Odi profanum vulgus et arceo

22/10/03

Breaking news


O novo estádio da Luz vai ser inaugurado com um desafio entre o Benfica e o Monte Vídeo, do Uruguai.

Jornal das 2, Sic Notícias
(locutora da qual não me ocorre agora a graça; é uma assim com umas repas)

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Blog: blague ou bluff?




Sexo na Internet liberta portugueses


O anonimato garantido pelo sexo na Internet tem um papel libertador e desinibidor para a maioria dos portugueses, conclui a sexóloga Ana Alexandra Carvalheira.
O cibersexo «permite assumir identidades diferentes e a expressão livre de desejos e interesses sexuais». Assim, estes chats(*) tornam-se úteis para as pessoas que têm dificuldades em encontrar parceiros de forma convencional.

Diário de Notícias de hoje, pág. 26


(*) - um bocadinho desactualizada, a piquena; o chat já não está a dar; agora a técnica de engate mais "avançada" é o... harrummm... bloguismo. Coisa, de resto, já aqui referida há uns dias; enfim, nada de tão científico ou trabalho tão bem feito como certamente esta sexóloga fará, mas enfim. Lá ficou a achegazinha.

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20/10/03

Quote


Estou-me cagando para os avisos nos maços de tabaco.

Unquote



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18/10/03

Silogismozinho


Fumar é um acto reflexo que varia na razão directa da pressão ambiente sobre o fumador.
Os avisos a preto e branco, nos maços de tabaco, são factor de pressão e de "stress" para os fumadores.
Logo, este fumador passou de 3 para 4 maços diários "derivado à" imbecilidade stressante daqueles avisos.

Exijo indemnização, por conseguinte. Desenrasquem-se.

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16/10/03


Fumar causa
elevada
dependência.
Não comece
a fumar.


Com este, cuja principal característica é possuir dois pontos finais e não apenas um, parece que está completa a colecção. Quando eu era puto, todas as colecções de cromos tinham um que era "o mais ruim", ou seja, o mais raro de todos. Aqui deve ser o mesmo. E este bem merece ser o mais ruim de todos.
Acho, ainda assim, que esta colecção está muito pobrezinha. O que aconteceu? Falta inspiração? Que não seja por isso, cá vão algumas sugestões cheias de boa vontade e tentando manter o nível de cagança:

Fumar mata.
É favor
ir morrer
longe.

O cigarro
contém mais de
3.000 substâncias
químicas nocivas.

Os gases de
escape contêm
apenas 2.000
químicos tóxicos.

Fumar é causa
frequente de
cancro labial
e outros
desatinos.

Se está grávido:
Parabéns. Acaba
de ganhar
USD $15000000





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12/10/03

Bilhete deixado sobre a mesa de...



Cá estive, pedindo a Deus não te encontrar e que não chegasses, enquanto rabisco este bilhete. Pessoalmente, quase nunca te pude pedir perdão, porque tu pensas que isto é, apenas, uma humildade, que humildade é um apoucamento, e assumes, cada vez, uma soberba desdenhosa, que não te fica bem, que me enfada e me apiada de ti.

Sempre que te amansei e te conduzi um pouco à realidade foi com descanso _ e só eu sei quanto me custou fingi-lo. Odeio a mentira, e a pior delas é a que esconde um sentimento bonito, para expandir, em defesa própria, uma atitude banal, de gestos e palavras. Quando e em quem será o dia em que poderei valer pelos meus sentimentos mais legítimos?

Assim por escrito, é-me fácil chegar a teu coração, porque não estou presente... e tu usas o coração por fora da blusa, não sentirás necessidade de escondê-lo.

Cá estive, para que estes recados desdissessem alguma crueldade que te fiz, quando tentaste encontrar em mim uma bondade maior que a dos homens.

Esqueceste de que eu era, simplesmente, um homem; fragilmente, um homem; fortemente um homem. E que o homem _ o melhor deles _ é feito apenas de dor e de orgulho. Tu não quiseste que eu partilhasse do teu sofrimento. Tu me viste exibi-lo, cruelmente, para saber até que ponto eu resistiria ao desespero.

