, tornando-se verdadeiramente aflitiva a falta de camas disponíveis, a solução encontrada pelos nossos governantes consiste em desalojar prisioneiros às centenas - reduzindo-lhes as penas, amnistiando-os a trouxe-mouxe ou, mais simplesmente ainda, abstendo-se o poder judicial de sequer julgar - para não ter de enclausurar.

Esta política, de cariz estritamente liberal, em sentido literal, prosseguida desde os finais dos anos 70 do século passado, é evidentemente perigosa e de resultados desastrosos a curto prazo, o que é perfeitamente visível em qualquer lugar minimamente frequentado; basta qualquer um olhar em redor, numa praia, num café ou num restaurante, e avaliar por si próprio, mentalmente, a quantidade de gatunos, golpistas, bandidos e marginais em geral que ali estão, repimpadamente despachando suas pratadas de marisco e emborcando suas "tacinhas" de verde fresquinho. Não é possível que, nestes tempos de crise económica gravíssima, as esplanadas estejam - em qualquer dia da semana, útil ou inútil, e a qualquer hora matinal ou vespertina - sempre cheias, cheias a abarrotar de gente; como se pode compreender que todas as catedrais do consumo estejam sempre atestadas, os empregados numa lufa-lufa, quando se sabe de fontes seguríssimas que vai por aí uma crise do piorio?

Pois, é lógico, isto é tudo pessoal que foi despejado das cadeias. A maior parte dos comensais e compradores, em marisqueiras e em centros-comerciais, é constituída por ex-reclusos, gente que devia estar a cumprir pena mas não tem vaga. Não são apenas os governantes quem gasta neurónios à cata de soluções esvaziantes, mas também os nossos mais eminentes legistas, gabinetes, comissões e instituições especializadas, enfim, existem milhares de pessoas cuja função consiste em desenrascar maneiras de aliviar as cadeias de ocupantes. O problema é atacado em duas frentes, por assim dizer, ou em duas vertentes, uma a montante e outra a jusante: por um lado, promulgam-se amnistias e comutam-se e reduzem-se administrativamente todas as penas de prisão efectiva; por outro, evita-se a todo o custo levar alguém sequer a julgamento; atacando em ambas as frentes em simultâneo, e de uma penada, despenalizam-se crimes (aborto, drogas "leves", cheques sem cobertura) e, de forma insidiosa mas abrangente, instila-se na opinião pública uma cultura de irresponsabilidade e de inimputabilidade máximas, sob a capa de "tolerância" e de outras igualmente belas palavras.

A motivação subjacente carece em absoluto de qualquer fundamento humanitário, ou sequer democrático, não tendo rigorosamente nada a ver com o próprio conceito de justiça. A inimputabilidade juvenil, por exemplo, varia na razão directa e em função exclusiva das vagas existentes nos estabelecimentos antigamente designados por "reformatórios": quanto menos vagas, mais aumenta a idade necessária para que um cidadão seja criminalmente imputável. O mesmo vale, é claro, para todos os outros enquadramentos e estruturas penais, apenas se adaptando algumas questões de pormenor conforme as conveniências políticas do momento.

Enfim, tudo isto é velho e relho, além de muito conhecido. Nem vale a pena continuar malhando em ferro frio. A questão reside no seguinte: o que fazer? Quid? Em resumo: atonces e agora?

Bem, pronto. Cá estamos. Vá lá ver se ninguém se ri. A coisa é séria, repito. Lá vai.

Que se cagasse nossa Justiça para abolições, amnistiações, reduções e merdas que tais acabadas em ões, todas resultantes da mais evidente falta de testículos, em nossos governantes e legisladores, para de uma vez por todas acabar com o crime. Que se aplicassem penas de facto, aos criminosos, que se lhes fizesse pagar, que vingasse por fim a antiquíssima máxima: o crime não compensa. E seria então isto: substituir penas de prisão por penas de audição. Em vez de quatro anos de prisão efectiva, por crime de falsificação de documentos, por estupro, pelo raio que o parta, o criminoso levaria uma pena de quatro meses de audição: as obras completas de Clemente, por exemplo, ou de Dino Meira, não abusando.

