Odi profanum vulgus et arceo

29/10/06

Consultório sentimental - XIX

A letra M

Olá, o meu nome é João, tenho 30 anos e sou casado há 2. Tenho acompanhado a correspondência no seu "consultório sentimental"e ando para lhe escrever há que tempos sobre um assunto que me deixa curioso e que resulta simplesmente da leitura dos seus escritos: é que me parece que você, afinal, detesta as mulheres! Pois é, que raio, você dá-lhes na touca à força toda, parece que não gosta... será? Há uns tempos li aqui uma transcrição de um anónimo qualquer que insinuava que você às tantas pega mas é de empurrão...
Porra, ó homem, você nem me diga uma coisa dessas! Não posso crer. Mas lá que você lhes chega, ai isso chega. Foda-se! Até parece que nunca conheceu uma gaja decente! Bem, já agora deixe-me que lhe diga que a minha também não é lá grande coisa (caralho, isto é para ficar aqui entre nós, ok?) e eu devo confessar que já estou farto dela até à raiz dos cabelos. São só dois anitos (faz no próximo dia 15, precisamente) mas, se pudesse, já a tinha empontado; olhe, fazia como aquele gajo do anúncio, pegava nela ao colo, ia lá a casa dos paizinhos dela e despejava-a no chão, como se fosse mercadoria marada: tomem lá esta chata do caralho de volta, e já agora chutem para cá o guito que eu torrei à conta dela.
Mas enfim, isto sou eu a falar. Há que aguentar, de peito feito e cara alegre, como você diz. O que interessa agora (e, sinceramente, duvido que você responda a isto) é saber que raio de ódio é que você tem às mulheres em geral. Caralho, você deve ter sido encornado para cima de uma data de vezes! Não lhe queria estar na pele, se não estiver enganado.
No hard feelings, old chap!
Saudações.
J.

 

Caro João, bem-vindo ao consultório.

A sua mensagem merece resposta, olá se merece, quanto mais não seja porque há décadas que não ouvia ou lia a expressão "já a tinha empontado". "Empontado", que giro, do muito injustamente esquecido verbo empontar. Olha que bem. Até fui ao dicionário confirmar se esse delicioso termo ainda lá estava e, confiramos, não consta do Houaiss (são as putas das modernices) mas consta de uma enciclopédia e do velho P.E.

Pois empontar, caro amigo, é precisamente o assunto de que fala vocência. Lá esses números do carrinho-de-mão, paneleiragens e tal, desculpe mas terá de consultar o tal anónimo, que além de anarquista parece ser realmente especialista no assunto. Eu cá, de paneleirices pouco ou nada entendo, a não ser que eles lá e eu aqui, que se fodam - em sentido figurado e em sentido literal - a bem da nação, e que não me chateiem é o que é preciso. Mas respondendo directamente à sua pergunta, não: ou melhor, como é politicamente correcto dizer-se, acho que não; nunca experimentei tal coisa e, sinceramente, não me estou a ver a sequer chegar-me ao pé de um gajo que cheira como eu, é tão feio como eu, tem uma coisa tão horrível entre as pernas como eu tenho e, principalmente, está completamente desprovido daquilo que me interessa em assuntos de cama: cona e mamas, não necessariamente por esta ordem; claro que o belo cuzinho também conta, e ó de que maneira, mas quando falo de cu falo de ancas largas, uma peidola valente e assim para o grandalhão, provida de preferência de uma apícola cinturinha, umas coxas nutridas e, em especial, de um pudor especial com esse detalhe anatómico. Já conheci umas duas ou três para as quais o belo enrabanço era o prato principal, o mais suculento e preferido, mas foram a excepção e não a regra.

Aquilo de que as mulheres realmente gostam, como todos sabemos, é de levar na cona. Nada mais, nada menos. E isso remete para o assunto central da sua questão: serei eu um miserável misógino, isto é, terei eu uma aversão desmedida às mulheres em geral?

Bom, dando de barato que nestas extremamente científicas questões a primeira pessoa do singular deve ser academicamente banida, já que o subjectivismo embota qualquer raciocínio, parece-me dever começar por afiançar que sim. Realmente, a minha prática e a minha teoria, daquela resultante, apontam nesse sentido: as mulheres servem única e exclusivamente para aquilo de que mais gostam, ou seja, repitamos para que não restem dúvidas, para levar na cona e pouco ou nada mais. Como dizia alguém que pouco entende destas subtilezas mas que diz umas coisinhas acertadas, é fodê-las primeiro e mandá-las foder depois. No fundo, vejamos, é isso mesmo que elas querem. Claro que milénios de aculturação as forçam, geralmente contrariadas, coitadinhas, a fingir perene e sistematicamente que não é assim, mas é. A suprema felicidade, para qualquer mulher, dura e é enquanto estiver com ele encavado. Não sejamos líricos, porque elas também o não são. Toda a parafernália,  o chamado arsenal sentimental feminino, se resume a uma questão central: com quem vou foder a seguir?

Ingente e urgente questão, que tantas e tão belas páginas tem dado à Literatura universal ou, pelo menos, do lado de cá dos Himalaias. Inúmeros patarecos e choninhas, como Shakespeare ou Balzac, para citar apenas dois exemplos, escreveram que se desunharam sobre a nobreza dos sentimentos e a intrínseca delicadeza da fêmea, quando esta, cagando-se absolutamente para tais patacoadas, escreve e diz as coisas como elas são; veja-se o caso de Florbela Espanca, essa notória histérica, entesoada até à medula, que não se coibiu de chamar os bois pelos nomes:

Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Ora aí está, amigo João. Troque vomecê o verbo, esse lindo verbo "amar", tão glosado pelos homens e tão gozado pelas mulheres, ponha-lhe o devido e correcto "foder" em vez, e já vê: a chavala o que pretendia era foder que nem uma leoa. Porém, precisamente, há que entender estas subtilezas de linguagem, mulher alguma - ou, melhor, só uma ou outra, esta Florbela foi uma excepção - se atreve a não utilizar o código específico da Língua da nação fêmea. Gaja que fale em "foder", sem mais aquelas, arrisca-se a levar com o carimbo de grandessíssima e alternadíssima puta, pelo que a alternativa é ir usando umas palavrinhas glicodoces e melífluas em vez daquelas que lhes apeteceria dizer. Por isso, além de "amor" em vez de "foder", dizem "coração" em vez de "cona", e falam dos seus "cabelos" quando pretendem significar "cu" ou "mamas" ou "pentelhos". E assim por diante: "paixão" é "tesão", "saudade" é "tesão de amarinhar pelas paredes", "carícia" é "punheta", etc. Mesmo a coisa em si, o trivialíssimo verbo "foder", é por elas sistematicamente transformado em "fazer amor", isso então é que me irrita até à quinta casa; já ouvi uma data de garinas babando a sua frasezinha preferida ("eu não fodo, eu faço amor") e posso afiançar que a partir daí as coisas correram pessimamente. Expressões um bocadinho mais complexas, como "adoro-te", representam imagens mentais, ou desejos não muito conscientes, que se poderiam traduzir como "gostei da última, mas soube-me a pouco" ou ainda como "foda-se, não dá para uma rapidinha, assim de repente?"

A coisa, em a gente se habituando, torna-se facílima de compreender e, por regra, dispensa tradução. E é precisamente por isto que, no meu caso particular e no de outros igualmente veteranos, a percepção dos factos e a lucidez demonstradas podem cheirar, diria mesmo tresandar, a pura misoginia. Mas não corresponde à verdade, como se demonstrou com exemplos. Uma coisa é alguém não gostar de mulheres, ou porque é paneleiro ou porque prefere exclusivamente bater pívias, outra coisa bem diferente é um gajo dizer aquilo que acha sobre as mulheres e, nesse caso, arrisca-se a ser mal interpretado. Por mim, caro João e caros outros colegas das belas artes, quero bem que isso se foda; tento explicar, de quando em vez, que não é por compreender as mulheres que deixo de gostar delas, em geral, e de umas quantas em particular, e muito menos deixo de apreciar tudo aquilo que elas me podem dar. Apenas não chamo a isso, a tudo o que elas me podem dar, os nomes que elas pelos vistos gostariam que eu chamasse. Fodei-vos. Eu quero é cona, não "coração". Que se foda o coração, que só dá chatices. Eu quero é foder, não "amor", não "paixão". Se houver alguma simpatia pelo meio, alguma amizade, melhor, excelente; se não, bem, então a coisa durará um pouco menos e será um pouco menos intensa. Nada mais. É como num jogo de fortuna e azar: rien ne vas plus.

Que uma qualquer mulher se diga (ou se sinta, o que vem a dar no mesmo)"apaixonada" por um tipo qualquer, é para mim o mesmo que ouvir o Marco Paulo a cantar: desligo imediatamente. Que possa ser eu próprio o objecto desses "amores" e dessa "paixão" emociona-me tanto como ouvir o mesmo Marco Paulo a cantar, já depois de eu ter desligado o cantante. Contente ficaria, isso sim, e fiquei em diversas ocasiões até hoje, quando uma mulher - porque também há disso - mostra que é um ser humano e não uma simples máquina de foder; quando - especialmente depois de a gente foder - me acende um cigarro ou me chega a cervejola; quando é simpática, e gentil, e amorosa; quando sorri sem ser de pura lascívia; quando um abraço ou um beijo têm tudo de carinho e nada de cio; quando me endireita o colarinho da camisa ou quando me compõe o nó da gravata. Quando, por fim, está comigo porque sim e não porque me deseja. Se bem que esta última também me não desagrade, mas não estraguemos a fluidez natural do texto.

