Odi profanum vulgus et arceo

08/03/05

8 de Março

Dia Internacional da Mulher


Posted by Hello
homenagem singela(*) às mulheres em geral, esta fotozinha em particular




(*) ou vice-versa
foto © met-art.com (& tira-art.pt)
imagem de innocentdream
sequência completa (seus gulosos) em http://www.innocentdream.com/galleries_met/fairy/
nota: esta mecinha é maior de 18; se não fosse, seria ilegal

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Cornélia revisitada


Treze entradas a partir de http://www.blogger.com/profile/456591? Mas o que é isto?

Ah, pois. A coisa é séria. Parece que certa vizinha, aqui do blogbairro, se escamou com um dos meus inúmeros atrevimentos. Não gramou que lhe tivesse corrigido o Português, calculo. Vai daí, achou por bem alardear a sua mais fina ironia, fingindo penalizar-se pelas bacoradas cometidas (deixe lá, só duas em 14 palavras, não é grave) e revelando ainda alguma preocupação com a minha irrelevante masculinidade (eis a ironiazinha), ou lá o que ela pretendia dizer.

Mas que se há-de fazer, cara Rititi? Eu cá sou assim, um chato do piorio, uma ave de grande bico e com asas mirradas, incapaz de voar e ademais extinta. Um caso perdido, em suma. Reconheço as minhas limitações; além de voar baixinho, digamos rente ao chão, ou talvez por isso mesmo, sou absolutamente incapaz de continuar a ler seja o que for quando topo com dois pedregulhos linguísticos seguidos. Um, vá lá, é coçar e andar, mas aos dois pára. Muito me penaliza esta dificuldade, até porque essa impossibilidade técnica me inviabiliza, estou certo, muitas vezes, a possibilidade de fruir de conteúdos certamente geniais e suculentos - que estariam para além dos obstáculos, no restante arrazoado. Reconheço do mesmo modo que, de facto, não conseguir continuar a ler a partir do segundo erro na mesma frase é uma cabotinice desgraçada, já tentei por diversas vezes continuar por ali fora, e tal e tal, mas não sou capaz; é uma maçada; as topadas impedem-me de raciocinar ou de sequer apreender um módico do palavreado que se segue.

No fundo, no fundo, a intenção não é nenhuma e a motivação será até um pouco filantrópica. Quem me dera a mim houvesse uma alma caridosa que me revisse os texticulos! Não misturando alhos com bugalhos, evidentemente, que estamos aqui a falar de coisas e dimensões diferentes, em absoluto, nada de comparações parvas entre a minha verbosidade inócua - e anónima - com os seus certamente brilhantes escritos; ao que "me" consta, alguns deles até são publicados na imprensa escrita - coisa admirável, da qual nem me imagino a almejar.

E então já vê, não foi por mal; pelo contrário, nunca me passou pela cabeça que um simples reparo meu (reparo, de reparar, não do outro reparar) a fosse atazanar a si e que, por fim, fizesse saltar os seus amigos da cadeira, movidos de certamente justa indignação, desancando aqui no rapaz, dando-lhe roda de desprezível e outras coisas igualmente do coração . Que bom deve ser ter amigos assim, capazes de imediatamente sair em sua defesa, e em defesa dos seus erros ortográficos, como cavaleiros protegendo a sua dama (em sendo cavalheiros) ou como amazonas acudindo a uma camarada (em sendo damas). Ficou-me esta angustiante sensação de ter gravemente ofendido uma virgem, ou ter dado um chuto numa vaca, em plena Delhi. Ou coisa que o valha.

Deus me livre! Nã nã nã. Eu cá, nunca. Macacos me mordam se encima (forma do verbo encimar) e cocho (porco, logo cochinho é porquinho) não existem na Língua Portuguesa; existem, se-senhor! Assino por baixo, palavra de Dodo, etc.

Fará certamente o favor de, na remota hipótese de alguma vez por aqui passar e ler isto, olimpicamente ignorar ambas as coisas, isto e o resto. Aliás, nem de propósito, este blog é membro fundador do movimento Blogs Olimpicamente Ignorados (BOI), o que comprova à saciedade o preceito axiomático do nosso lema: tratamos de coisas gramaticalmente vis, mas é melhor para toda a gente que a malta ignore. Como deveria ter feito em primeiríssima mão, desculpe que lhe diga, eliminando à cabeça uma coisa sem a mínima importância.