Quatro meses, vinte e quatro horas por dia, um capacete hermeticamente fechado, na cabeça do meliante, toma lá, pimba pimba trolaró e tal, mãezinha, escrevi-te uma carta, ió ió ió lara-lari-larai. Dia e noite, vejamos. Haverá castigo maior? Seria substituir, com propriedade, a total ineficácia da privação da liberdade de movimento pela efectiva privação da liberdade de pensamento. O infeliz a quem fosse enfiado o capacete, com auscultadores incorporados e bateria de lítio, teria de aguentar 120 dias de verdadeira tortura, findos os quais, se entretanto não tivesse enlouquecido, poderia reflectir maduramente sobre o peso esmagador, sobre a pena insuportável que lhe cairia em cima no muito improvável caso de reincidir. Isto sim, seria política de reinserção social para os criminosos. Não custa nada prever os efeitos devastadores, a níveis sensorial e principalmente emocional, que tais condenações acarretariam. Gajo que fosse apanhado no gamanço, carteiristas e assim, era logo sumariamente julgado e posto a capacete integral, tendo que gramar doses maciças de Mónica Sintra ou Marco Paulo, por exemplo, e, nos casos mais graves, pedofilia, assassinato em série, gosto por explosivos, era logo de Pet Shop Boys para cima, umas selecções de Tom Jones, The Scorpions, El Chato, etc. Sem dó nem piedade. Auscultadores no máximo, aparelhagem HI-Fi incorporada no capacete (integral, pois claro), para que o condenado se alimentasse apenas por palhinha e não pudesse lavar nem o focinho nem o cabelo enquanto cumprisse pena. Supimpa. Os índices de criminalidade reduzir-se-iam de imediato a números insignificantes. E acabaria finalmente o problema da sobrelotação das cadeias. Mais de 90% da nossa população prisional é constituída por gentinha pequena, tesos com pedigree, pessoas que não roubaram o suficiente para pagar a advogados minimamente decentes, palermitas sem um módico de conhecimentos nas altas (ou médias, ou baixas) instâncias do Poder. É a mesma gente que se atulha de música pimba, quando em liberdade, e que restringe a liberdade e o espaço vital das pessoas decentes com essa mesma merda, sempre, sempre, sempre em altos berros. Seria portanto de elementar justiça dar-lhes a provar do próprio veneno, em função e na medida dos seus crimes: cada cheque careca, uma semana de Emanuel. Uma cena canalha, metendo putas e copos, uma facadazita matreira, avia-te lá com 15 dias, 360 horas de Zé Cabra.

Mas qual é a piada? Isto é altamente científico! Estão mais do que provados os efeitos nefastos, para a saúde mental do ser-humano, deste sub-género de ruído! Parem lá de rir, caralhosmafodam! Experimentem e vão ver. Uma hora, uma horita só. Ponham lá uns auscultadores com aquelas merdas no máximo. A ver.

Ora foda-se. Sério. Se continuam a rir já não digo mais nada. Pronto. Acabou-se. Agora zanguei-me. Bardamerda.

comentários

se calhar sem métrica


Vi-te há pouco na rua, ainda agora, foi só um instante,
um relance, um segundo, nem sequer me reconheceste!
Como se não houvesse passado, nunca, nunca, jamais;
aquelas palavras não foram ditas, não, nem nunca mais.

Pareceu-me que me viste, ainda assim, estarei errado?
Houve ali, acho, um momento em que o teu olhar refulgiu,
ou foi só impressão minha, erro meu, estou enganado;
se calhar não foi nada, se calhar o teu olhar não me viu.

Se calhar, nem eu nem tu lá estivemos agora, foi engano;
por mero acaso nos cruzamos, numa rua assim, casual,
beco sem saída desembocando num estúpido desagrado.

