Odi profanum vulgus et arceo

10/04/05


Entertenham-se


Digo eu, de acordo com o que eles propalam. Este novo "serviço" tem um porradal de categorias de "entertenimento" (deve ser o "tenimento" que se tem depois de carregar na tecla "enter"). Portantosmente, entertenham-se com este gozo pegado que apresenta a espantosa cifra de 3 blogs (por extenso: três) listados em 26 categorias. Eles bem avisam de que se trata de uma versão "beta" (acredito perfeitamente, é mesmo beta), mas tive de ver para crer.

Comprimentos. Saodassões. Vem bindos ao blogrebairo.

----- Original Message -----

Sent: Monday, April 11, 2005 9:12 AM
Subject: blog.com.pt

Caro amigo,

Vi o post que escreveu sobre o blog.com.pt no seu blog, e passo a informar que o erro que detectou nas categorias foi corrigido.

Por outro lado, relativamente ao nº de blogs existentes no site, este é efectivamente baixo já que o site foi lançado ontem por volta das 19h, e não é intenção nossa registar blogs sem o consentimento dos seus autores. A filosofia desta comunidade é que os bloggers registem os seus blogs por vontade própria, e se quiserem estar presentes na comunidade.

Passo desde já a convidá-lo a registar o seu blog.

Atentamente, e obrigado
pelo "aviso" sobre o erro gramatical,


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Sixteen more to go. Baril


You Will Die at Age 61

61

You're pretty average when it comes to how you live...

And how you'll die as well.


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08/04/05

Oiçam: esta mulher sabe escrever

Algures, alguém não os amou o suficiente. Algures, é pelo calor do meu peito vazio que esperam. Algures, fará sentido - no seu mais amplo significado, fará sentido - caminhar entre os vivos. Deixar sementes.

Azimutes

Um dia, deixará de conhecer aqueles que, intelectualmente mal vestidos, são hoje os seus amigos. É este o processo natural das coisas.



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07/04/05

CMF


ihihihihihihih

atordoadas

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Petição sharép


Os abaixo assinados, cidadãos portugueses perfeitamente identificados e cumpridores, vêm, para além do mais na sua qualidade de bloggers veteranos, lançar a petição que se segue:

PAREM COM O BASQUEIRO NOS BLOGS, PORRA!!!!

Ou seja, em concreto, solicita-se aos caros vizinhos do blogbairro que façam a fineza de desligar a porcaria das musiquinhas da treta, essa praga de MP3 em "autorun", ou lá o que é, nas suas paginazitas. Chiça, pessoal. Um gajo abre-vos o endereço, salvo seja, e tem de levar - quer queira quer não - com o cagaçal que vos apeteceu lá pôr! Por alminha de quem? Ó que chatice, apaguem lá a tchanga-tchanga automática, fáxavor, pela vossa rica saudinha.

Blog é coisa de sossego, de entrar e dar uma vista de olhos, não de levar com tremendo cagaçal pelas trombas, à má-fila, à traição. Está-se mesmo a ver, entra pelos olhos dentro, que a coisa, blog ou página web, não é para entrar pelos ouvidos. Mas o que diabo é isso do audioblog? Hem, ó melómanos das horas vagas, o que vos leva a pensar que alguém é obrigado a gostar das vossas musiquinhas? Pensareis talvez, nalgum recôndito entrefolho do cérebro, que alguém vai achar "munta gira" a vossa musiquinha compulsiva? Pensasteis que estáveis abrilhantando vosso bloguinho com o trolaró? Pous, mui más notícias vos trago sobre isso: não deve haver um único palerma que aprecie tais cagadelas sonoras; blog com musiquinha é igual a tchauzinho prestes, imediato; mais: qualquer blog com som entra imediatamente para a lista negra mental, ou seja, a este, este e este, por exemplo(*), nunca mais volto. Quem vos disse que é giro ter MP3 no blog? Ganda mentiroso. E se, por acaso, foram vocês mesmos quem espremeu tal coisa das meninges, bem, amiguinhos, gandas tótós, esqueçam, para a próxima experimentem o vosso estado normal; quem vos mandou estarem agora a pensar.

Devia ser proibido, é o que é. Deveria ser obrigatório não ter música no blog. Por acaso a Lili Caneças é obrigada a ter um colete reflector para chamar o reboque? Então, ora aí está: não tem nada a ver, mas é rigorosamente o mesmo.

