Odi profanum vulgus et arceo

23/08/06

Opinião a martelo


Como se faz opinião em Portugal
Informações de que disponho indicam que há blogues que recebem dinheiro para escreverem certas e determinadas coisas.

Frenchkissin

É impossível que o autor de um blog onde se publicam semelhantes calinadas seja director-adjunto do vetusto Diário de Notícias. Pode lá ser! São homónimos, é o que é, este JMF do Frenchkissin e o JMF do DN.

Ninguém chega a director-adjunto de um diário de grande circulação(**) sem passar, ao menos, no exame da 4ª Classe(*). Por outro lado, há o pormenor da insinuação contida no post citado; presume-se que um director-adjunto de um jornal seja, no mínimo, jornalista(**); ora, tendo passado o exame da 4ª classe(*) e tendo talvez concluído o Ensino Secundário, mesmo queimando a etapazinha da licenciatura, dever-se-á ter seguido a obtenção da chamada "carteira profissional", um papel que atesta a condição de "jornalista" a qualquer pessoa; ora, o jornalista está, liminarmente e por inerência deontológica, impedido de declarar publicamente suspeições, implicando estas terceiros, sem apresentar as provas que sustentam as suas afirmações.

Mais uma prova, esta ausência de provas, de que este JMF não é director-adjunto de coisa nenhuma, quanto mais de um jornal como o venerável Diário de Notícias. Pode lá ser, repitamos compungidos. Caneco.

"Informações de que disponho"? Quais? "Há blogs que recebem dinheiro"? Quais? "Para escreverem certas e determinadas coisas? Quais coisas é que eles devem escreverem? Sim, exactamente quais, ora vamos lá a saberem.

Então, e nos outros meios de comunicação social, como, por exemplo, nos jornais, quem lá trabalha não recebe dinheiro para escreverem "certas e determinadas coisas"? Os jornalistas não receberem guito, cheta, papel, pilim, massa, por aquilo que escreverem? Essa é famosa. Onde já se viu?

Blogs a receberem pagamento a troco de escreverem não estas ou aquelas coisas, mas outras, oh, muito outras, muito certas e determinadas? Macacos me mordam se alguma vez alguns de nós poderíamos imaginarmos tal coisa!

Estou varado, acreditarem. Ai é assim que se faz opinião em Portugal?

Xi.



(*) Acabo de ser informado de que o exame da 4ª Classe já não existe. A própria 4ª Classe também já não existe; agora chama-se 4ª Ano, ou lá o que é, e não tem exames porque parece que não era preciso.
(**) Por telefone, uma alma caridosa acaba de me informar de que também nisto estou enganado, porra.

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17/08/06

De profundis, balsa lenta

Há exposições grandes e há exposições caninas.

"A Revolta dos Pastéis de Nata" é uma coisa sem gracinha nenhuma, o que só prejudica a reputação dos ditos.

Sempre que me visto, penso se valerá a pena.

Quando não sei bem o que fazer, penso se não seria melhor talvez tomar uma decisão.

Mesmo que não pareça, há um significado escondido em cada martelada que se acerta num dedo.

Haiku é a arte Bonsai aplicada à poesia.

Já não me lembro de quando tinha uma memória como deve ser.

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15/08/06

Naide Gomes: bronze, prata e ouro

Naide Gomes



"_ Queria provar que também sou boa ao ar livre"
Disse Naide Gomes, depois de ganhar mais uma medalha de prata nos Campeonatos da Europa de atletismo.



Moça: debaixo de água, no pico do Everest, em ambientes completamente viciados, a saltar de pára-quedas, dentro de um escafandro, a comer um "duchaise" com as tias de Cascais, a jogar matrecos num salão-de-jogos, dentro ou fora de qualquer edifí­cio, faça chuva ou faça sol. Hás-de ser sempre podre de boa.

(imagem de jornalinside.com)


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11/08/06

31º aniversário

click para ampliar

TIME Magazine, 11 de Agosto de 1975

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07/08/06

Googlism

bater à punheta provoca cancro

Não, chavalo, podes ficar descansado. Bate lá quantas punhetas quiseres. Que se saiba, nem uma constipaçãozinha, quanto mais cancro. Caga na Google, pá.

(psst, chavalo, olha, faz o seguinte: pergunta isso a uma amiga tua; diz-lhe que estás muito necessitado, e tal; vais ver; as mulheres pelam-se por ajudar um gajo em apertos de falta de... entendes? Vá. Não te acanhes. Afianço. Pega sempre, esse número. E depois não digas que vais daqui. Força. Dá-le.)

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Horror bargain (horror em saldo)


Esta "T-shirt" pode ser comprada num Centro Comercial Virtual,, pela módica quantia de 18,99 dólares americanos. Uma verdadeira pechincha. Disponível em cor branca, é, segundo garante o fabricante, a mais confortável de sempre, 100% algodão pré-lavado, durável e com garantia. Vem estampada com uma fotografia que foi capa de diversas publicações de grande circulação, por esse mundo fora, e enquadrada com um motivo gráfico muito artístico, letras como se escorrendo sangue e os dizeres: You can't hug your children with Israeli arms. Don't rearm Israel, disarm Israel.

