Odi profanum vulgus et arceo

13/09/06

Deixai vir a mim as criancinhas, camaradas!

Mais aterrador do que as próprias teorias da conspiração, mais horrível do que ver, ouvir e ler o que dizem adultos sobre o assunto, é verificar a forma devastadora como semelhantes patacoadas atingem a juventude.

Uma coisa é ouvir Por Exemplo Soares, que já tem mais do que idade suficiente para ter juízo, babando suas trivialidades a propósito do "diálogo" com terroristas, e a "pobreza" et cetera, outra bem diferente é ler o que dizem nossos jovens, no seu linguajar característico, sobre a tragédia do 11 de Setembro.

A batalha da contra-informação, na frente de guerra da intoxicação global, está de facto a ser ganha pelas esquerdas. A criançada, dos 8 aos 28, engole completa e alegremente qualquer patranha, desde que servida com os devidos efeitos especiais... e para mais se devidamente condimentada com animações argumentativas, ou com argumentos animados. Um tumulto sonoro de espanto, um ohhhh incrédulo mas já fervilhante de gaiata curiosidade, vai ecoando nas cabeças de nossos infantes, tanto mais quanto mais elementar é o raciocínio conspirativo, mais simples o conteúdo e mais espectacular a forma. Principalmente esta. Apresentada aos jovens uma fita como o "Loose Change"(*), essa terrível ficção que deveria ser classificada como "exclusivamente para adultos" (ou M30), com bolinha vermelha a condizer, torna-se a curto prazo absolutamente imprevisível saber que tipo de devastação neuronal se irá produzir, naquelas massas cinzentas ainda diminutas, em crescimento, em desenvolvimento - que se pretende vigiado e acompanhado - e em plena fase de testes.

Esperemos pela martelada. Dê-se à juventude, em vez de saudáveis filmes pornográficos às escondidas, filmes de terror soviéticos às claras, e teremos pela certa, num futuro não muito distante, uma nova geração de militantes de causas, carne vermelha para canhão vermelho; uma geração Red Bull, impregnada com taurina e outras substâncias ilícitas, pincelada com umas noções de bombismo, empanturrada de Big Macs e injustiça social, obesa de conhecimentos sobre artes solidárias. Teme-se o pior. Ainda veremos por aí, pululando com seus juvenis bibes ao pescoço, ranchos de bernardinos soares gritando palavras de ordem como "o povo unido jamais será vencido" e assim.


(*)http://video.google.com/videoplay?docid=-5946593973848835726

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11/09/06

Antes a morte que tal sorte



Algures, entre muitos gatos
Um havia
Que era, segundo a fama que corria,
O mais temido caçador de ratos.

Focinho de arreganho,
De grande rabo
E de eriçado pelo,
Para o murganho
Vê-lo,
Era do diabo!....

Nenhum rato caía na tolice
De sair, sem cautela, do buraco,
Por mais fraco
Que o estômago sentisse.

Não, porque ele era o espectro, era a tortura
Que rala, que aniquila, que consome!
Ele era a fome
E a sepultura!

O caçador, porém, não era monge;
E numa linda noite de luar
Soube-se no lugar
Que andava longe…

Então,
(Vejam aqui os homens neste espelho
Como eles, fúteis, tantas vezes são)
Os ratos reuniram em conselho.

Diziam: - Isto assim não pode ser;
Antes a morte que tal sorte:
Passar dias e dias sem comer!

E logo alvitrou um, com alvoroço:
-Sabem o que é preciso?
É pôr-lhe um guiso
Ao pescoço…
Com um guiso ele próprio nos previne…
Muito embora no chão se agache e roje,
Ao menor movimento o guiso tine,
E a gente foge…

-Bravo! - gritaram todos – muito bem!
É assim mesmo! Assim!
Mas quem há-de ir atar o laço? Quem?

Eu não, que não sou tolo! – afirmou um.
Nem eu – disse outro. E enfim,
Não foi nenhum.

Há destes casos neste mundo a rodos;
Se é preciso coragem numa acção,
Todos concordam, ninguém diz que não,
Mas chegado o momento, faltam todos!

Os ratos reunidos em conselho, La Fontaine
Tradução de João de Deus Ramos

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Teorias da conspiração? Temos, sim senhor. É para oferta?

Agora que "já se sabe" que o "Loose Change" não passa de uma fita, uma intrujice pegada, será que é humanamente possível ainda ter dúvidas sobre o que realmente se passou no 11 de Setembro? E não será um pouquinho deselegante, para não dizer pior, estar agora a levantar questões destas, precisamente no dia do 5º aniversário daquela horrível tragédia? E enfim, será que pura e simplesmente duvidar, ou achar que alguma coisa está mal contada, será isso uma traição? Não? Uma facadazinha nas convicções, talvez? Também não? Então o quê? Vá lá, decida-se!(*)

Bom. Vamos a isso. Suponhamos que o WTC foi mesmo demolido por implosão e, portanto, não caiu como consequência directa do impacto dos aviões desviados por terroristas. No tal "Loose Change", aparecem diversas cenas retiradas de um documentário que aparenta ser muito mais sério e bastante menos histérico; neste 911truestory.com não há mais nada, nem riscos no chão para conduzir mísseis nem tretas do género, é só mesmo para tentar provar que as torres N, S e 7, do World Trade Center, foram deitadas abaixo de forma controlada, com explosivos; desta vez, para variar, não se entra em palpites de governantes mafiosos e barras de ouro escondidas no subsolo. Está muito bem feito, este filme, sejamos justos.

Não esquecer que, parafraseando inúmeros jogadores de futebol portugueses, isto é um suponha-mos. Supondo, por conseguinte, que os três edifícios caíram por demolição controlada, então os explosivos já teriam de lá estar, embutidos nos pontos estruturais mais convenientes, antes de os aviões embaterem nas torres Norte e Sul; note-se que não houve qualquer embate directo na torre 7, a menor das três e, mesmo assim, também esta veio abaixo umas horas depois das primeiras... o que faz pressupor que algo de muito estranho, e nunca suficientemente explicado, se passou naquele edifício em especial.

Mas suponhamos que sim, que foram de facto colocadas antecipadamente cargas explosivas nos edifícios. Nesse caso, teríamos de admitir que alguém, com autoridade e com meios para efectuar tão complexas manobras, teve acesso aos prédios e para ali transportou algumas toneladas de explosivos; ora, para fazer isso, seriam necessários camiões de transporte, umas quantas pessoas para conduzir estes e algumas dezenas de outros elementos para transportar as cargas explosivas, escada acima e escada abaixo; além disso, a colocação dessas cargas necessariamente teria implicado um elaboradíssimo trabalho de estudo, com técnicos especializados, envolvendo acesso aos planos de construção, mapas de estruturas, etc.; depois, para a própria colocação dos explosivos, teria sido necessário fazer buracos em betão e passar cabos eléctricos em condutas, para a detonação sequencial, actividades estas que implicam o uso de ferramentas não muito silenciosas, como britadores e martelos pneumáticos, e também outras não muito discretas, como escadas, bobines de fio gigantescas, milhares de ligadores eléctricos, isto para já não falar nas próprias cargas, gelamonite, plástico e outros produtos químicos.
Admitindo que tanta gente teve acesso livre a tanta coisa e a tantos sítios diferentes, tudo isso teria de ter sido superiormente autorizado, primeiro, e efectuado em nada insignificante número de dias de trabalho, depois.

Então, porque não, suponhamos mais uma vez que sim, que foi assim mesmo que as coisas se passaram. De resto, existem inúmeros testemunhos que o comprovam, encerramentos prolongados das torres, exercícios de incêndio e de "blackout" sucessivos, evacuações de emergência e assim por diante. Pois se isto estiver correcto, e assumindo como verdade que todas as acções preparatórias decorreram em fins de Agosto e princípios de Setembro de 2001, então podemos facilmente deduzir que - das duas uma - ou o ataque terrorista estava previsto, e serviria então como pretexto para o derrube das torres, ou o primeiro não estava previsto mas estava o segundo. Ora, não é crível que se coloquem cargas de implosão, sem conhecimento de ninguém, sem nenhuma decisão nesse sentido, em edifícios que estão a funcionar em pleno, com milhares de pessoas lá dentro, trabalhando normalmente. Por exclusão de partes, os responsáveis pela minagem tinham conhecimento do ataque iminente, e prepararam os acontecimentos de maneira a que parecesse existir uma relação de causa e efeito entre os embates e as derrocadas.

Assim sendo, o ataque terrorista contras as torres gémeas não passou de um pretexto para a sua demolição controlada, sendo o embate dos Boeing - pelos estragos visíveis causados - uma cobertura aparentemente perfeita para aquela operação secreta.

