Odi profanum vulgus et arceo

05/11/06

Consultório sentimental - XXI


O sexo dos anjos

Por esta altura, já não deve existir um único Português que nunca tenha ouvido falar de coisas tão esotéricas e estranhas como Yoga, Reiki, macrobiótica Zen. A julgar pelo número de "fiéis" arrebanhados por qualquer dessas novas multinacionais do espírito, e mesmo sabendo que alguns deles são adeptos de mais do que um clube, se não dos três em simultâneo, estaremos sem dúvida perante um fenómeno que se enquadra na designação genérica de "seita": enumerando,  temos por conseguinte a seita do Reiki, a seita do Yoga e a seita da macrobiótica, englobando nesta as variantes Zen, Zin, Chin, Chong, Tchang, Atchim, Burp, King-Kong e quaisquer outras que venham a surgir.

São, no seu conjunto, por assim dizer, a consequência natural das relativamente antigas seitas religiosas importadas da América do Sul, que se autodesignavam por "igrejas", como a Maná, a IURD e outras ditas "evangélicas". O princípio básico era nestas "igrejas" o mesmo que resulta naquelas "igrejas" mais recentes: desde a implosão da Igreja Socialista Mundial, também conhecida como Internacional Comunista, em 1989 e seguintes, e desde, concomitantemente, o descrédito generalizado da Igreja Católica nas massas burguesas, as pessoas necessitam cada vez mais desesperadamente de uma escora moral, de um módico de convicções ou, em suma, de algo a que se agarrar; algo que lhes dê uma sensação de segurança, face à perigosidade e à imprevisibilidade do quotidiano, e que explique de forma simples os mais profundos mistérios da existência. Tudo aquilo que, enfim, ao longo de milénios teve uma resposta cabal e decente, perfeitamente satisfatória, nas liturgias cristãs ocidentais, e que era personificado por um Deus a dois tempos, bondoso até ao infinito mas também capaz da ira mais extrema quando ou se posto em dúvida. 

Foi precisamente a face autoritária do cristianismo, a sua faceta de intimidação e de, por vezes, verdadeiro terror, que acabou por espantar - em ambos os sentidos - uma boa parte dos crentes na fé cristã, e esse facto foi decisivo para o surgimento de seitas várias, que assim se limitavam, sem qualquer esforço, a recolher as sobras humanas da debandada religiosa. Portanto, depois de falhada a fé socialista, e após um rápido processo de apodrecimento das seitas subsequentes, surge agora, na mesma sequência de modelos existenciais importados, uma nova seita, que não apenas se arrisca a tornar-se a maior de todas, engolindo as anteriores, como se vai já tornando - pelo elevado número de adesões e pela altíssima toxicidade dos seus "ensinamentos" - num verdadeiro perigo social. Trata-se daquilo a que os próprios dirigentes desta seita, cada qual detendo seu grupinho colateral, atribuem a pomposa designação de "Budismo".

Ora, é evidente que não falamos de Budismo quando falamos de "Budismo" em Portugal, em concreto, ou mais abrangentemente na Europa ou no Novo Mundo; o Budismo é uma religião muito antiga, com suporte teórico definido, sendo este não teológico mas teórico; é praticada por muitos milhões de pessoas em diversos países orientais, principalmente na China, no Japão, no Nepal, no Tibete e em certas zonas da União Indiana, entre outras nações a Oriente. É bom que distingamos as coisas e que remarquemos o cariz oriental desta crença religiosa, já que essa destrinça é fundamental para a compreensão dos conceitos de obsolescência, inadequação e desenraizamento do Budismo, quando artificial e forçadamente transplantado para o Ocidente. Uma coisa é falarmos do Dalai Lama, exilado político na Índia, Prémio Nobel da Paz, das suas prelecções e dos seus escritos, ou mesmo dos seus fidelíssimos seguidores, nas cordilheiras dos Himalaias ou nas florestas do Vietname, outra coisa bem diferente é referirmo-nos aos membros de seita budista num país ocidental.

Não existe qualquer semelhança entre um cambojano que vive da terra, pacificamente cultivando o seu arroz, que visita os templos do Buda e faz as suas orações, e um Espanhol ou um Americano que se desloca às "reuniões" da seita ao volante do seu automóvel. O Budismo faz todo o sentido e tem o seu ancestral e insubstituível lugar nas terras onde nasceu, e naquelas para onde se espalhou de forma naturalmente subtil e consequente. O mesmo processo, de resto, que levou à expansão de qualquer das mais difundidas formas de culto, do cristianismo ao islamismo; a religião, aquilo que no fundo nos distingue de qualquer outra espécie animal, tem uma óbvia base cultural e a Cultura depende e varia conforme as suas áreas de influência, isto é, fundamenta-se num determinado espaço geográfico. Quaisquer tentativas de perversão do sistema natural de propagação da fé, como sucedeu durante as invasões árabes, ou as cruzadas, ou o próprio colonialismo serôdio, resultaram em fracasso total, para não falar na grande soma de mortes e fatalidades várias que delas acabaram por resultar.

Importar o Budismo não é exactamente o mesmo que importar o Sushi e o Sashimi, as algas kombu ou a arte culinária nipónica em geral; uma coisa é abrir um restaurante japonês, e ir a Tóquio contratar o mestre de cozinha, outra bem diferente é mandar vir em contentores uns quantos bacanos vestidos de togas cor-de-laranja e pô-los a fazer tinir os seus sininhos na Rua da Betesga. Deixemos sossegada e em paz, por exemplo, a camponesa budista que acende pauzinhos de incenso no templo de Angkor; deixemo-la meditar profundamente, durante o tempo que lhe apetecer; mas não poderemos certamente deixar de rir, e achar no mínimo ridículo, completamente deslocado, observar alguém debitando sonoros "Aowm" em pleno Rossio, em Lisboa, ou na eborense muito típica Praça do Giraldo.

O tempo, a sua passagem e as suas medida e medição, bem como os valores nele (tempo) envolvidos, são totalmente diferentes a Oriente, em relação à nossa cultura judaico-cristã, ocidental, europeia, burguesa e consumista. A própria noção daquilo que é a vida, e da importância que se lhe dá, não têm nada a ver na Ásia com a nossa mentalidade fundamental de autopreservação, de fruição, de prazer e de prolongamento sistemático da própria vida. Nas sociedades industrializadas, são outros os valores, outras as necessidades e bem diversas as prioridades.

O Buda, o Budismo, os budistas, tudo e todos enfiados à matroca em qualquer rua das nossas cidades, em perfeita macaqueação de uma realidade distante, exógena e, por assim dizer, alienígena, eis um dos mais espantosos absurdos que nos é dado observar actualmente. Reuniões de "meditação" em grupo, tudo sentado no chão e em posição de flor-de-lótus? Mas onde? Numa cave da Rua das Trinas? Um "retiro" de um ou dois dias numa qualquer quinta da zona saloia? Então e as couvezinhas dessa quinta, que ficam por amanhar enquanto aquele pessoal está todo em profunda "meditação"? E as galinhas, quem trata delas entretanto? E os porcos, ou não há porcos? Ou também estarão eles a meditar, já que também são seres sensíveis? E para que servem, afinal, e em resumo, essas coisas da "compaixão" e da "iluminação"? Quer dizer que eu sento-me aqui, cruzo as pernas, fecho os olhos, digo "aowm" uma data de vezes e, pronto, pimba, eis-me "iluminado"? Isso da compaixão leva quanto tempo a adquirir, ao certo?

Trata-se sem dúvida de uma (in)actividade totalmente postiça, perpetrada por seres cujas motivações não poderão nunca ser as mais transparentes e honestas, já que de tão imóvel frenesim não consta que resulte o mais ínfimo resultado prático. Não é por muito "meditarem" que alguns irão atingir a "luz" e, atingindo-a outros teoricamente, sempre seria de indagar em que é que isso melhorou fosse o que fosse ou ajudou fosse quem fosse. Porventura uma  fractura exposta do fémur pode ser tratada através de muita carga de meditação? E os sininhos, plim, plim, plim, ajudarão na consolidação óssea?

Dúvidas existenciais e perplexidades ideológicas que ficam, evidentemente, sistematicamente, petulantemente, sem qualquer resposta. Nem vestígios de tal. A encenação de "budismo" que existe em Portugal parece ter respostas para tudo e mais alguma coisa, menos para justificar a sua atávica nulidade. E o que é mais grave ainda, de um ponto de vista meramente epistemológico, é a total ausência de reflexão sobre a sua própria essência; ou seja, ao "budista" ocidental pede-se que medite muito sobre si próprio mas que não medite coisa nenhuma sobre aquilo que está a fazer, ou seja, nada. Ficam assim aprioristicamente relevadas todas as faltas a compromissos, deixa de ter importância tudo o que se poderia ter feito (de útil) naquele espaço de tempo, e tudo justificado pela seguinte, espantosa, ridícula premissa: melhorei muito, fiquei uma pessoa muito melhor, sou muito mais bondoso e pacífico, simplesmente por ter estado ali sentado a olhar para as moscas; ou de olhos fechados a bater uma sorna, vem a dar no mesmo.

E realmente, convenhamos, não é fácil explicar ou sequer imaginar as misteriosas motivações dos dirigentes e dos operacionais da seita. O que poderá levar alguém a dedicar-se inteiramente a uma causa que consiste integralmente em não se dedicar a coisa nenhuma, a não ser "meditar" sobre essa mesma coisa? Pois não é fundamento da "fé" o esvaziamento total das emoções e dos sentimentos? E então, um chuto na veia ou uma martelada na cabeça não poderiam produzir os mesmos efeitos?

