Odi profanum vulgus et arceo

16/12/06

Notepad

Os segredos são como os cromos: há os ruins e há os repetidos, que não têm qualquer valor.

O "amor à camisola" ganha outro sainete e outra mística quando esta tem os seguintes dizeres: "Banco Espírito Santo".

A sanha anti-tabágica é de tal forma... assanhada, que ainda havemos de assistir à proibição do "smoking" como traje de gala; e então o mais correcto será levar um fato de risquinhas para qualquer merda de mais cerimónia.

Os condenados à morte vão ter de prescindir do cigarro, como último desejo; agora terão de escolher coisas mais saudáveis, como mascar uma última pastilha-elástica ou beber um último copinho de leite morno, por exemplo. Presume-se que muitos preferirão de imediato o tiro nos cornos.

Há duas espécies de militante anti-aborto: aquele que sabe do que fala e o que finge que não sabe.

Se um grupo de estudantes comer à grande e à francesa, num restaurante, terá direito a não pagar a conta alegando que "não pagamos, não pagamos"?

Quando não gosto de ti, isso quer dizer que não gosto de ti ou apenas que gosto, sim, mas só às vezes?

Existe uma grande diferença entre ser e não ser: depende.

Antigamente, era muito mais fácil e divertido ser engraçado; agora, não apenas é necessário conhecer alguém influente, como ter piada também ajuda.

Qual é o cúmulo do esquecimento? Não me lembro.

O sucesso do poeta varia na razão inversa da sua capacidade gramatical e na directa da sua tolerância ao álcool.

O MEC não passa, afinal, de um gajo "janado", alcoólico e pateta alegre. Foda-se. O cronismo está de luto por causa não de uma mas de três doenças crónicas.

Sempre que me sinto cansado, muito cansado, ponho-me a dormir. Quando estou a cair de sono, mas mesmo exausto, não consigo adormecer. Há aqui alguma coisa que me ultrapassa.

A mulher mais bonita, mais inteligente, mais brilhante e boazona que tive a oportunidade de conhecer, em toda a minha vida, agora é um caco ambulante. Isto deve querer dizer alguma coisa. Investigar os termos "caco", "ambulante" e "boazona".

Todos somos filhos de Deus, mas isso é só em princípio.

Se um ditado popular é a verdadeira voz do povo, será que afinal o povo de vez em quando acerta? Ou deve-se cagar pura e simplesmente para essas coisas, em podendo?

Quando me dói a alma, será certamente porque algo me magoou seriamente. Quando me dói a barriga também, ou isso "é mais bolos"?

Ouve, vou dizer-te uma coisa muito séria: uma coisa muito séria. Topas?

Como se costuma dizer, perguntar não ofende. Mas se eu perguntar, por exemplo, "olha lá, tu és algum filho-da-puta, ou quê", isso ofende ou não ofende? Ah, não? Tá bem.

Epitáfio de Manoel de Oliveira: Cine Qua Non (Cinema Assim, Não).

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14/12/06

Um blog pelo NIM

Não
Desde que foram inventadas coisas tão interessantes como o "planeamento familiar" e o "direito à igualdade entre os sexos", ter um filho deixou de ser um acto natural e passou automaticamente à categoria de simples acto administrativo; um outro artifício colateral, como sempre promovido pelas camadas mais esclarecidas e bondosas das populações, ternurentamente designado como "paridade", veio revestir de forma legal o direito de parir ou de não parir, concedendo a metade dos seres-humanos, as mulheres, o poder discricionário de escolha absoluta na matéria; a outra metade, os homens, deixa assim de ter voto nessa mesma matéria, remetendo-se definitivamente à sua insignificância histórica e biológica e limitando-se à sua condição básica de produtores e fornecedores de material genético; isto, é claro, enquanto não se arranja alternativa para tão irrelevante parceria.

Utilizando uma terminologia porventura menos técnica, e optando por uma outra mais futebolística e, portanto, de muito mais fácil digestão, digamos que estão actualmente reunidas as condições para que o acto de procriar dependa exclusivamente da vontade individual; isto é, engravidar deixa de ser uma consequência natural do acto sexual, sendo a finalidade exclusiva deste a fruição do prazer, passando a fecundação a depender de uma "decisão" que será tomada - exclusivamente - pela mulher. De onde se conclui que os métodos contraceptivos, largamente difundidos desde meados do século passado, deixam agora de fazer qualquer sentido; se ainda se mantêm, se ainda alguém os utiliza, isso deve-se a mero comodismo, ou a agudíssima pragmática existencial, já que tomar a pílula é uma actividade bastante menos maçadora do que abortar - pelo menos, quanto ao aborto cirúrgico, porque os métodos abortivos químicos não diferem grandemente, em penosidade, da muito prática tarefa de engolir um comprimido.

Estamos de facto perante uma verdadeira revolução, não apenas de um ponto de vista sociológico mas, principalmente, numa perspectiva biológica; ainda não é a erradicação total da componente animal na espécie humana, ainda continuamos a ter necessidades fisiológicas básicas, comer, beber, urinar, defecar, mas a necessidade, o impulso, aquilo a que alguns chamam instinto reprodutor deixa de ser inerente à nossa espécie; ao contrário de todas as outras, desde os mamíferos aos insectos, têm agora os humanos ou, em rigor, metade dos humanos, o poder de decidir se uma fecundação é ou não viável, deve efectuar-se ou não; e, em última análise, se ainda assim a Natureza ultrapassar todas as barreiras artificialmente criadas, se ou no caso de todos os métodos anticoncepcionais falharem, então proceder-se-á a uma remoção cirúrgica do ser cuja formação terá sido meramente acidental. Discussões mais ou menos filosóficas, mais ou menos académicas e retóricas, sobre a fronteira temporal que delimita a viabilidade (legal, não técnica) daquela remoção serão de todo irrelevantes, já que o facto em si permanece: existe remoção, extracção, ablação daquilo que, em circunstâncias normais, viria a tornar-se um indivíduo; às duas ou às seis semanas, aos três meses ou até imediatamente antes do parto iminente, o acto abortivo é, por definição, rigorosamente a mesma coisa; a pressuposta reserva moral consiste mais na maior ou menor facilidade de verificação do que em qualquer destrinça técnica - torna-se bastante mais fácil aceitar o "produto" de um aborto com algumas semanas de gestação, uma massa sanguínea indestrinçável a olho nu, do que observar os membros e as vísceras estraçalhadas de um feto com alguns meses. A questão "moral" do acto abortivo dependerá, por conseguinte, da medida da capacidade individual de encaixe face ao horror, e não da medida do horror em si.

É, de facto, visualmente aceitável que um minúsculo rolo de gaze seja atirado para um balde cirúrgico; ao fim e ao cabo, aquele resto é do tamanho do que sobra de uma apendicectomia, por exemplo, e poderia passar perfeitamente por tão simples e irrelevante e dispensável apêndice. Para uma mulher distinguir as partes em formação do embrião que acabou de lhe ser extraído, e dependendo obviamente do estágio de desenvolvimento deste, seria necessário não apenas utilizar um bom microscópio, ou potentíssima lente de aumentar, como dispor de um sistema nervoso absolutamente glacial. Já o resultado de raspagem ou de aspiração, ou de ambas as técnicas combinadas, se fosse mostrado à ex-progenitora poderia causar nela estragos de várias etiologias, e não apenas a nível neurológico. Não competirá ao Estado, ou às empresas e aos profissionais que se dedicam à actividade, a tarefa - quiçá pedagógica - de mostrar à mulher que abortou aquilo que sobrou, e também não será de esperar que uma ou outra possua um nível de curiosidade tão elevado; ao fim e ao cabo, não estamos a falar propriamente de extrair um dente, sequer um quisto sebáceo, coisas que, mesmo essas, muito raramente são mostradas a quem delas se vê livre, e é portanto natural que - de mais a mais numa ocasião tão sensível - outro tanto suceda com aquele tipo de lixo hospitalar. Há que preservar alguma sanidade mental, mesmo ou principalmente quando o horror se banaliza, e a isso obriga também a algum módico de recato e a alguma higiene visual.

Do mesmo modo que ninguém deseja uma dor de dentes, ou que ninguém aprecia particularmente criar, por exemplo, uma bela pedra no rim e, com ela, sofrer dores insuportáveis, também poderá ser compreensível que se não deseje em certo momento uma gravidez, que uma criança nasça em determinadas circunstâncias. O problema é que uma criança não é propriamente um dente cariado ou uma excrescência calcária; um feto não é algo que se retire simplesmente com o auxílio de instrumentos cirúrgicos e se atire para o balde dos despejos com um suspiro de alívio. São coisas diferentes, obviamente, e por isso não podem nem devem ser encaradas como similares, obedecendo aos mesmos princípios, quaisquer que eles sejam, nem sequer de conveniência e de urgência. Uma gravidez pode ser inesperada, ou inconveniente, mas nunca - nesta acepção - poderá ser indesejada; ou, se o for, terá de ser suportada - por todos, mas principalmente pela mãe, condição para a qual ainda se não arranjou substituto à altura das exigências.

Uma gravidez pode ser, isso sim, absolutamente inviável; o que é uma história completamente diferente.