"Aparentemente". Palavra tremenda. Se foi isto, se podemos supor tais coisas, então tudo é possível. E se não fosse por causa do tal ouro que, dizem alguns, estava arrecadado nas caves? E se fosse apenas para criar um casus belli para justificar a invasão do Afeganistão, do Iraque, e sabe-se lá que ou quantos mais países? Será?

Então, vejamos, se foi esse abominável horror, se os serviços secretos americanos tinham conhecimento do que estava para acontecer, se deixaram que acontecesse e não fizeram nada para o impedir, então o próprio Governo americano sabia e nada fez! Então, horror dos horrores, foi tudo planeado e executado pelos americanos, no seu próprio território e contra o seu próprio povo. Foram eles mesmos, a começar pelo Presidente, os responsáveis directos pelo assassínio de milhares de compatriotas!

É o fim. Acabaram as ilusões. Já não há nem bom nem mau. É tudo mau. O eixo do mal afinal é redondo, açambarca tudo e todos. Esta é a guerra dos mundos, sim, mas afinal não é entre o Ocidente e o Islão radical, a democracia e o terrorismo, não é a liberdade de um lado e o obscurantismo do outro, agora vemos, a guerra é entre o mal e o mal, qual deles o pior. Acabou-se. Está explicado, que ninguém duvide, quando, como e principalmente porquê os americanos declararam a guerra.

Se bem que já praticamente sem fala, completamente esmagado pela transparência da teoria, pelas evidências que a suportam, porém, modestamente e do alto da minha insignificância, atrevo-me ainda a questionar, caso não seja muito atrevimento; é só uma perguntinha, uma última, microscópica, irrisória dúvida; posso?

Bom. Então era o seguinte: seria possível, em não dando muito incómodo, que alguém me explicasse para que serviu o 11 de Março? Pois, aquela coisinha de somenos que se passou em Espanha, em 2004. E, já agora, não abusando, para que foi aquilo em Bali, na Indonésia? E em Londres? Na Jordânia? Mombasa? Istambul? Casablanca? Karachi? Tunes? Ryad?

Siiiiim?










(*) Descaradíssimo plágio de uma campanha publicitária da TV portuguesa


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9/11 Memorial


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09/09/06

Ingenuidade & Má-fé, Lda.

As esquerdas, na sua proverbial cegueira, fingem que não sabem, pretendem que não entendem, que não é bem assim; algumas direitas(*), nas suas tamanquinhas, e de chinelos, como é costume desviam-se do essencial, dão corda aos argumentos idiotas do adversário.

Seria talvez inteligente determinar, em concreto, aquilo que se está a passar: e isto é, em resumo, e mais concretamente não poderia ser, desde 11 de Setembro de 2001, nem mais nem menos do que a III Guerra Mundial. Após algumas escaramuças mais ou menos localizadas, depois da queda do muro de Berlim e da concomitante implosão do "socialismo real" soviético, o Islão declarou guerra ao Ocidente, de forma expressa e liminar, atacando primeiro o território dos Estados Unidos da América - provocando este ataque cerca de 3.000 vítimas e avultadíssimos prejuízos materiais - e seguidamente o dos mais directos aliados daqueles, com acções de cariz militar na Grã-Bretanha e em Espanha - que provocaram igualmente centenas de baixas civis e estragos em proporção; simultaneamente, as forças armadas islâmicas atacaram também outros alvos estratégicos, politicamente cirúrgicos, um pouco por todo o mundo e em especial em países maioritariamente muçulmanos, como a Indonésia e a Índia; numa terceira frente, por sinal a mais antiga e primordial, as forças armadas islamitas combatem as ocidentais no Iraque e na Palestina, tentando sistemática e fundamentalmente eliminar o Estado de Israel.

Como única super-potência mundial, os Estados Unidos da América representam o papel de testa-de-ferro neste conflito e portanto, também pelo facto de pela primeira vez na sua História terem sido atacados no próprio território, são o país que lidera as forças combatentes ocidentais e aquele que mais efectivos e meios bélicos disponibiliza; numa relação directa e equitativa, são igualmente os cidadãos americanos, militares e civis, quem mais sofre e quem mais morre por causa desta guerra. Os países aliados, em coligação militar (como no Iraque), no âmbito da ONU ou integrados em organizações internacionais de Defesa (como a Nato), participam na medida das suas possibilidades no esforço de guerra, como é o caso, entre outros, e além dos já referidos Grã-Bretanha, Israel e Espanha, de nações tão diversas como a Itália, a Polónia, o Cazaquistão, a Austrália, a Roménia, El Salvador, a Tailândia ou... Portugal.

Num contexto de crispação causada, entre outros factores, pela ameaça da agressão nuclear por parte do Irão, da Coreia do Norte e do Paquistão, o Ocidente depara ainda com uma quarta e uma quinta frentes de guerra, respectivamente a diplomática e a mediática, sendo que, de resto, estas se ligam umbilicalmente e de forma por vezes indestrinçável: os media tendem a condicionar a opinião pública e esta, por sua vez, exerce a sua magistratura de influência democrática sobre o Poder instituído, condicionando por conseguinte os jogos de poder consubstanciados nas diplomacias nacionais. E nestes dois vectores (media-opinião pública e diplomacia) reside o maior obstáculo à execução dos planos de defesa militar delineados para as outras três frentes de combate, as de verdadeiro cariz militar e aquelas para as quais deveriam ser canalizadas todas as energias e recursos disponíveis.

Quando se fala de opinião pública, falamos obviamente da ocidental, porque não consta que semelhante coisa exista sequer na maioria dos países muçulmanos ou nas ditaduras comunistas residuais; ora, é precisamente esta mesma opinião pública ocidental - funcionando como quinta coluna do fundamentalismo islâmico e dos seus aliados, os comunistas que não aceitam a derrota nem os factos - que se constitui como verdadeiro inimigo interno do Ocidente; é a opinião pública ocidental, por regra manobrada e intoxicada pelos paladinos das "amplas liberdades" e outros ressaibados da e com a História, que veicula teorias paralisantes e, de certa forma, niilistas, com o objectivo óbvio de minar o moral das tropas e dos seus comandantes; é a opinião pública ocidental, com as suas estranhas dúvidas existenciais e os seus pruridos morais, em última análise, a principal responsável pelo arrastar indefinido desta III Guerra Mundial em que vivemos.

A opinião pública é legítima e aceitável em tempo de paz, quando todas as instituições e mecanismos de auto-regulação social funcionam; em tempo de guerra, enquanto rebentam bombas e as pessoas morrem aos milhares, debilitadas as estruturas do Poder e, por consequência, fragilizados ou radicalmente postos em causa os direitos individuais - sobrepujados ou esmagados pela emergência do poder militar -, os tempos não estão agora para opiniões e considerandos mas para acções e vozes, sim, mas de comando.

O Ocidente está a ser militarmente atacado, simbolicamente desde o dia 11 de Setembro de 2001, de forma sistemática e à escala global. Portanto, numa acção de legítima defesa, o Ocidente defende-se militarmente onde, quando e como for necessário, e mesmo contra-atacando se isso for estrategicamente conveniente - pela simples razão de que o contra-ataque é uma das acções de defesa mais comuns, desde sempre.

Como é evidente, os actos de guerra entre Estados não se resumem a manobras puramente militares, implicando também outras forças e medidas, como espionagem e contra-informação, vigilância e policiamento, logística e aprovisionamento, transportes e abastecimentos, etc. No caso vertente, em especial, na sequência aliás daquilo que sucede desde a década de 60 do século passado, existe um factor novo que torna exponencialmente mais complexo o próprio curso da guerra: já não se trata propriamente de uma guerra convencional entre Estados, mas uma guerra não declarada entre um conjunto de Estados, legitimamente constituídos, e uma rede difusa de movimentos terroristas sem fronteiras definidas, sem identidade concreta e sem qualquer estrutura reconhecível; é uma guerra de tipo único na História, na qual um dos lados combate um inimigo vago, que está em todo o lado mas não se encontra em lado algum, que existe de facto mas que se não pode atacar directamente porque não possui alvos dos quais dependa. Em termos de pura teoria bélica, nesta acepção, a III Guerra Mundial não poderá nunca ser vencida militarmente por um dos lados, já que ambos são beligerantes mas apenas um deles tem forças armadas e é constituído por nações organizadas; ou seja, um lado apenas ataca e o outro apenas se pode defender desses ataques, visto não ter onde ou o que atacar, ao certo. A única hipótese de que os países ocidentais, no seu conjunto, possam ganhar a guerra, é que o tempo - e o desgaste provocado por este - se encarregue de, à semelhança do que sucedeu com o sistema socialista, esvaziar de sentido o fundamentalismo islâmico e acabar por vencer pela exaustão a vontade e a motivação dos povos por ele dominados.

