Odi profanum vulgus et arceo

19/10/05

Consultório sentimental V

(11) Não conceberás
Estando em preparação azafamada, nas complicadas e imensas cozinhas dos palácios de Belém e de S. Bento, a legislação que irá finalmente despenalizar o aborto, cumpre tecer algumas considerações a respeito. Não sobre a faceta mais escatológica e terminal, por assim dizer, não sobre o aborto propriamente dito, mas apenas - de acordo com o carácter modesto deste blog - a propósito dos seus diversos sucedâneos, ou seja, sobre as formas e métodos que estão ao alcance de qualquer, e que poderão com toda a limpeza impedir que se chegue a tal extremo.

De facto, existem diversas, variadas, e algumas até divertidas formas de evitar o envio de fetos, feitos em pedaços, para a incineradora. Actualmente, é todo um arsenal que está ao dispor de quem pretender evitar raspagens e aspirações, ou métodos mais anacrónicos de aborto, como a agulha de tricot. Existem imensos métodos anticoncepcionais, em suma, e é sobre esses que incidirá, por conseguinte, a presente consulta. Desta vez, não respondemos directamente a nenhum dos inúmeros e-mails recebidos, até por questões de recato e sigilo, mas pensamos responder assim a todos eles, de forma genérica, abrangente, e de certa forma igualmente cirúrgica.

Nos estranhos tempos que vão correndo, verifica-se que a chamada "sexualidade" deixou, na espécie humana, de ser um acto natural e corriqueiro; ao contrário de qualquer outra espécie animal (com a excepção, ao que se diz, dos golfinhos, que fodem que nem uns desalmados, e dos coelhos, que também), nos humanos a coisa transformou-se em algo semelhante a um "direito". É vulgaríssimo escutar pessoas, aparentemente em seu perfeito juízo, e até políticos e pessoas de idade, referindo-se ao acto sexual como algo que deverá ser obrigatoriamente "gratificante" e, para mais, "praticado" regularmente, a tantas vezes ao dia, à semana, ao mês e ao ano; presume-se e geralmente aceita-se que, abaixo dos números considerados como "normais", ou a gaja é frígida (caso raríssimo) ou o gajo é impotente ou, no mínimo, sofre de "disfunção eréctil"; nos casos de míngua libidinosa masculina, pode também acontecer que o gajo tenha entretanto dado em paneleiro, ou assim, mas sobre este particular a coisa complica-se em extremo. Enfim, abreviando, consiste esta teoria, vagamente terrorista, numa coisa absolutamente única no universo: qualquer pessoa sexualmente "insatisfeita" tem todo o direito a ser ressarcida, seja através da troca de parceiro, seja por via do "tratamento" compulsivo deste; daí o aumento vertiginoso da taxa de divórcios e idem aspas da venda de comprimidos para a falta de tesão. Fala-se, estuda-se e perora-se, acaloradamente como convém, sobre "performances" sexuais, sobre a importância do tamanho (comprimento e espessura) dos pénis, sobre as medidas de peito, cintura e ancas (ou tamanho das mamas, ou qualidade das coxas, por exemplo), e vai proliferando alarvemente uma indústria paralela que se dedica a inquéritos sobre os hábitos e as "preferências" (posições, orifícios favoritos) de homens e de mulheres; muito mais destas e sobre estas do que daqueles e sobre aqueles, evidentemente, o que não retira um átomo ao carácter alienado do assunto, se considerado de um ponto de vista meramente zoológico.

Nesta conformidade, portanto, e no pressuposto de que hoje em dia é socialmente obrigatório foder, e foder "bem" ainda mais obrigatório é, a humanidade vai-se entregando cada vez mais e mais profundamente, salvo seja, a tão interessante e refrescante actividade. Desaparecida a motivação genética, porque já não existe qualquer necessidade de propagação de uma espécie que se propagou em evidente demasia, resta o factor absolutamente lúdico do acto em si. Vivemos tempos em que as relações sexuais são um fim em si mesmo, é foder por foder, e de preferência até um gajo ficar tuberculoso ou acabar por lhe cair a gaita, e sempre sem a mais ínfima relação com a motivação biológica do acto: a concepção. Só que, pelos vistos, a Natureza (ou Alguém que a criou) esqueceu-se de um pequeno, irritante, lixado pormenor, a saber, desligar ou interromper as nossas funções biológicas, como a produção de óvulos, na mulher, e de espermatozóides, no homem. Aí é que a coisa correu mal. Assim, quando tudo nos empurra e todos nos atropelamos para foder o mais possível, surge essa não pequena maçada de um dos parceiros (até ver, a mulher) poder engravidar, e para mais com alto grau de probabilidade, tanto mais alto quanto mais teimar.

Assim, para suprir esta incompatibilidade entre o cariz biologicamente reprodutor e o impulso socialmente promotor do acto sexual, criou-se a necessidade imperativa de artificialmente subverter o processo; surgiram, portanto, os métodos anticoncepcionais. Principalmente a partir da segunda metade do século XX, explodiu uma nova indústria, a da contracepção, primeiro com o preservativo masculino e depois com a chamada "pílula"; o primeiro já existia desde a Antiguidade, feito principalmente de tripa de porco, mas foi com a produção industrial de uma nova substância, o látex, que se democratizou e globalizou a sua utilização; o aparecimento do contraceptivo oral, em finais da década de 50, completou o processo de separação do acto sexual da concepção. Sem grande necessidade de divagações filosóficas sobre a origem da galinha e do ovo, será perfeitamente pacífico admitir que a chamada "revolução sexual", com todo o cortejo de "direitos das mulheres" (e quejandos), foi algo que surgiu depois do aparecimento destas "ferramentas"; sem o preservativo e a "pílula", não apenas uma série de "direitos" teriam ficado no tinteiro como a ninguém ocorreria hoje que foder é uma obrigação e o orgasmo um direito.

Mas sendo assim mesmo, e não havendo nada a fazer, então o melhor será utilizar as ditas ferramentas contraceptivas com a máxima eficácia - no sentido de que não haja realmente gravidez "não desejada" e, por conseguinte, necessidade de abortar.

Sobre a "pílula", muito pouco há a dizer ou, melhor, já está tudo dito - e por pessoas com muito mais autoridade. O que nos interessa, aqui e agora, é escalpelizar o preservativo masculino; não com muita força no bisturi, é claro, não vá a coisa romper.

O grande problema do preservativo masculino é ser extremamente chato, maçador; ao contrário do que nos querem fazer crer, geralmente através de campanhas televisivas nas quais são sempre mulheres a dar a cara (pois claro), a chamada camisa-de-Vénus representa a negação do próprio acto. Toda a gente finge que aquilo é muito fácil de pôr e de tirar... mas não é: para colocar um preservativo como deve ser, é necessário - das duas uma - ou muita, mas mesmo muita experiência, ou tirar um curso sobre o assunto. Aquela merda, além de ser a coisa mais empata-fodas que existe, tem uma terrível tendência a enrolar de novo, de volta à posição original, antes não muito, esporadicamente durante, e frequentemente depois da ejaculação. Quantos de nós nunca insultaram aquilo, de "puta que pariu esta merda" para cima? Qual é o homem que aprecia, quando está engalfinhado, quando já não apetece nada parar, quando a vertigem se torna incontrolável, ter de parar, respirar fundo, contar até cem, e procurar febrilmente a porcaria da camisinha? Depois, ainda é necessário abrir a puta da embalagem, que parece feita de "kevlar", rasgá-la à dentada, tirar a dita cuja, desenrolar uns centímetros, tendo o cuidado de usar o lado com desenrolar mais fácil, encaixá-la na gaita, puxar para baixo com cuidado. Pronto. Finalmente, com sorte apenas dois ou três minutos depois de ter interrompido o coito, aí temos o instrumento preparado para uma fodinha estéril. Só que, entretanto, e dois ou três minutos é tempo mais do que suficiente para isso, já toda a excitação se escapou, evaporou-se. Ora foda-se, ocorre dizer. É preciso recomeçar tudo de novo.