Mas não, tentar explicar a coisa pelo lado da lógica é contraproducente. Para tentarmos compreender o que leva alguém a meter-se nisto do "budismo" postiço, há que atender a dois factos: primeiro, a clique dirigente é quase integralmente constituída por homens; por outro, quase todo o contingente de "fiéis" é constituído por mulheres. Ora bem. Porque será? Como dizia Jardel, esse filósofo da bola, não será do guaraná. É sabido e patente que estes assuntos de religião falam muito mais ao pito do que ao badalo; em linguagem menos técnica, digamos que as coisas espíritas, ou espirituais, exercem um fascínio tremendo no mulherio, e pouco ou nenhum na gajada macha. Por alguma razão, que terá certamente a ver com o "romantismo" (tesão) tipicamente feminino, as mulheres ficam muito excitadas quando ouvem falar de "sentimentos" e de "emoções"; pelam-se por esse tipo de merdas; vai daí, fácil é compreender que elas se agarrem desesperadamente àquilo que lhes parece poder explicar uma coisa que para elas parece inadmissível, a qual se resume a adorarem foder e apenas pensarem em foder; alguém que lhes explique isso, caralho! E pronto, lá aparece o gajo do Reiki, ou o gajo do Yoga, ou o gajo do Partido, e agora o gajo do Buda, que lhes sussurra umas coisinhas mansas aos ouvidos, verdadeiros bálsamos para consciências atormentadas: "medita e serás salva", ou "faz a âsana do veado e ficarás livre de todo o mal". É trigo limpo. Gajinha que é gajinha fica logo pelo beicinho.

De obras, de caridade e auxílio aos pobres, aos doentes, aos inválidos, zero absoluto. Quem se avista nas imediações dos palcos de guerra, nas leprosarias, nos hospitais, é aquela gente excêntrica da Igreja Católica, esses gloriosos malucos das máquinas auxiliadoras, os mesmos que se estão nas tintas para a inutilidade e o parasitismo militante e tentam melhorar o mundo como podem; de budistas e outros caramelos cheios de bondade e amor ao próximo, nem rasto; estão entretidos a "meditar" sobre os males do mundo enquanto no mundo há cada vez mais males. Fazer alguma coisa quanto a isso, é para esquecer; têm muita "compaixão", imensa "compaixão" para dar, "compaixão" a granel, mas lá mexer uma palha, isso é que não lhes dá jeito nenhum. "Fodias-te", eis o fundamento prático da seita.

Portanto, afinal até não tem nada que saber: os dirigentes e quadros desta nova seita budista estão lá, como provavelmente já peregrinaram em outras seitas coevas, simplesmente para comer umas chavalas. É natural, não sejamos incompreensivos e maldizentes.  E sejamos também justos, o golpe é de mestre; de facto, aquela merda é um viveiro de gajas boas, todas com a cona aos saltos, na relação directa das suas inibições, frustrações e tesões recalcados. Esses "monges" budistas "dão-lhes" o mesmo que antes davam os "pastores" da Igreja Maná ou da IURD: pinocada moralmente aceitável e tacitamente justificada.

Assim, à luz desta razão que de repente me "iluminou", sem sequer me sujeitar à estopada da tal meditação, compreende-se perfeitamente o sacrifício que esses gajos fazem para salvar o mundo e as ovelhinhas tresmalhadas. Querem cona, ora, ora, nada mais natural. Escusavam era de se pôr com tantas merdas acessórias, a ver se enganam pategos, até porque a verdade geralmente tresanda. Deus lhes perdoe pela hipocrisia e puta que os pariu pela canalhice. Assim, nós, os ateus, não apenas fodemos menos e temos menos, como, ainda por cima, passamos por "maus" e "violentos" e "atormentados". Foda-se, que isto é chato.


NIRVANA - smells like teen spirit

http://www.youtube.com/watch?v=_1Qdcdw22Sw


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04/11/06

E atão, já fodestes?

Que se foda o Godot, Eu é que estou à espera!

Boas noutes e vai-te foder.

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03/11/06

Este texto contém quatro erros graves (de Português) e uma data deles nem por isso

3.11.06
Por que raio 'quantificador' e 'modificador' são considerados termos "abstrusos, aberrantes e incompreensíveis" e 'pronome indefinido' e 'aposto ou continuado' conceitos claros e cristalinos, de compreensão imediata?. Provavelmente é apenas por a grande maioria das pessoas estar familiarizada com os segundos e não com os primeiros.

Há muita gente a precipitar-se e a fazer tristes figuras por causa duma coisa que não compreendem nem querem compreender, quando mais discutir -- apenas insultar quem ousou tocar na sua sabedoria de liceu do antigamente. É verdade que em tudo o que se relaciona com a língua impera o conservadorismo, mas bolas, não há ninguém que tente perceber se ao menos houve um motivo, uma necessidade qualquer, de reformular a terminologia e os conceitos duma área científica? Será que hoje em dia se faz Biologia, ou Física, ou Matemática, usando todos os termos e conceitos de há 100 ou 150 anos atrás?

Há a suposta dificuldade das crianças, e, mais ainda, dos professores em apreenderem a nova terminologia. Mas pior ainda é o divórcio entre aquilo que é ensinado nas escolas e o que é ensinado nas universidades. Faz algum sentido, por exemplo, continuar-se usar-se o termo 'substantivo' no ensino básico para designar o que na universidade é um 'nome'? Será que a solução é criar-se cadeiras de 'gramática tradicional' nas universidades (regidas por especialistas em literatura, claro), só para os futuros professores poderem ensinar às criancinhas essa curiosidade arqueológica?
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O Céu Sobre Lisboa



Talvez seja por isso. Por causa desse raio.

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Descubra o estripador que há em si

Probability of killing, 35%

So you have problems with enemies, maybe dont have a high enough self-esteem, or play a few violent videogames. Cutting it a little close there. Try to keep your cool, alright?

Are you capable of killing?


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02/11/06

Consultório sentimental - XX



Rotura de ligações

É a lesão mais grave que pode suceder no jogo do amor. Tem paralelo no desporto em geral, e no futebol em particular, com equivalência na rotura de ligamentos, mas a rotura de ligações é incomparavelmente mais grave; é que, ao contrário da que afecta desportistas, esta outra não tem cura. Na corrida, se os ligamentos rompem, há que fazer gelo, entrapar e barrar com pomadas, se não houver necessidade de ir à faca, e depois é uma questão de sopas e descanso; muito descanso, até que os ligamentos se reconstituam; na rotura de ligações é mais simples: rompeu, fodeu. Não há pachos que remedeiem a coisa e, pior ainda, acabou-se o descanso.

Para qualquer mulher, ou para uma mulher qualquer, faz parte natural do processo emocional em curso (PEC) a componente "rotura", ou seja, romper com o seu até então mais-que-tudo, empontá-lo, pô-lo a andar. Embora sejam insondáveis os mistérios que se desenrolam no cérebro feminino, podemos especular que é este, de resto, o maior poder que as mulheres detêm: descartar seres humanos. Claro que os homens em geral e os mais sacaninhas em particular também são capazes de fazer o mesmo, mas a diferença reside na essência e na motivação. Já lá iremos.

Segundo a lógica feminina, desliga-se um gajo exactamente da mesma forma que se desliga um interruptor: click. Já está. E segundo essa mesma lógica, venal, vaginal e genial, não apenas o acto de dar ao botão é perfeitamente legítimo, seja em que circunstâncias for, como o objecto da desligação instantânea deve, ainda por cima, ficar muito venerador, atento e obrigado. O que antes, e sabe-se lá durante quanto tempo, anos, décadas, era "único" e"maravilhoso", passa num único instante a ser "horroroso" e "miserável"; o gajo que antes era o mais belo lá do bairro e arredores, o mais inteligente, o mais forte dos homens, passa à categoria genérica de "feioso", com as variantes acessórias de "burro como um cepo" e "cobardolas do caralho", quando não se chegar a coisas mais radicais e simples, como "filhodumagandaputa", "cabrão", "paneleiro" e outros mimos; onde apenas existiam virtudes passam a constar apenas defeitos; as grandes juras e protestos de amor transformam-se em ameaças, em insultos e em verdadeiras arruaças, peixeiradas de três em pipa. Os momentos sublimes e porventura únicos, partilhados de forma insubstituível, são completamente passados a ferro, terraplanados, obliterados, esquecidos, quando não amaldiçoados e vilipendiados. Toda a cumplicidade se desvanece por completo e toda a simpatia, e respeito, e consideração, desaparecem para sempre. O que era já não é. Qualquer espécie de intimidade se torna absurda e, de repente, estão ali dois perfeitos estranhos: um que odeia e outro que é odiado, primeiro, e dois seres que se odeiam profundamente, depois.

Pois então, como sucede tão espantosa, rapidíssima, avassaladora metamorfose? Como se transforma o amor em ódio? Em resumo, o que diabo passa naquelas cabecinhas diminutas para se julgarem intocáveis, ou superiores, ou o diabo que as carregue?

É esse processo, essa transformação de bela em monstro, que tentaremos agora explicar e, de preferência, atendendo às audiências maioritariamente femininas destas consultas, de uma forma simplezinha e acessível, sem grandes paneleirices metafóricas ou engonhanços filosóficos.