Entretanto, as forças ocidentais limitam-se a defender como podem os seus territórios, os seus cidadãos e o seu modo de vida, daquele inimigo sem pátria nem bandeira. E é precisamente neste ponto que entronca a referida dificuldade acrescida, o inimigo interno, a tal quinta coluna de opinião que faz objectivamente o jogo e serve exclusivamente os interesses do terrorismo, do fundamentalismo islâmico e dos seus aliados esquerdistas: com as suas "opiniões" capciosas, tendenciosas e obtusas, os fazedores de opinião entretêm-se alegremente numa cruzada pseudo-moralista que lança a confusão, desmoraliza quem está no terreno a combater, desmobiliza o cidadão comum, fragiliza as estruturas de Poder, enfraquece, em suma, o esforço de guerra em todas as suas vertentes.

Elevar à condição de inefável santidade os actos de guerra do inimigo, descobrindo motivações altruístas e humanitárias em quem apenas mata e destrói indiscriminadamente, constituiria certamente matéria suficiente para que os autores de tal absurdo fossem acusados de alta traição e, como seria normal em tempo de guerra e sob lei marcial, condenados à morte. Perorar sobre a legitimidade de todo e qualquer acto de defesa dos países ocidentais, clamando pelos direitos humanos de quem manifesta apenas desprezo por qualquer espécie de direitos e que excluiu do próprio conceito de humanidade quem não for muçulmano, é uma forma de traição, pura e simples. Questionar sistematicamente os procedimentos policiais, as medidas de segurança impostas, as acções de retaliação pontual e mesmo toda e qualquer manobra militar convencional, equivale a oferecer ao inimigo a motivação básica para justificar aquilo que de outra forma seria injustificável, ou seja, a sua sede de violência, a sua sanha alucinada, o seu fundamentalismo primitivo e desumano. Toda e qualquer "opinião" que sirva os interesses do inimigo é, por definição, um acto de traição. Traição esta que é tolerada, paradoxalmente, e passando absolutamente impune, apenas nas sociedades ocidentais e democráticas, as únicas onde existem liberdades individuais; em qualquer país ditatorial, seja de que tipo for, estes profissionais da conversa fiada seriam imediata e sumariamente fuzilados. Como sabe perfeitamente mas finge que não sabe quem enaltece a superioridade moral daqueles mesmos que os liquidariam sem pestanejar, caso pudessem ou, na pior das hipóteses, assim que pudessem.

Não se trata aqui de branquear a violência gratuita, a tortura de seres humanos, a terraplanagem administrativa e política dos direitos humanos mais básicos; de resto, é tudo isso mesmo que acontece, na prática, e mesmo em tempos de paz, nos países de ditadura islâmica, por decalque daquilo que sucedia (e sucede ainda) nas ditaduras socialistas. A questão reside no facto de estarmos em estado de guerra e não em tempo de paz. Como qualquer guerra, também esta (e, por motivos acrescidos, principalmente esta) representa um cortejo de horrores inimagináveis. Cabe decidir se é possível, se alguma vez foi possível, fazer guerra sem horror; se é possível combater o terror sem o horror. Ou isso, ou persistir na recusa da evidência, na espiral de negação dos factos.

Ou continuar a dizer, a escrever e a "achar" que não, que não se passa nada, que não estamos em guerra, que será quando muito um mal-entendido aqui ou ali; que os culpados "disto tudo" são os americanos, ou os ricos, ou o petróleo, ou o Tio Patinhas; que devemos é estar muito quietinhos enquanto os bons dos terroristas exercitam as suas artes pirotécnicas e outros números em nossa própria casa; que é maravilhosa, espantosa, fabulosa, a cultura da Sharia, a tal das "amplas liberdades" para ser morto à paulada, à pedrada, por empalamento, na forca ou a tiro, à escolha do freguês; que os maus da fita são "eles", os capitalistas, ou seja, nós mesmos, e que os bons são "os outros", os tais, os da santa aliança terrorista, comunista e socialista, cujo obscurantismo fica bem colorir, cujo medievalismo será por força modernizado; que a revolução, seja ela qual for, deverá avançar a todo o vapor e ficará num brinco assim que os amanhãs desatarem a cantar de novo, mas agora com a banda sonora exclusiva dos minaretes.

Enquanto continuar a lúdica tergiversação sobre o que se está a passar, toda a esquerda e alguma direita em suas reflexões e grandiloquências estéreis, o inimigo agradece, aproveitando o embalo e o remanso das certezas absolutas para afiar mais uma vez as suas simbólicas cimitarras e limpar suas mais maneirinhas e concretas Kalashnikov.



(*) Por "algumas direitas", depois de descontar falcões liberais e nazis folclóricos, entenda-se o "tipo" JCN: direita beata, satisfeitinha da vida, anti-tabagista, adepta ferrenha do iogurte magro com cereais.

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Loose "Loose Change"

Aquilo é de facto esmagador. Funciona como o anúncio das pilhas Duracell: a gente vê e duvida, duvida, duvida...

O primeiro impulso, ao menos para os direitistas empedernidos, assim como aqui o Yours Truly, é descobrir na fita uma coisa qualquer, uma peta, uma brecha por onde toda aquela teoria rache de alto a baixo. Mas não. É tudo demasiadamente sólido e consistente, argumentos como aço e fundamentações em verdadeiro, sólido betão.

Pronto. Desiste-se. O 11 de Setembro foi uma tanga. Acabou-se. Vá-se lá acreditar naqueles mafiosos de Washington. Que tristeza, meu Deus, perdoai-me a ingenuidade, a credulidade, a imbecilidade. Nem sei que diga. Estou mais mudo do que uma campa, mais triste do que um filme português, mais angustiado do que numa manhã de ressaca.

As torres gémeas, demolidas por implosão. As tangas todas. Afinal aquilo não era o Bin Laden, era um duplo, vê-se logo, um é canhoto, o outro não, o original sisudo, jovial a cópia fingida. Tudo, caramba, tudo mentira. Os aviões afinal não eram aqueles, nem sequer eram civis, tinham outras matrículas, ele há registos, e documentos, e "footages", e tudo. Não fica nada de pé, nada, nada, nada, foi tudo uma intrujice, uma montagem dos serviços secretos americanos. Aquela do Pentágono, então: vai-se a ver e aquilo foi mas é um míssil, qual Boeing nem meio Boeing, até tinha um traço no chão a marcar a rota...

Ei. Péra aí. Um traço no chão a marcar a rota do míssil? Hem? Como? Vamos lá a ver isso. Os mísseis precisam de riscos no chão para encontrar o caminho até ao alvo? É preciso fazer um desenho aos mísseis, indicar a rota com setas, assinalar o alvo com uma cruz, como quem diz ao míssil, assim, ó, vais por aqui, e é neste sítio, aqui onde tem este xis, agora é que rebentas?

Mas afinal, e o que se diz na net sobre esta coisa? Ora vejamos:

Claim: A white marking on the lawn the week before indicated the path of the crash.
Truth: This section of the Pentagon was being renovated and cables were being laid. And why would a cruise missile need directions anyway?


Ah, bem, assim já não sou só eu a achar esquisito. Melhorou.

Deixa cá ver se há mais tangas na teoria da conspiração.

Olha outra:

Claim: Wally Miller, a Somerset County coroner stated that there were no bodies found at the crash site of United 93.
Truth: There were no whole bodies, but over 1500 body parts were found, and most of the passengers were identified through the use of DNA. Mr. Miller later reported his findings on this.


Pois, também digo. Não foram encontrados cadáveres (inteiros), porque não restavam cadáveres (inteiros); só partes de cadáveres, umas mãos, uns pés, umas pernas, uns quantos braços e partes de crânios ou mesmo um ou outro crânio inteiro. Grande bronca se afinal não houvesse quaisquer restos de corpos no local onde o avião se despenhou. Se fosse realmente assim, então não era um avião comercial, ou então estava vazio, lá se esfumava a teoria oficial. Ora bem, convenhamos: nem os americanos são assim tão estúpidos, que diabo. Ao menos que despejassem ali o stock de alguns cemitérios das redondezas, ou coisa que o valha.

Olha mais esta:

Claim: The cell phone calls from the hijacked planes could not have taken place due to the technological impossibility of placing calls from a high altitude.
Truth: Most of the calls were from Airfones, which quite obviously work fine in the air. The few cell phone calls which were made could have easily been made due to the fact that the hijackers reduced altitude to steer their planes into their targets.


Pfiu! (isto sou eu a suspirar de alívio)

Ah, e tal, e porque torna e porque deixa, os americanos, os fasssistas, blá, blá, blá, e aquilo foi mas é uma golpada dos ricos, e os árabes são inocentes de todo, nhé-nhé-nhé...

