Odi profanum vulgus et arceo

17/11/05

email umbiguista

Olá M.

Agora já não deve valer a pena transcrever o teu email. Recebeste a mensagem, é o que interessa. Aliás, acho muita piada a mim mesmo quando me surpreendo a raciocinar sobre o 001 como se fosse alguma coisa séria; ou como se fosse alguma coisa, de resto. E acredita que estou cada vez mais satisfeito com as crescentes obscuridade e insignificância do blog; já não é apenas o anonimato - esse pecado de lesa-mediocridade - que me permite alguma liberdade; principalmente desde que retirei a ferramenta de comentários e as listas de "favoritos" e de acessos, o blog ficou reduzido à sua verdadeira dimensão (nenhuma) e importância (zero); não contando com os teimosos e as simpáticas de sempre, a minha página deve ser a mais autista do mundo.

Aliás, era essa a intenção inicial, e daí o próprio endereço virtual: zero (0) de importância, zero (0) de dimensão, uma única (1) pessoa, eu, e ainda para mais não passando de espécime extinto. Olha que bem. Surpreende-me que ainda alguém espreite os meus escritos e, de certa forma, torna-se incómodo. A liberdade de escrita, que é igual à liberdade de pensamento com um código mais formal, depende e varia na razão directa do grau de privacidade; já tentei explicar esta teoria de diversas formas, tentando torná-la mais clara e objectiva, mas não é nada fácil por causa das palavras; uma ideia pode ser claríssima, na nossa cabeça, mas ficar muito complicada e dúbia quando verbalizada.

No fundo, com a ajuda da velha mania dos silogismos e das máximas paradigmáticas, trata-se de conservar um módico de independência através do distanciamento máximo. Cada pessoa que lê o que alguém escreveu (ou que ouve o que alguém diz) vai fatalmente condicionar aquilo que futuramente se dirá ou escreverá; e isto vale nos dois sentidos. Principalmente nos blogs, o fenómeno é facílimo de identificar: quantos são hoje produzidos sem um público(zinho) específico? A partir de uma "entourage" prévia de amigos e conhecidos, o "blogger" lança os seus primeiros conteúdos já contando com (e em função de) esse reduzido "público"-alvo; em pouco tempo se forma uma teia envolvente de conhecimentos e de simpatias que, alargando em número esse alvo, irá paradoxalmente restringir a margem de manobra do(s) autor(es); rapidamente, de forma quase alucinante, cada blog acaba por assumir uma personalidade própria, mescla da identidade de quem o faz e de quem o lê. O que acontece de curioso, por regra, é que essa personalidade é ditada de fora para dentro, ou seja, um autor começa por captar leitores em função daquilo que escreve, mas são esses leitores que passarão a influenciar o autor - acabando por lhe condicionar a escrita, podendo ainda, em extremo, liquidar pura e simplesmente toda a criatividade que antes pudesse ter existido. São inúmeros (e conhecidos) os casos de blogs que, desde há muito, escrevem e produzem conteúdos exclusivamente em função daquilo que os seus visitantes pretendem. É um ciclo vicioso: quanto mais público, menos heterogéneo este será (outro paradoxo aparente) e mais dependente desse público e desse crescendo de público será o conteúdo. Como o sabonete Lux para as estrelas de cinema, nove em cada dez blogs ditos de referência são escritos segundo aquilo que o(s) autor(es) julga(m) que os leitores esperam dele(s). É uma forma de ditadura das audiências, salvas as devidas distâncias; para aferir da eficácia do paradigma (e do paradoxo), basta ver o número de almoços, jantares, passeios, encontros e colóquios de blogs - formas aparentemente elevadas mas absolutamente primárias de palmadinhas nas costas, de demarcação de territórios, de estabelecimento de hierarquias e mesmo, esporadicamente, de formação de pares.

Disto decorre a conhecidíssima irritação, por parte dos patriarcas da chamada "blogosfera" e de outros balofos que tal, para com o anonimato em geral e a heteronimia em particular. Claro que é condição indispensável, para comparecer em tertúlias ou em festanças, levar o próprio corpo, com umas pernas por baixo e uma cabeça em cima; a não ser que se inventasse uma sessão de catadela em grupo levando cada qual sua máscara integral, dos pés à cabeça e com dispositivo de empastelamento da voz, convenhamos que não dá muito jeito a um anónimo comparecer em semelhantes eventos. Ora, isso torna-se de facto irritante, porque o anónimo foge ao controlo, à influência, quiçá ao putativo esmagamento intelectual por parte dos "bravos" identificados (geralmente tão anónimos como qualquer peixeira, mas que gostariam de o não ser). Se um anónimo militante (sete ou oito, contando comigo) recusa convites(1), se não aparece - justamente para, no mínimo, preservar o seu precioso anonimato - e se, por consequência, recusa o escrutínio da "inteligentsia" instalada(2), essa mesma fica de mãos a abanar, zoologicamente falando: não podem dizer a esse, por exemplo, "olá, eu sou Fulano de Tal, do blog macacosmemordam.blogspot.com"; é uma maçada, o anónimo não vai responder porra nenhuma, a começar porque nem sequer está presente, e assim o "valentão" identificado perde um possível leitor ou, quem sabe, um aliado ou simples compincha.

Uma coisa é, evidentemente, não confundamos, o comentário anónimo (e, esse sim, pode bem ser soez, cobarde, canalha) e outra bem diferente é o autor anónimo. Tanto se me dá, indo por analogia à literatura, que Manuel Tiago tenha resolvido botar a boca no trombone como sendo Álvaro Cunhal; ou que Miguel Torga seja afinal Adolfo Correia da Rocha; ou assim por diante, existem dezenas ou centenas de casos. O que é um nome, para o autor? Quanto vale, quando vale alguma coisa? É o autor quem faz o seu nome, ou é o nome aquilo que faz um autor?

Guardadas mais uma vez as devidas distâncias, no blogbairro a questão é a mesma. E se eu não gostar de cumprimentar os vizinhos, e muito menos de que os vizinhos me cumprimentem? Mas por que cargas de água hei-de eu catar os outros macacos, se nem me apetece? Logo eu, que nem macaco sou, pobre ave pernalta de bico adunco, e ademais extinta. Que se lixem. Passem muito bem, em suas importantes saúdes, é o que mais desejo. Quero sossego, não posso? Não dão licença, não?

Mas isto, a liberdade para ser anti-social, ou o direito a ter hipoglicémia, por exemplo, é apenas uma parte da questão. Basicamente, o anonimato pode ser uma atitude deliberada, consciente e determinada. Pode resultar daquilo a que a intelectualite dominante chamaria "busca interior": quem sou eu? Até que ponto serei capaz de ir? E se, afinal, tudo aquilo que penso estiver errado? O que haverá do outro lado? O que pensará um fascista? Os comunistas, serão eles humanos? Afinal, o Pessoa era bichona ou não era? O que haverá hoje para o jantar?

Coisas assim, profundas e deliberativas, às quais apenas se acede sem engulhos mentais, sem preocupações de agradar ou de desagradar e, principalmente, sempre cagando de alto(3) naquilo que Fulano, Beltrano ou Sicrano irão dizer, pensar ou até escrever sobre o que eu digo, penso ou até escrevo. Atingir este nirvana intelectual, este karma cagativo, o anonimato absoluto, é não pequeno empreendimento; dá uma trabalheira dos diabos não entrar em guerrinhas entre grupos e entre indivíduos, não responder a quase nada - nem sequer à maioria das mensagens que, estranhamente, ainda vou recebendo.

Esta é uma excepção, portanto. Dupla. Mas não te preocupes, amiga M. Tenho a certeza de que ninguém vai ler isto.

De resto, devo confessar que se me varreu completamente o motivo inicial desta troca de correspondência. Bom, assim com'ássim, tendo a coisa descambado para o micro-ensaio, deixemo-lo seguir como está. Isto de blogs, de posts, de emails, é como o Melhoral: nem faz bem nem faz mal.

Um abraço.

D




(1) nunca tive a oportunidade de recusar um único, note-se
(2) inteligentsia: polícia política, serviços de espionagem; inteligentsia instalada: polícia mental, serviços de espionagem
(3) pardon my French

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16/11/05

Ainda Kafka

Esta nota de 1000 coroas, impressa em 1902, circulou no espaço do Império Austro-Húngaro; depois (Novembro 1918), provavelmente manteve o seu valor facial na Áustria e na Hungria enquanto países independentes.

Em 12.03.1938, com o chamado "Anschluß", passou a ter validade na Grande Alemanha até à desintegração desta, em 1945. O carimbo vermelho que se vê na nota diz "DeutschÖsterreich".

Quem sabe não terá passado pelas mãos do tio Franz...

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Kafka adjectivo


1. Relativo a Franz Kafka, (1883-1924), escritor judeu de língua alemã nascido na cidade de Praga (pertencente, na época, ao Império Austro-Húngaro e actualmente à República Checa) ou à sua obra; 1.1. Que, de forma semelhante à obra de Kafka, evoca uma atmosfera de pesadelo, de absurdo, especialmente num contexto burocrático que escapa a qualquer lógica ou racionalidade (diz-se de situação, obra artística, narração, etc.).
(Dic. Houaiss)

Nada estava perdido. Corríamos para a parte da frente da casa. «Graças a Deus que aqui estás!» - «Chegas sempre atrasado!» - «Mas porque é que sou só eu?» - «Porque és mesmo tu, porque é que não ficas em casa se não queres vir?» - «Tolerância zero.» - «Mas "tolerância zero" porquê? Que história vem a ser essa?»
(in Contos, "Crianças numa estrada de província", F. Kafka)

Assim como nunca ninguém leu coisa alguma de M. de la Palisse, até porque M. de la Palisse nunca escreveu nada, também Kafka é profusamente citado por gente que, na sua imensa maioria, nunca leu uma única linha dos seus escritos. De resto, o próprio Kafka tinha deixado expresso o pedido de que, assim que morresse, lhe destruíssem todos os manuscritos; foi um amigo seu (Max Brod) quem resolveu desobedecer ao pedido do autor, publicando postumamente toda a obra que hoje é conhecida. Conhecida, mas nem por isso lida, repito. Aliás, não é que isso valha muito a pena e, provavelmente, Kafka tinha alguma razão no pedido testamentário.