Há quem alegue tratar-se a fotografia, não a camiseta, de mais uma encenação, tendo por protagonista o já conhecido actor Green Helmet, alegadamente especializado em cenas que metam cadáveres de crianças; parece que este profissional costuma actuar com um "partenaire", Mr. White Tshirt, contracenando ambos, ocasionalmente, com Mrs. Wreckage, que faz o seu número em qualquer lugar onde existam destroços.

Claro que não podemos, não pode ninguém com um mínimo de humanidade, acreditar em tais acusações e alarvidades. Não é possível que alguém seja capaz de exibir cadáveres de crianças para as câmeras dos repórteres, representando postiça e industrialmente cenas de desespero. É impossível que alguém seja capaz de agitar nos braços o corpo destroçado de um pequeno ser humano, e depois outro, e outro, e que escolha os mais ensanguentados, decepados, hediondamente mutilados, e que se ponha a jeito para o melhor ângulo, o mais perfeito enquadramento, a mais fotogénica pose de horror. Não. Não podemos nem devemos acreditar em tudo aquilo que nos dizem. Pode lá suceder que aquela velhinha chorando a perda de todos os seus bens, rodeada de cacos e destroços por todos os lados, seja sempre a mesma, representando cena igual em locais diferentes. Não. Mas como é possível?

Alguém, em seu perfeito juízo, seria capaz de andar vasculhando os escombros em busca de crianças mortas? Essa não que tem pouco sangue, esta é parecida com uma que já mostrei, tragam-me outra, vejam se encontram uma rapariguinha sem pernas ou sem braços, este miúdo aqui pode ser, está todo desfeito. Mas que espécie de monstros somos nós, afinal, ou é capaz de ser o nosso semelhante? Não pode ser. Não, não podemos crer em tal, é impossível. É mentira. Não acreditemos em tudo o que nos dizem.

E também, prudentemente, avisadamente, não acreditemos cegamente em tudo aquilo que nos mostram. O horror está em saldo porque alguém o compra. Ou porque alguém o vende, talvez.

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06/08/06

Beirute, Líbano, Agosto 2006




"Smoke simply does not contain repeating symmetrical patterns like this, and you can see the repetition in both plumes of smoke. Theres really no question about it."


Reuters employee issues 'Zionist pig' death threat
Worker suspended after telling American blogger: 'I look forward to day when you pigs get your throats cut' Yaakov Lappin



Afinal, parece que existe mesmo fumo sem fogo. Montes de fumo, por sinal, e muitíssimo mal parido. Um verdadeiro "porco sionista" legendaria a foto verdadeira com algo do género "A baixa de Beirute, em plena hora de almoço, vendo-se do lado esquerdo o edifício da maior churrasqueira do país em plena laboração".

(tema via O Insurgente)