Pronto. A presente petição até não é lá muito agressiva, nem insultuosa, e tivemos o cuidado de a redigir - após aturada análise estilística - em linguagem acessível, facilmente assimilável; qualquer grunho compreende o que se pretende, esperamos, sem grande esforço.

Ócápa? Apaguem lá isso. "É" essas coisinhas que dizem "embed src=", ou coisa que o valha.

Então vá.


Assinaturas
Dodo
001
Godot
(a rogo, por não saber assinar)


Adenda à petição
Para o pessoal mais irritadiço, aí vai uma "dica": existem umas pecinhas (pechinchas), que são as "fichas-t" para áudio (custam uns 200 paus, 1 euro); mete-se aquilo na saída dos auscultadores, em portátil ou PC, e acabou-se: nunca mais se ouve porra nenhuma. Sharép absoluto. Hmmm? Quem é amigo, quem é?

(*) os casos de barulhite aguda são aos pontapés, em sentido literal: lá vai mais um, e vão dois, e três (por exemplo, outra vez). Um dia destes, lá terei que dar na touca dos jeitosos que acham normal ter 250 imagens numa simples páginazeca (ou 150, ou 50, ou 5). It's a promise. Sejamos pedagógicos à brava.

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30/03/05

Ganda murcon


O Murcon agora tem contador de visitas. Pimba. Cai lá tudo: http://www.sitemeter.com/default.asp?action=stats&site=sm8JMachadoV&report=0.

Escutam-se os arrulhos nas imediações, mesmo do lado de fora da porta ou ao fundo da rua, vai por ali um coro de miadelas e ganidos, uma coisa de partir o coração. O blogbairro tem agora ao dispor seu psi, grátis e online, um sexólogo Moviflor, na cirúrgica, excelente, brilhante expressão da nossa vizinha Zazie.

Confesso que gostaria imenso de ter um dedo dos dois que o homem tem de testa mas, principalmente, não se me dava nada de conseguir ter apenas 10% daquela pinta de gajo porreiro. Só uma comissãozinha de porreirismo, e estaria eu muito bem na existência em geral, e de bem com a vida, em particular. A nosso JMV não faria a mais pequena diferença, porque iria conservar os restantes nove décimos de tipo baril, o que é barilismo até dizer chega. Não é o mesmo que doar um rim, e acarreta muito menos chatices do que doar sangue ou medula óssea. Bastaria, como método de transfusão, que o senhor me explicasse como diabo consegue ser tão irritantemente consensual, tão simpático e compostinho; como consegue passar toda a sua santa vida sem que nunca lhe aconteça a mínima merda; como consegue que nunca ninguém o insulte, ou sequer embirre consigo; morro de curiosidade de saber qual é a marca da laca mental que utiliza no quotidiano, que lhe dá esse aspecto sempre limpo e asseado, acima de qualquer suspeita ou simples inconveniente.

Ao fim e ao cabo, acho tremendamente egoista que alguém - tendo descoberto o segredo da existência - não partilhe os seus conhecimentos com os demais. Einstein, que também era considerado um pouco burro, nos tempos de escola, doou ao resto da humanidade aquilo que sabia sobre a relatividade. Que diabo, até o próprio Cavaco Silva faz questão de, quando em vez, destapar algumas das coisas que pensa sobre o futuro de Portugal, por exemplo. Não é normal que a um gajo apenas aconteçam coisas fixes, que ande sempre satisfeitinho da vida, que nunca tenha nem partido uma perna, nem sido encornado, não tenha nunca amaldiçoado a vida, a porca da política, ou, ao menos, a vaca da sogra, a porra do fecho que não abre, o sacana do puto que não se cala, o cabrão que acabou de ultrapassar pela direita.

É extremamente raro que a um ser-humano absolutamente nada incomode; quer-me parecer que este Vaz é bem capaz de ser exemplar único, o verdadeiro campeão da bonomia, bonacheirão dos quatro canais generalistas. Se um fulaninho qualquer, assim como eu, diz ou escreve coisas tão simples e vulgares como "caralho", e "cona", e "foda-se", não apenas é olimpicamente ignorado pela maioria como - esparsa e monotonamente - lhe desaba na cabeça um coro de protestos de cariz WASP, de porco, suíno e badalhoco para cima; JMV pronuncia rigorosamente as mesmas coisas e imediatamente um coro de aplausos se levanta, e ah, e oh, que admirável loquacidade, eis a verdade, meus amigos, caralho passa a ser fino, cona fina também, foda-se elegante - e tudo sem aspas, agora elevadas essas palavras à categoria de termo técnico, de análise profunda, já que foram pronunciados pelo eminente sexólogo, psicólogo, professor e doutor e tudo. O que o vulgo diz, assim como eu digo, é vulgaridade; o que aquela carola diz, mesmo sendo parecidíssimo, ou rigorosamente igual, é excelência, é sumidade, é alguma porra que a mim me escapa, e acabou-se.

