Odi profanum vulgus et arceo

10/04/06

Mediocridade congénita

Que população! Dois milhões de habitantes numa área de setenta ou oitenta léguas de comprimento por quarenta e cinco de largura.

Tratando-se de ciências e de artes, dos seus médicos, dos seus físicos, naturalistas, geómetras, astrónomos, engenheiros, logo proclamam serem os melhores do universo. Os seus oradores, julgam-nos como sendo os mais eloquentes, os seus poetas os mais engenhosos e os seus historiadores os mais verídicos. Estão convencidos de que as artes foi entre eles que desenvolveram todas as graças e perfeições de que são susceptíveis e que os seus muitos monumentos atestam tal superioridade.

Pobre povo! Como podes tu estar tão enganado? Como podes iludir-te tanto sobre a tua profunda ignorância em todos os géneros, sobre a tua pouca civilização, sobre a mediocridade dos teus monumentos, a mesquinhez das tuas edificações, sobre as imperfeições da cidade que habitas, sobre os perigos a que uma má administração te expõe de contínuo, sobre a simplicidade mesquinha da corte do teu príncipe e do palácio que ele habita? Como podes tu desconhecer a superioridade das outras nações, mesmo da que é inferior a todas as outras e tu desprezas, a da corte de Espanha? Como podes tu ignorar a superioridade do pequeno número de sábios estrangeiros que vieram à tua terra e tu não soubeste atrair, a de alguns artistas apreciáveis que vieram ao teu país e não soubeste retê-los? Como desconheces esses artistas estrangeiros que aqui ficaram e que, embora medíocres, são infinitamente superiores aos teus naturais? Quais são os teus oradores? Os pregadores, tradutores dos Bourdalone, dos Massillon, dos Fléchier, dos Bossuet? Quais são os teus engenheiros, os teus oficiais de artilharia? Se tens alguns, são franceses. Se tens dois ou três bons oficiais de marinha, são ingleses. O único dos teus médicos digno de tal nome é italiano. Onde estão os teus físicos, os teus geómetras, os teus astrónomos, os teus pintores, os teus escultores, os teus gravadores os teus pintores, os teus arquitectos? Não os tens, nem nacionais nem estrangeiros.

Os teus ourives, os teus lapidários, os teus relojoeiros, são franceses, os teus melhores artífices são estrangeiros.

Sai do teu país, corre mundo, percorre a França, a Inglaterra, a Alemanha, a Itália, a Rússia, e até a Espanha; observa, admira, reflecte, humilha-te, e envergonhar-te-ás de teres nascido português, corarás de confessar onde nasceste e concordarás então que o teu país é o mais atrasado, o mais ignorante, o menos civilizado, o mais selvagem e bárbaro de todos os países da Europa.

Panorama de Lisboa no ano de 1796
J.B.F. Carrère
Ed. BN, série Portugal e os Estrangeiros, Lisboa 1989
trecho transcrito: capítulo "Superstição Nacional", página 145

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Singela homenagem aos jovens da França



Simbolicamente representados pelos dois agentes da autoridade e pelo bombeiro que se vê ao fundo, na imagem.

Jovens que trabalham e dão, literalmente, o corpo ao manifesto pelo seu país.

Jovens que lutam de forma desigual e, portanto, bravamente, contra turbas de rapazes com as hormonas aos pulos e de raparigas com a cona aos saltos.

Jovens decentes, aqueles, portanto, que também os há, e por sinal em esmagadora maioria. Não são eles os profissionais da caça ao pretexto para a arruaça e o motim. Não são jovens como eles quem, apoiados no terrorismo de Estado juvenil, na paranóia politicamente correcta, se divertem com a violência gratuita, com a mais puramente hormonal exibição da força bruta.

Não foi por eles, por aqueles jovens franceses, que a França se rendeu, capitulou, após mais um Maio do 69.

Já que não ocorre a ninguém, nunca, jamais, em tempo algum, reconhecer o valor e enaltecer a bravura da juventude, daquela que vale e que vale a pena, aqui fica o meu singelo aplauso, o meu modestíssimo, mas enérgico, se bem que anónimo louvor.