E isto remete-nos para o início: o genial verbo "empontar". Pois saiba o amigo que, pessoalmente, sim, já fui empontado algumas vezes. Escusa de se começar já a rir porque, se bem conheço as mulheres, a sua estará muito provavelmente - neste exacto momento - a pô-lo a si em pontas (que é outro significado possível do verbo), ou seja, a empalitá-lo alarvemente. Dois anitos, diz o amigo? E diz que já está farto dela?! Hihihi. E ela não? Ela ainda deve estar muito apaixonadinha por si, descanse. Eu é que não queria estar na sua pele, ora essa! Vossemecê é que pode ser encornado, não eu, ou quem é que é aqui o gajo casado? Foda-se, fique-se lá com a sua mais-que-tudo, desenrasque-se, mas também não venha para cá mandar boquinhas foleiras.

Mas vá lá, por esta vez passa. Não faço a mínima ideia de quantas vezes a minha primeira mulher me "empontou" (ou empalitou), no mesmo período de tempo; presumo que algumas; como diz a Bíblia, se não em obras, pelo menos em pensamentos e seguramente por palavras. Isso é uma coisa chata que me sucede, a saber, falar a dormir, e calculo ter sido assim que a dita arranjou um pretexto para se "vingar", à época. Já a segunda (e devo acrescentar que, depois desta, já não houve mais encornanços legais, porque nunca mais caí desse cavalo abaixo), bem, essa só me empontou uma vez... se bem que tenha sido uma vez de escachar, uma coisa horrorosa. De outros episódios semelhantes não reza a minha história pessoal, porque não houve mais nenhum consórcio legal e porque, inerentemente, esse tipo de maçadas apenas ocorre a quem é suficientemente imbecil para casar ou juntar os trapinhos; em namoricos e assim, a gaja que me troque por outro apenas me resta desejar-lhe boas noutes e que se divirta; é uma chatice a menos e permite passar à seguinte de uma forma mais expedita.

Mas não se julgue que aquilo que penso ter demonstrado não ser "raiva" ou "asco" se agravou ou se deve em exclusivo a estes tristes episódios de empontanço. Nada disso. Evidentemente, tais e tão públicas "traições" acabam fatalmente por criar anti-corpos em quem delas é vítima, mas tudo acaba em bem, até porque tudo acaba, e o tempo se encarrega de repor a ordem natural das coisas: a primeira vive mais sozinha  do que um cão, tendo por companhia apenas o álcool; da segunda, nunca mais ouvi falar; das outras, nem quero tomar conhecimento; volta-e-meia, lá vejo uma em plena rua, irreconhecível, gorda como um batoque ou velha como uma carcaça; cumprimentos lá em casa, é o que lhes desejo.

"Gajas decentes", como diz, conheci uma única... até hoje. Mas tanto o conceito de "decência" como o seu inverso, a "indecência", dependem de uma única variável: toda a gente é "decente" enquanto não se descobre que, afinal era "indecente"; e também pode, muito mais raramente, suceder a operação contrária. Por definição, e na acepção estritamente sexual do termo, mulher "decente" é coisa que não existe e que não faz sequer, de um ponto de vista sociológico ou zoológico, sentido que exista. Pelo menos, não desde Maria Madalena, essa artista pelos vistos sinceramente convertida à santidade.

Pronto, amigo João, espero ter contribuído para a sua paz de alma. Esteja descansado. Aqui é tudo heterossexual (estão dali a dizer-me "achamos, achamos") e tudo finos apreciadores do belo sexo. Não temos caganças, é só isso. E o facto de eu ter exposto aqui assim a minha intimidade, que fique bem claro, é uma excepção que se fica dever em exclusivo ao facto de me ter apetecido. Nada mais a declarar.
Cumprimentos à esposa.
001


P.S.: a propósito: afinal, que tal é a sua mulher? Bom material? Homem, não se acanhe! Mande foto dela ou, melhor, mande-a a ela, em pessoa. A gente cá se encarrega de lhe aliviar o fardo a si. Os amigos são para as ocasiões, como soe dizer-se; temos de ser uns para os outros, não é? Às ordens.

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28/10/06

Pequenos Portugueses


Marques Mendes




Biografia: Wkimérdia
Fotografia (tipo passe): Libre Opinion (secção Cromos)


Frases célebres
_ Ganda nóia.
_ Eu não xou xopinhaxe com macha, caraxasse.
_ Uxe portugueseche xabem que podem contar comigo.
_ Penxar em grande.
_ Nóche não vamoche baixar os impostuche.
_ Há que ter xentido de echetado.

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27/10/06

Sabes a que sabes?

Sabes a que sabes? Sabes?
Não sabes. Como poderias tu saber?
Mas deixa, finalmente vou-te dizer.
Sabes a metal, a ferro, a chapa,
A cavilhas que seguram traves.
És como colher que se morde sem querer.
Sabes a parafuso, a anilha, a alicate,
A carril dos comboios, a toques a rebate.

Queres provar o teu sabor? Prova.
Vês? É assim, é isto, esta lata,
Este sabor de ferrugem a corroer.
Algo muito grande, enorme, como
Um tanque de guerra, ou algo pequeno,
Como um prego velho e retorcido,
Uma pobre carica enferrujada.

É a isto que sabes, sabes?
É este mesmo o teu sabor.
É um gosto amargo, tosco, animal.
É assim puro, livre de todo o mal.
O teu sabor e o teu perfume.
O teu fogo, teu aço, o teu lume,
A tua forma simples de dizer
Estou aqui, sou a tua mulher,
Toma-me, sou eu, sou toda tua.
E eu digo sempre sem dizer:
Meu Deus, adoro ver-te nua,
Adoro-te, querida, meu amor.
E provo-te de novo sem qualquer pudor.

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26/10/06

Quem não assinou que atire a primeira pedra


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Ciúme

Suspeitas.
Acusas.
Perguntas.
Respostas.

Sacodes.
Explodes.
Reprimes.
Redimes.

Convences.
Desistes.
Repetes.
Repetes.

Espero.
Admite.
Agora.
Confessa.
Oiço.
Repete.
Espera.
Admito.
Nunca.
Ouve.
Repito.
Desespero.
Confesso.
Sempre.
Sempre.

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22/10/06

Patati-patatá no sofá

Será realmente possível escrever absolutamente nada sobre coisa nenhuma?

Será. Existe mesmo um imenso arsenal de ferramentas linguísticas à disposição, do mais comum blá-blá-blá ao referencialíssimo e muito prático patati-patatá, verdadeiro patriarca dos bordões, passando pelos sintéticos mas não menos e tal, e tal, ou e assim por diante, ou ainda o não menos utilizado etc., etc., etc. No entanto, está mais ou menos instituído e é comummente aceite que o mais relevante acessório discursivo, quando não temático, é o patati-patatá, o qual ganha aos concorrentes em todos os aspectos, nomeadamente pela elegância da palavra em si, ademais composta por hifenização, o que demonstra o seu cariz nobre, aristocrático mesmo; demos de barato, neste considerando e por conseguinte, o duplo hífen do blá-blá-blá, que poderá ser mesmo exageradamente estendido e multiplicado (como em blá-blá-blá-blá-blá, por exemplo), o que indicia com nitidez algum pretensiosismo, quiçá seu toque de esquizofrenia ou tique de freneticismo.

Patati-patatá ocupa um lugar ímpar em termos de eficácia comunicacional, servindo os mais variados fins, não apenas na Língua portuguesa, de aquém e de além-mar, mas também na francesa, idem idem aspas aspas; terá sido, aliás, da língua de Voltaire que nos chegou o precioso termo, e dever-se-á aqui fazer notar que se trata de língua em sentido literal, daí a não maiúsculização em posição inicial, ora pois então concretizemos, não vá a gente perder o fio à meada, dizíamos, terá sido do próprio órgão bucal de Voltaire que surgiu o nosso patati-patatá, que utilizava para significar a sua falta de inspiração momentânea. Essa famosa expressão terá sido proferida pela primeira vez por volta do ano de 1741, aquando da primeira edição da obra Mahomet, de bom augúrio como depois se viu; não consta que Voltaire tenha tido o desplante de usar o seu patati-patatá com alguém, e de mais a mais chamando-se aquilo, mas muito do discurso voltairiano se baseia, como, de resto, grande parte da cultura europeia, no seu conjunto, em muito patati e em não menos patatá.

Notemos, a talhe de foice, que a expressão pode ser utilizada tanto na sua forma concatenada como isoladamente, constituindo assim as suas partes já não um só significado representado por dois significantes, mas dois significados complementares, cada qual com sua escrita e seu código próprios. Quando isolados, há que não confundir patati com patatá, e o mesmo vale para o seu inverso; aliás, os termos em oxímero podem representar uma mais-valia assinalável do signo linguístico, enquanto veículo da comunicação. Traduzindo outros sentimentos, que não apenas o referida falta de inspiração momentânea, o vocábulo hifenizado demonstra uma elasticidade surpreendente, em diversos vectores e situações comunicacionais, desde a simples e absoluta falta de assunto ao mais profundo desprezo por aquilo que viria a seguir e que, de repente, já não há pachorra para continuar; como na figura "ela disse que me amava e patati-patatá", subentendendo-se por patati-patatá que se estará em presença de uma tanga tremenda, ou em "ah, e tal, patati-patatá, e porque torna e porque deixa", extraordinária demonstração do linguajar característico de nossa juventude, que fala muito mas raramente diz alguma coisa com um mínimo de coerência.