Sintetizando ao máximo, portanto, digamos assim: uma mulher desliga o interruptor a um gajo quando se mete debaixo de outro gajo. Por sua vez, e ao mesmo tempo que desliga um, liga o seguinte. A partir desse primeiro momento, que por regra coincide com a primeira foda com a nova aquisição, o novel macho de cobrição passa a ostentar todos os títulos e todas as qualidades que antes pertenciam ao agora descartado e, a este, restam os epítetos, os insultos, as desconsiderações e as humilhações que as mulheres reservam em exclusivo para este tipo de ocasiões. Compreendamos que o momento urge, há que salvar a face, se não calhar urgir salvar a vida, e, por isso, sejamos caridosos, quase se compreende que a mulher se sinta na obrigação de promover o novo objecto dos seus amores e ao mesmo tempo esmagar literalmente o anterior; a seu tempo, isto é, quando calhar surgir uma nova hipótese de "paixão", o processo repetir-se-á inexoravelmente, tocando a vez ao novo que passa a ser anterior. É a velha lógica do "ex", o desligado, o bardamerdas que nunca devia ter existido e que não passa agora de vaga reminiscência, desprezível excrescência, nojento erro de "casting" que apenas merece todos os pontapés que se lhe consiga acertar.

Mas, afinal, porque necessitam as mulheres de lixar o seu "ex"? Porque não, pura e simplesmente, seguirem adiante com o seu novo futuro "ex", sem mais conflitos? Porque não tentam ao menos levar a coisa a bem, tentando minimizar os prejuízos de quem, no mínimo, foi algures no passado algo de importante? Porque será que persistem no esmagamento, no achincalhamento, na humilhação do ex-parceiro? Para que serve andar a agitar-lhe debaixo do trombil as extraordinárias qualidades da tal nova aquisição?

Pois, muitas perguntas para uma resposta mui sencilla: à mulher está vedado na prática o papel de traidora, pela simples razão de que, muito convenientemente para ela, esse é um exclusivo masculino. Diz-se. Pois não são tradicionalmente os homens os maus da fita, de qualquer fita? Não são eles (dizem elas, é claro) que não podem ver uma burra de saias? Então? Ora, está-se mesmo a ver que são os homens os malandros, os traidores, as mulheres, coitadinhas, são lá capazes de uma coisa dessas!

Uma das tácticas femininas mais utilizadas, na eterna guerra dos sexos, é precisamente a da intoxicação pelo terror: acusando sistematicamente o seu parceiro daquilo que a ela apetece terrivelmente, a mulher consegue instalar na cabeça dele um sentimento de culpa que lhe abre a ela todas as possibilidades; injectado este veneno nos espíritos masculinos, a mulher ganha não só uma evidente supremacia moral como uma tremenda arma de arremesso para quando a ocasião se proporcionar. Não há hoje em dia gajo algum que não se sinta culpado, e que não vá a seguir comprar flores, sempre que dá um pirafo com uma colega lá do escritório, ou sempre que lhe apetece ir, por exemplo, às putas. E as mulheres, tão confortavelmente instaladas nestas verdades da treta, fingem que não sabem ou que não é verdade este facto indesmentível: homem algum se pode negar a uma rapidinha com qualquer boazona - ou até com verdadeiros coiros - que se lhe agarre à gaita. Isto é um facto. Por razões biológicas, e históricas, e também sociológicas (o medo de passar por bichona), macho que é macho trepa em qualquer mulher que esteja a fim de ser trepada por ele. Para a fêmea comum, os factos funcionam um pouco pela inversa: as solicitações são tantas e tão permanentes (bem, na maioria dos casos, não tanto quanto isso) que ela bem pode decidir, escolher, dizer que sim ou dizer que não; a pressão social exercida sobre o rótulo de "putéfia" ou de "galdéria" é incomparavelmente menor, é irrisório quando comparado com o que implica uma nega masculina: é logo para cima de paneleiro, picolho, bicha ou roto, para apenas citar alguns epítetos mais comuns.

Portanto, na prática, uma mulher pode foder quando e se quiser, mas um homem nem por isso, ambas as coisas. Contudo, é este princípio factual que é pervertido, ou revertido, através do referido sentimento de culpa que serve simultaneamente de pretexto e de arma de arremesso. E é essa mesma dicotomia que explica também o processo mental que leva ao sentimento e à necessidade de revanche, vingança, resposta excessiva ou totalmente desnecessária. Escorada pelo complexo de culpa que o homem interiorizou, a mulher sente sempre as mesmas ganas de liquidar um homem para justificar o aparecimento de outro.

Bem, mas isso é no caso de um gajo estar a modos que casado com uma gaja, ou coisa que o valha, namorado ou amante, ou assim. Então, e se por acaso um gajo estiver farto de uma gaja, estar desejoso (deserto) de vê-la a milhas, se se quiser livrar dela e não souber como? Onde é que entra aí a teoria da vingança feminina?

Pois é. Vem a dar praticamente no mesmo. Se esse gajo, ganda tóino, ou por indolência ou porque não queria estar a magoar a chavalita, apesar de já nem a poder ver, se deixou correr o marfim e acaba por ser desligado - segundo o mesmo processo - sem apelo nem agravo, bem, nesse caso está igualmente tramado: a gaja vai foder-lhe os cornos até mais não com a beleza, a inteligência e as habilidades de seu recém-adquirido Adónis; há-de por força agitar nas fuças do agora "outro" que este é que é, oh que maravilha maravilhosa é ele, toma, filho-da-puta, toma, toma, toma, olha como ele escreve, olha só como eu lhe escrevo, toma e lê, ganda morcão, toma e embrulha, grande pulha. Pior ainda, oh, muito pior, se por acaso o tipinho palerma chegou ao ponto de dar carta branca à rapariga ("vai e não me chateies"); ah, bem, então aí é que as gajas se passam completamente; ficam fodidérrimas; na primeira oportunidade, ele há gajos para tudo, atracam-se a um e lá vêm com a rapsódia da "paixão" para cima da gente, e que "amam" perdidamente aquele, e fazem questão de que leiamos os bilhetinhos e recadinhos de amor que arrulham ambos, armados em passarinhos; é um fartote de rir, se bem que, assim às primeiras, e nomeadamente no caso de o "ex" ter sido endeusado pela fulana, ao longo de anos, enfim, a coisa não pega lá muito bem. Não é agradável, para dizer o mínimo. Se, porventura e excepção, ainda por cima, um tipo tivesse a fulaninha em alta consideração, ou por motivos intelectuais ou por quaisquer outros, demonstrando ela por fim apenas mesquinhez e boçalidade, isso então é o pior de tudo: é que ela vai usar precisamente as mesmas armas, intelecto e personalidade, para atacar com tudo o que tem, do mais rasteiro ao mais abjecto; insinuando, como não poderia deixar de ser, que "é tudo ciúmes" e "explicando", arvorando um arzinho petulante e paternalista, que ela tem "direitos" e tem "liberdades", de expressão, de felação, de emoção; pois sim, mas ninguém tem direito à humilhação de outrem e muito menos à liberdade para coarctar a liberdade, a integridade, ao menos a identidade de terceiros.

Mesmo quando, como agora se costuma dizer, uma "relação" já deu o que tinha a dar, quando cada qual segue a sua vida - naturalmente, cada um com outra ou outras pessoas - e reste ou não reste alguma amizade mútua, agitar o espantalho da vingança é simplesmente mesquinho, reles, do mais baixo que imaginar se possa. Voltar atrás para dizer "olha, encontrei este senhor, repara bem, olha que espanto", é idiota, é triste, é uma manobra pateticamente provocatória; é o verdadeiro pecado três em um, luxúria, vaidade, soberba. Mesmo a pedir uma resposta igualmente pecaminosa, orgulho, ira, vingança. Não existe mais transparente relação de causa e efeito.

Todos sabemos que nós, homens, de entre os diversos defeitos de fabrico mais notórios na espécie, temos este pecado da comiseração, ou como se lhe quiser chamar: pelos vistos muito estupidamente, qualquer cavalheiro que se preze tenta ao máximo não ferir ou, pelo menos, não amarfanhar a pessoa, não atingir a auto-estima e o amor-próprio da mulher que já foi sua; conservamos, para além do desprezo ou até do asco que possamos sentir por alguém, ao menos um módico de consideração pela pessoa e um bocadinho de respeito pelo passado comum. Por isso, não é lá muito vulgar ver um homem humilhando sua "ex" com a presença da nova futura-ex, ou com referências elogiosas a ela. Tudo conceitos de simples e mera decência, o mínimo exigível nas relações humanas, que são totalmente desconhecidos na vaginal nação; para as mulheres, não apenas não existe reserva ou discrição, como é absolutamente necessário o número do costume, a saber, em suma, humilhar o "ex"; não apenas acham insuficiente foder e calar, como se sentem sistematicamente na necessidade, provavelmente em a foda agradando, de "assumir" o caso - atirando-o alarvemente à cara de quem se atreveu a ter antes estado no mesmo lugar; não lhes chega o novo "caso", pretendem, ainda por cima, que o "caso" antigo reconheça que este é muito melhor do que ele próprio, e que admita não passar de uma besta-quadrada. Ou seja, as mulheres assumem alegremente que o papel dos homens é levar chutos no cu e agradecer a amabilidade; acham que um "ex" deve funcionar de forma limpa, muito clean, ser usado e deitado fora; é o "amor kleenex" em todo o seu esplendor.