Lá como cá, sei eu, sabemos nós outros perfeitamente, poderemos sempre contar com a imensa legião de jovens normais, equilibrados, elementos das diversas forças policiais que defendem os bens e protegem as vidas dos cidadãos - da barbárie juvenil reinante, daquela ridícula minoria que não sabe nem quer saber como controlar a testosterona em excesso.

O que diz ou diz pensar um "estudante", francês, português ou Taliban, quando utiliza o fogo-posto, a destruição, a agressão e a pilhagem como argumentos, merece apenas uma e uma só resposta: porrada neles.

Abençoada polícia-de-choque!


imagem: USA Today
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07/04/06

Como? Como? Perdão, perdão. Isto aqui é uma casa de respeito.


http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=ISO-8859-1&q=como%20escavacar%20uma%20gaja%20a%20porrada&meta=

"Como escavacar uma gaja à porrada?" Escavacar? Uma gaja? À porrada? Foda-se! Aqui não há disso. Era o que faltava! Juízo, ora, ora.

(Chefinho, e não diga que vai daqui: primeiro espete-lhe uma cabeçada em cheio nas ventas; depois, é a gosto. Desem-merde-se. Uns pontapés a esmo, onde calhar, por exemplo. Não me diga que não sabia. Ah, seu malandro. Onde já se viu, como dizem uiss nóssuz irrmãuns. Bata na mulher não, sô! Kié issô mêirrmãum! Gajas há muitas. Essa que se foda. Bocê num se desgrace, carago! A próxima, se também se armar em esperta, que se foda tamenhe. Que se fodam as mulheres todas. Bater-lhes é que não, amigo. Isso nunca. Só em legítima defesa, claro. Ou em se dando o caso de esta ou aquela gostar; em qualquer desses raríssimos casos, por mais que isso nos custe, a nós, pessoalmente, há que fazer peito, das tripas coração, e tunga, pimba, toma, toma, toma e embrulha. Um sítio onde nunca se deixa marcas e, por conseguinte, provas, é na zona do fígado; e isto vale "para ambos os sexos", como nos barbeiros à moda antiga, quando os paneleiros eram uma minoria irrisória. Mas enfim, ó amigo; veja lá isso. Não bata na chavala, caralho. Não faça semelhantisso. )


Ao cuidado da nossa estimada e inestimável ERC, aí vai, devida e ciberneticamente bufada, a identidade e demais dados do energúmeno, esse grandessíssimo cara de caralho que alarvemente pretende rebentar uma gaja:

Domain Name bluewin.ch ? (Switzerland)
IP Address 81.62.42.# (Bluewin)
ISP Swisscom Fixnet AG
Location Continent : Europe
Country : Switzerland (Facts)
State/Region : Zurich
City : Zrich
Lat/Long : 47.3667, 8.55 (Map)

Language French
fr
Operating System Macintosh MacPPC
Browser Internet Explorer 5.0
Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.0b1; Mac_PowerPC)
Javascript version 1.3
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Color Depth : 8 bits

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Search Words como escavacar uma gaja a porrada
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Um imigronte do cacete, vê-se logo. Ganda filho-da-puta. É apanhá-lo, a esse ganda cabrão, e fodê-lo logo ali, à vista. Uma cabeçada no meio da testa, fodeu, arrumou, uns pontapés discretos (na zona do fígado), uma ou duas patadazitas em cheio nas mãos, a partir-lhe os deditos todos e, para concluir em beleza, um pontapé de grande-penalidade em cheio na boca, a fazer-lhe voar uns quantos dentinhos. Toma, toma toma, sacana. Já estás aviado. Gostastes?

P.S. Ó amigo. É "à porrada", não "a porrada". Contracção de preposição e artigo, ok? Isto, ora vejamos, ele há que ser rigoroso nas coisas. Uma merda com acento, grave ou agudo, é diferente da mesma merda sem acento. Sejamos claros.

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Já tinha dito que este gajo tem um piadão?



Se não disse, digo agora: este gajo tem um piadão.

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Largamabraguilha


Pá, larga-me a braguilha!, é o que sempre digo
Quando me fodem o juízo, me azucrinam as meninges.
Larga-me a braguilha, caralho, será que não atinges?
És uma chaga insuportável, és uma porra, és um perigo.
Deixa-me em paz, por favor, andor, põe-te nas putas!
Desanda, pisga-te, vai-te foder, queres mais claro?
Mas afinal, disto que te digo, que parte não entendes?
Já não posso aturar-te, foda-se, não dá, não consigo.
Estou cheio, farto até aqui das tuas malditas lutas,
Das zangas, das confusões, das eternas disputas,
Da tua suposta inteligência, do teu insuportável faro
Para as coisinhas mais pequenas, menos importantes.

