Odi profanum vulgus et arceo

14/09/06

Consultório sentimental - XVI

Good vibrations



Uma amiga minha pediu-me que lhe oferecesse um vibrador no Natal; já antes do último aniversário dela, aqui há uns meses, me tinha dito a mesma coisa. Não tenho problema nenhum em oferecer-lhe um brinquedo desses, mas acho um bocado esquisito, fico assim meio encabulado...
Mário C.R., por e-mail.

Caro Mário, caramba, essa é fácil! Homem, qual encabulado nem meio encabulado, é dar-lhe o vibrador de presente e mais nada!

Ou, melhor dizendo, e mais tudo! Claro que nem é preciso explicar, essa sua amizade há-de ser com toda a certeza bastante colorida, de modo que uma oferta assim, tão original, e ainda por cima a pedido da própria, bem, parece que lhe saiu a sorte grande; pois claro, seu sortudo, vê-se logo com quem é que a sua amiga vai inaugurar o aparelho! Mas qual é a dúvida, afinal?

Enfim, a ver se contribuo para desmontar quaisquer pruridos morais, que acaso subsistam na sua cabeça, digo, mente, com os meus cumprimentos à senhora, e endereçando-lhe a si, desde já, os mais calorosos parabéns, passo a tentar explicar alguma coisinha sobre o tema, que é, por um lado, muito mais frequente do que geralmente se pensa, e, por outro lado, ainda muito sonegado, escondido, uma espécie de ilustre desconhecido das artes cambalhotais; e nem toda a gente sabe, de resto, por mais estranho que isso possa parecer, por qual dos lados é que deve ser usado.

Os vibradores, como os chapéus, são uma coisa que há muito e há muitos. Não cabe aqui, salvo seja, proceder a exaustivo levantamento histórico, já que se sabe perfeitamente meterem as pessoas toda a sorte de objectos em qualquer dos orifícios humanos, desde o princípio dos tempos, mas poderemos perfeitamente proceder a uma operação conexa, pois não propriamente um levantamento histórico, está visto, mas um levantamento histérico da coisa; histérico, na medida em que o termo remete para útero, que é um órgão situado (até ver, nas mulheres) um pouco acima e por detrás daquilo que realmente interessa; ou seja, espiolhar ligeiramente as relações directas dos objectos com o sexo e do sexo com objectos.

Questão pertinente, esta, até porque - vendo bem, de perto mas não muito - o vibrador é o expoente máximo das frutas e legumes oblongos, como a insuspeita cenoura, o saudável pepino, ou a conhecidíssima e muito rica em ferro banana, a preferida dos nossos primos macacos; o vibrador, a pilhas ou sem pilhas, é o verdadeiro "state of the art" da vetusta moca troglodita ou, mais modernamente falando, de coisas tão diversas como o cabo do desentupidor ou o pau de vassoura, para já não falar em objectos um bocadinho mais insólitos ainda, como escovas-de-dentes, cabides em madeira, garrafas de vidro, etc.; tudo coisas, e muitas outras se poderiam enumerar para o efeito, que sabem perfeitamente os profissionais de saúde costumarem aparecer nas urgências dos hospitais, enfiadas nos anteriormente mencionados orifícios naturais, mas que agora se arrolam, principalmente em ânus e em vaginas, mas também, certamente por motivos menos libidinosos, em fossas nasais e em pavilhões auriculares. Parece, de facto, que a espécie humana possui a estranha mania de introduzir seja o que for em todo e qualquer buraco do corpo, o próprio ou o alheio. Digamos que é uma pulsão natural, provavelmente de cariz exploratório mas que poderá decorrer de "n" motivações diferentes.

O que é facto é que toda a gente, de uma forma ou de outra, explora as potencialidades dos objectos como ferramentas sexuais e, portanto, podemos dizer com segurança que ninguém deverá, neste particular, entreter-se a cuspir para o ar: desde o célebre ar esgazeado que as donzelas irradiam quando montam a cavalo, às sessões de puro e fogoso sexo com almofadas (mais modernamente, bonecas insufláveis), passando pela utilização de penas de pato e de escovas (ou chicotes e correias de couro), como artefactos e variantes da relação sexual. Distendendo um pouco o conceito, ninguém se poderá "gabar" de jamais ter utilizado, em pleno acto sexual, antes, durante ou depois, não propriamente objectos, coisas sólidas, mas outras coisas, por exemplo líquidas, como os óleos, ou mesmo partes do corpo, como os dedos, das mãos e dos pés, ou as próprias mãos e os próprios pés. Não sendo de forma alguma exaustiva, a enumeração de sucedâneos do vibrador demonstra que, ao fim e ao cabo, não há quem o não use, para os mesmos fins, apenas com outra designação: vibrador é no fundo, salvo seja outra vez, a designação genérica e prototípica de tudo aquilo que pode ser utilizado como estimulante sexual. É possível mesmo utilizar estimuladores directamente no maior órgão sexual do corpo humano, o cérebro, através de filmes, imagens, sons, verbalizações, cheiros. Há ainda a considerar, alegam alguns, mas esses são munta porcalhões, que existe uma variante zoófila no tema, quem utilize cachorros e outros animais de estimação para o efeito, isto é, como animais de estimulação, sendo que algumas raças caninas foram mesmo apuradas com essa específica finalidade, "caniches" e "lulus" em geral, sabe-se lá, não será muito de fiar esta última alegação.

De certa forma, até os trapos com os quais a gente se cobre, mais ou menos, cumprem uma função de vibrador mental, estimulando (mais ou menos) o animal assanhado que trazemos de ordinário por debaixo da segunda camada protectora, a pele. E quem diz trapos, diz adereços, como brincos e carrocerias, consoante o sexo de cada qual; nomeadamente, o automóvel é o maior vibrador ambulante do mundo, e não foi portanto por mero acaso que surgiu a expressão "andar de cu tremido"; paradoxalmente, geralmente para uma mulher, as vibrações que sente são tanto mais intensas quanto menos o carro vibrar, ou seja, é uma excepção que confirma a regra, mas que se explica pelo facto de uma viatura vibrar (tremer) tanto menos quanto maior tiver sido o seu preço. E este factor, o custo, a guita, o xito, esse então é que é o mais poderoso dos estimulantes sexuais, vibra, vibra, vibra, vibra até dizer chega; convenhamos que o papel, como sabemos já, é não apenas uma garantia antecipada de muitos e variados vibradores, como ele próprio um, enorme, gigantesco, tremendo, vibrátil excitante sexual ou, como se costuma dizer, amoroso.

Para concluir o périplo da vibração genérica, refira-se ainda um elemento raramente associado a matéria de leito: a comida. Pois, meu caro amigo, minha cara amiga, a comidinha também pode ser um vibradorzito disfarçado; veja-se o caso do chocolate, ou das guloseimas em geral, que simbolizam, por regra e muito foleiramente, uma determinada fase de aproximação à qual se convencionou chamar "namoro". E não nos esqueçamos da forma como o empanzinanço pode substituir, quantas vezes com vantagens, a mais trivial das rapidinhas. Muita moça e, presume-se, muito moço, anda por aí em busca de orgasmos, simplesmente introduzindo pipocas, batatas fritas e outras comidas de plástico (cá está o plástico) pela boca abaixo, como forma de fazer vibrar alguma coisa, quanto mais não seja as papilas gustativas; pelo que não será meramente retórico inscrever o empanturramento na classe dos vibradores, neste caso orais.

No entanto, se a utilização genérica de vibradores é um facto ancestral, já o seu reconhecimento enquanto tal é bastante mais difícil, devido à sopa moralista em que somos mergulhados à nascença; o que significa, por conseguinte, que toda a gente usa vibradores mas, se formos a ver, ninguém usa vibradores. Porém, estes, agora na sua forma comercial e tecnicamente evoluída, vendem-se cada vez mais, de todos os tamanhos e feitios, em lojas reais e em lojas virtuais. Desde a chamada "revolução sexual", iniciada com o fim da II Guerra Mundial, tanto os cabos de vassoura como o recato caíram absolutamente em desuso, de maneira que as coisas se vão agora compondo, e em especial desde que o surgimento da SIDA e o renascimento das DST em geral, fenómenos bem mais recentes, potenciam a utilização - altamente profiláctica - de tão maneirinhos instrumentos; concomitantemente, a miniaturização e a robotização, em paralelo com a imergência do sexo virtual (através da Internet), tornam o assunto cada vez mais incontornável e iniludível, e até já vão surgindo uns característicos especialistas, como é o caso de nossa inefável referência, Dr.ª Marta Crawford; habilíssima manipuladora e demonstradora de vibradores, além de analista de posições e de outras coisas "agradáveis" e "gratificantes", esta profissional conhece em profundidade os modelos com e sem protuberâncias, o que é "plástico" e o que é "látex", em que botãozinho se carrega para ligar, onde se deve e não deve colocar o aparelhinho, etc., sabe tudo sobre "dildos", a malandra.