Não misturando alhos com bugalhos, mas apenas no intuito de ilustrar de outra forma a presente tese, vejamos a aplicação de patati-patatá ao diálogo interpessoal (parece que é assim, pleonasticamente, que hoje em dia a coisa se deve designar). Tomemos ao acaso o caso de dois amigos que estão conversando sobre determinado descaso:

_ E então, o que é que ela disse?
_ Sei lá! Patati-patatá, patatá, patati...
_ Mas perguntas-lhe ou não lhe perguntaste?
_ Perguntei.
_ E ela?
_ Patati.
_ E tu?
_ Patatá.
_ Bolas, é que não dizes mesmo uma p'rá caixa!

Ora cá está. Mesmo falando alguém pelos cotovelos, é perfeitamente possível que essa pessoa não exprima mais do que uma das coisas ou, quando muito e pior ainda, apenas uma delas. Porque, no fundo, no fundo, tudo dito e revisto, mesmo depois de muito espremido, tanto o mais trivial como o mais inflamado dos discursos pode resumir-se a isso mesmo: o mais puro, ingénuo, inócuo, por regra tergiversante e às vezes divertido patati-patatá.

Quem sabe não deveríamos ficar por aqui, evitando assim a enorme carga de prosódia encomiástica e os possíveis incómodos inerentes, nomeadamente para a coluna, que não raro acarretam os assuntos mais discutíveis, polémicos e patati-patatá, assim como este. Pois quem sabe.

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18/10/06

Wikimérdia e lusocacofonia

Em Outobro de 2004, a Corel comproui a Jasc Software, desenvolvedora desse programa de edição de gráficos bitmap de baixo custo.

Não foi a imperatriz mais nova da historia mais ainda assim não se sentia pronta quando assumiu aos 14 anos assumiu o trono de seu planeta natal Naboo.Teve un dos reinados mais memoraveis daquele belo e exotico planeta.

a partir de: 108.000.000apartir de: 878.000
assenta-lhe: 546acenta-lhe: 166
um dos que foram: 354um dos que foi: 250
aqui há tempos: 14.800aqui há atrasado: 151
eu estive a pensar: 100eu tive a pensar: 73
com certeza: 8.900.000concerteza: 440.000
há que tempos: 16.700à que tempos: 455
asterisco: 3.870.000asterístico: 877
sempre mantive: 9.640sempre manti: 218
possíveis e imagináveis: 30.200possíveis e imaginárias: 990

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Melhor anúncio 2006 (Televisão e Rádio)




Gato Fedorento
Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela
PT Comunicações
Campanha "PT Noites"

Talvez porque esta campanha era mesmo fixe, mas mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, épá... fixe, o tarifário "PT Free Noites" foi suspenso pela Anacom, no passado dia 13. Ou foi por isso, ou então alguém embirrou (muito justamente) com a designação da campanha, Inglês e Português a mielas. Ou também pode ter sido por ter calhado a uma 6ª Feira 13, a pressurosa decisão suspensória.

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17/10/06

Consultório sentimental - XVIII

 

Ide e masturbai-vos

Não, não é isso que dizem as Escrituras. Pelo contrário, o que lá diz é "Ide e multiplicai-vos". Em princípio, absolutamente nada na Bíblia refere a bela punheta como algo de relevante, ou edificante, ou sequer interessante. Não consta que algum dos Apóstolos, por exemplo, era só que faltava, se entretivesse de quando em vez a embalar o cabeçudo; se bem que já o Judas, quem sabe, se calhar lá batia sua píviazita, assim pela calada, escapulindo-se amiúde para trás do Monte das Oliveiras, o grande malandro.

Mas não nos percamos por tão longínquos e ínvios caminhos históricos, deixemos as considerações retroactivas, salvo seja, por agora, e passemos ao essencial. O tema surgiu inesperadamente, através de mais uma pesquisa Google que trouxe alguém aqui ao consultório, com a seguinte questão: "punheta faz bem ou mal?"

Pimba. 001.blogspot.com, pois claro. Aqui disse um colega, em outra consulta, a respeito da masturbação masculina, e por entre considerações de equivalente valor pedagógico, que "não apenas a masturbação é normalíssima como é quase compulsiva e, de certa forma, obrigatória". Por estranho que pareça, se não há quem não o faça, existe muita gente que diz o contrário... que é pecado, que faz mal à saúde, e tal.

De entre os resultados da pesquisa, o ou a jovem que formulou a questão teria acesso a diversas formas de resposta, como, por exemplo, esta:

A Bíblia Responde Acervo de Perguntas e Respostas
Pergunta: Gostaria de saber mais sobre o hábito da Masturbação.
Resposta: Embora muitos profissionais de saúde se coloquem favoráveis à tal prática, seria interessante que você soubesse o que Deus pensa a esse respeito. Partindo da verdade de que somos seres criados por Deus, acreditamos que Ele sabe perfeitamente os pontos vitais e estilos de vida que trazem vigor ou enfraquecem nossa mente e personalidade.
A masturbação é considerada como uma fragilização dos princípios morais que em conflito com a transigência espontânea (condescendência) arraigada na pessoa, torna a natureza inferior como predominante sobre a natureza superior.

Um outro fórum, igualmente brasileiro, resolve o assunto com uma declaração espantosa:

Status: Pergunta solucionada por votação
k que idade comesa a masturbação masculina e feminina como faz para se masturbar nos dois sexo feminino e mascul
por favor me responda queria saber que idade começa como tudo isso come a se masturbar como e incio

Uma resposta: Eu comecei a bater p-u-n-h-e-t-a com 6 anos. Sempre fui um sacana.Pra bater é simples. Vc coloca o p-i-n-t-o pra fora, gospe na cabeça e vai socando o bicho até ele ficar duro. Pensa numa s-a-f-a-d-a por exemplo: a vizinha, professsora, prima, irmã do amigo, mãe da namorada, namorada. Vai pensando e vai socando o p-i-n-t-o até tu esporrar.Se quizeres também podes acessar um site porno e mete bala. Neste caso cuidado pra não gozar teclado, mause, vídeo e a cpu. A p-u-n-h-e-t-a pode sair muito cara.

Outra resposta:
Não há criança que não o faça a partir de certa idade... até padres priores e crentes e não crentes.... e se disserem que não, mentem descaradamente...

Muito interessante. Há lá mais cores, é ir ver. Um dos respondentes até sabe o que o próprio Deus, em pessoa, pensa sobre o assunto. Deve ser mais um confrade da escola Alexandra Solnado, cujos membros têm acesso periódico ao Próprio, via SMS ou por outros canais tecnologicamente avançados. A julgar pelo que dizem estes ilustres advogados das mãozinhas nos bolsos, sossegadas, o Altíssimo, pelos vistos, rala-se enormemente com isto da pívia, preferindo o tema em detrimento de coisas nitidamente mais pífias, como a fome, a violência e a ignorância. Já aqueles caramelos da Biblia online (que raio de nome), santinhos até à medula, ou eunucos, ou castrados à nascença, ou o cacete, despejando sua moral putrefacta sobre as cabecinhas desprotegidas dos jovens, pretendem por conseguinte insinuar que não, não senhor, eles e elas nunca fizeram semelhante coisa, que horror, que tremendo pecado. Punheta não é assunto que se solucione "por votação", ó bálhamedeus; aliás, mas para que caralho necessita a gente de que tal coisa se "solucione", é deixar lá estar, a punheta muito sossegadinha, que o que não precisa de solução, solucionado está.

Ilustremos o paradigma com alguma carga literária e, porque não dizê-lo, outro tanto de bagagem cultural, através de um belíssimo soneto de Bocage.

Soneto da Mocetona Pudibunda
Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:
Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ela ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:
C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho me embalava;
"Mais depressa" Lhe digo então morrendo.
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.

Ora, cá está, referido pelo próprio Poeta em carne e osso, o carácter místico da pívia. Pois, não dizia eu? Ora então está visto. Bem se podem esmifrar os paladinos da "temperança", não adianta nem atrasa, a espécie humana - à imagem e semelhança de todos os outros mamíferos - masturba-se desde o início dos tempos, e masturbar-se-á até ao fim dos ditos, nem que chovam pás e picaretas. No dia do próprio Armagedão, ainda há-de haver muito boa gente a tratar do assunto, que é sempre urgente e por regra mais importante do que uma batalhazita da treta, mesmo que esta seja a última.

Olha que caralho. Então mas existe alguma coisa mais bela do que a imagem de uma mulher em pleno acto de masturbação? Contemplemos embevecidos a esplendorosa imagem que encima este modestíssimo e mal alinhavado paleio. Jesus, Maria, José! Que beleza! Hem? É ou não é? Olhai, que verdadeiro pedaço de céu, ah, se fosse possível parar o tempo naquele instante mesmo (bem, enfim, uns minutos para a frente e depois rebobinava-se), há lá coisa melhor do que auxiliar tão bonito ser humano em semelhante empreitada?


Ora ficai sabendo, tomai e embrulhai, ó morcões moralistas. Aquilo é que é a verdadeira face da felicidade, o sorriso absoluto, divinal, a pose totalmente descontraída e leve; que diabo, reparem bem, a mulher parece que está a voar! Enfim, um mimo. Deus me perdoe o fetiche, como se já não bastassem as outras manias, mas realmente não há nada que se compare a um belo rosto, feliz, radiante. Abençoada punheta, portanto, se bem que no feminino se deva talvez designar a coisa como dedeta.