Mas a curiosidade da questão permanece: porquê "kafkiano"? Porque se diz vulgarmente, por exemplo a respeito das repartições públicas portuguesas, que o ambiente, ou os processos administrativos, ou mesmo o funcionário do "guichet", porque será que é tudo "kafkiano"? Conceitos como incompetência ou laxismo são sistematicamente substituídos pelo muito mais simples, redutor e obscuro adjectivo "kafkiano". E se esse simplismo já é um pouco estranho, por outro lado há coisas realmente kafkianas - no sentido restrito de que estão claramente expressas nas obras daquele autor - que não são nunca tidas por "kafkianas". É o caso da chamada "tolerância zero", um conceito geralmente aplicado localmente (no Algarve) e pontualmente (no Verão), e de forma hipocritamente restrita (trânsito automóvel). No entanto, a ideia terminológica original é do próprio Franz Kafka, pelo que se vê, mas existe sempre alguém que se ufana da autoria de tal conceito - tipicamente, um governante ou um quadro das forças policiais.

Ora, como diz o verdadeiro pai da ideia, "mas tolerância zero porquê? Que história vem a ser essa?"

É realmente, por excepção, algo de kafkiano: tolerância zero é uma expressão totalmente vazia de significado, alardeada pelas chamadas entidades oficiais com o objectivo único de explorar os automobilistas incautos, através de multas, coimas e arrestos; os condutores, por sua vez, bem como a população em geral, aceitam a imposição dessa espécie de estado-de-sítio automobilístico como algo de positivo, ou efectivo ou mesmo necessário. Tolerância zero num determinado troço de estrada ou em certa época do ano é algo de tremendamente hipócrita, injusto, imbecil, para não dizer desonesto ou mesmo criminoso; tolerância zero na EN125 ou no IP1, por exemplo, apenas nos meses de Julho e Agosto, acaba por passar a mensagem subliminar de que, fora daquelas rodovias e no resto do ano, existe tolerância total às manobras perigosas, ao excesso de velocidade e a todas e quaisquer outras infracções de trânsito. Isto porque, evidentemente, a mecânica mental da população - extremamente primária, absolutamente pavloviana - fabrica de imediato a seguinte conclusão: se agora e aqui é "tolerância zero", mais adiante e mais tarde a coisa passará a ser tolerância 1, ou tolerância 2, ou tolerância 3, ou seja, a tolerância toda. A balda total, algo de extremamente reconfortante para os hábitos nacionais.

E isso mesmo, a balda total, suprema aspiração da besta automobilizada, isso é o cúmulo, o superlativo do adjectivo. O trânsito em Portugal é absolutamente kafkiano: atmosfera de pesadelo, de absurdo, algo que escapa a qualquer lógica ou racionalidade. E não necessariamente em "contexto burocrático". É nas estradas e ruas do nosso país, mesmo.

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14/11/05

O silêncio dos culpados



fogo. Presidente da Câmara de Carpentras, Jean-Claude
Andrieu, olha as paredes calcinadas de um infantário,
incendiado durante a última noite

Diário de Notícias, 14.11.05

Neste infantário, costumavam reunir-se tenebrosos fascistas, capitalistas e exploradores, sinistros conspiradores de 3, e 4, e 5 anos; na mesa que ali se vê, aqueles energúmenos passavam o dia, desde manhã muito cedo, planeando as suas criminosas manobras policiais de cerco e assalto, discutindo horripilantes métodos de extermínio, distribuindo tarefas e cargos de repressão entre todos; sabe-se lá, ao certo, quantas armas (e mesmo que armamento pesado) terão passado uns aos outros, por debaixo dos bibes. Aquelas cadeirinhas coloridas não enganam ninguém, se era essa a intenção: nota-se perfeitamente que se trata de material fabricado pela CIA, com óbvias intenções hostis, facto que é aliás denunciado pelos mapas militares afixados nas paredes, e que escaparam, infelizmente, ao fogo purificador.

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Cara (e já veterana) vizinha Riacho,
 
Reli várias vezes a tua mensagem. Juro que não entendi grande coisa. Devo estar (ou ser realmente) muito lerdo. É que a terceiranista é aquela tal do "manteu", não é (nunca por nunca) a minha amiga do Canadá - que tão bem escreve, autora do meu "alfa & omega" favorito, além de blog idem!
 
Simplesmente, não fiz "link" a esse blog da futura Educadora de Infância (também és isso?, mas que grande coincidência, bálhamedeus!), porque achei desnecessário e arrogante; se fosse alguma figura conhecida, ou uma qualquer figurinha do blogbairro, como já aconteceu, ah, bem, então lá seguiriam as orelhas de burro com destinatário certo. Assim, nem eu próprio sei agora qual é o endereço onde pesquei semelhante pérola; mas a coisa era apenas em jeito de (péssimo) exemplo.
 
Repara na conjugação googliana:
(nós mantemos "não vale")
(vós mantestes não existe)
 
A julgar pelos números, pela profusão de bacoradas, afinal a coisa até não é nada invulgar.

É muito provável que, dentro de um mês, a tal pérola já tenha sido pescada pela própria Google. Então saberemos exactamente onde estava ela, se tal for necessário - o que não me parece.
 
Com as minhas desculpas, ainda assim, caso tenha subsistido algum equívoco por causa daquele meu "post" irritantemente mal escrito, um abraço do tamanho do Atlântico.

D


P.S.: posso transcrever aqui o teu email?

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13/11/05

Portugal: inventário de Capitais

(em constante actualização)

Lisboa: Capital de Portugal
Paços de Ferreira: Capital do móvel
Porto: Capital Europeia da Cultura (2001)
Porto: Capital do Norte
Mirandela: Capital da alheira
Estremoz: Capital dos tapetes de Estremoz
Cascais: Capital do capital
Golegã: Capital do cavalo
Santarém: Capital do Distrito de Santarém
Coimbra: Capital Nacional da Cultura (2003)
Avintes: Capital da broa d'Avintes
Funchal: Capital do arquipélago da Madeira
Faro: Capital da província do Algarve
Estoril: Capital do jogo
Guimarães: Capital do Condado Portucalense
Almeirim: Capital das caralhotas
Bilros: Capital das rendas de Bilros
Gaia: Capital do vinho do Porto
Lagos: Capital do Reino dos Algarves
Braga: Capital do caminho português de Santiago
Braga: Capital do software
Braga: Capital dos arcebispos
Beja: Capital do chouriço alentejano
Belém: Capital dos pastéis de Belém
Nisa: Capital do queijo de Nisa
Benfica: Capital da Nação Benfiquista
Viana-do-Castelo: Capital do Alto-Minho
Braga: Capital do Minho
Santa Goma Dão: Capital das Berlengas
Barcelos: Capital do galo-de-Barcelos
Tentúgal: capital dos pastéis de Tentúgal
Mealhada: Capital do leitão à Bairrada
Negrais: Capital do leitão de Negrais
Santo Tirso: Capital dos jesuítas
Vila Nova de Ourém: Capital do Concelho de Ourém
Faro: Capital Nacional da cultura (2005)
Lisboa: Capital da Nova Evangelização
Trofa: Capital da literatura infantil da lusofonia
Trofa: Capital da gastronomia e do artesanato de todo o país
Aveiro: Capital da música (de 1.10 a 5.11)
S. João da Madeira: Capital do calçado
Santarém: Capital do estilo gótico
Valpaços: Capital do folar
Lisboa: Capital do nada (2001)
Vinhais: Capital do fumeiro
Albufeira: Capital do turismo português
Góis: Capital do Ceira
Praia Grande: Capital do windsurf e do bodyboard
Porto: Capital do trabalho
Porto: Capital do desemprego
Porto: Capital do ridículo
Díli (Timor-Leste): Capital do livro "lusófano"
Portimão: Capital do barlavento algarvio
Évora: Capital do Alto-Alentejo
Évora: Capital do património mundial
Óbidos: Capital do chocolate
Lousã: Capital do papel e do livro
Alvaiázere: Capital do chícharo
Bragança: Capital do Distrito de Bragança
Maçainhas: Capital do «Cobertor da Papa»
Coimbra: Capital do saber português
Coimbra: Capital do rock'n roll nacional
Mem Martins: Capital do Magic nacional

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Cavaco, A Esfinge

do alto desta esfinge, 4.000 toneladas de escória vos contemplam





(a imagem da paisagem egípcia foi pirateada de um site que pirateou a imagem; as nossas desculpas ao primeiro pirateado, e cem anos de perdão, fáxavor; a imagem do esfíngico presidenciável varreu-se-me de onde veio; outros cem anos)

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"Tavassó" e "Sótava"; subsídios para uma análise semântica diferenciada


É completamente diferente.