Os vibradores ("dildos" é designação técnica, muito mais fina, iningueliche), como qualquer outro electrodoméstico, e este em particular pela sua importância sociológica, pela sua contribuição para a harmonia do lar e, em última análise, consequentemente para a paz mundial, deveriam ser vendidos nas grandes superfícies e não apenas em locais acanhados e manhosos; não seria de desprezar a ideia de montar uma indústria nacional de vibradores, (INV, EP), para que a respectiva produção em grande escala conduzisse a uma baixa generalizada de preços, por um lado, e a uma democratização da sua utilização, por outro, se bem que mais uma vez importe não confundir os lados.

Além disso, e considerando o factor de saúde pública inerente, já pelo seu contributo indesmentível para a contenção das doenças venéreas em particular, e para a contenção em geral, estes simpáticos aparelhos bem mereceriam a atenção do próprio Estado, por exemplo a nível de impostos; que diabo, um vibrador é muito mais importante, em todos os aspectos, do que um frigorífico ou uma torradeira; logo, deveria ser taxado bonificadamente, se possível com uma classe equivalente à dos medicamentos (5%), ou mesmo isento, à semelhança de alguns actos médicos. Isto porque, estejamos certos, tratando-se da mais elementar justiça contributiva, não há comparação possível entre os benefícios pessoais e sociais que se retiram de uma colonoscopia, por exemplo, com aqueles que o mais modesto vibrador pode proporcionar na mesma área. Claro que é mais fácil, para os governantes e a classe dominante, a quem nada falta e muito menos vibradores, tudo à borla e à fartazana, porem-se com conversas de merda, não exactamente deste género mas parecidas, fingindo-se distraídos em relação ao fenómeno, e cagando positivamente no assunto, como aliás é costume.

Ao fim e ao cabo, tanta coisa se vê por aí, na "blogosfera" e tudo, ele é campanhas para isto e para aquilo, grandes causas, pequenas causas e até micro-causas, muito rebéubéu pardais ao ninho, mas vai-se a ver e aos vibradores dizem nada, népia, toda a gente se agacha, ai, Jesus, quiórrore, eu cá não uso dessas coisas, e nhó-nhó-nhó. Pois sem eles, amiguinhos, nem sequer a História teria sido igual, quanto mais a "blogosfera"; pff, cais "blogosfera" cais quê, isto é tudo mas é uma grandessíssima paneleiragem, toda a gente aqui a engraxar o parceiro, a masturbar a sua pequenez, a tentar desesperadamente fazer vibrar qualquer coisa de jeito. A gente pega e vai, bzzzzz-bzzzzz-bzzzzz, e cá vai disto, um jorro, uns segundos, já passou, pronto, acabou-se.






(Imagem de Correio da Manhã)

(ex)Citação demonstrativa:

(Ahhhhhhh)
(Ah my my what elation)
I don't know where but she sends me there
(Ah my my what a sensation)
(Ah my my what elations)
(Ah my my what)

"Good Vibrations", The Beach Boys

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FJV a Ministro do Ambiente

Eu sabia que o gajo não é parvo de todo e que, de vez em quando, lá escreve umas coisinhas de jeito.

Ó pra ele aqui a cascar nos fundamentalistas, ó.

(...)
Conto-lhes uma história há uns anos, em Nova Iorque, no final de um seminário que ocupou cinco dias de trabalho, houve um jantar comemorativo. A comida era banal mas era festa. No final, enfiados em fatos de cerimónia e "smokings" (outra palavra que vai sair do nosso vocabulário), cinco almas mediterrânicas e mais uma dezena de americanos, rondávamos pelas salas do edifício em busca de uma sala para acender os nossos charutos. Nada. Até que um cidadão, solícito, veio buscar-nos e nos levou para uma sala onde havia, sobre uma mesa de vidro, alguns fios de cocaína que se destinavam aos convidados. Não recusei escandalizado; mas recusei (até hoje, aliás). Os meus pares fizeram o mesmo - mas um de nós disse: "Ah, isso não queremos, obrigado, mas se pudéssemos acender um charuto em algum lugar?" O homenzinho recuou, como se tivesse visto o velho Satã: "Ah, fumar é proibido."

A seguir, quem tiver colesterol alto, pneu na barriga, ou gostar de feijoada, pode começar a temer pelo seu emprego a Comissão Europeia, tal como o desejo de Hitler, quer um homem novo, totalmente novo, higienizado e inodoro. E já estão no poder, os pequenos fascistas.



(Pssst, ó faxabôr: isso dos "pequenos fascistas" é com o Marques Mentes, é? Coitado do moço, que não faz mal a uma mosca.)

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A angooostia...

... que se esconde por detrás desta pesquisa: http://pesquisa.sapo.pt/searchTop?barra=mundial&chan=&channel=2005&t=0&txtTexto=&q=crian%E7as%20que%20sofrem%20de%20cancro.

"Crianças que sofrem de cancro".

Meu Deus. Que ser-humano só, que desespero, que angústia tremenda, que medo e horror, horror e medo, que dedos frementes buscarão respostas para tais perguntas? Apelos virtuais? O pânico de não saber o que fazer?

2370 resultados, é o que a máquina dá, esta coisa automática. Não é sequer uma resposta, mas é incomparavelmente melhor do que nada.

O silêncio, o vazio absoluto, há-de ser muito pior.

Não sei. Essa criança não é minha. Mas este resultado aqui, eu, quem estas parvoices escreve, o 10º da 1ª página de pesquisa, trocaria de boa vontade de lugar com essa criança. Há pesquisas que dão resultados mas que nunca deveriam ser feitas. E há outras que deviam dar e não dão: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=%22Deus+%C3%A0s+vezes+%C3%A9+mau%22&meta=.

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13/09/06

Deixai vir a mim as criancinhas, camaradas!

Mais aterrador do que as próprias teorias da conspiração, mais horrível do que ver, ouvir e ler o que dizem adultos sobre o assunto, é verificar a forma devastadora como semelhantes patacoadas atingem a juventude.

Uma coisa é ouvir Por Exemplo Soares, que já tem mais do que idade suficiente para ter juízo, babando suas trivialidades a propósito do "diálogo" com terroristas, e a "pobreza" et cetera, outra bem diferente é ler o que dizem nossos jovens, no seu linguajar característico, sobre a tragédia do 11 de Setembro.

A batalha da contra-informação, na frente de guerra da intoxicação global, está de facto a ser ganha pelas esquerdas. A criançada, dos 8 aos 28, engole completa e alegremente qualquer patranha, desde que servida com os devidos efeitos especiais... e para mais se devidamente condimentada com animações argumentativas, ou com argumentos animados. Um tumulto sonoro de espanto, um ohhhh incrédulo mas já fervilhante de gaiata curiosidade, vai ecoando nas cabeças de nossos infantes, tanto mais quanto mais elementar é o raciocínio conspirativo, mais simples o conteúdo e mais espectacular a forma. Principalmente esta. Apresentada aos jovens uma fita como o "Loose Change"(*), essa terrível ficção que deveria ser classificada como "exclusivamente para adultos" (ou M30), com bolinha vermelha a condizer, torna-se a curto prazo absolutamente imprevisível saber que tipo de devastação neuronal se irá produzir, naquelas massas cinzentas ainda diminutas, em crescimento, em desenvolvimento - que se pretende vigiado e acompanhado - e em plena fase de testes.

Esperemos pela martelada. Dê-se à juventude, em vez de saudáveis filmes pornográficos às escondidas, filmes de terror soviéticos às claras, e teremos pela certa, num futuro não muito distante, uma nova geração de militantes de causas, carne vermelha para canhão vermelho; uma geração Red Bull, impregnada com taurina e outras substâncias ilícitas, pincelada com umas noções de bombismo, empanturrada de Big Macs e injustiça social, obesa de conhecimentos sobre artes solidárias. Teme-se o pior. Ainda veremos por aí, pululando com seus juvenis bibes ao pescoço, ranchos de bernardinos soares gritando palavras de ordem como "o povo unido jamais será vencido" e assim.


(*)http://video.google.com/videoplay?docid=-5946593973848835726

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11/09/06

Antes a morte que tal sorte



Algures, entre muitos gatos
Um havia
Que era, segundo a fama que corria,
O mais temido caçador de ratos.

Focinho de arreganho,
De grande rabo
E de eriçado pelo,
Para o murganho
Vê-lo,
Era do diabo!....

Nenhum rato caía na tolice
De sair, sem cautela, do buraco,
Por mais fraco
Que o estômago sentisse.

Não, porque ele era o espectro, era a tortura
Que rala, que aniquila, que consome!
Ele era a fome
E a sepultura!

O caçador, porém, não era monge;
E numa linda noite de luar
Soube-se no lugar
Que andava longe…

Então,
(Vejam aqui os homens neste espelho
Como eles, fúteis, tantas vezes são)
Os ratos reuniram em conselho.