Bom. Assim já gosto mais. A coisa compõe-se. Bolas, quais americanos quais quê, nem mesmo eu podia ser assim tão estúpido! Ser comido por parvo desta maneira, vá lá ver, engolir a patranha dos atentados terroristas, com anzol, chumbada, cana e carreto, ó gente, isso podia lá ser! Reconhecer a evidência da maquinação mafiosa seria o mesmo que passar a mim próprio um atestado de atraso mental completo e irreversível. Mais valia dar um tiro na cabeça, daí em diante absolutamente inútil, meter-me numa cela de prisão de alta segurança e deitar fora a chave, sei lá bem o que deveria fazer, entrar para um convento e passar o resto dos meus dias em recolhimento e penitência, chicoteando as costas e espetando vidro moído por debaixo das unhas, rogando perdão em orações infindáveis pela redenção dos meus pecados e da minha obtusidade.

Ahhhhhh, que até já respiro melhor. Assim, sim. Gosto pouco de me sentir burro. Sinceramente, é uma coisa que me chateia.

Esfreguemos, por conseguinte, as mãos. Ora deixa cá ver mais. Ena, 41!. Patranhas há muitas, ó seu palerma!

Ehehehehe (isto sou eu com o meu risinho sacana, o que é bera, porque o assunto não tem piada nenhuma)

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07/09/06

Galo pós-moderno


Entretanto, o Leixões acatou hoje a decisão do CJ da FPF em indeferir o recurso do clube matosinhense, algo que Fiúza considera, no mínimo, “muito estranho”. “Já estava tudo feito. Tudo isto traz água no bico. Foi tudo tão rápido que parece que já estava tudo decidido. (O recurso) serviu para atirar areia para os olhos das pessoas”, acusou ainda.

Público

Expressões-chave:
água no bico
areia para os olhos
muito estranho
Fiúza considera

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É a América, estúpido!

A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO REAL
Aproxima-se o 5º aniversário do golpe do 11 de Setembro de 2001. Tal como o incêndio do Reichstag, em 1933, que possibilitou a ascenção nazi, o 11/Set possibilitou o início da alteração do regime dos EUA (nos planos jurídico, policial, militar e institucional).
Apesar do grande trabalho de investigação efectuado por muita gente ao longo destes cinco anos, ainda estamos longe de desvendar tudo acerca dos acontecimentos do 11 de Setembro. No entanto, aquilo que já se sabe é mais do que o suficiente para demonstrar a enormidade monstruosa das mentiras arquitectadas e executadas por neocons do governo Bush. Exemplos:

  • já se sabe que as duas Twin Towers vieram abaixo por demolição controlada com explosivos pré-posicionados e não devido a choques de aviões;
  • já se sabe que o Edifício 7 ao lado com o qual não se verificou qualquer choque de avião também veio abaixo por demolição controlada;
  • já se sabe que edifícios com estrutura de aço em treliça não podem ruir devido a choques de aviões ou a incêndios;
  • já se sabe que o Pentágono foi atingido por um míssil e não por um Boeing 757;
  • já se sabe que nenhum caça da U.S. Air Force decolou para tentar interceptar os aviões sequestrados; já se sabe que a dita Al Qaeda foi uma criação dos serviços secretos americanos;
  • já se sabe que o think tank neoconservador Project for a New American Century (PNAC), constituído pelos que agora são os actores chave na administração Bush, previa que o processo de transformação por eles desejado "provavelmente será longo se faltar um evento catastrófico e catalisador como um novo Pearl Harbour" (in Rebuilding America's defences: strategies, forces and resources for a New American Century, publicado em 2000);
  • já se sabe que no local onde se afirma ter-se despenhado o Voo 93 da United Airlines só ficou uma pequena cratera com 6 (seis) metros de diâmetro (o filme Voo 93 está a passar em Lisboa, obra das centrais de desinformação de Hollywood).

A lista dos "já se sabe" poderia prolongar-se por aí além mas estes poucos dados são suficientes para formar um juízo.
Todos os trabalhos de investigação têm sido sistematicamente silenciados pelos media corporativos que se proclamam "de referência" (excepção honrosa foi a edição norueguesa Le Monde Diplomatique, que publicou trabalhos notáveis acerca do 11/Set). Quando não fazem silenciamento, estes media ditos "de referência" põe-lhes a etiqueta depreciativa de "teorias da conspiração" como se isso arrumasse o assunto. No entanto, nada do que se passou teria sido possível sem uma conspiração real no interior do aparelho de estado dos EUA. Seria muita credulidade acreditar na versão bushista de que 19 sujeitos armados com canivetes poderiam sequestrar vários Boeings em simultâneo e comandá-los em manobras difíceis.
Mas milhões de pessoas no mundo, desinformadas pelos media corporativos, continuam a não saber todos estes "já se sabe". A censura dos media corporativos é, hoje, mais feroz do que nunca. Além do trabalho de investigação do 11/Set é preciso, também, um trabalho de divulgação dos resultados já descobertos. Isso só pode ser realizado através dos media alternativos.

http://resistir.info/


Chiça. "Já se sabe"? Mas como "já se sabe"? Eu cá não sabia. Bem, agora é que estamos todos bem tramados. E se estas merdas forem mesmo verdade? Quer-se dizer, se as outras forem mentira? Hem, santinhos? Às tantas, um dia destes, até "já se sabe" que aquela porra toda foi mas é uma montagem de Hollywood, como "já se sabe" que foi a ida à Lua da Apolo 11, essa ganda treta imperialista; às tantas, sabe-se lá, fizeram a coisa com uns aeromodelos de plástico e espetaram com eles de encontro a umas torres gémeas à escala, com efeitos pirotécnicos e especiais de Steven Spielberg, esse ganda cromo, como já cá se sabia.

Não, mas agora a sério. E se a coisa tiver sido mesmo uma ganda farsolice? Olha que realmente. Vá-se lá acreditar naquilo que os olhos vêem, quem sabe, ou melhor, "já se sabe", ele depende e é consoante, como judiciosamente filosofou Pilatos: uma coisa é a verdade, outra é a verdade oficial, outra ainda é "a verdade a que temos direito" e outra bem diferente é a realidade cinematográfica, ou pictórica, por assim dizer. E nisso, convenhamos, os americanos são especialistas. Se for realmente verdade que o 11 de Setembro foi mentira, ainda assim, há que dar os parabéns ao realizador, à equipa de produção, aos encenadores, aos modelistas, aos "stunts" (aqueles gajos que se mandam de janelas abaixo, a fingir, evidentemente), os técnicos de "foleys" (os que produzem sons no estúdio, desde os dos murros aos das estaladas, passando pelos ruídos dos motores, explosões, ossos a partir, etc.), aos profissionais do guarda-roupa e dos adereços, da sonoplastia, da iluminação e da operação de câmara, sem esquecer, é claro, os extraordinários argumentistas, os excelentes guionistas, os maravilhosos especialistas em dramatização de diálogos, enfim, toda a equipa técnica, do mais modesto anotador ao mais famoso dos especialistas em efeitos especiais.

Uma palavra final, como não poderia deixar de ser, para os 2.997 figurantes que se deixaram matar por simples amor à 7ª arte, esses mártires do palco, verdadeiros heróis peliculares, merecedores sem qualquer favor de ver as suas mãos gravadas no "passeio da fama", isto, evidentemente, se lhes tivessem restado ao menos as mãos para decalcar no cimento. A todos eles, pois, um grande bem-haja pelo esplêndido espectáculo que graciosamente nos proporcionaram.



Don't call 911
George Bush, director
Starring (not available)
NY Studios, USA, 2001
Ficha técnica


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03/09/06

Enquanto dormes, o destino

É o teu sangue a correr nas minhas veias.
Esse milagre de quando triste sorris
e me deixas ver como és fatal;
e eu escravo de ti, senhora.

Tu, minha, serva, imponente, que bela és
quando me prendes nos teus braços
e me deixas ver como és fatal;
e eu, querida, o teu senhor.

Lembras-te agora de como foi, a primeira vez ?
Meu Deus, mas quanto tempo se passou já?
Poderei agora ver como foste e és fatal,
amiga, amante, querida, meu amor,
oh, minha escrava desigual.

Deixa-te por um momento dormir em paz.
Descansa agora neste peito calmo.
Deixa-te então, mulher fatal,
dorme, sossega, diz-me
tu outra vez, descansa,
dorme, meu querido.

É tão bom ouvir-te dizer isso, meu amor
minha amiga, mulher, meu destino
fatal fatal fatal.



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02/09/06

A independência de Timor? Xanana? Caralho que o foda!



Olha. Que plano é este, meu?

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Rendimento social de inserção (RSI) ou bater uma punheta (BUP)


" A senhora é boa como o milho eu gostava de saber se posso bater uma punheta enquanto a senhora fala ao telefone; não sei se era possível, a senhora falar ao telefone e eu bater uma punheta..."
Alfredo Barreiros, lojista

SIC Notícias


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01/09/06

Avante - Fotografia tipo passe


Odeio este filho-da-puta. Deus me perdoe. Odeio o filho-da-puta, que se há-de fazer? O ar bonzinho. A pinta de gajo porreiro. A subtilíssima aura superior de membro etéreo do comité central do partido comunista da união soviética. A costela operária do gajo, sendo que este cabrão nunca terá produzido abolutamente nada em toda a sua porreiríssima vidinha de burguês geneticamente modificado. A "preocupação" que o caramelo sistematicamente manifesta em relação aos "problemas" dos "trabalhadores em geral" e dos "desfavorecidos em particular".