Se calhar a ilusão maior foi antes, esse erro fatal, insano,
não agora que nos cruzamos por acaso, sem nenhum mal,
sem qualquer ferida, assim tão longe de qualquer passado.

comentários

12/07/05

O homem é o melhor amigo do cão

interlúdio calminho

A segunda espécie mais bem sucedida, a seguir à espécie humana e se não se contar com os ratos, é o cão. Depois destas duas ou três espécies, entre o cão e o rato, aparece o comunista: esse filho-da-puta nojento, execrável, essa coisinha abjecta com pernas à qual, Deus me perdoe, apenas me ocorreria fazer uma coisa, se pudesse: trucidá-los, a esses filhos-da-puta, a esses miseráveis sem um pingo de humanidade, a essa gentalha asquerosa, a essa turba de sacerdotes da bondade a granel. Odeio os comunistas. Esses assassinos encapotados. Odeio comunistas. Esses facínoras, inqualificáveis mas ainda assim facínoras. Odeio esses filhos-da-puta. Se pudesse, liquidava-os um a um, antes de que eles me fizessem democraticamente o mesmo. Odeio comunistas. Não se me dava nada de fodê-los todos a tiro, um por um ou em carreirinha, a começar na abjecta Odete Santos e a acabar no repugnante Jerónimo Não Sei Das Quantas..
Odeio os comunistas. Odeio comunistas. Odeio esses filhos-da-puta. Odeio comunistas. Odeio os comunistas. Odeio comunistas. Odeio esses filhos-da-puta. Odeio comunistas. Odeio os comunistas. Odeio comunistas. Odeio esses filhos-da-puta. Odeio comunistas.
Venham cá agarrar-me, seus filhos-da-puta. Estou à vossa espera. Bem sei que o meu entrecosto vos agradaria, assim suculento e temperado com ideias fassssssssssistas. Que vos faça bom proveito, seus abutres, seus filhos-da-puta, cambada de assassinos.
Regalai-vos com a vossa bondosa e altruística necrofilia, a puta da vossa especialidade.

comentários

11/07/05

Diana Andringa Lights (low tar)

O Governo adverte de que o uso de praia pode prejudicar a saúde

Interessante "investigação jornalística" da insigne candidata comunista à Câmara de Algures de Baixo. Vale a pena perder, em sentido literal, 19 minutos e 51 segundos de vida útil visualizando a película.

Todos os meus amigos e conhecidos racicamente minoritários, por assim dizer de aspecto mais bronzeado, pretos de diversas etnias, mulatos e indianos, partilham da mesma opinião a respeito do tal arrastão que a Diana diz que não existiu: era correr esses cabrões à paulada; sejam 40 ou 400, o que eles fizeram vai afectar principalmente aqueles que não tiveram nada a ver com o assunto.

Comunistas e trogloditas que se dizem de extrema-direita partilham de muitos pontos de vista, e a questão rácica é um deles: para os que sofrem da afecção cerebral geralmente designada por "marxismo", nenhum "negro" é culpado de coisa alguma, precisamente porque é "negro", coitadinho; os facínoras das claques de futebol e outros marginais que se intitulam de "nazis", "fascistas" ou "cabeças rapadas", acham que todos os pretos são culpados de tudo e mais alguma coisa, precisamente porque são pretos, os cabrões. Escusado será dizer que merecem tanto crédito uma como outra das "opiniões"; os "skin heads" deveriam ser rebaptizados como "empty heads" e, quanto ao maralhal comunistóide, não devo ser o único a julgar que deveriam ser internados em instituições especializadas, a expensas do Estado e com medicação grátis e à discrição.