A construção morfológica "Sótava" utiliza-se para designar situações de baixa ou nula gravidade, enquanto que "Tavassó" - se bem que entroncando na mesma raíz etimológica - apresenta, dada a inversão sintagmática de V, um carácter e uma eficácia comunicativa muito superiores.

Analisemos as diferenças entre os termos de um ponto de vista mais pragmático e menos teórico, através de alguns exemplos de aplicação prática.

Quando alguém é apanhado pela polícia a falar ao telemóvel, enquanto conduz, por regra e definição socorre-se de "Sótava":

_ Mas, ó xôr agente, eu sótava a ligar para o 112, porque a minha avó está muito mal e é preciso uma ambulância para a ir buscar lá a casa.

"Sótava", nesta conformidade, destina-se a esbater um pouco a culpabilidade do autor e a verificar a possibilidade remota de que o agente da autoridade deixe passar a infracção. Em se tratando de pessoa de menos posses, ou quando situação semelhante ocorra próximo do fim do mês, é bem provável que se utilize a forma reforçada "Tavassó":

_ Mas, ó xôr agente, eu távassó a ver se o telemóvel tava ligado, acredite, nem sequer tava a falar nem nada.

Neste caso, "Távassó" acaba por se transformar em excelente ferramenta de persuasão, muito mais intensa do que a outra. Aliás, aquela é uma fórmula bastante mais corrente do que o relativamente modesto "Sótava", e que serve perfeitamente para qualquer situação de maior aperto, como quando se deixa o automóvel estacionado em 2ª (ou em 3ª) fila, com os quatro piscas ligados:

_ Mas, ó xôr agente, eu fui ali ao banco e tavassó a fazer um depósito, coisa de uns dez minutinhos, que é isso, vá lá, e até deixei os quatro piscas ligados e tudo.

Nos casos de estacionamento em 2ª (ou em 3ª) fila com os quatro piscas ligados, sinal de trânsito exclusivamente português que significa "fui ali e já volto", deve ser sempre utilizada a fórmula "Tavassó" em detrimento de "Sótava". A pessoa tavassó a fazer umas comprinhas, ali no centro comercial, enquanto deixou o carro mal estacionado (não esquecer os quatro piscas), ou tavassó a levantar dinheiro no multibanco, ou tavassó a conversar com uma amiga, um assunto muito urgente, claro, ou ainda, sempre por exemplo, tavassó a tomar uma bica no café da esquina. Para outras situações em que a imaginação não ocorra, assim de repente, não é conveniente que se abuse do "Tavassó"; portanto, em alternativa, usar "Sótava", que é muito menos eficaz mas também muito mais neutro, e poderá funcionar na mesma; depende do efeito pretendido e da categoria social do interlocutor - que é, de resto, um outro nível de análise.

Assim, resulta óbvio que "Sótava" se insere num nível mais informal da linguagem, uma espécie de gíria reservada a pessoas de não tão alto gabarito quanto isso. Continuando na base alegórica automobilística, vamos supor que uma pessoa, que pode bem ser a sua pessoa, bate na traseira de um automóvel, por simples descuido mas com bastante força; bom, aí depende da classe do veículo que ficou amolgado e também do condutor que sair de lá de dentro; por exemplo, se for Mercedes SLK e cigano com ar de traficante, respectivamente, não se deve utilizar nenhuma das expressões; é passar um cheque e andar, sem nada de "Tavassó" nem "Sótava". Já no caso de Fiat Uno com dez anos e caramelo de bigode, também respectivamente, será talvez prudente avançar com "Tavassó", como em "ó amigo, eu tavassó a retocar a pintura ao espelho, não reparei que o senhor tinha parado, desculpe lá isso". Por outro lado, em sucedendo o caso com viatura e pessoa de gama média ou média-alta (tipo Citroen Xsara, gajo de fatinho), poderá ser necessário recorrer a ambas, como no exemplo: "o senhor desculpe, mas eu tavassó a ver se os saldos já começaram, e só tava a olhar para a montra daquela loja ali, olhe, tá a vêre?".

Os exemplos seriam inúmeros e as ilustrações imensas, mas parece agora claro, após este estudo não exaustivo, que ambas as expressões (termos recentes, logo neologismos) assumem um certo paralelismo mas também identidade e aplicação próprias, distintas, por assim dizer: "Sótava" é uma espécie de parente pobre de "Tavassó", ou como que simbolizando uma relação linguística de irmão mais velho para irmão mais novo. Digamos que eu sótava a tentar explicar a diferença, mas que, no fundo, no fundo, tavassó a tergiversar... porque não entendo sinceramente nem uma nem outra. Quem disse que tavassó a fazer não sei o quê, sótava a mentir. Ora foda-se, se me é permitida a expressão. Tavassó ou sótava mas é o caralho, ó portuguesitos de merda.

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Deixai vir a mim as criancinhas, deixai...


Este blog manteu acesa, durante muito tempo uma paixão que estava a morrer quando o criei.

Citação de provável (tenhamos fé) último "post" em certo blog, escrito por relativamente anónima terceiranista do curso de Educação de Infância. Parece que se segue, no certamente brilhante futuro desta jovem, uma provação designada por "Prática Pedagógica" ("a.k.a. Estágio"). Provação para as criancinhas, presume-se, coitadinhas:

_ Ó Bruno Diogo, filho, onde é que metestes o caderno? Adonde pusestes-zi-o? Ah, não sabes. Bem, antão lá teremos de descobrir uma altrenativa pedagógica. Olha! Já sei! Vamos brincar às escondidas, queres? Yá, que fixe! Mas... ó Bruno Diogo, filho, deslarga as minhas saias! Aiaiai. Que chatisse. Estes miúdos só me dão relações, aiai. Vá lá, possa!

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12/11/05

Consultório sentimental VIII

A violência da doméstica
Sónia Morais Santos, uma das pessoas que melhor escrevem em jornais, de momento, em Portugal, ou, melhor dizendo, uma das pessoas que melhor escrevem em Portugal, de momento, refere-se no DNA de hoje (11) à "problemática" da violência doméstica ao contrário, ou seja, aquela que é exercida pela mulher em relação ao homem. A moça, a Sónia, escreve sua belíssima e fundamentadíssima crónica de 5 páginas com as verve e olho clínico do costume, relatando as experiências - dolorosas, em sentido literal - de dois maridos putativamente "abusados" pelas respectivas esposas.

Com a candura habitual nas mulheres, que não acreditam nunca na própria morbidez atávica, nossa amiga Sónia tece uma teia, vagamente suspeitosa mas nunca realmente assumida, sobre aquilo que se presume ser a violência doméstica encapotada e nunca publicamente revelada; ou seja, trocando em miúdos, aquilo em que consiste a porrada que determinadas mulheres dão nos respectivos - homem, marido, namorado. Relata dois casos que se presume serem paradigmáticos desta subtil, sub-reptícia, subterrânea, sacaníssima coisa. Onde já se viu, uma gaja a dar porrada no marido, é, em suma, a tese da autora. Que não pode ser. Que "um gajo não chora", e coisas assim, dois casos pungentes, de ir realmente às lágrimas, por mais de ferro ou mais macho que seja a gente. Como quem diz: foda-se! Mas que merda é esta? Então ele há gajas que batem em gajos? Há. Mas como assim? Porrada nos cornos e tudo, pimba, tunga, toma lá? Sim, disso. Porra, porra, porra. Mas assim, sem mais nada, o mulherio agora desata a bater nos respectivos? Desata. Cu! Nunca tal houvera visto, ou ouvisto!

Pois é. Mas é. Tem nossa Sónia carradas de razão. O que há mais é gajas a bater em gajos, por aí. É assim, ó, assim, uma farturinha.

Claro que toda a gente finge o oposto, porque - convenhamos - o mundo às avessas assusta, hoje como ontem, não se pode tolerar a perversão, a inversão, a adulteração total das coisas, a desordenação, a balda geral, esquisitices como um branco de carapinha ou um negro de cabeleira loira. Pero que las hay, las hay. Hay mesmo, gajas que batem em gajos, gajos que levam na tromba e que se ficam.

Prizemplos. Diz a Sónia em seu artigo, demonstrando ilustrativa e corrosiva lógica feminina, existirem maridos que preferem comer e calar do que ficar privados da sua mais-que-tudo; que gajo que é gajo tem vergonha de dizer que levou no trombil, que aquele sobrolho rebentado, aquele tampão no nariz, é porque sua delicada esposa lhe atirou com um cinzeiro à cara, ou, pior ainda, lhe espetou com valente murraça em plenas fuças. É que ele há disso, realmente. E pior. Upa, upa.