Se isto não é inveja, não sei o que seja. Mas lá que parece, parece; tresanda. Mas enfim, existe uma atenuante fundamental para tão incómoda sensação: é que muita coisa se perde, muita coisa não se cria, muita coisa não se transforma, quando alguém faz caixinha. Se JMV tem os planos da pólvora para acabar com as guerras, as pessoais e as nacionais, se sabe como resolver todos os problemas da humanidade, o que é atestado pelo facto de ele próprio nunca ter tido nem uma nem outros, então, que diabo, explique lá isso à malta. Como se faz essa coisa de "ser feliz"? O que é necessário para estar sempre tudo jóa, nos trinques, entre todos? Afinal, qual é o segredo da existência? Para onde vamos? O que fazemos aqui?

Etc. Chateia-me, em resumo, que tão ilustre personagem faça como o cozinheiro sueco dos marretas. Fala bem ("rum, madum-madum, tuichcadum, tura tadum tachadum, muc muc muc"), mas nunca diz afinal qual é a receita para cozinhar uma galinha inteira, crua e de plástico.

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29/03/05

GGrungy
OOverwhelming
DDelightful
OOrganic
TTough

Name / Username:


Name Acronym Generator
From Go-Quiz.com


--Dopeler effect (n): The tendency of stupid ideas to seem smarter when they come at you rapidly.

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26/03/05

As gordas


Ler as gordas é uma expressão idiomática do Português, absolutamente intraduzível, como tantas outras. Contrariando as aparências linguísticas, não se trata exactamente de tentar decifrar o significado intrínseco do conjunto de mulheres "cheiinhas" que por aí andam rebolando as carnes; ler as gordas não tem nada a ver com interpretação de dizeres em "t-shirts" envergadas por senhoras de porte avantajado; qualquer engatatão que saiba de ginjeira aquilo que as gordas pretendem não é grande coisa, ainda assim, no que diz respeito a ler as gordas.

Enfim, não prolonguemos desnecessariamente o suspense tergiversado. Ler as gordas aplica-se a toda a imprensa escrita (jornais, revistas e blogs) e ao público leitor em geral, a imensa maioria, que apenas passa os olhos pelos títulos e espreita de relance fotografias e outros materiais de mais fácil e rápida consulta. Diz-se "empresta-me aí isso, só para ler as gordas" ou "vou só à net ler as gordas", e nisso consiste o grosso da coluna informativa actual.

De acordo, aliás, com a velocidade normal da vida moderna; não são apenas as deslocações e as comunicações que atingiram velocidades alucinantes; outro tanto sucedeu, e na mesma proporção, com a informação - em sentido lato, e englobando esta qualquer produção escrita, da simples notícia "local" à peça literária mais profunda. No conjunto da informação escrita, o processo é horizontal e absolutamente cego, espécie de rolo compressor que amassa e repassa tudo por igual. Velocidade implica pressa, em progressão geométrica, por um lado, e quantidade implica - por paradoxo - não diversidade mas uniformidade; exemplo deste axioma, aplicado às leituras, é o fenómeno da "condensação" literária, ou seja, a técnica iniciada pela americana "Reader's Digest", que se dedica a "condensar" e a "resumir" livros inteiros em poucas páginas ou em apenas alguns parágrafos; isto permite que, por exemplo, qualquer absoluto burgesso possa citar Heidegger, ou Kant, ou mesmo S. Tomás de Aquino, e brilhar em qualquer tertúlia de café sem nunca ter lido uma única das obras que cita. É a cultura de algibeira em toda a sua pujança. O mais conhecido caso mediático desta espécie de vórtice referencial (e reverencial), de voragem livresca e de terraplanagem cultural, é o conhecidíssimo Doutor Cantigas (Marcelo Rebelo de Sousa), recordista europeu e mundial de leituras pela rama. Com exemplos destes, com gente capaz de ler cinco romances e três ensaios por dia, mais quatro enciclopédias e duas ou três colectâneas de poesia em cada noite, é natural que o chamado "homem da rua" se considere, cada vez mais e com toda a propriedade, pessoa de ler e saber, gente de algo na cabeça, pois que até leu a capa do "Código" (Da Vinci), a contracapa do David Crockett (a porcaria do Sousa Tavares filho, não a obra de Abbot), mais as críticas literárias do Expresso, todos os sábados, e ainda uns quantos resumos nas "Selecções", nada mais, ora toma.