Sim
Se considerarmos, de forma radical, que uma nova vida se inicia no momento da fecundação, então seríamos forçados a aceitar como bom o facto de não ser possível a concepção sem a presença de ambos os componentes indispensáveis e fundamentais, o óvulo e o espermatozóide. Portanto, como não existiria o todo sem as partes, seria crime liquidar ou inviabilizar tanto aquele como aquelas; ou seja, todos os métodos anticoncepcionais teriam de ser erradicados e poderíamos mesmo chegar ao ponto de considerar a própria masturbação como algo de condenável, já que se trataria de desperdício puro e simples de um dos componentes essenciais.

Não chegando a esse ponto de fundamentalismo, e até porque se deve atender ao facto de não ser biologicamente sustentável a reprodução em massa, então passaríamos ao estágio seguinte, isto é, quando houve fecundação e se formou o zigoto. Será este o limite, temporal e técnico, para a interrupção de uma gravidez "não desejada"? Sabendo que seria inviável que aquele óvulo fecundado vingasse fora do útero materno, poderemos considerar que estamos perante uma vida humana em formação? Ou trata-se apenas de uma consequência natural de um processo biológico, transitório e de igual forma reversível, à semelhança do processo químico que leva à destruição do óvulo, através do contraceptivo oral?

Se a contracepção, por algum motivo, não foi eficaz, e se existe realmente uma fundamentação válida e irreversível para a interrupção, então será legítimo que uma mulher se socorra dos métodos subsequentes para que a gravidez não prossiga; desde que o faça assim que a gravidez for detectada, e logo que estejam disponíveis os meios técnicos para a interromper, estaremos em todo o caso perante uma extensão drástica dos métodos que, tendo falhado, e independentemente da ou mesmo contra a vontade da mulher acabaram por ser responsáveis por essa gravidez indesejada; quando falharam os métodos tradicionais, os processos químicos ou os dispositivos fisiológicos, e quando é de todo inviável, por motivos fisiológicos ou outros, rigorosamente determinados, que aquela criança complete a gestação e nasça, então será melhor que exista um último recurso - um último processo contraceptivo, mas já numa fase embrionária de gravidez.

Os próprios interesses sociais, em geral, estão envolvidos no acto mais individual das sociedades humanas. São inúmeros e seria fastidioso exemplificar os mais característicos, desde a gravidez em resultado de violação à detecção de malformações gravíssimas no feto; o simples bom-senso se deverá encarregar de destrinçar aquilo que é daquilo que não é aborto legítimo, quando não necessário e mesmo indispensável - nomeadamente quando ambas as vidas, de mãe e filho, estão em risco e é possível salvar uma delas; deixar morrer a mãe, quando a criança estava condenada à partida, apenas por questões "de princípio", de moralidade institucionalizada e empedernida, seria tão criminoso como fazer aquilo que a mesma moral condena. Trata-se, por vezes, de optar pelo menor dos males, de sobrepor o valor da vida como expoente máximo da existência e não a morte como seu denominador comum.

Determinar aquilo que é vida, quando é vida ou a partir de que momento existe vida, não podendo depender da decisão individual, terá de resultar por força de um contrato social tácito... como todos aqueles que regulam a vida em comunidade. Dependerá do bom senso das instituições que regulam as relações humanas e, por inerência, das pessoas que produzem a legislação. Nessa medida, será curial equiparar a utilização de um simples espermicida à injecção de substâncias tóxicas para o óvulo fecundado, provocando assim o aborto; do mesmo passo, e se essa técnica não resultar, por exemplo, a remoção cirúrgica do feto morto poderá salvar a vida da mãe e, nesse caso, inserir-se-á no mesmo quadro de legitimidade. Em situações limite, e dentro dos prazos determinados e das condições enumeradas, o acto médico poderá chegar à realização do aborto sem quaisquer consequências legais para os adultos responsáveis envolvidos.

A gravidez não é uma doença que se possa tratar nem deve ser encarada como uma fatalidade que se possa remediar. Poderá ser uma bênção e, nesse caso, motivo de regozijo, mas poderá resultar também de circunstâncias fortuitas, algo que não deveria ter acontecido e, então, estaremos perante algo a cumprir, uma obrigação; ou pode suceder ainda que se transforme em verdadeira maldição, em algo de extremo, de impossível, cuja única hipótese de resolução é a eliminação física de um dos seres envolvidos, ou para salvar a vida do outro ou porque a do primeiro seria de todo inviável.

Mulher alguma deverá ser obrigada a levar uma gravidez até ao fim se, comprovadamente, isso porá em sério risco a sua própria vida; nenhum ser humano poderá ser obrigado a nascer se, comprovadamente, a sua vida constituir uma tortura insuportável, para os que o rodeiam ou para si próprio. Admitir como fatalidade irreversível a simples fecundação de um óvulo por um espermatozóide, imputando a responsabilidade por tudo aquilo que possa ter corrido mal a alguma entidade abstracta e, por omissão de assistência, condenar à morte ou o filho ou a mãe, ou ambos, é um crime comum, previsto e punido por lei: homicídio por recusa ou omissão de auxílio.


NIM
A gravidez comprovadamente inviável, aquela que resultou de violação e a que pode pôr em risco a vida da parturiente, em todos esses casos a legislação actual (vigente) permite a remoção cirúrgica do feto, de forma medicamente assistida e nas instituições do Estado; essa mesma legislação permite ainda a chamada "interrupção voluntária da gravidez" a pedido da mulher, o que, sendo imensamente discutível, constitui uma enorme clareira, um vazio legal onde poderá caber qualquer espécie de abuso. Abuso de substância e, principalmente, abuso do espírito da lei.

O aborto, clandestino ou caseiro, sempre existiu e presume-se que não acabará nunca. Desde sempre as mulheres introduziram objectos estranhos na vagina e ingeriram substâncias várias para provocar a expulsão do embrião; quando também isso não resulta, muitas recorrem aos serviços de "curiosas", sejam elas parteiras ou não, reformadas ou não, com alguma espécie de formação ou sem formação alguma. Também há quem se socorra dos serviços de pessoal especializado para, por exemplo, abater a tiro ou simplesmente dar uma sova em alguém, e não é pelo facto de isso suceder que deverá ser considerado como inevitável... e muito menos como aceitável, ou justo, ou legal; a teoria do facto consumado, tão esgrimida pelos "aborcionistas", não pode, de um ponto de vista moral, merecer a mínima credibilidade. Assim como é comummente aceite que tanto os executores mandados como aqueles que encomendaram o "serviço" sejam punidos, também as abortadeiras devem ser condenadas, conjuntamente com a ou as pessoas que pagaram: a própria mãe, ou o pai biológico da criança que não chegou a ser, ou ainda qualquer pessoa que possa ter forçado a situação ou contribuído para que ela sucedesse.

A legislação vigente prevê a maior parte dos casos, se não todos, em que o aborto é não apenas legal como moralmente considerado legítimo; a questão reside nas motivações inerentes e em certos limitadores temporais; o enquadramento legal está perfeitamente definido e não consta que enferme de grandes lacunas. Os argumentos "aborcionistas" da soberania individual sobre a vida alheia ("na minha barriga mando eu" e enormidades semelhantes) tentam empurrar as limitações legais, temporais e de excepção, para o vazio absoluto, isto é, postulando a abolição de qualquer entrave legal ao aborto: pretendiam inicialmente o aborto "livre" até às oito semanas, apenas a pedido da mulher, depois passaram para as dezasseis, depois para as vinte, e finalmente para as 24 - seis meses de gestação. No limite, e numa progressão geométrica, atingir-se-ia então o paradigma da "liberdade" abortiva se fosse possível abortar até à véspera do dia previsto para o parto, ao fim de nove meses incompletos, 269 dias. Segundo essa lógica, já agora, porque não tornar legal o assassínio de um recém-nascido durante, digamos, o seu primeiro ano de vida? As fundamentações seriam as mesmas, a "inviabilidade" ou a "inconveniência" daquele ser, e, portanto, também se poderia talvez pensar em estender ainda mais o prazo de validade do assassinato legal, quem sabe se para todo o período da infância, quem sabe se até ao fim da adolescência ou mesmo, de forma absolutamente radical, até ao fim da vida ou sempre que a alguém desse ganas de esganar outrem.

Tendo havido consciência, resultando uma gravidez de um acto voluntário, quaisquer circunstâncias fortuitas ou transitórias que a possam dificultar deverão ser consideradas como não impeditivas para que essa gravidez seja levada a termo. Porém, em certos casos, devidamente fundamentados, caberá ao Estado - ou seja, à comunidade - suportar os encargos de um nascimento não "desejado", viabilizando, por um lado, a vida do nascituro, e inviabilizando, por outro lado, o pretexto da incomportabilidade que os progenitores poderiam alegar.

O âmago da questão é puramente moral, não meramente técnico. E a moral, ao contrário da técnica, releva e resulta de princípios. Uma coisa é evitar uma gravidez, outra completamente diferente é acabar com ela. A fronteira estará, porque se trata de moral e esta é o fundamento do equilíbrio, na área da presunção de inocência, o mesmo é dizer, das motivações atinentes: uma coisa é não poder, de facto, outra é não querer, pura e simplesmente. Utilizar o aborto como método contraceptivo é uma evidente manifestação do mais puro egoísmo, de abominável egocentrismo, e patenteia o mais horripilante e altaneiro desprezo pela vida, ou seja, em última análise por si próprio. Utilizar como bandeira ou como "ideal" a legalização da carnificina, a chacina sistemática dos inocentes, é a negação absoluta dos mais elementares conceitos que definem a humanidade: consciência, razão, inteligência. Abolir por decreto a compaixão, a bondade, o altruísmo, em nome de uma hipotética "liberdade" para matar, seria o reconhecimento final e definitivo de que falhámos em toda a linha, de que afinal estava tudo errado, é melhor começar de novo e, para isso, para começar de novo, há que exterminar a nossa própria espécie.