Como escreveu Miguel Esteves Cardoso, o saudoso MEC, estas merdas deviam ser, como a roupa, algo de aspergível, ou seja, uma coisa que se pudesse pôr com um simples "spray": pchh e já está. Mas não. Aquilo é mesmo uma chatice, e das antigas. E para tirar é ainda mais chato do que para pôr. É preciso ter muito cuidado, ir lá com a mão, segurar a camisinha (pelo gargalo baixo) e, enquanto a gente se tira de riba da mulher, sempre nunca largando, retirar a gaita encamisada, sem largar o conjunto; por fim, recolher o "produto" por atacado, plac, e se calhar dar um nó na ponta, não vá o Diabo tecê-las.

Não há merda mais chata. O preservativo é a pior cagada que alguma vez se inventou. Puta que pariu o preservativo. Romance? Qual romance! Não há romance encamisado, caralho. Chega a ser uma coisa nojenta. Foder uma gaja com preservativo não é, como dizem os burgessos, o mesmo (ou sequer parecido) que chupar um rebuçado ainda embrulhado. É pior. Que se foda o rebuçado, mais a metáfora pindérica. Foder uma mulher com preservativo é uma chatice do caralho. Perde-se o mistério. Perde-se a excitação. Perde-se a tesão. É fodido.

Mas: é melhor. Nada a fazer. Seja pelas alminhas. Caralhosmafodam. Não podiam inventar um método igualmente eficaz mas um bocadinho menos nojento? Porque será que ninguém fala disto, ao menos, a ver se alguém inventava uma coisinha melhor?

Como método anticoncepcional, a camisinha não colhe, em sentidos figurado e literal; tanto é que, em muitas e documentadas ocasiões, aquilo ou se solta, ou rompe, ou já vem roto de fábrica. Este é outro dos muitos aspectos negativos que toda a gente cala, a respeito. Também nunca ouvi falar em tamanhos, ou que diferenças existem entre as diversas marcas de preservativos, mas aqueles e estas existem; alguns não servem, não cabem, ou ficam tão apertados que incomodam; outros contêm espermicidas ou outras substâncias que podem provocar reacções alérgicas, ardor ou prurido.

Como método de prevenção das DST, pelos mesmos motivos, também não é grande coisa. Basta um leve roçar de unhas para o látex rasgar, geralmente de forma invisível a olho nu, e é evidente que ambos os riscos permanecem - tanto o da gravidez como o da transmissão de doenças. Com a agravante de que o uso de preservativo implica uma sensação de segurança absolutamente falsa, como se vê. Quanto mais não seja por isto mesmo, colocar máquinas de venda automática de preservativos, nos estabelecimentos escolares portugueses, é uma evidente estupidez e uma quase criminosa, peregrina, perigosíssima ideia; o alvo politicamente correcto da Esquerda em geral é, de facto, os estabelecimentos de Ensino Básico e Secundário e não as Universidades, onde qualquer caloiro pode e deve andar sistematicamente "prevenido". Ora, para jovens dos 10 aos 18, ter à disposição aquela espécie de "self-service" preservacional, como qualquer vulgar máquina de refrigerantes, é um convite, é um valente empurrão para o facilitismo; é o mesmo que dizer-lhes: "ide e fodei à vontade, não há problema, estais bem protegidos". É mentira, claro, mas a juventude acredita piamente em tudo aquilo que os adultos dizem, desde que não seja sobre trabalho, estudo ou responsabilidade.

Tirando essa aberração esquerdista, para já ainda apenas na forma tentada, não há alternativa ao preservativo, de facto. É incomparavelmente melhor usar do que não usar, mas seria igualmente producente que o tema fosse mais discutido, publicitado, e mesmo vulgarizado e democratizado. A começar pelos preços: é ridículo que uma simples camisa-de-Vénus custe 1, ou 2, ou mesmo 3 Euros, dependendo da marca, do local de compra e do número de preservativos por embalagem; por exemplo, e com este pormenor pretendendo apenas esclarecer as camadas mais ingénuas da população, qualquer homem que requisite os serviços de uma profissional é obrigado a liquidar uma sobretaxa, correspondente ao "custo" do preservativo; ou seja, em concreto e em linguagem mais acessível, um gajo, quando "vai às putas", paga o serviço pretendido (ou serviços, entre um e três), conforme a especialidade e a qualidade da escolhida, e ainda é forçado a dar mais um quanto (desconheço a cotação actual) "p'rá camisinha". Também existe a variante "sem camisa" mas, por um serviço desses, as raras profissionais que o praticam fazem-se pagar principescamente. Porquê? Porque existem ainda pessoas que o fazem, sem qualquer espécie de "protecção", clientes e prostitutas?

Por tudo aquilo que antes ficou dito: porque essa "protecção" é em grande parte ilusória, como as prostitutas sabem perfeitamente; porque os "clientes" são homens e, por conseguinte, absolutamente parvos, no que ao sexo diz respeito, quando não em relação a tudo o mais; porque o "risco" é um poderoso acepipe erótico, e arriscar a vida é o supra-sumo dos perigos, o mais excitante ; e porque, finalmente, o preservativo é uma chatice do caralho, em sentido lato, e cada qual julga que é apenas ele quem pensa isso.

Soluções milagrosas, não há. Num dos filmes de Woody Allen, há uma cena em que o autor e uma actriz envergam um preservativo integral, da cabeça aos pés, mas é bem possível que a coisa não seja lá muito prática. Talvez a conjugação de diversos factores e a tomada de várias medidas em simultâneo possa ajudar.

Em primeiro lugar, a higiene: muito sabão macaco, muito duche, muito bidé (já vai sendo tempo de os portugueses se deixarem de paneleirices - o bidé não é uma coisa "só para mulheres"); depois, as senhoras devem usar muita carga de Dystron (ou qualquer outra marca de desinfectante vaginal), e os cavalheiros devem habituar-se a bons (e caros) sabonetes líquidos com desinfectante e/ou espermicida.

Segundo, a precaução: ser dador de sangue tem uma série de benefícios, dos quais o mais importante é estarmos a par - ao menos de seis em seis meses - com a nossa condição de não portadores de qualquer DST; não quero saber que espécie de vigarices fazem as entidades com o meu sangue, se o vendem a peso de ouro ou se o traficam no mercado clandestino; estou-me nas tintas para a abolição de "taxas moderadoras" que a condição de dador me confere; mas, ao menos, sei que (além de poder ajudar a salvar uma vida, o que já não seria pouco) não vou transmitir a ninguém nem SIDA, nem Sífilis, nem nenhum dos tipos de hepatite.

Terceiro, o conhecimento: saber quais os riscos associados ao uso do preservativo implica saber utilizá-lo; conhecer os riscos associados às relações sexuais ocasionais implica saber evitá-los minimamente. É de extrema conveniência tentar pensar com a cabeça de cima e não com a de baixo; quando isso não puder de todo ser evitado, usar uma bateria de contraceptivos - cones vaginais, espermicidas, desinfectantes e... água, muita água.