É de facto muito simplezinho. Como o são por regra as mulheres em geral, de modos que a coisa até confere. Não apenas é necessário justificar um com a putativa pulhice do outro, como há ainda que justificar a moralidade - de preferência, elevada à condição de santidade - da fodinha marota que se deu com um bacano qualquer. E aquilo que resolve todas as dúvidas ou engulhos que pudessem inquinar a teoria vaginal do interruptor, é precisamente o seu funcionamento mecânico e eléctrico: de facto, tanto nos interruptores de parede como nos sentimentais, existem apenas duas posições: on e off, ou ligado e desligado. Ou uma coisa ou outra, em ambos os casos, com a diferença fundamental de que mulher alguma desliga um gajo e depois o volta a ligar; se desligou, é de vez; e nunca mais, mas absolutamente, gajo desligado poderá sequer ter um vislumbre de qualquer coisa que se tenha passado durante todo o tempo em que esteve ligado e deu luz e energia; acabou-se; click; off.




(imagem de www.guikit.com)

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31/10/06

Fé Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó Fé

Pai Nosso que estais nos Céus,
santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso reino,
seja feita a Vossa vontade
assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
e livrai-nos do mal.
Em todas as acções possa eu examinar a minha mente,
E, assim que surgirem emoções negativas ou ilusões,
Pondo em perigo a mim e aos outros,
Possa eu firmemente encará-las e evitá-las.

Quando eu vir seres de má índole,
Oprimidos por faltas e aflições violentas,
Possa eu amar estes seres raros
Como se houvesse encontrado um precioso tesouro.













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30/10/06

Consegui ver um minuto e quarenta (e tal) segundos

(via)

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29/10/06

Consultório sentimental - XIX

A letra M

Olá, o meu nome é João, tenho 30 anos e sou casado há 2. Tenho acompanhado a correspondência no seu "consultório sentimental"e ando para lhe escrever há que tempos sobre um assunto que me deixa curioso e que resulta simplesmente da leitura dos seus escritos: é que me parece que você, afinal, detesta as mulheres! Pois é, que raio, você dá-lhes na touca à força toda, parece que não gosta... será? Há uns tempos li aqui uma transcrição de um anónimo qualquer que insinuava que você às tantas pega mas é de empurrão...
Porra, ó homem, você nem me diga uma coisa dessas! Não posso crer. Mas lá que você lhes chega, ai isso chega. Foda-se! Até parece que nunca conheceu uma gaja decente! Bem, já agora deixe-me que lhe diga que a minha também não é lá grande coisa (caralho, isto é para ficar aqui entre nós, ok?) e eu devo confessar que já estou farto dela até à raiz dos cabelos. São só dois anitos (faz no próximo dia 15, precisamente) mas, se pudesse, já a tinha empontado; olhe, fazia como aquele gajo do anúncio, pegava nela ao colo, ia lá a casa dos paizinhos dela e despejava-a no chão, como se fosse mercadoria marada: tomem lá esta chata do caralho de volta, e já agora chutem para cá o guito que eu torrei à conta dela.
Mas enfim, isto sou eu a falar. Há que aguentar, de peito feito e cara alegre, como você diz. O que interessa agora (e, sinceramente, duvido que você responda a isto) é saber que raio de ódio é que você tem às mulheres em geral. Caralho, você deve ter sido encornado para cima de uma data de vezes! Não lhe queria estar na pele, se não estiver enganado.
No hard feelings, old chap!
Saudações.
J.

 

Caro João, bem-vindo ao consultório.

A sua mensagem merece resposta, olá se merece, quanto mais não seja porque há décadas que não ouvia ou lia a expressão "já a tinha empontado". "Empontado", que giro, do muito injustamente esquecido verbo empontar. Olha que bem. Até fui ao dicionário confirmar se esse delicioso termo ainda lá estava e, confiramos, não consta do Houaiss (são as putas das modernices) mas consta de uma enciclopédia e do velho P.E.

Pois empontar, caro amigo, é precisamente o assunto de que fala vocência. Lá esses números do carrinho-de-mão, paneleiragens e tal, desculpe mas terá de consultar o tal anónimo, que além de anarquista parece ser realmente especialista no assunto. Eu cá, de paneleirices pouco ou nada entendo, a não ser que eles lá e eu aqui, que se fodam - em sentido figurado e em sentido literal - a bem da nação, e que não me chateiem é o que é preciso. Mas respondendo directamente à sua pergunta, não: ou melhor, como é politicamente correcto dizer-se, acho que não; nunca experimentei tal coisa e, sinceramente, não me estou a ver a sequer chegar-me ao pé de um gajo que cheira como eu, é tão feio como eu, tem uma coisa tão horrível entre as pernas como eu tenho e, principalmente, está completamente desprovido daquilo que me interessa em assuntos de cama: cona e mamas, não necessariamente por esta ordem; claro que o belo cuzinho também conta, e ó de que maneira, mas quando falo de cu falo de ancas largas, uma peidola valente e assim para o grandalhão, provida de preferência de uma apícola cinturinha, umas coxas nutridas e, em especial, de um pudor especial com esse detalhe anatómico. Já conheci umas duas ou três para as quais o belo enrabanço era o prato principal, o mais suculento e preferido, mas foram a excepção e não a regra.

Aquilo de que as mulheres realmente gostam, como todos sabemos, é de levar na cona. Nada mais, nada menos. E isso remete para o assunto central da sua questão: serei eu um miserável misógino, isto é, terei eu uma aversão desmedida às mulheres em geral?

Bom, dando de barato que nestas extremamente científicas questões a primeira pessoa do singular deve ser academicamente banida, já que o subjectivismo embota qualquer raciocínio, parece-me dever começar por afiançar que sim. Realmente, a minha prática e a minha teoria, daquela resultante, apontam nesse sentido: as mulheres servem única e exclusivamente para aquilo de que mais gostam, ou seja, repitamos para que não restem dúvidas, para levar na cona e pouco ou nada mais. Como dizia alguém que pouco entende destas subtilezas mas que diz umas coisinhas acertadas, é fodê-las primeiro e mandá-las foder depois. No fundo, vejamos, é isso mesmo que elas querem. Claro que milénios de aculturação as forçam, geralmente contrariadas, coitadinhas, a fingir perene e sistematicamente que não é assim, mas é. A suprema felicidade, para qualquer mulher, dura e é enquanto estiver com ele encavado. Não sejamos líricos, porque elas também o não são. Toda a parafernália,  o chamado arsenal sentimental feminino, se resume a uma questão central: com quem vou foder a seguir?

Ingente e urgente questão, que tantas e tão belas páginas tem dado à Literatura universal ou, pelo menos, do lado de cá dos Himalaias. Inúmeros patarecos e choninhas, como Shakespeare ou Balzac, para citar apenas dois exemplos, escreveram que se desunharam sobre a nobreza dos sentimentos e a intrínseca delicadeza da fêmea, quando esta, cagando-se absolutamente para tais patacoadas, escreve e diz as coisas como elas são; veja-se o caso de Florbela Espanca, essa notória histérica, entesoada até à medula, que não se coibiu de chamar os bois pelos nomes:

Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Ora aí está, amigo João. Troque vomecê o verbo, esse lindo verbo "amar", tão glosado pelos homens e tão gozado pelas mulheres, ponha-lhe o devido e correcto "foder" em vez, e já vê: a chavala o que pretendia era foder que nem uma leoa. Porém, precisamente, há que entender estas subtilezas de linguagem, mulher alguma - ou, melhor, só uma ou outra, esta Florbela foi uma excepção - se atreve a não utilizar o código específico da Língua da nação fêmea. Gaja que fale em "foder", sem mais aquelas, arrisca-se a levar com o carimbo de grandessíssima e alternadíssima puta, pelo que a alternativa é ir usando umas palavrinhas glicodoces e melífluas em vez daquelas que lhes apeteceria dizer. Por isso, além de "amor" em vez de "foder", dizem "coração" em vez de "cona", e falam dos seus "cabelos" quando pretendem significar "cu" ou "mamas" ou "pentelhos". E assim por diante: "paixão" é "tesão", "saudade" é "tesão de amarinhar pelas paredes", "carícia" é "punheta", etc. Mesmo a coisa em si, o trivialíssimo verbo "foder", é por elas sistematicamente transformado em "fazer amor", isso então é que me irrita até à quinta casa; já ouvi uma data de garinas babando a sua frasezinha preferida ("eu não fodo, eu faço amor") e posso afiançar que a partir daí as coisas correram pessimamente. Expressões um bocadinho mais complexas, como "adoro-te", representam imagens mentais, ou desejos não muito conscientes, que se poderiam traduzir como "gostei da última, mas soube-me a pouco" ou ainda como "foda-se, não dá para uma rapidinha, assim de repente?"

A coisa, em a gente se habituando, torna-se facílima de compreender e, por regra, dispensa tradução. E é precisamente por isto que, no meu caso particular e no de outros igualmente veteranos, a percepção dos factos e a lucidez demonstradas podem cheirar, diria mesmo tresandar, a pura misoginia. Mas não corresponde à verdade, como se demonstrou com exemplos. Uma coisa é alguém não gostar de mulheres, ou porque é paneleiro ou porque prefere exclusivamente bater pívias, outra coisa bem diferente é um gajo dizer aquilo que acha sobre as mulheres e, nesse caso, arrisca-se a ser mal interpretado. Por mim, caro João e caros outros colegas das belas artes, quero bem que isso se foda; tento explicar, de quando em vez, que não é por compreender as mulheres que deixo de gostar delas, em geral, e de umas quantas em particular, e muito menos deixo de apreciar tudo aquilo que elas me podem dar. Apenas não chamo a isso, a tudo o que elas me podem dar, os nomes que elas pelos vistos gostariam que eu chamasse. Fodei-vos. Eu quero é cona, não "coração". Que se foda o coração, que só dá chatices. Eu quero é foder, não "amor", não "paixão". Se houver alguma simpatia pelo meio, alguma amizade, melhor, excelente; se não, bem, então a coisa durará um pouco menos e será um pouco menos intensa. Nada mais. É como num jogo de fortuna e azar: rien ne vas plus.