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05/08/06

Igreja do Abençoado Cigarrinho - acta de fundação

Em Lisboa, a 5 (cinco) de Agosto de 2006 (dois mil e seis), reuniram-se as seguintes pessoas:
Sr. DODO
Sr. 001 (Zero Zero Um)
Sr. GODOT
sendo todas estas pessoas de maioridade.
Para melhor organização desta reunião, decidiu-se que presidiria a ela o Sr. Dodo, actuando como Secretário o Sr. 001.
Os reunidos tiveram uma ampla troca de impressões acerca da ideia de se constituir uma Igreja do Imaculado Cigarrinho, que terá o seu domicilio nesta Cidade, mas de âmbito não apenas Nacional como também Internacional, e que terá como objectivo "congregar e auxiliar todos os crentes nos benefícios do tabaco, em especial dos cigarros SG Filtro, das cigarrilhas Mercator e dos charutos Monte Cristo, principalmente estes, dada a sua condição divina, atestada pela própria designação, especialmente em torno da problemática da profunda reflexão que representa o acto de fumar, assim como para a prevenção e denúncia de situações grotescas de exclusão social e de perseguição sistemática a que são sujeitos os fumadores nas actuais sociedades ditas evoluídas".
Faz-se constar, assim, que tal Igreja não terá fins lucrativos.
Os reunidos estudaram um projecto de Estatutos e decidiram, por unanimidade:
Constituir a IGREJA DO ABENÇOADO CIGARRINHO ou, abreviadamente, IAC, que terá como finalidade a promoção dos interesses dos ditos fumadores, como se transcreve acima.
Aprovar o projecto de Estatutos referido e que segue em anexo à presente acta, para aprovação oficial.
Aprovar a votação efectuada, com o fim de se formar uma Direcção provisória, que ficou assim estabelecida:
Presidente
Sr. Dodo
Vice-Presidente
Sr. Godot
1º Secretário
Sr. 001
2º Secretário
Sr. Fulano de Tal (ausente, mas entregou procuração)
Tesoureiro
Sr. Zé das Iscas (idem)
1º Vogal
Sr. Oscar Alhinho (aspas)
2º Vogal
Sr. Fura Bolos
3º Vogal
Sr. Mata Piolhos
4º Vogal
Sr. Mindinho
5º Vogal
Sr. Seu Vizinho
6º Vogal
Sr. Pai de Todos
Remeter os Estatutos e uma cópia desta Acta de Fundação devidamente assinada pelos presentes, para aprovação oficial, às autoridades competentes.
Instituir um modelo de declaração oficial de adesão à IAC, a entregar devidamente selado junto de qualquer entidade empregadora que se ponha com paneleirices, nhé-nhé-nhé, que não admitem lá fumadores e assim, os filhos-da-puta, e a qual rezará como segue:
"Eu, abaixo assinado, Fulano de Tal (não escrever Fulano de Tal, escrever o nome do fumador), declaro por minha honra ser membro da Igreja do Abençoado Cigarrinho, IAC, pelo que reclamo a minha condição de crente na fé tabágica, tendo por deus único a bela fumaça e aceitando M. de Nicotin como profeta da baforada. Mais declaro que, por conseguinte, ao abrigo das leis nacionais e europeias vigentes, ficarei fodidíssimo dos cornos se algum palerma se atrever a recusar-me um emprego ou a discriminar-me por qualquer forma, pelo facto de eu ser fumador, já que este facto configura uma Fé legítima e não apenas, como afirmam os ditos palermas com a mania de chatear o próximo, um vício lixado para a saúde. Declaro ainda estar-me altamente cagando para o interesse de seja quem for na minha saúde, coisa que apenas a mim próprio diz respeito, e que prefiria enormemente que metessem a moral da saúde forçada pela peida acima, até porque agora é vos fodi bem fodidos, seus cabrões, porque não podem despedir ninguém, e nem sequer recusar admitir alguém com base na raça, etnia, deficiência, idade, orientação sexual, religião ou crença, essa é que é essa, e esta é uma crença verdadeira, com milhões de praticantes em todo o mundo, e uma religião como outra qualquer. Por isso, fodei-vos, o meu fumo é a minha fé, ide lá discriminar mas é o caralho que vos foda.
(data, assinatura reconhecida e uma qualquer imagem de cerâmica das Caldas)"
E, não havendo mais assuntos a tratar, resolvemos dar por encerrada esta reunião, sendo a Acta, seguidamente, lida e aprovada por todos os presentes.
(Seguem as assinaturas de todos os presentes na reunião)

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04/08/06

Ninguém, quer dizer, quase ninguém; exceptuem-se aqueles ou aquelas que não se sabe exactamente o que são



Artigo 25º
(Direito à integridade pessoal)
1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos.

C.R.P.

Este artigo da Constituição contém um erro de Português, uma imprecisão técnica e uma total inconsequência prática. Não é caso único, muito menos isolado. A Constituição da República Portuguesa é o exemplo acabado de "brincadeira de extremo mau gosto".



(imagem de jpn.icicom.up.pt)

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03/08/06

Mausoléu da VI Internacional


Marx

Engels

Lenin

Stalin

Mao

Moore






Fontes pictóricas:
Google
www.soviet.net/
www.germannotes.com
sep.free.fr
www.jsb.org.br
www.marxists.org/
www.verfolgte-christen-ddr.de
www.metroactive.com

Fonte bibliográfica: Michael Moore Is a Big Fat Stupid White Man

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O Sol aos quadradinhos

O China adora poesia (Florbela e Pessoa). O nosso fiel jardineiro tem um encanto natural por rosas, gardénias e orquídeas, e o tal preto de 120 quilos não passa um dia que não oiça acústica musical afro-qualquer-coisa onde o djembê é prato do dia. Isto sem falar do Três tiros (Ópera), do Arrebenta (Teatro), ou eu próprio que me apaixono facilmente da literatura pelos clássicos portugueses.


Zé "Prisas" Amaral
EPL (Estabelecimento Prisional de Lisboa)
Memórias do Cárcere

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01/08/06

Ahrhum

"Deuterónimo" (406) será heterónimo de Deuteronómio (523000)?
(Não vale a pena responder, obrigado.)

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Simplesmente Mania, a nova novela das nove

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(...)
A desinformação global
Prever o tempo foi sempre apaixonante. Ora, prever que nada de alarmante se vai produzir não é muito interessante. No início do sec. XX, as predições alarmistas estavam já na moda.
Entretanto, elas não tiveram sucesso perante a realidade que as desmentia ano após ano. Foi somente a partir de 1985 que o alarmismo reapareceu quando a climatologia foi monopolizada pelos informáticos com os cenários mais catastrofistas. Esquecendo simplesmente a meteorologia, os modeladores fizeram cálculos extremamente simplistas com o apoio de modelos super-sofisticados para impor os seus conceitos. Mas as hipóteses sobre o aquecimento climático nunca foram verificadas pela observação, nem no início nem no fim do sec. XX. A famosa curva do IPCC não é mais do que um artefacto constantemente desmentido pelas medidas e pelas observações dos satélites.
Na realidade, o problema dito do clima é confundido com o da poluição, dois domínios, contudo, distintos que só serão bem tratados, um e outro, quando forem dissociados. Esta confusão serve igualmente de pretexto para impor uma restrição à actividade humana, considerada erradamente como a origem do aquecimento climático. A relação de interesses que se estabeleceu entre certos laboratórios, várias instituições internacionais e certos homens políticos, impôs a noção de aquecimento global. Seguir cegamente os Sumários para os decisores elaborados pelo IPCC faz deixar de lado os fenómenos reais, desperdiçar somas colossais para pagar reuniões por definição inúteis, e impede a tomada de medidas de prevenção eficazes contra os verdadeiros acontecimentos climáticos que iremos conhecer. Para que serve preparar a economia de um país para o eventual aquecimento quando todos os seus termómetros assinalarem arrefecimentos?
Finalmente, o aquecimento climático reveste cada vez mais um carácter de manipulação que parece verdadeiramente uma impostura científica e cujas primeiras vítimas são os climatologistas que não recebem os financiamentos que se dirigem para a corte de climatocratas do IPCC.
Ramada, 24 de Julho de 2006_____________________