Por fim, em quarto lugar mas de forma igualmente fundamental, usar a imaginação: existem muito mais maneiras de "praticar sexo" do que a simples penetração. Nestas coisas do sexo "seguro", vale muito mais a sensação de que falta qualquer coisa do que a possibilidade de algo poder vir a estar a mais. É que, na barriga das mulheres, ao contrário do que algumas alucinadas dizem, não são elas quem manda - é a Natureza, a mesma, omnisciente e omnipresente Mãe universal, que engendrou uma imensidão de castigos e maldições para quem a tenta enganar.

Por alguma razão, que se saiba, não existem doenças sexualmente transmissíveis em mais espécie alguma, além da nossa. Nenhum macaco, ou cavalo, ou porco, ou elefante, se arrisca a apanhar um "esquentamento". Tampouco a uma vaca, ou cabra, ou gata, ou baleia, ocorre a possibilidade de impedir e muito menos de interromper uma gravidez "não desejada". Os outros animais não sabem o que é o "planeamento familiar" e desconhecem o conceito de foda lúdica.

Nisso reside, aliás, o que de fundamental distingue o homo eroticus de todas as outras formas de vida. Afinal, somos seis mil milhões, no universo, e estamos todos absolutamente sós. Cada qual entretido com o seu próprio umbigo. Ou, bem, um pouquinho mais abaixo.

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18/10/05



Este homem faz, entre outras coisas belíssimas e utilíssimas, os seguintes artefactos tradicionais:

1. Rolo-da-massa em madeira genuína: além das aplicações culinárias óbvias, e também para a tradicional pancada da gentil esposa em seu esposo, serve como excelente objecto para massagens; é experimentar. Massagem nas costas com um rolo-da-massa, usando um pouco de óleo para bebé, bom, senhoras e senhores, é requintado pitéu.
2. A pombinha: brinquedo inesquecível, todo em madeira, claro, uma espécie de passarola colorida, com rodinhas, que bate as asas quando posta em movimento. Uma invenção portuguesa, fabulosa, genial.
3. O malabarista: engenhoca extremamente funcional que tem um elemento estranho, a borracha: apertam-se duas hastes que, através de dois elásticos, fazem saltar um boneco (em madeira, pois) por cima de um trapézio, para trás e para diante.
4. O ciclista: utiliza uma daquelas espantosas bicicletas de fins do séc. XIX, com uma roda enorme e outra minúscula. Tudo em madeira (claro) às cores (pois), e anda e tudo.
5. O carrocel: dois pares de figurinhas (em madeira e coloridas) rodam loucamente através de uma engrenagem simples, por contacto com as rodas do brinquedo.

Palavras para quê? É um artista português e só usa as mãos e a simplicidade. Os seus brinquedos (quatro para crianças e um para adultos) são um mundo de possibilidades infinitas. E há mais, de onde estes vêm, e há mais cores.

Até o nome da oficina é curioso, de uma inocência comovedora.

Ide lá ver, ao Cartaxo. Diz que se pode aproveitar para fazer uma cura de águas. É bom para males do fígado, e assim.

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17/10/05



Letter James

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Letter James

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14/10/05

Um "post" PC (politicamente correcto)



O nosso povo, o nosso povo, o nosso povo, as amplas liberdades, as liberdades, as liberdades, as amplas, avante, o povo é sereno, o povo não rouba, o povo é inteligente e sabe o que quer, igualdade entre homens e mulheres e entre mulheres e homens, as raças não existem, nem espécies, só existe uma espécie, e uma raça, que é a raça humana, e a espécie humana, e os direitos, os direitos, os direitos dos trabalhadores, os direitos do nosso povo, do nosso povo, do nosso povo, abaixo as classe exploradoras, vivam as classes trabalhadoras, e os direitos, os direitos, os direitos, a Constituição e a constituição, avante, caminhemos em direcção à sociedade sem exploradores e explorados, abaixo a burguesia, a História é a luta de classes, as minorias, as minorias, as minorias, os direitos, os direitos, os direitos, o nosso povo, o nosso povo, o nosso povo.

Outra vez.

O nosso povo, o nosso povo, o nosso povo, as amplas liberdades, as liberdades...

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Um "post" CDS (como deve ser)


Curto. Com poucas palavras. Muitas palavras é chato, dá trabalho, porque ler dá trabalho. Não queremos cá "lençóis" nem frases complicadas. Que chatice.

É melhor não.

Assim (com parágrafos tipo

Lobo antunes). só assim (com minúscula seguir a ponto). que giro. ganda pinta.

olha que bem.

não se diz porra nenhuma, mas

é giro.

uma coisa do género

deixa cá ver

ora bem

hoje fui

pescar

e o mar estava manso.

Toma. Já sei.

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13/10/05

Viva

Francisco Louçã acaba de anunciar a sua candidatura à Presidência da República. Oh sorte, oh maravilha! Finalmente, alguém avança e se destaca do pântano, do lamaçal imundo em que ameaçava transformar-se o próximo acto eleitoral. Temos homem. Aleluia, por conseguinte.

Com um currículo invejável, de qualquer ponto de vista, político, familiar, profissional, académico, filatelista, Francisco Louçã surge - no horizonte nacional, de aquém e de além-mar - como uma flecha apontada ao coração da hipocrisia e do nepotismo vigentes na hemiplégica alta sociedade portuguesa. Eis um candidato forte que se arrisca, por via da indiferença generalizada de grande parte da população e da atávica imbecilidade da outra parte, a ganhar o sufrágio que se aproxima, e para mais de forma radical, limpa, impante e serena. Lá o veremos, com toda a certeza, em futuro não muito distante, abrindo a fechadura dos portões de Belém, com a sua própria chave, ou molho de chaves, e depois acenando das varandas do palácio, o seu palácio, à multidão agradecida, à pátria reconhecida, sob o olhar enternecido do Padrão dos Descobrimentos, com a bênção dos Jerónimos e debaixo da protecção imponente do mais importante Centro Cultural de Lisboa.

Os seus (de Francisco Louçã) méritos de amizade aos desfavorecidos e aos pobrezinhos em geral, os seus (do próprio) dotes de mobilizador de causas, sejam elas quais forem, as suas (dele) reconhecidas qualidades oratórias e respectivas capacidades de vocalização, tudo em conjunto, enfim, constitui o perfil mais adequado ao exercício de tão altas funções; trata-se, sem qualquer dúvida, de um vulto de contornos bem definidos, personificando e condensando em si próprio todos os requisitos necessários: saber, coerência, experiência e coragem (mesmo física).

Ecce homo. Que outro candidato, não brinquemos, se perfila com tal perfil? Cavaco? Pfff. Nem de frente, quanto mais de perfil. Soares? Mais para lá do que para cá? O Poeta Alegre? Com aquelas patilhas até ao queixo? Ora bem, portanto, quem? Hem? Quem, se não o próprio, o enviado, o dito cujo, o nosso protector e benfeitor, além de grande dirigente e educador da classe operária e das outras classes todas, Lili Caneças incluída? Quem, em resumo, se não Francisco Louçã, nosso Chico, ou, mais precisamente, como o conhece o povão, nosso Chico Fininho?

Portuguesas. Portugueses.

Acorramos em massa às urnas de voto. Ponhamos a cruzinha certa no local certo, no do homem certo para o lugar certo: Francisco Louçã, o salvador, Chico Fininho, nosso senhor.

Três vivas ao candidato, futuro Presidente de todos os portugueses:

Em Português: Viva o Chiquinho! Viva!
Em Castelhano: Arriba Chico! Arriba!
Em Alemão: Sieg Heil! Sieg Heil! Sieg Heil!