Quero ver-te pelas costas, tchau, e depressinha.
Ainda tenho vida para viver, gente para conhecer
E muito, mas muito mais, tanto de útil para fazer.
Compreendes, ou queres que te faça um desenho?
Foi uma asneira, uma asneira integralmente minha,
Mas agora só há que seguir em frente e esquecer,
Virar a página, partir, fugir, escapar, desaparecer.
O que eu era já não sou, o que tinha já não tenho.
Os tempos eram outros, já lá vão, isso era dantes.
Agora (há quanto tempo?) é só tédio, só chatices.
Estou farto disto tudo, e de mim, e vice-versa.
Mas enfim, bem sei, o que te peço é impossível.
Não entendes, é natural, e é isso que é terrível.
Ninguém corta relações ou acaba consigo mesmo.
Pelo menos, não assim só de conversa. Essa é que é essa.





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Cromos repetidos: A Solução Final (Endlösung)


Rauchen Verboten
Estudos para uma nova sinalética anti-fumaica


modelo de letreiro para ghetto de fumadores em espaços públicos (aeroportos, gares, etc.)


modelo de etiqueta para fumadores, pendurada ao pescoço, afixada na lapela ou em braçadeira



Nicht rauchen macht frei! Sieg Heil!



Cromo repetido de 28 Dezembro 2005.
A "aeroportos, gares, etc.", juntar ao etc. cafés, restaurantes, espaços públicos "em geral". A etiqueta passará também a ter modelo de ferro, para gravação rechinante, definitiva e indelével, nas costas, no peito, na testa e nas bochechas da rês tabagista.
Dentro de quatro ou cinco anos, por volta de 2010, os fumadores restantes serão executados sumariamente, com um tiro na nuca, de forma limpíssima e extremamente saudável. Ficará então, por conseguinte, mein Führer, cumprido o plano de extermínio da raça fumaica, sob a superior, brilhante, inteligente orientação do nosso estimado líder, que Deus proteja. Livre para sempre daquela praga nojenta, poderá por fim, a nossa gloriosa raça ariana, viver feliz e em paz, cumprindo-se afinal, plenamente, os supremos desígnios da nossa missão sobre a Terra. Nós, os eleitos, poderemos então dizer, com toda a glória: agora sim, já se respira melhor.
H.G.

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25/03/06

Mira


Me ha llegado un correo referente a la gripe aviar que quiero compartir con todos vosotros.

(extracto de la Editorial del número 81 abril-2006) la revista DSALUD por José Antonio Campoy)

¿Sabes que el virus de la gripe aviar fue descubierto hace 9 años en Vietnam?
¿Sabes que desde entonces han muerto apenas 100 personas EN TODO EL MUNDO TODOS ESTOS AÑOS?
¿Sabes que los norteamericanos fueron los que alertaron de la eficacia del TAMIFLU (antiviral humano) como preventivo?
¿Sabes que el TAMIFLU apenas alivia algunos síntomas de la gripe común?
¿Sabes que su eficacia ante la gripe común está cuestionada por gran parte de la comunidad científica?
¿Sabes que ante un SUPUESTO virus mutante como el H5N1 el TAMIFLU apenas aliviara la enfermedad?
¿Sabes que la gripe aviar hasta la fecha solo afecta a las aves?
¿Sabes quien comercializa el TAMIFLU? LABORATORIOS ROCHE
¿Sabes a quien compró ROCHE la patente del TAMIFLU en 1996? a GILEAD SCIENCES INC.
¿Sabes quien era el Presidente de GILEAD SCIENCES INC y aun hoy principal accionista? DONALD RUMSFELD, actual Secretario de Defensa de USA
¿Sabes que la base del TAMIFLU es el anís estrellado?
¿Sabes quien se ha quedado con el 90% de la producción mundial de este árbol? ROCHE
¿Sabes que las ventas del TAMIFLU pasaron de 254 millones en el 2004 a más de 1000 millones en el 2005?
¿Sabes cuantos millones más puede ganar ROCHE en los próximos meses si sigue este negocio del miedo?