Meu Deus, perdoa-me. Por favor. Não é sequer normal um tal asco. Gostaria, Senhor, se És meu amigo, se me é permitido o pedido particularíssimo, que me Permitisses não detestar com tal violência um qualquer ser humano. Perdoa-me, meu Deus. É que, Compreendes, estou neste momento em pleno processo de consciencialização, de auto-punição, de auto-flagelação. Apetece-me ir à "festa do Avante", aquela merda execrável, aquele gigantesco arraial. Caramba, não tenho emenda. Serei coprófilo? Masoquista? Imbecil?

Perdoa-me, sim?

Não volto a repetir...

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31/08/06

100 razões 100 razão alguma, 100 1 mínimo de coerência e 100 corar

É difícil fazer cartéis na blogosfera.

in Dossier Blogosfera, revista Psicologia Actual, Agosto 2006, pág. 46

 

É lá agora. Esse Dossier Blogosfera foi produzido por um dos cartéis mais conhecidos e mais antigos da tal blogosfera; isto é um facto; outra coisa será calcular o grau de dificuldade que interferiu na sua formação, coisa que apenas interessará aos próprios.

Sabe qualquer pessoa que escreva umas coisinhas num blog, conhece perfeitamente, quem são as pessoas que produzem "dossiers" e "estudos" deste género; topa-se-lhes nitidamente o linguajar comum, pretensamente técnico e forçosamente aportuguesado - blogosfera, blogue, blogar, bloguer, e assim por diante com todos os neologismos originalmente anglófonos conexos. Toda a gente conhece também os blogs que os elementos deste cartel produzem, bem como os seus rituais de comunicação, os seus hábitos de bajulação mútua, as suas atávicas retaliações a quem lhes não presta nem vassalagem nem para nada; alguns, assim mais para o desalinhado, conhecem por experiência própria as redes de informação e de informadores deste cartel, aquele arremedo de polícia de costumes virtual que "não permite" o anonimato, "não aceita" o desvio em relação à norma por eles estabelecida, abomina a independência e, em especial, o atrevimento de quem se está rigorosamente nas tintas para a querida "blogosfera" - essa coisa que autores e apaniguados doutamente apelidam de coutada, terreno de caça, feira franca de vaidades, panteão de mediocridades.

Se bem que, no caso daquele "dossier", e de resto como acontece amiúde, o cartel tenha convidado dois elementos (aparentemente) estranhos ao grupo, assim a modos que para abrilhantar a parada, a uniformidade, a conformidade e o monolitismo das "opiniões" expressas são de tal forma evidentes que bem podemos concluir - sem qualquer risco de falhar no juízo - que todos os textos do "dossier" poderiam ter sido escritos pela mesma pessoa: "visões" e "perspectivas" a papel químico, ou viródisco e tocómesmo em versão "postada", tratando o "fenómeno bloguístico" com pinças politicamente correctas e com o cuidado, muito cuidadinho, típico de quem protege os "seus" e, principalmente, o seu.

Para o leitor mais desatento, ou inexperiente, ou simplesmente estúpido, da leitura deste "dossier" resulta um pote cheio de nada e uma pipa atestada de coisa nenhuma, mesmo exceptuando os erros de Português (outro traço comum) e o chorrilho de lugares-comuns. Para alguém que, por mero acaso, tenha aterrado pela primeira vez nesta coisa dos blogs através da leitura de tal documento, o acervo de impressões resultantes não andará muito longe do seguinte binómio: primum, a "blogosfera" é um saco de gatos, com gatas assanhadas à mistura, e ainda uns quantos milhares de vespas assassinas; secundum, se, para criar um blog, é preciso ir ao Sapo, então criar um blog deve ser a maior trapalhada do mundo. De resto, esta paixão pelo Sapo, este amor virtualmente batráquio, é outro traço de identidade dos elementos do cartel; é que nem sequer disfarçam nadinha: quer-se um blog? É aqui, ó, no Sapo, pois claro; não há e nem se fala em mais nada.

 Pessoalmente, no entanto, recolhi um ensinamento da leitura do "dossier" que, embora não exactamente inesperado, me deixou um bocadinho fodido: é que o meu blog não existe. Ora merda. Eu sabia, mas ainda muito pouca gente se tinha apercebido disso; vai-se a ver, os gajos descobrem-me a careca, e o bico, e as asas mirradas. Truz-truz, já está: o meu blog não é de adolescentes, nem babyblog (porque não terão traduzido esta?), nem (só) de opinião, nem diário pessoal, nem de engate, nem de "registo de um processo", nem (só) político, nem colectivo, nem temático (?), nem panegírico (??), nem humorístico, nem dos "que nos obrigam a pensar" (???), nem sequer "antecâmara da impressão" (quarenta pontos de interrogação). Pois é, ó que grande tristeza, se eles dizem, a páginas 61 e 62, que estes são os tipos de blogs que existem, e se o meu blog não encaixa em nenhum dos tipos, porra, porra, porra, está visto, então o meu blog não existe. Com essa bem me foderam, cambada de bufos.

Mas enfim, ele há ali pérolas ou, como dizia nosso Eça, há ali talento, muito talento. Assim de repente não me recordo com exactidão de nenhuma daquelas excreções, exceptuando a do incipit lá em cima, mas fiquei sinceramente convencido de que, procurando bem, espiolhando como deve de ser, há-de haver lá qualquer coisinha mais jeitosa. É tudo uma questão de paciência.

 

 

Cenas dos próximos capítulos: os cães anarquistas vão outra vez ser atirados às canelas do artista; o artista espeta-lhes umas pauladas no focinho; tunga, tunga, tunga, kaim, kaim, kaim; como irão eles fazer o curativo? Será que D. Xica vai recompensar o bóbi? Ou irá açular o mastim contra outra pessoa, para se vingar à séria?
Não perca. É já a seguir.

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30/08/06

Olivemount Pictures presents...

"Pallywood", alegadamente a nova Meca do cinema.
Cenas de guerra na Palestina, alegadamente encenadas.






O nascimento de um ícone.
Parece que nem tudo é o que parece.



Mais info: Second Draft

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29/08/06

Tripas (iach!) à moda do Porto versus Dobrada à moda de Lisboa


Tripas à Moda do Porto

Ingredientes:
Para 10 pessoas

  • 1 kg de tripas de vitela (compreendendo livros ou folhos, favos e a touca)
  • 1 mão de vitela
  • 150 grs de chouriço de carne
  • 150 grs de orelheira
  • 150 grs de toucinho entremeado ou presunto
  • 150 grs de salpicão
  • 150 grs de carne da cabeça de porco
  • 1 frango ou meia galinha
  • 1 kg de feijão manteiga
  • 2 cenouras
  • 2 cebolas grandes
  • 1 colher de sopa de banha
  • 1 ramo de salsa
  • 1 folha de louro
  • sal
  • pimenta
Confecção:

Lavam-se as tripas muito bem e esfregam-se com sal e limão.
Cozem-se em água com sal.
Limpa-se a mão de vitela e coze-se.
Noutro recipiente cozem-se as restantes carnes e o frango.
Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
Coze-se o feijão, que já está demolhado, com as cenouras às rodelas e uma cebola aos gomos.
Pica-se uma cebola e «estala-se» numa colher de banha.
Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas, frango, enchidos, etc.).
Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão.
Tempera-se com sal, pimenta preta moída na altura, o louro e a salsa.
Deixa-se apurar bem.
Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou de barro, polvilhado, segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.

* A este prato devem os Portuenses o epípeto de Tripeiros de que muito se orgulham e que é como que o testemunho da sua reconhecida generosidade.
Dizem uns que esta receita data de 1384 e que se deve ao facto de os Portuenses terem enviado toda a carne para a frota que, chefiada por Rui Pereira, veio em auxílio de Lisboa, cercada por D. João I de Castela; outros atribuem o facto, uma vez mais, à generosidade dos Tripeiros que, em circunstâncias semelhantes, aquando da expedição de Ceuta, ficaram reduzidos a comer apenas as miudezas da carne.