Assim, e por causa dos comentários ao meu comentário, senti-me compelido e obrigado a responder - além de atento e venerador. Mas já passou. Cumprimentos.




imagem da vaca sagrada: http://sepiensa.org.mx/contenidos/s_vacas/vacas1.htm

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07/03/05

111.023.266.761.438.298


Cento e onze mil e vinte e três biliões, duzentos e sessenta e seis mil setecentos e sessenta e um milhões, quatrocentos e trinta e oito mil, duzentos e noventa e oito.

É o número do meu "post" anterior, na Blogger.com.

Impressionante. 111.023 biliões ("milhões de milhões"). A população mundial anda actualmente pelos 6,5 mil milhões (6.500.000.000, não são biliões, como se lê por aí).

Mesmo dando de barato, salvo seja, que há muitos erros no processo, é uma cifra esmagadora, esta dos blogs. E isto apenas na Blogger, claro; com os números dos outros "hospedeiros" de blogs, é espantoso. Confesso que tive de desmontar várias vezes o número para acreditar. Colossozito valente.

Mas enfim, a Matemática não é a minha guerra; deve ser engano meu. Cento e onze mil biliões e uns pozinhos? Pode lá ser. 266 mil milhões é trocos?

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to make a point

The Biology of Love
In this program, Desmond Morris analyzes the biological nature of love, with its attendant patterns of behaviour and signals of health and fertility that have evolved to ensure pair-bonding and genetic survival. The pre- and post-pubescent periods of sexual maturation, the stages of courtship, and the aesthetics of physical beauty are studied, along with the anatomical mechanics of sexual arousal and copulation. In addition, the stresses placed on couples by life in an urbanized, crowded world are explored.
http://www.bbcfactual.co.uk/human_animal.htm

A tese de Desmond Morris, neste particular, talvez se possa condensar numa única frase: o amor é um fenómeno biológico, implicando mecanismos mentais, que tem por objectivo assegurar o prolongamento da ligação futura entre macho e fêmea, por forma a que estes se ocupem ambos de assegurar a viabilidade da prole que irão gerar. Mais concreta e sinteticamente, o amor funciona como preventivo biológico do fenómeno de rejeição (física e mental) que inevitável, pressuposta e fatalmente ocorre numa "ligação" em que este não esteja presente, ou quando este tenha acabado por se diluir.

É, por conseguinte, um simples mecanismo de defesa e prolongamento da espécie; sem subtileza de género algum, na sua base, mas com uma imensa capa (ou camadas) de conceitos integralmente verbalizados e meramente simbólicos. Sendo que estes, integrando todo o acervo da "moral" vigente, são parte integrante do processo, e contribuem mesmo para o tornar mais subtil e, portanto, mais facilmente aceite, já que fornecem uma indispensável protecção mística ao mais básico e primitivo dos instintos, comum a qualquer outra espécie animal(*).

De facto, o fenómeno biológico "amor" funciona em três níveis, patamares ou degraus consecutivos, com outras tantas finalidades objectivas, decorrendo estas de uma só motivação (a preservação da espécie): numa primeira fase, o amor serve para aproximar o macho da fêmea e/ou vice-versa, com o objectivo imediato de propiciar a relação sexual e, consequentemente, a fecundação; na segunda fase, tão importante como a primeira, aquilo que aproximou as duas pessoas funcionará como uma espécie de cola, em sentido figurado mas também em sentido literal, por forma a que o par se não desfaça, e que sejam dois e não apenas um(a) a suportar a gravidez; a fêmea grávida necessita basicamente, hoje como sempre, na nossa como nas outras espécies(*), de auxílio (caça ou outro alimento ou dinheiro, vem a dar no mesmo) e de protecção enquanto dura a gestação; por fim, na terceira fase, aquela que se segue ao parto, é também o amor que possibilita a continuação da ligação entre os pais, não apenas com o objectivo de providenciar meios para que a criança vingue, como ainda, a posteriori, para que o par venha a gerar mais filhos.