E eu era um homem, como os outros, feito de dor e de orgulho. Agora, preciso dizer-te quanto me sinto responsável por ti, muito mais do que se o fosse perante teu senhorio, tua Société Anonyme du Gaz, tua Casa da Banha, teu algum argent-de-poche. Mas perante mim mesmo, que te sei a mais indefensável das pessoas. E que isto, em todas as horas, me traz inquietação e cuidados, numa sufocante angústia paternal.

Que saber disto te faça companhia, quando todos e tudo te cercarem. Que ao menos isto te afague a fronte, quando todos e tudo te humilharem. Que ao menos isto te agasalhe o corpo, quando tudo e todos te ultrajarem. Que ao menos isto seja poesia, quando a dor te fizer chorar de noite, porque de te ferir já se fartaram, todos e tudo, e te deixaram só.

Muito mais que te pudesse amar, eu te sofro. Muito mais do que te queria perto, eu te quero feliz. Se isto te parecer um arremedo de poesia é porque isto é verdade, e em toda a verdade há muito de poesia, e só há poesia na verdade, de todos e de tudo.

In Benditas sejam as moças,
Civilização Brasileira

António Maria (1921-1964), publicação Diário de Notícias






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09/10/03

Deixar de fumar
reduz os riscos
de doenças
cardiovasculares
e pulmonares
mortais.


Então e a circulação periférica? Lev Yashin morreu sem os quatro membros, por ser um grande fumador. Ah, pois, isso é uma doença cardiovascular. O povão entende logo a mensagem. Está-se mesmo a ver Ti Manéli chegando-se à venda lá do povo:
_ 'Tard, compadr'. Vinh? Nã, 'gradecid, tênh um problem' cardiovascular, óbrigadinh.


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Fumar
provoca o
envelhecimento
da pele.


Ah, é? E o resto, e o resto? Fica novinho em folha, como se nada fosse?
Que giro. Julgava que era a praia que fazia isso à pele, a malvada. É a primeira vez que oiço falar disto e estou maravilhado.

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Fumar bloqueia as
artérias e provoca
ataques cardíacos
e enfartes.


Não djiga. É mêzmo?
E quantos? Quantos de cada?
O enfarte não é um tipo de ataque cardíaco?
Perguntar não ofende, cetor, desculpe a ignorância.
E atão a bela trombosezinha, não vale? Ah, pois, se não está lá escrito é porque não vale. Ai, esta minha cabeça.

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Nova técnica


De engate.
É a chamada blogosfera. Crie-se o blog. Pespeguem-se-lhe umas patacoadas a metro, com muito sentimento, se for menino, ou com muita arrogância, se for menina. O menino finge que chora, baba e ranho, coitado, chuif-chuif, a menina que é das tesas, pimba-catrapimba, efectivellllmente, eu cá penso "de que", etc. e tal. É garantido. Grandes paixões vão por aí. Uns fazem-se de crias da capoeira, outros armam em poetas de meia-tijela, outros ainda fazem-se passar por tiranos de pacotilha, terrores da gramática e do belo pensamento, da frasezinha catita, da meditação profunda e à pressão, senhores - durante fracções de segundo - de toda a verdade, de todas as certezas, de tudo e mais alguma coisa (não é por mero acaso, o mote do Dodo).
Esperem pela pancada, meninos e meninas. Esperem até se encontrarem cara a cara. Esperem até que o tempo passe e vos amarrote. Ou então, quem sou eu para vos passar ditames, não esperem coisa alguma. Avancem. Avancem já, resolvam lá isso. Declarem-se. Estrafeguem-se. Abominem-se ao fim de umas horas, uns dias, umas semanas ou uns meses, que seja. E que a coisa valha a pena, ao menos no intervalo. Não tarda nada, depois da troca de fotografias (as melhores que se arranjarem, com dez ou doze anos de atraso), depois do primeiro telefonema (ah, a voz, a voz), finalmente o menino encontra a menina, e vice-versa, e aí a coisa ou vai ou racha; geralmente racha, se bem que nem sempre. O que fazer? A realidade é sempre bem mais triste do que a "respectiva" virtualidade.
Mas sejam decentes. Admitam. Isto não passa de engate, não é? Temos aqui o velho piscar de olho dos tímidos, o assobio dos magalas, em versão ligeiramente sotisficada. Isto é uma variante do antigo baile na sociedade recreativa, das "festas" na cave, não é? Esta profusão de palavras escritas é o velho e relho jogo de olhares, da janela para a rua, certo?
É só isso, não é? Aboliram-se os medos; qualquer camafeu pode passar pela mais bela das mulheres; o mais retinto dos imbecis pelo mais brilhante dos intelectuais, ao menos lá do bairro e arredores; qualquer tarado pode agora passar por "mente que brilha"; qualquer destrambelhada por "génio das letras"; qualquer ser deformado tem agora terreno livre para se alcandorar aos píncaros da fama, virtual e fugaz, ainda que à custa de simples caralhadas, de neologismos bacocos, das mais óbvias operações de cosmética psiquiátrica.
Esperem pela realidade, que não falha nunca.
Ou não esperem.
Please proceed. It's funny, you know?