Que uma qualquer mulher se diga (ou se sinta, o que vem a dar no mesmo)"apaixonada" por um tipo qualquer, é para mim o mesmo que ouvir o Marco Paulo a cantar: desligo imediatamente. Que possa ser eu próprio o objecto desses "amores" e dessa "paixão" emociona-me tanto como ouvir o mesmo Marco Paulo a cantar, já depois de eu ter desligado o cantante. Contente ficaria, isso sim, e fiquei em diversas ocasiões até hoje, quando uma mulher - porque também há disso - mostra que é um ser humano e não uma simples máquina de foder; quando - especialmente depois de a gente foder - me acende um cigarro ou me chega a cervejola; quando é simpática, e gentil, e amorosa; quando sorri sem ser de pura lascívia; quando um abraço ou um beijo têm tudo de carinho e nada de cio; quando me endireita o colarinho da camisa ou quando me compõe o nó da gravata. Quando, por fim, está comigo porque sim e não porque me deseja. Se bem que esta última também me não desagrade, mas não estraguemos a fluidez natural do texto.

E isto remete-nos para o início: o genial verbo "empontar". Pois saiba o amigo que, pessoalmente, sim, já fui empontado algumas vezes. Escusa de se começar já a rir porque, se bem conheço as mulheres, a sua estará muito provavelmente - neste exacto momento - a pô-lo a si em pontas (que é outro significado possível do verbo), ou seja, a empalitá-lo alarvemente. Dois anitos, diz o amigo? E diz que já está farto dela?! Hihihi. E ela não? Ela ainda deve estar muito apaixonadinha por si, descanse. Eu é que não queria estar na sua pele, ora essa! Vossemecê é que pode ser encornado, não eu, ou quem é que é aqui o gajo casado? Foda-se, fique-se lá com a sua mais-que-tudo, desenrasque-se, mas também não venha para cá mandar boquinhas foleiras.

Mas vá lá, por esta vez passa. Não faço a mínima ideia de quantas vezes a minha primeira mulher me "empontou" (ou empalitou), no mesmo período de tempo; presumo que algumas; como diz a Bíblia, se não em obras, pelo menos em pensamentos e seguramente por palavras. Isso é uma coisa chata que me sucede, a saber, falar a dormir, e calculo ter sido assim que a dita arranjou um pretexto para se "vingar", à época. Já a segunda (e devo acrescentar que, depois desta, já não houve mais encornanços legais, porque nunca mais caí desse cavalo abaixo), bem, essa só me empontou uma vez... se bem que tenha sido uma vez de escachar, uma coisa horrorosa. De outros episódios semelhantes não reza a minha história pessoal, porque não houve mais nenhum consórcio legal e porque, inerentemente, esse tipo de maçadas apenas ocorre a quem é suficientemente imbecil para casar ou juntar os trapinhos; em namoricos e assim, a gaja que me troque por outro apenas me resta desejar-lhe boas noutes e que se divirta; é uma chatice a menos e permite passar à seguinte de uma forma mais expedita.

Mas não se julgue que aquilo que penso ter demonstrado não ser "raiva" ou "asco" se agravou ou se deve em exclusivo a estes tristes episódios de empontanço. Nada disso. Evidentemente, tais e tão públicas "traições" acabam fatalmente por criar anti-corpos em quem delas é vítima, mas tudo acaba em bem, até porque tudo acaba, e o tempo se encarrega de repor a ordem natural das coisas: a primeira vive mais sozinha  do que um cão, tendo por companhia apenas o álcool; da segunda, nunca mais ouvi falar; das outras, nem quero tomar conhecimento; volta-e-meia, lá vejo uma em plena rua, irreconhecível, gorda como um batoque ou velha como uma carcaça; cumprimentos lá em casa, é o que lhes desejo.

"Gajas decentes", como diz, conheci uma única... até hoje. Mas tanto o conceito de "decência" como o seu inverso, a "indecência", dependem de uma única variável: toda a gente é "decente" enquanto não se descobre que, afinal era "indecente"; e também pode, muito mais raramente, suceder a operação contrária. Por definição, e na acepção estritamente sexual do termo, mulher "decente" é coisa que não existe e que não faz sequer, de um ponto de vista sociológico ou zoológico, sentido que exista. Pelo menos, não desde Maria Madalena, essa artista pelos vistos sinceramente convertida à santidade.

Pronto, amigo João, espero ter contribuído para a sua paz de alma. Esteja descansado. Aqui é tudo heterossexual (estão dali a dizer-me "achamos, achamos") e tudo finos apreciadores do belo sexo. Não temos caganças, é só isso. E o facto de eu ter exposto aqui assim a minha intimidade, que fique bem claro, é uma excepção que se fica dever em exclusivo ao facto de me ter apetecido. Nada mais a declarar.
Cumprimentos à esposa.
001


P.S.: a propósito: afinal, que tal é a sua mulher? Bom material? Homem, não se acanhe! Mande foto dela ou, melhor, mande-a a ela, em pessoa. A gente cá se encarrega de lhe aliviar o fardo a si. Os amigos são para as ocasiões, como soe dizer-se; temos de ser uns para os outros, não é? Às ordens.

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28/10/06

Pequenos Portugueses


Marques Mendes




Biografia: Wkimérdia
Fotografia (tipo passe): Libre Opinion (secção Cromos)


Frases célebres
_ Ganda nóia.
_ Eu não xou xopinhaxe com macha, caraxasse.
_ Uxe portugueseche xabem que podem contar comigo.
_ Penxar em grande.
_ Nóche não vamoche baixar os impostuche.
_ Há que ter xentido de echetado.

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27/10/06

Sabes a que sabes?

Sabes a que sabes? Sabes?
Não sabes. Como poderias tu saber?
Mas deixa, finalmente vou-te dizer.
Sabes a metal, a ferro, a chapa,
A cavilhas que seguram traves.
És como colher que se morde sem querer.
Sabes a parafuso, a anilha, a alicate,
A carril dos comboios, a toques a rebate.

Queres provar o teu sabor? Prova.
Vês? É assim, é isto, esta lata,
Este sabor de ferrugem a corroer.
Algo muito grande, enorme, como
Um tanque de guerra, ou algo pequeno,
Como um prego velho e retorcido,
Uma pobre carica enferrujada.

É a isto que sabes, sabes?
É este mesmo o teu sabor.
É um gosto amargo, tosco, animal.
É assim puro, livre de todo o mal.
O teu sabor e o teu perfume.
O teu fogo, teu aço, o teu lume,
A tua forma simples de dizer
Estou aqui, sou a tua mulher,
Toma-me, sou eu, sou toda tua.
E eu digo sempre sem dizer:
Meu Deus, adoro ver-te nua,
Adoro-te, querida, meu amor.
E provo-te de novo sem qualquer pudor.

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26/10/06

Quem não assinou que atire a primeira pedra


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Ciúme

Suspeitas.
Acusas.
Perguntas.
Respostas.

Sacodes.
Explodes.
Reprimes.
Redimes.

Convences.
Desistes.
Repetes.
Repetes.

Espero.
Admite.
Agora.
Confessa.
Oiço.
Repete.
Espera.
Admito.
Nunca.
Ouve.
Repito.
Desespero.
Confesso.
Sempre.
Sempre.

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22/10/06

Patati-patatá no sofá

Será realmente possível escrever absolutamente nada sobre coisa nenhuma?

Será. Existe mesmo um imenso arsenal de ferramentas linguísticas à disposição, do mais comum blá-blá-blá ao referencialíssimo e muito prático patati-patatá, verdadeiro patriarca dos bordões, passando pelos sintéticos mas não menos e tal, e tal, ou e assim por diante, ou ainda o não menos utilizado etc., etc., etc. No entanto, está mais ou menos instituído e é comummente aceite que o mais relevante acessório discursivo, quando não temático, é o patati-patatá, o qual ganha aos concorrentes em todos os aspectos, nomeadamente pela elegância da palavra em si, ademais composta por hifenização, o que demonstra o seu cariz nobre, aristocrático mesmo; demos de barato, neste considerando e por conseguinte, o duplo hífen do blá-blá-blá, que poderá ser mesmo exageradamente estendido e multiplicado (como em blá-blá-blá-blá-blá, por exemplo), o que indicia com nitidez algum pretensiosismo, quiçá seu toque de esquizofrenia ou tique de freneticismo.

