Zeca Afonso e a idolatração do totalitarismo comunista
Miguel Castelo-Branco sobre Zeca Afonso:
No passado fim de semana, a RTP exibiu um verdadeiro show de totalitarismo revivaleiro. Zeca Afonso divinizado, exaltado e tido como um "génio", deu azo a uma torrente de cançonetas de incontinente pendor marxista terceiro-mundista. As palavras sempre as mesmas (solidário, inquietação, amigo, companheiro, Maio, ceifeira), o ritmo puxando ao falso-rústico das "raízes" - outra palavra detestável - e a finalidade escancarada: tornar aceitável o abjecto (roubar, sanear, vingar, matar) e abrir portas ao totalitarismo comunista, tornando-o justificável à luz da rábula cantada. Zeca Afonso tinha um ar perturbado, queria mais, mais revolução, mais plano inclinado, mais ocupações, mais saneamentos, mais controlo operário, mais comissões de bairro - aquelas que faziam listagens com as pratas, os quadros e os aquecedores existentes nas casa dos inimigos de classe - mais poder popular, mais armas em boas mãos para defender a revolução; ou seja, mais balbúrdia que pedisse, no fim, mais um Estaline. Aquilo é Babeuf, Marat, a Comuna de Paris, a propaganda pelo facto do bombismo anarquista, mais comunalismo utópico em que entram as CEB's (Comunidade Eclesiais de Base), as Comissões de Ocupação de herdades (as célebres "comprativas"), os padres Max de gola alta e barbas à Sierra Maestra, a Teologia da Libertação, as mulheres-padres, os poetas repentistas e analfabetos (quantas vezes tivemos de engolir o banalíssimo Aleixo ?), o new-age dos alucinogénios e de outros estados de consciência alterados, o abortismo dá-cá-aquela-palha; sei lá, um sem-número de coisas sem mérito elevadas nos pedestais no culto do mau. Sintomaticamente, o programa terminou com uma discursata do inefável "Zeca": "a minha democracia não é a dos votos, mas a do poder do povo". Pois. Uma democracia da rua, de tiros na nuca, prisões arbitrárias, campos de concentração, reeducações e penúria para todos.
por André Azevedo Alves @ 01:57 38 Insurgências
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Aquilo lá no sítio Insurgente está cheio de "insurgências", 38 no momento, e ele é de cabrões e filhos-da-puta pra cima, além de que no sítio das Combustões não dá para deixar comentários, de maneira que o melhor é trazer a colagem para aqui, para este sossego, esta maravilhosa tranquilidade; aqui não passa ninguém, aqui no pasa nada, compañeros, ah, que maravilha, que bem se está no campo, apenas com a telefonia por companhia, pode-se ler e escrever à vontade, e até raciocinar é possível, e comentar, e tudo, sem a azáfama da notoriedade, sem a inquietação do nome civil atrapalhando os negócios.
Mas enfim, é necessário dizer alguma coisa. Que diabo, não se atira assim o pobre do Aleixo para a fogueira anticomunista. Bem sei, bem sei, espelho meu, espelho meu, existe alguém mais anticomunista do que eu? Claro que não, responde o espelho, sossega, tu és o mais fasssista com três ésses deste reino e arredores. Mas, mas, mas, ó Insurgente, ó Combustão, escuitai, canudo, o Aleixo "banalíssimo"? Banalíssimo, o Aleixo? O António, o da mosca que poisa tanto numa poia de merda como na careca de qualquer doutor? Banal, o homem? Cruzes, canhoto. É lá agora.
Acho muito bem, acho perfeitamente, que se crucifique o estilo esquerdista, a verborreia peganhenta do povo, o nosso povo, o povo; poderia talvez, em podendo almejar tais talentos, ter eu próprio escrito aquele curialíssimo arrazoado; algumas daquelas expressões demolidoras poderiam ser até minhas, pois que já escrevi sobre comunas de forma ainda mais radical, se bem que muito menos artística; até já fui capaz de me tornar merecedor de insultos vários, por parte de comunistas, anarquistas e esquerdistas em geral; mas, repito, vamos lá a ver, bolas, o pobre Aleixo não merece tal insulto. Por acaso já leram alguma coisa dele, hem, companheiros? Caramba, vá lá, em tendo acertado pela negativa, é só um livrinho, aquele de que toda a gente conhece o título, umas quadras, umas glosas, uns autos, lê-se (infelizmente) numa noite, curta e sossegada.