O sea que el resumen del cuento es el siguiente: Los amigos de Bush deciden que un fármaco como el TAMIFLU es la solución para una pandemia que aún no se ha producido y que ha causado en todo el mundo 100 muertos en 9 años.
Este fármaco no cura ni la gripe común. El virus no afecta al hombre en condiciones normales. Rumsfeld vende la patente del TAMIFLU a ROCHE y este le paga una fortuna. Roche adquiere el 90% de la producción del anís estrellado, base del antivírico. Los Gobiernos de todo el Mundo amenazan con una pandemia y compran a ROCHE cantidades industriales del producto.

Nosotros acabamos pagando el medicamento y Rumsfeld, Cheney y Bush hacen el negocio.... ¿ESTAMOS LOCOS, O SOMOS IDIOTAS?

miapaqué...


http://www.ciao.es/Gorrion__Opinion_1100147

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23/03/06

Trigo, água, sal e fermento

De manhã o pão sabe melhor, mais fresco, natural.
E assim à noite é recesso, desagradável, artificial.
Como esse teu sorriso primordial, especial, virginal
Era antes (há que anos) lindo, quase sobrenatural.
A juventude, mulher, é a manhã da vida, tal e qual
Um brusco entardecer é a velhice, vida livre do mal.
Sempre nesta busca pelo maravilhoso, salgado sal
Este que tempera o mesmo pão, este mesmo, o tal
Que muito mais, melhor apetece pela manhã, essencial.
O mesmo sal que dá sabor, relevo, esplendor ao teu mistério
Mesmo quando toda és intrigante, como um escuro cemitério
Das coisas que repousam ali, sós, todo aquele ar muito sério.
O mesmo sal do teu suor tempera este meu pão matinal
Em duas metades, e tu no meio, como um recheio genial.
Memória tragável és tu, refeição frugal, meu pão etéreo.

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05/03/06

e...

Há um dia novo em cada rosto da multidão que passa, indiferente.
Em cada rosto da multidão, indiferente, há um novo dia que passa.
Passa um novo dia, em que há multidão indiferente em cada rosto.
Multidão. Há em cada rosto indiferente um dia que passa de novo.
Um rosto na multidão que passa indiferente. Há de novo, em cada dia!
Da multidão que passa, há em cada dia de novo um rosto indiferente.
Indiferente à multidão que passa, há um dia novo em cada rosto.
Há um rosto que passa, novo e indiferente em cada dia à multidão.
Rosto novo na multidão. Dia indiferente em que há um que passa.
Cada dia, passa; de novo, um rosto na multidão; que há de indiferente?

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----- Original Message -----

Sent: Saturday, March 04, 2006 4:28 PM
Subject: Petição

Assine esta Petição Online contra esta nova artimanha da Banca portuguesa para aumentar os seus já faraónicos lucros à nossa conta.

http://www.petitiononline.com/bancatms/petition.html


A sua assinatura é importante!

Quando estiver reunido o número suficiente de assinaturas, a petição será enviada a todas as instituições bancárias, a associações de bancos, banco de portugal e ao maior número de orgãos de informação que fôr possível.

Reenvie s.f.f. esta mensagem aos seus contactos e colabore na passagem desta mensagem.

Cumprimentos,

José Pires
weblog: ww.espreitador.blogspot.com

weblog: www.prahoje.com.br/aruadoscontos



Não apenas assino, por baixo e com firma reconhecida, como anexo um recadinho a quem de direito: caros banqueiros, capitalistas, anarquistas, ou o raio que vos parta, ide mas é mamar na quinta pata de um bezerro. Valeu?

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26/02/06

A(bre)núncio

Senhora (masculina ou feminina)
Precisa-se
para cavalheiro (masculino) mais ou menos em bom estado de conservação.
Indicar motivo da resposta.