Nesta lógica trifaseada, poder-se-ia presumir que o impulso de emparelhamento, a que geralmente se chama amor, deixaria de fazer qualquer sentido assim que a prole estivesse criada ou, em última análise, que fêmea ou macho perdessem as suas capacidades reprodutivas. Bom, realmente, salvo raríssimas e facilmente explicáveis excepções, é o que acontece por regra e por definição; uma grande parte das "separações", se não a grande maioria, ocorre "quando os filhos estão criados" ou, mais concretamente, quando a curva de fertilidade na mulher (e do homem, se bem que em perspectivas diferentes) entra em declínio. É entre os 35 e os 45 anos, nas sociedades modernas, que ocorre por regra a um ou a ambos os elementos do casal a necessidade absoluta da "separação"; de repente, o quarentão (homem ou mulher, ou ambos em sintonia) apercebe-se de que já não existe a tal "cola" no casamento e apanha em cheio com os efeitos perversos do amor, quando este se esvazia. Chamemos "desamor" a este episódio de falecimento da atracção, com tudo o que esta implicou. E, na mesma lógica verbalizante, utilizemos o verbo "desamar" para descrever o processo de destruição do amor.

Essa destruição poderá ocorrer de múltiplas formas, quase tantas como o número de seres-humanos envolvidos, mas os motivos serão sempre os mesmos. Se tomarmos como boa a teoria da mecânica do amor, quais as suas origens e quais as suas finalidades, e se, por fim, analisarmos o que acontece quando essa mecânica emperra (ou quando pára, de vez), verificaremos que existe uma relação diametral entre uma coisa e outra: por exemplo, que a violência do rompimento é directamente proporcional à intensidade que teve o encantamento; ou que a separação é tanto mais penosa quanto mais forte e (por consequência) prolongada tiver sido a ligação. Do que se poderá talvez concluir que existem, de facto, diversos graus de intensidade amorosa. Por definição, esta e aqueles variam na razão inversa das dificuldades postas ao seu desenvolvimento; ou seja, quanto mais, maiores e mais penosos os obstáculos à consumação da atracção, mais forte e duradoira ela será; e vice-versa, bem entendido.

Factores vários e premissas diversas, não tão aleatórios nem arbitrárias quanto isso, fazem variar sensivelmente esta quase equação algébrica; uns de ordem subjectiva, como o tipo de inserção social (níveis de vida, condições sócio-culturais); outros de carácter mais objectivo, ou intrínseco, sejam as determinantes físicas (saúde, idade) ou as ambientais (meio físico, recursos); outros ainda, por fim, dependentes dos dois primeiros, aos quais poderíamos chamar, por exemplo, "pessoais", e que constituem o conjunto de circunstâncias (únicas, do ponto de vista dos intervenientes) que enformam todo o processo para cada um dos elementos do par. É sobre estas últimas circunstâncias, e nunca ou muito raramente sobre as duas primeiras, que geralmente se fala quando se fala de amor.

Daí, porque "pegando" no assunto apenas por uma das pontas e não por todas elas, surge a confusão e a perplexidade: o que é o amor, afinal? Como se define? Porque amo eu aquela pessoa, que "não me convém nada" e detesto aquela outra, que "gosta tanto de mim"? "Mas o que é que tu viste nele" (ou nela)? E da confusão surgem as especulações: que deve ser "química", ou que é do cheiro, ou "dos olhos", coisas assim, terminando geralmente na muito satisfatória conclusão de que "o amor não se explica" ou em frases lapidares como "o amor é louco, não façam pouco". Na realidade, é mesmo louco, o amor, se considerarmos a loucura como a ausência ou incapacidade de pensamento coerente; não é sequer de pensamento que se trata, quando se trata de amor, e para este o pensamento é até aquilo que menos convém; por paradoxal que pareça, uma coisa exclui a outra(**).

E é também química, realmente, como tudo ou quase tudo é química; e em especial através do olfacto, sim. E tem a ver com "os olhos", pois claro (tem tudo a ver com os olhos, de resto, porque ver é a mais subjectiva e criativa das actividades humanas).

Depende da forma como interpretamos, em modulação e em frequência, a voz do outro. Coisas tão complexas como "o feitio" ou "os gostos" de cada um têm as suas formas e fórmulas de combinação. São estas formas e fórmulas de combinação, em números factoriais e em função de tempo e espaço, aquilo que, em conjunto, nos transforma em permanentes sujeito e objecto de amores e de desamores.

A própria repetição do fenómeno, a sua recorrência cíclica e o seu carácter aparentemente imprevisível mas absolutamente perene, indiciam e denunciam uma base fisiológica, sustentam uma explicação biológica e comprovam uma simples variação zoológica.