Esta tal "investigação" da Diana é, de facto, mais do que um documentário, um verdadeiro documento. Um monumento àquilo a que os comunistas chamam "a verdade a que temos direito". Entre outras interessantes perspectivas, destaca-se aquela que constitui a verdadeira raíz do problema: foram 30 ou 40, não 300 ou 400, os pretos que "praticaram actos ilícitos" na praia de Carcavelos, em 10 de Junho. Ora, se foram 30 ou 40 e não 300 ou 400, presume-se que não houve, afinal, "arrastão" nenhum; isso são bocas da reacção, intoxicação da opinião pública e outras maldades que os "fasssssssssistas" habituais costumam utilizar para denegrir aquela gente, os "desfavorecidos" de bronze mais intenso. Aliás, tanto não houve "arrastão" quanto o que se passou foi apenas a prática de "actos ilícitos". Clarinho como água. Se tivessem sido realmente 300 ou 400, paciência, a esquerdalhada lá teria de engolir o sapo e admitir que sim, realmente, tinha havido "arrastão"; assim, apenas e só 30 ou 40, nada feito, népia, qual arrastão qual quê, aquilo não foi nada, nadica, o que é isso de 30 ou 40 "jovens" a gamar umas coisitas? Pfff!

De resto, a História comprova à saciedade - salvas as devidas distâncias - como vingaram sistematicamente as teses marxistas sobre a violência em geral e sobre o crime em particular: Estaline, o paizinho dos povos, não foi responsável pelo genocídio de 30 milhões de seres-humanos; como não foram setenta mas apenas três milhões, não houve genocídio algum; foi apenas um ligeiro "desvio ideológico"; Pol-Pot, esse benemérito Khmer Vermelho, não mandou exterminar 1.400.000 dos seus compatriotas; não, nada disso, foram apenas 140.000, não foi extermínio mas uma simples purga, uma purgazita insignificante. Esta lógica decimal estende-se, de resto, a qualquer dos bandidos comunistas que governam ou alguma vez governaram no mundo, de Angola a Cuba, passando pelo Vietname e pela China: cada crime comunista deixa de o ser quando reduzido a 10%, a verdadeira e única medida que a ideologia reconhece.

Quando se tortura alguém durante dias a fio, em qualquer dos paraísos socialistas, a tortura facilmente passa a "persuasão activa" desde que se diga que foram apenas algumas horas e que não houve nem choques eléctricos nem tortura do sono mas apenas um "diálogo franco e aberto".

Se algum "responsável" político se passa dos carretos e se excede um pedacito, como foi o caso de Lavrenti Beria (NKVD/KGB) ou de Erich Mielke (Stasi), apagam-se simplesmente da História, fazem-se desaparecer, apagam-se das fotografias, rasuram-se nos jornais e nos livros. Logo, como nunca existiram, os seus crimes também não. Ora, como esta cosmética histórica é efectuada em apenas 10% dos líderes e responsáveis comunistas, não se trata de "reescrever a História" mas de "reenquadramento histórico", apenas.

Com esta escola, com esta formação científica e algébrica, alumiada pelo brilho refulgente dos ideólogos comunistas, não admira que Diana Andringa seja capaz de tão brilhante prestidigitação factual. Mais coisa menos coisa, mais 10% menos 10%, resulta portanto que não houve "arrastão", que não havia negros na praia e que não aconteceu, em resumo, absolutamente porra nenhuma.

Também, o que ganharia ela com a instilação de tão revolucionária tese? Está-se mesmo a ver que nada, nada de nada, a senhora deu-se à maçada de encadear um chorrilho de mentiras apenas pelo seu intrínseco amor à justiça, à verdade, à igualdade, etc. O facto de ser candidata a tremendo tacho na Câmara da Amadora, bem, isso é pura coincidência. Não tem nada a ver. Parece que não eram da Amadora, os pretos que não estiveram na praia de Carcavelos, os tais que não roubaram nem agrediram nem insultaram ninguém.

Bom. Talvez 10%. Uns 3 ou 4, no máximo. Não conta, portanto. Resta-lhe imaculada a reputação, à Diana, e a percentagem. Porque o socialismo ganha à comissão.

comentários