Ser "aborcionista", militante em movimentos "pró-aborto", não é como ser, por exemplo, contorcionista, ou benfiquista militante; será talvez igualmente estúpido mas não é de forma alguma tão inocente. Raia o absurdo que alguém exprima as suas "convicções" a favor de algo que é a expressão máxima da desgraça, da infelicidade, da miséria a que não escapa a nossa mortal condição. Ser adepto do "não", pelo contrário, apenas porque sim, ou seja, porque não, é um contra-senso óbvio e enferma da mesma irracionalidade, possuindo o mesmo valor intrínseco de, por exemplo, o facto de se não gostar de beringelas. A uns já não interessa para nada a questão inicial, que era a condenação formal de quem abortasse; agora interessam-se exclusivamente pelo aspecto lúdico da coisa, por assim dizer, e estão já promovendo o aborto como um bem em si, algo estimulante que se deve "praticar" com regularidade; a outros já não lembra os abortos que fizeram, ou que mandaram fazer, sempre por excepcionais e justificadíssimos motivos, como se sabe, e estão presentemente mais interessados em terraplanar quaisquer sentimentos de culpa e em ganhar na secretaria o que não é possível conquistar no campo.

O que está em causa não é ver quem "ganha" uma partida, se os vermelhos de sangue que são a favor, se os cinzentos do não radical; isto não é um desafio, até porque, seja qual for o resultado da contagem final, ambas as "equipas" terminarão empatadas: o que vai a referendo é a consciência de cada qual, o seu discernimento, o seu sentido de justiça. É por isso que voto NIM, convictamente e em força. Fique a lei como está. Ou retire-se os pedidos da ementa.

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13/12/06

Nostalgália









Calças à boca-de-sino a estalar de tão apertadas.
Camisa justíssima, colarinhos bicudos até ao absurdo.
Sapatinhos de bico aflito e tacões de dez centímetros.
Trunfa pelos ombros, triunfante, esvoaçante.
Bigodinho malandreco, óculos Ray-Ban,
O andar ritmado da juventude.
Que felizes éramos nós debaixo do sol.

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12/12/06

O velho David

"Há-de haver um Natal, e será o primeiro". Não me lembro bem do resto mas era isto, ou era mais ou menos. O velho David, com a sua varinha mágica para palavras: "Em que se veja à mesa o meu lugar]
[vazio."
Lá estarás nessa noite, com a tua família e o frio lá fora. Há-de haver um Natal para ti, mais um. Litania ou ladainha? Não me lembro, pronto. O velho David, como quem diz "que se veja à mesa o meu lugar]
[vazio",
tua definição de longe e de distância, cada vez mais indefinida. Tu, e a tua família, e o calor da noite de Natal brilhando na lareira, e as luzes do presépio aquecendo essa árvore de plástico, "o meu lugar]
[vazio",
artificial, e uma estrela dourada lá em cima. Paz na terra, paz na terra, paz na terra, o comboio da felicidade irrompendo pela escuridão, a tua família na primeira carruagem e o teu sorriso abrindo um "lugar]
[vazio",
por entre a neve do esquecimento. Quando soarem as doze badaladas, o velho David explodirá na tua cabeça docemente, com aquela voz abençoada, que Deus lhe deu, mostrando-te à mesa o teu "lugar]
[vazio".
A tua ausência no meu lugar
[...]

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Um olho no burro...

Esta é mais uma daquelas coisas que, mesmo sendo verdade - ou principalmente porque são verídicas - ninguém se atreve a sequer falar delas, não vá o diabo tecê-las e um bacano acabar apelidado de "racista", ou "fasssista" ou pior ainda, "xenófobo" e assim. Além do mais, como esta, em concreto, mete a raça cigana, além de "apelidado" e de levar com uns "epítetos", gajo que se atreva de facto a mexer com tal espécie de privilegiados arrisca-se gravemente a ser também esfaqueado e a levar uns pontapés e uns murros; com a ciganada não é de facto prudente a gente meter-se, salvo em tendo licença de uso e porte de arma, bastantes anos de carreira (de tiro) e uma não desprezível pontaria. Mas enfim, mesmo não sendo o caso, que seja pelas alminhas desprevenidas.

O esquema já se vai tornando corriqueiro e ninguém se poderá queixar já de que não sabia. Extremamente simples e eficaz, como é característica peculiar da raça gitana, consiste em ganhar uns milhares de contos num prazo de 24 horas ou, no máximo, alguns dias, apenas aproveitando a legislação que regula a aquisição de bens imóveis. Repetem-se sistematicamente os relatos, sendo o "modus operandi" sempre igual, pelo que se presume tratar-se de uma actividade não apenas lícita como extremamente lucrativa.

A história pode ocorrer em qualquer nova urbanização, preferencialmente quando ainda em fase conclusão mas com algumas fracções (apartamentos ou vivendas) já vendidas. De repente, surge uma potencial compradora que se dispõe a sinalizar a sua nova moradia a contado, ou seja, com dinheiro vivo, à mostra; mais ainda, não apenas sinaliza como dobra ou mesmo triplica a quantia do "sinal", dispõe-se a adiantar 10, 15 ou mesmo 20% do valor do imóvel, em dinheiro; nada de cheques nem de trapalhadas, é só assim, dinheiro à vista. Claro que, para o vendedor, isto é um perfeito milagre, é a verdadeira sorte grande que finalmente lhe bate à porta, de maneira que o melhor é tratar imediatamente - antes que a senhora se arrependa - de aviar depressinha toda a papelada, fechar o negócio, despachar o assunto; ainda para mais, atendendo a que se trata de alguém com excelente aspecto, uma verdadeira senhora, com um bronze de fazer inveja e que, ainda por cima, se desloca numa viatura topo-de-gama, uma "bomba" reluzente, um Mercedes imponente, ora bem, está-se mesmo a ver, é gente de posses, portanto é gente de bem. Qual é a dúvida? Negócio fechado, minha senhora, a casa é sua, desejamos-lhe as maiores felicidades e aqui estão as chavinhas.

Isto é logo pela manhã, assim pela fresca. Por volta do meio-dia, chega à nova urbanização uma estranha caravana: dois ou três automóveis, incluindo o Mercedes, e mais uma carrinha de caixa fechada e ainda um camião de caixa aberta; estranhamente, este não trás assim tanta mobília quanto isso, umas cadeiras, uma mesa, uns quantos alguidares e outros adereços de cozinha; mas vem carregado de gente, o camião, uns quinze ou vinte seres-humanos, velhos, adultos e crianças, heterogéneos no vestir mas com uma tez muito comum: são ciganos, pelos vistos uma família inteira, mais de trinta, no total, porque os automóveis e a carrinha também vieram lotados. Estacionadas as carripanas por ali, mais ou menos onde calha, toda a gente sai e vai transportando as tralhas para a casa nova. Sabe-se lá como, surgem umas quantas galinhas, que ficam de imediato à solta, e mais dois ou três cães, rafeiros até à quinquagésima geração. Um cigano mais robusto alomba com uma metade de porco; dois miúdos arrastam uma enorme saca de batatas; surgem panelões de alumínio, cestas, sacos cheios de tudo e mais alguma coisa.

Rapidamente, não apenas a casa está cheia de gente e de tralha como o estendal alastra até à rua, montam-se umas bancas feitas com tijolos e tábuas, aparece um contentor metálico e rapidamente está o churrasco pronto a funcionar. Para animar o ambiente, colocam-se umas quantas colunas de som no tejadilho da carrinha e vá de forçar a potência dos decibéis até ao limite, sevilhanas e castanholada com fartura, "aaaaaiiiii mi madre que te quieroooooo muchoooooo". Até às tantas, como manda a tradição cigana, ou, muito provavelmente, ao longo de vários dias (e as noites de permeio), como igualmente manda a dita e tão admirada tradição.

Pronto, é isto. Claro que, enquanto os novos proprietários da "habitación" ali estiverem, festejando interminavelmente sabe-se lá bem o quê, ninguém mais irá comprar ali "habitación" alguma. Aliás, os potenciais compradores passam, de então em diante, a nem sequer parar: aproximam-se, abrandam, e assim que se apercebem do barulho e da confusão que para ali vai, e também porque verificam facilmente tratar-se de um arraial cigano, aceleram, pisgam-se dali para fora a toda a pressa.

Ao fim de umas horas, o vendedor da urbanização, que nesse mesmo dia tinha julgado ter sido premiado com a lotaria, já está absolutamente pelos cabelos com tudo aquilo. E mais enfiado fica assim que surge a primeira queixa de um qualquer dos condóminos que tiveram a infeliz ideia de adquirir ali o seu novo lar. Então e agora, o que fazer? Bem, liga-se ao patrão, ou ao empreiteiro, eles que resolvam. Como poderia ele, simples vendedor de casas, adivinhar que afinal o bronzeado da senhora era o seu tom de pele natural? Onde já se viu ciganos a comprar casas em urbanizações de primeira categoria?