(*) Blog: www.mitos-climaticos.blogspot.com
(de "Pânico climático", publicado no site Água online)




Esta é a parte final de um excelente, pormenorizado e fundamentadíssimo artigo de Rui G. Moura, autor do blog Mitos climáticos, que presumo seja climatologista, ou biólogo, ou coisa que o valha; arrumador de automóveis é que não será com certeza, se bem que a leitura dos seus escritos implique muito de "destroce", principalmente quanto ao lugar-comum, à vulgata pacóvia, ao pensamento único e à opinião formatada.

Já desconfiava, com este meu maldito feitio, de que essas coisas do "aquecimento global" e do "buraco do ozono" fossem duas grandessíssimas tretas, à semelhança da "gripe das aves", dos "agarrados à nicotina", da "bondade dos terroristas" e dos "amanhãs que cantam" em geral. Ler assim, muito de vez em quando, qualquer coisa bem escrita e melhor fundamentada, arrumada e clarinha como água (por assim dizer, a verdadeira "água online"), bem, é um prazer. Que nunca as mãos lhe doam, é o que é preciso.

Nem de propósito, acabo de tropeçar, e de novo via Letras com Garfos, em mais um mito esquerdista transparentemente desmontado, o daquela bojarda, meio anedota meio teoria da conspiração, de que o Pentágono não foi atingido por um avião de passageiros mas por um míssil americano, ou se calhar por um simples camiãozito de mudanças mais avantajado. São uns cómicos, os camaradinhas.

Ainda há uns dias tive mais uma ligeira altercação com certo ilustre músico, em sentidos literal e figurado, a propósito da tragédia actualmente mais em voga, o chamado "conflito do Médio-Oriente". Claro que, pois evidentemente, os árabes são os bons, olá se são, e os americanos é que são os maus da fita. E porque torna e porque deixa, e tal, a cassette do costume. É certinho. Apenas como ilustração de tese, consistindo esta em que os defensores profissionais de causas são igualmente viciados em mitos urbanos e portadores da mesma síndroma esquerdista, considere-se o seguinte método de despistagem: se um fulano qualquer acredita que a temperatura está a subir, à escala planetária, por causa da poluição que os americanos "fazem"; se é de opinião que existe um buraco no céu, algures lá em cima, devido ao capitalismo selvagem em particular e aos americanos em geral; se acha que fumar é a fonte de todos os males, à excepção daqueles que são manifestamente provocados pelos americanos; se está absolutamente convicto de que a "gripe das aves" é para ser levada a sério, embora inventada pelo Rumsfeld e seus apaniguados, esses americanos descabelados; se, por fim, esse tal fulano (ou fulana) é muito baril, e fixe, e amigo dos pobrezinhos, e fala com bué de yá, meu, e até votou Manuel Alegre e tudo, bom, não há que enganar, essa pessoa acha-se seguramente "do lado" dos árabes, diz que não mas é anti-semita, já foi muito provavelmente comunista, aderiu mais recentemente à "causa" palestiniana e, além de todas estas coisas, especializou-se em lavagens ao cérebro, de resto a única actividade relacionada com higiene em que se ocupa regularmente. O teste é tão infalível como impossível se torna qualquer espécie de diálogo entre semelhante morcão e uma pessoa normal.

É que não adianta, chefinhos. O esquerdista (ex-comunista) "defende" com igual convicção, totalmente acéfala e basicamente anti-americana, o lince da Malcata e o Hugo Pratt, os direitos dos "trabalhadores" e das "minorias", os malefícios do tabaco e os benefícios do haxixe, o horror da globalização e o mérito da regionalização, quem tem e quem não tem direito a "mandar" na própria barriga, a maldade genética dos judeus e o óbvio altruísmo da Al Qaeda, os sem-terra e os desempregados, o caracol de Freixo-de-Espada-à-Cinta e a lesma de Vinhais, a tragédia que é a desertificação e aquela que representa a industrialização. E assim por diante, seja o que for.

A chamada política "tudo em um", ou seja, ideais a granel, tudo à molhada e um só objectivo: o reviralho. Não interessa o que está mal, ao certo, que se lixe, o que é preciso é mudar o "estado de coisas", mudar, mudar por mudar, mudar para mudar. Isso do buraco do ozono é amendoins, o aquecimento global um figo, simples aperitivo e sobremesa, respectivamente, para o tema central e único, a tal obsessão primordial.