Diziam: - Isto assim não pode ser;
Antes a morte que tal sorte:
Passar dias e dias sem comer!

E logo alvitrou um, com alvoroço:
-Sabem o que é preciso?
É pôr-lhe um guiso
Ao pescoço…
Com um guiso ele próprio nos previne…
Muito embora no chão se agache e roje,
Ao menor movimento o guiso tine,
E a gente foge…

-Bravo! - gritaram todos – muito bem!
É assim mesmo! Assim!
Mas quem há-de ir atar o laço? Quem?

Eu não, que não sou tolo! – afirmou um.
Nem eu – disse outro. E enfim,
Não foi nenhum.

Há destes casos neste mundo a rodos;
Se é preciso coragem numa acção,
Todos concordam, ninguém diz que não,
Mas chegado o momento, faltam todos!

Os ratos reunidos em conselho, La Fontaine
Tradução de João de Deus Ramos

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Teorias da conspiração? Temos, sim senhor. É para oferta?

Agora que "já se sabe" que o "Loose Change" não passa de uma fita, uma intrujice pegada, será que é humanamente possível ainda ter dúvidas sobre o que realmente se passou no 11 de Setembro? E não será um pouquinho deselegante, para não dizer pior, estar agora a levantar questões destas, precisamente no dia do 5º aniversário daquela horrível tragédia? E enfim, será que pura e simplesmente duvidar, ou achar que alguma coisa está mal contada, será isso uma traição? Não? Uma facadazinha nas convicções, talvez? Também não? Então o quê? Vá lá, decida-se!(*)

Bom. Vamos a isso. Suponhamos que o WTC foi mesmo demolido por implosão e, portanto, não caiu como consequência directa do impacto dos aviões desviados por terroristas. No tal "Loose Change", aparecem diversas cenas retiradas de um documentário que aparenta ser muito mais sério e bastante menos histérico; neste 911truestory.com não há mais nada, nem riscos no chão para conduzir mísseis nem tretas do género, é só mesmo para tentar provar que as torres N, S e 7, do World Trade Center, foram deitadas abaixo de forma controlada, com explosivos; desta vez, para variar, não se entra em palpites de governantes mafiosos e barras de ouro escondidas no subsolo. Está muito bem feito, este filme, sejamos justos.

Não esquecer que, parafraseando inúmeros jogadores de futebol portugueses, isto é um suponha-mos. Supondo, por conseguinte, que os três edifícios caíram por demolição controlada, então os explosivos já teriam de lá estar, embutidos nos pontos estruturais mais convenientes, antes de os aviões embaterem nas torres Norte e Sul; note-se que não houve qualquer embate directo na torre 7, a menor das três e, mesmo assim, também esta veio abaixo umas horas depois das primeiras... o que faz pressupor que algo de muito estranho, e nunca suficientemente explicado, se passou naquele edifício em especial.

Mas suponhamos que sim, que foram de facto colocadas antecipadamente cargas explosivas nos edifícios. Nesse caso, teríamos de admitir que alguém, com autoridade e com meios para efectuar tão complexas manobras, teve acesso aos prédios e para ali transportou algumas toneladas de explosivos; ora, para fazer isso, seriam necessários camiões de transporte, umas quantas pessoas para conduzir estes e algumas dezenas de outros elementos para transportar as cargas explosivas, escada acima e escada abaixo; além disso, a colocação dessas cargas necessariamente teria implicado um elaboradíssimo trabalho de estudo, com técnicos especializados, envolvendo acesso aos planos de construção, mapas de estruturas, etc.; depois, para a própria colocação dos explosivos, teria sido necessário fazer buracos em betão e passar cabos eléctricos em condutas, para a detonação sequencial, actividades estas que implicam o uso de ferramentas não muito silenciosas, como britadores e martelos pneumáticos, e também outras não muito discretas, como escadas, bobines de fio gigantescas, milhares de ligadores eléctricos, isto para já não falar nas próprias cargas, gelamonite, plástico e outros produtos químicos.
Admitindo que tanta gente teve acesso livre a tanta coisa e a tantos sítios diferentes, tudo isso teria de ter sido superiormente autorizado, primeiro, e efectuado em nada insignificante número de dias de trabalho, depois.

Então, porque não, suponhamos mais uma vez que sim, que foi assim mesmo que as coisas se passaram. De resto, existem inúmeros testemunhos que o comprovam, encerramentos prolongados das torres, exercícios de incêndio e de "blackout" sucessivos, evacuações de emergência e assim por diante. Pois se isto estiver correcto, e assumindo como verdade que todas as acções preparatórias decorreram em fins de Agosto e princípios de Setembro de 2001, então podemos facilmente deduzir que - das duas uma - ou o ataque terrorista estava previsto, e serviria então como pretexto para o derrube das torres, ou o primeiro não estava previsto mas estava o segundo. Ora, não é crível que se coloquem cargas de implosão, sem conhecimento de ninguém, sem nenhuma decisão nesse sentido, em edifícios que estão a funcionar em pleno, com milhares de pessoas lá dentro, trabalhando normalmente. Por exclusão de partes, os responsáveis pela minagem tinham conhecimento do ataque iminente, e prepararam os acontecimentos de maneira a que parecesse existir uma relação de causa e efeito entre os embates e as derrocadas.

Assim sendo, o ataque terrorista contras as torres gémeas não passou de um pretexto para a sua demolição controlada, sendo o embate dos Boeing - pelos estragos visíveis causados - uma cobertura aparentemente perfeita para aquela operação secreta.

"Aparentemente". Palavra tremenda. Se foi isto, se podemos supor tais coisas, então tudo é possível. E se não fosse por causa do tal ouro que, dizem alguns, estava arrecadado nas caves? E se fosse apenas para criar um casus belli para justificar a invasão do Afeganistão, do Iraque, e sabe-se lá que ou quantos mais países? Será?

Então, vejamos, se foi esse abominável horror, se os serviços secretos americanos tinham conhecimento do que estava para acontecer, se deixaram que acontecesse e não fizeram nada para o impedir, então o próprio Governo americano sabia e nada fez! Então, horror dos horrores, foi tudo planeado e executado pelos americanos, no seu próprio território e contra o seu próprio povo. Foram eles mesmos, a começar pelo Presidente, os responsáveis directos pelo assassínio de milhares de compatriotas!

É o fim. Acabaram as ilusões. Já não há nem bom nem mau. É tudo mau. O eixo do mal afinal é redondo, açambarca tudo e todos. Esta é a guerra dos mundos, sim, mas afinal não é entre o Ocidente e o Islão radical, a democracia e o terrorismo, não é a liberdade de um lado e o obscurantismo do outro, agora vemos, a guerra é entre o mal e o mal, qual deles o pior. Acabou-se. Está explicado, que ninguém duvide, quando, como e principalmente porquê os americanos declararam a guerra.

Se bem que já praticamente sem fala, completamente esmagado pela transparência da teoria, pelas evidências que a suportam, porém, modestamente e do alto da minha insignificância, atrevo-me ainda a questionar, caso não seja muito atrevimento; é só uma perguntinha, uma última, microscópica, irrisória dúvida; posso?

Bom. Então era o seguinte: seria possível, em não dando muito incómodo, que alguém me explicasse para que serviu o 11 de Março? Pois, aquela coisinha de somenos que se passou em Espanha, em 2004. E, já agora, não abusando, para que foi aquilo em Bali, na Indonésia? E em Londres? Na Jordânia? Mombasa? Istambul? Casablanca? Karachi? Tunes? Ryad?

Siiiiim?










(*) Descaradíssimo plágio de uma campanha publicitária da TV portuguesa


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09/09/06

Ingenuidade & Má-fé, Lda.

As esquerdas, na sua proverbial cegueira, fingem que não sabem, pretendem que não entendem, que não é bem assim; algumas direitas(*), nas suas tamanquinhas, e de chinelos, como é costume desviam-se do essencial, dão corda aos argumentos idiotas do adversário.

Seria talvez inteligente determinar, em concreto, aquilo que se está a passar: e isto é, em resumo, e mais concretamente não poderia ser, desde 11 de Setembro de 2001, nem mais nem menos do que a III Guerra Mundial. Após algumas escaramuças mais ou menos localizadas, depois da queda do muro de Berlim e da concomitante implosão do "socialismo real" soviético, o Islão declarou guerra ao Ocidente, de forma expressa e liminar, atacando primeiro o território dos Estados Unidos da América - provocando este ataque cerca de 3.000 vítimas e avultadíssimos prejuízos materiais - e seguidamente o dos mais directos aliados daqueles, com acções de cariz militar na Grã-Bretanha e em Espanha - que provocaram igualmente centenas de baixas civis e estragos em proporção; simultaneamente, as forças armadas islâmicas atacaram também outros alvos estratégicos, politicamente cirúrgicos, um pouco por todo o mundo e em especial em países maioritariamente muçulmanos, como a Indonésia e a Índia; numa terceira frente, por sinal a mais antiga e primordial, as forças armadas islamitas combatem as ocidentais no Iraque e na Palestina, tentando sistemática e fundamentalmente eliminar o Estado de Israel.