Bom, lá chega o patrão, o dono da obra. E chega o empreiteiro. Já agora, chega também um carro da polícia; alguém se queixou entretanto do barulho, a autoridade irá tomar conta da ocorrência, que se arrisca, segundo manda a tal tradição intocável, a prolongar-se indefinidamente. Os condóminos escolhem à pressa entre si um representante, a ver o que se arranja na defesa dos seus interesses.

Iniciam-se de imediato as conversações entre as partes. As quais são, de resto, muito simples: já se sabe que o vendedor sabe que se lhe acabaram as vendas e, portanto, as comissões; ou seja, está automaticamente no desemprego; o dono da urbanização sabe que nunca mais venderá nada enquanto aquela gente ali estiver; entretanto, há custos em curso que é necessário pagar; portanto, sabe perfeitamente que está arruinado; o delegado do condomínio sabe perfeitamente que as casas já compradas acabaram de sofrer, a partir desse mesmo dia, uma desvalorização de 50 ou mesmo 75%; se ele ou algum dos outros quiser vender a sua casa a qualquer idiota que porventura aprecie ciganada, vai ter um prejuízo fabuloso; logo, está ciente de que estão todos absolutamente, completamente, desgraçadamente e portuguesmente fodidos; quanto aos agentes da autoridade, que detestam meter-se em sarilhos, bem, esses sabem perfeitamente que têm de se pôr a milhas o mais depressa possível, e nada mais.

Quanto aos ciganos, não tem nada que enganar: eles sabem de fonte segura, já que são os genuínos inventores de semelhante maquinação, que têm a faca e o queijo na mão, como se costuma dizer. A realidade é esta, e é legal até ao tutano: para saírem dali, têm direito a receber o "sinal" que entregaram, mas... em dobro. Exacto. Em dobro. Se entraram, por hipótese, com 10.000 Euros (dois mil contos), têm a receber 4.000 contos; já que o vendedor ficou muito satisfeito por receber não dois, não cinco, mas dez mil contos de "sinal", ora, portanto, chovam vinte mil para cá, se fáxabôri, sinhôri; em dinheiro, que a gente não gosta de cheques; mas também podemos receber o nosso dinheirinho em notas, o que demos àquele senhor ali, e o resto pode ser num chequezinho, não há problema, nós confiemos, isso e mais dez por cento de juros é suficiente para cobrir a chatice; acha muito? Então vá lá, que eu hoje estou bem disposto: os nossos dez mil em notas, mais dez mil em cheque, mais cinco por cento em trocos (quinhentos contitos, o que é isso pra vosmicê).

Como se vê, os ciganos até são uns tipos porreiros, venha o primeiro dizer que não. Até confiam e tudo. E, no fundo, no fundo, como se vê também, é nestas ocasiões que a gente vê quem é amigo, quem salva as situações e quem arranja as coisas de forma a todo mundo ficar satisfeito: o construtor fica-se a suspirar de profundo alívio, se bem que tenha sido também aliviado de dez mil contos dos antigos; o vendedor suspira também, jurando a si mesmo nunca mais se meter em semelhantes alhadas; o condómino sorri, contente por si e pelos seus representados, de novo e afinal proprietários, tudo como dantes, ainda bem; quanto à bófia, suspira também e por fim, não apenas por de novo ter cumprido o seu dever como de ânsias pela merecida cervejinha, que já vai tardando.

Tudo acaba assim a contento, é o verdadeiro final feliz, a ciganada recolhe os tarecos nas viaturas, fazem-se à estrada com as suas mantas e os seus hábitos, lá irão calcorrear esse mundo à descoberta, sempre em frente é que é o caminho, há mais urbanizações e condomínios para bater. Para trás, deixam apenas alguns ossos de costeleta, uns sacos de plástico, e um dos rafeiros que ficou esquecido.

Ao longe, o sol deita-se merecidamente no horizonte, ele também exausto, farto de trapalhadas e de ilusões.

A urbanização prepara-se finalmente para recolher, de novo em sossego. Pronto, acabou-se. Toda a gente se deita e não se fala mais disso.

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02/12/06

TLEBS, designação técnica de cagalhão em geral

Ah, pois é, eu cá também tenho direito a opinar sobre a TLEBS, ah, pois tenho.

Portanto, e tal e tal, contável, nome, próprio, comum, mais ou menos animado, mais ou menos humano (mais pra menos do que mais pra mais). Ora, cá está: TLEBS obedece à mesma classificação taxonómica, ou lá o que caralho vem a ser isso, que a mais trivial e retinta merda.

Pois que ambas as cousas são contáveis (olha ali um monte de merda, olha outro, são portanto dois, e olha o tlebs, dá três no total), são nomes (foda-se, pisei a puta da merda, olha, vai-te foder, tu e o tlebs), são comuns (não há nada mais comum do que cagadelas, por exemplo nos passeios, e a própria tlebs também é comum em tudo quanto é blog, veja-se por exemplo aqui esta merda), são mais ou menos coisas animadas (quer-se dizer, a merda é bastante mais animada do que a tlebs, que é um cagalhão, grande, putrefacto, dá pouco jeito para atirar), são mais ou menos humanos (bem, a tlebs é completamente desumana, mas foi feita por cagões, portanto vale).

Batlebs, tlebsmente, como quem chama por mim. Será chuva, será gente? Gente não é certamente, e a chuva não bate assim. Fui ver. A merda da tlebs caía do azul cinzento do céu. Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!... E uma infinita tristeza, uma funda turbação entra em mim, fica em mim presa. Cai merda na Natureza e cai também na Educação.




(Ó Augusto Gil, pá, desculpa lá isso, hem? Sem ofensa, camarada. É por uma boa causa, uma causa de merda, muito apropriadamente.)
(Ó Pacheco, pazinho, isto é a ver se a Google rebenta, hã, mas não digas a ninguém; vai ser um fartote de rir, o pessoal chega lá e escreve "tlebs" e aparece logo o significante e o significado: merda, merda, merda. É a isto que se chama "keyword weight", topas?)

Legenda
TLEBS: Trapalhada Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (até a sigla/acrónimo contém um erro de Português, mas não faz mal; é Portugal)
Augusto Gil: diz que é o autor de uma versalhada muito conhecida, aqui ligeiramente g(l)ozada
Pacheco: o próprio, o único, o verdadeiro artista que tudo vê, com aquele fantástico olho que tem na testa, a mais os outros três, o ciclope da blogosfeira, etc.

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Frivolous? Just try to stay quiet while listening...


Over My Shoulder
Looking back over my shoulder
I can see that look in your eye
I never dreamed it could be over
I never wanted to say goodbye

Looking back over my shoulder
With an aching deep in my heart
I wish that we were starting over
Oh instead of drifting so far apart

Everybody told me you were leaving
Funny I should be the last to know
Baby please tell me that I'm dreaming
I just never want to let you go

Looking back over my shoulder
I can see that look in your eye
Turning my heart over and over
I never wanted to say goodbye

I don't mind everybody laughing
But it's enough to make a grown man cry
Cos I can feel you slipping through my fingers
I don't even know the reason why

Every day it's a losing battle
Just to smile and hold my head up high
Could it be that we belong together
Baby won't you give me one more try
One more try

Looking back over my shoulder
I can see that look in your eye
I never dreamed it could be over
I never wanted to say goodbye

Looking back over my shoulder
Oh with an aching feeling inside
Cutting me up, deeper and deeper
Fills me with a sadness that I can't hide

Looking back over my shoulder
I can see that look in your eye
I never dreamed no no it could be over
I never wanted to say goodbye

Looking back over my shoulder
I can see that look in your eye

(lyrics source)

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O coração não engana

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida". (Pv 4.23)



O que é sentir "um baque no coração"? O que significa exactamente a expressão idiomática "caiu-me o coração aos pés"? Porque será que as verbalizações da ideia de "amor" incluem sistematicamente o órgão "coração" e não aquele onde se presume residir a actividade cerebral e, portanto, onde se centrarão também as emoções? Porque se diz "amo-te de todo o coração" e a ninguém ocorre proferir algo como "amo-te com toda a força do meu cérebro"? Como podemos nós ter o coração cheio de amor, (ou, pela inversa, transbordando ódio), se ali apenas circula sangue e não sobra espaço para alojar mais nada?

Quando algum ente querido se despede desta vida, deixando-nos a sós com a saudade, porque sentimos aquele aperto doloroso no peito e não na cabeça? Porque guardamos alguém "no coração", se é na mente que se alojam as memórias? Porque serão as emoções fortes, todas as emoções fortes, avassaladoras, coisas "do coração"?

E se, afinal, todas aquelas expressões idiomáticas que se referem especificamente ao "músculo" cardíaco estiverem rigorosamente certas, não sendo apenas figuras de estilo mas factos absolutamente verídicos? E se, afinal, "conquistar o coração da pessoa amada" for isso mesmo e não uma simples figura de estilo?

Imensas perguntas que poderão ter resposta se estiver correcta a teoria - pelos vistos, científica e medicamente comprovada - que postula a existência de um sistema nervoso autónomo no nosso órgão vital; células neuronais e uma verdadeira estrutura neurológica estão desde há muito identificadas no coração, bem como a forma como este sistema se articula e interage com os outros sistemas nervosos, central e periférico, e ainda com a central de processamento da informação que é o cérebro.