Dobrada à moda de Lisboa

Ingredientes:
Para 2 pessoas

  • 300 gr de dobrada de novilho (não compreendendo nada, é só dobrada mesmo)
  • 1 chispe de novilho
  • umas rodelitas de chouriço corrente
  • um pedacito de orelheira
  • um cubozito de toucinho entremeado ou presunto
  • umas rodelitas de chouriço alentejano genuíno
  • uns pedacitos de carne da cabeça de porco
  • 1/4 frango ou 1 perna de galinha
  • 200 gr de feijão manteiga
  • 1/2 cenoura
  • 1 cebola pequena
  • 1 colher de chá de banha
  • umas quantas folhitas de salsa
  • 1/2 folha de louro
  • sal
  • pimenta
Confecção:

Lava-se a dobrada muito bem e esfrega-se com sal e limão.
Coze-se em água com sal.
Limpa-se o chispe de novilho e coze-se.
Noutro recipiente, cozem-se as restantes carnes e o frango.
Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
Coze-se o feijão, que já está demolhado, com a cenoura às rodelas e uma cebola aos gomos.
Pica-se uma cebola e «estala-se» numa colher de banha.
Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas a dobrada, frango, enchidos, etc.).
Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão.
Tempera-se com sal, pimenta preta moída na altura, o louro e a salsa.
Deixa-se apurar bem.
Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou de barro, polvilhado, segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.

* A este prato não devem os lisboetas nenhum epípeto, do que muito se orgulham, e que é como que o testemunho da sua reconhecida generosidade.
Dizem uns que esta receita data de 1984 e que se deve ao facto de os lisboetas se terem lembrado de emitar os Portuenses, se bem que não utilizando linguagem nojenta na receita; outros atribuem o facto, uma vez mais, à generosidade dos lisboetas que, fartos de batatas fritas de pacote e de frango de churrasco, acharam por bem reproduzir um prato típico do Porto, substancial e suculento, mudando-lhe apenas o nome e reduzindo drasticamente nas quantidades.

Este pitéu é recomendado em casos de stress extremo, cansaço generalizado, desgostos de amor, problemas financeiros, bancarrota, para quando o Benfica perde (ou ganha, é consoante) e ainda como paliativo eficaz no tratamento de nevralgias, escoliose, pé chato, catarro e rouquidão. Acompanhado com um bom vinho alentejano ou duriense, diz que faz milagres, a bela dobrada, cura a mais renitente dor-de-corno, apaga o mau-olhado e os trabalhos de magia negra, resolve casos difíceis de inveja, afasta e aproxima (é consoante) a pessoa amada, ou seja, ganha de capilota a uma consulta com o Doutor Karamba, 41 anos de experiência há mais de 15 anos. Temperada com piri-piri, há quem assevere que a dobrada dá uma tesão daqui até ao Brasil. Supimpa.
Bom apetite.



(a receita original - tripeira - foi recebida por e-mail, de remetente incógnito)

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27/08/06

O cefalópode completamente estúpido

1) Anti-imperialism is impotent. The left-wing radicals who describe themselves as anti-imperialists, and who engage in the unending, indiscriminate demonisation and denunciation of the US and its allies, have no idea about how to 'defeat imperialism', nor any means to bring it about. The high-point of the Western left's anti-imperialism was probably the US defeat in the Vietnam war - brought about in part by the anti-war demonstrations in the West, it is true, but also by a set of fortuitous circumstances: the largeness of Vietnam as a country (with one quarter the population of the US); the skill and dedication of the North Vietnamese / Vietcong resistance; and the support given by the Soviets and Chinese to the latter. Take away such circumstances and anti-imperialism is a broken reed. Thirty years after its defeat in Vietnam, the US and liberal Western capitalism are stronger than ever. Even the million-strong monster demonstration in London against the Iraq war failed to prevent British participation. Anti-imperialism gives moral satisfaction to the anti-imperialist, but does not actually weaken or halt 'imperialism' in any way.
2) Anti-imperialism has no positive content. The socialists who opposed World War I, and the left-wing radicals who demonstrated against the Vietnam War, did so in the belief that they were fighting for a better society - one that the Bolshevik Revolution and the Communist victory in Vietnam seemed to them to be heralding. Now that Communism has been discredited and there is no alternative to the Western liberal-capitalist model on the horizon, the current generation of anti-imperialists continue to demonstrate against Western intervention and the liberal-capitalist system, but without offering anything in return: the idealists have been transformed into nihilists; their victory promises not a better, more just and egalitarian world, but the triumph of genocide in the Balkans and fundamentalism in the Middle East, in return for a minor setback to our own democratically elected leaders.

Marko Attila Hoare(*)

Estes são as primeiras duas razões, de uma série de doze, que levaram uma pessoa a deixar de militar pela causa "anti-imperialista" e a passar-se - sem armas, mas com bastantes bagagens intelectuais - para o campo do adversário. Claro que é apenas uma opinião mas, neste caso, temperada com experiência q.b. e com o sal do conhecimento da tese inversa: não é absolutamente necessário, mas dá muito jeito fundamentar uma opinião com o facto de se ter tido antes a opinião contrária - e parece ser o caso.

Algumas pessoas, por estranho que isso possa parecer a quem lê uns jornais e ouve falar de umas coisas, duvidam de que as esquerdas apoiem actualmente o fundamentalismo islâmico e, numa palavra, o terrorismo, pelo simples facto de que este combate o velho "inimigo de classe", o "imperialismo", ou seja, os Estados Unidos da América e os seus aliados, especialmente a Inglaterra e Israel. Parece impossível, para essas incrédulas pessoas, que alguém seja capaz de apoiar os facínoras que fazem explodir aviões e autocarros, que se fazem explodir a si próprias em locais apinhados de gente; pode lá ser que alguém em seu perfeito juízo, e para mais com uma longa tradição de amizade com os "desfavorecidos" e de "solidariedade" com as "causas" mais meritórias e boazinhas, possa estar agora ao lado dos terroristas, que matam e esfolam a troco de nada, umas quantas virgens no paraíso ou pouco mais, grandes malucos. Onde já se viu, as esquerdas, essa boa gente das longas marchas e dos longos apêndices capilares, mas como, comunistas, socialistas, anarquistas e outros esquerdistas indiferenciados, pode lá ser, vão agora misturar-se com pessoal assim de tão má catadura, malta da pesada, gajos saídos directamente da Idade das Trevas para as ruas de Nova Iorque e de Londres, não, que horror, não dá para acreditar.

Pois é. Mas é. As esquerdas, órfãs de referências geográficas, desaparecidos todos os paraísos socialistas que existiam à face da Terra, mantêm no essencial todo o discurso, o mesmo de sempre, e inalterada a estratégia, também sempre a mesma: o inimigo da paz mundial é o capitalismo, sendo a face visível deste o imperialismo americano, e a globalização a sua consequência mais palpável; assim, hoje como dantes, os Estados Unidos representam o verdadeiro eixo do mal da moral sinistra, a cabeça do polvo global que estende os seus braços enormes - os aliados ocidentais - por sobre a sua vítima redonda, ligeiramente achatada nos pólos, essa Terra que o mesmo polvo pretende deglutir voraz e rapidamente; tem ainda, este horrível bicho de uma só cabeça, além dos braços poderosos e cheios de ventosas capitalistas, um bico rijo no centro, Israel, que utiliza para aniquilar as presas, exaurindo-as até à morte por asfixia. Nesta alegoria zoológica, agora que se extinguiram todas as avis sovieticum, o Islão radical surge como avezinha salvadora, evidentemente uma pomba branca irradiando paz e bem-aventurança, um passarinho inocente, ave sem nada de abutre ou de mau-agoiro, muito canora e ideologicamente emplumada. A calhar, enfim, ainda por cima à falta de melhor, para a obsessão primordial das esquerdas, o anti-americanismo, em todas as suas formas e variantes, desde o anti-semitismo, essa energética e revigorante actividade, ao anti-capitalismo em geral e à anti-globalização, pois claro, em particular.

Acabou-se a teta dos amanhãs que cantam, secou-se-lhe o leitinho da felicidade eterna em vida, pois bem, não tem nada que enganar, a esquerda vira-se imediatamente para aquilo que está mais à mão, por assim dizer, pois que seja o islamismo radical, até que é giro, parece bem e tudo, com aqueles panos negros e aquela abençoada pobreza, aquela fascinante e comovente idolatria da ignorância, o maravilhoso obscurantismo a que são forçados; o caso está em que eles, os novos pobrezinhos de eleição, despedacem uns quantos americanos à bomba, despejem seus mísseis nas ruas de Tel-A-Viv e de Jerusalém, que estoirem uns autocarros em Londres e uns comboios em Madrid. O que faz falta, como dizem esquerdistas, é animar a malta, manter a chama acesa, e está-se mesmo a ver que ninguém melhor para o efeito do que os "espoliados" árabes, essas vítimas da ganância capitalista, essa pobre gente que vive nos países mais ricos do mundo mas que não tem nada, nada, nada, coitadinhos, por culpa, obviamente, exclusivamente, dos americanos e dos seus aliados sionistas.