(*) - primatas e a maior parte dos mamíferos; evidentemente, não se fala aqui de peixes, répteis, etc.
(**) - diz o Povo, que raramente acerta: quem pensa, não casa; quem casa, não pensa

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05/03/05



bons tempos! Posted by Hello

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04/03/05

Pantagruel extinto I


Sopa d'unto, três tijelas*

Ingredientes (pª 4 pessoas):

1 tacho para sopa, em ferro
cerca de 1,5 l de água
1 ovo
1 cebola média
sal grosso
1 caldo de carne
200 gramas de toucinho
salsa
coentros
hortelã
cominhos
meio copo de (bom) vinho branco

Enquanto a água aquece, descascar a cebola e cortar em meias lâminas, muito finas. Quando estiver a ferver, juntar o toucinho (cortado em fatias grosseiras ou inteiro). Deixar cozer cerca de 10 m. Juntar o caldo de carne, sal e cominhos a gosto. Mais 5 minutos de cozedura. Picar grosseiramente salsa, coentros e 1 folha de hortelã, e mexer com o ovo, numa tijela. Juntar à sopa, mexendo com um garfo. Juntar o vinho. Deixar ferver mais 2 minutos. Servir em tijelas.

variantes:
- servido com pequenos cubos de pão torrado
- servido com presunto em fiapos
- com duas gemas em vez do ovo inteiro
- servido com ovo escalfado em fatia de pão torrado (em prato)
- com lastro de lentilhas, arroz, massa de letras ou "estrelinha"
- servido polvilhado com as ervas aromáticas


(se fosse em França, esta sopinha excelente seria conhecida como "Consommé Saindoux")

* - antigo dito popular

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28/02/05

ex machina

Miele, máquina de lavar roupa, lavadeira
Zanussi, máquina de lavar loiça, loiceira
chita, máquina de correr, corredora
cão, máquina de cagar, cagadeira
cadela, máquina de ladrar, ladradeira
gato, máquina de filar, filadeira
gata, máquina de parir, parideira
mulher, máquina de foder, fodilheira
homem, máquina de fingir, fingideira
esfregona, máquina de limpar o chão, limpadeira
La Cimballi, máquina de café, cafeeira
cabra, máquina de pastar, pastadora
leão, máquina de matar, matadora
Maoísta, máquina de exterminar, exterminadora
Fellini, máquina de fazer Cinema, cinemática
Guterres, máquina de arrastar, arrastadeira
Portugal, máquina de falar, cavaqueira
praia, máquina de torrar, torradeira
tempo, máquina de matar, matadeira
espaço, máquina de esquecer, matemática

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23/02/05

* PA *

Ganhámos, claro que ganhámos


Partidos Concelhos Concelhos Freguesias Freguesias Mandatos
11 308 306 4252 4250 226
Inscritos Votantes Abstenção Brancos % Nulos %
8785189 5711981 34.98% 103555 1.81% 63765 1.12%


Resultados oficiais (Hondt)
Listas Votos % Mandatos %
PS 2573302 45,05% 120 53,10%
PPD/PSD 1638940 28,69% 72 31,86%
PCP-PEV 432130 7,57% 14 6,19%
CDS-PP 414856 7,26% 12 5,31%
B.E. 364296 6,38% 8 3,54%
PCTP/MRPP 47744 0,84% 0 0,00%
PND 39986 0,70% 0 0,00%
PH 16866 0,30% 0 0,00%
PNR 9365 0,16% 0 0,00%
POUS 5572 0,10% 0 0,00%
PDA 1604 0,03% 0 0,00%
  5544661 97,07% 226 100,00%


Resultados reais (proporcional)
Listas Votos % Mandatos %
PA 3073208 34,98% 79 35,66%
PS 2573302 29,29% 66 29,86%
PPD/PSD 1638940 18,66% 42 19,02%
PCP-PEV 432130 4,92% 11 5,01%
CDS-PP 414856 4,72% 11 4,81%
B.E. 364296 4,15% 9 4,23%
PCTP/MRPP 47744 0,54% 1 0,55%
PND 39986 0,46% 1 0,46%
PH 16866 0,19% 0 0,20%
PNR 9365 0,11% 0 0,11%
POUS 5572 0,06% 0 0,06%
PDA 1604 0,02% 0 0,02%
  8617869 98,10% 222 100,00%


http://195.245.179.232/legis2005/
Fonte (dados oficiais): RTP

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Inteligência artificial



Bálhamedeus.

Ração para extermínio de pombos?

Isso é lá critério de busca, santinho!

Eu cá gosto de pombos, vou já adiantando. Pombas. Rolas. Passarada em geral. Que raio. Eu próprio sou parente dos palumbus, se bem que extinto. Os pombos são meus primos, para ser exacto. Há um pombo que é meu amigo pessoal, arrulha e rodopia desesperadamente quando me vê, deve achar que lhe faço concorrência com as pombas lá do adro da igreja, que é o território dele.