Sou testemunha privilegiada, gajo de tarimba nessa merda. Com a minha primeira mulher, da qual guardo imensas recordações e algumas cicatrizes, tive eu vários e divertidíssimos combates corpo-a-corpo, murraça e pontapé, porrada a valer. Aquilo era um fartote, volta e meia. Quando lhe dava para a histeria, o que era mais ou menos dia sim, dia não, aquela mulher conseguia provocar-me de tal forma e chegava a agredir-me com tais intensidade e violência que não me deixava alternativa senão responder na mesma moeda, mesmo com o desconto devido ao facto de ela ser mulher e eu homem; por regra, só lhe espetava o primeiro murro quando, muito cavalheirescamente, já tinha contabilizado mais de dez dos dela, pumba, pumba, nas minhas trombas; nunca pontapeei muito repetidamente a minha ex, juro, e devo asseverar que nunca o fiz com muita força, antes de ter eu próprio levado diversos pontapés e, nunca por nunca, antes de ela me atingir nas chamadas partes baixas; aí, quando isso acontecia, ou pelo menos quando recuperava o fôlego, ah, bem, era pontapé de três em pipa - mas sempre, lembro-me perfeitamente, tentando encolher a ponta do pé, para não magoar excessivamente. A minha preocupação era tal que, por exemplo, para lhe espetar com um estalo em cheio, tentava sempre esticar a ponta dos dedos e bater preferencialmente com a concha da mão; é que, pressupõe-se, supõe-se, assim dói menos e faz muito mais barulho... que é aquilo que interessa quando um gajo anda à porrada com uma gaja; mano-a-mano é diferente, de homem para homem o que importa é derrubar o adversário, pô-lo "ko" o mais depressa possível, fodê-lo todo no mais curto espaço de tempo possível; com uma mulher (com a nossa mulher, note-se), a coisa é diferente: trata-se de intimidá-la, assustá-la, fazê-la parar. Bater numa mulher pode ser uma medida profilática e ter a finalidade clínica e benemérita de a acalmar. Por vezes, um simples par de estalos é suficiente, mas nem sempre; há fulanas que andam à porrada com o mesmo à-vontade de qualquer homem, e algumas com uma destreza e elegância excepcionais.

De resto, para um homem a coisa não pode dar gozo nenhum. Bem sei que, talvez por instinto ou por trejeito habitual, nessas ocasiões qualquer gajo trinca a língua entre os lábios, enquanto desfere suas mocadas na consorte, talqualmente acontece em qualquer cena de pancadaria a sério, mas ainda assim é diferente, não tem nada a ver. Porrada é porrada, luta física no casal é outra música. E sobre isso, em concreto, nossa Sónia não faz mais pequena ideia daquilo de que está a falar. Abençoada, que é jovem e ingénua.

Apenas como ilustração dessas ingenuidade e juventude, a nossa amiga relata em seu artigo que um tal Daniel Cotrim, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, atira com uma percentagem curiosa sobre o rácio de violência doméstica distribuído por sexos: por grosso, salvo seja, a coisa vem a dar em 99% de queixas de mulheres e apenas de 1% de homens; 1,5%, no máximo. Ridículo, evidentemente. Claro que não deve ser fácil um homem ir queixar-se de que a mulher lhe vai ao focinho com regularidade; por outro lado, é facílimo, presume-se, toda a gente espera que isso mesmo aconteça, uma mulher queixar-se de que o marido a agride; a APAV existe para que mulheres se queixem, não homens, é claro. A questão, que tem muito a ver com manipulação, é que grande parte dos 99% de queixas se refere a interesses inconfessáveis, politicamente incorrectos: mulheres que pretendem ganhar uma reforma dourada ou uma situação social privilegiada, através do divórcio - e o divórcio litigioso por "alegada" violência (de qualquer tipo) é a coisa mais garantida e rentável que existe, para o efeito. Grande parte das queixas por "agressão" omite o motivo dessa "agressão": nenhuma mulher irá confessar, quando apresenta queixa, que agrediu primeiro, que a outra parte se limitou a responder ou a simplesmente defender-se; por outro lado, a pressão social que as mulheres tanto dizem abominar, obriga a que praticamente nenhum homem se queixe de ter sido agredido, perseguido, aterrorizado pela respectiva. Nesta conformidade, dá imenso jeito às mulheres o seu intrínseco estatuto de menoridade, o seu papel inferior e subjugado. Presume-se, por sistema, que não apenas houve agressão como que o culpado é, óbvia e compulsoriamente, o elemento masculino.

Tretas. Estas coisas são muito mais vulgares, triviais, rotineiras, do que aquilo que geralmente se pretende supor e fazer supor. As cenas de violência doméstica são absolutamente comuns. Se bem que não passem geralmente, de facto, de mera violência verbal, essa barreira é ultrapassada muito mais vezes, muito mais profundamente e muito mais intensamente do que permite a mundanidade e o sentido das conveniências. Não consta, a não ser talvez como anedota, que alguma mulher tenha sido condenada por ofensas físicas na pessoa do seu cônjuge. Mas isso existe, e é muito mais comum do que aquilo que o chamado pudor masculino permite que se declare ou confesse. Quando a um homem toca mulher que gosta de apanhar, como dizem os brasileiros, que se há-de fazer, é satisfazer-lhe os caprichos o melhor que for possível. Mas, e se afinal ela gosta é de malhar, em vez de apanhar? Um gajo fica-se, pura e simplesmente, pianinho, come e não bufa?

Que estatísticas existem quanto a esta não muito subtil variante de violência doméstica? Provavelmente, nenhuma, à excepção da já citada, que atira um número perfeitamente irrealista. Não considerando os casos - ainda assim em larga maioria - de verdadeira violência doméstica, do troglodita que bate na mulher apenas porque não passa de um desequilibrado, boa parte das queixas carece de fundamento real; à mulher, enquanto instituição pós-moderna, convém imensamente o estatuto de ser "mais fraco", de pessoa "indefesa" em relação ao homem - que se presume sempre nunca ter menos de um metro e oitenta de altura, noventa quilos de peso, além de ser congenitamente violento, maldoso, cinturão-negro em karaté e notório meliante. À mulher, faz imenso jeito esse estatuto de menoridade... mas apenas enquanto e na estrita medida em que isso serve os seus interesses. "Feminismo termina no pneu furado", é uma conhecida frase de camião brasileiro que resume bem esta lógica das igualdades e das paridades determinadas por decreto e em função das conveniências de momento.

Estabelecido inamovivelmente um statu quo de discriminação positiva em relação ao sexo feminino, considera-se geralmente a violência doméstica como um fenómeno social de sentido único, ou seja, sendo a mulher a vítima e o homem o culpado, porque evidentemente é ele e apenas ele o autor dessa violência, e com a agravante de o mesmo ser obrigatoriamente muito mais forte e espadaúdo do que a outra parte, sempre fraquinha e mal nutrida. É assim que a violência doméstica é encarada, e muito dela se fala, mas ninguém fala da violência da doméstica, ou da sua possibilidade, mesmo se ou principalmente se o cônjuge feminino trabalhar fora de casa.

De resto, e isso está claramente expresso no estudo de Sónia Morais Santos, a violência no casal pode manifestar-se de diversas formas, não apenas e necessariamente através da agressão física. A humilhação sistemática, a perseguição, o amesquinhamento, traduzidos em atitudes de menosprezo, desconsideração ou insulto, são armas (estas sim) ambivalentes, utilizadas por ambos os sexos conforme as relações de poder estabelecidas no casal; por seu turno, estas relações de poder dependem regra geral da capacidade económica de cada um deles; para um homem que subitamente se vê no desemprego ou que, pura e simplesmente, aufere um vencimento inferior ao da mulher, aumenta drasticamente a probabilidade de vir a ser agredido por ela, em qualquer das formas, implícita (insultos) ou explícita (bofetadas). Ora, a situação inversa não existe: toda a gente considera como absolutamente natural e aceitável que um marido sustente a esposa; nesse caso, já a esta não interessa para nada o estatuto de "igualdade" que antes provavelmente reivindicava.

"É um mundo obscuro, este. O dos homens que sofrem, na maior parte das vezes em silêncio, agressões por parte das mulheres com quem vivem. São homens que amargam duas vezes: por um lado, são atacados física e/ou verbalmente; por outro, suportam o preconceito cruel de serem ofendidos na sua virilidade. Que tipo de homem se deixa bater e ofender por uma mulher? Esta é a pergunta que fazem a si próprios todos os dias. Esta é a pergunta que lhes fazem, na hipótese remota de partilharem o segredo com alguém. Fomos conhecer homens que contrariam as estatísticas. Homens que se sentem menos homens que os demais. Homens que choram em silêncio."

Neste texto introdutório, a amiga Sónia condensa de facto o essencial do tema, através de algumas palavras e expressões-chave importantes: "preconceito", "hipótese remota", "estatísticas", "menos homens que os demais". Exacto. Mas é apenas uma parte do problema. E aqueles que respondem à violência? E aqueles que não são (grande coisa como) homens mas também não são ratos? E aqueles que não choram? E aqueles que não ficam em silêncio?

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10/11/05

Manifesto anti-granado


Caro Toni Granado, filho. Ouvi-te há pouco, há poucochinho, na 2, sistematicamente perorando contra os blogs anónimos, em geral, e contra os sacanas dos anónimos autores de blogs, em particular. Pois bem, caro, deixa que te diga, filho: vai-te foder. Ouviste ó filho de uma puta? Vai para o caralho que te foda. Cabrão de merda. Energúmeno. Mentecapto. Imbecil.

Digo eu, um simples anónimo, autor de obscurantíssimo blog, e evidentemente sem querer ofender.

Portanto, se bem entendi, na tua lógica, ó evidente, patente, notório cabrãozito de merda, eu acabo de te não chamar nem filho-da-puta, nem cabrão, nem energúmeno, nem mentecapto. Tudo isto é uma ilusão, por conseguinte. Se digo que tu não passas de um grandessíssimo ignorante, por exemplo, entre outras e igualmente relevantes coisas, sendo eu um misérrimo anónimo, isso não conta e, portanto, tu, ó monte de banha, não és nada ignorante; parece que sabes muito, filhinho, afinal; só serias ignorante, e filho-da-puta, e etc., se eu me identificasse. Bem esgalhada, essa. Caralhosmafodam se não é.