Como única super-potência mundial, os Estados Unidos da América representam o papel de testa-de-ferro neste conflito e portanto, também pelo facto de pela primeira vez na sua História terem sido atacados no próprio território, são o país que lidera as forças combatentes ocidentais e aquele que mais efectivos e meios bélicos disponibiliza; numa relação directa e equitativa, são igualmente os cidadãos americanos, militares e civis, quem mais sofre e quem mais morre por causa desta guerra. Os países aliados, em coligação militar (como no Iraque), no âmbito da ONU ou integrados em organizações internacionais de Defesa (como a Nato), participam na medida das suas possibilidades no esforço de guerra, como é o caso, entre outros, e além dos já referidos Grã-Bretanha, Israel e Espanha, de nações tão diversas como a Itália, a Polónia, o Cazaquistão, a Austrália, a Roménia, El Salvador, a Tailândia ou... Portugal.

Num contexto de crispação causada, entre outros factores, pela ameaça da agressão nuclear por parte do Irão, da Coreia do Norte e do Paquistão, o Ocidente depara ainda com uma quarta e uma quinta frentes de guerra, respectivamente a diplomática e a mediática, sendo que, de resto, estas se ligam umbilicalmente e de forma por vezes indestrinçável: os media tendem a condicionar a opinião pública e esta, por sua vez, exerce a sua magistratura de influência democrática sobre o Poder instituído, condicionando por conseguinte os jogos de poder consubstanciados nas diplomacias nacionais. E nestes dois vectores (media-opinião pública e diplomacia) reside o maior obstáculo à execução dos planos de defesa militar delineados para as outras três frentes de combate, as de verdadeiro cariz militar e aquelas para as quais deveriam ser canalizadas todas as energias e recursos disponíveis.

Quando se fala de opinião pública, falamos obviamente da ocidental, porque não consta que semelhante coisa exista sequer na maioria dos países muçulmanos ou nas ditaduras comunistas residuais; ora, é precisamente esta mesma opinião pública ocidental - funcionando como quinta coluna do fundamentalismo islâmico e dos seus aliados, os comunistas que não aceitam a derrota nem os factos - que se constitui como verdadeiro inimigo interno do Ocidente; é a opinião pública ocidental, por regra manobrada e intoxicada pelos paladinos das "amplas liberdades" e outros ressaibados da e com a História, que veicula teorias paralisantes e, de certa forma, niilistas, com o objectivo óbvio de minar o moral das tropas e dos seus comandantes; é a opinião pública ocidental, com as suas estranhas dúvidas existenciais e os seus pruridos morais, em última análise, a principal responsável pelo arrastar indefinido desta III Guerra Mundial em que vivemos.

A opinião pública é legítima e aceitável em tempo de paz, quando todas as instituições e mecanismos de auto-regulação social funcionam; em tempo de guerra, enquanto rebentam bombas e as pessoas morrem aos milhares, debilitadas as estruturas do Poder e, por consequência, fragilizados ou radicalmente postos em causa os direitos individuais - sobrepujados ou esmagados pela emergência do poder militar -, os tempos não estão agora para opiniões e considerandos mas para acções e vozes, sim, mas de comando.

O Ocidente está a ser militarmente atacado, simbolicamente desde o dia 11 de Setembro de 2001, de forma sistemática e à escala global. Portanto, numa acção de legítima defesa, o Ocidente defende-se militarmente onde, quando e como for necessário, e mesmo contra-atacando se isso for estrategicamente conveniente - pela simples razão de que o contra-ataque é uma das acções de defesa mais comuns, desde sempre.

Como é evidente, os actos de guerra entre Estados não se resumem a manobras puramente militares, implicando também outras forças e medidas, como espionagem e contra-informação, vigilância e policiamento, logística e aprovisionamento, transportes e abastecimentos, etc. No caso vertente, em especial, na sequência aliás daquilo que sucede desde a década de 60 do século passado, existe um factor novo que torna exponencialmente mais complexo o próprio curso da guerra: já não se trata propriamente de uma guerra convencional entre Estados, mas uma guerra não declarada entre um conjunto de Estados, legitimamente constituídos, e uma rede difusa de movimentos terroristas sem fronteiras definidas, sem identidade concreta e sem qualquer estrutura reconhecível; é uma guerra de tipo único na História, na qual um dos lados combate um inimigo vago, que está em todo o lado mas não se encontra em lado algum, que existe de facto mas que se não pode atacar directamente porque não possui alvos dos quais dependa. Em termos de pura teoria bélica, nesta acepção, a III Guerra Mundial não poderá nunca ser vencida militarmente por um dos lados, já que ambos são beligerantes mas apenas um deles tem forças armadas e é constituído por nações organizadas; ou seja, um lado apenas ataca e o outro apenas se pode defender desses ataques, visto não ter onde ou o que atacar, ao certo. A única hipótese de que os países ocidentais, no seu conjunto, possam ganhar a guerra, é que o tempo - e o desgaste provocado por este - se encarregue de, à semelhança do que sucedeu com o sistema socialista, esvaziar de sentido o fundamentalismo islâmico e acabar por vencer pela exaustão a vontade e a motivação dos povos por ele dominados.

Entretanto, as forças ocidentais limitam-se a defender como podem os seus territórios, os seus cidadãos e o seu modo de vida, daquele inimigo sem pátria nem bandeira. E é precisamente neste ponto que entronca a referida dificuldade acrescida, o inimigo interno, a tal quinta coluna de opinião que faz objectivamente o jogo e serve exclusivamente os interesses do terrorismo, do fundamentalismo islâmico e dos seus aliados esquerdistas: com as suas "opiniões" capciosas, tendenciosas e obtusas, os fazedores de opinião entretêm-se alegremente numa cruzada pseudo-moralista que lança a confusão, desmoraliza quem está no terreno a combater, desmobiliza o cidadão comum, fragiliza as estruturas de Poder, enfraquece, em suma, o esforço de guerra em todas as suas vertentes.

Elevar à condição de inefável santidade os actos de guerra do inimigo, descobrindo motivações altruístas e humanitárias em quem apenas mata e destrói indiscriminadamente, constituiria certamente matéria suficiente para que os autores de tal absurdo fossem acusados de alta traição e, como seria normal em tempo de guerra e sob lei marcial, condenados à morte. Perorar sobre a legitimidade de todo e qualquer acto de defesa dos países ocidentais, clamando pelos direitos humanos de quem manifesta apenas desprezo por qualquer espécie de direitos e que excluiu do próprio conceito de humanidade quem não for muçulmano, é uma forma de traição, pura e simples. Questionar sistematicamente os procedimentos policiais, as medidas de segurança impostas, as acções de retaliação pontual e mesmo toda e qualquer manobra militar convencional, equivale a oferecer ao inimigo a motivação básica para justificar aquilo que de outra forma seria injustificável, ou seja, a sua sede de violência, a sua sanha alucinada, o seu fundamentalismo primitivo e desumano. Toda e qualquer "opinião" que sirva os interesses do inimigo é, por definição, um acto de traição. Traição esta que é tolerada, paradoxalmente, e passando absolutamente impune, apenas nas sociedades ocidentais e democráticas, as únicas onde existem liberdades individuais; em qualquer país ditatorial, seja de que tipo for, estes profissionais da conversa fiada seriam imediata e sumariamente fuzilados. Como sabe perfeitamente mas finge que não sabe quem enaltece a superioridade moral daqueles mesmos que os liquidariam sem pestanejar, caso pudessem ou, na pior das hipóteses, assim que pudessem.

Não se trata aqui de branquear a violência gratuita, a tortura de seres humanos, a terraplanagem administrativa e política dos direitos humanos mais básicos; de resto, é tudo isso mesmo que acontece, na prática, e mesmo em tempos de paz, nos países de ditadura islâmica, por decalque daquilo que sucedia (e sucede ainda) nas ditaduras socialistas. A questão reside no facto de estarmos em estado de guerra e não em tempo de paz. Como qualquer guerra, também esta (e, por motivos acrescidos, principalmente esta) representa um cortejo de horrores inimagináveis. Cabe decidir se é possível, se alguma vez foi possível, fazer guerra sem horror; se é possível combater o terror sem o horror. Ou isso, ou persistir na recusa da evidência, na espiral de negação dos factos.