Este era um dos posts arquivados; tinha algumas dúvidas sobre o conteúdo, e pássaro honesto, ainda que extinto, deve conservar alguma reserva naquilo que diz, escreve, ou pia.
Mas todas dúvidas se dissiparam depois de ler isto, e respectivo comentário. Bruxo.

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08/10/03





estudante universitário manifestando o seu des-contentamento




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culpado



O convívio com os gatos torna as pessoas estranhas. Está finalmente provado. É como uma hipnose, um feitiço. Quem tem gatos em casa fica esquisito, comporta-se como uma marioneta, cujos cordelinhos fossem puxados pelo próprio bichano, à distância, em silêncio, enquanto ronrona no sofá. O poder do tareco é implacável, imbatível e inimputável, porque actua no nosso inconsciente. Comportamo-nos de forma alterada mas não sabemos porquê, acreditando que o problema está em nós. Ou não enxergando sequer o problema, até ser tarde de mais. Mudamos de personalidade, falamos e é como se alguém falasse pela nossa boca, movemo-nos como robôs teleguiados, fazemos figuras tristes, metemo-nos em sarilhos, armamos em parvos, fazemos discursos brilhantes, afirmações cretinas, pomo-nos nos píncaros, caímos no ridículo, barafustamos, intrigamos, agredimos, tudo por culpa do gato, lá em casa a trincar espinhas e a manipular-nos, com todo o sangue-frio, metódico, até nos levar à destruição.
Mas o mais terrível é que o próprio gato está inocente. Na realidade, não é ele que se apodera da nossa mente. É apenas o veículo de uma força muito mais poderosa, uma entidade do limbo e das trevas, monstruosa, ardilosa, disforme e minúscula; um protozoário unicelular, um parasita, um chulo chamado toxoplasma gondii.
(...)
É no cérebro de um rato que o toxoplasma passa os endiabrados anos da adolescência, mas é no intestino de um gato que desabrocha para a plenitude da vida adulta.(...) O que se sabe é que o toxoplasma se reproduz furiosamente, largando, de cada vez, uns 600 milhões de ovos que o incauto gato defeca e espalha por todo o lado. No solo, essa espécie de quistos pode esperar 18 meses até, na melhor das hipóteses, acabar por ser ingerida por um rato. No organismo deste, penetra no fluxo sanguíneo e surfa alegremente até se cravar num neurónio. É aí que conhece as primeiras alegrias e também as primeiras decepções da vida mas, para se desenvolver cabalmente, tem de regressar ao intestino de um gato. Como? Esperando, naturalmente, que o felino coma o roedor, como é da tradição.
(...)
É muito comum que os ovócitos acabem no estômago de outro animal, ou de um ser humano. Basta que este coma vegetais mal lavados, ou carne mal passada, ou de alguma forma frequente os locais infestados pelas fezes dos gatos. A probabilidade de isto acontecer é enorme. Estima-se que 30 por cento da população mundial esteja infectada com o toxoplasma gondii e, nalguns países, como por exemplo a França, essa incidência seja próxima dos 90%.
Mas isso nunca preocupou os médicos e os biólogos, convencidos de que essa presença larvar do parasita no organismo era inofensiva, excepto em casos especiais,como o das grávidas ou o de indivíduos com os sistema imunológico enfraquecido, como os doentes de sida. Neste último caso, é frequente que a toxoplasmose leve à morte e, no caso das mulheres que a contraiam durante a gravidez, é provável que a criança venha a ter problemas mentais. Isto era sabido, pelo que há muito estão estipulados cuidados especiais nestas situações de risco. O que agora se descobriu foi que o toxoplasma é incapaz de viver sossegado. E que, uma vez instalado no cérebro de qualquer ser humano, começa a provocar-lhe alterações de comportamento.
(...)
Segundo estudos realizados com centenas de voluntários, os homens infectados são mais agressivos, mais rebeldes, mais desconfiados e ciumentos, mais anti-sociais e menos inteligentes. As mulheres com toxoplasma no cérebro, segundo os cientistas, são mais alegres, mais comunicativas, mais afectuosas, com mais tendência para a mentira e para a infidelidade, ou mesmo para a promiscuidade, e apresentam um QI mais elevado.
(...) Mas o que pretende o obnóxio toxoplasma gondii fazer connosco? Trata-se de um erro de cálculo que leva o parasita a querer que sejamos comidos por um gato? Os cientistas temem que a realidade seja bem mais sinistra. Encurralados num cérebro humano, sem hipóteses de aceder à terra prometida, que é o intestino de um gato, o diabólico protozoário engendrou outro plano para se libertar: levar-nos à auto-destruição. Obviamente pouco preocupado em ser politicamente correcto, lá pensou que tornando os homens desconfiados e estúpidos e as mulheres promíscuas e inteligentes, conduziria os humanos a confrontos sangrentos e à morte.
(...)