Ainda assim, na qualidade de execrável anónimo, vou tentar explicar-te, filhinho, a razão pela qual me parece estares tu alucinando coisas. É que não é bem assim, sabias? Um anónimo não é um cobarde, pelo menos não tanto como tu és, por uma razão muito simplezinha: é que tu, ó filho-da-puta, ganhas com as patacoadas que dizes e com as alarvidades que escreves. E ganhas, não pouco, em função daquilo que escreves e que dizes, à linha, à palavra, a tanto a bacorada. Ou seja, és um filho-da-puta de um mercenário, um intelectualzito de meia-tijela sem qualquer espécie de credibilidade, intelectual, cultural ou outra. Não passas de um vendido, uma puta cultural, um brochista pago a tanto o broche, a cada minuto de mamada cultural, consoante o autor. És um imbecil que, não sabendo falar, não dispondo obviamente das ferramentas linguísticas básicas para poder articular uma frase inteligível, não poderás nunca alinhavar um único texto legível ou elaborar um único pensamento questionável, analisável, intrigante ou sequer inquietante. Em suma, és um merdas e sempre serás um merdas. Um merdas pago, mas ainda assim um merdas. O verdadeiro merdas identificado.

Para ti, filho, o meu voto de pesar. És um nojo com pernas, uma espécie de Dâmaso Salcede deslocado, sem ao menos alguma espécie de fascínio por "bric-a-brac" ou tendo um módico de bom gosto e, ainda por cima, cheio de ressaibo contra quem o tenha, mau ou bom. És um tosco. Identificado, ainda por cima, o que é bem pior do que se fosses tão anónimo quanto eu. É que, ó totó, o anonimato é uma das milhentas formas de identidade...

Passo a explicar, com muita paciência: o anonimato é uma espécie de alter-ego, de heterónimo, de máscara, de Carnaval, de espelho, de sonho, de alucinação. Blog anónimo não existe; a identidade do autor do blog é a identidade do blog; o blog tem vida própria, assinatura única. Um pardal é tão anónimo como um blog, e vice-versa. Blog identificado não é blog, é blogre. Ou blogro. Ou blógico. Não faz muito sentido, não serve para nada. Faz muito pouco.

No fundo, no fundo, anonimato e insignificância são uma e a mesma coisa. Tu acabaste de descobrir, de identificar, ó Granado, a pólvora da chamada "responsabilidade": és um anónimo identificado e um insignificante assinado. Parabéns, pázinho. Bem podes meter a descoberta na peida, mas parabéns na mesma.






(evidentemente, como o próprio declarou na tal entrevista, isto nunca será lido por ele mesmo; "anónimo não existe"; ora bem; ainda bem; fico sossegado)

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09/11/05

Gristo borreu, Barx dambém, e eu próprio já dão be sinto lá buito bem
objectos.blogspot.com


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SE BASTASSE UNA CANZONE

se bastasse una bella canzone.
a far piovere amore.
si potrebbe cantarla un milione.
un milione di volte.
bastasse già.
bastasse già.
non ci vorrebbe poi tanto a imparare ad amare di più.

se bastasse una vera canzone.
per convincere gli altri.
si potrebbe cantarla più forte.
visto che sono in tanti.
fosse così fosse così.
non si dovrebbe lottare per farsi sentire di più.

se bastasse una buona canzone.
a far dare una mano.
si potrebbe trovarla nel cuore.
senza andare lontano.
bastasse già bastasse già.

non ci sarebbe bisogno di chiedere la carità.
dedicato a tutti quelli che.
sono allo sbando.
dedicato a tutti quelli che.
non hanno avuto ancora niente.
e sono ai margini da sempre.
dedicato a tutti quelli che.
stanno aspettando.
dedicato a tutti quelli che.
rimangono dei sognatori.
per questo sempre più da soli.

se bastasse una grande canzone.
per parlare di pace.
si potrebbe chiamarla per nome.
aggiungendo una voce.
e un'altra poi e un'altra poi.
finche diventa di un solo colore più vivo che mai.

dedicato a tutti quelli che.
sono allo sbando.
dedicato a tutti quelli che.
hanno provato ad inventare.
una canzone per cambiare.
dedicato a tutti quelli che.
stanno aspettando.
dedicato a tutti quelli che.
venuti su con troppo vento.
quel tempo gli è rimasto dentro.
in ogni senso.
hanno creduto cercato e voluto che fosse così.

Eros Ramazzoti


- transcrito de http://www.fortunecity.com/tinpan/morrison/794/eros.html -

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08/11/05

... e é nessas áreas que nós temos intervido


Disse um tal Vieira da Silva (?), Ministro Não Sei Das Quantas, aos microfones da Antena 1, no noticiário das 15:00 h.

Sim, Senhor Ministro.

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06/11/05

Chá de amnésia às colheres

A chamada "blogosfera" atingiu plenamente o estatuto de contrapoder informativo. Ou de desinformação, ou de contra-informação, o que vem a dar no mesmo. Qualquer idiota pode ter um ou vários blogs e assim debitar qualquer parvoíce que desgraçadamente lhe ocorra; nesta medida, a "blogosfera" é um espelho da sociedade e é também, por conseguinte, uma prova viva de que ainda existem doentes mentais, vulgarmente designados por "comunistas", à solta por aí, debitando suas "ideias" alucinadas.

Não se coíbem os blogs comunistóides, esgalhados por comunistas mais ou menos assumidos e mais ou menos descarados, de propagandear a sua conhecidíssima, eterna "cassete", os direitos, os pobres, a exploração, o imperialismo americano, etc., sempre e sempre as mesmas coisas, meia-dúzia delas, repetidas até à exaustão desde princípios do século XX.

Qualquer pretexto é óptimo, é excelente, para ligar a "cassete" e continuar martelando as cabecinhas dos mais distraídos, dos mais esquecidos ou dos demasiadamente jovens para se recordarem daquilo que foram os "paraísos socialistas" na Terra.

Os energúmenos comunistóides aplaudiram alarvemente o horror do 11 de Setembro, por exemplo, e andam agora muito satisfeitos com as notícias que chegam de França. Babam-se de contentamento por verem aquilo que lhes parece ser o apodrecimento ou a hipótese de derrocada do sistema capitalista. O que vêem, nos motins dos subúrbios de Paris e de outras cidades francesas, não tem nada a ver com criminalidade mas com "descontentamento"; para esta raça de mentecaptos, o que move os grupos de marginais, salteadores e bandidos que destroem, queimam e roubam tudo aquilo de que são capazes, não é um caso de criminalidade organizada mas antes uma prova "inequívoca" do descontentamento dos "mais desfavorecidos", que assim manifestam a sua "revolta" contra os "ricos".

Os ricos. O capitalismo. Blá-blá-blá, o costume. Que os pobres de França se estão revoltando contra os ricos de França, que a "exploração" à qual estão sujeitos obriga-os, coitadinhos, a incendiar automóveis, a assaltar lojas, a destruir fábricas, a escavacar e a saquear tudo aquilo que, na sua douta opinião, representa o "capitalismo" e as "forças da opressão". Que se revoltam, os pobres, porque são pobres. Que a culpa da revolta (dos pobres) é, por conseguinte, dos ricos. Os pobres são seres angelicais, imaculados, superiores, com as asinhas a dar a dar, caídos directamente do reininho dos céus, onde pontificam os santos dos santos, Marx, Lenin, Stalin, Mao-Tse-Tung, Eduardo dos Santos, Samora Machel, Fidel Castro, Álvaro Cunhal, Pol-Pot, Ho-Chi-Min. Os ricos são extra-terrestres, malvados e facínoras, inimigos da espécie humana, são gajos que espumam da boca e cheiram mal dos pés, uma cambada de cabrões, em suma, pessoal nojento que tem apenas aquilo que merece, a morte, a destruição, uns balázios nos cornos, e vamos indo.

O mais grave, nas bojardas dos blogs (de) imbecis, é que representam uma pequena amostra dessa massa, estranhamente crescente, de loucos furiosos aos quais ainda é concedida alguma espécie de credibilidade. Os comunistas, responsáveis pela mais gigantesca fraude política da História e pela maior soma de genocídios de que há memória, continuam propagandeando as suas balelas, as suas mentiras, os seus anátemas, e continuam impunemente fazendo alarde da apologia do horror puro, da morte, do saque, da pilhagem, da tortura e do extermínio.

O socialismo, como os factos históricos plenamente comprovam, não passou de fraude, no passado, e não passa hoje, por conseguinte, tratando-se de recusa sistemática da evidência, de simples distúrbio mental. Socialista é o criminoso destrambelhado que debita meia-dúzia de chavões, imbecil clínico totalmente desligado da realidade. Aquilo que o socialismo tem para oferecer é, hoje como sempre, exactamente as mesmas coisas que acabaram por ruir com estrondo na década de 90 do século passado: a abolição total e completa de quaisquer direitos ou liberdades individuais, o pensamento único, a uniformização na e pela penúria, o Estado despótico e selvagem, o desprezo pela vida. Ou seja, precisamente o contrário de tudo aquilo que apregoam.

A apologia da pobreza, promovida a bem histórico e a fim em si, através da simples demonização dos "ricos" e da "riqueza", demonstra à saciedade, por um lado, o carácter alucinado de quem tal defende e, por outro, a ideia central que essa gente preconiza: uma sociedade integralmente constituída por pobres, seres economicamente paupérrimos, intelectualmente indigentes, culturalmente miseráveis. Trata-se de negar a condição humana à espécie, destruindo a individualidade, esmagando a personalidade, triturando a própria identidade. Isto, é claro, para as massas em geral, exceptuando portanto a "Nomenklatur" do Partido, dirigentes e quadros políticos aos quais seriam concedidas todas as benesses e prerrogativas, e na mão dos quais ficaria concentrada toda a riqueza produzida pelas mesmas massas.