Foi este o tema de um documentário que passou há dias num dos canais por cabo (Odisseia?), algures a meio da madrugada. Foram citados diversos exemplos de pessoas cujos transplantes cardíacos implicaram súbita e radical mudança de personalidade, sempre demonstrando a estranha tendência que os receptores manifestam de desenvolver espontaneamente comportamentos, gostos e mesmo atitudes da pessoa de quem receberam o seu coração substituto; um jovem, sofrendo de fibrose cística, depois do transplante começou a praticar diversos desportos, até paraquedismo e parapente, coisa que a doença nunca lhe tinha permitido fazer e pela qual nunca manifestara o menor interesse; verificou-se depois que o seu dador tinha sido um adepto incondicional de desportos, incluindo os mais radicais. Outros transplantados, bem como os familiares destes e os dos dadores, referiram não apenas uma estranhamente sistemática alteração de personalidade no receptor como a igualmente estranha coincidência entre essa mudança e a forma como agia e pensava antes o dador.

Testes laboratoriais garantem que o coração reage antes do cérebro a qualquer estímulo, e em especial àqueles (visuais, auditivos, olfactivos) que estão relacionados com o sentimento e a emoção; observando fotografias com imagens de extrema violência, o electrocardiograma (ECG) de todos os voluntários demonstrava actividade antecedente em relação à do electroencefalograma (EEG). De facto, como explicar as cicatrizes, em qualquer zona ou tecido cardíaco, detectadas em autópsias de pessoas mortas por acidente, sendo que não tinham nem nunca tiveram qualquer deficiência cardíaca?

Quando alguém sofre uma fatalidade, um acidente mortal, e sendo o seu coração seleccionado para transplante, não é apenas um mecanismo de bombagem de sangue que será introduzido no peito do receptor; incrustado nos tecidos cardíacos, vai também um sistema - completo e muito complexo - com uma memória específica, absolutamente pessoal e única; o coração do dador guardou as experiências e as sensações pelas quais este passou, ao longo da sua vida, e será da interacção do órgão estranho com os sistemas do receptor que resultará uma transformação, mais ou menos intensa, na personalidade ou no temperamento do transplantado; após um certo período de aprendizagem mútua o "novo" coração e o "velho" cérebro chegarão a uma espécie de acordo, em resultado do qual emergirá uma pessoa nova, com características próprias de ambos, dador e receptor.

Isto são, obviamente, considerações de um leigo na matéria. No entanto, esta ideia, a simples admissão de uma réstia de sustentabilidade na teoria, é de tal forma espantosa que mais vale - ao menos - fazer umas perguntas do que simplesmente ficar-se calado e arrumar o assunto no arquivo morto. Seria necessário, para comprovar a teoria, estudar as alterações de comportamento de alguém que sobrevivesse com um coração exclusivamente mecânico, ou electromecânico; diminuiriam, alterar-se-iam ou cessariam completamente algumas ou todas as suas emoções fundamentais? Mudariam ou desapareceriam os seus gostos e as suas aversões? Deixaria de se emocionar com a visão de um recém-nascido ou de se enfurecer com uma injustiça evidente? Se fosse possível transplantar para uma terceira pessoa um coração já antes transplantado, de qual das anteriores herdaria aquela algumas características? Ou receberia "informação emocional" de ambas?

Será verdade que as chamadas reacções "a quente", por impulso irracional, têm afinal uma origem perfeitamente localizada? Será que "perder a cabeça" é mesmo "deixar falar a voz do coração"? Ter "o coração ao pé da boca" é então dizer mesmo e só a verdade? Poder-se-á amar ou odiar com um coração de plástico, electronicamente topo-de-gama, mas ainda assim apenas artificial? Existirá afinal vida para além da morte cerebral, quando o estado vegetativo permite que legalmente se "desligue a máquina"? É o coração que tem razões que a razão não entende, ou somos nós que não entendemos as razões do coração?

Enfim, perguntas e mais perguntas. É aquilo que geralmente acontece quando se encontra a resposta para alguma coisa...




Algumas ligações com interesse
Can a personality be transplanted? Evening Standard (London)
Heart transplant

I wonder if anyone saw this programme on Channel 4 last night. It reported a controversial theory that the heart may play a role in forming emotions, personalities and memories, based on the experiences of some heart transplant patients. This radical possibility clearly challenges the conventional textbook account of the heart as just a pump, and embraces the metaphorical vision of the heart which has featured in literature and the arts for centuries. The first person to report this was a heart transplant recipient in Boston twenty years ago who reported a sudden penchant for beer, green peppers and KFC nuggets, later found to be firm favourites of her young male donor. Strict confidentiality regulations meant that she could not have had access to this information, nor the name of her donor which she correctly gleaned from a dream.
http://medhum.blogspot.com/2006/06/mindshock-transplanting-memories.html

A fascinating synthesis of ancient wisdom, modern medicine, scientific research, and personal experiences that proves that the human heart, not the brain, holds the secrets that link body, mind, and spirit.
You know that the heart loves and feels, but did you know that the heart also thinks, remembers, communicates with other hearts, helps regulate immunity, and contains stored information that continually pulses through your body? In The Heart's Code, Dr. Paul Pearsall explains the theory and science behind energy cardiology, the emerging field that is uncovering one of the most significant medical, social, and spiritual discoveries of our time: The heart is more than just a pump; it conducts the cellular symphony that is the very essence of our being.
Heart's Code, Paul P. Pearsall (Amazon)


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Colecção Séries a Sério. Genéricos fora das farmácias.


Esta série dos anos 80 foi rebaptizada, em Português, como "A Balada de Hill Street". Claro que "Os Azuis de Hill Street" não ficaria bem, onde já se viu, a bófia a ficar azul de medo, ora essa; também "As Fardas de Hill Street" poderia vir a ter conotações amaricadas, fétiches por uniformes e assim. De maneira que lá ficou a "balada" e agora até parece que soa bem.



Aqui não houve tradução manhosa do título, mas o que não se arranja é a versão original do genérico da série que passou na RTP na década de 60. Mas uma outra (excelente) série, "Law and Order", utilizou a mesma composição de Lalo Schifrin. Pronto, foi isto que se arranjou.




Esta sim, é a versão originalíssima do genérico de uma série super-foleira mas que toda a gente via, sem perder um episódio. Durante anos e anos, as pessoas tiveram de levar com o maior canastrão da História (Martin Landau) e com as montagens, encenações e efeitos especiais mais pindéricos de que há memória. Mas enfim, além de portento de mediocridade e monumento à palermice, é um verdadeiro documento.


Alguns daqueles jovens "irreverentes" já morreram, outros foram de cana e saíram, mas a maioria deve estar hoje cheia de problemas na visícula e com achaques vários, próprios da terceira idade. Além disso, agora sem as urgências hormonais e os ímpetos da juventude, provavelmente estarão distribuindo chapada e taponas em seus jovens, irreverentes netinhos. Curiosamente, nenhum deles ficou famoso.


O mais divertido deste genérico original é o ruído característico dos discos de vinil. Ah, e a letra; a letra é fabulosa. Reminiscências de um passado em que existia um mundo de paz, no qual toda gente era muito boazinha e os maus eram sempre derrotados; isso e o facto extraordinário que sucedia naqueles idos pré-históricos em que se podia fumar em qualquer lado e ainda se podia conversar com uma criança; e tudo sem ter de espreitar por cima do ombro.


Os episódios de "Os Vingadores" não valiam grande coisa, quando comparados com esta extraordinária apresentação. Todos aqueles truques eram levados muito a sério, não apenas pelos actores mas também pelos telespectadores, e notava-se perfeitamente o incrível esforço de imaginação que terá sido necessário para os enjorcar, depois ensaiar e finalmente representar. Aquela do espeto que sai de dentro do chapéu-de-chuva é impagável. Mrs. Emma Peel então, ui ui.


http://www.youtube.com/watch?v=QVLtwfUBPlg
Bonanza
Isto é um cromo repetido, mas vale sempre a pena rever uma coisa assim. Naquelas tardes de Domingo, antes da "Tarde de Cinema" e da TV Rural, o "Bonanza" era a coisa mais animada que se podia imaginar. O mito do "cowboy" justiceiro em todo o seu esplendor, com cenários de cartão onde nunca soprava o vento; ali, naquelas planícies artificiais até ao absurdo, nem os cavalos tinham um cabelo fora do sítio. Eram, de resto, estes os melhores actores em cena.



A jeiteira que este caramelo faria hoje, prestando seus serviços de agente secreto ao Bush, lá pelo Iraque e assim. Ele e a sua não menos esperta colega, a agente 99 (Naitinaine), essa boazona a quem nunca foi dado o devido valor; nunca a deixaram salientar-se como merecia, desvendar um caso ou, no mínimo, mostrar as coxas, que diabo. Mas é claro, já se sabe: é o velho truque da bola de ténis que se mete num buraco de golfe que, afinal, era um gravador...

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30/11/06

Não dói nada

Quando eu partir, toca esta música no teu gira-discos.
Tocas, por favor? Prometes? Diz que sim, vá,
Afinal o que te custa fazer isso em memória de mim?
Esquece o perigo, o passado, esquece os riscos.
Respeita o meu último desejo, agora que estou lá
Onde as coisas já não são nada, nem sequer assim-assim

Este é o meu enterro, a minha última vontade.
Nada mais há a dizer nem a fazer, acabou-se.
Nunca mais verás a minha face viva,
Sorridente, ou triste, ou inexpressiva.
Levou-me esta caveira, mulher, com a sua foice,
Gadanhou-me o corpo de qualquer saudade
E aqui vou eu, dócil e conformado, muito pálido,
Procurando em vão por onde pára a minha alma,
O que será feito dela, pergunto-me, a desalmada?
Quase branco e sem aqueles vinte e um gramas,
Despedido sem vivas, sem ovações, sem palmas,
Sinto-me assim leve, elegante, quase esquálido,
Em paz com todo o mundo, numa grande calma,
Livre para sempre de ti, ó rima rica, minha amada.