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Cadilhos
_ Ó Papá, puqué c'aquela cenoura tá nua?
_ Aquela senhora não está nua, filho. Aquilo é um bikini. Chama-se bi-ki-ni. É o que as senhoras usam na praia.
_ Puquê?
_ Porquê o quê?
_ Puqué c'usam aquilo na praia?
_ Ora, filho, sei lá eu bem! É o que se usa, sei lá porquê!
_ Mas as cenouras não têm fio, c'aquilo?
_ Frio? Na praia? Então, se vão à praia é porque é Verão, se é Verão é porque está calor. Claro que não têm frio. Têm é calor.
_ Puquê?
_ Porquê? Ora essa! Porque está calor, já te disse.
_ Mas, ó Papá: se está calô e não têm fio, puqué c'usam o bikin?
_ Bikini. Bi-ki-ni. Bom, não sei bem. O que é que tu querias? Que andassem nuas?
_ Pois. Não pode?
_ Não.
_ Puquê?
_ Aiaiaiai. Porque que é que as senhoras não podem andar nuas na praia? Sei lá! Acho que é proibido.
_ Puquê?
_ Mau. Ó filho, não sei, o que é que queres que te diga? É proibido e pronto.
_ Ponto puquê?
_ Quê?
_ O Papá disse assim: é puibido e ponto. Ponto puquê?
_ Já não estou a perceber nada da conversa. Afinal o que é que queres saber?
_ Puqué qué puibido e ponto.
_ O quê? As senhoras andarem nuas na praia?
_ Xim.
_ Ahhhhh, filho, é muito complicado, são coisas da política, e tal, a moral e os bons costumes, e blá-blá-blá. Enfim, deixa lá. Quando fores grande vais compreender isso tudo e muito mais. Até que não era má ideia, tens razão, pois claro, ora essa, porque não hão-de as senhoras andar na praia nuas, nuinhas da silva, ora bem, ehehehe. Bom. Agora deixa lá isso, e vamos mas é tomar uma banhoca, ok? Queres?
_ Hmmmm...
_ Despacha-te, vá. Por hoje, acabou a sessão de perguntas e respostas. Vamos lá.
_ Hmmmm...
_ O que foi agora, filho? Diz tudo, de uma vez.
_ Papá: o que é "blá-blá-blá"? Puquê? O que é moral e a outa coisa que não pecebi? Puquê? O que é "nuinhas da silva"? Puquê? Eu não posso ficar sempre pequeno? Puquê?

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11/10/05

Ideiafix, Abraracourcix e Panoramix na Lusitânia

A foice de ouro
Meia "blogosfera", a parte mais sinistra, demonstra sinais de nervosismo. Compreende-se. Para os adeptos das "amplas liberdades", paladinos da "verdade a que temos direito", a fantochada de anteontem resultou em duas coisinhas estranhas: uma que é, por um lado, boa para eles, excelente, e que foi o facto de os comunistas terem conseguido enganar mais uns quantos milhares de labregos, e que é má, por outro lado, obviamente, para esses mesmíssimos labregos e para a população em geral; a outra coisa, o outro resultado esquisito das autárquicas, foi o surgimento de uma Hydra de três cabeças, respectivamente as de Fátima Felgueiras, Isaltino de Morais e Valentim Loureiro. Esta hydra é um bicho de apenas três cabeças, não de sete, mas ainda assim os esquerdistas de serviço (e também alguns direitistas esquisitóides, como Macabro Correia) arrepelam-se por via da putativa enormidade do sucedido: quer dizer, como é possível, aqueles gajos e aquela gaja, todos os três a contas com a Justiça, a gaja até se pisgou e tudo, vejam lá, e agora ganham eleições, são eleitos, e logo como presidentes de Câmara, ora foda-se, onde já se viu tal coisa.

De facto, é grave. Não a eleição daqueles três vígaros profissionais, evidentemente, isso não vale um caracol. O que é grave, o único facto relevante da palhaçada eleiçoeira é, outrossim, ter o Partido Comunista tido mais votos do que seria previsível; o que é grave é que, após a queda do Muro de Berlim, após a derrocada geral do sistema totalitário comunista, depois de mais do que comprovada a falência das "ideias" socialistas em geral, ainda assim parece que persiste, algures na Europa, num recôndito e atrasado país de atrasados mentais, não uma mas várias aldeias de irredutíveis cretinos que resistem ainda e sempre ao raciocínio. Parecia, quinze anos depois da queda do império marxista, que toda a Europa estava finalmente desocupada de comunistas. Toda? Não, como se vê. Mesmo sabendo esses irredutíveis cretinos que a vida não será fácil, cercados como estão pelas guarnições de legionários democratas, entrincheirados nos campos de Cavacorum, Soarismum, Guterrismum e Minorcum...

Que algumas pessoas fugidas à justiça, ou corruptas, ou mafiosas, assumam postos de liderança política não é grave, simplesmente porque muitas outras o são igualmente, ou coisas ainda piores, e a mesma Justiça finge que não sabe; é o caso, por exemplo, do pretérito Grande Chefe do Conselho de Cascais, sortudo ex-comunista que abarbatou não pequena fortuna, à custa do mesmo Concelho, sem nunca sequer ter sido indiciado fosse pelo que fosse; é o caso de políticos vários que, apanhados nas curvas de processos melindrosos, como o da pedofilia, desaparecem prudentemente da cena política, até que o mau tempo passe, com a conivência e a protecção das mais altas esferas. Aquilo não é grave porque, aparentemente, isto também não é.

O que é grave é assistirmos à crucificação pública daquelas figuras agora eleitas pelo povo, por parte de gente que postula, defende e apoia o assassínio em massa, o genocídio de populações e etnias inteiras. É possível que Fátima, Isaltino e Valentim, quem sabe se em horas de exaltação por via de abusarem da poção mágica, tenham empochado algum, roubado vários ou vigarizado todos. Mas os comunistas, apesar de todo o sobressalto virginal que aparentam, quando condenam aqueles que foram azaradamente caçados, tentam apenas fazer tábua rasa, esconder, obliterar aquilo que os motiva para o exercício do poder: isso mesmo e nada mais, o próprio exercício do poder. Curiosamente, para esses (e quejandos) paladinos da "democracia", o voto do povo é "bom" e está bem, vale, quando esse povo vota neles; quando esse mesmo povo vota em outros, das duas uma, ou esses mesmos "outros" são bandidos ou esse mesmo povo está enganado, é mau, não vale. Do mesmo modo que promovem o combate político pela liberdade de opinião, desde que esta seja a deles, recusam definitivamente a validade do escrutínio democrático, desde que não sejam eles os eleitos. No seu arcaísmo maniqueísta, o comunista (vulgo intelectual de esquerda) apenas tolera a democracia enquanto esta servir os seus interesses. Por isso, para eles e apenas para eles, o jogo democrático não passa de mera estratégia, transitória e pontual, trampolim para o poder absoluto e, em última análise, para a destruição de qualquer outra ideologia, ideia ou simples opinião.

Nunca existiu, em qualquer regime dito socialista, a mais ínfima partícula de democracia. Estaline, Pol-Pot, Mao-Tse-Tung, nenhum comunista foi alguma vez eleito por sufrágio, directo ou indirecto e muito menos universal. É evidente, isto, menos para os partidários do mesmo socialismo.

