Mensagem devolvida
Veio devolvida (por duas vezes) a minha resposta à mensagem que Ferreira Fernandes me enviou, a propósito de um "post" sobre livro de sua autoria; na sequência deste "post", o Sr. Ferreira Fernandes fez o favor de me remeter uma lista, à qual respondi com outra.
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----- Mensagem Original -----
De dodo2004@iol.pt
Data Sat, 15 May 2004 17:11:40 +0100
Para Ferreira Fernandes ffernandes@sabado.investec.pt
Assunto Re: Ferreira Fernandes
Caro Senhor Ferreira Fernandes,
Muito obrigado pela sua mensagem.
O blog "do Godot" é absolutamente insignificante e os meus escritos apenas a mim próprio interessam, o que se pode perfeitamente aferir pelo número e tipo de visitantes que ali vão, a maioria ao engano ou por mero acaso, e apenas dois ou três com mais alguma atenção. Portanto, muito me surpreendeu a sua primeira resposta, a qual não teria tido retorno, de resto, não fosse o apelativo que escreveu em assunto e o seu remoque final, os quais considerei vagamente ofensivos. Não tenho qualquer espécie de autoridade, linguística ou outra, para dar "lições", sejam estas de Português (há muito que deixei o Ensino) ou de qualquer outra disciplina ou natureza.
Já escrevi ali coisas muito "piores" a respeito de Lobo Antunes e de Saramago, por exemplo. E isso que tem? Desde quando um perfeito anónimo, como eu, tuge a respeito de qualquer assunto e isso muge o que quer que seja? Evidentemente, suponho, nem a um nem a outro ocorreria responder-me, na muito remota e imensamente académica hipótese de alguma vez toparem com o "Godot", um simples blog, tão anónimo como qualquer outro(***).
A minha lista de resposta não teve qualquer intenção de "esmagar"; sei perfeitamente que a "sua" expressão é muito mais utilizada do que a "minha"; como "deparar-se com", "há dias atrás", etc.; é absolutamente igual ao litro que uma esmagadora maioria profira asneiras e que estas acabem, mais tarde ou mais cedo, por se tornar acervo académico e atestado. Resolvi, simplesmente, "pagar" a sua listinha na mesma moeda. Exactamente na mesma medida e com as mesmas intenção e intensidade, como de resto fiz com o apelativo em assunto e com o remoque final: devolvi na mesma medida. Procurando não ofender ou insultar, contudo, porque realmente a questão é demasiadamente irrelevante.
Por conseguinte, não vejo como pude, posso ou poderei eu atirar seja com o que for "para a fogueira". Nunca ninguém tinha chamado isso à minha modesta opinião, o que não deixa de ser, por paradoxo, um pouco prestigiante; mas garanto-lhe que dispensava bem a vaidade.
Quanto a sarcasmo, suponho estarmos também esclarecidos: não fui eu quem usou de tal coisa. O tratamento mais desrespeitoso que usei foi o de "o Fernandes" e, neste, limitei-me a repetir - citando - a autora do artigo em causa.
Digo-lhe estas coisas porque espero, sinceramente e sem quaisquer ironias, que o seu livro tenha o maior sucesso. E reafirmo que nunca me passou pela cabeça que aquilo que escrevi a respeito pudesse vir a ter a mais ínfima das repercussões, e muito menos ainda por parte do próprio autor. Ao qual desejo também os maiores sucessos, pessoais e literários, e continue a gozar de excelente saúde.
Cumprimentos.
http://001.blogspot.com
(***) Abreviando uma longuíssima explicação, perdoará que mantenha o anonimato. Sempre a mantive, neste como em outros "blogs" e como acontece com a maioria dos autores desta nova forma de expressão; aliás, o anonimato - ou a assunção de alter-ego - faz parte do próprio conceito que define, descreve e resume o termo "weblog". Não bulindo este assunto, uma simples e microscópica divergência linguística, com questões mais sérias - como honra ou hombridade, questões pessoais - não me parece necessário quebrar agora essa regra.
----- Mensagem Original -----
De: Ferreira Fernandes ffernandes@sabado.investec.pt
Data: Quarta-Feira, 12 de Maio de 2004, 20:34
Assunto: Ferreira Fernandes
Olá,
Não precisa de me lembrar que muita e boa gente escreve correctamente "lembro-me de que…". Eu sabia. Por isso não fico esmagado com os 2230 resultados no Google (tenho para a troca 8430 "lembro-me que…", no mesmo sítio). Aliás, se fosse caso de eu ignorar a justeza do "eu lembro-me de que…", para esmagar bastava citar-me o Gilberto Freyre, que tanto admiro desde pequenino (no ano passado, estive na casa que foi dele, até peguei na tartaruga que o conheceu). Com o argumento de autoridade de Freyre, só o saber que Rubem Braga, o maior cronista da língua portuguesa contemporânea, alinha na turma do "lembro-me que…" me tira da angústia: "Lembro-me que, apesar de sentir esse fascínio do Rio de Janeiro…", Rubem Braga, em "Quando o Rio não era Rio" (este eu ainda não tinha citado, guardando para a artilharia final). Se o Braga simplifica, não seguindo a Gramática, é sabido que a Gramática o seguirá. Entretanto, já eu apanhei boleia. Dito isto, é legítimo que queira guardar o templo das normas.
Obrigado, pela lição. Que não vou seguir.
Já gostei menos do seu sectarismo em lançar para a fogueira um livro que merece mais do que um sarcasmo. "Lembro-me que…" é um livro que cuida dos factos, exercício que não é habitual entre nós.
Até outro dia,
José Ferreira Fernandes