Ou continuar a dizer, a escrever e a "achar" que não, que não se passa nada, que não estamos em guerra, que será quando muito um mal-entendido aqui ou ali; que os culpados "disto tudo" são os americanos, ou os ricos, ou o petróleo, ou o Tio Patinhas; que devemos é estar muito quietinhos enquanto os bons dos terroristas exercitam as suas artes pirotécnicas e outros números em nossa própria casa; que é maravilhosa, espantosa, fabulosa, a cultura da Sharia, a tal das "amplas liberdades" para ser morto à paulada, à pedrada, por empalamento, na forca ou a tiro, à escolha do freguês; que os maus da fita são "eles", os capitalistas, ou seja, nós mesmos, e que os bons são "os outros", os tais, os da santa aliança terrorista, comunista e socialista, cujo obscurantismo fica bem colorir, cujo medievalismo será por força modernizado; que a revolução, seja ela qual for, deverá avançar a todo o vapor e ficará num brinco assim que os amanhãs desatarem a cantar de novo, mas agora com a banda sonora exclusiva dos minaretes.

Enquanto continuar a lúdica tergiversação sobre o que se está a passar, toda a esquerda e alguma direita em suas reflexões e grandiloquências estéreis, o inimigo agradece, aproveitando o embalo e o remanso das certezas absolutas para afiar mais uma vez as suas simbólicas cimitarras e limpar suas mais maneirinhas e concretas Kalashnikov.



(*) Por "algumas direitas", depois de descontar falcões liberais e nazis folclóricos, entenda-se o "tipo" JCN: direita beata, satisfeitinha da vida, anti-tabagista, adepta ferrenha do iogurte magro com cereais.

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Loose "Loose Change"

Aquilo é de facto esmagador. Funciona como o anúncio das pilhas Duracell: a gente vê e duvida, duvida, duvida...

O primeiro impulso, ao menos para os direitistas empedernidos, assim como aqui o Yours Truly, é descobrir na fita uma coisa qualquer, uma peta, uma brecha por onde toda aquela teoria rache de alto a baixo. Mas não. É tudo demasiadamente sólido e consistente, argumentos como aço e fundamentações em verdadeiro, sólido betão.

Pronto. Desiste-se. O 11 de Setembro foi uma tanga. Acabou-se. Vá-se lá acreditar naqueles mafiosos de Washington. Que tristeza, meu Deus, perdoai-me a ingenuidade, a credulidade, a imbecilidade. Nem sei que diga. Estou mais mudo do que uma campa, mais triste do que um filme português, mais angustiado do que numa manhã de ressaca.

As torres gémeas, demolidas por implosão. As tangas todas. Afinal aquilo não era o Bin Laden, era um duplo, vê-se logo, um é canhoto, o outro não, o original sisudo, jovial a cópia fingida. Tudo, caramba, tudo mentira. Os aviões afinal não eram aqueles, nem sequer eram civis, tinham outras matrículas, ele há registos, e documentos, e "footages", e tudo. Não fica nada de pé, nada, nada, nada, foi tudo uma intrujice, uma montagem dos serviços secretos americanos. Aquela do Pentágono, então: vai-se a ver e aquilo foi mas é um míssil, qual Boeing nem meio Boeing, até tinha um traço no chão a marcar a rota...

Ei. Péra aí. Um traço no chão a marcar a rota do míssil? Hem? Como? Vamos lá a ver isso. Os mísseis precisam de riscos no chão para encontrar o caminho até ao alvo? É preciso fazer um desenho aos mísseis, indicar a rota com setas, assinalar o alvo com uma cruz, como quem diz ao míssil, assim, ó, vais por aqui, e é neste sítio, aqui onde tem este xis, agora é que rebentas?

Mas afinal, e o que se diz na net sobre esta coisa? Ora vejamos:

Claim: A white marking on the lawn the week before indicated the path of the crash.
Truth: This section of the Pentagon was being renovated and cables were being laid. And why would a cruise missile need directions anyway?


Ah, bem, assim já não sou só eu a achar esquisito. Melhorou.

Deixa cá ver se há mais tangas na teoria da conspiração.

Olha outra:

Claim: Wally Miller, a Somerset County coroner stated that there were no bodies found at the crash site of United 93.
Truth: There were no whole bodies, but over 1500 body parts were found, and most of the passengers were identified through the use of DNA. Mr. Miller later reported his findings on this.


Pois, também digo. Não foram encontrados cadáveres (inteiros), porque não restavam cadáveres (inteiros); só partes de cadáveres, umas mãos, uns pés, umas pernas, uns quantos braços e partes de crânios ou mesmo um ou outro crânio inteiro. Grande bronca se afinal não houvesse quaisquer restos de corpos no local onde o avião se despenhou. Se fosse realmente assim, então não era um avião comercial, ou então estava vazio, lá se esfumava a teoria oficial. Ora bem, convenhamos: nem os americanos são assim tão estúpidos, que diabo. Ao menos que despejassem ali o stock de alguns cemitérios das redondezas, ou coisa que o valha.

Olha mais esta:

Claim: The cell phone calls from the hijacked planes could not have taken place due to the technological impossibility of placing calls from a high altitude.
Truth: Most of the calls were from Airfones, which quite obviously work fine in the air. The few cell phone calls which were made could have easily been made due to the fact that the hijackers reduced altitude to steer their planes into their targets.


Pfiu! (isto sou eu a suspirar de alívio)

Ah, e tal, e porque torna e porque deixa, os americanos, os fasssistas, blá, blá, blá, e aquilo foi mas é uma golpada dos ricos, e os árabes são inocentes de todo, nhé-nhé-nhé...

Bom. Assim já gosto mais. A coisa compõe-se. Bolas, quais americanos quais quê, nem mesmo eu podia ser assim tão estúpido! Ser comido por parvo desta maneira, vá lá ver, engolir a patranha dos atentados terroristas, com anzol, chumbada, cana e carreto, ó gente, isso podia lá ser! Reconhecer a evidência da maquinação mafiosa seria o mesmo que passar a mim próprio um atestado de atraso mental completo e irreversível. Mais valia dar um tiro na cabeça, daí em diante absolutamente inútil, meter-me numa cela de prisão de alta segurança e deitar fora a chave, sei lá bem o que deveria fazer, entrar para um convento e passar o resto dos meus dias em recolhimento e penitência, chicoteando as costas e espetando vidro moído por debaixo das unhas, rogando perdão em orações infindáveis pela redenção dos meus pecados e da minha obtusidade.

Ahhhhhh, que até já respiro melhor. Assim, sim. Gosto pouco de me sentir burro. Sinceramente, é uma coisa que me chateia.

Esfreguemos, por conseguinte, as mãos. Ora deixa cá ver mais. Ena, 41!. Patranhas há muitas, ó seu palerma!

Ehehehehe (isto sou eu com o meu risinho sacana, o que é bera, porque o assunto não tem piada nenhuma)

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07/09/06

Galo pós-moderno


Entretanto, o Leixões acatou hoje a decisão do CJ da FPF em indeferir o recurso do clube matosinhense, algo que Fiúza considera, no mínimo, “muito estranho”. “Já estava tudo feito. Tudo isto traz água no bico. Foi tudo tão rápido que parece que já estava tudo decidido. (O recurso) serviu para atirar areia para os olhos das pessoas”, acusou ainda.

Público

Expressões-chave:
água no bico
areia para os olhos
muito estranho
Fiúza considera

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É a América, estúpido!

A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO REAL
Aproxima-se o 5º aniversário do golpe do 11 de Setembro de 2001. Tal como o incêndio do Reichstag, em 1933, que possibilitou a ascenção nazi, o 11/Set possibilitou o início da alteração do regime dos EUA (nos planos jurídico, policial, militar e institucional).
Apesar do grande trabalho de investigação efectuado por muita gente ao longo destes cinco anos, ainda estamos longe de desvendar tudo acerca dos acontecimentos do 11 de Setembro. No entanto, aquilo que já se sabe é mais do que o suficiente para demonstrar a enormidade monstruosa das mentiras arquitectadas e executadas por neocons do governo Bush. Exemplos:

  • já se sabe que as duas Twin Towers vieram abaixo por demolição controlada com explosivos pré-posicionados e não devido a choques de aviões;
  • já se sabe que o Edifício 7 ao lado com o qual não se verificou qualquer choque de avião também veio abaixo por demolição controlada;
  • já se sabe que edifícios com estrutura de aço em treliça não podem ruir devido a choques de aviões ou a incêndios;
  • já se sabe que o Pentágono foi atingido por um míssil e não por um Boeing 757;
  • já se sabe que nenhum caça da U.S. Air Force decolou para tentar interceptar os aviões sequestrados; já se sabe que a dita Al Qaeda foi uma criação dos serviços secretos americanos;
  • já se sabe que o think tank neoconservador Project for a New American Century (PNAC), constituído pelos que agora são os actores chave na administração Bush, previa que o processo de transformação por eles desejado "provavelmente será longo se faltar um evento catastrófico e catalisador como um novo Pearl Harbour" (in Rebuilding America's defences: strategies, forces and resources for a New American Century, publicado em 2000);
  • já se sabe que no local onde se afirma ter-se despenhado o Voo 93 da United Airlines só ficou uma pequena cratera com 6 (seis) metros de diâmetro (o filme Voo 93 está a passar em Lisboa, obra das centrais de desinformação de Hollywood).