Em tempos, conheci o maior vendedor de uma coisa que se chamava "Amigos do Livro" (*), verdadeiro ícone da cultura a metro, pessoa de fino trato e truques excelentes. Tinha por método a maior lábia que imaginar se possa, e por instrumento de trabalho uma corda; uma simples corda, além de gravata, fatinho e muito, muito paleio. Todas as zonas rurais em volta de Lisboa, e mesmo no "Portugal profundo" (Alguidares de Cima e ainda mais longe), eram a sua zona de caça exclusiva; especializou-se em pastores, se bem que não desprezasse qualquer jornaleira desgarrada, por detrás de montes e vales. Lá ia ele, com a sua corda, e conseguia convencer os inocentes de que uma colecçãozinha "é que ficava a matar ali naquela parede". Dava um nó na ponta da corda.

_ Olhe, segure aqui nesta ponta.

Esticava a corda até ao canto oposto. Dava outro nó na medida.

_ Pronto, amigo. Daqui a uns dias já cá tem os livros. A estante ofereço-lhe eu.

Infalível. A gente babava-se com as comissões que o fulano recebia. E ele ria-se das nossas batidas em bairros periféricos, durante as quais tentávamos convencer os moradores (geralmente, através de ralos ou de portas fechadas) das virtualidades artísticas e da enorme categoria das nossas colecções de grandes "clássicos".

_ Camaradinhas, dizia ele, o que interessa nos livros não é o que lá está dentro; é a lombada. Eu vendo livros a quem não sabe ler nem escrever, como objecto de decoração.

Esta figura e este episódio ilustram algo que está para além de simplesmente ler as gordas, mas o espírito é rigorosamente o mesmo. Mudaram os tempos e os meios, mas a lógica é idêntica. O que interessa continua a ser a lombada, o título e o autor. La Palisse nunca escreveu uma única palavra e toda a gente continua a citar argumentos "lapalissianos", apenas para dar um exemplo. A citação é hoje a mais letal das armas de arremesso intelectual; cita-se para esmagar "adversários", correligionários, amigos e "inimigos"; a "pinta" (literária, cultural, ou apenas pinta) mede-se pela quantidade de referências, pelo número de citações, pela opacidade e pela concentração de autores muito "lá de casa". Quanto mais esotérico o arrazoado citacional, mais escorado está o escrevinhador, a salvo de qualquer objecção - porque, se ele mesmo não leu nunca aquilo de que fala, quem se atrever a criticar vai ter de provar que ele não leu ou, pior ainda, vai ter de ler (ele próprio e não outro) aquela merda toda, que bem se lixa.

Flagrante demonstração desta nova (e também velha) e triste realidade é o que se passa por aqui, no blogbairro. Toda a gente lê "as gordas" e apenas estas. Aqui, lê-se as gordas à força toda. A pressa em ler é directamente proporcional à quantidade de leitura disponível, e isso verifica-se cada vez mais nos blogs. Todos os dias surgem e desaparecem dezenas de endereços. Nenhum de nós é o Marcelo, temos o péssimo hábito de dormir, de vez em quando, ou de comer, por exemplo, e uma ínfima minoria vai fazendo alguma coisinha pela vida. Ninguém tem tempo para ler tudo, quanto mais muito, quanto mais bem. No máximo, procura-se algo que nos diga respeito, ligações aos nossos próprios escritos. Citações, comentários, respostas a comentários. Procuram-se reflexos.

Esperamos que o lago nos devolva uma imagem perfeita de nós mesmos. Afinal, nós é que somos as gordas.





(*) Sim, já vendi livros de porta a porta, cheguei a ser corrido por um talhante de machadinha em punho; suponho até que este episódio e aquela actividade me confiram a qualidade de mártir da literatura ou de herói das lides culturais. Pelo menos.