Mas cadê o quê? Qual cadê, qual carapuça. Maoísta do caraças, esse caramelo que aqui veio parar com tão asinino e assassino critério.

Ração mas é para ti, ó palerma. Tu é que merecias o extermínio, ouviste? Deixa os pombos em paz, animal!

Porra. Já não durmo hoje.

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18/02/05


Partido Abstencionista


Por mais asterisco para todos


Manifesto eleitoral

Portugueses:

No próximo dia 20, Domingo, os Portugueses vão mais uma vez ser chamados às urnas para, através do seu voto, escolherem o novo Governo. Mais do mesmo, como todos sabemos, mas, ainda assim, tratando-se de um ritual absolutamente inócuo e de resultados completamente indiferentes, seria conveniente que, a bem da Nação, o Povo português e demais pessoas conhecessem aquilo que realmente está em causa. Desta como das outras vezes, e como será em futuras ocasiões - não duvidemos - apenas o nosso Partido sairá vencedor. É esse o facto político e a única, grande, transparente verdade que todos os outros Partidos tentam escamotear.

De facto, o Partido Abstencionista (P.A.) ganhou todas as eleições desde o 25 de Abril, por larguíssima e sempre crescente margem; isto, claro, descontando a primeira ida às urnas após a abrilada, para a debutante Assembléia Constituinte, nos idos de 75; naquela altura era novidade, e por isso não houve cão nem gato que não quisesse experimentar a coisa, a ver se funcionava. Não funcionou, escusado será dizer. Durou muito pouco tempo essa bela ilusão de que a Democracia funciona e, rapidamente, o nosso glorioso P.A. se transformou no maior Partido nacional, vencedor antecipado de qualquer sufrágio, não apenas em Portugal mas, de resto, convenhamos, em qualquer país minimamente civilizado.

As propostas do P.A. não mudaram nem mudarão nunca, e por isso sabemos que venceremos de novo. Queremos o mesmo de sempre, de uma forma liminar e simples, acessível a qualquer cidadão, por mais ignorante e mal formado que seja. A linha política do P.A. resume-se ao próprio "jingle" do Partido e consubstancia-se no nosso símbolo: queremos mais asterisco para todos, eis tudo.

O que significa, desenvolvendo um pouco essa linha geral:

- mais asterisco para o Povo e para as pessoas em geral
- asterisco na estrutura do Estado, com asterisco nas relações deste com os cidadãos
- sistemas de Ensino, judicial e de saúde com asterisco e mais asteristicamente articulados
- um Executivo controlado por mecanismos de asterisco eficazes
- redução progressiva de asterisco nas camadas mais asteriscas da população, e vice-versa
- distribuição equitativa do asterisco nacional, através de um sistema mais asterisco e asterístico

Meia-dúzia de linhas orientadoras da acção política, apenas 6, por conseguinte, mas que resumem tudo aquilo a que nós, os abstencionistas, aspiramos com todo o fervor. Quando não vamos às urnas e, assim, contribuímos para tornar o Partido cada vez maior, sabemos bem ao que não vamos. O abstencionista não quer saber para nada dos problemas intestinos dos outros Partidos, e muito pouco ou nada lhe importa que grupo vai mais uma vez fingir que ganhou, ou qual o fabiano que, em concreto, ocupará o mais alto tacho da nação.

Bem sabemos, nós outros, que o lema desta campanha e de todos os candidatos - agora como antes, repetido até à náusea - é o mais evidente fartar vilanagem. As eleições são meros concursos de acesso à função pública, decorrendo ao longo de 15 dias, com uma classificação final atribuída em função do número de mentiras propaladas, do número de quilómetros percorridos, do número de beijinhos em peixeiras, em criancinhas e em "populares", além de outros números.

O verdadeiro abstencionista, militante por inerência e por condição, marimba-se altamente para a fantochada eleitoral, vai à praia, ao cinema, ao café, ou simplesmente fica em casa, de chinelas. Deixa olimpicamente correr o marfim porque, em plena consciência, sabe que já ganhou por antecipação, mesmo quando as eleições são antecipadas - como é agora o caso. Nós não queremos puxar o lustro às cadeiras e às esquinas de S. Bento. Queremos que os mais asteriscos se vão mas é catar, a problemática do asterisco não nos interessa nem isto, o que é tanto como nos importa outra problemática qualquer e que, em suma, se lixe o asterisco mai-los seus problemas.