Quando eu morrer, põe esta música a tocar, por favor.
Será esta a tua missão, o teu compromisso.
Por mais que te custe, esquece a dor,
Esquece, por favor: faz-me isso.
Tu, que foste minha, és doce e és mátria
Deixa-me morrer em paz com a minha pátria.


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Quem me dera outra vez o fogo


Que me abrasa quando menos espero
Que te incendiava quando eras pequena
Que me consome quando muito te quero
Que te iluminava quando dormias serena.

Esse fogo real e perene, em chamas quase azuis
Essas brasas eternas, esse vulcão em ebulição
Que destrói tudo aquilo que houve, nós os dois
Para sempre ruínas, raiva, desespero, maldição.

Quem me dera outra vez esse fogo
Ver-te sair de mansinho, até logo,
E a tua sombra em chamas na parede
Queimando-me a língua com a tua sede.

Gosto de te ver ardendo
Gosto de te ver sofrendo
Ao menos de impaciência
Ao menos de paixão
Ao menos com violência
Ao menos com coração.





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25/11/06

E quê?

----- Original Message -----
Sent: Friday, November 24, 2006 4:11 PM
Subject: conversas de café


Partindo de uma ideia original de Luis Carmelo (blogue miniscente) e tendo eu sugerido ao mesmo as entrevistas a bloggers, resolvi trazer ao Kontrastes - sem nunca esquecer a originalidade de Luis Carmelo - uma edição chamada "conversas de café".Agradeço a cooperação através da resposta às perguntas.

1. Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenómeno «blogue»?
2. Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?
3. O que o levou a criar um blogue?
4. Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?
5. Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?
6. Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?
7. O que faz um bom blogue?

Por favor indicar nome, idade, profissão e blogue. Será informado(a) da publicação da conversa.
cumprimentos,
JFD
www.kontraste.wordpress.com





E enviam uma coisa destas para mim? E logo eu, membro fundador dos A.A. (Anónimos Assumidos)!? Thank's but no, thank's. E, para mais, eu é que sou o Prusidente do movimento B.O.I. (Blogs Olimpicamente Ignorados). Nope. E afinal ele é logo nome, idade, profissão e blogue? E bem, respectivamente, chamo-me Dodo (Doudo, em Português arcaico), tenho 1.728.437 anos, exerço a actividade de ave pernalta extinta, meio tola, grã(de) bico, e o mê "belogue" é este aqui mesmo, endereço http://001.blogspot.com, não tem nada que enganar.

E era só para dizer que não respondo a um inquérito deste género desde os meus tempos de Liceu. E que naquela altura só respondia porque me interessavam as mamas das gajas que os faziam, e coitadinhas. E que aquilo era tudo perguntas inteligentes, como "o que achas do significado da vida" ou "o que farias se tivesses um filho homossexual" ou ainda "consideras o haxixe prejudicial à saúde", e tal, e tal, e assim. E não eram assim tão parvas, as perguntas. E eu respondia, repito, apenas e só derivado às mamas. E para dizer que duvido que esse tal Carmelo tenha mamas e, mesmo que as tenha, é um gajo, ora foda-se, e o gajo Kontrastante deve ser outro gajo, e ora foda-se outra vez. E que, se porventura não tiraram o meu endereço de e-mail ao acaso, por criteriosa escolha "random", fariam o favor de o deixar muito sossegadinho onde ele estava, e que era na santa paz da ignorância, no paraíso da extinção, nas franjas, enfim, da mais repimpada inutilidade .

E pronto. E tchau.

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24/11/06

Atum fedorento


http://www.youtube.com/watch?v=vpjUOy_epKU

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23/11/06

Consultório sentimental - XXII


Pronto. Uma chatice a menos.
Nestas coisas do sexo, há que ter algum cuidado com a forma como se expõem os assuntos. É de toda a conveniência, para começar, evitar a utilização profícua ou exagerada de palavrões em geral e de calão em particular. Portanto, e como o assunto desta consulta é aquilo que vulgarmente se designa por "camisa-de-Vénus", utilizaremos doravante o termo técnico atinente, isto é, "preservativo", não vá a expressão portuguesmente consagrada ferir alguma natureza mais delicada; evitaremos também os termos correlacionados mais hipoteticamente chocantes, como "caralho", ou "cona", ou "foder", por exemplo; imbuídos da melhor boa-vontade e do espírito mais epistemológico possível, aplicaremos os equivalentes menos rudes ou atrevidos, como, respectivamente, "pichota", "pachacha" e "pinocada". Enfim, é sem compromisso, mas iremos tentar cumprir com o prometido.

Intróitada a problemática, passemos por conseguinte à propriamente dita.

O preservativo é um dispositivo anticoncepcional que existe, ao contrário daquilo que muita gente julga, desde há cerca de 3.000 anos. No entanto, foi apenas a partir do surgimento da "pílula" - no início dos anos 60 do século XX - que este artefacto perdeu importância enquanto contraceptivo, ganhando uma relevância acrescida, paradoxalmente (e progressivamente), como método preventivo de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Poderemos mesmo afiançar que se trata, hoje por hoje, exceptuando, como é evidente, a falácia da abstinência, do meio mais eficaz para evitar a transmissão de infecções por via sexual. Por estranho que pareça, este verdadeiro salva-vidas sexual continua a merecer a atenção das grandes empresas farmacêuticas, a reboque e com o apoio dos governos nacionais e das instituições internacionais, não enquanto bem essencial mas como fonte de (chorudos) rendimentos, de lucros verdadeiramente obscenos; quando seria de esperar, nomeadamente após o aparecimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), em 1983, que tal ferramenta se tornasse em verdadeiro bem essencial e, portanto, tendesse a tornar-se cada vez mais barato, o que aconteceu foi precisamente o contrário: os preservativos são não apenas caros como os métodos utilizados para a sua distribuição continuam absolutamente anacrónicos e praticamente imutáveis desde que saíram os primeiros pacotinhos das linhas de produção; as farmacêuticas dedicadas ao ramo, até porque os métodos de fabrico evoluíram entretanto e se tornaram muito mais eficazes, não demonstram quaisquer intenções, bem pelo contrário, de fazer descer os preços, ao menos de acordo com as mais elementares leis de mercado, da oferta e da procura; por outro lado, vão surgindo novos produtores, mas nem assim os preços baixam. Enfim, está mais do que visto, o negócio é apetecível e, como se verifica, ninguém está particularmente interessado na questão de saúde pública envolvida. Morrem pessoas aos milhões como consequência directa da não utilização do preservativo na relação sexual, todos os dias são infectados muitos milhares de seres humanos, mas tal "detalhe" parece não despertar a atenção de quem poderia e evidentemente deveria pôr cobro à situação. Entretanto, gastam-se fortunas em "estudos estatísticos" absolutamente estéreis, apenas para concluir aquilo que toda a gente já sabe: que a distribuição gratuita de preservativos poderia salvar milhões de vidas. Muitas mais, de qualquer forma, do que aquelas que teoricamente são resgatadas à fome, à sede ou à miséria absoluta, através de donativos ou de remessas maciças de alimentos. Seria muito mais eficaz enviar para as zonas mais deprimidas do mundo, em vez de sacos de farinha ou de leite-em-pó, simples pacotes com embalagens de preservativos; não apenas se estancaria a pandemia de SIDA - que alastra rapidamente por vastas áreas de África e da Ásia - como se reduziria drasticamente o número de nascimentos, minimizando assim, num prazo relativamente curto, a multiplicação das necessidades alimentares de uma população em crescimento exponencial. Como escreveu e demonstra Jean-Christophe Rufin, em As Causas Perdidas, o envio sistemático de milhões de toneladas de alimentos para as zonas de fome apenas adia o problema, a curto prazo, acabando por multiplicá-lo por três (ou por dez), na prática, no espaço de apenas uma geração (quinze anos).

Nas sociedades ocidentais, ditas evoluídas, ou industrializadas, o problema coloca-se de forma radicalmente diferente, se bem que existam também nestas enormes bolsas de subdesenvolvimento e carência generalizada, às quais os mesmos princípios seriam igualmente aplicáveis. Porém, e por regra, o preservativo constitui, nos países da Europa e do Novo Mundo, uma realidade bem diferente daquilo que diz respeito aos "restantes" dois terços de seres humanos. No nosso quotidiano comum, urbano e mais ou menos privilegiado, não apenas o sexo cumpre uma função diferente como são diferentes os meios e os métodos anticoncepcionais, bem como as medidas de prevenção das DST. E como é radicalmente diferente a forma como encaramos uma e outra das coisas. Para nós, o preservativo é, antes de mais, uma maçada, um mal - necessário, mas ainda assim um mal, algo que tem de ser porque tem de ser. E daí, nem sempre. Ou não continuasse a aumentar também, desastrosa e desastradamente, mesmo nos países mais evoluídos do mundo, o flagelo das doenças sexualmente transmissíveis, e nomeadamente a infecção por HIV. O burguês médio tem uma relação conflituosa com o preservativo, quando tem uma... relação, e isso afere-se perfeitamente pelos números, pela desgraça que por aí vai. Fosse ao menos aquilo mais barato e, principalmente, mais fácil de usar, e outro galo cantaria com toda a certeza.