Que um louco papagueie as suas loucuras, é natural e não afecta coisa alguma. O problema é que este tipo de loucura é geralmente assumida como coisa aceitável, e estes doentes passeiam-se em plena liberdade, facilmente passando por gente em plena posse das suas faculdades mentais. Depois, há pessoas normais que ouvem, lêem e até estudam o que dizem e o que escrevem comunistas. Muita gente os toma a sério. Alguns sentem mesmo uma estranha atracção por tais balelas, como se fascinados pelo abismo.

O que se lê por aí, em blogs (de) comunistóides, é uma pequena amostra daquilo que sucedeu antes - em 1917, em 1975, por exemplo - e que ameaça, isso sim, repetir-se: o holocausto comunista. A ameaça e o perigo não resultam da própria amnésia, que não é contagiosa, mas sim da intoxicação que o seu discurso mil vezes repetido pode acarretar. De facto, a propaganda a ideais comprovadamente tóxicos, letais, pode tornar-se altamente contagiosa; pode transmitir-se, como a gripe das aves, através dos dejectos largados em blogs e em outros meios de comunicação social; pode vir a transformar-se, de novo, numa verdadeira, terrível, devastadora pandemia, como aquela que surgiu com a chamada "revolução de Outubro" e que durou até 1999, e que foi responsável pela morte de dezenas de milhões de seres humanos.

Pelos vistos, afinal parece que há quem não não tenha aprendido fosse o que fosse com a História ou que, ao menos, se lembre de alguma coisa do passado recente - sintoma de esclerosamento, uma espécie de síndroma de Alzheimer selectiva. O que nestes nada engraçadinhos blogs se escreve é um sintoma de amnésia colectiva. Servem posts como quem serve chá, uma infusão de ideias feitas.

É chá de amnésia. Todas as colheres que se não metam são colheradas que se tomam.

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02/11/05

Rebéu-béu pardais ao ninho


José Jorge Letria (JJL) acaba de publicar um livro "que dá pelo nome de" Tenho Em Casa Um Cãozinho (TECUC). Em entrevista à Rádio Renascença (RR), o autor garante que dará à estampa, brevemente, os títulos Tenho Em Casa Um Gatinho (TECUG) e Tenho Em Casa Um Passarinho(*) (TECUP); de resto, na mesma conversa radiofónica, e a meias com a entrevistadora, JJL teceu algumas interessantes considerações a respeito dos "direitos dos animais", e falou sobre a "empatia" que se estabelece entre os "humanos", em especial "as crianças", e os "animais de companhia".

Ora isto é um assunto interessante. Digo eu, que nem TECUC, nem TECUP, nem, por mais que isso me agradasse, TECUG.

Ao que parece, em se tratando de verdade axiomática universal, quem não gosta de "animais de companhia" não poderá nunca ser gente de bem, ou assim; dito de outra forma, quem não apreciar lá muito a companhia dos animais só pode ser pessoa desqualificada, suspeita, evidentemente candidata e extremamente merecedora de forca ou de cadafalso; pior ainda nos casos de alergia ou aversão a cães, o que é óbvio sinal de mente corrompida, indício de má formação moral ou, pelo menos, prova de desequilíbrio mental. Isto da cãozoada é assunto perigosíssimo, em resumo. Quem não gosta de cães é, nem mais nem menos, grandessíssimo filhodaputa, uma besta quadrada a merecer auto-de-fé, um torcionário, imbecil, pessoa emocionalmente castrada sem um pingo de dignidade, caridade, jovialidade e carácter.

Mais declara tal verdade axiomática, e quem somos nós para desmentir, que são os próprios elementos da sociedade canina (ou os elementos caninos da sociedade, é indiferente) quem facilmente reconhece aqueles que não lhes querem senão bem. Trocado em miúdos, quando sucede um canídeo rosnar, ladrar, ou pura e simplesmente atirar-se às canelas de alguém, isso é prova mais do que suficiente de que estaremos perante um facínora, bandido, cabrão, terminante e rotundo filhíssimo de uma ganda puta. Nada mais, nada menos, os cães é que a sabem toda, farejam estafermos com toda a facilidade e presteza. Quanto mais não seja por isto mesmo, é conveniente cada qual munir-se de seu detector de sacanas, é necessário não apenas TECUC mas também levá-lo à rua - a fim de que, ao mesmo tempo que alivia os intestinos e a bexiga, o fiel amigo cumpra o seu dever de assinalar pessoas más em geral e tarados em particular. Portanto, é muito simples: o bicho rosna, ladra ou atira-se a alguém, eia, caçámo-lo, companheiros, olha ali, agarra que é ladrão, mata e esfola; se, pelo contrário, e como é normal dado o carácter pacífico da maioria dos mastins, o animal vê um desconhecido e abana a cauda, se dá pinotes e tenta lamber a cara desse transeunte, por hipótese, então estaremos sem qualquer réstia de dúvida perante uma pessoa de bem, um confrade da confraria, um tipo fixe ou uma gaja baril.

Claro que algumas pessoas, certamente dessas mal intencionadas e que tiveram uma infância desviante, sem cachorros, referem por vezes as conhecidas imagens de Adolf Hitler, em pleno "Ninho da Águia", nos Alpes austríacos, afagando vários dos seus inúmeros Pastores Alemães e Lobos da Alsácia, entre outras raças. Muito amigo da canzoada, o tio Adolfo, e a canzoada adorava-o, pelos vistos, até se mijavam quando o seu Führer se dignava fazer-lhes festinhas. E além deste caso, certamente pontual, existem algumas outras excepções à infalibilidade do axioma canino, com um pequeno cortejo de equívocos, assim dos mais conhecidos, ditadores como Stalin, Pinochet, Saddam Hussein ou Mao-Tse-Tung, todos eles grandes apreciadores e entendidos em assuntos caninos.

De resto, apenas 90% dos marginais gostam de cães e presume-se que nem sequer metade destes apreciem os respectivos donos; não faz parte da personalidade canina, como sabemos, o gosto pela convivência com pessoas de maus hábitos, de má catadura ou com modos de vida suspeitos. Por exemplo, "animais de companhia" como os Pit Bull, a raça favorita dos bandidos, são absolutamente forçados, não apenas a fazer companhia aos ditos bandidos como a atacar os elementos dos gangs rivais, ou a Polícia, ou as pessoas a quem delicadamente os seus donos solicitam a carteira, o relógio, o dinheiro.

Noutro contexto, que de momento não me ocorre, a célebre cronista social Paula Bobone declarava que "até os cães são racistas, porque desatam a ladrar e a rosnar sempre que vêm alguém mais mal vestido, ou de cor, sei lá, um pobrezinho e assim". Ora isto demonstra à saciedade a infalibilidade do detector de sacanas em assunto; de facto, os pretos e os pobrezinhos, sei lá, as pessoas mal vestidas em geral, personificam e transportam em cima das pernas toda a maldade do mundo; essa gentinha dissimulada e vagamente esquizofrénica merece bem que se lhes atire às canelas a canzoada toda, eles todos, os cães, aqueles mesmos que os topam logo.

É assim mesmo. Às vezes, dou por mim a pensar que devia ao menos disfarçar e dizer que eu também TECUG. Mas qual quê. Apesar de adorar gatos, tenho perfeita consciência de que se trata de um predador anti-natural, uma praga urbana, uma invenção burguesa que pouco ou nada tem já a ver com um animal, filho da Natureza. TECUP também não, porque acho simplesmente criminoso fechar pássaros, passarinhos ou passarões dentro de gaiolas, à excepção, é claro, de passarões como o ex-presidente do Boavista, a gaja de Felgueiras ou o gajo de Amarante.

Mas, sim senhor. Fico ciente. Apesar de eu próprio ter tido cães em casa, não apenas na infância mas também na adolescência, e de, por conseguinte, esse facto me outorgar a qualidade de pessoa de bem e com poucas ou nenhumas taras, pois mesmo assim não me parece que alguma vez possa dizer TECUC. TECUC é que não, bolas. Detesto que alguém diga TECUC. TECUC mas é o caralho. Em suma: mas TECUC porquê, santinho? Pôr o paizinho entrevado num lar, ou despejá-lo num hospital, está bem desde que se compre um cachorrinho? Tratar a digna consorte a pontapé não é grave, caso a seguir se vá passear o Bóbi? TECUC é o mesmo que lavar os pecados e estar livre de todo o mal?

Não está nada mal pensado, não senhor, é coisa até muito bem esgalhada. É destas verdades simples, e destas simples verdades, saídas de tão grandes cacholas como a do ilustre JJL, que se podem extrair enormes, exemplares lições de moral: quem não tem cão, devia ter.

Béu-béu!


(*) - ou é Peixinho ou é Passarinho; não me recordo; mas vem a dar no mesmo; aguarda-se pela continuação da saga, com o títalo Tenho Em Casa Uma Iguanazinha

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31/10/05

Tecnologia de ponte

Deve ser a isto que se refere não sei exactamente que primeiro-ministro, quando fala em "choque tecnológico". Trata-se da mais pura tecnologia de ponte, isto é, a forma mais expedita para trabalhar o menor número possível de dias, em cada ano civil, fazendo "pontes" entre os fins-de-semana e os feriados.