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24/03/05

Consultório sentimental (1)


A nossa leitora Tina X (pseudónimo, certamente) coloca-nos uma questão muito sensível:


"... o meu marido, que insiste em que pratiquemos sexo anal. Por mais que eu me negue, ele teima, teima, e teima outra vez. Diz que tem todo o direito, que é perfeitamente normal, mas eu acho que é uma aberração, não é natural, e, enfim, não me fui casar para agora me pôr a fazer coisas que me parecem nojentas e contranatura. O problema é que ele fica muito mal disposto com a minha recusa, já nos zangámos uma série de vezes por causa disso e, sinceramente, não sei o que fazer ou dizer mais para evitar. Como hei-de convencê-lo de que não me agrada nada aquele tipo de porcarias? Eu gosto muito dele, mas este pormenor, para minha grande surpresa, parece estar a estragar as coisas. É desagradável, eu bem vejo como ele fica aborrecido, mas também, que diabo, não estarei eu no meu direito de me negar a fazer coisas que vão contra a minha consciência? E, de resto, fico na dúvida: esta obsessão do meu marido não será indício de alguma tendência homossexual?"
(...)


Ora, minha cara amiga, então temos o seguinte. O sexo anal é uma variante ancestral e até, de certa forma, consensual, em termos de relações conjugais. Na nossa opinião, se é essa a vontade do seu marido, a caríssima Tina não terá muito como se furtar ao seu dever. É dos livros, e do mais elementar senso comum, que uma esposa cumpra os desejos de seu marido e, por maioria de razões, em se tratando estes de coisas relacionadas com a alcova, como se dizia antigamente, ou com cama, como se diz mais pressurosamente hoje.

Talvez seja surpreendente para si, a julgar pela perplexidade que manifesta, mas as relações anais são perfeitamente normais entre homem e mulher, e de mais a mais entre casais, desde o princípio dos tempos. Existe um tremendo e extenso acervo testemunhal, talvez não muito evidente mas extremamente perceptível nas entrelinhas, não apenas a nível de tradição oral (sem quaisquer conotações ou jogos de palavras) mas também na própria literatura universal, clássica e não clássica. Toda a gente sabe que Júlio César, por exemplo, não era apenas por causa do nariz que adorava Cleópatra, nas remotas eras dos Impérios romano e egípcio. Mais recentemente, e apenas para citar outro caso histórico, não é difícil adivinhar aquilo que prendeu a atenção de Adolf Hitler em relação a Eva Braun; todo o estado-maior do Führer sabia perfeitamente que a mulher era um bocado para o coiro, mas lá que tinha um belo cu, ai isso tinha, o velho Adolfo era viciado naquilo e por isso casou com o estafermo em tão difíceis circunstâncias. Já vê, ali com um séquito enorme à mão, a começar pela espantosa Leni Riefenstahl, e o gajo logo foi embeiçar-se pela Eva. E porquê? Ora, o cu, o cu da Eva, pois então o que haveria de ser?

Acredite, cara amiga. A coisa é vulgaríssima, trivialíssima: não há gajo nenhum que nunca tenha desejado a peidola da legítima. Essa é que é essa. Que ponha o dedo no ar o primeiro panhonha que nunca ao menos passou a mão num belo cu de mulher. E depois, compreende, no casamento então a coisa ainda é mais premente, por assim dizer; é a velha história do bacalhau com batatas e das batatas com bacalhau, dia sim dia sim, ao menos enquanto a coisa dura e há batatas e bacalhau num casamento. O casamento, como a Tina já saberá por experiência própria, é a morte do desejo, no fim, é o amolecimento da tesão, no meio, e um tremendo pontapé nas partes pudendas, logo ao princípio.

Portanto, é natural, é normal, deveria mesmo ser obrigatório, que homem e mulher procurem variantes que permitam prolongar, o mais possível, um mínimo de paixão, um módico de prazer, um método qualquer de prorrogação do respectivo prazo de validade: é legítimo, e uma tremenda sorte, que o esposo tente o cu da esposa antes de se dedicar em exclusivo ao putedo, o que fatalmente ocorrerá, mais tarde ou mais cedo; como é legítimo e normal que a esposa se especialize em masturbação, antes de arranjar o primeiro amante, idem aspas. Coisas como alugar filmes porno, ou assinar o canal 18, por exemplo, podem ser uma ajudinha, mas só nos primeiros meses do primeiro ano; depois disso, há que puxar pela imaginação, cada vez mais e mais desesperadamente, até chegar à badalhoquice total - o verdadeiro nirvana do casamento indissolúvel ou com um mínimo de viabilidade. Sexo "limpo", nesta acepção, não faz qualquer sentido. E isto, a variante conjugal da enrabadela, não tendo qualquer importância, não tem absolutamente nada a ver com problemas de "consciência"; se tivesse, não poderia existir nenhuma actividade sexual, pura e simplesmente, porque é tudo uma questão de grau e uns três ou quatro centímetros de diferença, quando muito.