Ora, surgiu muito recentemente, nos mais prestigiados órgãos de comunicação social, a notícia de uma invenção que se arrisca, sem qualquer exagero, a revolucionar o mundo moderno tal como o conhecemos: foi finalmente criado o preservativo instantâneo. Eis, em suma, o espantoso facto. Segundo assevera o inventor do novo embrulho peniano, Willem van Rensburg de sua graça, e embora ainda não tenhamos tido a oportunidade de experimentar pessoalmente coisa tão bem esgalhada, parece que aquilo se coloca em três segundos no máximo, três. A ser verdade, e a julgar pela demonstração em vídeo parece que é, estamos perante o artefacto mais espantoso alguma vez criado pelo génio humano.

Finalmente, poderemos nós outros estar em vias de deslargar a merda do preservativo convencional, essa pepineira desgraçada, responsável pela maior parte das faltas de tesão em que se atascam amiúde hordas imensas de gajos chateados, nas sociedades ocidentais. Convenhamos, se é que em algum espírito menos avisado ainda poderá restar alguma dúvida, que os Durex, ou Harmony, ou Control, ou quaisquer outras marcas mais manhosas, são a maior chatice que existe, insuportavelmente incómodos, chatos e trapalhões, verdadeiros convites ao desastre, ratoeiras inadmissíveis para a mais trivial pinocada; o preservativo convencional é uma sacanice institucionalizada, e ainda por cima altamente promovida, como se fosse alguma coisa de jeito.

Pois não temos nós sido sistematicamente bombardeados com publicidade gabando os extraordinários méritos de tão grandessíssima cagada? Não nos pintam repetidamente, em quadros edílicos e cheios de gajas podres de boas, que a camisinha é facílima de colocar? Mas não, não é, nem pouco mais ou menos. É mesmo muitíssimo complicado enfiar aquela merda na gaita: primeiro, e para começar, as putas das embalagens parecem pacotinhos de açúcar, mas são blindadas, a gente quer rasgar e não rasgam, por vezes nem à dentada; está um gajo no melhor dos acontecimentos, a verga túrgida perfurando a atmosfera envolvente, prenhe de sangue e fremente de entusiasmo, e eis senão quando lá vem a chavala com a treta do costume (ah, olha, põe a camisinha, pões), foda-se, há que ir buscar, andar à procura em gavetas e em bolsos secretos, mas onde caralho é que eu pus aquela merda, e depois quando finalmente se encontra a puta da camisa ainda é preciso lutar bravamente com o invólucro, o caralho do invólucro de uma ganda puta que os há-de parir, que esta merda não abre nem por nada, chega-me daí essa tesoura, foda-se, não lhe dês c'os dentes, mulher, que rasgas isso, foda-se, passou-me a tesão, foda-se, foda-se, foda-se. Quantas vezes não sucederam já situações do género ao mais comum dos mortais? E não esquecer que, após a tremenda luta para tirar aquela porcaria da embalagem, segue-se outra tarefa tão ou ainda mais chata, enfiar aquela merda como deve ser na já desoladíssima pichota: de novo uma carga de foda-se entre dentes, que ou desenrola mal, ou desenrola ao contrário, ou pura e simplesmente não desenrola; e ele são caralhadas de toda a ordem e feitio até que, finalmente, ora prontos, está feito, vamos a isto, mas onde é que a gente ia mesmo, ah, sim, pois, tu estavas assim, e eu aqui, ó; mas, ai, entretanto a tusa foi-se, ausentou-se para parte incerta, e isso ainda não é o pior, à moça sucedeu entretanto outro tanto, as mulheres são assim mesmo, interrompeu, fodeu, estaca zero, é preciso começar tudo de novo, mas desta vez à pressão, haja ainda ou já não haja vontade.

Enfim, e por isso uma profissional leva tão caro a pinocada sem, preservativo é mesmo a maior chatice que existe. Claro que a publicidade, e mesmo a institucional, paga pelos nossos impostos, tenta impingir uma imagem completamente contrária, aquilo é só facilidades e gente sorridente. Reiteremos: não é nada, é complicadíssimo, e é só gente pior do que fodida às voltas com aquela merda. Não é lá muito prático, para evitar as maçadas inerentes, a gente sair de casa já com o preservativo devidamente colocado - até porque "devidamente" implica pénis erecto, e não é fácil manter uma erecção, priapismo excluído, enquanto se conduz, se anda ou se toma um cafezinho, por exemplo.

Não esquecer ainda uma parte nada elegante do assunto, o descarte, isto é, quando está cumprida a função e se torna necessário a gente ver-se livre dos despojos: há gajos que retiram aquela porcaria (antes não era, agora já é) com um simples esticão, atiram o látex para o chão, e pronto; algumas mulheres, com o carinho tipicamente feminino e que tão bem lhes fica, fazem bastante mais, dão um nó na base, não vá o líquido escorrer e sujar a alcatifa, embrulham em papel higiénico e depositam por fim o embrulhito no caixote do lixo, ou despejam-no na sanita. Que é chato, pois com certeza, mas parece que o elemento feminino se sente muito mais à vontade com este tipo de operações, honra lhes seja.

Mas enfim, não tem nada que enganar e não há volta a dar-lhe: a camisinha é a coisinha mais empata-fodas que alguma vez foi inventada, muito mais e com efeitos mais devastadores e descolhoantes do que as sogras ou as vizinhas metediças. Claro que, não cabendo aqui - pelo menos por agora - referir trapalhadas homéricas do género dos cones vaginais, essa miserável traição que faz barulho (nhoc nhoc nhoc) e que arde como tudo, pois o uso de preservativo é uma imposição dos tempos modernos, não há nada a fazer, caralhosmafodam, mais vale gramar com aquilo do que pinocar por aí à maluca, a torto e a direito, sem qualquer espécie de protecção. Fodias-te, como soe dizer-se; as modas já não compactuam com semelhantes descontracções e inconsciências, há que dar com ele, e dar com força, mas sempre, sempre, sempre com o carapuço enfiado, reforcemos, pois que se não deve esquecer. Bem sabemos que não é a mesma coisa, há quem diga ser o mesmo que chupar um rebuçado sem o desembrulhar primeiro, mas não é de chupanços que se está aqui falando, entendamo-nos. Foder é, hoje em dia, uma das actividades mais perigosas para a saúde que existem, ele há de tudo, e já havia dantes, da insinuante sífilis ao vulgaríssimo esquentamento, uma festa de germes, vírus e bactérias alojados em quaisquer entrefolhos e quenturas venéreas, mas acrescido o naipe recentemente com as doenças mais canalhas e malignas que é possível imaginar, das hepatites às malditas retrovirais. Ora, isso é que é fodido a valer, essa coisa da SIDA; lá com as outras, vamos indo, ao menos a gente não vai desta para melhor, por exemplo o treponema pallidum (sífilis) não passa de uma brincadeira quando comparado com o HIV, esse "bichinho" que ataca em todas as frentes e liquida um ser humano em três tempos. Não brinquemos pois com assuntos sérios. Mais vale o sacrifício de embrulhar a gaita em plástico fininho do que depois nos embrulharem a nós em plástico bastante mais grosso. Todos os aborrecimentos ligados ao preservativo não são nada quando comparados com a pena de morte exarada, a segregação social e o isolamento total, a deserção e o abandono de família, amigos e conhecidos, e, por fim, a degradação inexorável de todos os sistemas vitais, a decomposição física ainda em vida, Karposi, pneumonia, hemorragias generalizadas, o Inferno cá na Terra e tempo para o ver detalhadamente.

Daí se poder dizer, sem qualquer risco de exagero ou entusiasmo desmedido, que estes preservativos "Pronto" representam - no mínimo - tremendo alívio para tão angustiante perspectiva ou probabilidade: finalmente, em resumo, já se pode foder à vontade sem receio de qualquer infecção, mais ou menos malévola, mais fodida ou menos fodida; e não só isso como, ou principalmente, deixa assim de haver pretexto para não usar a camisinha; o tempo que levava a colocar aquela coisa reduziu-se a um mínimo ridículo que, aleluia, deixará de interferir com a manutenção da tusa; por outro lado, e ainda em termos estritamente técnicos, torna-se agora possível foder à grande e à francesa, em qualquer lugar e a torto e a direito. Acabaram-se os pretextos, as negas, as desculpas manhosas. Haja Deus.

É de louvar, portanto, e de que maneira, a extrema importância e a sagacidade da invenção desse tal Willem van Rensburg. O fulano devia ganhar já, sem qualquer concorrência no horizonte, o prémio Nobel da medicina, por mérito absoluto, e o da paz, como brinde. Poderemos agora, por fim e com toda a segurança, quase não interromper a bela fodinha por razões de saúde e higiénicas; agora sim, poderemos dizer, sem qualquer margem para erro ou exagero, péraí, filha, dá-me só um segundinho; não é um mas, vá lá, são apenas três segundinhos. Faltarão porventura as variantes, a fim de conferir mais divertimento e espírito lúdico à coisa, Prontos às cores e com sabores, morango, kiwi, framboesa, tutti-frutti, Prontos com feitios, saliências e protuberâncias. Basta consultar o catálogo.

É este o futuro, e o futuro já chegou: Prontos. Digam lá se não estão contentes. Ó maravilha. Ó invenção de mestre. Ó pois é. Hem? Que dizes? Vamos a isso então, óspois? Então, Prontos, vamos lá.