Patati-patatá ocupa um lugar ímpar em termos de eficácia comunicacional, servindo os mais variados fins, não apenas na Língua portuguesa, de aquém e de além-mar, mas também na francesa, idem idem aspas aspas; terá sido, aliás, da língua de Voltaire que nos chegou o precioso termo, e dever-se-á aqui fazer notar que se trata de língua em sentido literal, daí a não maiúsculização em posição inicial, ora pois então concretizemos, não vá a gente perder o fio à meada, dizíamos, terá sido do próprio órgão bucal de Voltaire que surgiu o nosso patati-patatá, que utilizava para significar a sua falta de inspiração momentânea. Essa famosa expressão terá sido proferida pela primeira vez por volta do ano de 1741, aquando da primeira edição da obra Mahomet, de bom augúrio como depois se viu; não consta que Voltaire tenha tido o desplante de usar o seu patati-patatá com alguém, e de mais a mais chamando-se aquilo, mas muito do discurso voltairiano se baseia, como, de resto, grande parte da cultura europeia, no seu conjunto, em muito patati e em não menos patatá.

Notemos, a talhe de foice, que a expressão pode ser utilizada tanto na sua forma concatenada como isoladamente, constituindo assim as suas partes já não um só significado representado por dois significantes, mas dois significados complementares, cada qual com sua escrita e seu código próprios. Quando isolados, há que não confundir patati com patatá, e o mesmo vale para o seu inverso; aliás, os termos em oxímero podem representar uma mais-valia assinalável do signo linguístico, enquanto veículo da comunicação. Traduzindo outros sentimentos, que não apenas o referida falta de inspiração momentânea, o vocábulo hifenizado demonstra uma elasticidade surpreendente, em diversos vectores e situações comunicacionais, desde a simples e absoluta falta de assunto ao mais profundo desprezo por aquilo que viria a seguir e que, de repente, já não há pachorra para continuar; como na figura "ela disse que me amava e patati-patatá", subentendendo-se por patati-patatá que se estará em presença de uma tanga tremenda, ou em "ah, e tal, patati-patatá, e porque torna e porque deixa", extraordinária demonstração do linguajar característico de nossa juventude, que fala muito mas raramente diz alguma coisa com um mínimo de coerência.

Não misturando alhos com bugalhos, mas apenas no intuito de ilustrar de outra forma a presente tese, vejamos a aplicação de patati-patatá ao diálogo interpessoal (parece que é assim, pleonasticamente, que hoje em dia a coisa se deve designar). Tomemos ao acaso o caso de dois amigos que estão conversando sobre determinado descaso:

_ E então, o que é que ela disse?
_ Sei lá! Patati-patatá, patatá, patati...
_ Mas perguntas-lhe ou não lhe perguntaste?
_ Perguntei.
_ E ela?
_ Patati.
_ E tu?
_ Patatá.
_ Bolas, é que não dizes mesmo uma p'rá caixa!

Ora cá está. Mesmo falando alguém pelos cotovelos, é perfeitamente possível que essa pessoa não exprima mais do que uma das coisas ou, quando muito e pior ainda, apenas uma delas. Porque, no fundo, no fundo, tudo dito e revisto, mesmo depois de muito espremido, tanto o mais trivial como o mais inflamado dos discursos pode resumir-se a isso mesmo: o mais puro, ingénuo, inócuo, por regra tergiversante e às vezes divertido patati-patatá.

Quem sabe não deveríamos ficar por aqui, evitando assim a enorme carga de prosódia encomiástica e os possíveis incómodos inerentes, nomeadamente para a coluna, que não raro acarretam os assuntos mais discutíveis, polémicos e patati-patatá, assim como este. Pois quem sabe.

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18/10/06

Wikimérdia e lusocacofonia

Em Outobro de 2004, a Corel comproui a Jasc Software, desenvolvedora desse programa de edição de gráficos bitmap de baixo custo.

Não foi a imperatriz mais nova da historia mais ainda assim não se sentia pronta quando assumiu aos 14 anos assumiu o trono de seu planeta natal Naboo.Teve un dos reinados mais memoraveis daquele belo e exotico planeta.

a partir de: 108.000.000apartir de: 878.000
assenta-lhe: 546acenta-lhe: 166
um dos que foram: 354um dos que foi: 250
aqui há tempos: 14.800aqui há atrasado: 151
eu estive a pensar: 100eu tive a pensar: 73
com certeza: 8.900.000concerteza: 440.000
há que tempos: 16.700à que tempos: 455
asterisco: 3.870.000asterístico: 877
sempre mantive: 9.640sempre manti: 218
possíveis e imagináveis: 30.200possíveis e imaginárias: 990

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Melhor anúncio 2006 (Televisão e Rádio)




Gato Fedorento
Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela
PT Comunicações
Campanha "PT Noites"

Talvez porque esta campanha era mesmo fixe, mas mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, épá... fixe, o tarifário "PT Free Noites" foi suspenso pela Anacom, no passado dia 13. Ou foi por isso, ou então alguém embirrou (muito justamente) com a designação da campanha, Inglês e Português a mielas. Ou também pode ter sido por ter calhado a uma 6ª Feira 13, a pressurosa decisão suspensória.

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17/10/06

Consultório sentimental - XVIII

 

Ide e masturbai-vos

Não, não é isso que dizem as Escrituras. Pelo contrário, o que lá diz é "Ide e multiplicai-vos". Em princípio, absolutamente nada na Bíblia refere a bela punheta como algo de relevante, ou edificante, ou sequer interessante. Não consta que algum dos Apóstolos, por exemplo, era só que faltava, se entretivesse de quando em vez a embalar o cabeçudo; se bem que já o Judas, quem sabe, se calhar lá batia sua píviazita, assim pela calada, escapulindo-se amiúde para trás do Monte das Oliveiras, o grande malandro.

Mas não nos percamos por tão longínquos e ínvios caminhos históricos, deixemos as considerações retroactivas, salvo seja, por agora, e passemos ao essencial. O tema surgiu inesperadamente, através de mais uma pesquisa Google que trouxe alguém aqui ao consultório, com a seguinte questão: "punheta faz bem ou mal?"

Pimba. 001.blogspot.com, pois claro. Aqui disse um colega, em outra consulta, a respeito da masturbação masculina, e por entre considerações de equivalente valor pedagógico, que "não apenas a masturbação é normalíssima como é quase compulsiva e, de certa forma, obrigatória". Por estranho que pareça, se não há quem não o faça, existe muita gente que diz o contrário... que é pecado, que faz mal à saúde, e tal.

De entre os resultados da pesquisa, o ou a jovem que formulou a questão teria acesso a diversas formas de resposta, como, por exemplo, esta:

A Bíblia Responde Acervo de Perguntas e Respostas
Pergunta: Gostaria de saber mais sobre o hábito da Masturbação.
Resposta: Embora muitos profissionais de saúde se coloquem favoráveis à tal prática, seria interessante que você soubesse o que Deus pensa a esse respeito. Partindo da verdade de que somos seres criados por Deus, acreditamos que Ele sabe perfeitamente os pontos vitais e estilos de vida que trazem vigor ou enfraquecem nossa mente e personalidade.
A masturbação é considerada como uma fragilização dos princípios morais que em conflito com a transigência espontânea (condescendência) arraigada na pessoa, torna a natureza inferior como predominante sobre a natureza superior.

Um outro fórum, igualmente brasileiro, resolve o assunto com uma declaração espantosa:

Status: Pergunta solucionada por votação
k que idade comesa a masturbação masculina e feminina como faz para se masturbar nos dois sexo feminino e mascul
por favor me responda queria saber que idade começa como tudo isso come a se masturbar como e incio

Uma resposta: Eu comecei a bater p-u-n-h-e-t-a com 6 anos. Sempre fui um sacana.Pra bater é simples. Vc coloca o p-i-n-t-o pra fora, gospe na cabeça e vai socando o bicho até ele ficar duro. Pensa numa s-a-f-a-d-a por exemplo: a vizinha, professsora, prima, irmã do amigo, mãe da namorada, namorada. Vai pensando e vai socando o p-i-n-t-o até tu esporrar.Se quizeres também podes acessar um site porno e mete bala. Neste caso cuidado pra não gozar teclado, mause, vídeo e a cpu. A p-u-n-h-e-t-a pode sair muito cara.

Outra resposta:
Não há criança que não o faça a partir de certa idade... até padres priores e crentes e não crentes.... e se disserem que não, mentem descaradamente...

Muito interessante. Há lá mais cores, é ir ver. Um dos respondentes até sabe o que o próprio Deus, em pessoa, pensa sobre o assunto. Deve ser mais um confrade da escola Alexandra Solnado, cujos membros têm acesso periódico ao Próprio, via SMS ou por outros canais tecnologicamente avançados. A julgar pelo que dizem estes ilustres advogados das mãozinhas nos bolsos, sossegadas, o Altíssimo, pelos vistos, rala-se enormemente com isto da pívia, preferindo o tema em detrimento de coisas nitidamente mais pífias, como a fome, a violência e a ignorância. Já aqueles caramelos da Biblia online (que raio de nome), santinhos até à medula, ou eunucos, ou castrados à nascença, ou o cacete, despejando sua moral putrefacta sobre as cabecinhas desprotegidas dos jovens, pretendem por conseguinte insinuar que não, não senhor, eles e elas nunca fizeram semelhante coisa, que horror, que tremendo pecado. Punheta não é assunto que se solucione "por votação", ó bálhamedeus; aliás, mas para que caralho necessita a gente de que tal coisa se "solucione", é deixar lá estar, a punheta muito sossegadinha, que o que não precisa de solução, solucionado está.

Ilustremos o paradigma com alguma carga literária e, porque não dizê-lo, outro tanto de bagagem cultural, através de um belíssimo soneto de Bocage.

Soneto da Mocetona Pudibunda
Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:
Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ela ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:
C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho me embalava;
"Mais depressa" Lhe digo então morrendo.
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.