(anúncio publicado no DN de ontem, 25)

Obs.: por Despacho de um burocrata/democrata qualquer, algures no pós-PREC, todos os anúncios de oferta de emprego têm de "aceitar" ambos os sexos. Em nome da "igualdade" dos ditos e das respectivas "oportunidades" de emprego. Daí o esplêndido surgimento de novas profissões, cargos e modos de vida como ministra, juíza, secretário de direcção, cerzideiro, lavadeiro, homem-a-dias, porteira de discoteca, "presidenta", generala, marinheira, "feijona-verde", prostituto, chula, vendedeiro, engomador, governanto, sapateira, recepcionisto, "comanda" (Regimento de Comandos), canalizadora, estucadora, pedreira (de toscos e de limpos), sinaleira, telefonisto, desmanchadeiro, árbitra, capadora, forcada, verduga, carrasca, ditadora, manicuro, pedicuro, saltimbanca, trapezisto, palhaça, marçana, homem da fava-rica, etc., etc., etc.
Tudo M/F, como manda a Lei.

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19/02/06

O anonimato, velha e relha questão


Só representando o papel de homem nulo, indiferente, distraído sem talentos nem capacidade de conhecimento e apreciação consegui escapar às investigações sôfregas e persistentes do enxame de espiões que infesta Lisboa. Passei assim a ser olhado como um homem vulgaríssimo. Firmado no conceito da minha nulidade, consegui escapar. Não obstante, não deixei de ter sobressaltos todas as vezes que havia uma rusga policial, o que frequentemente acontecia. A cada uma delas, novos alarmes.

Mil vezes me julguei espiado pela polícia e outras tantas me supus perseguido pela milícia destes vis e infames quadrilheiros A imaginação sobressaltada representava-me já enterrado numa masmorra como asilo que me fora destinado, ouvindo o arrastar das grilhetas, a sentir o seu peso. Todas estas fantasmagorias bastavam para me enregelar e prostrar de terror, e, tremente, sentia-me aniquilado.

Quantas vezes, durante a noite, o mais pequeno ruído me fez cobrir de suores de morte! Quantas outras tantas vezes as pancadas na aldraba da minha porta me causaram temores, tremuras e apertos de coração! A minha situação durante seis meses foi bem digna de dó.

Não obstante, tive a coragem de prosseguir nas minhas anotações e de concluir a obra que começara. E se forem consideradas as inquietações que ela me custou, bem como os perigos a que me expus, este livro merece ser recebido com indulgência e alcançar algum êxito.

Logo que me foi oferecida a oportunidade de publicar as minhas notas, agarrei-a com ambas as mãos.

Neste livro revelo Lisboa nos seus aspectos moral, físico, civil, político e religioso, e forneço pormenores interessantes e curiosos sobre esta cidade, sobre a corte, os habitantes e os costumes. Todas estas observações valem pela novidade e revelam, com verdade, as gradações da rudeza, da ignorância, da nulidade e do ridículo desta sociedade que acumula aqueles defeitos com presunção, orgulho e pretensiosismo. A culpa deste estado cabe, no geral, certamente ao povo português, mas principalmente recai sobre aqueles que o governam. Não me foi possível alindar as imagens que aqui deixo; fazê-lo seria faltar ao respeito que devo à verdade.

Pessoalmente, nada temo ao publicar o resultado das minhas observações; receio, porém, que grande número de outros indivíduos venha a ser vitima inocente da vingança do governo português...

Essa vingança perseguirá com persistência, que não abrandará, o desgraçado que se torne suspeito de ser autor desta obra, pois basta tal suspeita para, se o puderem haver às mãos, com os tormentos mais cruéis acabarem com ele. E tal vingança, mesmo em países onde as leis mais cuidadosamente velam pela segurança dos indivíduos, mesmo aí alcançar - se o não puderem raptar, o punhal ou o veneno bastarão para o roubar à sociedade, armas que os portugueses costumam usar.

As precauções que tomei constituem a minha segurança - não sou suspeito nem o serei nunca, podendo voltar a Portugal sem receio. Vivo num país onde a liberdade dos cidadãos é respeitada e protegida, onde se não teme as violências do funesto despotismo dos ministros e dos reis; mas tantas pessoas têm sido vexadas, perseguidas, ultrajadas e tratadas com tão revoltante indignidade pelos poderes de Portugal que é lícito conjecturar que uma tal vingança venha a cair sobre um desses repatriados, suspeitosamente acusados. Para evitarem equívocos e acertarem, hão-de envolver muitos na mesma suspeita e os que tenham revelado faculdades de observação, sensibilidade, coragem, energia e algum talento literário - serão as infortunadas vítimas, cujas cabeças hão-de tombar aos golpes da vingança portuguesa.