Para um homem decente e culto, o cúmulo da intimidade é quando uma mulher lhe admite a presença, enquanto ela se entrega docemente nos braços do deus Onan. Imbecil que se ponha com patacoadas, quando tal milagre sucede, além de candidato a valente e merecidíssimo pontapé no cu, arrisca-se seriamente a um grande par de cornos, de brinde, só por se armar em parvo. E é muito bem feito. O acto de masturbação é sagrado, e por maioria de razões para as mulheres; ao contrário de nós, homens, as mulheres vêm equipadas de série com ferramentas masturbatórias extraordinárias, a começar pelo próprio cérebro, que lhes permite atingir o clímax apenas com o poder da mente; aliás, como sabemos, o cérebro é o mais erótico dos apetrechos sexuais, para ambos os sexos, mas com uma eficácia infinitamente superior no chamado belo sexo; uma mulher consegue fazer tudo e mais alguma coisa apenas imaginando que está a fazer essa coisa; sério; é espantoso. Claro que aquele número mais tradicional, um simples dedito mexendo no clítoris, ajuda-as muito na tarefa mas, se não tiverem nenhum dedo à mão, por assim dizer, ou quando lhes apetece variar, pode ser com muitas outras coisas, ou com absolutamente coisa alguma, apenas à custa de algumas contorções do corpo todo, umas mordidelas na almofada, as coxas roçando uma contra a outra. Note-se que o anteriormente referido poder da mente, quando preterido o foder da gente, constitui a base do verdadeiro triunfo da mulher, já que, quod erat demonstradum, repitamos, esta não precisa de um homem para o efeito; além disso, a masturbação no feminino tem ainda outras vantagens, por sinal enormes, como a ausência de quaisquer riscos para a saúde - as doenças venéreas não se transmitem por este método sexual - e ainda pelo facto de a coisa em si não envolver qualquer espécie de chatice ou engulho sentimental. A finalidade exclusiva é o prazer, todo o prazer e nada mais do que o prazer, como poderá jurar qualquer moça normal e bem constituída, para mais no caso de se deixar de caganças.

Mas consideremos ainda a vertente medicinal da sexualidade em regime de auto-gestão. De facto, se é altamente recomendável que todos os seres humanos, homens e mulheres, fodam o mais possível, dada a relação intrínseca e directa que isso tem com o estado de espírito (e, por consequência, com o estado de saúde em geral), também se aconselha, e deveria ser vivamente recomendado nas escolas(1), que todos e todas se desenrasquem sozinhos sempre que lhes dê para isso. Pelos mesmos motivos, porque faz bem, é saudável e põe as pessoas mais alegres e bem dispostas, mas em especial naquilo que diz respeito às mulheres; isto porque, logicamente, se qualquer gajo fica satisfeito com uma, ou duas ou, vá lá, umas cinco, isso para qualquer mulher é amendoins, sabe a pouco, e se calhar nem dobrando a parada chegaria; nós, maninhos, estamos completamente fodidos neste assunto, logo à partida, pela simples razão de que nenhum homem é capaz de chegar sequer aos calcanhares, em quantidade e em qualidade, daquilo que é o mínimo exigível para uma mulher trivialíssima. Por isso, excluindo do conselho os avis raras que apreciam ser empalitados, todos nós temos o dever não apenas de aceitar (de cara alegre) que ela ou elas se masturbem regularmente, como devemos auxiliá-las por todos os meios nesse desiderato; é deixá-las à vontade, nem que seja enquanto se entretêm com aquilo a que, de forma extremamente badalhoca, se chamava dantes "bater pratos"; ou chegarem-se às bananas, aos pepinos, às maçanetas das portas. Vale tudo pela causa, que é uma boa causa.

Os artefactos conexos, como vibradores, lingerie erótica, dildos, óleos "de massagem" e coisas assim, podem ajudar enormemente. Não nos esqueçamos de que o assunto em apreço representa nada mais, nada menos do que uma verdadeira empreitada humanitária. Quem ajuda a mulher a "vir-se", ajuda o mundo inteiro. É nossa obrigação ajudá-la (ou ajudá-las) a alcançar regularmente os tremeliques, se formos merecedores de tanta cúnfia quanto essa; é boa, excelente, soberba ideia oferecer-lhes de vez em quando um vibrador topo-de-gama, pelo Natal, ou uma vestimenta de fazer tesão ao Rei das Berlengas, pelo aniversário, mais uns cremes "de massagem" com sabores, de vez em quando. Para os mais afoitos, e menos burros, ir constituindo lá em casa (ou casas) um verdadeiro acervo de engenhocas sexuais será uma garantia de três coisas essenciais: mais alegria, mais saúde e um bocadinho mais de fidelidade.

De uma forma abrangente, poderemos mesmo considerar que estes pressupostos implicam um contributo fundamental não apenas para a harmonia doméstica, como, e por consequência, para a paz social, diminuindo os conflitos, em suma, para a qualidade de vida em particular e o bem-estar, não sejamos falsamente modestos, da humanidade em geral.

Mesmo que fiquemos carecas e barrigudos tentando entender como é que elas fazem aquilo, mesmo que isso fique para sempre como uma espinha cravada na nossa máscula garganta, a questão reside em ir tentando, sem desfalecimentos nem cobardias. Há-de ser possível a gente conseguir usar um ou dois singelos dedos com a mesma habilidade natural que elas têm. É aproveitar os momentos de maior divagação, quando um gajo cai de queixos, por exemplo, e ir estudando o assunto de perto, assim comássim. Pode ser que um dia ela prefira a nossa mão à dela, quem sabe. Bom, se não for possível aprender por completo, ao menos que se morra tentando. Isso é que é sentido altruísta e espírito academicista. E elas adoram essas merdas.

Estragadão(*)

 

(imagem de vpul.upenn.edu/; soneto de Bocage copiado da página http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/bocage.htm)

(1) Entenda-se por "escolas" tudo o que seja posterior ao chamado Ensino Básico, antigo Ensino Primário. O tema é-o por natureza, mas não abusemos.

 

(*) O nosso humilde tugúrio passa, a partir deste texto, a contar com a colaboração do Sr. Estragadão, especialista em assuntos diversos, entre os quais este, e cujo nome remete vagamente para uma personagem de Becket, concretamente da mesma peça na qual se baseia este espaço de entretenimento e reflexão. Ora, se este já cá está, o outro, o Godot, esse é que não há meio de aparecer.

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12/10/06

Grandes Cromos Portugueses (3)


José Castelo Branco


Biografia: "marchand" e outras paneleirices
Fotografia a fingir que se ia atirar de pára-quedas (o tanas)
original de Blue Emotions


Frases célebres
Istô toda molhadinhaaa.
Eu hoje acordei assim: fabulosaaa.
Ai quiórroreee!
Bjocas à minha querida leide.
Olha aquele animale, já vistes? Cruz credo!
Sou a rainha do jiet siet, ó, ó.

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11/10/06

Grandes Cromos Portugueses (2)


Gabriel Alves (gbrlvs)


CV (currekl vit)
Fotografia de Google (fetg de Gu)

Frases célebres
uuuuuuuuuuu! (trad.: ou grande remate ao lado ou grande pontapé na atmosfera)
iiiiiiiiiiii!!! (trad.: ou foi golo ou não foi)
óóóóóóó! (trad.: afinal foi)
Gra fin de Uáuim (trad.: grande finta de João Pinto)
Mlkár em todseu splendr (trad.: Mielkársky em todo o seu esplendor)
O ternadr Érks dá estruçes aos juguedrs Uóuim e Ieiiá (trad.: o treinador Erikson dá instruções aos jogadores John Terry e David Healy)

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Grandes Cromos Portugueses (1)


Eládio Clímaco


Biografia (não tem)
Fotografia (arrrgh!)

Frases célebres
Ai que susto
Ai que giro
Ai que coisa
Ai que é mesmo giro
Ai que boa presença
Ai ai

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Grandes Portugueses (1)


Adriano Moreira


Biografia (Bragança Net)
Fotografia de Revista da Armada

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30/09/06

Restaurador Alex

Alguém sabe o que foi feito de nosso Alexandre Monteiro? Anda desaparecido aqui das lides, esse ícone das belas-artes subaquáticas e de outras coisas igualmente belas, como as postas de pescada e a rica saudinha. Segundo testemunho do próprio, diz que se estampou de bicicleta, uma desgraceira, um joelho escangalhado, baixou-se-lhe drasticamente o nível de colesterol, braço ao peito e assim, toda a sorte de azares.

O facto é que já temos, falo por mim, saudades daquela escrita muitíssimo bem esgalhada, daquele humor poético subtil que, de tão concentrado, proporciona sessões de riso genuíno, gargalhante, de ir às lágrimas. Muito provavelmente, lá estará agora com a perna engessada, o joelho preso por arames, suprema ironia sem piada alguma agora esta, o dorido braço ao dependuro, umas quantas futuras cicatrizes tapadas com band-aids e pachos. Tem sua pitada, seu chic, esta situação de uma pessoa que a si mesma se coloca no arame, e sem rede, estar agora preso por arames, compelido a quando muito teclar com um dedo apenas suas mais profundas reflexões em aramaico, essa giríssima língua característica. E é pena que tal suceda, maldita sucata que se lhe não arredou do caminho, privando-nos assim, falo por mim, não sei se já tinha dito, das ditas profundidades e da também já referida piada quando o lemos aos matrecos da escrita em verso, a rima branca mas extremamente colorida. Claro que não se entende nada dos jogos de palavras com os quais desde há muito faz o favor de brindar o respeitável público, aquilo é tudo para alminhas superiores, iniciados em Joyce ou especialistas em cruzadismo, mas, admitamos e reforcemos, a coisa é impagável e faz cá muita falta; releve-se a maniazinha da saúde, essa ingrata - como agora se constata - deusa dos tempos modernos, e vá lá, para os mais agarrados ao vício, dê-se de barato o anti-tabagismo atávico do prestigiado autor, porém teremos de constatar por fim a tremenda lacuna blogosférica que representa semelhante, aborrecidíssima, tão sentida e prolongada ausência.