Alegarão possivelmente, as alminhas mais incrédulas, perante tanta obtusidade, que "nem toda" a esquerda política estará inequivocamente do lado do islamismo radical e que não quererá por certo, para si e para os seus, o modelo de sociedade medieval preconizado pelo Islão. Com certeza que não, aliás na sequência do plano estratégico que sempre regulou aquelas mentes perturbadas, desde os tempos de Stalin, Mao e Pol-Pot: nunca se viram filas de espera nas fronteiras de qualquer paraíso socialista, isto é, para lá entrar; quando muito, haveria filas, mas do lado de dentro, de gente que pretendia escapar a tanta felicidade junta; a nenhum esquerdista bem-pensante ocorreu alguma vez a peregrina ideia de emigrar para as terras do Tio Ivan; o que, alegre e petulantemente, nunca os impediu de "lutar" contra os malefícios do capitalismo e abraçando sistematicamente as "causas" dos paladinos das "amplas liberdades", os mesmos que não permitiam nem amplas nem restritas nos respectivos países do império soviético.

Desde que o fundamentalismo árabe cumpra a sua função utilitária de ataque sistemático às estruturas físicas democráticas, americanas e ocidentais, as esquerdas ocidentais, antidemocráticas e visceralmente anti-americanas permanecerão como fiel aliado de tão providencial braço armado; enquanto os terroristas fizerem o seu trabalho sujo e sanguinário, as esquerdas esfregarão as mãos de contentes, já que, mesmo não tendo nada para oferecer em troca do sistema que pretendem liquidar, ao menos têm um vestígio de fundamentação ideológica para a sua sanha: se a culpa (seja lá do que for) não é dos americanos, então porque é que os árabes os atacam com tanta ferocidade? Aliás, note-se, os terroristas não atacam, pelo contrário, defendem-se... coitadinhos. De onde lhes vem tanta raiva, se não do mal atroz que o ocidente lhes inflige? E aquilo não é nada de especial, uns prediozitos, umas carruagenzitas, é só fumaça, os árabes não querem matar inocentes, são impecáveis na selecção dos alvos. Por consequência, o capitalismo, o imperialismo, os americanos e os judeus apenas têm aquilo que merecem; os árabes limitam-se a ajustar as contas da História e por isso mesmo é-lhes devida não apenas toda a admiração como o apoio mais entusiástico.

Não é belo? Não é absolutamente férrea, esta lógica? Pois claro que é. Quem não entende uma coisa tão simples, ou pertence à pior espécie de cegos ou é burro que nem uma porta. Um choco, ou coisa parecida.


(*) via Blogue Revista Atlântico

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26/08/06

Modesto contributo para a meritória iniciativa de nosso Pacheco

16:02 (001)

RETRATOS DO TRABALHO EM ALBUFEIRA, PORTUGAL

Trabalhadores sacrificadamente criando um bronze
uniforme, tendo o cuidado de não apanhar escaldões.


16:09 (001)

RETRATOS DO TRABALHO EM CARCAVELOS, PORTUGAL

Trabalhadores da arte do arrasto em pleno gamanço,
com a trabalheira acessória de fugir à bófia (Junho 2005)



16:22 (001)

RETRATOS DO TRABALHO EM MARCO DE CANAVESES, PORTUGAL

Tocando bombo, mas devagarinho e não muito.
Se tocar muito e depressa, o trabalhador pode
tornar-se bombista suicida.



(para não destoar do Abrupto, não se citam nem as origens nem os autores das fotos)

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25/08/06

Um post sobre um post sobre um post sobre o Zecafonso

Zeca Afonso e a idolatração do totalitarismo comunista

Miguel Castelo-Branco sobre Zeca Afonso:
No passado fim de semana, a RTP exibiu um verdadeiro show de totalitarismo revivaleiro. Zeca Afonso divinizado, exaltado e tido como um "génio", deu azo a uma torrente de cançonetas de incontinente pendor marxista terceiro-mundista. As palavras sempre as mesmas (solidário, inquietação, amigo, companheiro, Maio, ceifeira), o ritmo puxando ao falso-rústico das "raízes" - outra palavra detestável - e a finalidade escancarada: tornar aceitável o abjecto (roubar, sanear, vingar, matar) e abrir portas ao totalitarismo comunista, tornando-o justificável à luz da rábula cantada. Zeca Afonso tinha um ar perturbado, queria mais, mais revolução, mais plano inclinado, mais ocupações, mais saneamentos, mais controlo operário, mais comissões de bairro - aquelas que faziam listagens com as pratas, os quadros e os aquecedores existentes nas casa dos inimigos de classe - mais poder popular, mais armas em boas mãos para defender a revolução; ou seja, mais balbúrdia que pedisse, no fim, mais um Estaline. Aquilo é Babeuf, Marat, a Comuna de Paris, a propaganda pelo facto do bombismo anarquista, mais comunalismo utópico em que entram as CEB's (Comunidade Eclesiais de Base), as Comissões de Ocupação de herdades (as célebres "comprativas"), os padres Max de gola alta e barbas à Sierra Maestra, a Teologia da Libertação, as mulheres-padres, os poetas repentistas e analfabetos (quantas vezes tivemos de engolir o banalíssimo Aleixo ?), o new-age dos alucinogénios e de outros estados de consciência alterados, o abortismo dá-cá-aquela-palha; sei lá, um sem-número de coisas sem mérito elevadas nos pedestais no culto do mau. Sintomaticamente, o programa terminou com uma discursata do inefável "Zeca": "a minha democracia não é a dos votos, mas a do poder do povo". Pois. Uma democracia da rua, de tiros na nuca, prisões arbitrárias, campos de concentração, reeducações e penúria para todos.

por André Azevedo Alves @ 01:57 38 Insurgências
Blogue

Aquilo lá no sítio Insurgente está cheio de "insurgências", 38 no momento, e ele é de cabrões e filhos-da-puta pra cima, além de que no sítio das Combustões não dá para deixar comentários, de maneira que o melhor é trazer a colagem para aqui, para este sossego, esta maravilhosa tranquilidade; aqui não passa ninguém, aqui no pasa nada, compañeros, ah, que maravilha, que bem se está no campo, apenas com a telefonia por companhia, pode-se ler e escrever à vontade, e até raciocinar é possível, e comentar, e tudo, sem a azáfama da notoriedade, sem a inquietação do nome civil atrapalhando os negócios.

Mas enfim, é necessário dizer alguma coisa. Que diabo, não se atira assim o pobre do Aleixo para a fogueira anticomunista. Bem sei, bem sei, espelho meu, espelho meu, existe alguém mais anticomunista do que eu? Claro que não, responde o espelho, sossega, tu és o mais fasssista com três ésses deste reino e arredores. Mas, mas, mas, ó Insurgente, ó Combustão, escuitai, canudo, o Aleixo "banalíssimo"? Banalíssimo, o Aleixo? O António, o da mosca que poisa tanto numa poia de merda como na careca de qualquer doutor? Banal, o homem? Cruzes, canhoto. É lá agora.

Acho muito bem, acho perfeitamente, que se crucifique o estilo esquerdista, a verborreia peganhenta do povo, o nosso povo, o povo; poderia talvez, em podendo almejar tais talentos, ter eu próprio escrito aquele curialíssimo arrazoado; algumas daquelas expressões demolidoras poderiam ser até minhas, pois que já escrevi sobre comunas de forma ainda mais radical, se bem que muito menos artística; até já fui capaz de me tornar merecedor de insultos vários, por parte de comunistas, anarquistas e esquerdistas em geral; mas, repito, vamos lá a ver, bolas, o pobre Aleixo não merece tal insulto. Por acaso já leram alguma coisa dele, hem, companheiros? Caramba, vá lá, em tendo acertado pela negativa, é só um livrinho, aquele de que toda a gente conhece o título, umas quadras, umas glosas, uns autos, lê-se (infelizmente) numa noite, curta e sossegada.

Como deveis saber ambos, caros amigos, se me permitis a familiaridade, António Aleixo morreu em 1949, aos cinquenta anos, não assistindo, portanto, à primeira publicação do seu livro, em 1969, com segunda edição no ano seguinte; durante semanas, naqueles dois anos, esta foi a obra mais vendida em Portugal, e ainda hoje se reedita periodicamente. Ora, como vedes, 1969, 1970... hmmm? Foi ainda no tempo da "outra senhora", do "velho" regime, compreendem?

Que os comunistas o tenham "nacionalizado", que se tenham apossado da sua memória como se fosse farinha para o pão da "causa" socialista, que tenham usado dos seus escritos como argamassa das teorias igualitárias, bem, isso é indesmentível mas não tem nada a ver com o próprio António Aleixo; é a velha e relha técnica dos intelectualóides esquerdistas, tudo lhes serve desde que seja da marca "popular", de Rosa Ramalho a Catarina Eufémia, invenções e mitos, deslumbramentos e atavismos próprios do coitadismo militante. Aleixo foi no pacote, por assim dizer; é um paradigma da cultura dita popular, logo encaixa na perfeição no discurso esquerdista, na liturgia comunista, nos tiques e nas manias da intelectualidade bem-pensante e fina, ou seja, da esquerda caviar, que é aquela que ao menos lê alguma coisa.