A lista dos "já se sabe" poderia prolongar-se por aí além mas estes poucos dados são suficientes para formar um juízo.
Todos os trabalhos de investigação têm sido sistematicamente silenciados pelos media corporativos que se proclamam "de referência" (excepção honrosa foi a edição norueguesa Le Monde Diplomatique, que publicou trabalhos notáveis acerca do 11/Set). Quando não fazem silenciamento, estes media ditos "de referência" põe-lhes a etiqueta depreciativa de "teorias da conspiração" como se isso arrumasse o assunto. No entanto, nada do que se passou teria sido possível sem uma conspiração real no interior do aparelho de estado dos EUA. Seria muita credulidade acreditar na versão bushista de que 19 sujeitos armados com canivetes poderiam sequestrar vários Boeings em simultâneo e comandá-los em manobras difíceis.
Mas milhões de pessoas no mundo, desinformadas pelos media corporativos, continuam a não saber todos estes "já se sabe". A censura dos media corporativos é, hoje, mais feroz do que nunca. Além do trabalho de investigação do 11/Set é preciso, também, um trabalho de divulgação dos resultados já descobertos. Isso só pode ser realizado através dos media alternativos.

http://resistir.info/


Chiça. "Já se sabe"? Mas como "já se sabe"? Eu cá não sabia. Bem, agora é que estamos todos bem tramados. E se estas merdas forem mesmo verdade? Quer-se dizer, se as outras forem mentira? Hem, santinhos? Às tantas, um dia destes, até "já se sabe" que aquela porra toda foi mas é uma montagem de Hollywood, como "já se sabe" que foi a ida à Lua da Apolo 11, essa ganda treta imperialista; às tantas, sabe-se lá, fizeram a coisa com uns aeromodelos de plástico e espetaram com eles de encontro a umas torres gémeas à escala, com efeitos pirotécnicos e especiais de Steven Spielberg, esse ganda cromo, como já cá se sabia.

Não, mas agora a sério. E se a coisa tiver sido mesmo uma ganda farsolice? Olha que realmente. Vá-se lá acreditar naquilo que os olhos vêem, quem sabe, ou melhor, "já se sabe", ele depende e é consoante, como judiciosamente filosofou Pilatos: uma coisa é a verdade, outra é a verdade oficial, outra ainda é "a verdade a que temos direito" e outra bem diferente é a realidade cinematográfica, ou pictórica, por assim dizer. E nisso, convenhamos, os americanos são especialistas. Se for realmente verdade que o 11 de Setembro foi mentira, ainda assim, há que dar os parabéns ao realizador, à equipa de produção, aos encenadores, aos modelistas, aos "stunts" (aqueles gajos que se mandam de janelas abaixo, a fingir, evidentemente), os técnicos de "foleys" (os que produzem sons no estúdio, desde os dos murros aos das estaladas, passando pelos ruídos dos motores, explosões, ossos a partir, etc.), aos profissionais do guarda-roupa e dos adereços, da sonoplastia, da iluminação e da operação de câmara, sem esquecer, é claro, os extraordinários argumentistas, os excelentes guionistas, os maravilhosos especialistas em dramatização de diálogos, enfim, toda a equipa técnica, do mais modesto anotador ao mais famoso dos especialistas em efeitos especiais.

Uma palavra final, como não poderia deixar de ser, para os 2.997 figurantes que se deixaram matar por simples amor à 7ª arte, esses mártires do palco, verdadeiros heróis peliculares, merecedores sem qualquer favor de ver as suas mãos gravadas no "passeio da fama", isto, evidentemente, se lhes tivessem restado ao menos as mãos para decalcar no cimento. A todos eles, pois, um grande bem-haja pelo esplêndido espectáculo que graciosamente nos proporcionaram.



Don't call 911
George Bush, director
Starring (not available)
NY Studios, USA, 2001
Ficha técnica


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03/09/06

Enquanto dormes, o destino

É o teu sangue a correr nas minhas veias.
Esse milagre de quando triste sorris
e me deixas ver como és fatal;
e eu escravo de ti, senhora.

Tu, minha, serva, imponente, que bela és
quando me prendes nos teus braços
e me deixas ver como és fatal;
e eu, querida, o teu senhor.

Lembras-te agora de como foi, a primeira vez ?
Meu Deus, mas quanto tempo se passou já?
Poderei agora ver como foste e és fatal,
amiga, amante, querida, meu amor,
oh, minha escrava desigual.

Deixa-te por um momento dormir em paz.
Descansa agora neste peito calmo.
Deixa-te então, mulher fatal,
dorme, sossega, diz-me
tu outra vez, descansa,
dorme, meu querido.

É tão bom ouvir-te dizer isso, meu amor
minha amiga, mulher, meu destino
fatal fatal fatal.



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02/09/06

A independência de Timor? Xanana? Caralho que o foda!



Olha. Que plano é este, meu?

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Rendimento social de inserção (RSI) ou bater uma punheta (BUP)


" A senhora é boa como o milho eu gostava de saber se posso bater uma punheta enquanto a senhora fala ao telefone; não sei se era possível, a senhora falar ao telefone e eu bater uma punheta..."
Alfredo Barreiros, lojista

SIC Notícias


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01/09/06

Avante - Fotografia tipo passe


Odeio este filho-da-puta. Deus me perdoe. Odeio o filho-da-puta, que se há-de fazer? O ar bonzinho. A pinta de gajo porreiro. A subtilíssima aura superior de membro etéreo do comité central do partido comunista da união soviética. A costela operária do gajo, sendo que este cabrão nunca terá produzido abolutamente nada em toda a sua porreiríssima vidinha de burguês geneticamente modificado. A "preocupação" que o caramelo sistematicamente manifesta em relação aos "problemas" dos "trabalhadores em geral" e dos "desfavorecidos em particular".

Meu Deus, perdoa-me. Por favor. Não é sequer normal um tal asco. Gostaria, Senhor, se És meu amigo, se me é permitido o pedido particularíssimo, que me Permitisses não detestar com tal violência um qualquer ser humano. Perdoa-me, meu Deus. É que, Compreendes, estou neste momento em pleno processo de consciencialização, de auto-punição, de auto-flagelação. Apetece-me ir à "festa do Avante", aquela merda execrável, aquele gigantesco arraial. Caramba, não tenho emenda. Serei coprófilo? Masoquista? Imbecil?

Perdoa-me, sim?

Não volto a repetir...

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31/08/06

100 razões 100 razão alguma, 100 1 mínimo de coerência e 100 corar

É difícil fazer cartéis na blogosfera.

in Dossier Blogosfera, revista Psicologia Actual, Agosto 2006, pág. 46

 

É lá agora. Esse Dossier Blogosfera foi produzido por um dos cartéis mais conhecidos e mais antigos da tal blogosfera; isto é um facto; outra coisa será calcular o grau de dificuldade que interferiu na sua formação, coisa que apenas interessará aos próprios.

Sabe qualquer pessoa que escreva umas coisinhas num blog, conhece perfeitamente, quem são as pessoas que produzem "dossiers" e "estudos" deste género; topa-se-lhes nitidamente o linguajar comum, pretensamente técnico e forçosamente aportuguesado - blogosfera, blogue, blogar, bloguer, e assim por diante com todos os neologismos originalmente anglófonos conexos. Toda a gente conhece também os blogs que os elementos deste cartel produzem, bem como os seus rituais de comunicação, os seus hábitos de bajulação mútua, as suas atávicas retaliações a quem lhes não presta nem vassalagem nem para nada; alguns, assim mais para o desalinhado, conhecem por experiência própria as redes de informação e de informadores deste cartel, aquele arremedo de polícia de costumes virtual que "não permite" o anonimato, "não aceita" o desvio em relação à norma por eles estabelecida, abomina a independência e, em especial, o atrevimento de quem se está rigorosamente nas tintas para a querida "blogosfera" - essa coisa que autores e apaniguados doutamente apelidam de coutada, terreno de caça, feira franca de vaidades, panteão de mediocridades.

Se bem que, no caso daquele "dossier", e de resto como acontece amiúde, o cartel tenha convidado dois elementos (aparentemente) estranhos ao grupo, assim a modos que para abrilhantar a parada, a uniformidade, a conformidade e o monolitismo das "opiniões" expressas são de tal forma evidentes que bem podemos concluir - sem qualquer risco de falhar no juízo - que todos os textos do "dossier" poderiam ter sido escritos pela mesma pessoa: "visões" e "perspectivas" a papel químico, ou viródisco e tocómesmo em versão "postada", tratando o "fenómeno bloguístico" com pinças politicamente correctas e com o cuidado, muito cuidadinho, típico de quem protege os "seus" e, principalmente, o seu.