Pelo que todos os sinceros desejos de rápido e feliz regresso nunca serão demasiados, e aqui desde já aqui se proferem convictamente, na expectativa de que ecoem em conformidade por essa aldeia global fora, essa mesma que esquece em dois ou três dias os seus maiores e também seus maiorais assim que dá a estes e àqueles por azar qualquer travadinha. Ou seja, em duas palavras, as melhoras.

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29/09/06

E não se pode interná-lo?

Esta espécie de arrastadeira soviética veio, mais uma vez, partilhar sua esplendorosa verve com nosotros, os fasssistas. Cuspilhando adjectivo imbecil atrás de adjectivo cretino, nosso comunistóide esquisitíssimo constrói de raiz mais uma espantosa teoria da conspiração: afinal não foi Oliver Stone, o autor de películas Yankee mais amigo dos pobrezinhos, quem realizou o filme "11 de Setembro"; não senhora; quem fez essa retinta merda, esse miserável panfleto de propaganda bushista, foi nada mais nada menos do que a própria Casa Branca, assessorada pelos prestimosos serviços de uma caterva de serviços (secretos) imperialistas. O resto é tanga, não vale um caracol: pode lá ser, ora foda-se, que o camarada Oliver, Oliverinha para os amigos, tenha feito tal cagada! Mas como caralho é que aquilo é tudo sobre a América, os Estados Unidos da América, que horror, e sobre americanos e coisas americanas? Pois então, mas não se está mesmo a ver que um filme sobre o 11 de Setembro devia versar a "problemática" da pobreza em geral e da opressão capitalista em particular? Não há filme de jeito sobre o 911 que possa dispensar as fantásticas imagens da extraordinária vidinha dos árabes, esses perseguidos, essas vítimas do capitalismo; agora cá merdices de americanos a morrer nas putas das torres gémeas, bem, que se foda essa merda! Claro que se vê logo, qual é a dúvida? Fantochada, ou o caralho que os foda, ah, pois é, a mim (a ele) não enganam vocêzes, seus fasssistas. Isto é o chavalo a pensar, claro, porque às vezes o chavalo até pensa umas coisas, recauchutadas, é verdade, mas prontos, lá que debita, pois debita.

Este triste, este deprimente espécime de primata, verdadeiro exemplar museológico de hommo sovieticus, essa espécie de assassinos que se julgava extinta, à imagem e semelhança do velociraptor, circula ainda por aí, não apenas pespegando suas bojardas lá no blogzito dele como vomitando aleivosias - do mais mentecapto, do mais estalinista que imaginar se possa - em jornais nacionais e em programas de rádio e de televisão não menos.

E não se pode ao menos interná-lo, a esse grandessíssimo PCP de um FDP?




(Texto não revisto ou sequer corrigido automaticamente; tarefa demasiado penosa, para não dizer nojenta, mesmo para um simples e honesto corrector autográfico, tão abjecto é o sujeito.)

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Sociedade da informação

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Luvas, sacos azuis, lombo fingido e siga a marinha

Diz-se no DN de hoje que havia na nossa Marinha de Guerra um esquema de corrupção muito engenhoso que, esquematicamente falando, funcionaria assim:

Três empresas (A, B e C) apresentavam as suas propostas de fornecimento de material; uma "comissão de peritos" ("composta por militares que avaliam e dão o parecer à Marinha") escolhia uma das propostas (por exemplo a C), no valor de 20 milhões; depois de a Marinha pagar os 20 milhões à Empresa C, o intermediário respectivo entregava 5 milhões aos "militares corruptos da comissão de peritos", ficava com 5 milhões para si próprio e, por fim, pagava a fornecedores o valor real da empreitada - os restantes 10 milhões.

Santa ingenuità, Dio mio! Ma che cosa?

Mas qual é o patego que se deixa apanhar num esquema assim tão simples(inho)? Ó amigos, então, sejamos sérios; caramba, até no campo das vigarices há que ter um módico de hombridade! Pois então, vejamos, mas isso é golpada que se apresente? Ora, ora, que coisinha tão merdosa. Toda a gente sabe que o esquema verdadeiro, o mais comum, aquele que serve na perfeição os interesses (de quem toma conta) dos poderes central, regional e local, é o velho e sólido "concurso fingido e combinado": determinada entidade, civil ou militar, finge que abre um concurso público; as empresas concorrentes (A, B e C) combinam previamente entre si, em sistema rotativo, exactamente a mesma ou propostas muito semelhantes, sendo que os valores apresentados a concurso obrigam à escolha da proposta C, a mais baixa das três mas, ainda assim, altamente inflacionada em relação ao valor real do fornecimento; depois, é só dividir o remanescente em proporção com a "concorrência", descontada a comissão do intermediário e os "emolumentos" do ou dos representantes da entidade adjudicatária - como recompensa pelo facto de este ou estes fingirem que desconheciam o conluio.

Assim é que a coisa rola. Sobre esferas. Ninguém pode ser acusado de coisa nenhuma, muito menos os "peritos", cuja função consiste exclusivamente em olhar para uns papeis e dizer qual é o valor mais baixo que lá está. As empresas proponentes ficam também desde logo livres de qualquer suspeição, até porque detêm e repartem entre si o monopólio de um determinado nicho de mercado.

Burrices como adjudicar sem concurso público, de acordo com a legislação vigente, é coisa que já ninguém faz. Como todos sabemos, a gente pela-se por cumprir a Lei, em Portugal.

Nem de propósito, e a respeito, assim se compreende a elegante manifestação de brio da nossa deputada ao PE, Ana Gomes. "Corrupção", disse ela. O DN não facilita, infelizmente, o acesso a tão judiciosa sentença.

Citemos. "O PS é um alvo de quem quer corromper e manipular as instâncias do Estado para seu proveito, com vista ao enriquecimento pessoal e ilícito." Fim de citação.

Espantoso apelo. Eis uma frase que, além de lapidar, transpira sinceridade e mesmo alguma ansiedade. É assim a modos como quem diz "corrompam-me, se fazem o favor, vá lá". Naturalíssimo em quem vê toda a gente a enriquecer à sua volta e ela para ali enjeitada, esquecida pelos corruptos e pelos corruptores, espécie de Capuchinho Vermelho perdido na floresta da honestidade, com o lobo mau capitalista sempre à espreita, afiando a dentuça para a comer, coitadinha. Bem farta deve estar, realmente, de ver os seus colegas de bancada a enriquecer que nem umas bestas, e ela ali à espera da oportunidade ideal, uma coisa não muito importante e sem dar nas vistas, vá lá, olhem para mim, eu também sou gente, eu pertenço ao alvo, acertem-me em cheio, por caridade.

Confiemos, contudo, em que mais uma vez o bem triunfe sobre o mal, que o lobo a coma por fim, como tanto deseja, e que reine de novo a ordem natural das coisas.

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À Ensinu há matroca ou naum á? Á, à pelo menos 11 anus, devidu aus maleficios do tabaco.

 Olá a todos.


Estavam a dar-me graxa?! Não me parece, sou professora à 11 anos e foi a primeira vez que ouvi alunos dizerem aquilo. Talvez a nossa juventude ainda tenha futuro:)

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27/09/06

Consultório sentimental - XVII

O Ponto G3

Por mais que faça, não consigo satisfazer a minha mulher. Pelo menos, é o que ela diz. Que eu sou um chato, e que assim não dá, que nunca teve um orgasmo, e que eu a magoo (acho gira esta palavra), e tal e tal. Isto assim é uma merda e eu já não sei o que hei-de inventar mais para lhe dar prazer. Foda-se. Já fizemos de tudo (mas de tudo mesmo), às vezes fico ali que tempos, a dar-lhe em cima com a força toda, tunga, tunga, tunga, horas a fio, mas qual quê, népia, a fulana não se vem nem por nada.
Li há uns tempos aquilo que escreveu, aqui no seu consultório, sobre a "ejaculação feminina", e não fiquei lá muito convencido... desculpe que lhe diga; então mas que raio, afinal as mulheres vêm-se, assim como nós, ou não se vêm de todo, ou é só às vezes, e pouco, e mal? E já agora, a propósito, sempre gostaria de um esclarecimento seu, afinal o que vem a ser essa coisa do "ponto G"? Oiço falar muito dessa coisada mas, sinceramente, não faço a mínima ideia de que porra vem a ser essa, ao certo. É onde, exactamente? Imagino que seja uma daquelas coisas "de lhe chegar c'o dedo" (eheheh), mas pronto, como diabo pode a gente adivinhar onde aquilo é ao certo? Disseram-me que é por detrás do osso pélvico, ou assim; é verdade? Enfim, agradecia uma resposta, se pudesse.
Marcos S., Algés
(recebido por e-mail)


Vamos ver se posso, isto é, se serei capaz de explicar algo tão evidente, por um lado, e tão complexo por outro.