Hoje, 31 de Outubro, é um desses dias. Verdadeiro pilar do nosso modo de vida tão peculiar, e sendo, como é, uma coisa tão apreciada "lá fora", a ponte está desde há muito instituída nos hábitos nacionais, pelo que não será muito visível a necessidade imediata do "choque tecnológico" referido. Pontes é o que mais se faz, em Portugal, e com uma limpeza estrutural, uma destreza manual, e uma esperteza natural que sem dúvida espantará qualquer povo dito "civilizado", como japoneses, chineses, russos e outros gajos de olhos em bico.

O que é facto é que somos absolutamente recordistas mundiais em pontes, o que decorre naturalmente do número de dias feriado, de folgas, de dias de férias e de "baixas obrigatórias, tudo indicadores dos quais somos igualmente os maiores, a nível mundial. Nisso, ninguém bate os portugueses: somos os maiores calões do mundo.

Assim pela rama, existem alguns casos mais relevantes, quanto àquilo que se poderia designar por nacional-rebaldaria.

Por exemplo, as chamadas "férias judiciais" duram, aqui, e ao contrário de apenas o resto do mundo, qualquer coisa como dois meses; ou seja, durante sessenta dias por ano, pelo menos, ninguém faz absolutamente nada, em todo o sector judicial, em todas as instituições e em todas as profissões relacionadas com a Justiça, ou com o sistema judicial, lato sensu.

Privilégio semelhante reservam para si próprios os titulares de cargos públicos, ou seja, todo o poder executivo e serviços adjacentes; os governantes e os titulares de cargos públicos podem assim dar largas ao seu cosmopolitismo e ao seu interesse pela cultura mundial, através de instrutivas e proveitosas visitas a locais exóticos, da Índia às ilhas Seychelles, passando por Cancun, Macau e Singapura, em estando bom tempo.

À classe professoral, e apesar de todas ameaças e sucessivos cortes orçamentais, continua a ser facultada grande largueza de cabedais laureantes, como férias pelo Natal, pela Páscoa e pelo Carnaval, além, evidentemente, das chamadas "férias grandes", entre Julho e Setembro - se não houver atrasos no início do ano lectivo. É claro que outro tanto, mais coisa menos coisa, vale para os estudantes de todos os graus de Ensino, cerca de 1.000.000 (um milhão), dez por cento da população.

Em Agosto, ou seja, durante um doze avos do ano, Portugal está a banhos; à excepção do Algarve, um pedaço sazonal do território que funciona precisamente, e apenas, durante o Verão.

A chamada "baixa por doença" tem, neste curioso país, um período mínimo obrigatório. Isto é, legalmente não é possível ter uma constipação, uma gripe ligeira ou um simples ataque de diarreia, por exemplo; se é "doença", o médico dá "baixa" de 3 dias: é o mínimo legalmente aceitável. Um dia ou dois não pode ser.

Entalado entre os 13 feriados nacionais, mais o feriado municipal que toca sempre a todos, e os 52 fins-de-semana anuais, ao que acrescem os trinta dias de férias e uma ou outra "baixa" mínima de 3 dias, o português vê-se na contingência de, ainda por cima, ser obrigado a comparecer no seu local de trabalho em todos os dias que sobram. Ora, isto é evidentemente grande maçada. Não exactamente por ser obrigatório trabalhar, nos locais de trabalho, mas porque se torna contraproducente andar sempre a quebrar o ritmo; portanto, o "trabalhador" português passa longas, intermináveis horas matando a cabeça com esquemas mentais, em excruciantes, dificílimos cálculos, construindo pontes no calendário. Primeiro de Novembro, terça-feira, dá 4 dias; dias 1 e 8 de Dezembro, duas quintas-feiras, com uma "baixa", uma "balda" por "artigo" e dois dias de férias antecipadas, dá 11 dias no total, ou 16 com jeitinho, se arranjar um esquema qualquer; o Carnaval é sempre a uma terça-feira, são mais 4 dias de "folga"; Natal e "ano-novo", pelo menos 8 dias; bintecincudabrile e primeiro de Maio, mais 8. Ora, vejamos, em que dia calha este ano o "Corpo de Deus"? E o 10 de Junho? E o 5 de Outubro? Ora, pertantos, aqui mete-se um artigo, dá mais 4; ali, vale uma baixazinha, xacáver, dois, quatro, seis, sete dias, lá terá de ser uma tosse convulsa valente, ou assim; olha, ali é só um dia, uma 6ª, dá 4 dias, mete-se um "artigo" de manhã e uma "assistência à família" à tarde.

Com algum jeito e muita engenharia de pontes, qualquer trabalhador nacional pode, desde que se esforce e se socorra de toda sua perícia, comparecer no local de trabalho apenas o suficiente: entre 150 e 180 dias por ano. Isto no caso, evidentemente, de ainda não se ter conseguido arranjar uma baixa prolongada, uma reformazinha antecipada ou, suprema aspiração, quem sabe, a passagem à situação de "reforma por invalidez": o português típico adora todos os achaques "incapacitantes", como perder um polegar ou sofrer de esquizofrenia paranóide, desde que isso lhe garanta um rendimento vitalício e não o impeça de arranjar outro emprego ou de estabelecer-se por conta própria.

Também por isso se revelam fundamentais, as pontes, já que vão contribuindo decisivamente para encurtar as distâncias em direcção à reforma, a finalidade única do trabalhador que se diz honrado.

São de resto estas pontes, com toda a argúcia de engenharia laboral que demonstram, os verdadeiros pilares que sustentam a nação. É entre as margens destas pontes que se estende o real e ancestral espírito português. É com estas pontes, e apenas por causa delas, que podemos ir à outra banda com facilidade e frequência. E quem diz outra banda, diz foz, ou café, ou Vale de Estacas, Riba D'Ave, Caxarinas, por exemplo, ou mesmo vale de lençóis, para os mais recatados.

Está por conseguinte em vias de resolução o eterno mistério da decadência que já se disse peninsular e que hoje é exclusivamente lusitana, no contexto europeu: é uma questão de pontes. Não somos nós que somos decadentes, são os outros povos europeus todos que são estúpidos. São eles quem, de facto, não possui nem engenho nem arte. A prova está em que não têm e sequer podem fazer pontes. Cambada de burros. De carga. Escravos. Não sabem o que é bom.

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30/10/05

Consultório sentimental - VII

Orgasmo Feminino
Matéria publicada num jornal de Sergipe, assinada pelo jornalista Ricardo Nunes

Orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens muito menos. Pelo fato de ser uma reação endócrina que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado. Orgasmo masculino não, é aquela coisa que todo mundo vê. Deixa o maior flagrante por onde passa.

Diante desse mistério, as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas e centenas de livros escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto. Acompanho de perto, aliás, juntinho, este latejante tema.

Vi outro dia, no programa do Jô Soares, uma sexóloga sergipana dando uma entrevista sobre orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Wallita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica. Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela piriquita na hora do orgasmo e chegou à incrível conclusão de que, na hora H, a piriquita dispara uma descarga de 250.000 microvolts. Ou seja, cinco pererecas juntas ligadas na hora do "aimeudeus" seriam suficientes para acender uma lâmpada. Uma dúzia, então, é capaz de dar partida num fusca com a bateria arriada. Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tcham, carregou.

É preciso ter cuidado porque isso não é mais xibiu, é torradeira elétrica ! E se der um curto circuito na hora de "virar o zoinho" além de vesgo, a gente sai com mal de Parkinson e com a linguicinha torrada. Pensei: Camisinha agora é pouco, tem de mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. E na hora H não tire o tenis nem pise no chão molhado... pode ser pior ! É recomendável, meu amigo, na hora que você for molhar o seu biscoito lá na canequinha de sua namorada, perguntar: é 110 ou 220 volts ??


Se não, meu xará, depois do que essa moça falou lá no Jô, pode dar "ovo frito no café da manhã".

Humor numa boa


Consultório sentimental VII

Ejaculação feminina?

Desmond Morris interpreta o fenómeno designado por "orgasmo feminino" como algo de exclusivamente humano, sociológica e culturalmente determinado, com fundamentação zoológica mas de forma totalmente desligada de qualquer condicionante evolutiva. Desenvolvendo, o orgasmo feminino é algo que ocorre apenas na espécie humana - não ocorre em nenhuma outra espécie de primatas ou sequer de mamíferos - e resulta não de qualquer necessidade evolutiva primária mas da interacção entre grupos sociais e, dentro destes, entre os dois sexos. Será, por conseguinte, uma manifestação de inteligência e não um fenómeno estritamente natural.

De facto, não será necessário espremer muitos neurónios, nem fazer alarde de grande sageza observativa para se constatar que, por exemplo, a gata ou a cadela domésticas não experimentam qualquer espécie de "orgasmo", por mais que tentem e por mais prestáveis que sejam os respectivos donos; do mesmo modo, não consta que alguma macaca, ou leoa, ou vaca, ou girafa, ou baleia, ou qualquer fêmea de qualquer outra espécie, possa ter alguma vez experimentado tal coisa. Evidentemente, pelo menos quanto aos mamíferos, todas as fêmeas têm os seus períodos de fertilidade máxima, o chamado "cio", durante os quais demonstram interesse acrescido pela actividade sexual; poder-se-á deduzir, por conseguinte, que as fêmeas terão alguma espécie de "gratificação" - durante o cio - por forma a procurarem a relação sexual; não tendo (presumivelmente) consciência de que estará contribuindo para a propagação da espécie, à fêmea animal comum é oferecida pela natureza uma compensação pelos bons serviços prestados à causa da conservação, e esse prémio será a produção de substâncias que induzem prazer ou apenas, mais prosaicamente, sensação de bem estar.