Conhecida e reconhecida como é a nossa capacidade de desmobilização, activamente inertes como só nós sabemos ser, não fica aqui apelo algum a coisíssima nenhuma. Estamos certos, íntima e explicitamente, de que ganharemos depois de amanhã, outra vez, por cabazada, é mais certo do que dois e dois serem quatro, até chateia, e continuaremos portanto a ser o maior Partido português. Não é por isso necessário apelar a que não votem em nós, porque, evidentemente, vocês não o vão fazer.

Exacto. Obrigado.

Chacun pour soi.



Nota: onde se lê "asteris*****", leia-se aquilo que se quiser

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16/02/05

Some things never change


Sem querer estragar a tua boa disposição, nem a tua noite, nem criar-te pesadelos, lembro-te que estamos apertados, que este mês eu não recebo e não sei se receberei no próximo. Convinha tentarmos apertar o cinto, como quer o bochechas, o mais possível, sem sufocar. E tu sabes tão bem como eu que tudo é fogo, ou somos nós que ganhamos pouco. Convém esticar o pouco que existe até ao fim deste mês, o que não dá azo a grandes cavalgadas. É a crise, a culpa é da crise.
Boa noite.
Beijinhos.
A.

17 de Julho de 1982

glossário:
bochechas: Mário Soares
não sei se: não
apertar o cinto: spaghetti
fogo: caro, caríssimo
grandes cavalgadas: bitoque
crise: 1974 e seguintes


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11/02/05

Fuckin' brilliant

quote


Eu sou mestre de culinária
e sei enfeitar a travessa
vou comprar uma panela de pressão
para ver se eu cozinho mais depressa

Tendo em conta o poema apresentado e o contexto actual de perda de competências do Estado Social, disserte sobre o preço da gasolina sem chumbo 95 na Moldávia. Use cinco vezes a palavra gnomo e sete vezes e meia a palavra hipotálamo.
unquote

http://estupidologia.blogspot.com/

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05/02/05

É Carnaval, alguém leva a mal

O Carnaval é...

Foleiro, pindérico, rasca.
Barulho, confusão, desassossego.
Grosseiro, troglodita, borrachão.
Foliões, cabrões, camiões.
Carros, escarros, cortejos.
Corsos, dorsos, porcos.
Brásil, cerveja de barril, imbecil.
Multidão, maralha, ó-lé-lé ó-lá-lá.
Vomitado, suor, fedor.
Xanga-xanga, samba, tchecadum pum pum.
Gaja boa, broa, sapatão.
Ressaca, porrada, empurrão.
Confetti, travesti, patata-patati
Chinela, novela, favela.
Alegria obrigatória, parvoice compulsória, estupidez repetida e sem memória.



Nunca mais é Quarta-Feira. Há pelo menos uma pessoa que leva a mal a porcaria do Carnaval: eu.



imagem de http://www.regiao-sul.pt/carnaval/

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29/01/05

Da beleza


Diz-me porque te escondes e onde
Porque não entendo o que dizes nem quando
O que sobra da tua sombra ou como sabes
Onde me escondo e disparo sobre os teus passos.

Descobre o meu esconderijo, por favor.
Liberta este meu sentido inerte
Livra-me do mal, ou não, que disparate!
Quando souber o que dizer, exactamente,
Hás-de saber que preciso de ti
Mais do que nunca, perdidamente.

E é isso que faz tanto sentido como alinhavar
Palavras ou linhas com linha fina
O mesmo sentido do absurdo
E a mesma lengalenga elegante
Vazia, tão vazia como o meu reflexo
Neste estúpido espelho onde te vejo.