Dantes, nos bons tempos em que se chamava os bois pelos nomes, que era quando ainda havia bois, este tipo de comportamento designava-se por simplesmente mania. Agora chama-se politicamente correcto, mas é rigorosamente a mesma coisa.

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The culture of denial

"Throats must be slit and skulls must be shattered."
Aed Al Qami, líder religioso saudita





Via Letras Com Garfos.
Duração: 1 h e 17 m.

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29/07/06

Ich bin ein Jude







Hatikva ("The Hope")
As long as deep in the heart,
The soul of a Jew yearns,
And forward to the East
To Zion, an eye looks
Our hope will not be lost,
The hope of two thousand years,
To be a free nation in our land,
The land of Zion and Jerusalem.



Fontes: Encarta, www.national-anthems.net (Japan), science.co.il

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26/07/06

As altercações principais

Revisão do Código do Processo Penal
Menos tempo de prisão preventiva proposto na reforma da lei penal
26.07.2006 - 08h28
Paula Torres de Carvalho
PÚBLICO

(...)
Entre as principais alterações, inclui-se a redução dos prazos de prisão preventiva, de acordo com propostas que já tinham sido apresentadas pelos vários partidos com assento parlamentar. O limite máximo de quatro anos e nove meses passa para quatro anos. (...)


Palavras-chave: nove meses, quatro anos, principais alterações, entre.

Não eram os nove meses de prisão preventiva que estavam a mais; eram precisamente os quatro anos. Quatro anos de prisão efectiva, mesmo que sob a designação técnica de "preventiva", é um claro abuso de Estado, uma coisa abominável. Um preso não pode cumprir uma pena, preventivamente efectiva, por algo de que não tem absolutamente culpa alguma: a morosidade processual, resultante da incompetência, do desleixo, do absentismo dos funcionários judiciais, desde o legislador mais proeminente ao mais obscuro escrivão de vara.

Fez muito bem, nesta perspectiva, a autarca de Felgueiras que fugiu para o Brasil assim que soube que iria ser presa "preventivamente". Fez perfeitamente. Qualquer pessoa com algum juízo - e com meios para isso - deve por conseguinte escapar como puder, aguardando no estrangeiro, em liberdade, que o seu processo transite em julgado. Quem não tiver dinheiro para fugir, azar. É Portugal, ninguém leva a mal.

Se esta é uma das "principais alterações" ao Código do Processo Penal, tremenda pepineira que se arrasta há anos, há décadas, estamos conversados. Não se prevêem, como de costume, grandes altercações a respeito das alterações, até porque todos temos um primo, uma tia, um sobrinho, um vizinho, enfim, alguém conhecido na máquina ferrugenta do Estado. Isto não calhando fazermos nós próprios parte da ferrugem.

A reler: O Processo, de Franz Kafka.



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25/07/06

E atão, gostastes?

----- Original Message -----
From: "Anonymous Sender" <anonymous@remailer.metacolo.com>
Sent: Tuesday, July 25, 2006 1:58 PM
Subject: comi-a

eu comi-a, em Braga...disse-me que eras meio panilas, pelo blog, deves ser...



Não sei se será só impressão minha, mas acho que conheço este "estilo" de reticências de qualquer lado... quer dizer... bem... panilas... vá lá ver... moi? Sério? Ela disse isso? Jura. Tch. Sabia eu lá bem! Obrigadinho pela informação, ó Anonymouse*!





* - rata anónima

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23/07/06

Grandes vultos da história I(*)

Galeria de personagens ilustres, pensadores, filósofos, artistas e assim, com breves resenhas biográficas






Pato Donald
Nacionalizado como "Pato Donale", notabilizou-se pelo discurso extremamente frenético e pela dicção curiosa que serviu de inspiração a diversos políticos portugueses, como Cavaco Silva ou Marques Mendes. Verdadeiro ícone da arte da ventriloquia, ficará para sempre na nossa memória colectiva e imaginário idem, como soe dizer-se, pela maneira originalíssima como repetidamente dizia sim (xim) e como se ria (cué-cué-cué).



Peninha
Talvez o mais injustiçado e por vezes mesmo esquecido dos nossos heróis. Pouco se sabe do Peninha, de onde veio, o que é feito dele, o que fazemos aqui, mas todos nos lembramos da sua extrema sensibilidade e fino trato, a sua proverbial falta de higiene e a sua famosa constipação renitente (brrr! atchou!). Marcante, a sua expressão de admiração e surpresa, Uai, é mesmo?, bem como o correspondente "não djiga", ainda hoje fundamentos temáticos da verdadeira investigação jornalística. Foi também o inventor do choro compulsivo (Uiiiiim) e do susto que se apanha (Arrgnh).