Portanto, é também evidente o motivo pelo qual esses apóstolos da longa noite socialista aparecem agora condenando os actos eleitorais em Felgueiras, em Oeiras e em Gondomar. Nestes Concelhos, pelos vistos, para esta gente, o "povo" afinal é constituído por uma turba estúpida até ao tutano, uma cambada de idiotas que se deixam enganar pelo populismo, pelos populistas; nos outros locais, onde nem um mísero vereador elegeram, eles não o dizem expressamente - era só o que faltava - mas lá ficam muito convencidos de que o povo foi mais uma vez ludibriado, iludido com falsas promessas, intoxicado pela padralhada, etc. Há democracia, por conseguinte, quando e se o povo vota neles; se vota em outros, é populismo, é coisa suspeita, aquela "gentinha" foi enganada. A estratégia política (*) do socialismo não é a via eleitoral, como sabemos. Pelo contrário, o primeiro objectivo é a sua destruição; apenas o caos viabiliza a imposição da ditadura.

É isto que é grave, nas últimas eleições. Há (muitos) mais inimigos da democracia que foram democraticamente eleitos para o exercício do chamado poder local, o qual consiste na criação de impostos autárquicos e na gestão totalmente irresponsável de financiamentos públicos. Podemos perfeitamente estar certos de que os três pastorinhos continuarão, à semelhança de outros, a roubar à tripa-forra; é o que toda a gente faz, desde o estucador mais simples ao mais douto jurista, desde os membros do Governo e deputados da nação até ao Xô Jaquim das frutas e legumes, passando por mecânicos, taxistas, dentistas e donos de tascas indiferenciadas.

Mas os comunistas eleitos, sendo anti-democratas ferrenhos, roubaram a própria democracia ... por isso mesmo, por terem sido sufragados por um regime que abominam. Paradoxo, talvez, mas apenas para eles mesmos. São eles quem descrimina o voto "bom" do voto "mau", quem distingue povo de povo, quem formula juízos de valor sobre a validade do acto eleitoral, sobre a qualidade dos eleitores e sobre a idoneidade dos eleitos.

Pessoalmente, ou seja, na minha opinião (que apenas a mim próprio interessa), considero que o voto popular em Fátima Felgueiras vale tanto como o voto popular em qualquer comunista: nada. Quantas eleições mais serão necessárias para que alguma coisa mude realmente, por fim, e de preferência para melhor?

Disse Horácio: Odi profanum vulgus et arceo. Não dia sim, dia não, nem às 2ªs, 4ªs e 6ªs, ou consoante as conveniências do momento, mas sempre, em quaisquer momentos ou ocasiões. Não por jactância, espero, não por soberba, afianço, mas apenas por coerência. Não voto, ou seja, voto o voto ao desprezo. As eleições servem apenas para oferecer, por assim dizer, uma foice de ouro a ceifeiros que apenas estão interessados em uma de duas coisas: ou em ceifar ouro com a foice ou em derreter o ouro da foice.





(*) "Estratégia política" é a metodologia determinada para a tomada ou para a conservação do poder.

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09/10/05

A macaca nua (The Naked she-ape*)


A natureza eminente, patente e obviamente sexual da macaca é algo de sobejamente conhecido mas, paradoxalmente, é também um assunto muito pouco referido por pessoas de saber, quiçá devido ao carácter escorregadio e perigoso que a coisa encerra. Existe até uma adivinha popular, meio acriançada, como convém, que define perfeitamente o conceito: como se designa a porção de carne e osso que envolve a vagina? A resposta é: Mulher.

Por alguma razão as culturas de cariz islâmico optaram desde há milénios pela solução mais radical e fundamentalista: tapá-la toda com panos, a essa zona envolvente da vagina - e, por inerência, ocultar a mulher inteira, da cabeça aos pés, com roupagens largas que disfarçam todas as formas. Assim se procura, nessas espertíssimas religiões muçulmanas, liquidar à nascença qualquer veleidade imaginativa por parte dos restantes elementos sociais, ou seja, abolir pensamentos pecaminosos nas cabecinhas entesoadas dos machos de cobrição.

De igual modo, mas não de forma tão evidente, nas civilizações ocidentais, ditas "modernas", tenta-se hoje ainda preservar o papel da fêmea enquanto mera parideira e, quando muito, como objecto de satisfação sexual para o macho dominante. Assim, à fêmea da variante zoológica humana é tacitamente atribuído um papel social o mais reduzido e irrelevante possível; sistematicamente simulando aquiescência e cedência, são os machos dominantes que, em cada grupo social, definem as regras e os limites para a convivência entre os sexos; esporadicamente, estes mesmos líderes permitem que uma fêmea em particular assuma alguma importância... mas em condições muito restritas. Reveja-se os casos e as figuras de, por exemplo, Golda Meir, Margaret Thatcher, Indira Ghandi ou Madre Teresa de Calcutá; apenas por amostra, trata-se recorrentemente de casos perdidos, enquanto fêmeas, e de tristes figuras, enquanto representantes do sexo feminino. Para que uma mulher atinja alguma relevância social, é condição imprescindível que prescinda, ela mesma, da sua própria condição feminina; há-de ser por força tremendo coiro, feia, de preferência horripilante, sem qualquer espécie de atractivo, e só nesse pressuposto poderá aspirar a algo mais do que as suas tarefas normais e ancestrais, como arear as panelas, mudar fraldas e limpar o ranho a fedelhos.

Não se presuma, todavia, e ao contrário do que o mais leve assomo de inteligência faria supor, que o estatuto de menoridade social incomoda ou sequer perturba a fêmea humana; pelo contrário, é isso mesmo que a maioria pretende, e é apenas a isso que aspira; exceptuando talvez uma irrisória trupe folclórica de mulherio confundido (ou mal fodido), a fêmea humana apenas pretende constituir família ou, como se costuma dizer, "casar e ter filhos". Prudentemente, e de forma geneticamente programada, a mulher deixa para o sexo masculino todas as restantes maçadas que constituem a vida, ganhar dinheiro, fazer guerras, lidar com a porca da política, ir ao futebol e entrar em borracheiras de grupo, coisas assim.

A mulher pretende apenas um "maridinho", a sua "casinha" e os seus "filhinhos". E é esta, de facto, sempre foi, a ordem natural das coisas. Não consta que as putativas "liberdades" e "igualdades" concedidas ao sexo feminino tenham trazido consigo um módico de felicidade acrescida, para nenhum dos sexos: nem para as mulheres que, além de continuarem a tratar da casa e dos filhos, ainda são obrigadas a trabalhar fora de casa; e nem sequer para os homens que, em cima do que já trabalhavam antes, agora têm de "colaborar" ou de "ajudar" em casa. Tudo por via das tais "liberdades" e "igualdades", invenções recentes, transitórias e absolutamente contra-natura, paridas pelas torpes meninges da intelectualidade bem-pensante. À macaca humana apenas rala a subsistência, sua e da sua prole, de preferência abrilhantada com profícua e o mais possível arrebatada vidinha sexual, ou seja, em resumo, comida pronta e foda prestes. Eis a coisa. Pretender que a fêmea do macaco pense em mais alguma coisa do que em macacada é, além de contraproducente, perfeitamente imbecil. É essa a sua natureza e, como se sabe, esta é algo a que ninguém escapa, venha lá o mais pintado.

Ora, e aqui é que bate o ponto, as coisas nem sempre são assim tão simples, geralmente até são uma baralhada do caralho, donde ressalta a necessidade de colocar alguma ordem na bagunça hormonal. Aquilo que geralmente se designa por "moral e bons-costumes" surge, por conseguinte, como consequência directa da necessidade de preservação da espécie: se toda a gente andasse por aí a foder com toda a gente (como, de facto, anda), seria posta em risco a curialidade e a solidez da chamada "relação a dois" (heterossexual, bem entendido); simplificando e esclarecendo o paradigma, se fosse permitido à fêmea humana a expressão livre de todas as suas pulsões, se ela pudesse dar os pirafos que lhe desse na veneta, a instituição básica da sociedade diluir-se-ia inexoravelmente e, com ela, mais tarde ou mais cedo, a própria sociedade se extinguiria. Daí, portanto, a sustentação da necessidade de conservação da espécie anteriormente referida; digamos que, em termos mais pragmáticos, não seria muito agradável, para o gajo que paga as contas e que, por inerência, tem o direito académico de se considerar como o progenitor da putalhada que tem lá em casa, enfim, se ele soubesse que sua "esposa" andava a abrir as pernas à vizinhança toda... não iria certamente ficar lá muito contente.