texto de Paulo Moura, revista Pública (suplemento do jornal Público), 05.10.03
(foto de www.anth.org/")



Se non é vero, é bene trovato. E explica muita coisa.

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07/10/03


Para o ajudar a
deixar de fumar
consulte o seu
médico ou
contacte o seu
farmacêutico.



(foto http://www2.ijs.si/~icjt/)

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O fumo contém
benzeno,
nitrosaminas,
formaldeído
e cianeto
de hidrogénio.
Fumar prejudica
gravemente a sua
saúde a dos
que o rodeiam
Fumar pode
provocar
morte lenta
e dolorosa.



Ora entonces. Cá estão os pontos finais, umas vezes sim, outras não. Mas, céus, que imaginação! Que brilhantismo! Que estética a preto e branco!

Acho que já descobri o autor destas proezas linguísticas: é um tal de Alexandre que se julga poeta e tem lá o blog cheio de galináceos a quem a verve dá tremuras nos entrefolhos. Esse camaradinha diz que "não deixa" que alguns idiotas "cerceiem" a humanitaríssima campanha em curso contra os excomungados da fumaça. Bolas que lá se me gastam as aspas (e os manguitos, como dizia o velho Almada Negreiros).

Camaradinha: até que escreves benzinho, mas quer-me parecer que tens umas certas tendências ditatoriais. Julgas-te no direito de "não deixar", mas nem deixas nem deixas de deixar porra nenhuma. Fica lá entretido com as galinhas embasbacadas e deixa as pessoas em paz, ok? Bye.

Ora, dizia entonces. Os pontos. E ele é morte dolorosa e... lenta... lenta... lenta... Bálhamedeus. Ah, não quero isso! Não! Não! Mil vezes não! Põe ponto de exclamação nisso. Não. Quero (outra) morte rápida, limpa, "swift", elegante. Quero morrer sem chatear ninguém. Pimba, já está. Uma limpeza, repito. Agora cá disso, a gente a ganir, arrastando um tripé com rodinhas e o soro ao dependuro, com tubos entrando por todos os orifícios (sei bem o que isso é, mas não me gabo nadinha), oh, não, outra vez mil vezes não, fica aqui a jura, adeus, é um pequeno passo para mim e um grande salto para mim também, pela janela mais próxima, pum, acabou-se o catarro.

Enfim, essa da morte lenta e dolorosa é grave. Quando chegar a minha hora (outra vez), vai ser atrasando o relógio das conveniências, prometo não incomodar ninguém, pronto. Muito menos os que me rodearem na altura; mentira; morre-se sozinho, e agora ainda mais porque é por decreto, porque é quando queremos, porque queremos, porque tem de ser, quando tem de ser. Não me obriguem a viver a vossa vida saudável, se eu não quero. Não me espanquem na vã tentativa de que eu adore a saúde e a juventude. Isso não sou eu. São vocês. Por isso, vou morrer longe. Onde não incomode ninguém.

Cheio de benzeno, destilando nitrosaminas, tresandando a formaldeído. Que nojo, blarrgh! Pois, ponham-se a milhas. Eu não sou um ser humano, sou um fumador. Fazem perfeitamente em não falar com tão vil espécie. Mereço a forca, pois então. Enforquem-me, por favor, a bem da nação.