Comecemos então pelo lado evidente. O chamado Ponto G (diz-se "ponto gê") é uma coisa que não tem piada nenhuma. Diria mesmo mais, é uma merda fodida, em sentido figurado e em sentido literal. Não há quem não se veja perfeitamente à rasca para o definir, quanto mais para saber ou explicar aos outros ao certo onde é.

Na minha (modesta, se bem que fundamentada) opinião, trata-se muito simplesmente de mais uma invenção feminina, coadjuvada e acolitada por meia-dúzia de palermas com algum problema lá em casa, com a nítida intenção de atemorizar o macho comum; atemorizar, sim, disse e repito: atemorizar. O que as mulheres pretendem, com essa história do Ponto G, é dispor de (mais) uma arma de arremesso que vá justificando por antecipação qualquer deslize extraconjugal que venha a ser descoberto. Como sabemos, e de acordo com aquilo que aqui reiteradamente comprovo, as mulheres em geral são danadinhas para a brincadeira - facto científico de inegável recorte técnico - e fazem tudo aquilo que podem para laurear sua pevide, chamemos-lhe assim. Ora, o que existe de melhor, para ir laureando a dita em paz e sossego, além da ameaça suprema, aquela que mais pode afectar um gajo? Claro, assim como assim, sabendo de antemão qualquer noiva que estará dando suas (facadas no matrimónio) ao fim de uma ou duas semanas após a cerimónia do casamento, trata logo, muito previdentemente, de adiantar a seguinte chantagem: filhinho, olha que eu sou muito difícil de satisfazer, tu vê lá bem essa merda, põe-te mas é a fancos, porque já sabes, se me apanhares a foder com outro bacano, não leves a mal, mas a culpa é tua, tu é que não me satisfazes, por isso charépe, não me chateies.

Querem por conseguinte com isto dizer, as mulheres, em sua refinada verbalização amorosa, que a culpa antecipada pelas ditas facadas (termo de origem anglófona, de "to fuck, fucked, fucked") resulta do desconhecimento tipicamente masculino daquilo que a elas dá prazer (sexual, entenda-se). Antigamente, o chamado eterno feminino atirava com as culpas da sua intrínseca fodilhice para cima da falta de atenção que se presumia ser obrigação masculina; não me dás atenção, "vou-te encornar" não tarda nada, eis, em suma, a regra vigente até à 2ª metade do século XX, essa horrível, mais desgraçada metade da História humana. Posteriormente, com o surgimento do "soutien gorge" e das "amplas liberdades", o mulherio desatou a reservar para si o exclusivo não apenas dessas liberdades como da sua absoluta inocência no assunto, já que - impinge a versão oficial - são eles e não elas quem trai, porque eles é que são uns sacanas e elas, coitadinhas, limitam-se a dar vazão aos seus instintos naturais. Extraordinária dicotomia, brilhante mesmo, que promove por via administrativa metade da humanidade a uma condição verdadeiramente angelical, e pela mesma via despromove a outra metade à categoria de merda com pernas, cambada de biltres, esses, os homens, que horror, mas que cambada de filhos-da-puta, isto é encorná-los e eles que se fodam, e já agora passa para cá a guita, ó seu sacana. Isto é, mais ou menos, o pensamento comummente aceite e, por curioso e folclórico que pareça, a maior parte da classe masculina encontra-se hoje em dia totalmente dominada por estas premissas e acha de si próprio que sim senhor, não passa de um bandido, um monstro que não pode ver uma burra de saias e nem sequer é capaz de "satisfazer" a sua mais-que-tudo.

Depois de instilar a devida dose de veneno no cérebro masculino, e com a protecção condescendente dos pensadores politicamente correctos - alguns nitidamente efeminados e outros notoriamente apaneleirados -, a mulher passou a sair à rua, quando sai para caçar, não apenas com as suas típicas pinturas de guerra mas também munida de armas psicológicas de terrível eficácia; estas armas de desculpabilização maciça, de cujo arsenal consta o tal Ponto G e a ignorância masculina a respeito dele, servem na prática para ilibar qualquer escapadela e para culpar a priori, ainda por cima, o corno por ter sido encornado. É extraordinária, esta lógica, mas incrivelmente eficaz.

Ora, pois claro, está-se mesmo a ver, se uma mulher, coitadinha, anda a dá-la por aí, é porque o legítimo a não satisfaz, o grandessíssimo cabrão, não dá nem duas seguidas, quanto mais, ganda tótó, aquilo é uns minutitos e puff, já está, nada de preliminares, nada de "carinho", vejam lá que ele nem sabe onde é o ponto gê! Onde já se viu, realmente, pois coitada, pois que merece, é um direito, acima de tudo um direito, pois sim, pois sim, então não há-de uma mulher, que também é filha de Deus e tudo, vir-se regularmente, ora bem, digamos, duas ou três vezes por dia? E se ela por acaso precisar de mais, e isso que tem, pois claro, há-de por força procurar noutro lado, se em casa não lhe dão o suficiente. E o que vale para marido, vale para namorado ou coisa que o valha e mesmo amante: caramelo que não foda "como deve de ser", em quantidade e em qualidade, está mesmo a pedi-las, merece toda a sorte de traições; traições que o não são, de facto, são apenas necessidades fisiológicas, entendamo-nos; se fulano não tem paciência, ou jeito, ou a delicadeza suficiente, para esfregar o clítoris da sua parceira até ela se vir - como é, nunca será demais repeti-lo, seu inalienável e fundamental direito - , com certeza, o sacana está a pôr-se a jeito para ser altamente encornado; e aliás, o que esperávamos nós outros? É no mínimo obrigatório, nos tempos que vão correndo, tanto como saber enviar um SMS ou comprar coisas no EBay, conhecer todas as técnicas necessárias para que as mulheres em geral e a nossa em particular experimentem o nirvana do orgasmo, a suprema bem-aventurança da foda CDS (como deve ser). E isso, esse saber, inclui evidentemente a ginástica mental de retardamento da ejaculação, preencher de cabeça umas chaves de totoloto, contar as rachas do tecto e das paredes, recordar em fast-motion algumas cenas do último filme de Manuel de Oliveira; inclui conhecer de cor e salteado todos os acepipes favoritos e as preferências da dita, desfolhando o reportório lenta mas energicamente; e inclui também, se necessário fosse dizê-lo, uma boa constituição muscular bocal, de maneira a proporcionar minetes como manda a sapatilha.

Homem que se preze, e que preze os direitos adquiridos da sua parceira, deve cautelosamente abafar o palhaço, bater uma (ou duas), antes da chegada dela... não vá a coisa correr para o torto. Deve saber apertar a gaita com toda a força, junto ao prepúcio, logo abaixo, sempre que lhe palpite que se aproxima a galope o segundo fatal. Deve, enfim, munir-se de todos os conhecimentos indispensáveis, e de mais uns quantos, para que a sua "prestação" mereça, ao menos, a classificação de "satisfaz". Quando não, está despedido, danou-se, leva não umas orelhas de burro mas um valente par de cornos, a ver se aprende, e além disso é posto no canto escuro, virado para a parede e em silêncio, toma toma, bem feita, seu morcão. Ou isso, ou um nunca mais acabar de lamúrias, choros infindáveis à mistura com baba e ranho; chuif, chuif, tu já não gostas de mim, buuuuu, ai que infeliz que eu sou, ai ai; a mulher é - além de muito ciosa quanto aos seus direitos - extremamente emocional e delicada em tudo o que se relaciona com sexo. Por regra, aliás, as mulheres adoram dizer que não gostam de "foder" mas sim de "fazer amor"; um gajo pela-se por esse tipo de merdas e elas sabem.

Como sabem outras coisas igualmente edificantes, a nosso respeito. Tudo artistices um bocado chantagistas, mas enfim, é giro, e sempre se dão outros nomes aos bois, para variar. Por exemplo, não é de todo incomum, actualmente, escutar regateios e mesmo protestos femininos por via de umas pinocadas mal dadas ou que, de alguma forma, correram ou estão a correr mal. Vulgarizaram-se as negociações pré-coitais ("tá bem, eu faço -te isso se tu me fizeres aquilo"), e muito poucos garanhões se poderão gabar de nunca terem sofrido recriminações, por deficiente "prestação", como, por exemplo, na expressão "foda-se, já?"

E, é claro, as "amplas liberdades" são hoje, no feminino, como se diz num anúncio, amplas mas mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, eh pá... amplas. Às mulheres é consignado o direito de insultar qualquer homem na sua masculinidade, de paneleiro para cima, e em especial de exigir a seu companheiro a melhor "performance" sexual, com um tempo de duração do acto no mínimo decente, ou seja, superior a meia horita, vá lá, e ai o caralho que me estás a deixar ficar mal, mas ó que merda de gajo, tu não me satisfaças que eu ponho-te um par de patins, vá lá ver. Nesta conformidade, a suprema treta do Ponto G caiu como sopa no mel, para o mulherio; esse mistério tão falado, do qual as próprias mulheres desconhecem a localização exacta, pelo simples facto de ser uma providencial invenção, torna-se assim a mais letal das armas femininas, uma metralhadora de repetição, que dispara em rajadas de reivindicações ou tiro a tiro; é o Ponto G3, portanto. Numa perspectiva histórica, e de certa forma, por analogia cibernética, digamos, este poderá ser considerado também um ponto de terceira geração, como sucede com os telemóveis, ou seja, o verdadeiro Ponto 3G. Menos do que isso, num caso e no outro, como sabe qualquer patego, nada feito, ao pífaro da gaja não dá nenhum abalo. 