Na realidade, é isso mesmo que se passa, na prática, mas a chave (e o verdadeiro fundamento) da moralidade nas relações humanas é que nada se saiba. É esse o segredo da instituição Família, a base social por excelência, a força aglutinadora, o favo primordial e estrutural dos grupos humanos. Quanto maior o grupo, maior a necessidade do estabelecimento de regras às quais todos os elementos deverão fingir que obedecem. Enquanto o gajo que paga as contas não souber que é corno, consequentemente, inerentemente e repetidamente, está tudo muito bem, tudo em ordem e sem novidade. O problema, como já aqui "expliquei" antes, é quando esse tal gajo desconfia de que algo se passa, quando se enfia por pensamentos próprios de quem duvida, "mas que merda vem a ser esta", "ai o caralho, que isto não me agrada nada, foda-se", etc.; por exemplo, quando um pai de família, respeitável e tudo, leva a esposa à maternidade e sai de lá com um catraio preto nos braços, sendo toda a gente na família de raça branca, enfim, digamos que é bem provável alguma espécie de desconfiança, por mais totó, mentecapto, imbecil ou mesmo socialista que esse senhor seja. Se bem que exista gente para tudo, há tipos que são uns mãos largas e só querem é que não os chateiem, mas, ainda assim, convenhamos que há situações maçadoras como tudo. É por não haver por aí assim tantos palermas como isso, é devido à escassez de cretinos e outros géneros de "bom-serás" que a moralidade se torna imprescindível.

Mas a natureza, a basezinha (como diria nosso Eça), o carácter sexual, erótico, extremamente entesoado e fodilhão, dos seres humanos em geral e das mulheres em particular, obriga a que se coloque alguma espécie de barreiras comportamentais. Quando não, repita-se e realce-se, andávamos todos a foder com todos (todas) (como andamos), e ninguém se ralava nada com isso. Ora, não pode ser. Esta merda, estou farto de o dizer, não é o da Joana. Note-se bem, foda-se, e de uma vez por todas. Ou há moral ou fodem todos. Há que impedir a macacada geral, porra. Isso é que era bom. Porrada nos cornos às vezes resulta. Não serve de nada, mas alivia consciências, diz-que lava mais branco, a honra e tal, e ele até há gajas que gostam de levar no focinho. Assim com'ássim, que se lixe. Tunga.




* - variação sobre o título original de Desmond Morris, The Naked Ape)

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05/10/05

Afirma Manel


"... eu respeitarei-a"
Disse o alegre candidato presidencial numa entrevista à SIC Notícias. Não ocorre de momento, nem de resto interessa para nada, qual era a coisa, qual era ela, que o homenzinho do pé-quebrado respeitariou ou respeitariá.

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5 de Outubro





(imagem do blog Portugraal)

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04/10/05

Afirma Soares


Pelo seu evidente interesse político, e porque certamente terá passado despercebida à maioria do grande público, transcreve-se seguidamente uma notícia sobre Mário Soares, publicada ontem pelo Diário de Notícias.

"Tenho horas muito aborrecidas"

De face inexpressiva e postura quase hirta, Mário Soares é uma das imagens mais comuns dos doentes com Parkinson. A sua vida retrata também de forma expressiva o que pode acontecer a quem é afectado pela doença teve de recorrer a uma reforma antecipada, a fisioterapia e medicação. Sente "as forças a faltar".

Mário Soares é um dos candidatos à cirurgia de estimulação eléctrica do cérebro. Está em estudo pela equipa do S. João e já efectuou o teste de cognição que lhe confere o perfil do doente que pode melhorar com a operação. Por isso, neste momento, está a aguardar. "Quero ser operado para ficar melhor."

Há 11 anos que tem a doença. Trabalhava no comércio e começou a sentir as forças a faltar nos braços, "os pés a ficar para trás". Tem seis filhos e é casado. Há momentos em que tem "conseguido ser mais ou menos normal". Mas, "estou mais lento nalgumas coisas. Tenho horas aborrecidas. "Parece que o cérebro está a faltar...", conta Mário Soares.

Enquanto não chega a hora de ser operado, Mário vai "andando por aqui". Pode fazer a barba sozinho, mas está, explica, "uma hora bem e a outra mal". Consegue ainda caminhar sozinho, "mas se tiver que correr, tenho de ir aos saltinhos".

Como consequência da doença, Mário Soares tem ainda um problema a nível da expressão oral. Para além de outros tratamentos, faz ainda terapia da fala. A operação poderá não ajudar muito nesta questão, já que nem sempre a fala melhora com a cirurgia.

Mas há outras coisas que Mário Soares espera melhorar. Agora, nem sempre consegue trocar de roupa sozinho. Por vezes, vai trabalhar para um "campito" agrícola que tem, mas se algo aparece feito é "por muita vontade mesmo". Está muitas horas "em off", ou seja, sem mobilidade, sinal que a medicação já não ajuda muito. A solução pode agora ser a cirurgia.


(sublinhados da responsabilidade de http://001.blogspot.com)

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01/10/05

Mouro? Caralho? Norte?


Existe algum caralho de um mouro simpático que me leve para o norte

Simpático?

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30/09/05

Partido Pimba


Dantes, chamava-se CDS: Centro Democrático Social. A designação tinha um certo odor a qualquer coisinha democrática... mas em ambiente asséptico, clínico, por assim dizer, algo entre um Centro de Saúde e uma Casa do Povo do antigamente. Não se percebia bem. Talvez por via dessa hesitação de sentido político, acho que foi nosso Paulinho das Feiras quem acrescentou as suas próprias iniciais ao nome do Partido: Partido Popular, glosa de Paulo Portas, gozação de Puta que Pariu.

Foi para mim uma tremenda decepção, quando isto aconteceu, devo confessar. Aquele CDS, que já na altura aglutinava não despicienda soma de trogloditas, burgessos e caceteiros, a massa de "populares" que apoiava fanaticamente quem os odiava, transformava-se assim, por via da nomenclatura, em algo que tinha a ver por força com o chamado "povo" - a massa ignara que representa o que de pior existe na espécie humana. Foi uma pequena tragédia, este artifício, aqueles caralhos do CDS passarem a intitular-se de "populares". Que os pariu, por conseguinte.

Por mim, quero bem que o "povo" se foda. Do "povo", o que pretendo é só distância, toda a distância e nada mais do que distância. Aliás, a minha posição política é muito simples e surge como consequência natural do nojo que me suscita a hipocrisia - seja ela política ou de qualquer outra natureza: varrer, excomungar, excluir da minha vida tudo aquilo que sequer cheire a povo, ou que tenha alguma coisa a ver, por mais remotamente que seja, com essa nojenta, insuportável, asquerosa subespécie humana. O próprio conceito, a noção de "povo" (fedor, porcaria, sujidade, grosseria, trogloditismo, brutalidade), é mais do que suficiente para sustentar qualquer tese antropologicamente racista subjacente. O "povo" é um objectivo a atingir, no sentido de liquidar, do ponto de vista da conservação da espécie humana: é necessário a extinção do povo ou, no mínimo, a limitação drástica dos seus direitos políticos, para que a espécie sobreviva. Caso contrário, se elevarmos à qualidade de valores o que os arautos (burgueses notórios e empedernidos) da chamada "cultura popular" consideram como algo de "bom" e de "belo", o futuro da espécie resumir-se-á ao genocídio cultural; ou seja, assumindo como sendo algo de positivo (seja o que for que tenha a ver com) a chamada cultura popular, tudo o mais desaparecerá num vórtice de estupidez, de mediocridade, de maldade e de violência.