Lá vai mais um (maravilhoso) SG Filtro, todo besuntado de cianeto de hidrogénio. Haja um pouco de génio, caramba.

Saúde!

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Português snave


Só agora reparo na polémica ingente lançada pelo Aviz, a propósito dos cigarros da marca Português Suave. Mas então, afinal, "suave" é equivalente a "light", e por isso é que tem de ser eliminado?
Ora, não brinquemos. Não sendo propriamente um especialista na matéria, parece-me óbvio que aquela marca tinha uma conotação meramente... arquitectónica! "Português Suave" designa um período da nossa História, materializado em diversas áreas, nomeadamente na arquitectura, de Raul Lino a Cassiano Branco (e seguintes).

O facto de haver centenas de mensagens a insultar o Aviz e nem uma só para esta pobre ave já extinta, comprova mais uma vez a evidência: o que os anti-tabagistas militantes pretendem é alguma causa a que se agarrarem, em vez de coisa alguma, é um pouco de notoriedade que os faça esquecer a própria irrelevância. Não lhes interessa para nada a coisa em si, o que importa é seleccionar o alvo a abater; neste caso do Aviz, é alvo mas não é para abater; os militantes da causa precisam de fumadores-figuras-públicas para que a dita pareça ser alguma coisa de sério; a única preocupação com a saúde do FJV é que ele não lhes morra e os deixe a falar sozinhos. Longe vá o agoiro.

Existe uma banda Português Suave, e pelo menos um blog, não da marca, mas com ela. A Google dá 451 resultados com o critério de busca "português suave", e ainda não foram indexadas as polémicas recentes sobre o assunto. Em absolutamente lado algum "português suave" significa "tabaco mais fraco do que os outros" ou "marca portuguesa de cigarros que não fazem mal à saúde". Ou coisa que o valha.

No fundo, aqueles cigarros - que até eram excelentes ao princípio, sem filtro - chamavam-se assim porque foi o que calhou, na altura. "Suave" não tem nada a ver com o que está lá dentro. O que diabo significa "SG"? E "filtro"? Alguma vez existiu "SG Sem Filtro"? A única marca portuguesa que alguma vez teve a ver com o conteúdo foi o Três Vintes: vinte cigarros, vinte gramas, vinte escudos (ou vinte centavos, quando foi lançado?). Tudo o mais é pura inspiração momentânea do maduro que, lá na Tabaqueira, baptizava as novas marcas; e, evidentemente, de forma puramente arbitrária, porque o que está dentro de um cigarro é apenas tabaco; no essencial, não há qualquer diferença; as diversas misturas, de diversas proveniências, é que vão fixar o travo específico de uma determinada marca, apenas reconhecível pelo fumador "gourmet". E o tabaco que está lá dentro tem tanto de "Português" como de Angolano, Moçambicano, Açoriano, Americano, Brasileiro ou Tobaguenho; as folhas são importadas de todo o mundo. E as diferentes marcas não são, salvo raras excepções, se não mais do mesmo; procuram apenas chamar a atenção e fidelizar comsumidores; se isso é legítimo ou não, ó, para quê ir mais longe, veja-se a indústria farmacêutica. Adiante.

Para mim, que sou ave e fumo (a propósito, como já estou extinto é favor não me virem cá chatear), não há nada como o belo SG Filtro. Há 30 anos, 3 maços por dia. Já morri, quero lá saber.

O que torna isto verdadeiramente irritante é a atitude de subserviência da Tabaqueira Nacional (Philip Morris): porque se rebaixam assim? Porque não mudaram o nome para algo de mais ternurento, digamos, mantendo intactas as pretensões dos fundamentalistas e, ao mesmo tempo, expondo-lhes o ridículo?

Sugestões:

Português Sou Ave
Português Snave
Português Soave
Português Su Ave
Português Suabe
Português Brutamontes
Portuguesa Suave
Português Evaus


Tudo quer dizer o mesmo, ou seja, nada.

Dodo


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06/10/03

_ Não o conhecia tão bem como pensava. Supus que ele fosse escolher uma mulher como quem escolhe uma vaca... para ser uma boa vaca, perfeita nas actividades que lhe são próprias... para ser uma boa esposa, o que é muito parecido com ser uma vaca. Talvez ele seja mais humano do que eu supunha.