Pelo caminho que as coisas estão a tomar, como diria nosso Diácono Remédios, "qualquer dia" um homem é obrigado por lei a frequentar cursos de reciclagem sexual; cobrirão tais cursos matérias tão diversificadas e interessantes como, por exemplo, aventemos, Posições (I, II e III), Masturbação Assistida, História da Sexualidade, Mecanismos e Ferramentas de Satisfação Pessoal (MFSP), Técnicas de Sedução e Engate (TSE), e assim por diante; aventado isto, aventemos ainda que tais cursos terão forçosamente uma época única de exames, sem possibilidade de recurso, com avaliações teóricas e práticas, com notas finais por Disciplina, e incluindo castigos corporais para quem chumbar. Gajo que saia da escolinha sexual sem saber "executar" um minete na perfeição, ou que se atreva a vir-se em menos de dez minutos, está completamente fodido, ou, muito pior, dele se dirá que é um fodilhão merdoso, picha mole, mirradito, uma verdadeira besta, camelo sem qualquer préstimo, choninhas do caralho, etc.

Isto, a bem dizer é a perspectiva fácil, evidente da questão, como disse no início. Vendo agora a coisa pelo lado complexo, temos alguns factos a referir.

Em primeiro lugar, constatemos que há quem diga que o Ponto G existe mesmo, fora do chamado imaginário colectivo e à revelia das tangas politicamente correctas. Para quem não sabe ler e para quem acha que mais de 200 palavras dá seca, é ver o boneco.



Lá está ele, o malandro, ali na traseira baixa do tal osso púbico. Claro que não há absolutamente nada de fisiológico, nem um mísero sinal ou uma verrugazinha que seja, indicando o local exacto; diz-se que é ali como se poderia dizer uns centímetros mais abaixo, ou acima, para a esquerda ou para a direita. Em 1984, um tipo mais descarado atreveu-se a escrever que aquela minhoquice, afinal, não passava de um tecido comum do tracto urinário (uretral). Desgraçado. Bem lhe deve ter fodido o juízo, a patroa dele. Ah, e tal, mas eu sou cientista, terá ele dito, já meio cagado; mas qual cientista, qual cacete, responde Frau Grafenberg; o ponto gê é património, seu caralho! Então não querem lá ver este panasca, a ver se me tira o gozo, scheiße! Ach, du bist ein schwein!

Mas enfim, isto é lenda, transcrição do que se ouviu dizer, "hear say". Nada de científico, portanto. Tão inválido e, de certa forma, ridículo, como falarmos, por exemplo, de ejaculação feminina. Tretas.

Em segundo lugar... bem, não há segundo lugar. O assunto, visto numa perspectiva complexa, não tem afinal muito que se lhe diga.


 

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25/09/06

...



James Nachtwey

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24/09/06

Eventualmente

10. Uma mulher (e o pulha que a pressiona) que aborta deve sentir apenas uma coisa: o peso da sua consciência. O peso do estado da lei - não é para aqui chamado.
Blogue- Revista Atlântico


Eventualmente. "Uma mulher (e eventualmente o pulha que a pressiona)".

Porque, eventualmente, também acontece a mulher abortar sem sequer dizer água-vai (águas-vão) ao pai da futura ex-criança.

Eventualmente, se frequentemente for excessivo, mulheres abortam contra a vontade do parceiro.

Eventualmente, uma mulher pode não saber quem é o tal, ao certo, ou a quem ir contar a novidade. Ou calar-se, pura e simplesmente por não ter eventualmente a certeza.

E porque, ele há coisas do diabo, pode suceder que, eventualmente, a consciência se ausente para parte incerta.

Eventualmente, as variantes e as variáveis invalidam juízos horizontais e definitivos.

Eventualmente, se faz o favor. Eventualmente é importante.

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23/09/06

Olha que dois

Diversas teses catastrofistas estão já bem arreigadas no subconsciente do cidadão comum, incorporando este como sua cada uma delas, e tornando-se passivamente refém das respectivas, presumivelmente terríveis, consequências. Torna-se cada vez mais difícil encontrar, nas sociedades industrializadas, alguém que não acredite piamente nos mais difundidos paradigmas destas "verdades científicas" catastróficas, ou seja, o aquecimento global (que tem a ver com o chamado efeito de estufa) e o "buraco" do ozono, com toda a envolvência temática inerente; o espectáculo catastrofista, servido a todo o instante a toda a gente, é apresentado por regra com recurso aos melhores efeitos especiais e aos mais reputados especialistas, com a ajuda de quadros, gráficos, cifras; tudo devidamente embrulhado em generalidades evidentes, como a poluição, a pilhagem de recursos naturais, a extinção de espécies animais e vegetais. Compondo o ramalhete e no sentido de dar credibilidade às teorias do desastre iminente, estas são ilustradas com as mais diversas catástrofes naturais, terramotos, erupções vulcânicas, maremotos, furacões e tempestades, sendo todos estes fenómenos interpretados como "sinais" de que algo de muito grave está para suceder, num futuro próximo, se não se tapar imediatamente o buraco do ozono, se não se destapar a estufa e se não se reduzir drasticamente a temperatura média do planeta. Para alcançar tal desiderato, não resta outra saída que não seja a imediata e dramática redução da emissão de gases poluentes. Os cataclismos naturais que sempre existiram, daí se dizerem "naturais", são enfiados à matroca na teoria, por forma a se estabelecer uma estranhíssima mas facilmente deglutível relação de causa e efeito, que é vendida como verdade universal, ou seja, que o modo de vida é tanto mais perigoso para toda a humanidade quanto mais evoluído for, e, por consequência, vice-versa: a solução final residiria portanto na eliminação sumária das fontes de poluição atmosférica: a começar pelos motores alimentados a combustíveis fósseis, como sejam os dos automóveis, dos aviões, dos navios, mas também os das unidades de produção de energia, o que implica comboios, fábricas, iluminação, elevadores, escadas rolantes, botões de campainha, ou, enfim, numa palavra, tudo. No topo da lista de potenciais, perigosíssimos inimigos do ambiente, surgem os muito nocivos frigoríficos e os igualmente aparelhos de ar-condicionado, e ainda certos produtos químicos e processos de fabrico.

À esmagadora maioria dos crentes nesta espécie de Igreja do Maldito Progresso, não ocorre nunca a mais leve dúvida sobre a pretensa infalibilidade das previsões, da mesma forma que nunca se questiona sobre a validade da sua dedicação à causa ecologista ou sobre a utilidade da sua participação na "luta" pelo ambiente; não faz a mais pequena ideia do significado exacto de qualquer das teorias que interioriza como verdades absolutas; da mesma forma, nem se questiona minimamente sobre a utilidade da sua dedicação pessoal a tarefas tão meritórias como separar o lixo doméstico, ensinar a juventude a usar o vidrão, o papelão e o pilhão; quanto a soluções, práticas e objectivas, para tão urgentes e decisivos problemas, o cidadão que se julga ecologicamente consciente não sabe nem tem a mínima pista sobre o que deve ser feito, se bem que aceite perfeitamente a ideia subjacente: o fim da era industrial. Quem sabe se, no fundo, no fundo, não será melhor para todos regressar à Idade Média ou, mais para trás ainda, às nossas ancestrais cavernas; antes isso, realmente, do que acabar a espécie humana por destruir, em apenas algumas dezenas de anos e por pura maldade, o planeta em que vive há milénios.

Um novo fenómeno sociológico se vai definindo, nos tempos que correm: quanto mais catastrófica é a teoria, mais depressa e mais profundamente ela se incorpora na chamada consciência colectiva, no subconsciente individual e, estruturalmente, no corpus social. Refutar, contestar visões apocalípticas do futuro, torna-se portanto cada vez mais difícil e, provavelmente, inútil; provar ou comprovar a nulidade, evidenciar o ridículo de tais visões seria sem dúvida uma notícia boa, excelente. Mas as boas notícias não conquistam audiências, nem contêm qualquer apelo emocional, pelo que estão paradoxal e inexoravelmente condenadas ao fracasso. Para muita gente, em especial para os novos apóstolos do fim dos tempos, semelhantes constatações significariam mesmo muito más notícias, a começar pelo próprio desemprego, a continuar pela condenação às agruras do descrédito, e a acabar pela demanda desesperada e exaustiva de uma nova, chamativa, suculenta, mirabolante paranóia.

Para já, e enquanto a coisa está a dar, sucedem-se os périplos e as conferências, perante cada vez mais assustadas audiências, apresentando repetidamente os conferencistas o "problema" mas nunca, ou muito raramente, a solução. A não ser, é claro essa coisa vaga e impraticável que é a "redução de emissões". Países gigantescos, como a China ou a Índia, atarefados na resolução de problemas reais intramuros, pouco ou nada se ralam com este tipo de maçadas, marimbam-se positivamente para o anti-tabagismo e para modas quejandas, como esta agora dos calores na Islândia ou das calotes a derreter; tanto se lhes dá, a esses como a outros. Espalhafatos como o Protocolo de Quioto, se bem que resultem bem como parangonas, deixam muito a desejar como resultado, quanto mais como solução. Talvez a esterilização em massa, quem sabe; menos uns quantos milhares de milhões de potenciais automobilistas, no espaço de uma única geração, provavelmente chegariam para reduzir as emissões, tapar uma coisa, destapar a outra, fechar por fim o maldito buraco. Mas não, parece que não é isso que os "experts" acham que deve ser feito, quando são apanhados a achar alguma coisa que não a do costume.