O "orgasmo feminino" existe exclusivamente na espécie humana, o que se pode facilmente comprovar pelo facto de que tal "desiderato" apenas se poderá atingir com recurso a "técnicas", antes e durante o acto sexual, e preferencialmente por parte não de um mas de ambos os elementos do casal; o recurso a estas "técnicas" implica, evidentemente e no mínimo, ter delas conhecimento, e implica também que exista alguma espécie de afinidade ou de cumplicidade entre os elementos envolvidos. Ora, nas outras espécies animais, presume-se que não existam nem essas cumplicidade ou afinidades nem, muito menos, qualquer tipo de conhecimento - em toda a extensão do termo.

Por conseguinte, sendo um exclusivo da espécie humana, será perfeitamente aceitável que o "fenómeno" tenha resultado de uma evolução idiossincrática, de base evolutiva mas de cariz cultural. A ejaculação masculina cumpre uma função biológica inalterada, a inseminação da fêmea, mas desde há muito perdeu essa finalidade unicamente reprodutora; se bem que se conheçam algumas similitudes, esporádicas e localizadas, em algumas espécies de golfinhos e de (outros) primatas, a actividade sexual de cariz lúdico, por assim dizer, surgiu com a criação de grupos humanos e evoluiu em paralelo com a complexificação desses grupos, das relações entre os seus membros, e das estruturas que regulam o seu funcionamento e a sua interacção; ou seja, reitere-se, o sexo deixou de ser, nas sociedades humanas, um fenómeno natural, e passou a ser um fenómeno cultural.

O papel determinante da imaginação, na actividade sexual humana, é o factor decisivo para que se possa aferir definitivamente que esta se desligou completamente da sua base animal, zoológica; isto, evidentemente, se assumirmos que nenhum outro animal possui capacidades imaginativas, e que é isso mesmo que nos distingue dos outros seres vivos.

Ora, e retomando a tese de Desmond Morris, é precisamente com base na imaginação que se desenvolve um tipo de sexualidade totalmente novo, o qual tem a máxima expressão na sexualidade feminina e, fundamental nesta, o tema central, esse misterioso "orgasmo feminino". Da mesma forma que o conceito de "sensualidade", por exemplo, existe apenas na nossa espécie, e é também um fenómeno de expressão cultural, os conceitos de "beleza" física, ou de "aparência", ou mesmo de "moda", todos evoluindo em paralelo e em concomitância, contribuem para que o sexo seja hoje o centro de gravidade das relações entre as pessoas; passamos, em apenas alguns milénios, de sociedade geneticocêntrica para uma outra simplesmente egocêntrica, na qual as prioridades deixaram de ser a propagação da espécie e a satisfação de necessidades básicas e passaram a ser a satisfação e o prazer pessoais. De facto, à falta de sustentação zoológica, as fêmeas humanas produziram uma emulação do "orgasmo" masculino, cuja sustentabilidade do ponto de vista sociológico é interpretável (e interpretada, por vários autores) de diversas formas; Morris é de opinião que esta emulação orgástica surgiu pela necessidade (biológica, zoológica) de a mulher se conservar deitada, após a ejaculação do macho, por forma a evitar que, levantando-se, o esperma escorresse da vagina. Enfim, é uma teoria, como existem outras sobre o assunto, mas nenhuma delas exclui nada nem é decisiva em coisa alguma.

O que é facto é que não existem, por exemplo, "passagens de modelos" para vacas charolesas, nem esteticistas para ornitorrincos fêmea, nem cabeleireiros especializados em hienas, ou sequer existe uma única loja Christian Dior em todas as reservas naturais do mundo. Quer dizer: o argumento, posto assim, é bem provável que não colha; mas, que diabo, não será possível que a explicação para tão gigantesco enigma esteja mesmo debaixo dos nossos olhos, sem ser preciso ir escavar mais longe?

O "orgasmo feminino" será igualmente avassalador e extenuante, numa camponesa analfabeta e numa secretária executiva? Para uma fêmea de qualquer tribo perdida na savana as "técnicas" utilizadas para atingir o orgasmo serão as mesmas de qualquer dona-de-casa europeia? E será que o homem da savana se desvelará tanto, com cada uma das suas vinte mulheres, como o burguês das nossas cidades com sua Maria das Dores?

Se tentarmos analisar a coisa, salvo seja, através da simples observação, o "orgasmo feminino" ainda mais evidentemente fingido parecerá: o "orgasmo masculino" (a ejaculação) resulta na expulsão de sémen; e no feminino, o que acontece? Qual é a substância "expelida"? Urina? Ou são óleos naturais de lubrificação vaginal que "se vêm" por ali fora, em quantidades industriais? Se a ejaculação (masculina) serve para a expulsão de espermatozóides que, sem ela, não poderiam servir para nada, o correspondente feminino serve para o quê, exactamente?

As sociedades humanas modernas desenvolveram mecanismos de interacção complexos, sem paralelo. A fêmea humana e, de certa forma, o macho também, não tem hoje em dia absolutamente nada a ver com o que era há seis ou sete mil anos: perdeu quase completamente a pelagem, modelou os seios e as formas de acordo com padrões estéticos, adquiriu comportamentos totalmente novos e, por fim, assumiu um estatuto de total parceria - na acepção de igualdade - em relação ao sexo "oposto". Ora, entre outras coisas, o que tinha este de fundamental, radical, de certa forma irritantemente diferente? O orgasmo.

Tinha, disse bem.

Claro que isto é, de certa forma, grave. Novos problemas e desafios se colocam ao homem moderno e, principalmente, ao pós-moderno, esse patarata. Até já existe um ramo colateral, na medicina, dedicado exclusivamente ao "orgasmo feminino"; na variante não consumada, à boa maneira medicinal, é uma chatice tecnicamente designada por Anorgasmia; certamente por exorbitância preciosista, o nome completo da coisa é "anorgasmia feminina", pelo que se pode deduzir que a chamada "impotência" já não existe, finou-se, agora deve ser "anorgasmia masculina". Ora bem. Estamos todos bem fodidos, é o que é. Com uma coisa destas, que tem nome científico e tudo, já cá se sabia, agora é que vão ser elas: gaja que é gaja está assim superiormente autorizada, ordens do médico, a pedir - melhor, a exigir - a qualquer gajo com o qual se digne dar uma trepada, coisas assim:

_ Chavalo, isso assim não me dá gozo. Foda-se. É aqui. Olha. Aqui, tás a ver? Clítoris. Isto chama-se cli-to-ris. Pronto. Pões aqui dois dedos e esfregas, para cima e para baixo. Assim. Não. Assim. Ah. Aaaaahhhh. Aaaahhhh. Ai! Merda! Magoaste-me! Mas ca ganda besta me saíste, tu, ó palhaço. Da-se!

Acabou-se a velha e elegante rapidinha, por exemplo. Agora ele é só "técnicas" e mais "técnicas", não vá dar-se o caso de a fulana ficar "insatisfeita" e, sabe-se lá, apresentar queixa na polícia. Já não basta andar com preservativos, boletim de sanidade em dia e cartão de dador benévolo de sangue, não tarda nada gajo que é gajo terá de se munir também de registo criminal e de uma certidão médica, declarando que não é impotente, nem sofre de ejaculação precoce, nem pega de empurrão, nem é portador de grandes taras e manias. Conveniente e jeitoso será também meter na carteira uma quantas cartas de recomendação, passadas por senhoras satisfeitas que declaram, por sua honra, que o portador é pessoa de dar três seguidas sem tirar fora, especialista nas posições tais e tais, e tal, merece nota x em orgasmos, e tal, tantos de tal, segue assinatura reconhecida notarialmente. Qualquer dia, o direito da mulher ao orgasmo terá um artigo próprio na Constituição da República, recomendando mesmo que se puxe pelo canastro o suficiente para que a dita tenha direito a orgasmos "múltiplos", dia sim dia sim ou dia sim dia não, pelo menos. A velha pergunta "como te chamas" será em breve substituída por "aguentas quanto tempo".

Dodo. Geralmente, o que quiser. Mas depende.

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29/10/05

D. Sebastião, o Verdadeiro

Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782)
Marquês de Pombal
Conde de Oeiras
Entradas lexicais

pombalibilidade s.f.: qualidade ou condição de pombalizável; 1. grau de carência de pombalização; 2. característica ou conjunto de características do que é pombalizável ou foi pombalizado.
pombalino adj: relativo ao primeiro marquês de Pombal (1699-1782) ou à sua época; acto ou efeito de pombalização.
pombalismo s.f.: Hist. 1. conjunto de princípios que caracterizam a governação do marquês de Pombal (1699-1782), como o absolutismo, a centralização do Estado e o desenvolvimento económico; 2. período da sua governação (1750-1777); 3. corrente política actualmente com um único apoiante (cf. Dodo).
pombalista adj. Hist.: 1. relativo ao marquês de Pombal ou ao pombalismo; adj. 2 g., s. 2 g.: 2. partidário do marquês de Pombal.
pombalização s.f.: 1. acto ou efeito de pombalizar (-se); 2. tudo o que se põe em prática, que se consegue pombalizar; 2.1. algo que se obtém com esforço; 3. p. ext. grande feito, acto de heroísmo.
pombalizado adj.: que se pombalizou; 1. levado a efeito; executado 2. que ganhou realidade, que se efectivou 3. que conseguiu atingir os seus objectivos.
pombalizar v.: realizar, executar, proceder de modo pombalino ou à maneira pombalina.
pombalizável adj. 2 g.: passível de pombalização ou algo que é possível pombalizar, executar ou realizar eficazmente.



(imagem de Planeta deAgostini)

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