A Um Deus Desconhecido, John Steinbeck

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05/10/03

pura beleza do passado



Sociedade Caboverdeana de Tabacos

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Uma mensagem clara e consistente



Fumar é um vício. Pode ser muito difícil abandonar o vício, se for um fumador, mas isso não o deverá impedir de tentar.

Fumar causa aos fumadores cancro nos pulmões, doenças no coração, enfisema e outras doenças graves. Os fumadores são muito mais propensos a desenvolver doenças graves, como, por exemplo, cancro nos pulmões, do que os não fumadores. Não existe um cigarro "seguro".

"Fumar é perigoso e um vício."

Os fumadores deverão continuar a conhecer os perigos do consumo de tabaco. No decorrer desta secção, encontrará informações sobre os efeitos do consumo de tabaco para a saúde, assim como recomendações para deixar de fumar. Também encontrará ligações a autoridades de saúde pública, e a outras organizações, que fornecem mais detalhes sobre estes tópicos. Além disso, fornecemos informações sobre os ingredientes nos nossos cigarros e os compostos químicos no fumo dos cigarros.

Onde quer que vendamos os nossos produtos, apoiamos uma mensagem clara e consistente de saúde pública, relativa ao consumo de tabaco, às doenças e à dependência. Também apoiamos as leis que obriguem os fabricantes de cigarros a incluir avisos de saúde nas embalagens dos cigarros e nos anúncios publicitários. Nos países onde não existe esse tipo de leis, estamos a incluir, voluntariamente, avisos nos nossos maços, nos volumes e nos anúncios. Queremos que os factos continuem a ser largamente conhecidos.


Isto é civilizado, decente, inteligente.

Eliminar a designação "lights", em todas marcas, é perfeitamente admissível; inserir mensagens desmotivadoras em todas as embalagens, correcto; proibir qualquer tipo de publicidade ao tabaco, justifica-se; promover campanhas de esclarecimento sobre os perigos em que incorrem os fumadores, é absolutamente lógico. Evitar, enfim, por todos os meios, que alguém comece a fumar, ou que um fumador incomode outrém, seja como for, vamos a isso, claro, é justo.




Isto é barbárie, indecência, estupidez:
Os
fumadores
morrem
prematuramente.
Fumar pode
reduzir o fluxo
de sangue
e provoca
impotência.
Para o ajudar a
deixar de fumar
consulte o seu
médico ou
contacte o seu
farmacêutico.


(colecção de imbecilidades governamentais a completar, com tempo)


Os fumadores não são mentecaptos, nem criminosos, nem míopes; não necessitam de insultos em letras garrafais; alguns até sabem escrever em Português e puxam logo uma fumaça enraivecida, quando topam com erros. Para que diabo é o ponto final em todos aqueles debitanços? Essa de contactar o farmacêutico em vez de consultar o médico, é porque fica mais barato? Onde se reduz o fluxo de sangue, exactamente? Estou apreensivo com essa. Pois, se reduz o fluxo de sangue, ora bem, depende do local exacto, se for aí mesmo, ah, pois, lá se vai a potência, isso é. Mas reduz, não reduz, ou é só "pode reduzir"? Hmmm? Em que ficamos?
E o que é "prematuramente"? Antes dos 100? Os não-fumadores morrem o quê, então? Postcipadamente?
Já existirá um inferno para fumadores e um inferno para não-fumadores? Ou áreas reservadas, ao menos?
Terríveis dúvidas e perplexidades.
E agora? O que se segue? Jogging obrigatório? Um copo de leite morno todas as manhãs? Ouvir os discursos do Padre Melícias? Missa compulsiva? Lobo Antunes nas escolas? Injecções de sensatez por detrás da orelha? Tau-tau nos renitentes? O quê, raios?!

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03/10/03

Poema num só canto


---------------- V

Seus meigos olhos, que a foder ensinam,
Até nos dedos dos pés tesões acendem;
As mamas, onde as Graças se reclinam,
Por mais alvas que os véus os véus ofendem:
As doces partes, que os desejos minam,
Aos olhos poucas vezes se defendem;
E os Amores, de amor por ela ardendo,
As piças pelas mãos lhe vão metendo.

Bocage

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02/10/03


estes japoneses inventam tudo e mais alguma coisa


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