Desde já denuncio a toda a Europa esse novo atentado. Se vier a haver alguém violentamente maltratado pelo governo português e se depois de preso desaparecer e perecer violentamente vítima da sanha ministerial dos subdéspotas de Portugal - pela morte da vítima se identificará o assassínio.

Nesse caso terei sido eu, com o meu livro, a causa inocente da sua perda. Tenho, portanto, o dever de ser o seu vingador retomando a pena para revelar universalmente este novo crime dos ministros de Portugal. Demonstrá-lo-ei com tanta energia como verdade e apontá-lo-ei tanto mais atroz quanto é inocente a vítima, chamando sobre os autores do crime a indignação de toda a Europa e a abominação dos séculos.



J.B.F Carrére, Panorama de Lisboa no ano de 1796, prefácio do autor, pág. 21
ed. Biblioteca Nacional, série Portugal e os Estrangeiros
BN, Lisboa, 1989

(Nota: para uma perspectiva mais actual, onde se lê "governo português", leia-se "blogosfera portuguesa", e onde se lê "ministros", leia-se "blogs de referência")

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11/02/06

Sílvia Alberto


Bonita
Simpática


Sanpaku

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08/02/06

Cartoon publicitário


O Sr. Garcia, dono de uma fábrica de pregos, pediu a um publicitário que lhe criasse um cartaz para promover a sua empresa.

No dia seguinte, o publicitário apareceu na fábrica, radiante.

_ «Ora aqui está, xô Garcia» - e desenrolou o cartaz: um crucifixo, Cristo pregado de pés e mãos; por baixo, os dizeres

Pregos Garcia
mil anos de garantia


_ «Homem», diz o Sr. Garcia, «mas o que é isto? Você quer ver se me arranja chatices? Ora, ora, volte lá para o seu boteco e traga-me uma coisa mais maneirinha.»

O publicitário engoliu em seco e foi embora.

No dia seguinte, regressou com novo cartaz: Cristo pregado na cruz, mas com um dos braços solto, pendurado. E os dizeres

Com Pregos Garcia
isto não acontecia



_ «Homem, caramba, assim não pode ser! Então não vê que uma coisa destas pode ofender? Vá, vá, vá; tente lá fazer melhor e depois volte.»

No dia seguinte, o publicitário estava de volta com outro cartaz: desta vez, não havia Cristo, apenas o crucifixo com os seguintes dizeres por baixo:

Com Pregos Garcia
o Homem não fugia


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07/02/06

Haja esperança, ao menos em Esperanto


POR LA BONEGECO DE LA HUMURO
--------------------------------------------------------------------------------
Ci-muzeo kaj la urbo de Porto, ambau ekde la 1997-a jaro dividas la atenton pri la bildodesegno. Gi enkadrigas en la Internacia Galerio de Bildodesegno kaj celas la tutan disvastigon de aro de eroj, kiuj enkorpigas la gravecon de la humura desegno en la mondo.
Ankorau nedefinitiva, la Virtualan Muzeon de Bildodesegno oni malkovru kiel dinamikan spacon, kies personaj, temoj, galerioj, ktp, lautempe longe kreskos.
Gi celas valorigi la universalan bildlingvon ege dezirante la bonegecon de humuro. De estinteco al estanteco, car la homeco ridanta kaj ridiganta ciam dauras kaj ec antauas la prahistoriajn spurojn de la kavaj homoj. Pro tio ci-muzeo ankau malfermas spacon al sugestoj kaj helpagoj. Ili estas bonvenaj.

Muzeado de bildlingvo universaligas la lingvon de bildodesegno.
--------------------------------------------------------------------------------
Luís Humberto Marcos
Museu Virtual do Cartoon


As caricaturas "satânicas"
http://permanent.nouvelobs.com/cgi/edition/aff_photo?cle=20060202.OBS4859&offset=1

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Kongeriget Danmark


bandeira da Dinamarca; click para ouvir o hino

Hino Nacional da Dinamarca
(click para ouvir)
(ficheiro do hino alojado em http://www.navyband.navy.mil/anthems/denmark.htm)

DANISH LYRICS

Der er et yndigt land,
det står med brede bøge
nær salten østerstrand;
nær salten østerstrand;
det bugter sig i bakke, dal,
det hedder gamle Danmark,
og det er Frejas Sal
og det er Frejas Sal