Maga Patalógica
Referência obrigatória para qualquer Primeira Dama que se preze, de Barbara Bush a Manuela Eanes, passando pela actual Maria, esta princesa da prestidigitação não foi capaz nunca de fazer mal a uma mosca e prezava "acima de tudo" os cuidados de beleza a que obrigava a sua extrema elegância, e vice-versa. Criadora do célebre referente expressivo Uau, significando extrema admiração, mais tarde adaptado por diversos artistas nacionais. Criadora de neologismos geniais como Cabum, Crash, Zapum e Tchrrac.



Pateta
Baptizado Goofy e cachorro de nascimento, nosso Pateta é a verdadeira expressão da inteligência e do desenrascanço tipicamente portugueses. A ele se devem expressões lapidares, hoje em dia muito em voga, como Glup, a bem dizer, "ó diacho", ou Burp (eructação, arroto), ou ainda a mais conhecida Chlep, expressão de delícia quando, por exemplo, lhe oferecem alguns amendoins, a base da sua alimentação.



Tio Patinhas
O verdadeiro ícone da modernidade, sempre viveu enterrado em dinheiro, na sua casa-forte de Patópolis. Conhecido por ser extremamente generoso e por ter excelente feitio, viu ser-lhe roubada a imagem de marca, abusivamente utilizada pelos Estados Unidos da América, enquanto símbolo nacional. A ele se deve a expressão Ué, cadê meu dinheiro?, ainda hoje utilizada por estadistas em todo o mundo civilizado. Célebres também as formas como manifestava indignação (Quack!) ou surpresa (Quaaack!!!).


(Imagens, por ordem de entrada em cena: atlas.kennesaw.edu, www.universohq.com, www.saa.com.br, joka-landa-producoes.tripod.com, www.planetadeagostini.pt)
(*)- Não continua. Isto é só assim mesmo, capítulo único. Pensamos que não ficaria bem misturar personagens menores, "tipo" Otelo ou Cunhal, nesta galeria de figuras distintas. Ficará talvez para mais tarde, havendo pachorra, em outra galeria, então mais dedicada a verdadeiros cromos.

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22/07/06

Caralho!

Mas esta merda não acaba nunca? Volta-e-meia, lá aparece mais um a chamar-me caguinchas, ou cobardolas, ou coisa que o valha, para o caso tanto faz; fico fodido, acho logo que aquilo é comigo mesmo, nem mais, arrepelam-se-me as meninges, ide lá chamar nomes para a vossa terra, aos galináceos que tendes lá em casa, seus bardamerdas.

Este honradíssimo blog, mai-lo seu não menos autor, já por diversas vezes se deram ambos à maçada de esclarecer a opinião pública em geral e os nossos três visitantes em particular que somos anónimos, e com muito gozo, pela trivialíssima razão de que precisamos de comer. Bem sabemos que isso se pode tornar de difícil compreensão para as mentes mais refinadas da intelligentsia blogosférica nacional, mas é assim mesmo: até um animal extinto precisa de debicar suas migalhas, quando em vez, portanto façam o obséquio de não chatear, parem lá com essa merda da cobardia, ora foda-se.

Pois não concebeis, vós outros, ó iluminados do cacete, que um gajo possa perder o sustento por causa daquilo que escreve? Confiais deveras, assim tão cegamente, nas chamadas "amplas liberdades" políticas, essa intrujice comunistóide? Julgais que toda a gente pode dizer aquilo que lhe der na real veneta, sem quaisquer consequências?

Essa é famosa. Linda. O caralho é que pode, amiguinhos, não pode coisa nenhuma. Tenho todas as razões e mais alguma para suspeitar ou, melhor, para ter a certeza absoluta, de que perderia imediatamente a minha posição profissional - e, por consequência, tudo o mais - assim que se soubesse que sou eu, Fulano de Tal da Costa e Silva Pizarro de Almeida Cunha Telles Ortigão Martins Peninha, quem escreve aqui. Que estejais vós outros montados no alto da carne seca, como dizem os brasileiros, e que "não tenham problemas desses", bom, encantados da vida, segui lá o vosso caminho dando graças a Deus, que privilegiados sois. Herdastes, por conseguinte, não apenas, quem sabe, a putativa beleza por parte da mãe e o porte altivo de vosso paizinho, como a conta bancária de ambos e a cagança típica da vossa classe social (aquela alta burguesia que tanto dizeis abominar), além, é claro, do belo tacho vitalício que vos permite dar uma de "heróis" da palavra escrita, de paladinos da "coragem" redigida, de "valentes" cabecinhas pensadoras, grandes dirigentes e educadores da classe escriturária.

Ora, ora, fodei-vos, mas é. Essas patacoadas não têm ponta por onde se lhes pegue, a não ser talvez pela irritação que provocam naqueles que se sentem atingidos pelas vossas cuspidelas betinhas. Como é o nosso (meu) caso evidente. Ide chamar cobarde a vossa prima, não sei se me faço entender.

Aliás, mesmo que não fosse o caso, pretérito, presente ou futuro, mas sempre altamente provável, de vir a perder o meu ganha-pão, acresce que entretanto se me criaram hábitos de anonimato, que findou por se transformar, digamos assim, em verdadeiro vício da clandestinidade. Mesmo que, de repente, me saísse o totoloto ou me morresse um qualquer tio pato-bravo e me deixasse grossa maquia em herança, pois mesmo assim me quer bem parecer que já não iria desvendar a minha real-social-legal identidade. Com o tempo, acho que me tornei anónimo de mim próprio, assumi ou transformei-me gradualmente na persona que aqui assina, acabaram por me crescer penas, e umas asas mirradas, cresceu-me este bico adunco, enorme, tornei-me desajeitado, espécie de ave que não voa mas que não pára nunca de tentar.