Como deveis saber ambos, caros amigos, se me permitis a familiaridade, António Aleixo morreu em 1949, aos cinquenta anos, não assistindo, portanto, à primeira publicação do seu livro, em 1969, com segunda edição no ano seguinte; durante semanas, naqueles dois anos, esta foi a obra mais vendida em Portugal, e ainda hoje se reedita periodicamente. Ora, como vedes, 1969, 1970... hmmm? Foi ainda no tempo da "outra senhora", do "velho" regime, compreendem?
Que os comunistas o tenham "nacionalizado", que se tenham apossado da sua memória como se fosse farinha para o pão da "causa" socialista, que tenham usado dos seus escritos como argamassa das teorias igualitárias, bem, isso é indesmentível mas não tem nada a ver com o próprio António Aleixo; é a velha e relha técnica dos intelectualóides esquerdistas, tudo lhes serve desde que seja da marca "popular", de Rosa Ramalho a Catarina Eufémia, invenções e mitos, deslumbramentos e atavismos próprios do coitadismo militante. Aleixo foi no pacote, por assim dizer; é um paradigma da cultura dita popular, logo encaixa na perfeição no discurso esquerdista, na liturgia comunista, nos tiques e nas manias da intelectualidade bem-pensante e fina, ou seja, da esquerda caviar, que é aquela que ao menos lê alguma coisa.
Que os comunistas e seus émulos, mais ou menos disfarçados de democratas, tenham transformado a obra daquele homem em algo de enjoativo, pela reiteração sistemática, de quase nauseante, por tanto martelarem os ouvidos das pessoas com os versos do poeta, bem, não tem dúvida: de facto, ele não há comício, não há "festa do Avante", não há "manif" onde a gente não leve com as rimas do António (as mesmas, são sempre as mesmas); pois sim, é verdade. E isso o que tem? Não poder a gente, em muitas ocasiões, até na televisão e na rádio, poder abrigar-se das enxurradas aleixianas, isso é culpa do próprio Aleixo, por acaso?
Mas o autor das rimas está de todo inocente, limitava-se a rimar, não a chatear. Não sei, nem de fonte segura nem de insegura, mas sinceramente não me parece que o pobre alguma vez tivesse tido o mais ínfimo contacto com vermelhos, ou que sequer tivesse alguma vez ouvido falar das maravilhas do paraíso socialista, da terra prometida que havia dantes por detrás de uma cortina de ferro.
Coitado do homem, digo eu, que detesto o coitadismo, mas é por uma boa causa, ora, perdoe-se-me, que seja pelas alminhas. É que acho mal, pronto. Qual "banalíssimo", qual cacete! Não é nada banalíssimo. Banalíssimo será talvez um Herberto Hélder, ou dois ou três poetazinhos da corda, desses que espicham cocó por esses blogs fora; esses é que são banalíssimos, foleiríssimos, enjoadíssimos e nojentíssimos. Ou, citando o próprio:
Quando estas verdades digo
a um amigo, estou a ouvi-lo
ele a dizer lá consigo:
_ Aquilo não é comigo,
eu não sou nada daquilo.
Mas, se em meus versos bem-digo
dum amigo, fica feliz
a dizer lá p'ra consigo:
_ Oh diabo, aquilo é comigo,
sou tal qual o que ele diz.
Aí têm vocês, para amostra. Está muitíssimo mal escrito, mas é genuíno. Não é de facto brilhante, mas é simples. Ou seja, infinitamente mais do que aquilo que se pode dizer da esmagadora maioria dos consagrados, esses brilhantes artífices do pedantismo em rima branca.
És um sábio a discutir
e a discursar; quem te ouvir,
compreende que o teu intento
não é lutar pela razão;
é ganhar a discussão,
p'lo menos nesse momento.