Der sad i fordums tid
de harniskklædte kæmper,
udhvilede fra strid;
udhvilede fra strid;
så drog de frem til fjenders mén
nu hvile deres bene
bag højens bautasten
bag højens bautasten

Det land endnu er skønt,
thi blå sig søen bælter,
og løvet står så grønt;
og løvet står så grønt;
og ædle kvinder, skønne mø'r
og mænd og raske svende
bebo de danskes øer
bebo de danskes øer

Hil drot og fædreland!
Hil hver en danneborger,
som virker, hvad han kan!
som virker, hvad han kan!
Vort gamle Danmark skal bestå,
så længe bøgen spejler
sin top i bølgen blå
sin top i bølgen blå

---
ENGLISH TRANSLATION

I know a lovely land
With spreading, shady beeches
Near Baltic's salty strand;
Near Baltic's salty strand;
Its hills and valleys gently fall,
Its ancient name is Denmark,
And it is Freya's hall
And it is Freya's hall

There in the ancient days
The armoured vikings rested
Between their bloody frays
Between their bloody frays
Then they went forth the foe to face,
Now found in stone-set barrows,
Their final resting place
Their final resting place

This land is still as fair,
The sea is blue around it,
And peace is cherished there.
And peace is cherished there.
Strong men and noble women still
Uphold their country's honour
With faithfulness and skill
With faithfulness and skill

Praise King and Country with might
Bless every Dane at heart
For serving with no fright
For serving with no fright
The Viking kingdom for Danes is true
With fields and waving beeches
By a sea so blue
By a sea so blue
(fonte: http://david.national-anthems.net/dk.txt)



EMBAIXADA DA DINAMARCA EM PORTUGAL
Rua Castilho, 14 C -3º Andar
1250LISBOA
Tel: 21 351 29 60
Fax: 21 357 01 24
(fonte: http://europa.eu.int/youreurope/nav/pt/citizens/addresses/pt/entryintoms/pt.html)

Informações sobre a Dinamarca
C.I.A.: http://www.cia.gov/cia/publications/factbook/geos/da.html
Wikipedia (Eng.): http://en.wikipedia.org/wiki/Denmark
Wikipédia (Port. Br.): http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinamarca

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06/02/06

Ecce fascismus


Em Agosto do ano passado, ficou aqui o aviso: Diácono Remédios estava a afiar o lápis azul.

Pronto. Já está. Os neofascistas tomaram o poder. A primeira vítima portuguesa detectada é um blog designado por Ordem Negra. Presumo, a julgar pelo nome, que será alguma coisa relacionada com o fascismo, propriamente dito, mas não devemos tirar conclusões precipitadas. Para quem abre aquela página, o que aparece é isto(*):

CONTENT WARNING
Some readers of this blog have contacted Google because they believe this blog's content is hateful. In general, Google does not review nor do we endorse the content of this or any blog. For more information about this message, please consult our FAQ.

I do not wish to continue | I understand and wish to continue



Tradução
AVISO SOBRE CONTEÚDO
Alguns leitores deste blog contactaram a Google, porque são de opinião que os conteúdos deste blog são odiosos. Regra geral, a Google não examina e nós não sancionamos os conteúdos deste ou de qualquer outro blog. Para mais informações sobre esta mensagem, é favor consultar as nossas FAQ (perguntas mais frequentes).

Não pretendo continuar | Fico ciente e pretendo continuar



Falo por mim. Não ia entrar no site. Mas, assim sendo, fico ciente e pretendo continuar.

Ora vejamos o Ordem Negra.



(*) Pelo que depreendo, a página de "aviso" apenas aparece no caso de aquele endereço não constar do histórico de visitas; à segunda tentativa, como é lógico, e dentro do prazo determinado nas configurações (nº de dias a conservar no histórico), a simpática missiva já não chateia e entra-se directamente no blog. Olha que bem.

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03/02/06

Bull

You are .gif Sometimes you are animated, but usually you just sit there and look pretty.

Which File Extension are You?