Para o leitor mais desatento, ou inexperiente, ou simplesmente estúpido, da leitura deste "dossier" resulta um pote cheio de nada e uma pipa atestada de coisa nenhuma, mesmo exceptuando os erros de Português (outro traço comum) e o chorrilho de lugares-comuns. Para alguém que, por mero acaso, tenha aterrado pela primeira vez nesta coisa dos blogs através da leitura de tal documento, o acervo de impressões resultantes não andará muito longe do seguinte binómio: primum, a "blogosfera" é um saco de gatos, com gatas assanhadas à mistura, e ainda uns quantos milhares de vespas assassinas; secundum, se, para criar um blog, é preciso ir ao Sapo, então criar um blog deve ser a maior trapalhada do mundo. De resto, esta paixão pelo Sapo, este amor virtualmente batráquio, é outro traço de identidade dos elementos do cartel; é que nem sequer disfarçam nadinha: quer-se um blog? É aqui, ó, no Sapo, pois claro; não há e nem se fala em mais nada.

 Pessoalmente, no entanto, recolhi um ensinamento da leitura do "dossier" que, embora não exactamente inesperado, me deixou um bocadinho fodido: é que o meu blog não existe. Ora merda. Eu sabia, mas ainda muito pouca gente se tinha apercebido disso; vai-se a ver, os gajos descobrem-me a careca, e o bico, e as asas mirradas. Truz-truz, já está: o meu blog não é de adolescentes, nem babyblog (porque não terão traduzido esta?), nem (só) de opinião, nem diário pessoal, nem de engate, nem de "registo de um processo", nem (só) político, nem colectivo, nem temático (?), nem panegírico (??), nem humorístico, nem dos "que nos obrigam a pensar" (???), nem sequer "antecâmara da impressão" (quarenta pontos de interrogação). Pois é, ó que grande tristeza, se eles dizem, a páginas 61 e 62, que estes são os tipos de blogs que existem, e se o meu blog não encaixa em nenhum dos tipos, porra, porra, porra, está visto, então o meu blog não existe. Com essa bem me foderam, cambada de bufos.

Mas enfim, ele há ali pérolas ou, como dizia nosso Eça, há ali talento, muito talento. Assim de repente não me recordo com exactidão de nenhuma daquelas excreções, exceptuando a do incipit lá em cima, mas fiquei sinceramente convencido de que, procurando bem, espiolhando como deve de ser, há-de haver lá qualquer coisinha mais jeitosa. É tudo uma questão de paciência.

 

 

Cenas dos próximos capítulos: os cães anarquistas vão outra vez ser atirados às canelas do artista; o artista espeta-lhes umas pauladas no focinho; tunga, tunga, tunga, kaim, kaim, kaim; como irão eles fazer o curativo? Será que D. Xica vai recompensar o bóbi? Ou irá açular o mastim contra outra pessoa, para se vingar à séria?
Não perca. É já a seguir.

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30/08/06

Olivemount Pictures presents...

"Pallywood", alegadamente a nova Meca do cinema.
Cenas de guerra na Palestina, alegadamente encenadas.






O nascimento de um ícone.
Parece que nem tudo é o que parece.



Mais info: Second Draft

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29/08/06

Tripas (iach!) à moda do Porto versus Dobrada à moda de Lisboa


Tripas à Moda do Porto

Ingredientes:
Para 10 pessoas

  • 1 kg de tripas de vitela (compreendendo livros ou folhos, favos e a touca)
  • 1 mão de vitela
  • 150 grs de chouriço de carne
  • 150 grs de orelheira
  • 150 grs de toucinho entremeado ou presunto
  • 150 grs de salpicão
  • 150 grs de carne da cabeça de porco
  • 1 frango ou meia galinha
  • 1 kg de feijão manteiga
  • 2 cenouras
  • 2 cebolas grandes
  • 1 colher de sopa de banha
  • 1 ramo de salsa
  • 1 folha de louro
  • sal
  • pimenta
Confecção:

Lavam-se as tripas muito bem e esfregam-se com sal e limão.
Cozem-se em água com sal.
Limpa-se a mão de vitela e coze-se.
Noutro recipiente cozem-se as restantes carnes e o frango.
Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
Coze-se o feijão, que já está demolhado, com as cenouras às rodelas e uma cebola aos gomos.
Pica-se uma cebola e «estala-se» numa colher de banha.
Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas, frango, enchidos, etc.).
Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão.
Tempera-se com sal, pimenta preta moída na altura, o louro e a salsa.
Deixa-se apurar bem.
Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou de barro, polvilhado, segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.

* A este prato devem os Portuenses o epípeto de Tripeiros de que muito se orgulham e que é como que o testemunho da sua reconhecida generosidade.
Dizem uns que esta receita data de 1384 e que se deve ao facto de os Portuenses terem enviado toda a carne para a frota que, chefiada por Rui Pereira, veio em auxílio de Lisboa, cercada por D. João I de Castela; outros atribuem o facto, uma vez mais, à generosidade dos Tripeiros que, em circunstâncias semelhantes, aquando da expedição de Ceuta, ficaram reduzidos a comer apenas as miudezas da carne.



Dobrada à moda de Lisboa

Ingredientes:
Para 2 pessoas

  • 300 gr de dobrada de novilho (não compreendendo nada, é só dobrada mesmo)
  • 1 chispe de novilho
  • umas rodelitas de chouriço corrente
  • um pedacito de orelheira
  • um cubozito de toucinho entremeado ou presunto
  • umas rodelitas de chouriço alentejano genuíno
  • uns pedacitos de carne da cabeça de porco
  • 1/4 frango ou 1 perna de galinha
  • 200 gr de feijão manteiga
  • 1/2 cenoura
  • 1 cebola pequena
  • 1 colher de chá de banha
  • umas quantas folhitas de salsa
  • 1/2 folha de louro
  • sal
  • pimenta
Confecção:

Lava-se a dobrada muito bem e esfrega-se com sal e limão.
Coze-se em água com sal.
Limpa-se o chispe de novilho e coze-se.
Noutro recipiente, cozem-se as restantes carnes e o frango.
Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
Coze-se o feijão, que já está demolhado, com a cenoura às rodelas e uma cebola aos gomos.
Pica-se uma cebola e «estala-se» numa colher de banha.
Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas a dobrada, frango, enchidos, etc.).
Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão.
Tempera-se com sal, pimenta preta moída na altura, o louro e a salsa.
Deixa-se apurar bem.
Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou de barro, polvilhado, segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.

* A este prato não devem os lisboetas nenhum epípeto, do que muito se orgulham, e que é como que o testemunho da sua reconhecida generosidade.
Dizem uns que esta receita data de 1984 e que se deve ao facto de os lisboetas se terem lembrado de emitar os Portuenses, se bem que não utilizando linguagem nojenta na receita; outros atribuem o facto, uma vez mais, à generosidade dos lisboetas que, fartos de batatas fritas de pacote e de frango de churrasco, acharam por bem reproduzir um prato típico do Porto, substancial e suculento, mudando-lhe apenas o nome e reduzindo drasticamente nas quantidades.

Este pitéu é recomendado em casos de stress extremo, cansaço generalizado, desgostos de amor, problemas financeiros, bancarrota, para quando o Benfica perde (ou ganha, é consoante) e ainda como paliativo eficaz no tratamento de nevralgias, escoliose, pé chato, catarro e rouquidão. Acompanhado com um bom vinho alentejano ou duriense, diz que faz milagres, a bela dobrada, cura a mais renitente dor-de-corno, apaga o mau-olhado e os trabalhos de magia negra, resolve casos difíceis de inveja, afasta e aproxima (é consoante) a pessoa amada, ou seja, ganha de capilota a uma consulta com o Doutor Karamba, 41 anos de experiência há mais de 15 anos. Temperada com piri-piri, há quem assevere que a dobrada dá uma tesão daqui até ao Brasil. Supimpa.
Bom apetite.