Uma entidade autónoma pode ser o objecto, a criação, a coisa realizada, o mais simples acto de escrita, de construção ou mesmo de desconstrução; relacionar o exercício, de qualquer espécie, com o seu autor, pode fazer todo o sentido como pode não fazer sentido algum. De certa forma, nem eu mesmo conhecia ou sequer suspeitava da existência deste animal que há em mim e que escreve nesta toca virtual. Não será agora, não será nunca (ou, pelo menos, não sucederá enquanto me for possível evitar tal coisa), que irei liquidar este ser autónomo, independente, que é muito mais irritante, por vezes cómico, inconveniente e subversivo do que eu próprio, simples mortal que lhe serve exclusivamente para carregar nas teclas.

Não quero que o Dodo morra, pobre bicho. Eu não sou ele. Dizer que sim seria matá-lo, coitado, dava-lhe uma coisinha má logo ali, parece que o estou a ver, arrgh, caralho, chavalo, que me matas do coração, ai, bálhamedeus, foda-se, eu sou tu?, tu és eu?, que horror, não, não quero, ai mãezinha que não me sinto nada bem. Desabava-se-me pela certa, redondo no chão.

E eu nunca me perdoaria pelo crime. Deus me livre!

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20/07/06

Licença de porte de ignorância


Até ao 25 de Abril de 1974 era obrigatória uma licença anual de uso de isqueiros. Já nesses tempos, os governos tinham maneiras estranhas de sacar dinheiro ao pessoal. Mas o mais, digamos assim, interessante, é o que está escrito no próprio documento: o apelo à denúncia, premiando o acto com 15% do valor da multa!.Para os que não têm memória, cá está, no seu melhor, a pureza do regime salazarista-caetanista. Será que o uso do isqueiro era subversivo?.
in blog Outra Margem

Não sei por que bulas havia de, logo eu, deparar com tão desgraçada prosa. Bálhamedeus. A coisa até vale pelo documento histórico digitalizado que lá está, abrilhantando a dita prosa, a fotocópia de frente e verso de uma genuína Licença Anual para uso de Acendedores e Isqueiros, mas cumpre esclarecer, por assim dizer, iluminar as cabecinhas tontas desta juventude.

Pois, jovens, presumo que seja para vossas cacholinhas extremamente arejadas uma surpresa a simples verificação da verdade histórica atinente. Perdoareis por certo este meu maldito feitio de escrita, que vos forçará amiúde a consultar enciclopédias, porém sucede que não sei dizer as cousas de outra forma, é uma maldição, como estou farto de repetir, as mais comezinhas matérias jorram-me dos dedos em arrebiques verbais e em metafórico, extensíssimo e complicadíssimo fraseado, uma coisa horrorosa, estas frases que nunca mais acabam, e sucede por vezes mesmo alguém perder-se a meio, nesta floresta de palavras, chega a ser necessário ir deixando migalhas pelo caminho, como no conto célebre, para que se não perca o trajecto de volta, a ideia base, o fio à meada.

Tentarei, por conseguinte, até porque bem sei que todos pensais, jovens, que ler dá trabalho, ser o mais claro possível, e mais prometo me esforçarei, uma vez sem exemplo, ao máximo, na tentativa de deixar uma mensagem clara, transparente, de fácil digestão mental, algo que juvenilmente contribua para o esclarecimento da questão.

Abreviemos, portanto.

Começando por essa coisada de "regime salazarista-caetanista". Rapaziada, sabei que a hifenização é abusiva, no caso: Salazar finou-se em 1970, dois anos depois de ter deixado o Governo, pelas razões de saúde conhecidas, e com ele prescreveu também o Decreto-Lei 28 219, de Novembro de 1937(*), o tal que instituiu a chamada "Licença de Isqueiro". Marcelo Caetano sucedeu àquele estadista, como Presidente do Conselho, em 1968, uns tempos depois da famosa "queda da cadeira" que sofreu Salazar, mas é historicamente incontroverso que o "regime salazarista" - se aceitarmos essa designação simplista - desapareceu com o velho Professor. Caetano encetou então um período de reformas políticas em todos os sectores, a que chamou ele próprio "abertura", e que outros baptizaram de "Primavera marcelista", durante a qual o nosso país, então como hoje o mais atrasado da Europa, apresentou índices de crescimento absolutamente ímpares (e imparáveis), a nível mundial, apesar de quase metade do produto nacional ser absorvido pelos custos da Guerra Colonial. Este período de pujança económica foi abruptamente interrompido por um golpe-de-Estado, em 1974. Existiu em Portugal, entre 1928 e aquele ano fatal, um regime político musculado, de carácter corporativo e nacionalista, regime este que Salazar fundou e consolidou, e ao qual sucedeu Marcelo Caetano, um político totalmente diferente, como aliás eram diferentes os tempos e os ventos geopolíticos. Misturar os dois com um simples tracinho é, portanto, digamos, ridículo.