Ao chamado Povo apenas interessa deixar de o ser. O que o "povo" finge combater é, apenas, aquilo que gostaria de ser: rico. A entidade abstracta que se prefigura, nas cabecinhas diminutas tão características das classes populares, como sendo o "gajo rico", o "capitalista", são a única ideia fixa e o único objectivo que são capazes de (vagamente, mas persistentemente) articular.

A pior, a mais gratuita e imbecilmente violenta raça de capitalistas é constituída, precisamente, por pessoas provenientes das classes populares. Qualquer operário ou trabalhador indiferenciado sabe perfeitamente que a pior espécie de patrão que lhe pode tocar em sorte é o chamado "self made man"; ou seja, o gajo que "subiu a pulso" (roubou, explorou, traficou) e mudou rapidamente para o campo do "adversário", passando - à custa de golpadas várias - em pouco tempo de operário a patrão. São fodidíssimos, estes filhos-da-puta. Esmifram tudo aquilo de que forem capazes, no menor prazo possível, e cagam-se positivamente em coisas como os direitos dos trabalhadores, o Direito propriamente dito ou sequer a mais ínfima das noções de decência ou humanidade. Vai tudo raso. "Pequenino" que chegue a "grande" é fodido: vinga-se à força toda. O que antes dizia ser um "direito" fica ali, por ele mesmo imediatamente abolido. O que antes eram "injustiças" do patronato, por artes mágicas se transformam em "leis de mercado", em "competitividade" ou, mais prosaicamente, na lei popular universal: "fazer pela vida", ou seja, "desenrasquem-se, foda-se, caguei para isso". Para o "popular" que roubou o suficiente para deixar de ser "popular", tudo se justifica, está tudo explicado com a seguinte máxima: "é a vida!"

A Polícia de choque, as diversas polícias políticas por esse mundo fora, os algozes, os torturadores, toda essa gente é recrutada de entre as massas populares; não consta que um único "capitalista" se dedique a tão energéticas actividades. Porém, para os maníacos apreciadores dos "pequeninos", isso não é um facto e muito menos indicia a prototipia execrável da própria condição "popular".

Daí, por exemplo, o carácter absolutamente nojento e doentiamente paradoxal da chamada "direita" nacional. Tentam colar-se ou, de alguma forma, absorver um cariz politicamente "popular". É este o maior e mais espantoso contra-senso dos tempos modernos: as forças da chamada "direita" tentando captar para as suas fileiras aquilo e aqueles que supostamente deveriam combater. Quando, pela ordem natural das coisas, o papel da direita política deveria ser o de combate à uniformização, à massificação, à estupidificação e ao embrutecimento. Em resumo, a Direita deveria combater o trogloditismo. Ou, numa palavra ainda mais simples, combater... o Povo.

É necessário estabelecer distâncias. O meu voto (se eu porventura votasse) não pode valer o mesmo que o voto de qualquer labrego que não sabe ler nem escrever, ou qualquer criminoso, marginal, bandido, atrasado mental, idiota chapado. Como não pretendo impor os meus valores, ou gostos, ou hábitos a ninguém, gostaria de ter o direito de que ninguém me impusesse os seus (ruídos), ou aquilo que vagamente julga serem os seus (direitos).

É necessário combater o povo. Lutar contra o povo. Exclui-lo. Limitá-lo. Em última análise, é necessário exterminar o povo, levá-lo à extinção. Não há nada a perder porque, assim que isso acontecer, não se perdeu nada. O povo que o diga.

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Dodo, o caça-talentos


Começou no dia 6 deste mês e dedica-se principalmente à música, mas também a mundanidades e outras aparentes trivialidades. Muitíssimo bem escrito, sem qualquer espécie de ruído linguístico.

Ou, bem, como ele mesmo remata todos os "posts": Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

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29/09/05

A dieta 001


Um dos maiores problemas com os quais a humanidade se confronta actualmente é o da aparência pessoal e, dentro deste vastíssimo assunto, em especial no que diz respeito ao excesso de gordura corporal . Ora nós, aqui no Godot, sempre interessados em aviar receitas para a cura de todos os males da humanidade, vamos avançar desde já com a respectiva solução. O que se segue é nada mais nada menos do que o método de eliminação das anafações, principalmente para os casos em que esta se encontre em excesso, mas também pela inversa, isto é, a coisa serve não apenas para a maioria que pretende emagrecer mas também para quem procura, pelo contrário, engordar uns quilos que se vejam.

Este método de emagrecimento ou de engorda elimina de uma vez por todas o maior inconveniente de todas as dietas: a fome. Isto é, quem seguir a dieta 001 tem duas coisas asseguradas à partida: a primeira é que vai garantidamente emagrecer ou engordar, conforme o que mais lhe convém, e a segunda é que não vai passar fome durante o processo; pelo contrário, poderá em qualquer dos casos encher a mula até lhe chegar com o dedo, todos os dias, várias vezes por dia.

Modéstia à parte, a ideia é genial. Baseia-se num conceito que decorre da nossa experiência profissional e que tem tudo a ver com rações para animais. Curiosamente, a propósito e nem de propósito, a indústria dietética nunca aproveitou nada das técnicas utilizadas na congénere indústria da alimentação animal; o que não deixa de ser estúpido e contraproducente, já que não existe - e não apenas do ponto de vista da nutrição - a mais ínfima diferença entre as espécies animais humana e bovina ou porcina, por exemplo. Na indústria das rações para animais, existem fórmulas predeterminadas para cada espécie, em função do tempo de vida previsto e da progressão pretendida para a engorda; as percentagens de cada ingrediente nas rações são calculadas de forma extremamente linear, que poderíamos simplificar através de uma fórmula básica:

Pf=Pi+(R(C+A)xT)
.........O

Traduzindo: o Peso final de cada animal é igual a Peso inicial mais a Ração (mistura de Componentes mais a Água) vezes o Tempo, a dividir pelo Objectivo, sendo este a tonelagem de carne para abate. Por conseguinte, quanto mais condensada for a mistura de componentes e quanto mais água for absorvida, em menos tempo, mais rápida será a engorda. O "segredo" para um processo de engorda eficaz estará, assim sendo, na mistura de componentes, e esta obedece a um único e muito básico princípio: a metabolização dos nutrientes e a sua transformação em gordura variam, não em função das quantidades absorvidas, mas em função das substâncias combinadas e destas com a água; existe maior engorda em menos tempo quanto maior equilíbrio existir entre ácidos e bases, na mistura de componentes da ração; e quem diz substâncias ácidas e básicas, diz doces e salgados, ou féculas e fibras (por um lado) e substâncias proteicas (por outro). Por exemplo, farinha de soja e carolo de milho engordam quando misturados a 50%, mas não engordam quando absorvidos isoladamente; existem componentes resultantes da interacção dos dois que são absorvidos e metabolizados, o que não acontece no processo de digestão de qualquer deles, quando não em presença do outro.