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13/01/05

Dust to dust


Essa excelente série americana, que nem sei se ainda dura, ensina mais do que dezenas de livros, como diria Mogais Sagmento, em um milésimo do tempo necessário para os ler. Espécie de paradigma do conhecimento, os episódios de Six Feet Under são conhecidos em Portugal, por uma esmagadora minoria (1), pelo título traduzido e adaptado "sete palmos de terra" (deliciosa e subliminar expressão, com seu toque de vernáculo, como convém).
Ora, esta coisa é vagamente intrigante. Seis pés, se bem me lembro e fazendo contas de cabeça, o que, é sabido, não é o meu forte, são cerca de - ou mais de - 180 cm. Os sete palmos portugueses devem rondar, no máximo, a 20 ou 25 cm o palmo, qualquer coisa como 130, 140 centímetros, no máximo. Há-de haver aqui alguma subtileza - cultural e escatológica: os americanos enterram os seus mortos mais fundo do que a gente. Caneco. Bálhamedeus. Porque será?
Num dia, anda a gente gozando de excelente saúde, tostando ao nosso belo sol, curtindo nossas prerrogativas (as quais consistem, em resumo, em não fazer porra nenhuma), e no dia seguinte a coisa acaba-se, pronto, já está, morto e enterrado, finito. Chapeau, como diria Lobo Antunes. Mais perto, ligeiramente, da superfície, do que aquilo que acontece com os americanos, mas ainda assim enterradíssimos, sem apelo nem agravo. A mesma merda, com umas polegadas de diferença.
Pronto. Já está, repito. Num caso e noutro, mais pázada menos pázada, mais centímetro menos centímetro, ou mais pé menos pé, enfim, mais coisa menos coisa, o resultado é o mesmo. Processo limpo, ancestral, higiénico, expedito, a morte. Por regra e por definição, caberá a alguém, pobre vítima acidental, a estopada de distribuir e de despachar os pertences, as tralhas, as recordações e as marcas pessoais de cada falecido, de cada um de nós, a nossa herança e o nosso legado - coisa para uma semanita de trabalho que caberá à infortunada pessoa.
A coisa propriamente dita, as exéquias, ou funeral, ou que se lhe quiser chamar, processa-se em dez minutos, não mais: depois da missinha da praxe ("por alma"), se for o caso, ou com qualquer outro nome de ofício religioso, há um cortejo em marcha lenta, depois um buraco na terra, uns quantos profissionais de pá na mão e ar circunspecto; um padre, ou coisa que o valha, debita umas palavrinhas por desfastio e por fé; o esquife é descido; tchof, tchof, tchof, a terra chove sobre o caixão. Acabou. É assim, como agora se diz até à náusea.
Talvez o mais surpreendente ensinamento desta série seja (ou foi) o detalhe mórbido daquilo que se faz com os cadáveres, industrialmente falando, nas horas que antecedem a cerimónia de despedida. Eu cá não fazia a mais pequena ideia de que é necessário vedar todos os orifícios de um ser-humano, antes de o despachar. Boca, ouvidos, nariz e ânus são devidamente obliterados, tapados, com uma substância apropriada (silicone?, betume?, argila?), não vá suceder que aquela massa inerte desate a gotejar ou a largar fluidos inconvenientemente.
Nos hospitais, quando alguém por acaso se apaga, o pessoal de enfermagem prepara o ex-doente que acaba de se finar, começando por facilitar o trabalho ao colega seguinte - o gato-pingado, e a este processo se chama na gíria "fazer a múmia". Genial expressão. Múmia. Fazer a múmia. Cirúrgica, judiciosa, preciosa expressão. Dali, do hospital, o cadáver passa, em princípio (se não houver necessidade de autópsia), para a agência funerária, onde são feitas as tais preparação e alindamento; passa de múmia a falecido, ou seja, de matéria inerte semi-preparada e processada a produto acabado para as cerimónias fúnebres. Suave transição, excelente sequência.
Nos preparos finais, nas mãos dos competentes manufactores de defuntos, o cadáver será transformado em algo de muito apresentável; ficará composto, arranjado, aprumado. Muito provavelmente, nas mãos de profissionais tão expeditos, ficará muito mais apresentável, escanhoado, bonito, do que alguma vez terá sido em vida. É um serviço que se recomenda. Excelente. Aquilo dos orifícios naturais obliterados é um extra mas é também um "must"; é possí­vel que ao morto seja adicionado um sorriso na boca, ou apenso um crucifixo nas mãos; pode até ser que lhe ponham as maçãs-do-rosto mais rosadas, ou que lhe dêem sombra nos olhos, entre outros truques. No fundo, morrer é um último acto de alguma peça para a qual toda a gente é convidada menos o protagonista.
Não se pode morrer, como se sabe, caso não se esteja absolutamente impecável. Trata-se da nossa única propriedade horizontal. É conveniente não incomodar os que se seguem, em especial se os crepes e os salgadinhos servidos durante a cerimónia não forem grande coisa.
Cremação. Urna fechada. Eis o meu testamento em três palavras.
E deixem os meus buracos em paz, se faz o favor.