Ora, cá está, referido pelo próprio Poeta em carne e osso, o carácter místico da pívia. Pois, não dizia eu? Ora então está visto. Bem se podem esmifrar os paladinos da "temperança", não adianta nem atrasa, a espécie humana - à imagem e semelhança de todos os outros mamíferos - masturba-se desde o início dos tempos, e masturbar-se-á até ao fim dos ditos, nem que chovam pás e picaretas. No dia do próprio Armagedão, ainda há-de haver muito boa gente a tratar do assunto, que é sempre urgente e por regra mais importante do que uma batalhazita da treta, mesmo que esta seja a última.

Olha que caralho. Então mas existe alguma coisa mais bela do que a imagem de uma mulher em pleno acto de masturbação? Contemplemos embevecidos a esplendorosa imagem que encima este modestíssimo e mal alinhavado paleio. Jesus, Maria, José! Que beleza! Hem? É ou não é? Olhai, que verdadeiro pedaço de céu, ah, se fosse possível parar o tempo naquele instante mesmo (bem, enfim, uns minutos para a frente e depois rebobinava-se), há lá coisa melhor do que auxiliar tão bonito ser humano em semelhante empreitada?


Ora ficai sabendo, tomai e embrulhai, ó morcões moralistas. Aquilo é que é a verdadeira face da felicidade, o sorriso absoluto, divinal, a pose totalmente descontraída e leve; que diabo, reparem bem, a mulher parece que está a voar! Enfim, um mimo. Deus me perdoe o fetiche, como se já não bastassem as outras manias, mas realmente não há nada que se compare a um belo rosto, feliz, radiante. Abençoada punheta, portanto, se bem que no feminino se deva talvez designar a coisa como dedeta.

Para um homem decente e culto, o cúmulo da intimidade é quando uma mulher lhe admite a presença, enquanto ela se entrega docemente nos braços do deus Onan. Imbecil que se ponha com patacoadas, quando tal milagre sucede, além de candidato a valente e merecidíssimo pontapé no cu, arrisca-se seriamente a um grande par de cornos, de brinde, só por se armar em parvo. E é muito bem feito. O acto de masturbação é sagrado, e por maioria de razões para as mulheres; ao contrário de nós, homens, as mulheres vêm equipadas de série com ferramentas masturbatórias extraordinárias, a começar pelo próprio cérebro, que lhes permite atingir o clímax apenas com o poder da mente; aliás, como sabemos, o cérebro é o mais erótico dos apetrechos sexuais, para ambos os sexos, mas com uma eficácia infinitamente superior no chamado belo sexo; uma mulher consegue fazer tudo e mais alguma coisa apenas imaginando que está a fazer essa coisa; sério; é espantoso. Claro que aquele número mais tradicional, um simples dedito mexendo no clítoris, ajuda-as muito na tarefa mas, se não tiverem nenhum dedo à mão, por assim dizer, ou quando lhes apetece variar, pode ser com muitas outras coisas, ou com absolutamente coisa alguma, apenas à custa de algumas contorções do corpo todo, umas mordidelas na almofada, as coxas roçando uma contra a outra. Note-se que o anteriormente referido poder da mente, quando preterido o foder da gente, constitui a base do verdadeiro triunfo da mulher, já que, quod erat demonstradum, repitamos, esta não precisa de um homem para o efeito; além disso, a masturbação no feminino tem ainda outras vantagens, por sinal enormes, como a ausência de quaisquer riscos para a saúde - as doenças venéreas não se transmitem por este método sexual - e ainda pelo facto de a coisa em si não envolver qualquer espécie de chatice ou engulho sentimental. A finalidade exclusiva é o prazer, todo o prazer e nada mais do que o prazer, como poderá jurar qualquer moça normal e bem constituída, para mais no caso de se deixar de caganças.

Mas consideremos ainda a vertente medicinal da sexualidade em regime de auto-gestão. De facto, se é altamente recomendável que todos os seres humanos, homens e mulheres, fodam o mais possível, dada a relação intrínseca e directa que isso tem com o estado de espírito (e, por consequência, com o estado de saúde em geral), também se aconselha, e deveria ser vivamente recomendado nas escolas(1), que todos e todas se desenrasquem sozinhos sempre que lhes dê para isso. Pelos mesmos motivos, porque faz bem, é saudável e põe as pessoas mais alegres e bem dispostas, mas em especial naquilo que diz respeito às mulheres; isto porque, logicamente, se qualquer gajo fica satisfeito com uma, ou duas ou, vá lá, umas cinco, isso para qualquer mulher é amendoins, sabe a pouco, e se calhar nem dobrando a parada chegaria; nós, maninhos, estamos completamente fodidos neste assunto, logo à partida, pela simples razão de que nenhum homem é capaz de chegar sequer aos calcanhares, em quantidade e em qualidade, daquilo que é o mínimo exigível para uma mulher trivialíssima. Por isso, excluindo do conselho os avis raras que apreciam ser empalitados, todos nós temos o dever não apenas de aceitar (de cara alegre) que ela ou elas se masturbem regularmente, como devemos auxiliá-las por todos os meios nesse desiderato; é deixá-las à vontade, nem que seja enquanto se entretêm com aquilo a que, de forma extremamente badalhoca, se chamava dantes "bater pratos"; ou chegarem-se às bananas, aos pepinos, às maçanetas das portas. Vale tudo pela causa, que é uma boa causa.

Os artefactos conexos, como vibradores, lingerie erótica, dildos, óleos "de massagem" e coisas assim, podem ajudar enormemente. Não nos esqueçamos de que o assunto em apreço representa nada mais, nada menos do que uma verdadeira empreitada humanitária. Quem ajuda a mulher a "vir-se", ajuda o mundo inteiro. É nossa obrigação ajudá-la (ou ajudá-las) a alcançar regularmente os tremeliques, se formos merecedores de tanta cúnfia quanto essa; é boa, excelente, soberba ideia oferecer-lhes de vez em quando um vibrador topo-de-gama, pelo Natal, ou uma vestimenta de fazer tesão ao Rei das Berlengas, pelo aniversário, mais uns cremes "de massagem" com sabores, de vez em quando. Para os mais afoitos, e menos burros, ir constituindo lá em casa (ou casas) um verdadeiro acervo de engenhocas sexuais será uma garantia de três coisas essenciais: mais alegria, mais saúde e um bocadinho mais de fidelidade.

De uma forma abrangente, poderemos mesmo considerar que estes pressupostos implicam um contributo fundamental não apenas para a harmonia doméstica, como, e por consequência, para a paz social, diminuindo os conflitos, em suma, para a qualidade de vida em particular e o bem-estar, não sejamos falsamente modestos, da humanidade em geral.

Mesmo que fiquemos carecas e barrigudos tentando entender como é que elas fazem aquilo, mesmo que isso fique para sempre como uma espinha cravada na nossa máscula garganta, a questão reside em ir tentando, sem desfalecimentos nem cobardias. Há-de ser possível a gente conseguir usar um ou dois singelos dedos com a mesma habilidade natural que elas têm. É aproveitar os momentos de maior divagação, quando um gajo cai de queixos, por exemplo, e ir estudando o assunto de perto, assim comássim. Pode ser que um dia ela prefira a nossa mão à dela, quem sabe. Bom, se não for possível aprender por completo, ao menos que se morra tentando. Isso é que é sentido altruísta e espírito academicista. E elas adoram essas merdas.

Estragadão(*)

 

(imagem de vpul.upenn.edu/; soneto de Bocage copiado da página http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/bocage.htm)

(1) Entenda-se por "escolas" tudo o que seja posterior ao chamado Ensino Básico, antigo Ensino Primário. O tema é-o por natureza, mas não abusemos.

 

(*) O nosso humilde tugúrio passa, a partir deste texto, a contar com a colaboração do Sr. Estragadão, especialista em assuntos diversos, entre os quais este, e cujo nome remete vagamente para uma personagem de Becket, concretamente da mesma peça na qual se baseia este espaço de entretenimento e reflexão. Ora, se este já cá está, o outro, o Godot, esse é que não há meio de aparecer.

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12/10/06

Grandes Cromos Portugueses (3)


José Castelo Branco


Biografia: "marchand" e outras paneleirices
Fotografia a fingir que se ia atirar de pára-quedas (o tanas)
original de Blue Emotions


Frases célebres
Istô toda molhadinhaaa.
Eu hoje acordei assim: fabulosaaa.
Ai quiórroreee!
Bjocas à minha querida leide.
Olha aquele animale, já vistes? Cruz credo!
Sou a rainha do jiet siet, ó, ó.

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11/10/06

Grandes Cromos Portugueses (2)


Gabriel Alves (gbrlvs)


CV (currekl vit)
Fotografia de Google (fetg de Gu)

Frases célebres
uuuuuuuuuuu! (trad.: ou grande remate ao lado ou grande pontapé na atmosfera)
iiiiiiiiiiii!!! (trad.: ou foi golo ou não foi)
óóóóóóó! (trad.: afinal foi)
Gra fin de Uáuim (trad.: grande finta de João Pinto)
Mlkár em todseu splendr (trad.: Mielkársky em todo o seu esplendor)
O ternadr Érks dá estruçes aos juguedrs Uóuim e Ieiiá (trad.: o treinador Erikson dá instruções aos jogadores John Terry e David Healy)

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Grandes Cromos Portugueses (1)


Eládio Clímaco


Biografia (não tem)
Fotografia (arrrgh!)