Que os comunistas e seus émulos, mais ou menos disfarçados de democratas, tenham transformado a obra daquele homem em algo de enjoativo, pela reiteração sistemática, de quase nauseante, por tanto martelarem os ouvidos das pessoas com os versos do poeta, bem, não tem dúvida: de facto, ele não há comício, não há "festa do Avante", não há "manif" onde a gente não leve com as rimas do António (as mesmas, são sempre as mesmas); pois sim, é verdade. E isso o que tem? Não poder a gente, em muitas ocasiões, até na televisão e na rádio, poder abrigar-se das enxurradas aleixianas, isso é culpa do próprio Aleixo, por acaso?

Mas o autor das rimas está de todo inocente, limitava-se a rimar, não a chatear. Não sei, nem de fonte segura nem de insegura, mas sinceramente não me parece que o pobre alguma vez tivesse tido o mais ínfimo contacto com vermelhos, ou que sequer tivesse alguma vez ouvido falar das maravilhas do paraíso socialista, da terra prometida que havia dantes por detrás de uma cortina de ferro.

Coitado do homem, digo eu, que detesto o coitadismo, mas é por uma boa causa, ora, perdoe-se-me, que seja pelas alminhas. É que acho mal, pronto. Qual "banalíssimo", qual cacete! Não é nada banalíssimo. Banalíssimo será talvez um Herberto Hélder, ou dois ou três poetazinhos da corda, desses que espicham cocó por esses blogs fora; esses é que são banalíssimos, foleiríssimos, enjoadíssimos e nojentíssimos. Ou, citando o próprio:


Quando estas verdades digo
a um amigo, estou a ouvi-lo
ele a dizer lá consigo:
_ Aquilo não é comigo,
eu não sou nada daquilo.

Mas, se em meus versos bem-digo
dum amigo, fica feliz
a dizer lá p'ra consigo:
_ Oh diabo, aquilo é comigo,
sou tal qual o que ele diz.


Aí têm vocês, para amostra. Está muitíssimo mal escrito, mas é genuíno. Não é de facto brilhante, mas é simples. Ou seja, infinitamente mais do que aquilo que se pode dizer da esmagadora maioria dos consagrados, esses brilhantes artífices do pedantismo em rima branca.

És um sábio a discutir
e a discursar; quem te ouvir,
compreende que o teu intento
não é lutar pela razão;
é ganhar a discussão,
p'lo menos nesse momento.




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Querida, encolhi os planetas



Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno e Futebol




- imagem original dos planetas que havia dantes: www.noiseindustries.com
- imagem do planeta Futebol: destinationfootballonline.com

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Êbam didom! Oú est le garrafon?

Cinco frases-chave entre Maman e son petit rebentô:
_ Mais arrête, quoi! Ça va pas comme ça, cárráçazz!
_ Mais qu'est-ce que tu fais? Oh, le morcon! Attend! Je vais te taper no focinho, caralho.
_ Quoi? T'en veut pas? Ah, bon? Je m'en fou, pá, quero lá saber.
_ Quand ton père arrive, tu vas voir o bom e o bonito.
_ Pierre! Viens ici! Pierre! Ici! Mais viens ici! Immédiatement, foda-se! Queres levar nos cornos, hã? Bon, ça suffit maintenant!


Seis frases-chave entre mari et épouse:
_ Déjà bêbado, caralho?! Hein? On est juste arrivé, et voilà, il est déjà bêbado como um cacho, ce petit con! Oh-la-la!
_ Ta gueule! Va à châtier o caralho. Laisse moi tranquille.
_ Ma mère avait raison. Elle me disait souvent "laisse le, il n'est pas nenhuma flor de cheiro, põe-te a milhas desse..."
_ Desse quoi? Quoi, desse? Qu'est ce qu'elle disait, la vieille? Ah, putain, dis donc, tu veux m'emmerder ou quoi?  Mais quel casino, quoi!
_ Paneleiro. Oui. Elle t'appelait paneleiro, t'entends? Ma pauvre mère, coitadinha...
_ Paneleiro, eu? Moi, paneleiro? Puta da velha, caralho! E só agora me dizes essa merda? Va te faire enculer, putain, et emmène ta mère avec toi! Bordel!


Sete frases-chave entre eles e empregados de café (garçons):
_ Un croissant com fiambre et du lait au chocolat, faxabôri.
_ Mais, alors, essa sandes, vem ou não vem? Espera ou fait seron?
_ Boff, eu não sei ce que je veux, peut-être un cafêzinhô, sei lá.
_ Ils sont frais, les bôlinhôzz?
_ Alors, deux Martini, une impérialle e um pires de tremoços, s'il vous plait.
_ Garção, bocêzes tendes cá pastis? Ah, bon? Atão trazende lá disso, merci bien.
_ C'est combien, les copos? Comment? Combien??? Foda-se!


Chega Agosto e um estranho perfume linguístico se espalha pelos entrefolhos mais recônditos do Portugal profundo. Dito de forma mais inteligível, aí está de novo a invasão do Françuguês - essa curiosa novilíngua criada pelas massas de emigrantes portugueses em França, no Luxemburgo e na Suíça francófona.

Essa subespécie de homo lusitanicus, conhecida entre nós como Franciú, ou emigronte, distingue-se facilmente dos demais compatriotas pelo simples facto de se esforçar desesperadamente por se distinguir totalmente dos demais compatriotas, falando exclusivamente a Língua que o caracteriza, misto de mau Francês e péssimo Português. Certos estudiosos da matéria alegam, vagamente intrigados, que a Língua francesa é a única fala de carácter contagioso ou absorvente que existe em todo o mundo; de facto, o fenómeno ocorre apenas com pessoas que emigram para países francófonos, as quais, em apenas um ou dois meses de permanência em ambientes contaminados pelo Francês, acabam por ficar absolutamente incapazes de utilizar a  sua Língua materna; pelo que se poderá aferir o carácter linguisticamente tóxico do Francês, já que o mesmo não sucede com nenhum outro fluxo migratório, seja para países anglófonos, germanófonos ou países com fonoridades ainda mais exóticas, como castelhanófonos, nipófonos, chinófonos, etc. Em suma, o massacre sistemático do Português é um exclusivo dos emigrantes portugueses na Europa francófona, o que até se compreende, vendo bem, se atendermos ao facto de eles serem originários do país mais atrasado e retrógrado da Europa, por um lado, e viverem e trabalharem na pátria da civilização ocidental, no coração do mundo, por assim dizer - bem longe, portanto, deste cu do dito que é Portugal. É assim justo, sejamos curiais, que os emigrantes portugueses manifestem o desprezo que sentem pelas suas origens, aniquilando rapidamente a sua herança linguística e trocando-a pela da pátria que assumiram e que manifestamente preferem.

Não fiquemos tristes, no entanto, nós outros, os que por aqui ficámos carpindo nosso passado glorioso, porque a questão dos emigrontes é não apenas sazonal e, por conseguinte, suportável, como tem até sua piada, montes dela, como soe dizer-se. Poderia mesmo, a observação de Franciús em vacanças, transformar-se em não desprezível variante da indústria turística nacional; poder-se-ia até pensar em organizar excursões, inseridas na campanha "vá para fora cá dentro", que levariam o turista português aos locais típicos onde o espectáculo se desenrola ao natural, como praias, piscinas, parques de campismo, centros comerciais, restaurantes, tascas, esplanadas e cafés, em todas as grandes, médias e pequenas cidades do país; aliás, como em Agosto há Franciús por todo o lado, esta modalidade de observação zoológica para fins turísticos - ao contrário da observação de pássaros, de aviões ou de comboios, actividades muito mais dispendiosas - pode ser efectuada por qualquer pessoa, de forma espontânea e desorganizada. Por certo muitos estrangeiros adeririam ao conceito, atraídos pela novidade e pela excentricidade da coisa, que seguramente não encontrarão em mais país algum, nunca vista e muito menos ouvista, ora pois, seria questão de se arranjar uns intérpretes trilingues, Inglês, Francês, Português, há por aí disso aos pontapés; em vez de "bird watching" ou "train spotting", meras trivialidades turísticas por esse mundo fora, Portugal poderia oferecer mais um produto turístico absolutamente inovador, a visita a locais com vista para a emigração.

Mas enfim, não entrando desde já em tão ambicioso e interessante projecto, a questão central é que se torna facílimo e baratíssimo para qualquer pessoa dar um outro sentido às suas férias - e quem sabe, à própria vida - através do simples aproveitamento deste manancial que, ainda por cima, circula livremente e não se importa nada de ser observado, pelo contrário, faz tudo o que pode para atrair as atenções. É absolutamente fascinante, de resto.




(garrafão de http://estadio.no.sapo.pt/fotomontagens_slb2.htm)

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