Não tem portanto com que se preocupar, Tina. Nem com o facto de o seu marido querer explorar todos os orifícios e todas as possibilidades que a Tina lhe pode oferecer nem com a possibilidade de esse apetite poder ter alguma coisa a ver com paneleirices. Não é o buraco onde o seu marido quer acertar, exclusivamente, o que está em causa. Ou é? Bom, sobre isso apenas a própria Tina se poderá pronunciar! Mas note que, por exclusão de partes, se ao gajo que vai ao cu tanto se lhe desse que fosse o de mulher ou o de homem, estávamos todos bem fodidos e não era possível andar na rua em paz e sossego. Foda-se! Com tanto paneleiro que para aí anda, um gajo ainda tinha que levar com as pichas assediantes dos hetero? Esta merda ainda não é a da Joana. Gajo que é gajo gosta de comer sua peidinha, mas de gaja! Faz o favor! Redondinha, e tal, bem cheirosa e sem pelos. E, principalmente, uma peida tipo ilha, rodeada de mamas e de curvas por todos os lados. Um cu perfeitamente coerente, num corpo bonito, mulher dos pés à cabeça. Cu de mulher é cu de mulher, não é um cu qualquer. Paneleiro tem cu, mas não é mulher. Que se foda o paneleiro. Não tem nada a ver.

Já agora, ó Tina, ora porra, isto tem de ser dito. Não a conhecendo de lado nenhum, deixe-me que lhe diga que o seu marido até deve ser tipo de bom gosto. Hem? Você deve ter um cuzinho mimoso, ora não?

Mande sempre.

D



(*) - redacção ligeiramente corrigida, para efeitos de legibilidade

consultório sentimental (2)

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22/03/05

chefinho, você escreve pra caralho

Já tinha dito, mas repito: o Dragoscópio é o melhor blog português de todos os tempos. E não vale estar agora com merdas relativistas, do género "todos os tempos, para um blog, é pouco tempo". Não interessa. O caramelo sabe escrever, prontosmente. Aquilo é abrir o blog dele e escolher o "post" ao acaso, tanto dá. Qualquer daquelas porras está excelente. Texto escorreito. Português correcto. Legível até à quinta casa. Irra. Mais um bocadinho e era enervante.

Supimpa. Sem menosprezo pelo adjectivo morcão. Não é possível que o "Dragão" não seja primo, ou tio, ou sobrinho do... enfim, algo terá a ver com o mestre José Vilhena; não me admirava nada que fosse o próprio. Tem laivos do "misterioso" autor que, em bons e pretéritos tempos, escreveu o saudoso "pipi". Aquilo é que era, caralhada fina, elegante, apesar da tendência para o deboche em exagero, meio industrializado. Se não é o mesmo, o estilo é: límpido, sem caganças, transparente.

Anda tudo de calças na mão, ó tio - ó tio, bálhamedeus, ele é o Pacheco e mai-lo Aviz, e outras figurinhas da corda(*), ou o raio. Uns merdas, por atacado. Não comparemos caganitas com nêsperas. Nosso dragoscópio é, de facto, o maior.

Assevero ter reflectido maduramente, e ter adiado indefinidamente esta diatribe ao contrário, antes de propalar com tal descaramento a minha admiração por tão ilustre vizinho. Estas coisas, em Portugal, até pela raridade, podem ser e são geralmente levadas à conta de bajulação(**), ou mariquice(***), ou coisa que o valha. O que está a dar é amesquinhar. Elogiar é, por definição, nos tempos que correm, algo de suspeito e - por conseguinte - negativo. Quero bem que isso se foda. No blog Dragoscópio há o que de melhor existe em todos os meios de comunicação social portugueses. Na minha opinião, claro, sendo que esta vale tanto como qualquer outra.

Desculpe lá isto, ó Dragão. É que estou também um bocado farto de ler coisas vampirescas, por esse blogbairro fora. Uma coisa é desancar (em) medíocres, seja a bomboca seja o brupto, outra bem diferente é destilar fel e ter o fígado transmutado em depurador de frustrações.

Mas também a coisa vale o que vale, ou seja nada, pode você ficar à vontade: ninguém vai ler isto. Sossegue, portanto.