Frases célebres
Ai que susto
Ai que giro
Ai que coisa
Ai que é mesmo giro
Ai que boa presença
Ai ai

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Grandes Portugueses (1)


Adriano Moreira


Biografia (Bragança Net)
Fotografia de Revista da Armada

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30/09/06

Restaurador Alex

Alguém sabe o que foi feito de nosso Alexandre Monteiro? Anda desaparecido aqui das lides, esse ícone das belas-artes subaquáticas e de outras coisas igualmente belas, como as postas de pescada e a rica saudinha. Segundo testemunho do próprio, diz que se estampou de bicicleta, uma desgraceira, um joelho escangalhado, baixou-se-lhe drasticamente o nível de colesterol, braço ao peito e assim, toda a sorte de azares.

O facto é que já temos, falo por mim, saudades daquela escrita muitíssimo bem esgalhada, daquele humor poético subtil que, de tão concentrado, proporciona sessões de riso genuíno, gargalhante, de ir às lágrimas. Muito provavelmente, lá estará agora com a perna engessada, o joelho preso por arames, suprema ironia sem piada alguma agora esta, o dorido braço ao dependuro, umas quantas futuras cicatrizes tapadas com band-aids e pachos. Tem sua pitada, seu chic, esta situação de uma pessoa que a si mesma se coloca no arame, e sem rede, estar agora preso por arames, compelido a quando muito teclar com um dedo apenas suas mais profundas reflexões em aramaico, essa giríssima língua característica. E é pena que tal suceda, maldita sucata que se lhe não arredou do caminho, privando-nos assim, falo por mim, não sei se já tinha dito, das ditas profundidades e da também já referida piada quando o lemos aos matrecos da escrita em verso, a rima branca mas extremamente colorida. Claro que não se entende nada dos jogos de palavras com os quais desde há muito faz o favor de brindar o respeitável público, aquilo é tudo para alminhas superiores, iniciados em Joyce ou especialistas em cruzadismo, mas, admitamos e reforcemos, a coisa é impagável e faz cá muita falta; releve-se a maniazinha da saúde, essa ingrata - como agora se constata - deusa dos tempos modernos, e vá lá, para os mais agarrados ao vício, dê-se de barato o anti-tabagismo atávico do prestigiado autor, porém teremos de constatar por fim a tremenda lacuna blogosférica que representa semelhante, aborrecidíssima, tão sentida e prolongada ausência.

Pelo que todos os sinceros desejos de rápido e feliz regresso nunca serão demasiados, e aqui desde já aqui se proferem convictamente, na expectativa de que ecoem em conformidade por essa aldeia global fora, essa mesma que esquece em dois ou três dias os seus maiores e também seus maiorais assim que dá a estes e àqueles por azar qualquer travadinha. Ou seja, em duas palavras, as melhoras.

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29/09/06

E não se pode interná-lo?

Esta espécie de arrastadeira soviética veio, mais uma vez, partilhar sua esplendorosa verve com nosotros, os fasssistas. Cuspilhando adjectivo imbecil atrás de adjectivo cretino, nosso comunistóide esquisitíssimo constrói de raiz mais uma espantosa teoria da conspiração: afinal não foi Oliver Stone, o autor de películas Yankee mais amigo dos pobrezinhos, quem realizou o filme "11 de Setembro"; não senhora; quem fez essa retinta merda, esse miserável panfleto de propaganda bushista, foi nada mais nada menos do que a própria Casa Branca, assessorada pelos prestimosos serviços de uma caterva de serviços (secretos) imperialistas. O resto é tanga, não vale um caracol: pode lá ser, ora foda-se, que o camarada Oliver, Oliverinha para os amigos, tenha feito tal cagada! Mas como caralho é que aquilo é tudo sobre a América, os Estados Unidos da América, que horror, e sobre americanos e coisas americanas? Pois então, mas não se está mesmo a ver que um filme sobre o 11 de Setembro devia versar a "problemática" da pobreza em geral e da opressão capitalista em particular? Não há filme de jeito sobre o 911 que possa dispensar as fantásticas imagens da extraordinária vidinha dos árabes, esses perseguidos, essas vítimas do capitalismo; agora cá merdices de americanos a morrer nas putas das torres gémeas, bem, que se foda essa merda! Claro que se vê logo, qual é a dúvida? Fantochada, ou o caralho que os foda, ah, pois é, a mim (a ele) não enganam vocêzes, seus fasssistas. Isto é o chavalo a pensar, claro, porque às vezes o chavalo até pensa umas coisas, recauchutadas, é verdade, mas prontos, lá que debita, pois debita.

Este triste, este deprimente espécime de primata, verdadeiro exemplar museológico de hommo sovieticus, essa espécie de assassinos que se julgava extinta, à imagem e semelhança do velociraptor, circula ainda por aí, não apenas pespegando suas bojardas lá no blogzito dele como vomitando aleivosias - do mais mentecapto, do mais estalinista que imaginar se possa - em jornais nacionais e em programas de rádio e de televisão não menos.

E não se pode ao menos interná-lo, a esse grandessíssimo PCP de um FDP?




(Texto não revisto ou sequer corrigido automaticamente; tarefa demasiado penosa, para não dizer nojenta, mesmo para um simples e honesto corrector autográfico, tão abjecto é o sujeito.)

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Sociedade da informação

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Luvas, sacos azuis, lombo fingido e siga a marinha

Diz-se no DN de hoje que havia na nossa Marinha de Guerra um esquema de corrupção muito engenhoso que, esquematicamente falando, funcionaria assim:

Três empresas (A, B e C) apresentavam as suas propostas de fornecimento de material; uma "comissão de peritos" ("composta por militares que avaliam e dão o parecer à Marinha") escolhia uma das propostas (por exemplo a C), no valor de 20 milhões; depois de a Marinha pagar os 20 milhões à Empresa C, o intermediário respectivo entregava 5 milhões aos "militares corruptos da comissão de peritos", ficava com 5 milhões para si próprio e, por fim, pagava a fornecedores o valor real da empreitada - os restantes 10 milhões.

Santa ingenuità, Dio mio! Ma che cosa?

Mas qual é o patego que se deixa apanhar num esquema assim tão simples(inho)? Ó amigos, então, sejamos sérios; caramba, até no campo das vigarices há que ter um módico de hombridade! Pois então, vejamos, mas isso é golpada que se apresente? Ora, ora, que coisinha tão merdosa. Toda a gente sabe que o esquema verdadeiro, o mais comum, aquele que serve na perfeição os interesses (de quem toma conta) dos poderes central, regional e local, é o velho e sólido "concurso fingido e combinado": determinada entidade, civil ou militar, finge que abre um concurso público; as empresas concorrentes (A, B e C) combinam previamente entre si, em sistema rotativo, exactamente a mesma ou propostas muito semelhantes, sendo que os valores apresentados a concurso obrigam à escolha da proposta C, a mais baixa das três mas, ainda assim, altamente inflacionada em relação ao valor real do fornecimento; depois, é só dividir o remanescente em proporção com a "concorrência", descontada a comissão do intermediário e os "emolumentos" do ou dos representantes da entidade adjudicatária - como recompensa pelo facto de este ou estes fingirem que desconheciam o conluio.

Assim é que a coisa rola. Sobre esferas. Ninguém pode ser acusado de coisa nenhuma, muito menos os "peritos", cuja função consiste exclusivamente em olhar para uns papeis e dizer qual é o valor mais baixo que lá está. As empresas proponentes ficam também desde logo livres de qualquer suspeição, até porque detêm e repartem entre si o monopólio de um determinado nicho de mercado.

Burrices como adjudicar sem concurso público, de acordo com a legislação vigente, é coisa que já ninguém faz. Como todos sabemos, a gente pela-se por cumprir a Lei, em Portugal.

Nem de propósito, e a respeito, assim se compreende a elegante manifestação de brio da nossa deputada ao PE, Ana Gomes. "Corrupção", disse ela. O DN não facilita, infelizmente, o acesso a tão judiciosa sentença.

Citemos. "O PS é um alvo de quem quer corromper e manipular as instâncias do Estado para seu proveito, com vista ao enriquecimento pessoal e ilícito." Fim de citação.

Espantoso apelo. Eis uma frase que, além de lapidar, transpira sinceridade e mesmo alguma ansiedade. É assim a modos como quem diz "corrompam-me, se fazem o favor, vá lá". Naturalíssimo em quem vê toda a gente a enriquecer à sua volta e ela para ali enjeitada, esquecida pelos corruptos e pelos corruptores, espécie de Capuchinho Vermelho perdido na floresta da honestidade, com o lobo mau capitalista sempre à espreita, afiando a dentuça para a comer, coitadinha. Bem farta deve estar, realmente, de ver os seus colegas de bancada a enriquecer que nem umas bestas, e ela ali à espera da oportunidade ideal, uma coisa não muito importante e sem dar nas vistas, vá lá, olhem para mim, eu também sou gente, eu pertenço ao alvo, acertem-me em cheio, por caridade.

Confiemos, contudo, em que mais uma vez o bem triunfe sobre o mal, que o lobo a coma por fim, como tanto deseja, e que reine de novo a ordem natural das coisas.

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À Ensinu há matroca ou naum á? Á, à pelo menos 11 anus, devidu aus maleficios do tabaco.

 Olá a todos.


Estavam a dar-me graxa?! Não me parece, sou professora à 11 anos e foi a primeira vez que ouvi alunos dizerem aquilo. Talvez a nossa juventude ainda tenha futuro:)

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