(a receita original - tripeira - foi recebida por e-mail, de remetente incógnito)

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27/08/06

O cefalópode completamente estúpido

1) Anti-imperialism is impotent. The left-wing radicals who describe themselves as anti-imperialists, and who engage in the unending, indiscriminate demonisation and denunciation of the US and its allies, have no idea about how to 'defeat imperialism', nor any means to bring it about. The high-point of the Western left's anti-imperialism was probably the US defeat in the Vietnam war - brought about in part by the anti-war demonstrations in the West, it is true, but also by a set of fortuitous circumstances: the largeness of Vietnam as a country (with one quarter the population of the US); the skill and dedication of the North Vietnamese / Vietcong resistance; and the support given by the Soviets and Chinese to the latter. Take away such circumstances and anti-imperialism is a broken reed. Thirty years after its defeat in Vietnam, the US and liberal Western capitalism are stronger than ever. Even the million-strong monster demonstration in London against the Iraq war failed to prevent British participation. Anti-imperialism gives moral satisfaction to the anti-imperialist, but does not actually weaken or halt 'imperialism' in any way.
2) Anti-imperialism has no positive content. The socialists who opposed World War I, and the left-wing radicals who demonstrated against the Vietnam War, did so in the belief that they were fighting for a better society - one that the Bolshevik Revolution and the Communist victory in Vietnam seemed to them to be heralding. Now that Communism has been discredited and there is no alternative to the Western liberal-capitalist model on the horizon, the current generation of anti-imperialists continue to demonstrate against Western intervention and the liberal-capitalist system, but without offering anything in return: the idealists have been transformed into nihilists; their victory promises not a better, more just and egalitarian world, but the triumph of genocide in the Balkans and fundamentalism in the Middle East, in return for a minor setback to our own democratically elected leaders.

Marko Attila Hoare(*)

Estes são as primeiras duas razões, de uma série de doze, que levaram uma pessoa a deixar de militar pela causa "anti-imperialista" e a passar-se - sem armas, mas com bastantes bagagens intelectuais - para o campo do adversário. Claro que é apenas uma opinião mas, neste caso, temperada com experiência q.b. e com o sal do conhecimento da tese inversa: não é absolutamente necessário, mas dá muito jeito fundamentar uma opinião com o facto de se ter tido antes a opinião contrária - e parece ser o caso.

Algumas pessoas, por estranho que isso possa parecer a quem lê uns jornais e ouve falar de umas coisas, duvidam de que as esquerdas apoiem actualmente o fundamentalismo islâmico e, numa palavra, o terrorismo, pelo simples facto de que este combate o velho "inimigo de classe", o "imperialismo", ou seja, os Estados Unidos da América e os seus aliados, especialmente a Inglaterra e Israel. Parece impossível, para essas incrédulas pessoas, que alguém seja capaz de apoiar os facínoras que fazem explodir aviões e autocarros, que se fazem explodir a si próprias em locais apinhados de gente; pode lá ser que alguém em seu perfeito juízo, e para mais com uma longa tradição de amizade com os "desfavorecidos" e de "solidariedade" com as "causas" mais meritórias e boazinhas, possa estar agora ao lado dos terroristas, que matam e esfolam a troco de nada, umas quantas virgens no paraíso ou pouco mais, grandes malucos. Onde já se viu, as esquerdas, essa boa gente das longas marchas e dos longos apêndices capilares, mas como, comunistas, socialistas, anarquistas e outros esquerdistas indiferenciados, pode lá ser, vão agora misturar-se com pessoal assim de tão má catadura, malta da pesada, gajos saídos directamente da Idade das Trevas para as ruas de Nova Iorque e de Londres, não, que horror, não dá para acreditar.

Pois é. Mas é. As esquerdas, órfãs de referências geográficas, desaparecidos todos os paraísos socialistas que existiam à face da Terra, mantêm no essencial todo o discurso, o mesmo de sempre, e inalterada a estratégia, também sempre a mesma: o inimigo da paz mundial é o capitalismo, sendo a face visível deste o imperialismo americano, e a globalização a sua consequência mais palpável; assim, hoje como dantes, os Estados Unidos representam o verdadeiro eixo do mal da moral sinistra, a cabeça do polvo global que estende os seus braços enormes - os aliados ocidentais - por sobre a sua vítima redonda, ligeiramente achatada nos pólos, essa Terra que o mesmo polvo pretende deglutir voraz e rapidamente; tem ainda, este horrível bicho de uma só cabeça, além dos braços poderosos e cheios de ventosas capitalistas, um bico rijo no centro, Israel, que utiliza para aniquilar as presas, exaurindo-as até à morte por asfixia. Nesta alegoria zoológica, agora que se extinguiram todas as avis sovieticum, o Islão radical surge como avezinha salvadora, evidentemente uma pomba branca irradiando paz e bem-aventurança, um passarinho inocente, ave sem nada de abutre ou de mau-agoiro, muito canora e ideologicamente emplumada. A calhar, enfim, ainda por cima à falta de melhor, para a obsessão primordial das esquerdas, o anti-americanismo, em todas as suas formas e variantes, desde o anti-semitismo, essa energética e revigorante actividade, ao anti-capitalismo em geral e à anti-globalização, pois claro, em particular.

Acabou-se a teta dos amanhãs que cantam, secou-se-lhe o leitinho da felicidade eterna em vida, pois bem, não tem nada que enganar, a esquerda vira-se imediatamente para aquilo que está mais à mão, por assim dizer, pois que seja o islamismo radical, até que é giro, parece bem e tudo, com aqueles panos negros e aquela abençoada pobreza, aquela fascinante e comovente idolatria da ignorância, o maravilhoso obscurantismo a que são forçados; o caso está em que eles, os novos pobrezinhos de eleição, despedacem uns quantos americanos à bomba, despejem seus mísseis nas ruas de Tel-A-Viv e de Jerusalém, que estoirem uns autocarros em Londres e uns comboios em Madrid. O que faz falta, como dizem esquerdistas, é animar a malta, manter a chama acesa, e está-se mesmo a ver que ninguém melhor para o efeito do que os "espoliados" árabes, essas vítimas da ganância capitalista, essa pobre gente que vive nos países mais ricos do mundo mas que não tem nada, nada, nada, coitadinhos, por culpa, obviamente, exclusivamente, dos americanos e dos seus aliados sionistas.

Alegarão possivelmente, as alminhas mais incrédulas, perante tanta obtusidade, que "nem toda" a esquerda política estará inequivocamente do lado do islamismo radical e que não quererá por certo, para si e para os seus, o modelo de sociedade medieval preconizado pelo Islão. Com certeza que não, aliás na sequência do plano estratégico que sempre regulou aquelas mentes perturbadas, desde os tempos de Stalin, Mao e Pol-Pot: nunca se viram filas de espera nas fronteiras de qualquer paraíso socialista, isto é, para lá entrar; quando muito, haveria filas, mas do lado de dentro, de gente que pretendia escapar a tanta felicidade junta; a nenhum esquerdista bem-pensante ocorreu alguma vez a peregrina ideia de emigrar para as terras do Tio Ivan; o que, alegre e petulantemente, nunca os impediu de "lutar" contra os malefícios do capitalismo e abraçando sistematicamente as "causas" dos paladinos das "amplas liberdades", os mesmos que não permitiam nem amplas nem restritas nos respectivos países do império soviético.

Desde que o fundamentalismo árabe cumpra a sua função utilitária de ataque sistemático às estruturas físicas democráticas, americanas e ocidentais, as esquerdas ocidentais, antidemocráticas e visceralmente anti-americanas permanecerão como fiel aliado de tão providencial braço armado; enquanto os terroristas fizerem o seu trabalho sujo e sanguinário, as esquerdas esfregarão as mãos de contentes, já que, mesmo não tendo nada para oferecer em troca do sistema que pretendem liquidar, ao menos têm um vestígio de fundamentação ideológica para a sua sanha: se a culpa (seja lá do que for) não é dos americanos, então porque é que os árabes os atacam com tanta ferocidade? Aliás, note-se, os terroristas não atacam, pelo contrário, defendem-se... coitadinhos. De onde lhes vem tanta raiva, se não do mal atroz que o ocidente lhes inflige? E aquilo não é nada de especial, uns prediozitos, umas carruagenzitas, é só fumaça, os árabes não querem matar inocentes, são impecáveis na selecção dos alvos. Por consequência, o capitalismo, o imperialismo, os americanos e os judeus apenas têm aquilo que merecem; os árabes limitam-se a ajustar as contas da História e por isso mesmo é-lhes devida não apenas toda a admiração como o apoio mais entusiástico.

Não é belo? Não é absolutamente férrea, esta lógica? Pois claro que é. Quem não entende uma coisa tão simples, ou pertence à pior espécie de cegos ou é burro que nem uma porta. Um choco, ou coisa parecida.


(*) via Blogue Revista Atlântico

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26/08/06

Modesto contributo para a meritória iniciativa de nosso Pacheco

16:02 (001)

RETRATOS DO TRABALHO EM ALBUFEIRA, PORTUGAL

Trabalhadores sacrificadamente criando um bronze
uniforme, tendo o cuidado de não apanhar escaldões.


16:09 (001)

RETRATOS DO TRABALHO EM CARCAVELOS, PORTUGAL

Trabalhadores da arte do arrasto em pleno gamanço,
com a trabalheira acessória de fugir à bófia (Junho 2005)



16:22 (001)

RETRATOS DO TRABALHO EM MARCO DE CANAVESES, PORTUGAL

Tocando bombo, mas devagarinho e não muito.
Se tocar muito e depressa, o trabalhador pode
tornar-se bombista suicida.



(para não destoar do Abrupto, não se citam nem as origens nem os autores das fotos)

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