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Cédula pessoal

Momento de crítica livresca

«Enquanto estudantes, não temos de estudar; enquanto trabalhadores, não temos de trabalhar; enquanto membros da comunidade, não temos de (nem podemos) mexer uma palha.»(*)

Esta citação é do livro Bilhete de Identidade, escrito por Maria Filomena Mónica, e foi para aqui transcrita com modificações a nível de pontuação. O que remete imediatamente para a questão mais pungente, por assim dizer, que a leitura desta obra por certo fará germinar no cérebro de qualquer pessoa habilitada com o Curso Geral dos Liceus, ou equivalente: será que a Maria não tinha dinheiro para pagar a um bom revisor de provas? Ou terá sucedido que a Filomena faltou a todas as aulas de Português, até ao 5º ano? Ou, ainda, andará nossa Mónica lendo António Lobo Antunes desde a mais tenra infância?

Não se pretendendo escritora, muito modesta e apropriadamente, Filomena Mónica editou um caso paradigmático de algo que poderia ser, ou ter sido, obra de mérito e a merecer reflexão, mas que perde irremediavelmente pela falta de revisão; nestas condições, com o material tal e qual seguiu para a editora, torna-se difícil, quase impossível, a leitura das suas memórias. O que é, evidentemente, uma pena. Eis um caso exemplar de desperdício. Não se trata de perfeccionismo, muito longe disso, mas apenas do mais básico grau de exigência, prerrogativa de qualquer leitor, compulsivo ou não, ou de qualquer simples consumidor de livros.

Uma vírgula mal colocada, como sabe o mais mediano dos alunos liceais, pode alterar completamente o sentido de uma frase; o mesmo vale para o excesso, a profusão de vírgulas, coisa na qual a amiga Mena também parece ser especialista, à semelhança do anteriormente referido produtor de livros.

Antigamente, falava-se aos jovens da importância da pontuação citando a velha lenda da "pichagem" dos tempos de Salazar. Sucedeu uns dias depois de o ditador ter "caído da cadeira"; no longo e histórico muro da Rua da Alfândega, em Lisboa, apareceram - em letras garrafais - os seguintes dizeres:

Morra Salazar
Não Faz Bem à Nação

A coisa ter-se-ia tornado notada, e politicamente delicada, se não tivesse surgido mão caridosa, e igualmente anónima, que rapidamente torneou o problema:

Morra Salazar?
Não! Faz Bem à Nação

Apenas dois sinais de pontuação que viravam completamente do avesso o sentido das palavras.

Se necessário fosse, a prova definitiva de que o material publicado deve estar formalmente correcto reside nisto: a autora consegue condensar, em apenas vinte e quatro palavras, todo o conceito de portugalidade, resumir os pilares existenciais do português comum, caricaturar com rigor a chamada "alma nacional" portuguesa; no entanto, a pontuação absolutamente desastrada da frase liquida na origem, por ausência de forma ou por deformação, o conteúdo da mensagem. Tanto assim que todo o presente texto, despretensiosamente crítico, se refere ao problema da forma e não à densidade, à curialidade, à precisão cirúrgica do conteúdo; aquela construção frásica tripartida, se bem escorada, representaria talvez o diagnóstico mais certeiro alguma vez produzido sobre Portugal e a sua doença crónica, a preguiça mórbida; ora, como está, conforme saiu da editora, o livro, as frases, o diagnóstico, tudo acaba por evidenciar aquilo que pretende denunciar: preguiça.

Enquanto escritores, pelos vistos, não temos de saber escrever. Faltou essa.

O que não invalida, mesmo assim, que a autora de Bilhete de Identidade tenha conseguido, de facto, traçar um retrato fidedigno do Portugal do terceiro quartel do século XX; apresenta-nos, de forma quiçá questionável, o seu próprio percurso de vida, como bilhete de identidade, tornando-se mesmo de certa forma incómoda, pela exposição da intimidade de pessoas ainda vivas; mas o que perpassa naquelas páginas é bastante mais do que um simples B.I., é também a cédula pessoal da alta burguesia lisboeta, o boletim de sanidade da intelectualidade de então e o passaporte que existia naquela época para escapar à mediocridade vigente.

Ponto final, parágrafo?


Bilhete de Identidade
Memórias 1943-1976
Maria Filomena Mónica
Alêthea Editores, Lisboa, Outubro 2005
ISBN 989-622-012-3

(*) pág. 273

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02/02/06


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http://www.biotherapy-clinic.com/pain.html
http://www.as.wvu.edu/mlastinger/pain.htm

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