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17/11/06

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16/11/06

Psicopedagogia do ESTROCE




Existem dois tipos de arrumadores de automóveis: os muito fodidos e os completamente fodidos. É possível distinguir um tipo de um tipo de outro tipo do outro tipo pelo facto de nos primeiros ainda se notar alguns vestígios ou reminiscências do último banho ou da última vez em que fizeram a barba; tirando isso, é dificílimo notar alguma outra diferença, se bem que o arrumador muito fodido apresente, se repararmos com muita atenção, um discurso um bocadinho menos caótico do que o seu colega completamente fodido: este pronuncia "estroce", com aférese (queda) do "d" inicial, ao contrário daquele, que articula a palavra correctamente, isto é, "destroce".

Em todócaso, como diz Marques Mendes, arrumador é arrumador ou, para utilizar a designação politicamente correcta mais comum, arrumador é "técnico de parqueamento automóvel", consistindo as suas funções em agitar freneticamente um jornal enrolado enquanto vão dizendo "destroce, destroce, destroce"; teoricamente, ambas as coisas, jornal enrolado e a indicação para "destrocer", destinar-se-iam a facilitar a manobra de estacionamento de qualquer um dos seus "clientes"; porém, como é sabido, não apenas estes sabem perfeitamente - regra geral - como estacionar um automóvel, como ficam, ainda por cima e também por regra, eles próprios fodidíssimos quando têm de gramar com uma daquelas melgas. É que os moços, ressalve-se-lhes a boa vontade, fazem toda a questão de indicar um lugar - mesmo que todo o parque de estacionamento esteja livre, assim pela fresca - e de ajudar por força o desgraçado automobilista a parquear. O qual, já se sabe, não terá sorte nenhuma se por acaso pretender prescindir dos serviços, era o prescindes, quando não arrisca-se a ficar com uma pintura nova na viatura ou, quem sabe, depende da hora, de ser dia ou noite, e de a ressaca estar quase a bater ou ainda nem por isso, a precisar de quatro pneus novos ou com uma porta carecendo de bate-chapa.

Dantes, nos bons tempos do fasssismo, havia uma outra categoria de arrumadores, aqueles senhores e aquelas senhoras que nos levavam ao nosso lugar exacto, num cinema. Mas agora os tempos são outros, à uma porque já praticamente não existem cinemas, em rigor, e às duas porque há cada vez mais automóveis; ora, por consequência, uma coisa levou à outra, assim como há cada vez mais lugares vagos nos minúsculos estúdios que restam, pela inversa há cada vez menos lugares vazios para arrumar a porcaria do carro; e foi isso - essa relação diametralmente oposta - que levou à extinção uma simpática espécie de arrumadores e à criação desta que existe agora, a dos piolhosos arrumadores Estroce.

Quer queiramos, quer não, e ai de quem se atreva a não querer, conforme antes exposto, lá teremos de gramar a fita do costume: "beinha, beinha, beinha, pode bir, agora estroce, estroce, estroce, prontes, tá bom, ó amigo, e uma moedinha, vá lá, são dois euritos, ai acha caro, atão um eurito, e já agora um cigarrito".

Para evitar que o jovem risque a pintura do bólide ou, quem sabe, lhe fure os pneus ou ainda descarregue um pontapé na porta, a gente, "vá lá, tome lá, até logo", esportula a moeda, larga um cigarrinho ou mesmo dois, e vai à vida rezando a todos os santos para que nada suceda ao popó.

De vez em quando, mormente em época de eleições, alguns profissionais do paleio surgem com umas ideias inovadoras, como "regulamentar a actividade", criar o "cartão" de arrumador, talvez fornecer uns bonés com chapa de matrícula, conferir, em suma, alguma dignidade à "profissão", que arrumador também é filho de Deus e, no mínimo, cidadão de pleno direito. Coisas para as quais o dito arrumador se está altamente cagando, aquilo é só um entretém até à dose seguinte, mas esse desinteresse não bule com um único neurónio disponível na vontade política férrea do autarca ou do governante mais afoito a estes assuntos da "solidariedade"; a nenhum ocorre sequer pôr em causa a "necessidade" de tão patentemente marginal "profissão", fingindo todos, à imagem e semelhança do cidadão comum, que o problema não existe, que aquilo é tudo gente de bem, que são jovens e menos jovens "perseguidos" e "marginalizados", aos quais há que dar todo o "apoio" possível.

Pois sim. A chantagem existe, pública, recorrente e sistematicamente, e o facto é que aqueles "perseguidos" perseguem, eles mesmos, insultam, ameaçam e chegam por vezes à agressão física e à destruição de bens; a intimidação, nomeadamente com pessoas de mais idade ou com mulheres, em especial se acompanhadas de crianças, é prática corrente; trata-se de uma forma de terrorismo postural, de situação, tacitamente imposto pelos "estroces" e sistematicamente aceite pelas vítimas de circunstância. Aqueles actuam sempre em total impunidade, é claro, com a conivência dos passantes, que não pretendem meter-se em sarilhos, e com a passividade das autoridades policiais, que de autoridade têm apenas a designação técnica. Presume-se, através de um estranho mecanismo de reflexão colectiva, que sempre é melhor os "estroces" fazerem aquilo, ganhando uns trocos para alimentar o vício, do que andarem por aí a assaltar pessoas.

A questão é que não estamos a falar de "trocos", já que dose alguma de droga nenhuma custa "trocos". O problema é que, apesar do benemérito beneplácito em relação àquela "actividade", não consta que o número de assaltos, a pessoas e a estabelecimentos, tenha diminuído desde que surgiu o Estroce; pelo contrário, como rezam as estatísticas.

Não podem ou, melhor, não devem as pessoas de bem advogar a liquidação pura e simples de tais energúmenos, através de métodos mais ou menos violentos como a forca medieval ou o limpíssimo e higiénico tiro na nuca; isso está realmente fora de cogitação. Seria, porém, minimamente exigível que - ao menos - aqueles que tanto se preocupam com as chamadas doenças da civilização, eles próprios extremamente civilizados, se dignassem alvitrar algumas soluções: o que fazer com o Estroce? Eis algo a pedir reflexão avalizada, já que o diagnóstico da situação está feito per se. O que será que impede as nossas mentes brilhantes, os fazedores de opinião da nossa praça - e esta coisa dos blogs está cheia disso - a nunca se referirem ao Estroce? O que será que lhes tolhe o discernimento, se o caso é tão evidente? Porque será que nunca, mas absolutamente nunca, tocam em tão melindroso tema?

Será medo do politicamente correcto? Terão assim tanto amor às respectivas carrocerias, além do que têm à própria pele?



(Imagem gamada de Há vida em Markl)

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éá &Àç um dois ispriência ah á alô

E tal e tal çççç´´aáéíóú rinhónhó
1234567890''«!"#$%&/()=?»QWERTYUIOP*ÀSDFGHJKLǪZXCVBNM;:
qwertyuiop+ásdfghjklçºzxcvbnm,.-<<>>
E tau e tau. Uindo. Parece que esta merda funcemina, carauo.

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15/11/06

Foda-se

Este Blogger.com, oh o caralho que os foda, eh a maior merda que existe. Eh uma merda ou, como se diz em linguagem politicamente correcta, eh uma merda, uma merda, uma merda. Acho que me vou pirar daqui pra fora; que os pariu. Escrever nesta coisa eh como bater uma punheta num autocarro apinhado de gente: naum se pode, prontes. Eh como o menino Jesus, lah dizia o Pai Natal do Herman, ou estah deitado ou estah estendido, ou estah estendido ou estah deitado; quer-se dezer, ou naum funciona ou funciona mal, das duas uma. Preview, nehpia. WYSIWYG, ou isso, nestum. A gente faz "enter" e fica definitivamente dependurada, isto naum tuge nem muge. Caralhosmafodam. Desapareceram os acentos, fica prahqui uma chinesice do caralho, e jah gozas, isto eh quando se pode escrever, mesmo sem a merdice dos diacrihticos, oh o cacete. Mas ninguehm os manda foder por uma vez, naum?
Ok. Mando eu.

Oh Blogger.com, pah: vai-te foder.


Ahhhh. Jah me sinto melhorzinho.

A porra toda eh que mesmo assim naum dah para escrever coisa nenhuma. Este Blogger.com, oh o caralho que os foda...

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Mas o que caralho vem a ser isto?

----- Original Message -----
Sent: Wednesday, November 15, 2006 3:50 PM
Subject: Estás lixado pá...

 Em relação ao post "email umbiguista" de há um ano. Nem sei se continua a escrever no 001, mas se não quer ser lido, escreva mal, escreva pior, tente mesmo não dizer nada de jeito e por favor não refira outros blogues. Principalmente se os outros blogues forem bons quando assim o diz e maus quando deles goza. De qualquer outra maneira um gajo dá-lhe o beneficio da dúvida e continua a papar com a sua conversazinha da treta. Sem mais assunto, toma lá a proverbial pancadinha no ombro, que os sacanas são mesmo para as ocasiões. E fica bem que não deixo a coisa por menos. 


Hem? Que porra é esta? Huguinho? Zezinho? Luisinho?
Anyone?
Quac! Quac!!!

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14/11/06

A mão de Deus



Ao piano, deve(m) ser a(s) mão(s) de Martha Argerich. Que Ele as abençoe.

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