Foi este Professor Marcelo, precisamente, quem acabou com a licença de isqueiro, coisa que o outro nunca faria. Foi durante o consulado do "fasssista" Salazar que se promulgou aquele Diploma, e muito justamente: a respectiva sustentação política, quanto a esta como quanto a outras medidas sociais de igual calibre, baseou-se não em balelas politicamente correctas mas em factos absolutos e comprováveis. Surpresa, jovens: a licença de isqueiro servia exclusivamente para proteger o emprego dos operários da Fosforeira Nacional; assim, quem preferisse acender o cigarro ou o fogão com isqueiro (ou com acendedor, como previa o Decreto), em vez de usar os fósforos produzidos em exclusivo por aquela fábrica, teria de pagar uma coima; era um dissuasor, a Lei, e destinava-se a fazer com que os mais ricos - não esqueçamos que, naquela altura, os isqueiros eram produtos de luxo - pagassem aos mais pobres pelas suas extravagâncias; por outro lado, a licença e as multas forçavam as pessoas a usar quase exclusivamente fósforos, viabilizando a empresa fosforeira, os seus funcionários e respectivas famílias e, em última análise, o próprio Estado, accionista maioritário da Empresa.

Foram inúmeras as medidas de verdadeiro carácter social e, nessa perspectiva, socialista, que o velho "ditador" tomou, promoveu ou forçou.

Outro exemplo conhecido é o da proibição da marca "Coca-Cola" em território nacional. A finalidade objectiva, extremamente simples, como era regra nesse tempo, residia em proibir a comercialização da Coca-Cola para acautelar os interesses dos operários do sector nacional dos refrigerantes; se aquela marca americana entrasse em Portugal, rapidamente as nossas fábricas iriam à falência e, por conseguinte, todos aqueles operários para o desemprego. Evidentemente, as esquerdas apressaram-se de imediato a intoxicar a opinião pública a respeito disto, espalhando a atoarda de que a proibição se devia ao facto de Salazar julgar que a Coca-Cola tinha cocaína na sua composição e, portanto, interditava-a, e assim se via como ele era estúpido e ignorante. Nada mais falso, como se saberia se os factos não fossem sistematicamente terraplanados pelos esquerdistas, e como se vê perfeitamente através da simples constatação da realidade social actual.

Aquilo que vale para os fósforos e para os refrigerantes serve aqui de simples amostras. São apenas dois exemplos. Quem conhece, ainda hoje, o perímetro da Tabaqueira (que já não é Nacional, mas americana), ou o bairro operário da CUF, ou as urbanizações para funcionários em todas as barragens hidroeléctricas, sabe perfeitamente que a filosofia social de Salazar baseava-se no mais puro respeito pela dignidade e pelas condições de vida dos trabalhadores; quem já viu as casas e outras instalações cooperativas, construídas pelas organizações de funcionários das grandes empresas nacionais, não pode deixar de reconhecer que muito, e grande, e bom, foi feito durante o "antigo regime" de estrito mas nunca restrito cariz social.

Muitas dessas medidas e realizações constam hoje do anedotário esquerdista, que utiliza a velha receita de ridicularizar, amesquinhar e sistematicamente mentir a respeito. Não existe sequer comparação possível entre aquilo que era a protecção social no "antigamente" e aquilo que ela é hoje, como sabe também e sofre na pele qualquer português, branco e de meia-idade que se veja de repente no desemprego. Dantes, não havia subsídios a parasitas, mas o trabalho dos portugueses era defendido dos ataques estrangeiros. Dantes, não se davam casas a marginais, mas fomentava-se a iniciativa, fosse ela privada ou colectiva.

Em resumo, e é de facto um axioma comparativo: dantes, havia licença de isqueiro e por isso algumas pessoas podiam viver melhor; hoje, não há licença de isqueiro mas isso não beneficia ninguém.

Ou seja, jovens, Deus há-de perdoar-vos a inconsciência, relevar-vos a ignorância e absolver-vos de qualquer ignomínia. Sois novos, não pensais, é assim mesmo, o que se há-de fazer? Mas, olhai, e que tal se reformulásseis ao menos a sentença, essa questão final do vosso texto?

Hem? Vá lá. Não custa nada. Em vez de "será que o uso do isqueiro era subversivo" que tal pôr "será que o uso de isqueiro era criminoso"?




(Devo confessar que a coisa não me correu nada bem. Prometi abreviar e é o que se vê, bumba, bumba, bumba, e tal e tal e tal. Ó raios. Que chato. Ganda melga. Brrrrr! Mas enfim, fica a intenção. Aliás, para facilitar a função, coloquei a "bold" o fraseado mais suculento; assim, a leitura não dá trabalho nenhum, ora essa, por quem sois.)

(*) Única fonte encontrada a este respeito: blog A Verdade da Mentira; bela designação, mesmo a calhar.
Imagem do maravilhoso Zippo: www.lesans.com

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