De facto, dar com a democratabilíssima cadeira nos cornos do respectivo deputado é um desejo comum à generalidade dos cidadãos minimamente esclarecidos.

ihihihihihihi (este homem mata-me)




(*) sem ofensa para o FJV, que não faz mal a uma mosca
(**) cf. comentários no Murcon, por exemplo
(***) bué, por aí, basta ligar o paneleirómetro (F13)

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Helena

Não. Porque perguntas isso?
Bem sabes tu a resposta, porque perguntas?
Não. Não te amo.
Sabes perfeitamente que não te amo.
Detesto essa coisa do amor, sabes perfeitamente.
O meu mundo resume-se a este enxame de alforrecas,
cada uma com a sua cruz às costas
e eu a vê-las passar, indiferentes e esponjosas.
Lembro-me sempre de ti a desfilar, nessa passerelle,
a tua vida enxuta de quaisquer dúvidas,
irreal, sem nenhum termo de comparação,
de analogia ou semelhança, essa tua crueldade racional,
os teus argumentos indestrutíveis, a tua lingerie sólida
sempre buscando justificações para o inexplicável,
sempre fria e crua, um sashimi de razão.
E torturas-me com essas perguntas idiotas,
não quero saber, não quero.
Eu sou homem, tu és mulher.
Não quero saber, como tu sabes tão bem,
isto não é amor, é desespero,
é o que acontece a um homem que não chora
mesmo que se lhe desfaça a alma em pedaços
e mesmo que lhe tentes arrancar, ainda assim, uma resposta.
Esta mesma que aqui tens, aquela que te não dou.
Não quero. Não quero.




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19/03/05

anedota da semana


Ora cá está alguém que percebe o bomba inteligente, que o leu de trás para a frente, que ousou mergulhar na piscina dos seus arquivos.

bomboca esperta

A revolução deve ousar mergulhar na piscina dos coisos e ler de trás para a frente! Avante, camaradas!

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17/03/05

KB17645-PTB.EXE

Barrete Hoax Tanga Treta VÍRUS

Outro email por aí a circular, "assinado" pela ©2005 Microsoft Corporation. Claro que é barrete.

É UM VÍRUS. APAGAR IMEDIATAMENTE.

Google

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Há falta de melhor *

do que o Gama
do que o Freitas
do que o Vitorino
do que os Josés
em quem votar
por isso ganha o Benfica
por isso o PS ganha
tempo


À falta de melhor


vota-se PS
bota-se PSD
deita-se CDS
vota-se no MRPP
não se vota
engana-se a ilegítima
come-se a legítima
vai-se ao cinema
arrota-se a postas de pescada
vinho, bebe-se JP
cerveja, emborca-se uma imperial
não se bebe
sai-se de cima


* (Google, 91 - Yahoo, 132)

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16/03/05


isto devia ter sido a ilustração do piqueno ensaio sobre a fedúncia 

Posted by Hello

imagem "scaneada" de Tintin no Tibete, de Hergé, ed. Público

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O Latim morreu, o Português também, eu próprio já não me sinto lá muito bem

eu to com sordadi de voxe jhones...

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Monólogo Norte/Sul


Sintoma ou mania: um blog com o título Diário de um tripeiro em Timor Lorosae. Meu caro, não seria melhor que o seu diário fosse o de um Português em Timor-Lorosae? É que, bem vê, isso aí é "lá fora", é no estrangeiro e, por sinal, num certo sítio "estrangeiro" muito especial; "lá fora", são poucos aqueles que sabem exactamente onde fica Portugal ou, mais displicentemente, onde fica "isso" ao certo, Portugal-ou-lá-o-que-é; logo, um português soará vagamente a árabe, ou cigano, quanto mais um tripeiro! Imagino, com todo o rigor do mais elementar senso comum, que não deve existir um único "estrangeiro" que saiba o que raio vem a ser um "tripeiro".

Sintoma ou mania: a cidade de Lisboa, que se situa no centro geométrico do território nacional, é geralmente considerada - pela gente que vive na micro-república do "norte" - como estando situada no Sul da Península Ibérica. Ora isto é uma tremenda falta de rigor geográfico, certamente inspirada pelo putativo presidente dessa república virtual nortenha, o inefável, insubstituível, cómico, imbecil, perigoso Jorge Nuno Pinto da Costa. Malhando de novo em ferro frio, ou voltando à vaca fria, pouca gente no mundo inteiro sabe o que é e onde fica Portugal (oh, yes, capital Barcelona!), quanto mais essa patacoada do "Norte". Norte de quê, caneco? A fronteira é onde, no IP4 (ou IP5, não sei bem), na via rápida Aveiro-Vilar Formoso? Então Coimbra é o Sul do Norte? E Santarém, é o Norte do Sul? E Caminha é o Norte do Norte ou o novo ponto cardeal Extremo-Norte? E, já agora, se existe essa novel entidade geopolítica, porque não re-inventar o "Portugal-Leste", por exemplo? Capital na Guarda e presidente o Botas, porque não?