Em tudo isto, o factor determinante é o da disponibilidade do elemento mais barato na alimentação animal: a água. Numa vacaria com trinta animais, por exemplo, é indispensável que existam pelo menos 15 bebedouros (de água corrente e limpa), um por cada par de baias colocadas frente a frente. De forma a aumentar a sede nos animais, incrementa-se a percentagem de sal na ração, por exemplo através de derivados de soja, a qual funcionará também como retentor de líquidos. É por isto que o chamado bife de vaca pesa 250 gramas quando é metido na frigideira, e sai para o prato com quase metade; o "fumo" que se desprende durante a fritura é água, paga pelo consumidor a 15€ o litro, no mínimo.

Portanto, se está mais ou menos explicado como se engorda qualquer rês para consumo, vaca, porco, frango, ou mesmo as espécies piscícolas de aquacultura, é fácil concluir que o processo inverso funcionará para emagrecer. Para emagrecer qualquer animal, mulheres e homens incluídos.

A lógica da dieta 001 assenta num facto muito simples: sessenta por cento (60%) do peso corporal é água, sendo este o elemento químico de maior influência nos processos metabólicos. Eis, portanto, a receita, as três regras para emagrecer em pouco tempo:

1. Comer tudo aquilo que se quiser, em qualquer quantidade, mas apenas uma coisa de cada vez, sem misturas ou acompanhamentos.
2. Reduzir drasticamente, ou abolir da dieta, o sal, os alimentos salgados (soja, tomate, etc.), os condimentos e os molhos.
3. Beber apenas água (a suficiente), somente no intervalo das refeições (cerca de quatro horas depois e quatro horas antes).

Isto implica, obviamente, que ficam excluídos da dieta quaisquer alimentos das chamadas "fast-food" (McDonald's, KFC, etc.) ou "junk-food" (batatas fritas, conservas, etc.). Implica também que é necessário, se uma pessoa quer mesmo emagrecer, acabar com o hábito de "petiscar": não há mais bolachinhas, ou salgadinhos, ou rebuçados "só para enganar o estômago"; se tem fome, espera pela hora da refeição seguinte (podem ser três por dia), e então come até fartar, o que mais lhe apetecer.

Apetece um franguinho? Pode comer até dois ou três, os que aguentar, desde que seja só o frango, sem batatas, nem salada, nem sopa, nem pão. Um frango inteiro e mais nada, sem beber coisa nenhuma, e sem molhos ou grandes temperos, com apenas o sal suficiente. Apetece fruta? Janta um ou dois quilos de uvas, ou de pêssegos, ou um melão inteiro, por exemplo. Ora aí está uma boa maneira de beber água sem beber água. Apetece o belo peixinho? Vá, pode ser. Um pargo inteiro, se for capaz (em dois sentidos), ou uma pratada de robalos, ou uma travessa cheia de "jaquinzinhos".

Pela inversa, é claro, também existem pessoas que sofrem por se acharem demasiadamente magras. É natural também que, do mesmo modo, a estas (principalmente damas, como se sabe) nunca tenha ocorrido a lógica das rações para animais. Se pretendem engordar, caras senhoras, é muito fácil: não precisam de comer mais ou mais vezes, apenas terão de misturar o mais possível todos os alimentos de que gostam; e, principalmente, aumentar o sal - e, por consequência, a ingestão de líquidos e a sua retenção; se não bebem álcool, devem passar a apanhar seu pifozito, de vez em quando; é perfeitamente possível engordar, e bastante, quase sem comer, apenas à base de cerveja; não comam batatas fritas simples, mas batatas fritas com maionese, ou com manteiga, e com um bifinho a acompanhar as batatas, com ovo a cavalo, e com pão para ensopar no molho, e sempre, sempre, uma sobremesa no fim. Tudo com molho, tudo o que se diz ser péssimo para a saúde, tudo salgado, apurado, condimentado. Vereis o secão que isso dá, a sede tremenda. É infalível.

E pronto. Agora é agarrar a oportunidade. A dieta 001, a verdadeira, não tem chazinhos ou mezinhas, não dá chatices e é completamente grátis, uma coisa que se faz com o que existe lá em casa. E não mete gajos que dão porrada na mulher, nem sequer espanhóis ou outros artistas. Não há cá cintas nem regimes de fome canina, muito menos bandas gástricas ou vomitório compulsivo.

Minhas senhoras, libertem-se das banhas que vos incomodam; ou arranjem, se for o caso contrário, aquelas gordurinhas que tanto desejam. Sem sacrifícios estúpidos. Isto é que é serviço público, bálhamedeus. Qualquer contribuiçãozinha para a "causa", sintam-se em casa.



Nota: na dieta de emagrecimento 001 (a verdadeira, não sei se já tinha dito), não podem entrar quaisquer produtos de origem animal não natural; isto é, nem frangos de aviário, nem bifes de aviário, nem robalos de aviário. É que todas essas porcarias contêm rações para animais, uma mistura inteligente de pólvora gordurosa e de água com sal. Absorver tais nutrientes, por esta via, é liquidar à partida qualquer hipótese de emagrecimento. Para os e as espirra-canivetes que desejam inchar um pouco, recomenda-se tudo disto e mais alguma coisa (transgénicos, por exemplo).

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28/09/05

Rrosei Moriño original


O tradutor-intérprete José Mourinho deu uma (entrevista) a um site chinês que, pela ingência, para que não perca o leitor pitada, se transcreve no original.


LONDON, Sept. 16 (Xinhuanet) -- Chelsea manager Jose Mourinho on Friday dismissed reports that Joe Cole wants to leave Chelsea, after conceding the midfielder spent much of last season mulling why he was not in the starting eleven.

A source purportedly close to Cole was quoted as saying the England international was desperate to quit the Premiership champions in search of more regular first team football.

Cole has been on the substitutes' bench for the past two games and spent the bulk of last season out of the starting line-up.

But Blues boss Mourinho is refusing to give the stories any credence and feels he does not even need to speak to Cole about the matter.

Mourinho admits it was a bone of contention for Cole last season and has suggested the former West Ham starlet would talk tohim if he was currently unhappy.

"Fór mi, ites rábish jurnalisme becóse, uéne iu du a béque peige uide aninterviu fróme noubódi, ái dounte andarxténde déte," stormed Mourinho."

"U ish de gái ine de interviu? A sórce ófe a frénde ófe a frénde ófe a frénde. Ai tinque ites anbalivabóle."

"Ai éve névere cine disse bifóre ine mái láife. A frénde óre sórce clouse tu a frénde ófe a pleiér meiques de béque peige - ites ameizingue."

"Ai quénóte cepique tu de pleiér abáute disse, ites impóssible."

"O Coule uós véri ópéne tu mi. I uós ine mái ófice láste sisóne 10 táimes, nóquing óne mái dór sei-ing "pelise quén ái cepique uide iú, pelise uái éme ái nóte plei-ing, uáte quene ái du tu impruve?" I ish ólueis sou oupéne tu mi déte ái quénóte comente."

"Ai file itsh ridiculus."

Mourinho was also quick to pour scorn on suggestions that thereis no smoke without fire regarding Cole's purported frustration atnot being a fixture in the Chelsea side.

He added: "Ife dére ish a fáire, itz a stupide fáire bicóse itsh a fáire déte éz tu barne fóre tri mantes énde, uide de reine ine Inguelande, fri mansses! Pchhhhh."

"Fóre mi ites anebelivabóle. Iú chude cepique uóne mounse bicóse de márquete ish náu clósede."

"Ife i uántes tu live i és tu ueite antile de ende ófe de iar fóre de márquete ine Januari ende éveri pleier és a praice sou dei jaste quénóte sei ai uánte tu live."

"Iú uánte tu live bate iú éve a práice
," he added.

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