O gado vacum produz, em todo o mundo, tantos gases (de escape, digamos assim) como aqueles que são debitados por milhões de automóveis, em cada hora-de-ponta; não está estudada a nocividade da flatulência (bovina, neste caso) na atmosfera, mas não seria certamente por isso que os governos desatariam agora a decretar o abate maciço e imediato de tão pacíficos e úteis animais; não, acabar com o bife de vaca não é solução.

Uma só erupção do Vesúvio expele mais gases e poeiras (e muito mais nocivos ambos) do que todas as explorações cimenteiras à face da Terra, ao longo de anos ou décadas; fabricar testos para tapar os vulcões seria, evidentemente, tão má ideia como eliminar por decreto o cimento das construções. Não, esta também não.

Impedir administrativamente que as placas tectónicas se movam, e com isso libertem a energia de umas quantas bombas atómicas, tendo a energia o enervante vício de gerar calor, é algo que se afigura tarefa de muito difícil execução. O mesmo princípio vale para os efeitos devastadores que o aumento de temperatura provoca nos mares do planeta, principalmente quando esbarra a água aquecida em placas ou em maciços de gelo. Pois não, de novo, é um aborrecimento, estas coisas escapam ao nosso controlo, por aqui também não vamos lá.

Enfim, seria fastidioso, de mais a mais vindo de um perfeito leigo na matéria, enumerar alguns factos que derrotam só por si as teses ambientalmente cabalistas. Mas não há nada como ir às fontes, as verdadeiras, aquelas que não dependem financeiramente do que dizem e da forma como o dizem, ao contrário dos mestres do desastre. Esta outra gente sabe do que fala e nem sequer tenta (como eu) falar daquilo que desconhece. A ver se haverá algum resíduo de curialidade nas teorias da conspiração global. A dúvida metódica é como o Melhoral, nem faz bem nem faz mal, mas é incomparavelmente melhor tê-la (sempre à mão) do que andar por aí a abarrotar de certezas absolutas.

Assim de repente, são duas as fontes onde se podem beber alguns ensinamentos refrescantes.

Há uma em Portugal, num blog muito apropriadamente chamado Mitos Climáticos, assinado por Rui G. Moura. Algumas citações respingadas, só para despertar a sede:

1. Foram apagadas, por exemplo, estas palavras: «Nenhum dos estudos referidos atrás apresenta provas claras para que se possa atribuir as variações [climáticas] observadas à causa específica do aumento [das emissões] dos gases com efeito de estufa».

2. Nos Estados Unidos da América, apesar de tudo, existe algum debate. Mas os media americanos são esmagadoramente favoráveis ao «global warming». E o senador Al Gore chegou a apoiar um filme a propagandear o mito climático do aquecimento global.

3. O director do Real Instituto começou por dizer que hoje em dia muitos suecos coçam a barba quando ouvem falar no «global warming». É natural, depois de terem sofrido, por exemplo, no mês de Março de 2006 tanto frio como nunca haviam suportado antes.

4. A temperatura está a subir em Lisboa? Como na maioria das cidades da Europa...Então, como a temperatura sobe, dizem-nos que podemos encontrar aqui a confirmação do «global warming»... A culpa é das emissões antropogénicas ponto final, parágrafo!
Mas princípios elementares da física desmentem esta afirmação que está na moda. É fácil repetir a cartilha do IPCC. Para quê raciocinar? Aparentemente, é tão simples que não merece discussão...Aquela afirmação, tão repetida, até parece ser verdadeira!

A outra fonte, de resto citada pelo blog Mitos Climáticos, tem um título que diz tudo. Entre outros, há dois gráficos, com números, com cifras que não só mas também:

Global Warming: A closer look at numbers

Just how much of the "Greenhouse Effect" is caused by human activity?
It is about 0.28%, if water vapor is taken into account-- about 5.53%, if not.
This point is so crucial to the debate over global warming that how water vapor is or isn't factored into an analysis of Earth's greenhouse gases makes the difference between describing a significant human contribution to the greenhouse effect, or a negligible one.





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22/09/06

A tolerância da Natureza ou...

A natureza da tolerância no Islão
Os actos de violência que os muçulmanos têm cometido na Europa e nos Estados Unidos, são geralmente atribuídos a uma minoria "fundamentalista", mas na verdade todo o Islão se fundamenta em princípios de intolerância e beligerância, especialmente contra o mundo Cristão ocidental. Conheça alguns pormenores bem esclarecedores...
Roberto de Mattei

Nas terras conquistadas pelo Islão, a opção deixada aos vencidos é a conversão ou a morte. Para os adeptos da religião dos "Livros Santos", cristãos e hebreus, mas também sabeítas e zoroastristas, definidos como "gente do Livro" (ahl el-Kitab) ou "gente do Pacto" (ahl el-dhimma), está previsto um estatuto privilegiado desde que aceitem submeter-se ao Islão. Tal estatuto jurídico de inferioridade, chamado dhimma, é simbolizado pelo pagamento de uma taxa pessoal que indica o reconhecimento público da subordinação ao Islão.
O pacto de Omar, primeiro sucessor do profeta, introduziu o distintivo para os protegidos: castanho para os madeístas, azul para os cristãos, amarelo para os hebreus e, confinando os dhimmos em bairros especiais, antecipa assim o aparecimento da prática dos guetos.
Os dhimmos, desde que aceitem submeter-se ao Islão, são integrados na comunidade islâmica, mas na condição de uma pesada sujeição jurídica. São excluídos dos cargos públicos e obrigados a cumprir os imperativos sociais da charia; o proselitismo religioso é punido com a pena de morte, mas os dhimmos devem aceitar o proselitismo dos muçulmanos, mesmo nas suas igrejas ou sinagogas. Por outro lado, os dhimmos não podem construir edifícios mais altos do que os dos muçulmanos, devem proceder aos funerais dos seus mortos em segredo, sem prantos nem lamentos; é-lhes vedado tocar sinos, expor qualquer objecto de culto e proclamar, diante de um muçulmano, as crenças cristãs. Um muçulmano pode casar-se com uma mulher dhimma, mas um dhimmo não pode casar-se com uma muçulmana; a criança nascida de um casamento misto é sempre muçulmana. A sanção que pune os muçulmanos culpados de delitos é atenuada se a vítima for um dhimmo. Os não-muçulmanos nunca podem ser testemunhas contra muçulmanos, sendo o seu juramento inaceitável. Tal rejeição funda-se, segundo os hadith, sobre a natureza perversa e mentirosa dos "infiéis" que insistem deliberadamente em negar a superioridade do Islão. Pela mesma razão, um muçulmano, mesmo que seja culpado, não pode ser condenado à morte, se for acusado por um infiel. Pelo contrário, aconteceu diversas vezes que houve dhimmos condenados à morte no lugar de muçulmanos culpados.
A rejeição das testemunhas dhimmas é particularmente grave quando elas, caso não raro, são acusadas de ter "blasfemado" contra Maomé, delito punido com a pena de morte. Os dhimmos, incapacitados de refutar em juízo as acusações dos muçulmanos, encontram-se, muitas vezes constrangidos a aceitar o Islão, para conseguirem salvar a vida.
O pagamento do tributo a que estão sujeitos os dhimmos, chamado kharadj, é justificado pelo princípio segundo o qual a terra subtraída pelo Islão aos "infiéis" é considerada como pertencente, por direito, à comunidade muçulmana. Por força deste princípio, qualquer proprietário é reduzido à condição de um tributário que detém a sua terra na qualidade de mero usufrutuário por concessão da umma. A taxa vem carregada de um simbolismo sagrado e bélico: é o direito inalienável atribuído por Alá aos vencedores sobre o solo inimigo. Além da kharadj, os dhimmos são obrigados a pagar outro imposto, a djizya, que lhes é imposta no decurso de uma cerimónia humilhante: enquanto paga, o dhimmo é golpeado na cabeça ou na nuca.
É esta a natureza da tolerância no Islão.

Fonte: Roberto de Mattei, "Guerra Justa, Guerra Santa - Ensaio sobre as Cruzadas, a Jihad islâmica e a tolerância moderna ", Livraria Civilização Editora, Porto, 2002, Capítulo II, págs. 65-68. Transcrição autorizada pelo Autor.
Roberto de Mattei é Professor Catedrático de História Moderna na Universidade de Cassino, Itália.



Texto transcrito do site Arautos d'El Rei
(Recebido por e-mail)

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Se Neil Armstrong fosse muçulmano, afinal a Apollo 11 já era verdade?

Reprodução integral de um post de David Amery (Urban Legends)

Was Neil Armstrong the First Muslim on the Moon?

"Wait," you're probably saying to yourself, "I didn't even know Neil Armstrong was a Muslim." Well, he isn't. But, as Slate's Explainer reminded us recently, there is a longstanding urban legend in the Islamic community to the effect that astronaut Armstrong heard the words "Allahu akbar" ("God is great") when he first set foot on the moon and immediately converted to Islam on his return to earth. Never happened, says Armstrong.

He never said "Good luck, Mr. Gorsky," either. But you knew that.

Further reading:

• Why Do Muslims Say 'God Is Great'? - Slate
• How Neil Armstrong 'Became' a Muslim - Answering Islam

(Image credit: NASA)

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360º

You Are 36% Paranoid Schizophrenic

You're pretty grounded, though you have your occasional paranoid moments.
Just make sure to ignore those voices in your head!

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