Sintoma ou mania: costuma dizer o "pobo" do norte (que se julga, entre outras coisas, como "mais forte") que, de Leiria para baixo, é "mourama". Não é, caros amigos. Lisboa, por exemplo, é constituída por quatro quintos de pessoas que nasceram fora de Lisboa e, destas, dois terços emigraram de riba-tejo - o que não é exactamente o mesmo que provirem do Ribatejo. Os alfacinhas vão, pelo Natal e no Verão, "à terra" - e "a terra" é localidades como Ponte-de-Lima, Gonça, Estarreja e Outras Coisas Assim. O sul de Portugal é quase integralmente constituído por pessoas "do norte". Eu, por exemplo, nasci 420 km para cima e vim para baixo aos doze anos de idade. De vez em quando, volto para cima e gosto da bela francesinha, por exemplo. Não sou mouro. A minha costela bronca impele-me, lamentavelmente, a não gostar de coisas arábicas ou demasiado teológicas. Mas acho que o "norte" de Lisboa é tão irrelevante (e tão importante) como o Sul. São pontos na rosa-dos-ventos, como lhes compete, e chega.

Sintoma ou mania: presumo que por reflexo de defesa, o vulgo lisboeta (e "sulista" em geral) já vai adoptando a mesma linguagem belicista, independentista, cretinista. Isso vê-se bem nas "claques" da bola. Grupos de energúmenos consideram os "nortenhos" (repare-se na subtileza da designação) como perfeitos imbecis, inimigos a abater e coisas ainda mais territoriais. Mijadelas de demarcação. E, de facto, já se vai notando uma certa sobranceria, uma soberba esquisita, que antes não existia, das "gentes" da Capital e arredores em relação à "maltosa" das berças. As tias da Linha estão agora, por fim, activas e militantes na defesa de seu chá das cinco e de suas coisas supostamente finas, desmarcando escandalosa e ostensivamente as tias da Foz e outras parentes. Existe de facto uma fractura de pendor quase racista, de parte a parte, e isso é grave.

Não é sintoma nem é mania: Portugal é, no concerto das nações, uma merdola insignificante. Sempre foi e sempre será. Estrebuchar é o nosso desígnio, mendigar a nossa especialidade e arrepelar os cabelos a nossa mais notória capacidade - sem falar da versalhada, a mais volumosa das produções nacionais. Somos um país de medíocres e o culto da mediocridade é o nosso único trunfo. Qualquer tentativa de autofagia ou de automutilação resultará inevitavelmente em fracasso - mais um, apenas mais um. Por conseguinte, e por mais que tentem os secessionistas de ambos os lados, não é possível dividir ou cortar em partes um corpo uno e indivisível como o nosso. Qualquer idiota de Freixo-de-Espada-à-Cinta é tão Português como um patriota da Amadora, um agiota de Benfica ou um poliglota de Torre Dona Chama. Nós somos assim mesmo, vermelhos e verdes, amarelos e azuis, brancos e pretos: odiamos simpaticamente, por brincadeira e sem ofensa. Um bocadinho marados dos cornos, tous, les lusitaniens.

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15/03/05

Holding, holding, holding

That's all I have today
It's all I have to say

Simply Red

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Nice


Descontando os erros de Português, à matroca, a ideia é gira.

Es a vergonha do povo portugues. Nao te interessa a cultura portuguesa e nem segues as tradicoes e costumes do teu pais. Por causa de gente como tu o povo esta a perder a sua genuinidade.
Vamos la a deixar crescer o bigodinho (sejas homem ou mulher) e passar a representar os tugas fidedignamente.
Ah, e nada de cortar a unha do dedo mindinho, ex-libris do tuga!

Quao Portugues es?
brought to you by Quizilla


via Pois... não sei!

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Gotan Project


Finalmente. Eureka. Achei. Ou, melhor, achei um blog que achou.
O link para a "faixa" Epoca está no Muitas Coisas. A ver se encontro as outras (verdadeiras faixas de rodagem musical), algures por aí.

http://muitas-coisas.blogspot.com/2005/03/coisas-da-msica-gotan-project.html#comments

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