(1) expressão idiomática original, criada aqui, copiada no jingle da Sagres Preta e referida também aqui anteriormente - algures

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31/12/04

keywords: Eu Pedra Amar

subsídios para um títalo

Eu hei-de amar uma pedra de haxe

Eu hei-de amar a Pedra, macacos me mordam

Eu hei-de amar uma perda

Eu hei-de mamar numa pedra

Eu ia fazer não sei o quê a uma coisa qualquer, mas agora não me lembro, porque estou com uma ganda pedra

Eu hei-de amar uma boa merda

Eu hei-de amar uma pedra. Heureka. Urra. Publique-se.

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20/12/04

10
1. B
2. A
3. C
4. E
5. E
6. C
7. A
8. C
9. E
10. D
11. C
12. C
13. B
14. E
15. A
8
16. B
17. A
18. B
19. B
20. B
21. D
22. C
23. D
24. B
25. E

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Dicionário alternativo


Diamante
Cognome de Lady Di (alcunha, entre a família Real inglesa).

Antipatia
Contra-comunicação mental, por oposição a telepatia; vulgo Macário Correia.

Sintoma
Quando alguém pergunta se deve tomar a porcaria de um medicamento qualquer, a resposta é sempre a mesma:
_ Sim. Toma.

Acasalamento
O que diz qualquer imbecil quando sabe que ardeu a casa de alguém:
_ A casa? Lamento.

Clarividente
Resposta típica de jornalista quando é entrevistado:
_ Claro. Evidente.

Catástrofes
O que faz qualquer poeta da treta: cata estrofes.

Esmalte
O que diz o apreciador ao seu copo de Chivas:
_ És malte.

Inspira
O que diz Res, ao seu irmão Ins, quando aparece a bófia:
_ Ins: pira.

Paparoca
O que diz o pai Fuso, à refeição, a sua filhinha Roca:
_ Papa, Roca.

Papagaio
O que se diz em Gaia a um miúdo que não quer comer:
_ Papa, gaio.

Silencioso
O que pretende qualquer pessoa com um mínimo de gosto:
_ Silêncio, só.

Transacção
O que se pergunta no Brasil a qualquer Conceição:
_ Transa, São?

Picada
Os valores 3,14 e uns pozinhos, em qualquer equação.

Rotular
A casa onde vive qualquer roto.

Sopa
O que responde qualquer lisboeta quando lhe perguntam se é democrata:
_ Sou, pá.

Morena
O que diz qualquer lisboeta para o(a) namorado(a), durante uma visita à Joviflor:
_ Mor, ena!

Mormente
O que diz qualquer lisboeta para o(a) namorado(a), durante uma visita à sogra:
_ Mor, mente!

Pomada
O que diz qualquer brasileiro a sua mulher Mada:
_ Pô, Mada.

Salsa
O que diz certo comensal ao seu amigo Sá.

Semear
Como qualquer português deve pagar os impostos: sem miar.

Cereal
Diz-se de qualquer elemento da Casa de Bragança (com sotaque de Setúbal).

Compassiva
Diz-se dos verbos que se não conjugam de forma activa.

Descobridor
Aquele que chegou à sua décima "conquista".

Diligente
A população da capital timorense.

Dimanante
A palavra "diamante", mas mal escrito.

Expedição
O que se pedia mas já não se pede.

Harmónica
O que diz qualquer namorado à sua fogosa namorada Mónica:
_ Ar, Mónica!

Homofonia
Aparelhagem só para bichas.

Homografia
Maneira de escrever ou efeminada ou de "sapatão", conforme os casos.

Antepassado
Acto ou efeito presente.

Mariquice
Beijo de Maria, em Inglês.



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13/12/04

Começar de Novo

(Ivan Lins)

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado ter me debatido
Ter me machucado ter sobrevivido
Ter virado a mesa ter me conhecido
Ter virado o barco ter me socorrido
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma sem tua moldura
Sem tuas escoras sem o teu domínio
Sem tuas esporas sem o teu fascínio
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo



http://www.navarro.mus.br/letras/letras.php3?Comecar%20de%20novo.txt

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09/12/04

Afinal, o homem até tem piada

(...)
O pai olha para mim, e, apesar do meu ar perplexo, vejo que acaba por concordar com o energúmeno: claro, é preciso perceber isso, os miúdos diante do computador dizem sempre um caralho de vez em quando, pá, isto é assim mesmo, não tem mal nenhum, foda-se. Sinto-me um reaccionário num cybercafé de bairro de classe média. A classe da classe média já mudou, foda-se. Melhor, a tolerância e a pedagogia foderam-na. Estamos fodidos. Desculpem lá.

Aviz

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